A Guardiã
5 Lembranças
Notas iniciais
Nossa protagonista descobre ter uma ligação muito forte com Tolkien...
Qual é ela? Só lendo para saber...
Qual é ela? Só lendo para saber...
— Bom dia eu acariciei suas bochechas Está mais tranquila agora? — Dormi como uma pedra ela riu — Que bom eu correspondi à risada vamos levantar e ver como estão as coisas lá embaixo. — Acho que vou voltar pro meu quarto então ela pulou da cama e me deu um abraço Tchau mana! — Tchau Ali — sorri sozinha vendo-a desaparecer no corredor *** Desci as escadas e encontrei meu pai, vovó e Joe conversando na cozinha. — Bom dia saudei — Bom dia filha — meu pai deu-me um beijo na testa — Como passou a noite querida? perguntou minha vó — Bem eu respirei quer dizer... Alicia acordou assustada no meio da noite e foi até meu quarto dizendo que a janela tinha aberto. — Aberto? questionou Joe Aquelas janelas são bem pesadas Mary, pesadas até para um vento como aquele da noite passada. — Eu sei Joe, mas fui até lá e a janela estava realmente aberta. eu olhei para meu pai Depois que a fechei, vi umas coisas estranhas perto do portão. — Coisas estranhas? meu pai franziu a testa — Acho que pode ter sido só um sonho ou uma viajada que eu dei, mas pensei ter visto cavaleiros negros. — Cavaleiros negros? perguntou minha avó parecendo preocupada, só não sabia se era com minha sanidade ou com o que disse — Ora filha meu pai riu você está imaginando coisas, talvez sejam os livros que tem lido. — Acho que isso tem um fundo de verdade Robert repreendeu minha vó ainda olhando-me Nossos vizinhos relataram a aparição de uns viajantes meio estranhos pela propriedade à noite. — Eu já os vi confessou Joe com os olhos arregalados e fixos no chão mesmo de longe me deram calafrios, senti uma tristeza imensa, como se a esperança tivesse minguado. Esta era a frase que eu pedia pra não ouvir, pois era a exata descrição do sentimento provocado pelos Espectros. — Mas agora se acalme e sente-se para tomar o delicioso café da vovó Meg! comemorou minha vó Neste momento Mark apareceu. Estava descalço de usava um macacão de jardinagem de um tom verde escuro sujo de barro. — Mark? perguntei olhando-o — Não ria ele mesmo se esforçava para não rir Os estragos não foram tão grandes quanto a gente imaginava. — O que quer dizer exatamente? perguntou Joe — Não tem outro jeito de sair a não ser de galochas, está tudo um atoleiro ele apontou para si próprio — Nenhuma telha quebrada, nada de problemas com o celeiro, ou o galpão? perguntou Joe com curiosidade — Não sei como e muito menos por que pai, mas nada ocorreu com a propriedade. — E as fazendas e silos das redondezas? perguntou vovó Mark baixou os olhos para seus pés, sério. — Mark eu me levantei e olhei dentro de seus olhos castanhos, algo estava errado, eu sabia o que aconteceu? — Parece que alguma coisa atacou o senhor Wilbber durante a noite. respondeu ele — Santo Deus! arfou minha vó — Como ele está? questionou meu pai Pobre senhora Wilbber... — No hospital, em estado grave, ainda não sabem se ele sai dessa. Mark voltou a baixar os olhos, eu forcei-o a me olhar novamente. — O que o atacou? perguntei de modo firme — O caseiro disse ter visto três cavaleiros encapuzados rondando a fazenda e logo depois... — Eu disse que não estava louca respondi virando-me para Joe e meu pai, ambos perplexos *** Meu pai, Joe e vovó foram até o hospital logo após o almoço, eu e Ali resolvemos ajudar Mark na limpeza do pátio. — É falei enquanto varia as folhas acumuladas na varanda com uma vassoura de palha você não tava brincando quando disse que aqui fora estava um atoleiro — Eu avisei ele riu — Eca! exclamou Alicia olhando para suas roupas eu tô ficando marrom! reclamou ela — Eu acho que também estou ficando marrom eu ri — Ok Ali, — Mark limpou um pouco de barro de seu macacão onde colocou o balde que eu estava usando para colocar as folhas? — Coloquei atrás da casa quando fui buscar a pá respondeu serena — Eu busco ofereci-me andando a passos largos entre galhos e folhas Contornei a casa com rapidez, até demais, já conseguia ver a balde então me dei o direito de correr em sua direção. Um erro primário. Tropecei em um grande galho e quando achei que pararia ao tocar o chão, fui surpreendida quando o atravessei. Cai de bruços no chão duro, feito de madeira levantando uma nuvem de pó acima de minha cabeça.
Tossi e limpei a poeira de meu macacão, meus joelhos doíam e minhas mãos estavam levemente esfoladas. — Caramba exclamei olhando ao redor até onde meus olhos podiam ver — Mary! escutei os gritos de Mark logo acima — Mana! — Estou aqui embaixo! gritei a plenos pulmões — Poxa! Parece que você achou o velho porão de Green Valley! ergo os olhos e vejo a cabeça de Mark pela abertura — Está bem? Não se machucou? — Acho que meus joelhos vão ficar roxos, mas fora isso, estou inteira. Lancei o olhar em direção ao ponto em que a luz do sol incidia quase totalmente, focalizada em um retrato amarelado e gasto pela umidade. — Ei! Tome cuidado aí embaixo! gritou Mark Eu e Ali vamos buscar uma escada para você! — Cuidado mana, já voltamos para te resgastar! anunciou Alicia Ri de seu erro de português e apertei os olhos, passei as mãos pelo papel grosso e esforcei-me para ler o que estava escrito em seu canto inferior. — Em homenagem a meu querido... prendi a respiração, aquilo já era demais para uma pessoa só John Ronald Reuel Tolkien... Contornei o retrato e encontrei mais fotos de meu escritor favorito, fotos dele com seus filhos e esposa. E claro, o inconfundível Tolkien, fumando seu cachimbo rodeado por uma menina de olhos brilhantes e cabelos cacheados. Arfei e a surpresa percorreu meu corpo de modo que o sangue se esvaiu de meu rosto, pois a menina no retrato era minha avó.
Notas finais
E aí, gostaram?
Bjos...
Bjos...
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