A Guardiã

8 Capítulo Sete: Confusão de sentimentos


A guardiã: Nosso destino é a eternidade...

Capítulo Sete: Confusão de sentimentos

Sabe o que é engraçado?

Durante o treinamento, percebi a tatuagem no pescoço de Caius.

Sim, ele tinha um ouroboros marcando sua pele e isso só podia significar que ele era um Guardião. Perguntei a Edward e ele me disse que Caius era o Guardião de Aro.

Ah, não achou engaçado?

O problema é que agora eu ficava imaginando se Aro e Caius eram gays. E a culpa disso era de Edward, que foi me falar aquelas coisas. Eu tenho uma imaginação fértil demais.

E ainda tem outra coisa.

Eu ficava olhando para os Guardiões e seus mestres, imaginando o que faziam quando estavam sozinhos. E isso também era culpa de Edward, por causa daqueles beijos e daqueles toques.

Ainda não achou engraçado?

Pois escute essa: eu parecia estar doente, com o rosto todo corado o tempo inteiro e cheia de calor ao ficar imaginando isso. E Edward acabou me perguntando se eu ia conseguir ser mais estranha do que eu já era, já que os Guardiões nunca ficavam doentes.

Tirando esses fatos engraçados (e leia-se aqui que eu não achei graça nenhuma), o treinamento correu bem. Eu fiz dupla com Edward, e depois, quando obrigaram os Guardiões e os Vampiros a treinar com sua própria espécie, fiz par com Jacob.

Aparentemente nós dois estávamos nos saindo muito melhor do que o General e o Capitão estiveram esperando. Jake, claro, acabou impressionando a todos também.

Independente disso, teríamos que treinar ainda amanhã à noite. Depois, na manhã seguinte, partiríamos em missão.

Por hoje, então, fomos dispensados para que os Vampiros descansassem.

Quando chegamos ao nosso quarto, Edward foi tomar banho. Dessa vez ele não quis usar a banheira. Separei minhas roupas para entrar depois dele, mas quando Edward saiu, ele estava com a expressão séria.

– Isabella... Por que você fez aquilo, no pátio? – Ele perguntou de repente.

– Aquilo o quê? – Perguntei sem entender.

– Aquela luta idiota com James. – Ele disse.

– Eu não podia deixá-lo ficar falando daquele jeito. Não tenho estômago pra isso. – Eu falei na defensiva.

– Ainda assim, você deveria ter me obedecido quando falei para parar. – Ele reclamou.

– Eu pensei que você já tivesse percebido que eu não sou assim, Edward. – Eu falei muito séria. – Não gosto que mandem em mim e muito menos de ser forçada a fazer algo que eu não queira.

– Então terá que aprender. Por vezes, vai ter que obedecer às minhas ordens. Ainda mais agora, enquanto estivermos lá fora. – Edward falou com seriedade.

– Você pode me obrigar, não é? – Eu falei entre dentes.

– Posso, mas não queria chegar a isso. – Edward falou.

– Não pode me domar. – Eu falei definitivamente.

– Não é isso o que eu quero. – Edward negou.

– Ah, dá um tempo! – Eu exclamei incrédula, me voltando para sair do quarto.

– Volte, Isabella. – Edward mandou.

Pela segunda vez desde que conheci Edward, senti meu corpo se dobrar à sua vontade como se cordas invisíveis me obrigassem a isso. Meus olhos arderam quando me voltei para ele.

– Não é isso, não é? – Eu perguntei amargamente.

– Perdoe-me por isso. Você me tira do sério! – Edward exclamou, passando as mãos pelos cabelos já desarrumados. Então respirou fundo e olhou em meus olhos. – Eu prometo não fazer mais isso, se você me prometer que não vai mais ser tão rebelde. Por favor, Isie, me ajude.

Senti as cordas afrouxarem em meu corpo e suspirei. Com ele pedindo daquele jeitinho...

– Eu vou tentar, mas meu gênio é meio imprevisível... – Falei como quem não quer nada.

Edward riu e se aproximou, estendendo os braços em minha direção e me acomodando entre eles com força. Aproveitei aquele abraço o máximo que pude, então Edward me soltou.

– Pode ir tomar seu banho agora. – Edward falou indo em direção à cama. Peguei minhas coisas em me dirigi ao banheiro.

Imitei Edward e resolvi não encher a banheira. Fiquei apenas debaixo do chuveiro relaxando meus músculos na água quente e logo estava vestida em uma calça preta folgada de moletom, com uma blusa larga de cor cinza.

Edward estava todo encolhido sob as cobertas quando saí e fui direto até ele. Meu mestre ergueu as cobertas para mim e eu me acomodei junto dele.

Ele me abraçou e pude perceber que ele mais uma vez não usava nada para dormir. Não que eu estivesse prestando atenção. Por que não estava. Definitivamente não estava!

Edward me apertou com mais força em seus braços, distribuindo beijos por meu rosto até chegar aos meus lábios. Sua língua deslizou sensualmente para dentro da minha boca e eu acompanhei seus movimentos. Uma das mãos de Edward passeava lentamente pelas minhas costas.

– Por que tem que ser tão teimosa, petite rousse? – Edward sussurrou em meus lábios.

– Você não se importaria se também não fosse teimoso, Edward. – Eu respondi divertida. Ele riu, deslizando seus lábios pelo meu pescoço.

– Faz sentido. – Ele disse com a língua atormentando a minha pele já sensível.

– Agora se alimente, mestre. – Pedi.

Imediatamente senti suas presas em minha pele, drenando meu sangue em minha jugular. Suspirei, a mente vazia como sempre.

Pouco depois Edward se afastou com um suspiro e se acomodou na cama, me puxando para junto de si. Acomodei-me na curva de seu corpo e permaneci ali mesmo muito tempo depois de ele ter adormecido, apenas vigiando seu sono, observando seu rosto sereno.

Levantei-me apenas quando a fome atingiu seu auge. Tranquei bem a porta antes de sair. Prendi meus cabelos em um rabo-de-cavalo e me dei conta de que não sabia onde ficava o salão de refeições.

Peguei o caminho para o pátio e saí sob o sol forte, que indicava que estava perto do meio-dia.

Para minha sorte, Rosalie estava ali, e para meu azar, ela estava treinando com a ruiva que era Guardiã de James. Ela me lançou um olhar de repulsa, enquanto o de Rosalie era de extrema apreciação.

– Olá, Isabella. – Ela me cumprimentou.

– Pode me chamar de Isie. – Eu falei. – Eu estava procurando o salão de refeições. Estou morrendo de fome.

– Ah, pode seguir pelo corredor direto até uma porta dupla de madeira. – Rosalie informou.

– Obrigada. – Eu falei.

– Quer treinar conosco? – Rosalie convidou. A ruiva me lançou um olhar que indicava que ela me queria longe. Pigarreei.

– Acho que talvez mais tarde. – Falei me esquivando.

– Claro. – Rosalie assentiu.

Saí pelo corredor de entrada do forte e logo achei o lugar que Rosalie me indicara. Acho que devia ser a hora do almoço, por que o refeitório estava cheio.

Primeiro achei que fosse impressão minha, mas quando metade do refeitório se virou para me olhar e depois cochichar, tive certeza de que estavam falando de mim.

– Isie! Oi, Isie! – Jake me chamou de uma mesa no canto. Fui em sua direção sem olhar para ninguém. Nem queria saber o que estavam falando de mim.

– Hey, Jake. – Eu cumprimentei.

– Parece que fomos excluídos por sermos bons demais. – Jake falou.

A mesa onde ele estava era grande, mas não havia mais ninguém sentado ali, as pessoas preferindo se apertar em outras mesas, que estavam lotadas.

– É isso ai, parceiro! – Falei divertida, erguendo a mão para ele bater, coisa que ele fez rindo muito.

Eu não estava me importando muito com isso. Não era boa no que fazia para me exibir e qualquer um que achasse isso não sabia nada sobre mim. E se tem uma coisa que eu odeio mais do que gente que se acha, é gente que faz pré-julgamentos. E não faço questão de ser amiga de gente assim.

Jake e eu começamos a comer e estávamos conversando alegremente, sem nos importar com mais nada ou ninguém.

– Você acredita que já vamos sair em uma missão? – Eu perguntei animada.

– Nem um pouco! Fala sério, dá pra acreditar na nossa sorte? – Jake falou tão feliz quanto eu.

– Com certeza. – Respondi.

– Você soube da história do Oráculo? – Jake perguntou em voz baixa.

– Edward me contou. – Eu falei.

– Vai ser super excitante estar lá fora, lutando pela vida e salvando alguém importante. – Jake sussurrou.

– Concordo com você. Estou tão animada. Você me acharia louca por isso? – Perguntei. – Quero dizer, não quero morrer, mas isso vai ser simplesmente demais!

– Bom, se você é louca, então também sou, por que estou louco para sentir a adrenalina correndo! – Jake falou rindo.

– Jake, você é a minha alma gêmea! – Exclamei feliz. Jacob gargalhou estrondosamente.

– É isso ai, palito de fósforos. – Ele desarrumou meu cabelo. Eu fiz uma careta.

– Odeio esse apelido. – Eu resmunguei. – Me chamavam assim na escola.

– Mais um motivo pra eu te chamar assim. – Jake falou contente. Lancei-lhe um olhar mortal. – Tenho medo não, filhinha. E aí, vai querer treinar agora à tarde?

– Não, vou voltar para o quarto. – Eu falei distraída.

– Fazer o quê lá? – Jake quis saber.

– Nada só... Ver o Edward dormir. – Falei sem pensar. Jacob riu.

– Você está tão caidinha por ele que nem disfarça. – Ele disse.

– Não viaja, Jacob. Não viaja. – Falei na defensiva.

– Não está mais aqui quem falou. – Ele ergueu as mãos em sinal de rendição e eu revirei os olhos. Então me levantei.

– A gente se vê. – Eu disse.

– Beleza. – Jacob estava terminando seu quarto prato de macarronada, então não estava prestando muita atenção em mim quando eu saí.

Voltei para o quarto e Edward continuava do mesmo jeito que o havia deixado.

Entrei devagar sob as cobertas e me concheguei ao seu lado. Automaticamente Edward se moveu para me acomodar junto dele, ainda adormecido. Era como se estivesse esperando por mim. Então fiquei ali, acordada, apenas velando-o em seu sono diurno.

Admirei seu rosto calmo, com linhas delicadas e perfeitamente delineadas, porém com traços fortes e masculinos principalmente em seu queixo quadrado.

Suspirei involuntariamente.

Eu não sabia que horas eram agora, já que estava apreciando minhas horas de admiração. Só que alguém bateu à porta e eu me sobressaltei, pulando da cama para o chão rapidamente. Edward se mexeu sob as cobertas e eu me apressei a abrir a porta antes que ele acordasse.

Era Caius.

– O treinamento já vai começar. Se os dois puderem nos dar a honra de comparecer, seria maravilhoso. – Ele falou ironicamente.

– Não se preocupe com isso, Caius, estamos indo. – A voz de Edward chegou cortante até nós. Fiz uma cara de quem dizia “Bem feito!” para o Capitão e fechei a porta sem dizer mais nada.

Querendo ou não, Edward era primo do Rei e sobrinho do General.

Olhei para ele, que se espreguiçava na cama. Andei até lá e me sentei ao seu lado. Edward sorriu divertido, colocando os braços atrás da cabeça, deixando os músculos de seus braços e peito bem evidentes.

– O Caius é um chato. – Ele disse.

– Eles não querem que nós vamos a essa missão. – Eu afirmei. Na verdade aquilo estava bem óbvio.

– É despeito. Emmet não contou a ninguém onde Alice está. Ele disse que vai contar apenas a nós. Por isso o General e o Capitão estão com raiva. – Edward explicou.

– Emmet te disse isso? – Eu perguntei impressionada.

– Sim, durante o treinamento de ontem. – Edward contou.

– Agora entendi o stress. – Eu falei pensativa.

– Mas vamos, temos que começar o treino o quanto antes. Sairemos ao amanhecer. – Edward falou se levantando. Eu me apressei a buscar suas roupas e trouxe-as para ele.

Virei de lado para não olhar seu corpo nu, embora não tivesse deixado de registrar os pelos acobreados e sedosos que subiam até um pouco abaixo do seu umbigo.

Corei e resolvi falar alguma coisa para me distrair.

– Tem certeza de que é melhor partir de dia? – Perguntei com a voz fraca.

– Sim. Ganharemos tempo, já que os Vampiros Vermelhos também não podem sair ao sol. – Edward falou calmamente.

– Nem vocês! – Eu repliquei, me virando para encará-lo ao perceber que ele já estava usando a calça.

– Os carros têm vidro protegido contra os raios de sol, Isie. Sem stress! – Edward revirou os olhos.

Ele terminou de se vestir e então estendeu a mão para mim, me puxando de encontro ao seu peito. Minhas pernas fraquejaram.

– Apenas me prometa que vai fazer de tudo para sobreviver. – Ele sussurrou em meu ouvido.

– Tanto quanto vou fazer para protegê-lo. – Eu respondi com firmeza, mirando a piscina de seus olhos e praticamente me afogando nela.

– Espero então que goste o suficiente de mim para que ambos voltemos vivos. – Edward falou desviando o rosto para o meu pescoço, seu hálito quente em minha pele me deixando totalmente arrepiada.

– Eu... Gosto de você, Edward. – Eu falei em meio aos ofegos de minha respiração entrecortada.

– Que bom! – Ele sussurrou mais uma vez. Agarrei a manga de sua camisa enquanto seus lábios tocavam minha pele para depois furá-la com seus caninos.

Depois de beber meu sangue, Edward levantou seu rosto devagar e olhou para mim. Sentia minha boca entreaberta, esperando. Ele então deitou seus lábios rubros nos meus, permitindo que o sabor delicioso do sangue invadisse a minha boca junto com sua língua.

Meus joelhos cederam e Edward me segurou com firmeza pela cintura.

Nossos lábios brincaram em um jogo sensual, fazendo dueto com nossas línguas. Edward voltou ao meu ouvido para sussurrar.

– Só assim para você perder a marra, não é, Isabella? – Ele falou.

Suspirei, indefesa em seus braços. Era apenas ali que eu sentia que não podia me defender, embora também me sentisse totalmente segura.

– Não me provoque! – Respondi meramente com um fio de voz. Edward riu.

– Vamos, já estamos atrasados. – Edward falou e segurou a minha mão, me puxando para fora.

– Claro. – Eu disse.

Eu não entendia o que estava se passando entre Edward e eu.

Não tinha certeza se aquilo acontecia com todos os Guardiões e seus mestres, mas me impressionava a intensidade do que eu sentia por ele e do meu instinto de proteção.

Quero dizer, eu mal o conhecia. No entanto...

Eu sem dúvida colocaria minha vida à sua frente para protegê-lo. De qualquer forma, não haveria vida para mim sem ele. Logo, se eu partisse, seria bom pelo menos ter a certeza de que ele estaria bem.

Não sei por que essas coisas estavam me ocorrendo agora, talvez pela iminência de uma missão arriscada, mas com certeza era algo sólido e palpável.

Edward era minha vida agora, mesmo que ele me tirasse do sério às vezes.

O pátio estava cheio como na noite anterior. Jacob e Renesme já estavam lá. Ao me ver de mãos dadas com Edward, Jake sorriu com cara de safado, me fazendo corar. Ele estava pedindo um sacode. Ah se estava!

Essa noite foi como a anterior, para mim. Não via dificuldades em nenhum dos exercícios. Embora, ao que me pareça, o General parecia estar pegando mais pesado comigo e com Jake. Pelo menos foi isso que Edward achou, embora eu não tivesse percebido.

Algumas horas antes do amanhecer, o Rei chamou Edward, Renesme, Jacob e eu aos seus aposentos.

– Eu só podia confiar a localização de minha irmã a vocês. Marquei a localização no mapa. Ela não está muito longe da cidade, mas está em meio à floresta, o que dificulta a movimentação de vocês. – Emmet explicou, mostrando um mapa das redondezas.

– Vou guardar esse mapa como se fosse a minha vida. – Edward prometeu.

– Obrigado. Não sei o que faria sem vocês. – O Rei falou meio emocionado.

– Não se preocupe, Emmet. Vamos trazer Alice sã e salva. – Renesme apertou seu ombro.

– Claro. – Emmet concordou. – Agora precisam arrumar suas coisas. Vamos nos encontrar no pátio daqui a dez minutos.

Concordamos com a cabeça e saímos do quarto, Edward levando o mapa com ele. No nosso quarto, arrumamos nossas mochilas e Edward guardou o papel na sua.

Eu estava de costas quando senti braços fortes me agarrando pela cintura e puxando minhas costas de encontro a um peito firme. Perdi o ar com o ato inesperado.

Edward afastou meus cabelos do meu rosto, expondo meu pescoço. Ele beijou e mordiscou meu ombro, me forçando a encostar-me ao seu peito em busca de apoio.

– O que está fazendo? – Eu perguntei ofegante.

– Prometa que não vai fazer nenhuma besteira. – Edward pediu, ainda deixando beijos em meu pescoço. Ele afastou levemente minha blusa, expondo mais meu ombro.

– E-eu não sei do que es-tá falando. – Eu resmunguei, subitamente muito consciente de todo o meu corpo e de suas mãos circulando em minha barriga.

– Não vai sair por ai arriscando sua vida sem motivo. – Ele explicou.

– Edward... – Sussurrei.

– Eu não posso te perder, Isie. Sabe disso, não é? – Ele perguntou.

– Claro, sou sua Guardiã. – Respondi ainda fraca.

– Não é apenas por isso e você sabe. Apenas prometa. – Ele pediu, dando o golpe fatal ao morder o lóbulo de minha orelha.

– Eu prometo. – O que mais eu podia dizer? Quero é saber quem conseguiria resistir a isso!

– Obrigado. – Ele disse por fim, me virando de frente. Tocou meus lábios levemente com os seus e sem seguida se afastou. – Temos que ir.

Tudo que eu mais queria agora era perguntar o que Edward quis dizer quando falou que não era apenas pelo fato de eu ser sua Guardiã que ele não podia me perder.

Apenas não tive coragem de perguntar.

Estranho como eu me sentia pronta para enfrentar um exercito, mas não conseguia fazer uma simples pergunta a Edward.

Notas finais
Espero que tenham gostado do cap! ;*