Sandman cobriu a boca quando soltou um grande bocejo e piscou os olhos cansados. Ele se virou para a figura ao seu lado e só poder sorrir com o que viu.

Aos seus pés, deitado na nuvem de areia do sono dourada, Celennis dormia. E por um momento, enquanto os fios de areia se estendiam por si só para todas as casas da região, Sandy se permitiu admirar a Estrela ao seu lado. Não era de se admirar que Celennis tinha dormido, especialmente ali; Norte podia dizer que todo mundo amava o seu trenó, mas ninguém podia resistir à nuvem de areia de Sandman, literalmente.

Celennis estava deitado de lado, os joelhos dobrados e puxados para cima, o fazendo se curvar em volta de si mesmo para caber melhor no espaço pequeno, e com os braços curvados, descansavam em baixo de sua cabeça, servindo de travesseiro, mesmo sem precisar de na areia fofa. Seu cabelo longo caia por cima de seus ombros, descendo sobre ele como uma cascata prateada; algumas mechas emolduravam seu rosto, mas uma delas tinha decidido cair bem por cima de seu nariz pequeno e redondo.

Sandman delicadamente afastou aquela mecha, vendo o rosto de Celennis em sua totalidade. As feições delicadas da estrela pálida estavam relaxadas, lábios prateados levemente entreabertos enquanto ele respira devagar. Sandy sentiu seu coração bater um pouquinho mais forte, e ele riu sem som; só havia um rosto dorminhoco que arrancava aquele tipo de reação dele, e era o do jovem estrela.

Ele desviou o olhar para a cidade embaixo deles, bocejando mais uma vez. Sandy sempre se sentia sonolento, como era de se esperar, mas pela primeira vez em um bom tempo ele estava se sentindo mais sonolento que o normal, e observar Celennis dormindo não ajudava sua situação. Talvez fosse hora de fazer uma pausa...?

Como se tivesse ouvido os pensamentos do Guardião dos Sonhos, um raio de luz da lua dançou na direção do homenzinho. Sandman piscou as pálpebras pesadas enquanto o raio de luar pulava de um lado para o outro, brilhando e falando com ele do modo especial que os raios de luar normalmente falavam.

Sandy ouviu e se virou para a lua com um sorriso; ele podia não conseguir ver o Homem da Lua (além do sorriso desse que sempre enfeitava o satélite quando estava em sua fase cheia), mas ele sabia que seu amigo o via. Ele fez um sinal, perguntando a seu modo se o outro tinha certeza do que tinha oferecido. A luz da lua brilhou mais forte por um momento, e Sandman recebeu a mensagem. Seu sorriso cresceu e ele se inclinou de modo respeitoso, repetindo o gesto o raio de luar.

Sandy lançou vários fios dourados de areia de sonho uma última vez, antes de mandar a nuvem em uma direção específica. Os fios o acompanharam enquanto ele se movia, descendo sobre a cidade e sendo capturados pelos raios de luar dançantes que os levariam na direção que precisavam ir.

Em pouco tempo a cidade foi ficando para trás, assim como as outras cidades, e os campos, e as florestas, e as montanhas, e as praias... até que tudo o que havia embaixo da nuvem de areia dourada era a imensidão do mar.

Durante toda a viagem, Celennis nem reagiu.

Após um longo caminho sobre as águas, o destino que eles buscavam finalmente surgiu ao longe: uma grande ilha dourada que brilhava entre as águas escuras e o céu estrelado, suas torres cintilantes se esticando para o alto como faróis, guiando o Guardião em seu caminho.

Nas ondas gentis, surgiram as sereias que guardavam a ilha quando o homenzinho Estrela estava longe de seu lar. Com sorrisos e acenos elas os receberam enquanto a nuvem desceu, devagar, até tocar a praia dourada da ilha.

Celennis continuava dormindo, ignorando as vozes doces das sereias e o tilintar da areia mágica.

Com cuidado, e com uma facilidade que muitos não esperariam de um homenzinho de seu tamanho, Sandman ergueu Celennis em seus braços; o rapaz ser feito de luz e não pesar praticamente nada, honestamente, só ajudava a situação. Seria até engraçado ver Sandy carregando alguém duas vezes o seu tamanho, mas não havia ninguém ali para ver ou rir, nem mesmo as sereia, que já tinham voltado para o fundo do mar, deixando o Guardião e seu companheiro sozinhos, para dormirem em paz.

Suave e lentamente, Sandy pulou da nuvem e flutuou até o chão, deixando que a nuvem se unisse à areia dourada da praia como se nunca tivesse existido separadamente.

No meio do caminho da entrada para o quarto na casa cintilante, para a surpresa de Sandy, Celennis bocejou, piscando os olhos pela primeira vez em algumas horas.

"Hm...? Sandy?" A voz do outro pesava com sono e cansaço e para Sandy era o som mais bonito do mundo.

Sandy tilintou baixinho, sorrindo para a Estrela em seus braços.

"Onde estamos...?" Celennis olhou em volta, grogue, e seus olhos negros como o cosmo se abriram um pouco mais ao perceber onde estava. "Oh... Que bonito..." murmurou, claramente ainda perdido no limbo entre o mundo acordado e o mundo dos sonhos.

Sandy riu sem som algum, abaixando Celennis sobre a "cama" de areia na sala mais alta da ilha. O teto era aberto, permitindo que a luz da lua caísse sobre eles, intensificando a luz pálida de Celennis e fazendo toda a ilha brilhar ainda mais.

"Por que estamos aqui...?" perguntou Celennis, lutando contra o sono uma vez mais enquanto sua cabeça era deitada sobre a areia fofa.

Sandy explicou que ele precisava recarregar seus poderes, o que significava que iria tomar um tempo para dormir e sonhar por alguns dias e noites. Como que para pontuar suas palavras silenciosas, ele soltou um outro bocejo, dessa vez bem maior que os outros.

Celennis piscou olhos pesados e Sandy sentiu suas próprias pálpebras querendo fechar enquanto deitava ao lado da Estrela pálida.

"Mas... Os sonhos?" A voz de Celennis já estava se tornando mais parecida com o tilintar de sinos do que uma voz de verdade.

Sandman sorriu, entendendo a preocupação, e acalmou o rapaz simplesmente apontando para a lua que brilhava acima deles.

"Ah..." Foi tudo o que Celennis conseguiu dizer antes que seus olhos se fechassem totalmente.

O sorriso de Sandy se alargou ainda mais quando Celennis se aconchegou ao seu lado, uma mão pálida e de dedos finos esticando até ele. Sandman segurou a mão de Celennis na sua e fechou os olhos, se deixando sonhar, ainda com um sorriso no rosto.

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