A Guardiã

9 Capítulo Oito: Emboscada


Notas iniciais
N/A NO FINAL!

A guardiã: Nosso destino é a eternidade...

Capítulo Oito: Emboscada

O céu estava clareando devagar ao longe quando Edward e eu chegamos ao pátio do Forte. Dois sedans pretos com vidros totalmente escuros nos esperavam.

As únicas pessoas além de nós ali eram o Rei Emmet e Rosalie, Aro e Caius, Renesme e Jacob, James e sua guardiã ruiva e um cara moreno com uma loira alta que eu não conhecia, mas que eu já havia visto durante o treinamento.

– Estamos prontos. – Edward anunciou.

– Pode dizer a localização agora? Vossa Majestade... – O General perguntou visivelmente irritado.

– O Edward já tem o mapa, ele estará no comando da missão e... – Emmet começou, mas foi interrompido pelo seu tio.

– James é muito mais capacitado para estar no comando desta missão. Edward mal entrou para a Academia! – Aro exclamou desdenhoso.

– Acho que essa discussão já foi encerrada, General. – Emmet falou em tom definitivo. Ele pareceu crescer onde estava e eu subitamente percebi por que ele era o Rei. A autoridade estava no seu sangue. – Edward mostrará o caminho.

– Claro. – O General concordou por entre dentes.

– Edward e Nessie vão à frente. Acho que Jacob ou Bella podem dirigir. – Emmet continuou. – Laurent e James os seguem.

Olhei para os dois homens. James parecia ter chupado um limão particularmente azedo, já o outro homem, o tal Laurent, parecia calmo, confiante e desinteressado.

– James vai com a gente? – Sussurrei desgostosa para Edward. Ele apenas acenou que sim com a cabeça, um sorrisinho no canto de seus lábios devido ao meu tom.

– Boa sorte a vocês. – Emmet desejou.

– Obrigado, primo. Não vamos decepcioná-lo. – Edward prometeu. Andamos até um dos carros e fiz sinal para que Jake dirigisse. Quando ele se cansasse, trocaríamos de lugar.

Edward e Renesme foram no banco de trás, enquanto Jacob e eu fomos na frente. James e o tal Laurent entraram no outro carro com suas Guardiãs.

Então partimos em direção ao portão que o forte guardava. Era um grande portão forjado em ferro e madeira, que cobria cerca de cinco metros do muro de pedra e chegava ao topo da parede. Alguns Patrulheiros ali usaram um mecanismo eletrônico para abri-lo para nós.

Meu coração acelerou. Eu nunca havia estado fora da cidade, nem mesmo antes de ela ser fortificada e a maioria das minhas lembranças incluía uma mancha cinza no horizonte. Estar saindo e sentindo esse tipo de liberdade era extremamente excitante. Olhei para Jake, que sorriu para mim, radiante, e sorri de volta.

Aquela era nossa aventura.

Edward nos mandou seguir pela estrada principal por muito tempo. Ele entregou o mapa a mim e se acomodou para um cochilo junto com Renesme. Eu podia ver o outro sedan nos seguindo de perto.

Tudo estava deserto ao longo da estrada. Passamos por algumas cidades pequenas, mas tudo estava abandonado e caindo aos pedaços.

Eu me lembrava bem de que um ano depois que minha mãe morreu, a maioria das pequenas cidades humanas foi evacuada. As grandes cidades foram ampliadas e fortificadas para proteger e abrigar a todos.

A desolação do mundo externo não era nada comparada à imensidão do horizonte infinito, à liberdade que eu sentia por estar ali.

Verifiquei o mapa mais uma vez quando o meio-dia se aproximou.

– Você vai ter que virar na próxima entrada à direita, Jacob. – Eu disse. Ele concordou com a cabeça e em seguida fez uma careta.

– Estou com fome. – Ele falou.

– Eu também. – Eu falei, sentindo meu estômago se contorcer. Virei-me e peguei a bolsa preta que Rosalie havia providenciado com comida para nós. Ela havia pensado em tudo, o que fora muito bom, por que eu jamais teria me lembrado de detalhes práticos como esse.

Eu sei, eu sei... Boa com a espada, mas com uma cabeça de vento. É o que o meu pai sempre diz.

Comemos sanduíches e bebemos um pouco de água. Havia comida ali para uns três dias, e se nos regulássemos, talvez até mais. Eu não tinha a mínima ideia de quanto tempo passaríamos aqui fora, mas não estava me importando muito.

Alguns quilômetros mais tarde, nós encontramos a estrada que saía à direita da principal. Era de terra batida e adentrava por uma floresta bem espaçada. Quando fomos penetrando mais fundo naquele caminho, no entanto, as árvores foram se fechando ao nosso redor.

Eram três da tarde quando o caminho ficou estreito demais para continuar de carro. Jake parou e eu me virei no banco.

– Edward! – Chamei, cutucando-o levemente. Ele acordou quase no mesmo instante. – Não dá pra continuar de carro.

– Teremos que completar o caminho a pé, então. – Edward disse enquanto Renesme se mexia e se ajeitava no banco.

– Mas é dia ainda. – Eu falei apreensiva.

– O General equipou o porta-malas do carro para uma eventualidade como essa. – Edward falou enigmático.

Jake e eu descemos do carro ao sol da tarde. A ruiva e a loira nos esperavam do lado de fora do carro.

– E agora? – A ruiva perguntou com a cara azeda.

– Procure na mala do carro. – Jacob mandou. Ela e a loira fizeram cara feia, mas o obedeceram.

– Você sabe quem são essas duas? – Perguntei enquanto seguia com Jake para procurar o que quer que fosse no porta-malas do carro.

– Só de nome. A ruiva é Victoria e a loira é Irina. São duas sebosas intragáveis. – Ele falou.

– Já percebi. – Resmunguei.

Abrimos o porta-malas e lá dentro havia duas bolsas pretas de viagem. Pegamos as duas e voltamos para dentro do carro. Entregamos as bolsas aos nossos mestres, que imediatamente as vasculharam em busca de alguma coisa.

Dali eles tiraram grossos casacos pretos, luvas pretas de couro, óculos de sol com proteção UV e capuz de esquiador, daqueles que deixava apenas os olhos de fora.

– Vocês vão fritar de calor lá fora. – Eu resmunguei ao perceber que eles iriam vestir aquilo para sair.

– Melhor do que virar pó. – Renesme disse divertida e eu ri.

Depois de devidamente empacotados, Edward e Renesme saíram do carro. Edward puxou o capuz da capa por cima do capuz de esquiador e colocou a bolsa de onde tirara as roupas no ombro juntamente com sua mochila. Renesme o imitou. Peguei a bolsa com comida no carro e a minha mochila.

Logo vimos duas figuras negras saindo do carro atrás do nosso, acompanhadas por Victoria e Irina.

– Vamos andando. – Edward chamou com a voz abafada. Ele havia colocado o mapa na sacola. Então começamos a seguir pela trilha que se abria à nossa frente.

Embora o caminho fosse estreito demais para seguir de carro, era largo o bastante para dois de nós andarmos lado a lado. O sol penetrava com facilidade por entre os galhos das árvores e eu estava adorando, embora Edward bufasse e resmungasse de vez em quando. Devia estar um forno debaixo de tanta roupa.

A trilha foi ficando mais e mais estreita até que não dava mais para vê-la. Éramos apenas nós e a floresta. Lá pelas cinco da tarde o sol havia sumido por entre os galhos e os vampiros se sentiram seguros para retirar a proteção. Guardaram tudo na bolsa e voltamos a andar.

Agora eu estava mais alerta. Se não havia mais perigo com o sol para nossos vampiros, também não havia para os Vermelhos. Eu havia retirado meu daisho de dentro da mochila e o amarrei em minhas costas por segurança.

Na verdade, todos os outros também haviam colocado suas armas à mão e andávamos com mais cuidado, ouvindo com atenção.

Um estalo estranho veio da penumbra ao meu lado. Apesar de estar escuro, eu conseguia enxergar muito bem ao meu redor. Meus sentidos estavam aguçados procurando o mínimo de perigo imaginável.

– Estamos perto. – Edward sussurrou.

Ouvi mais um estalo e vi um vulto correndo ao lado de uma árvore próxima. Saquei a Katana e parei, no que fui acompanhada por todos os outros. Todos haviam sentido o perigo tanto quanto eu. Mais um estalo e o vulto outra vez.

Meu coração ribombava em meus ouvidos e eu sentia a adrenalina deixando meus músculos tensos.

Tudo ocorreu em um segundo.

Houve um grito muito alto e um lampejo prateado. Aparei o golpe e fiz força, empurrando o agressor para longe. Mais um grito e outro golpe, dessa vez aparado por Jacob.

O vulto sumia em meio à escuridão e golpeava do nada. Meus sentidos conseguiam captar seu golpe, mas apenas quando estava perto demais. Fosse quem fosse, era um bom espadachim.

Edward se protegeu de mais um golpe. Olhei para Jake, que acenou que sim com a cabeça. O agressor golpeou mais uma vez e agora, Jake e eu revidamos juntos. Jake conseguiu cravar a ponta de sua espada na empunhadura da espada do estranho.

Corri a me postar às costas do homem, disposta a dar o golpe fatal.

– Espere! – Edward gritou. Fiquei parada e Edward se aproximou. Jake empurrou o estranho de encontro a uma árvore. – Jasper?

– Mas quem... Edward? – O estranho, que agora eu imaginava se chamar Jasper, perguntou muito surpreso.

– Jasper! Emmet nos mandou buscar vocês! – Edward exclamou parecendo aliviado.

– Graças aos Deuses Vampíricos! – O tal Jasper exclamou suspirando aliviado. – Alice começava a achar que Emmet não havia entendido a mensagem.

– Demoramos um pouco, mas precisávamos nos preparar. – Edward falou animado.

– Claro. Bom... Você pode me soltar agora? – Jasper perguntou ao Jake, que o mantinha imobilizado. Jake recuou constrangido. – Desculpem pelo ataque, mas estávamos começando a ficar paranoicos.

– Onde Alice está? – Renesme perguntou adiantando-se.

– Venham comigo. – Jasper partiu à frente.

Guardei a espada e o seguimos. Consegui vê-lo melhor sem toda aquela tensão.

Jasper tinha cabelos loiros e cacheados como os de um anjo, embora seu corpo fosse musculoso e nada angelical, com as costas e as pernas bem torneadas. Seu rosto era forte e masculino, com uma covinha no queixo e brilhantes olhos amendoados. Parecia mais um ator famoso do que um Guardião, daqueles pelos quais a gente suspira quando vê em um filme romântico.

Ele foi se embrenhando cada vez mais na floresta até que chegamos a um rochedo. Ele adentrou uma fenda quase invisível na rocha, que descobrimos ser a entrada para uma caverna.

Estava muito escuro ali e não se ouvia nenhum passo além dos nossos.

– Alice! Alice, Edward está aqui com Renesme! – Jasper chamou. Uma garota baixinha pareceu se materializar das sombras. Senti um arrepio e recuei ao mirar seus olhos.

Achei que fossem brancos e tomei um baita susto quando eles brilharam em meio à escuridão. Depois percebi que eram azuis, porém tão claros que mal se distinguia a íris da córnea. Ela tinha longos cabelos negros que, envoltos em seu corpo esguio, lhe davam um ar sobrenatural. Fiquei imediatamente fascinada por ela. Parecia ser de outro mundo.

– Eddie! Nessie! Que bom que vieram! Achei que a anta do meu irmão não tivesse entendido o recado! – Ela falou correndo em nossa direção, parecendo flutuar. Sua voz parecia música e quando a ouvi falar do Rei daquela maneira, segurei uma risada, que escapou pelo meu nariz. A garota olhou para mim com curiosidade, me fazendo corar.

– Você sabe como o General é. Só nos deixou vir agora. – Renesme falou se adiantando para abraçar a garota. – Estou tão feliz que você está bem!

Edward se adiantou e Alice pulou em seu pescoço em um abraço apertado.

– Mas foi por pouco. O local fica infestado de Vampiros Vermelhos à noite. – Alice comentou. Edward franziu a testa.

– Não encontramos nenhum lá fora. – Ele falou pensativo.

– É realmente estranho. A floresta estava totalmente vazia, exceto por vocês. – Jasper concordou.

– Ótimo! Então vamos aproveitar e partir antes do amanhecer. – Alice falou energicamente.

– Vamos logo então. – Edward nos apressou.

Aquilo me deu uma sensação esquisita. Isso não me parecia certo. Por que os Vampiros Vermelhos cercariam o lugar por várias noites e justo quando vínhamos para salvar Alice, eles sumiam da face da terra?

Mesmo assim saímos da caverna. Fomos voltando pela trilha com cuidado, atentos aos ruídos da floresta ao nosso redor.

– Então? O que aconteceu, Alice? – Edward quis saber enquanto andávamos por um trecho de trilha mais espaçoso.

– Não sei bem. Estávamos voltando à cidade quando fomos atacados. Barraram nosso caminho com troncos de árvore durante a noite e quando descemos dos carros para ver, um exercito caiu sobre nós. – Alice explicou. – Todos os outros morreram, mas Jasper é um ótimo espadachim. Conseguimos fugir e ficamos escondidos naquela caverna. Hoje ele saiu por que ouvimos pessoas próximas demais de nós, mas eram vocês!

– Isso é estranho. – Edward comentou pensativo.

– Eu só não entendo por que eles se deram a esse trabalho. Por que sou a irmã do Rei? Por que sou o Oráculo? – Ela parecia confusa.

Continuamos andando, dessa vez por uma trilha mais estreita.

– Provavelmente os dois. – Edward comentou. – Você é importante em tempos de guerra, Alice.

Entramos em uma larga clareira e seguimos para o seu lado oposto.

– Não sei, acho que... – Alice continuou, mas Jasper colocou a mão sobre sua boca rapidamente.

Eu também havia sentido a aproximação. Algo se movia ao nosso redor e não era coisa boa. Vários cracks estalaram na floresta. Formamos um círculo, cada um olhando para um lado. Joguei minha bagagem no chão às minhas costas e esperei.

Foi então que vimos um grupo de pessoas surgindo de várias direções, rápidas demais para que apenas se cogitasse a possibilidade de serem humanos. Edward estava ao meu lado e segurou a minha mão com força. Uma onda de medo me perpassou. Não por mim, mas por ele. Não queria que nada lhe acontecesse.

As pessoas se aproximaram ainda mais.

– Esperem. – Edward mandou.

Esperamos em nosso círculo cerrado até que se aproximassem o suficiente. Eram cerca de vinte, o que nos deixava em uma desvantagem de dois para um.

Edward soltou minha mão e eu sabia que estava na hora.

Não vi os rostos das pessoas, apenas o brilho de suas armas. Saquei minha Katana na hora certa e aparei o golpe de um homem grandão que lutava com uma lança.

Ele a puxou e tentou espetá-la em mim mais uma vez. Com um golpe de espada, quebrei-a em duas. O grandão gritou frustrado e avançou querendo me socar. Girei em torno de mim mesma e me agachei, espetando minha espada em sua barriga. O homem simplesmente se desfez em cinzas me envolvendo em poeira.

Ergui-me e vi Edward bem à minha frente. Ele estava se dando bem na luta, porém outro Vampiro vinha sorrateiro por trás dele, querendo pegá-lo desprevenido. Corri naquela direção e entrei no caminho da espada, que rasgou minha blusa e quase espetou o lado do meu corpo, deixando um fundo corte em minha pele. Empurrei o homem e ele me atacou mais uma vez. Aparei seu golpe e bati de costas com Edward.

– Você prometeu que não sairia por ai dando uma de heroína! – Edward exclamou enquanto golpeava.

– Prometi também que iria te proteger como a mim mesma. Se você morrer, eu morro do mesmo jeito, lembra? – Perguntei com os dentes trincados devido à concentração para atacar meu oponente.

– Dessa vez eu vou deixar passar! – Edward resmungou, trespassando seu oponente com a espada, no que foi imitado por mim. Os dois vampiros viraram cinzas e nos viramos imediatamente para nos olharmos. Edward sorriu e eu sorri de volta.

Vi um vampiro se aproximar por suas costas e corri a atacá-lo, sendo que Edward fez o mesmo, dirigindo-se às minhas costas. Fiquei empenhada no combate e perdi Edward de vista. O vampiro com quem eu lutava fugiu em determinado momento. Corri atrás dele, mas no caminho, vi Alice.

Um cara alto e magro tentava espetá-la com sua espada enquanto ela... Dançava?

Não, ela estava desviando de seus golpes. E desviando bem, por sinal. Percebi então que ela não tinha nenhuma arma. Procurei seu Guardião com os olhos, mas Jasper estava do outro lado da clareira lutando com duas mulheres ao mesmo tempo.

Corri em direção a Alice. Ela não conseguiria se desviar para sempre.

O homem me viu e se voltou para mim com sua espada, aparentemente percebendo que não estava obtendo sucesso com Alice. Aquele foi seu maior erro.

Quando ele se virou de lado, a baixinha magricela pulou em seus ombros e quebrou seu pescoço de um único golpe, arrancando a cabeça do homem com as próprias mãos. Ela pulou para o chão ao mesmo tempo em que o homem se transformava em cinzas.

Ela sorriu para mim de um jeito meigo e eu a encarei, perplexa. Agora eu sabia por que ela não tinha armas. Ela era tão linda e delicada, no entanto...

– Atrás de você. – Ela disse calmamente.

Vire-me em tempo de ver uma mulher loira vir em minha direção com a espada levantada. Aparei seu golpe e ela rosnou, mostrando seus caninos crescidos. Ataquei-a com força e rapidez, fazendo-a recuar. Ela se desequilibrou ao bater o pé em um tronco caído e eu cravei a espada em seu peito. A brisa levou suas cinzas embora quase imediatamente.

Olhei para os lados à procura de Edward, mas não o vi em lugar algum. Preocupei-me. Mas o fato de eu estar bem significava que ele estava bem também, não é?

Ainda assim corri na direção em que eu o havia visto pela ultima vez e cheguei a tempo de ver James tropeçar. Ele caiu no chão e tentou recuar, mas seu agressor já estava com a espada pronta. O homem estava de costas pra mim, então tudo que tive que fazer foi enfiar minha Katana em seu peito até abainha, cobrindo James das cinzas do vampiro.

Ele se levantou imediatamente, empertigando-se.

Parei, arfando e suja dos pés à cabeça. Já não ouvia mais o som de espadas ao meu redor. Mais uma vez me perguntei onde Edward estaria. Olhei em volta, mas a poeira impossibilitava que eu visse muito longe.

– Não precisava ter feito aquilo. Eu sei me cuidar sozinho. – James falou chateado. Irritei-me.

– Tudo bem, na próxima eu deixo você morrer! – Falei estressada e corri a procurar os outros em meio às cinzas.

Enquanto corria, uma mão me agarrou pelo braço. Olhei e vi Edward ali parado. Suspirei aliviada e ele me puxou para seus braços, me abraçando com força. Seu rosto desceu sobre o meu em um beijo ávido, quase violento. Suas mãos me apertaram pela cintura e eu gemi de dor.

– O que foi? – Ele quis saber, se afastando para me olhar.

– Nada, só um arranhão. – Falei, olhando para o lado direito do meu corpo. Edward levantou a minha blusa e vimos um corte profundo em meu flanco.

– Um arranhão? – Ele perguntou incrédulo.

– Não é nada demais, nem ta sangrando mais! – Eu falei na defensiva. Apesar de o lado direito de meu corpo estar molhado de sangue por toda a parte e minhas roupas estarem escuras (embora eu mal tivesse percebido isso), o corte em si já não sangrava.

Nessa hora ouvimos Renesme gritar e Edward desviou sua atenção de mim, ainda bem.

– Seu retardado! Eu não ia me machucar, não precisava se jogar à minha frente! – Ela reclamava enquanto lágrimas lavavam sua face em cascata.

Quando me aproximei o suficiente, vi Jake caído no chão com a cabeça em seu colo e coberto de sangue. Todos estavam reunidos à sua volta. Meu coração perdeu uma batida e minhas pernas fraquejaram.

Por favor, que ele esteja bem!

– Eu sou seu Guardião, sua idiota! – Ele replicou e fiquei feliz ao perceber que sua voz estava firme.

– Você está bem? – Perguntei me ajoelhando ao lado dele.

– Foi um cortezinho de nada. – Ele resmungou.

– A lança atravessou seu ombro! – Renesme falou perplexa. Vislumbrei o corte através de um buraco em sua camisa e vi que realmente estava horrível.

– Mas já está se fechando. Guardiões de curam rápido, lembra? – Jake perguntou chateado.

Edward estava ao meu lado e agora estava rindo por causa da discussão boba dos dois. Olhei para ele com atenção.

– Você está bem? – Perguntei.

– Claro, melhor do que você. – Ele falou olhando para a minha cintura. Olhei novamente e me pareceu que o corte estava menor.

– Viu, não foi nada. – Falei contente.

– Você e Jacob são idênticos. – Ele revirou os olhos e eu ri.

Em seguida ajudamos Jake a se levantar.

A clareira estava calma e a poeira havia baixado. Juntamos alguns galhos e acendemos uma fogueira. Sentamo-nos em volta dela para descansar.

– Vamos esperar o ombro de Jacob melhorar e depois partimos. Faltam seis horas para o amanhecer e temos que nos apressar. – Edward falou.

Fui para junto de Jake. Renesme havia sentado bem longe dele, chateada. Sorri e peguei minha mochila, tirando a comida de lá. Do outro lado da fogueira, James e Victoria ficavam me lançando olhares irritados.

É isso que dá querer ajudar os outros!

Comi umas barrinhas de cereais com Jake e em seguida saí para olhar o perímetro da clareira.

Era estranho como todos os vampiros haviam sumido misteriosamente das redondezas da caverna onde Alice estava escondida e aparecido todos ao mesmo tempo naquela clareira.

Era quase como se soubessem que nós viríamos. Quase como se tivesse sido uma emboscada. Uma emboscada que falhara miseravelmente.

Fiquei me perguntando o que aquilo poderia significar, mas não cheguei à conclusão alguma.

Notas finais
Oi gents! Algumas pessoas vieram me perguntar sobre a sexualidade dos vampiros e guardiões, no caso, por exemplo, de um vampiro homem com um guardião homem, visto que já ficou meio subentendido que vampiros e guardiões têm uma relação mais profunda do que apenas servilhismo e amizade. Como eu vejo, acho que a relação do guardião com seu mestre não é apenas uma questão de hetero ou homosexualidade, e sim de estar com a pessoa a qual você pertence, que foi feita pra você, sem importar o sexo. Então é isso! Espero que a explicação tenha sido satisfatória. ;P Bjs