A Guardiã
7 Capítulo Seis: Provando
Notas iniciais
No pátio, uma comitiva nos esperava.
A guardiã: Nosso destino é a eternidade...
Capítulo Seis: Provando
Havia muitas pessoas no pátio do forte, mas uma em especial se destacava. Era um homem alto, com cabelos castanhos e olhos amendoados usando um fino aro de ouro ao redor da cabeça, o qual se misturava aos seus cabelos encaracolados. Ao nos ver ele sorriu.
Quando chegamos perto o suficiente, Edward e Renesme se ajoelharam diante dele e, por conseguinte, Jake e eu fizemos o mesmo.
– Vossa Majestade! – Edward cumprimentou.
– Sejam bem vindos, meus primos. Levantem-se, não é hora para formalidades. – O Rei se adiantou, sendo seguido por uma linda loira, e tocou os ombros dos primos para que estes se levantassem.
– Estivemos preocupados, Emmet. E mais ainda quando mandou nos chamar. – Edward murmurou de forma que apenas nós cinco o ouvíssemos.
– Precisamos conversar agora. – O Rei murmurou no mesmo tom. Em seguida se dirigiu às outras pessoas. – Preciso falar com meus parentes a sós. As apresentações podem esperar.
As pessoas concordaram, fizeram reverências e se afastaram.
– Venham comigo. – O Rei chamou.
Olhei para Jake, na dúvida se deveríamos ir junto.
– Venham. – Edward nos chamou, parecendo entender a minha dúvida. Fiquei aliviada com isso. Não queria ser deixada de fora, a curiosidade me mataria.
Seguimos o Rei Emmet e a loira alta que se movia como se fosse sua sombra. Seria sua Guardiã?
Adentramos o forte e entramos por alguns corredores de pedra nua até chegar a um que tinha carpete verde no chão e painéis de madeira nas paredes.
Fomos guiados a um quarto ricamente mobiliado, com acabamentos de veludo vermelho. Imaginava como devia ser o quarto do Rei em sua mansão, se este, no forte, era meramente improvisado.
– Sentem-se. – O Rei mandou, ele próprio sentando-se a uma mesa de madeira escovada com quatro cadeiras. A loira ficou de pé atrás de sua cadeira.
Edward e Renesme se sentaram à mesa. Eu me postei atrás de Edward, as mãos em seus ombros. Uma de suas mãos ele colocou sobre a minha e ficamos assim.
– Desculpem-me por isso. Eu sei que acabaram de entrar para a Academia e não queria atrapalhar seu treinamento. Eu não os chamaria se não fosse importante. – O Rei começou. – Além do mais, conheço a capacidade de vocês. E os meus informantes me disseram que têm ótimos Guardiões.
– Temos os melhores da nossa turma. – Edward afirmou. Corei, mesmo sem que ninguém estivesse olhando para mim. Ouvi-lo me elogiar com tanta firmeza fez meu coração pular.
– Ótimo. – O Rei aprovou, mas em seguida continuou. – A situação lá fora não está nada boa, meus amigos. Os Vampiros Vermelhos estão se organizando de uma forma que nunca se viu antes. É como se eles estivessem formando um exército.
– Isso não é possível. Eles estão mais preocupados em beber sangue, não em se organizar. – Edward falou incrédulo.
– Vocês sabem que eles continuam racionais e inteligentes, mesmo com uma sede tão intensa. Mas é mesmo verdade que nunca se organizaram. Costumam tratar um ao outro como competidores, mas alguma coisa os fez mudar de ideia. Nossas fontes nos informaram que agora eles estão agindo em grupo e algo me diz que estão tramando algo. – O rei finalizou muito sério.
– Isso é uma péssima notícia. – Renesme resmungou.
– E por que nos chamou com tanta urgência? – Edward quis saber.
– Por que em tempos como esses, eu preciso me cercar de pessoas em quem confio plenamente. E na política há muito poucas pessoas assim. – O Rei falou. – Vocês dois são algumas das pessoas em quem mais confio no mundo e eu preciso de sua ajuda. Vocês devem ter sabido que mandei que todos os Patrulheiros externos retornassem à cidade. Também proibi todas as viagens.
– Ouvimos falar. – Edward falou apertando meus dedos levemente e eu corei mais uma vez, me lembrando da minha ceninha infantil.
– O que eu não informei à imprensa é que Alice estava viajando quando eu dei essa ordem. Ela estava voltando, mas foi atacada na estrada. Os outros guardas, que faziam sua segurança, foram mortos, mas Jasper conseguiu protegê-la e eles se esconderam. Ainda assim, é muito perigoso saírem de seu esconderijo sozinhos. Estou mandando uma missão de resgate atrás deles. Tudo que eu menos preciso agora é que a irmã do Rei seja morta. – O homem parecia cansado e preocupado. Tive pena. Parecia carregar o peso do céu nas costas.
– Alice está em perigo? – Edward perguntou alarmado.
– Sim, mas eu sei onde ela está e como chegar lá. Gostaria de ir eu mesmo, mas o general diz que não podemos correr o risco de perder o Rei em tempos como esses. – Ele revirou os olhos, divertido.
– E ele está certo. Mas como você sabe tudo isso? – Edward quis saber.
– Você conhece Alice. Ela me fez saber. – O Rei Emmet riu. Ele tinha lindas covinhas nas bochechas e sua risada era musical. Suspirei encantada. Não era à toa que todos o amavam.
Ele era considerado o Rei mais querido dos últimos mil anos. Os dois anteriores foram depostos e mortos pelos próprios súditos, incluindo o pai de Emmet, que fora um tanto quanto tirano por cerca de quinhentos anos. Emmet havia assumido há dez anos, quando o pai morreu. Tinha acabado de se formar na Academia e muitos não colocavam muita fé nele. E se enganaram.
– Ah, Alice. Posso entender o que quer dizer. – Edward concordou divertido. Eu estava mesmo boiando nesta conversa. Nunca havia chegado a saber que o rei tinha uma irmã.
– E qual o nosso papel nisso? Faremos o que for preciso para ter Alice de volta viva. – Renesme afirmou determinada. Jacob travou o queixo.
– Quero que vão junto com essa missão. Desconfio de todos à minha volta. Sei que minha irmã estará segura se vocês estiverem lá, mas não precisam concordar. Será muito perigoso... – Ele completou.
– Considere feito. – Edward falou imediatamente e Renesme concordou com a cabeça. Por dentro, eu também concordava fervorosamente. Perigo? Era comigo mesma.
– Muito obrigado. Mas antes, o General faz questão que treinem com o exército por pelo menos duas noites. Ele acha que por serem inexperientes, podem estragar a missão. Disse a ele que isso era uma idiotice, no entanto, me preocupo com sua segurança. – O Rei falou voltando a ficar sério.
– Mas quanto mais tempo demorarmos, mais perigo Alice correrá. – Renesme falou preocupada.
– Pior será se a missão for mal sucedida e todos morrerem. – O Rei retrucou.
– Então vamos logo aceitar isso. Não precisamos de discussões inúteis. Faremos o que ele quer o mais rápido possível e então poderemos partir. — Edward falou.
– Mais uma vez, muito obrigado meus primos. – O rei falou emocionado.
– Não precisa agradecer, Emmet. – Edward dispensou.
– Seus aposentos estão preparados dos lados do meu. Você fica à direita, Edward. E Nessie, à esquerda. Deixem suas coisas lá e vamos ao treino. – O Rei finalizou. Em seguida olhou para Jacob e para mim, que estivemos em um silêncio sepulcral o tempo inteiro. – E não sejam mal-educados. Apresentem-me seus Guardiões!
– Essa é Isabella. – Edward me puxou para o seu lado. Ajoelhei-me, achando falta de educação ficar de pé diante do Rei.
– É um prazer, majestade. – Falei timidamente.
– Seja bem vinda à família. – O Rei riu. – Chame-me Emmet. Tenha paciência com Edward, ele pode ser um casca grossa às vezes.
Eu ri e Edward fez cara feia para o primo.
– Claro. – Eu concordei.
– E este é Jacob. – Renesme apontou para ele, que se adiantou e me imitou, ajoelhando-se.
– Majestade! – Jacob cumprimentou.
– Seja bem vindo também, Jacob. – O Rei sorriu. Apontou para a loira atrás de si. – Essa é Rosalie, minha Guardiã.
– Prazer conhecê-los. – Ela sorriu um sorriso ofuscante. Era extremamente bela.
– Devemos ir agora, Emmet. Precisamos nos apressar. – Edward falou se levantando.
– Claro. Encontrarei com vocês lá fora. – Emmet nos dispensou.
Edward, Renesme, Jacob e eu saímos do quarto do rei e nos dirigimos aos aposentos indicados por ele.
O quarto em que Edward e eu ficaríamos era similar ao do Rei, embora menos pomposo e ligeiramente menor. Jogamos nossas coisas nos cantos e eu olhei para Edward.
– Edward... Eu nunca ouvi falar que o Rei tinha uma irmã. – Eu falei intrigada.
– A maioria das pessoas não a conhece como Alice, ou como a irmã do Rei. Ela é mais conhecida pela sua posição. – Edward explicou.
– Como assim? – Eu ainda não havia entendido.
– Alice é o Oráculo, Isabella. – Ele completou.
Fiquei chocada, processando a informação por algum tempo.
O Oráculo era o sábio vampírico, encarregado de aconselhar o Rei. Por vezes se dizia que ele conseguia enxergar o futuro. De fato, dizia-se que o Oráculo (e aqui eu não posso afirmar se foi Alice ou algum outro, pois o Oráculo era uma entidade e jamais se ouvia falar em sua substituição) havia mesmo feito algumas profecias, mas eu não sabia muito sobre isso.
– E como o Rei ficou sabendo de todas essas coisas? Quero dizer, como ele sabe o que aconteceu e onde ela está? – Eu perguntei curiosa.
– Alice é uma criaturinha curiosa. Por vezes, ela consegue nos enviar mensagens através de sonhos. Ela já era o Oráculo quando eu nasci e algumas vezes evitou que eu fizesse alguma besteira ou outra. Foi dessa forma que ela conseguiu passar aquelas informações a Emmet. Através dos sonhos dele. – Edward explicou.
Agora sim eu conseguia entender aquela conversa cheia de piadinhas internas que os dois haviam tido.
– Então me deixe entender isso... Quer dizer que o Oráculo, que é irmã do Rei, sua prima Alice, está lá fora em algum lugar, cercada por Vampiros Vermelhos que querem matá-la e precisando de nossa ajuda? – Eu resumi a história.
– Isso. – Edward confirmou.
– Cara, que bagunça! – Eu exclamei. – O que está acontecendo, Edward?
– Eu não sei. A única coisa que importa agora é que Alice precisa de nós. – Edward falou muito sério.
– Tudo bem. – Eu concordei.
Edward começou a andar até a porta e eu o acompanhei. Então ele parou e se virou, encarando o chão. Em seguida seus olhos se ergueram para o meu rosto, cristalinos como água de uma nascente, captando os meus com intensidade.
– Obrigado por estar ao meu lado, Isabella. – Edward falou, segurando uma de minhas mãos.
– Não é nada. – Eu falei corando diante daquele olhar intenso sem, no entanto, conseguir me desviar deles.
Edward se inclinou para frente e colou seus lábios macios aos meus. Senti um arrepio àquele toque leve.
Então Edward se afastou e me puxou para fora do quarto.
Eu ainda estava com as pernas meio bambas quando chegamos ao pátio.
Havia muita gente ali. Eram Patrulheiros formados e seus Guardiões, que estavam começando o treinamento desta noite.
Vi que os vampiros e os Guardiões tinham diferentes tipos de armas. Alguns seguravam lanças, outros usavam bigornas ou machados, e mais alguns seguravam espadas. Eu não tinha dúvida de que minha arma favorita era a espada.
– Aproximem-se. – Era o homem sério que chamava a mim e a Edward para que nos juntássemos a eles. – Vocês ainda não tem armas?
– Escolheríamos ao fim do treinamento. – Edward falou.
– Sei. E com quais armas estão familiarizados. Você já deve ter estudado todas em outra ocasião, Sr. Cullen, mas e a sua Guardiã? – O homem sério perguntou com certo ar de desdém.
– Ficaria bem com o daisho*. – Eu falei convicta.
– Claro. Então está familiarizada com as armas? – Ele perguntou em tom brincalhão.
– Estou perdendo algo aqui? – Edward perguntou intrigado.
– Mais do que imagina. – Um cara loiro que estava entre os Patrulheiros falou divertido. Alguns outros perto dele riram.
– Não se meta, James. – O General Aro, que eu havia visto na televisão, falou. Ele estava entrando no pátio e havia ouvido a conversa. Aproximou-se de nós e parou ao lado de Edward. – Você deveria voltar para a academia, Edward. Aqui não é lugar para alguém cujo Guardião não finalizou o treinamento ainda.
– Também é um prazer encontrá-lo, tio. Como sempre. – Edward falou irônico.
– Não seja desrespeitoso, garoto. – O homem sério falou.
– Então tudo isso é por minha causa? Por que se for, posso provar para quem quiser ver que eu não sou uma idiota como vocês parecem pensar. – Eu falei irritada.
– Ora, ora, ora. Não se exalte, mocinha. – O General falou fazendo cara feia para mim.
– Eu apenas quero uma espada. E você... – Apontei para o tal James, o loiro idiota que falara antes. – Vamos ver quem é que está perdendo alguma coisa aqui.
– Eu sou um vampiro, mocinha. – O tal James falou presunçoso.
– E faz diferença? – Eu perguntei com desprezo.
– Bella... – Edward me advertiu. Apenas olhei para ele com raiva.
Aquela era minha luta, e eu não ia permitir que ele se metesse. Se havia uma coisa que eu detestava era gente que se achava melhor do que os outros. E isso me dava nos nervos.
Olhei novamente para o James e ele agora estava sério.
– Que tal outra arma? Eu luto com uma lança, não seria justo com você. – James falou sorrindo.
– Ótimo. Preciso apenas dos meus punhos. – Repliquei.
– Se é assim... – James se adiantou e uma garota ruiva de cabelos curtos e espetados o seguiu.
– Não precisa fazer isso, James. – O General Aro falou, mas podia ver um brilho de expectativa em seus olhos. Ele queria me ver sendo humilhada.
– Está tudo sob controle, General. – James falou confiante. – Será boxe, então, garota.
– É Isabella, se não se importa. – Falei, me posicionando à sua frente.
Edward ficou onde estava, mas podia sentir seu olhar reprovador em mim.
– Então precisam de luvas. – O homem sério falou, entregando um par delas a cada um de nós.
– Obrigado, Capitão Caius. – James agradeceu. Pelo menos agora eu sabia que o homem sério se chamava Caius.
Vesti minhas luvas de boxe e me coloquei à frente de James. Caius ficou entre nós.
– Conhecem as regras. Serão três rounds de três minutos cada. – Disse apenas. – Vão.
Encarei James. Ele me olhou nos olhos e então atacou. Eu estava com a guarda alta, então ele socou os lados de minha cabeça, minha barriga e meus braços. Eu estava preparada para isso e a dor não incomodava tanto a minha concentração.
Andei de lado enquanto ele atacava. Eu observava seus pés e o modo como se movimentava. James estava muito confiante. Tanto que deixara sua guarda baixa.
Aproveitei aquele deslize e lhe dei um soco no queixo que o desequilibrou. James cambaleou para trás. A garota ruiva, que eu imaginava ser sua Guardiã, deu um passo à frente, mas Edward a segurou em seu lugar.
Esperei que James se firmasse e voltei a atacar. Dei-lhe dois socos nos lados da cabeça antes que ele erguesse os braços. Em seguida ataquei seu abdome com ferocidade.
– Fim do round. – Caius anunciou. – Isabella venceu o primeiro round.
Afastei-me de James, que ofegava. E eu ainda nem havia começado a suar. Eu não sorri. Não havia feito nada demais até agora.
– O que está havendo aqui? – Jacob perguntou chegando ao pátio com Renesme. O Rei Emmet e Rosalie vinham logo atrás dele.
– Treinamento. – Eu resmunguei, voltando a mirar James, que me olhava com raiva.
– Segundo round. Vão! – Caius falou.
James avançou enfurecido para mim. Ergui a guarda, mas não fui rápida o suficiente e o soco me acertou no queixo. Cambaleei, mas me firmei rapidamente.
Senti o liquido quente em minha boca. Era sangue, mas não tinha nem de longe o gosto delicioso de quando Edward me fizera prová-lo. Meu mestre avançou para perto de mim, mas o parei com um gesto, enquanto limpava do rosto o sangue que descia pelo canto de minha boca.
– Eu estou bem. – Falei.
– Isso já foi longe demais, Isabella. – Edward tentou.
– Mas ainda não acabou. – Insisti.
Edward recuou para o lugar onde estivera anteriormente e me voltei para James mais uma vez. Ergui os braços e ele me atacou. James estava novamente confiante. Sempre que ele ficava assim, abaixava a guarda. Poderia tê-lo acertado ali mesmo, mas resolvi esperar e deixá-lo ganhar o round.
– Fim do segundo round. – Caius falou e depois acrescentou, satisfeito: — James venceu o round.
James sorriu radiante e muito, mas muito confiante. Eu queria sorrir, mas fiz o que pude para ficar séria. Vi, no entanto, que Jake sorria abertamente enquanto assistia. Ele já havia lutado comigo e conhecia o meu estilo. Eu gostava de deixar que meu oponente derrotasse a si mesmo. Como James estava fazendo.
Quem vencesse o último round, venceria a luta e James já estava posicionado.
– Terceiro round. Vão! – Caius sinalizou mais uma vez.
James avançou para mim de forma descuidada, com a guarda baixa. Fiquei decepcionada. Queria mais emoção, mas também não estava com paciência para ficar enrolando. Por isso, quando ele chegou perto o suficiente, dei um único soco bem no meio de seu rosto.
Seu corpo se vergou para trás e ele caiu, nocauteado. Caius contou até dez, mas como James não se levantou, a luta acabou. E eu havia vencido.
– Isabella venceu. – Caius anunciou com desgosto.
A ruiva correu para junto de James e segurou a cabeça do mestre em seu colo. Ele estava finalmente voltando a si. Um silêncio pesado se erguera sobre todos os presentes, que pareciam aturdidos.
Retirei as luvas e as joguei no chão, aos pés do General Aro.
– Foi fácil demais. É só isso o que tem? – Perguntei com desprezo. O homem me olhou de cima a baixo analiticamente.
– Você é muito petulante, garota. – Foi tudo que ele disse, mas de um jeito neutro. Não parecia estar com raiva ou ofendido. Já Caius me olhou com verdadeira repugnância. Tive vontade de rir da cara dele, mas me contive.
– Vamos começar o treinamento. – O General anunciou.
Os soldados que nos cercavam, ainda perplexos, obedeceram ao seu comando.
– Isso foi incrível, Isabella. – O Rei me elogiou. Corei furiosamente. – Agora entendo por que me disseram que era uma ótima Guerreira.
– Não foi nada demais. Aquele James praticamente acabou consigo mesmo sozinho. – Eu falei sem graça e Jacob riu.
– Você foi ótima, Isie. Queria ter tido essa chance. – Jacob falou desarrumando meus cabelos.
– O treinamento vai começar. – Caius falou em voz alta, se aproximando de nós.
– Vocês quatro precisam ir à sala de armas para escolherem as suas agora mesmo. – O Rei falou. – Rosalie, pode levá-los até lá?
A loira assentiu e fez sinal para que a seguíssemos. Do outro lado do pátio havia uma espécie de galpão com portas de folhas duplas. Entramos e havia homens aqui e ali, limpando e polindo armas.
– Ali temos espadas produzidas todos os dias. A maioria é de prata ou aço, o que acharem melhor. Poderia lhes mostrar outras armas, mas não acho que vão se interessar. – Ela falou com uma bela voz musical.
– Como sabe? – Eu perguntei.
– Eu entendo de pessoas e entendo de armas. Vocês quatro tem cara de espadas. – Ela disse enigmática. Não sei se aquilo era um elogio ou uma ofensa, mas imaginei que fosse um elogio, já que estava se referindo também aos primos de seu mestre.
E no fim ela estava certa. Fomos em direção às armas que reluziam de tão novas. Havia várias estantes a um canto cheias de espadas de todos os tipos e tamanhos.
– Isabella... Acho que essas vão lhe agradar. – Rosalie falou caminhando reto em direção à uma prateleira e pegando um conjunto de duas espadas. Ela tinha me ouvido falar sobre o daisho?
Seja como for, o conjunto que ela me mostrava era lindo.
A Katana tinha cerca de um metro de comprimento, lâmina de prata muito polida e uma curvatura delicada. O couro da empunhadura era vermelho escuro, cor de sangue, com cordões marrons. A Wakizashi tinha metade do tamanho de sua companheira, com uma empunhadura semelhante. Estavam amarradas uma à outra por um pedaço de couro vermelho.
Fiquei emocionada.
– São perfeitas para você, ma petite. — Edward falou às minhas costas.
– Eu... P-posso ficar com elas? – Eu perguntei gaguejando.
– Claro. Agora faz parte do exercito e pode ficar com quaisquer armas que quiser aqui dentro, mas não acho que vá querer outras. – Rosalie falou sorrindo levemente.
– Obrigada. – Eu nem sabia o que dizer. Meu próprio daisho! Charlie iria morrer quando soubesse!
Nem prestei muita atenção às armas que os outros estavam escolhendo. Terminou que Renesme escolheu uma montante. Jacob achou uma Cimitarra, que eu considerei que combinava muito com ele e Edward me deixou surpresa ao escolher seu próprio daisho.
Olhei para ele, impressionada.
– O quê? Achou que só você gostasse dessas espadas? – Ele perguntou erguendo uma sobrancelha e sorrindo. Estava tão lindo com aquela cara arrogante, porém não petulante, que suspirei involuntariamente.
– Vamos, temos que nos juntar aos outros no treinamento. – Rosalie nos chamou e fomos com ela.
Eu não poderia estar mais feliz do que naquele momento, com minhas armas em minhas mãos e a promessa de uma aventura extremamente perigosa.
Eu havia acertado em escolher a eternidade.
Fale com o autor