A Guardiã

27 Capítulo Oito: O Tirano


Estávamos dando a volta em um pedregulho particularmente grande, totalmente esbranquiçado pelos elementos. Quando finalmente conseguimos contorná-lo, demos de cara com um arco esculpido na rocha, que emoldurava uma entrada gigante na montanha.

Olhamos ao redor e entramos.

A guardiã: A morte é apenas o princípio...

Capítulo Oito: O Tirano

O que encontramos foi uma espécie de corredor, ladeado pelas rochas da montanha à direita e por pilastras brancas à esquerda. Chegando perto da amurada do lado esquerdo, podíamos ver toda a montanha abaixo, coberta pela floresta. O céu estava de um azul majestoso.

Se eu não soubesse que aquele era o esconderijo de algum monstro que roubara o meu bebê, acharia o lugar fascinante.

Continuamos pelo corredor, vendo salas e salões se abrindo à nossa direita. Quanto mais adentramos na montanha, mais escuras as dependências foram se tornando, com cada vez menos janelas, até que estávamos em total escuridão e os vampiros puderam finalmente tirar suas roupas de viagem.

Finalmente, demos com uma porta enorme de madeira de folhas duplas, com os lados esculpidos e coloridos em dourado.

Infelizmente, um grupo de Vampiros Vermelhos no esperava ali. Eram quantos? Quarenta? Cinquenta? Não deu para contar direito.

– Vocês chegaram longe, temos que admitir. Mas não irão passar daqui. – Uma mulher morena falou. Ela era incrivelmente bonita, mas aquilo não me importava.

– É o que veremos. – Edward falou.

Jogamos nossas mochilas ao chão e sacamos nossas armas. Os vampiros pularam sobre nós sem aviso. A luta ali foi mais difícil. Havia pouco espaço para nos movimentarmos e eles eram fortes. No entanto, isso não me fez temer. Eu já sentia que estava tão perto de ter o meu filho de volta, não perderia agora. Fiquei perto de Edward, protegendo-o.

Eu afastava todos os golpes, não querendo estender a luta mais do que o necessário, e acabava com os meus oponentes imediatamente. Tentávamos abrir caminho até as portas. Eu tinha certeza de que Caleb estava ali dentro, eu podia sentir nos meus ossos, como se ele fosse um pedaço de mim. O que, de fato, ele era.

James e Victoria chegaram correndo até nós, abrindo caminho.

– Vão até a porta, tentem passar. Daremos cobertura. – James disse. Olhei para Edward, que acenou afirmativamente com a cabeça, e fizemos o que James mandou. Derrubamos todos os vampiros que se puseram à nossa frente, mas ao chegarmos à porta tivemos que nos refrear. A mulher morena se colocou no nosso caminho, puxando a cabeça de Renesme para trás pelos cabelos, com a espada apertada contra a garganta dela.

– Parem aí mesmo, ou ela virará cinzas bem na sua frente. – A mulher disse.

– Nessie! – Jake gritou, mas parou onde estava, assim como nossos outros companheiros. Fiquei imóvel, apenas tentando pensar num meio de tirar Renesme daquela roubada. Se algo acontecesse com ela... Não apenas ela estaria morta, mas também Jake.

– Isso mesmo. Sejam obedientes e ela viverá mais algumas horas. – A mulher falou. Foi nessa hora que Edward deu um passo à frente, de cenho franzido.

– Eu conheço você. – Ele disse, inseguro, inclinando a cabeça para o lado.

A mulher gargalhou, jogando a cabeça para trás. Foi aí que percebi a marca em seu pescoço, o ouroboros, símbolo dos Guardiões.

Ela não era um Vampiro Vermelho. Era a Guardiã de algum Vampiro Branco.

– Claro que conhece, fedelho. – Ela disse, olhando para Edward com desprezo. Dois dos vampiros que estavam com ela abriram as portas atrás dela e a mulher entrou no grande salão que se abriu às suas costas. – Podem entrar.

Os Vampiros Vermelhos que sobraram tomaram as nossas armas e nos empurraram em direção à porta. Todos nós fizemos como ela mandou, seguindo logo atrás dela e de seus companheiros mal encarados. O salão era imenso, totalmente esculpido nas pedras da montanha. Na parede imediatamente à frente para a porta, uma série de cinco degraus levava até um enorme trono de pedra onde um homem jovem de cabelos castanhos esperava sentado, com um garotinho no colo. A luz da lua cheia entrava por um grupo de enormes janelas, iluminando a cena com uma sinistra luz azulada.

– Emmet? – Eu gritei.

Por um delirante momento, imaginei o que nosso rei estaria fazendo sentado num trono falso nas entranhas daquela montanha. Mas então percebi que não era ele.

Mas era alguém muito parecido com ele.

– Muito bem feito, Heidi. – O homem aprovou, desviando os olhos do menino para nós.

– Tio Marcus? – Edward perguntou, incrédulo.

Levei vários segundos para processar aquela informação.

Tio Marcus? Marcus não era o pai de Emmet e Alice, o rei que havia sido assassinado dez anos atrás por seus próprios súditos, por ser um tirano controlador?

– Edward, meu menino. Há quanto tempo! – Ele disse, levantando-se e colocando o menino sentado no trono em seu lugar. Ele desceu os degraus devagar, olhando para cada um de nós. Já eu estava mais concentrada no menino.

– Mas... Nós achamos que você tinha morrido! – Renesme falou, meio engasgada devido à espada que a sufocava.

– Sim, vocês acharam. – Ele disse, dando uma pequena gargalhada ao final. – Bom, como podem ver, eu estou bem vivo.

– Mamãe! – O menino que estivera sentado no trono, observando tudo, gritou. Ele desceu os degraus correndo meio desengonçado em nossa direção, mas Marcus o agarrou pelo braço.

Olhei eu continuava a encarra o menino, sem crer no que os meus olhos estavam me mostrando. Eu sentia que era verdade, mas o meu cérebro não conseguia processar a aparência daquele garoto. Ele tinha cabelos acobreados como os do Edward e os mesmos olhos azuis profundos do pai, embora seu rosto fosse muito mais parecido com o meu.

– Caleb! – Eu gritei, dando um passo à frente. Nessa única semana que havia se passado, meu bebê havia evoluído para a forma de um garoto com a aparência de um ano de idade.

– Não se mova, Isabella! – Marcus ordenou.

Ele envolveu o peito de Caleb com um braço, levantando-o e colocando uma adaga em seu pescoço. Parei no mesmo instante.

– Você não faria isso. Precisa dele! – Eu disse duvidosamente.

– Eu preciso do sangue dele, nada mais. – Marcus falou. Ele olhou em direção à lua. – Está perto. Quando a lua atingir seu ponto mais alto no céu esta noite, eu serei invencível.

– Como você sabia? Como você soube de mim, do Caleb... Como você ainda está vivo? – Edward perguntou, emparelhando comigo.

– Ah, Edward... Edward, Edward... Meu sobrinho querido! Você sabe que sempre foi o meu favorito? Eu sabia que você era especial. – Marcus disse, olhando para Edward quase com carinho. – Eu sempre tive um dom, meu sobrinho. Mas nunca confiei em ninguém o suficiente para contar, apenas à minha querida Heidi. No fim das contas, nossos Guardiões são os únicos que serão fiéis a nós até o fim.

“Eu gostava de ler. Sempre gostei. Como rei, tive acesso a todo o tipo de informações interessantes. Mas mais do que isso, eu tinha vislumbres do futuro. Apenas flashes opacos e disformes, mas era o suficiente. Eu queria ser o Oráculo, por isso planejei a destruição daquele que havia sido por séculos antes que eu nascesse. Imagine só o poder que eu teria? A sociedade vampira estaria totalmente em minhas mãos. Mas quando o velho morreu, aquela minha filha foi nomeada e ficou com o meu lugar. Eu fiquei furioso, confesso, mas o dom era meu de qualquer forma. E quando o seu pai se tornou adulto e tomou Esme como guardiã, eu imediatamente previ onde aquela relação levaria.”

“Eu fiquei ansioso, admito. Fiz muitas coisas que não devia e meus próprios súditos me depuseram. Forjei a minha morte e fugi. Mas eu tinha amigos, como Laurent, ao meu lado.” Ele suspirou. “Pobrezinho, Isabella não teve piedade dele. Os meus outros aliados fugiram e se juntaram a mim depois disso. Não notaram algumas deserções? Estavam preocupados demais com os ataques, não é? Essa era a minha intenção." Ele então riu com vontade antes de continuar. "Eu sabia que um dia teria a minha oportunidade de voltar ao poder, quando você fosse adulto. Confesso que não acreditei na lenda do Death Knight Vampire logo de cara. Nunca algo assim havia surgido em todos os milênios que o mundo possui. Mas quando você tomou Isabella como Guardiã, eu vi o que o futuro reservava para vocês...”.

– Espere... Você estava lá? – Edward perguntou, confuso.

– Eu consegui dar uma espiada na cerimônia, sim. Ninguém prestaria atenção a um simples garçom. E quem sonharia que eu apareceria naquela cerimônia? Eu estava morto, não se lembra? Eu sabia que vocês eram a minha única chance de retomar o que havia sido roubado de mim por aqueles meus filhos ingratos. – Marcus continuou.

– Emmet é um rei muito melhor do que você jamais foi. – Eu falei. O homem estreitou os olhos para mim.

– Insolente, sim. Eu já sabia que você tinha um gênio ruim, Isabella. – Ele disse. Então voltou a olhar para Edward e continuou. – Depois que vocês fizeram o pacto, eu sabia que era apenas uma questão de tempo. Testei os poderes de vocês mais de uma vez e devo admitir que fiquei impressionado. Primeiro quando tentei tirar aquela traidora da minha filha do caminho, e vocês foram salvá-la. E depois quando distraí o meu filho e os meus irmãos com aqueles ataques insignificantes. Derrubei algumas cidades humanas, e eles de nada suspeitaram. Há uma semana minhas visões me trouxeram o sinal de que o dia que eu esperava havia finalmente chagado. Eu sabia que vocês estavam naquele esconderijo idiota. Tenho seguido de perto cada passo de vocês fora daquele forte. Sempre que saíam da cidade eu era informado de quando e para onde vocês iriam pelos Vermelhos que coloquei ali perto para espioná-los.

– Então foi assim que você soube! – Edward exclamou.

– Sim. Eu não podia deixar que saíssem da minha vista por um segundo se quer. – Marcus finalizou. Ele olhou mais uma vez pela janela.

Olhei para Edward, tentando pensar no que fazer. Ele fez sinal para Heidi com os olhos. Olhei para ela e vi que James era quem estava mais perto dela. Ele olhou para mim e mexeu levemente a cabeça em direção a ela. Então percebi o que ele iria fazer.

Voltei meu olhar para Marcus, que andava com Caleb mais para perto da janela. Ele parou sob um raio de lua.

– Está na hora de vocês partirem. – Marcus declarou, por fim.

– Tio, você não pode fazer isso! É apenas uma lenda, ninguém sabe se é realmente verdade. – Edward disse. Olhei ao redor, tentando contar se havia muitos Vampiros Vermelhos na sala. Havíamos derrotado uma boa quantidade no corredor, mas devia haver ainda cerca de vinte ali, servindo de guardas.

– Estou disposto a correr o risco. – Marcus falou.

– Mas esse é o meu filho! – Edward exclamou.

– Levem-nos embora, essa conversa está me cansando. – Marcus disse. Foi então que a balburdia começou.

James se jogou sobre Heidi, libertando Renesme. Ele começou então a lutar com ela. Os outros vampiros correram para ajudar sua capitã.

– Matem-nos! Matem a todos! – Marcus ordenou, afastando-se da luta com Caleb nos braços.

– Mamãe! – Ele gritou. Corri para salvar o meu filho, mas quatro vampiros se colocaram no meu caminho. Continuei a correr e pulei nos ombros de um deles, arrancando a sua cabeça com as minhas próprias mãos no caminho. Eles haviam tomado as nossas armas, mas eu continuava com sede de sangue.

Antes que o vampiro desaparecesse em meio a cinzas, pulei de seus ombros sobre o que estava ao seu lado. Ele ergueu a espada para me atingir, mas agarrei o seu pulso e dei-lhe uma cabeçada no nariz. Ele ficou tonto, mas antes que pudesse acabar com ele, um terceiro agarrou-me pelos cabelos e me puxou para trás.

Girei ao redor de mim mesma, sem prestar atenção na dor e nos cabelos que foram arrancados de minha cabeça e, quando fiquei frente a frente com ele, enfiei a minha mão através de seu peito e arranquei o seu coração de um golpe só. Minha mão ficou ensopada de sangue, mas ele se evaporou imediatamente.

O que havia levado a cabeçada logo se recuperou e avançou sobre mim de espada na mão. Girei ao redor dele, agarrando a mão da espada e a torcendo até que consegui cravá-la em seu próprio coração. Fiquei com a espada e recebi o ataque do vampiro seguinte. Este parecia assustado, mas avançou assim mesmo. Foi fácil desviar de seus golpes e em menos de um segundo, decepei a sua cabeça, transformando-o em cinzas. Não podia perder nem um segundo.

Procurei Marcus pela sala, mas não o achei de imediato. Meu coração se apertou e olhei imediatamente para Edward. Ele lutava lado a lado com James, mas um vampiro havia conseguido se aproximar sorrateiramente pelas suas costas. Corri, mas eu estava longe demais.

– Edward! – Gritei, bem na hora que o vampiro ergueu o braço para atacar. Em uma fração de segundos, James empurrou Edward para o lado e, em consequência, foi atingido pelo golpe destinado a ele.

Tudo pareceu se mover em câmera lenta enquanto o vampiro puxava a espada do peito de James e este desaparecia em uma nuvem de pó. Victoria gritou e no segundo seguinte, também desapareceu.

Um rosnado escapou de minha garganta, misturando ódio e pesar, e eu corri como uma bala na direção do vampiro que matara James. De um único golpe, abri seu crânio em dois, fazendo-o sumir em uma rajada de vento.

Procurei Marcus novamente, pronta para descontar toda a minha raiva nele. Vi-o parado nas sombras, e foi ai que percebi seus dentes cravados no pescoço de Caleb.

Meu bebê estava pálido e imóvel nos braços de Marcus. Eu não pude me mover, tudo parecia irreal ao meu redor.

Dor.

Era tudo que eu conseguia sentir nesse momento. Dor pura e simples, que me consumia como chamas lambendo a minha pele impiedosamente.

Enquanto a dormência e a incredulidade iam passando, eu senti outro sentimento tomar conta de mim. E esse sentimento era a raiva.

Ah, a vingança era uma coisa ruim, muito ruim.

Mas quem disse que eu era boa, afinal?

Se você está pronto para brincar com fogo, prepare-se também para sofrer as consequências.

Por que a minha ira é algo bem feio de se ver. (Prólogo)

Eu estava pronta para agir, mas nessa hora algo inesperado aconteceu.

Notas finais
hohoho Calma gente... Em breve postarei o próx... Mas não deixem de comentar, nem que seja pra me xingar! =P Bjs