A Guardiã
28 Capítulo Nove: Fênix
Notas iniciais
Ah, a vingança era uma coisa ruim, muito ruim.
Mas quem disse que eu era boa, afinal?
Se você está pronto para brincar com fogo, prepare-se também para sofrer as consequências.
Por que a minha ira é algo bem feio de se ver.
Eu estava pronta para agir, mas nessa hora algo inesperado aconteceu.
A guardiã: A morte é apenas o princípio...
Capítulo Oito: Fênix
POV Edward
Ainda não tenho certeza do que realmente aconteceu naquele momento. Num instante Isie estava destruindo o vampiro que matara James e no outro ela estava entrando em colapso. Ela levou as mãos à cabeça, com os olhos fechados, gritando de forma aterradora.
Aproximei-me e a segurei pelos ombros.
– Isie! Isie, o que foi? – Eu perguntei, assustado.
Ela apenas continuou a gritar, caindo de joelhos à minha frente. Abaixei-me, sacudindo-a pelos ombros. Então Isie ficou em silêncio e desabou sobre mim, inconsciente. Apoiei sua cabeça em meu colo e dei-lhe tapinhas no rosto.
– O que houve? – Jake perguntou aproximando-se de nós.
– Não sei, ela apenas desmaiou. – Eu disse. Olhei ao redor e vi que a luta acabara, haviam restado apenas eu, Isie e nossos companheiros de viagem. – Onde estão Heidi e Marcus?
– Nessie acabou com a Heidi, mas eu não vi Marcus durante a luta. – Jake disse.
Voltei a olhar para Isie. De repente ela voltou a se mover. Seus olhos abriram-se devagar, negros como carvão. Ela se ergueu e ajoelhou-se diante de mim.
– Às suas ordens, mestre. – Ela disse.
Olhei-a, abobado. Não entendi o que poderia ter despertado seus poderes de Death Knight. Então ouvi uma inspiração súbita vindo de Renesme. Olhei para ela e a vi com as duas mãos cobrindo a boca. Segui o seu olhar e a cena que eu vi fez gelar o meu coração.
Marcus estava parado sob um raio de luar, com os lábios sujos de sangue. E Caleb... Seu corpinho jazia deitado no trono de pedra de Marcus, pálido como leite.
Uma dor como eu nunca senti antes despertou dentro de mim. Era como se alguém tivesse me partido ao meio, me quebrado em pedaços.
– Marcus, Isabella. – Eu disse. Então corri em direção a Caleb, tentando ver se ele ainda estava vivo.
Isie, por sua vez levantou-se daquele jeito mecânico. Angela havia encontrado o Daisho de couro vermelho que pertencia a ela e jogou na sua direção. Isie agarrou as espadas no ar e dirigiu-se a Marcus.
Ele observava suas mãos e seus braços sob o luar.
– Sim, sim... Posso sentir o poder! – Ele disse com um brilho maníaco nos olhos.
Isie continuou a se aproximar, girando as espadas na mão. Marcus olhou para ela e sorriu, debochado.
– Eu sou invencível, garota. – Ele disse.
Isie não respondeu, apenas brandiu a espada em direção a ele. Marcus sacou sua própria arma e se protegeu do golpe dela. Faíscas voaram das espadas de ambos. Agora Marcus já não sorria.
Cheguei até Caleb, ouvindo o tinido das espadas. O garoto estava deitado ali, em posição fetal, totalmente desprotegido e indefeso. Era como se uma mão de ferro apertasse o meu peito. Peguei-o no colo, seu corpo totalmente mole e frio de encontro ao meu. Meu rosto se contorceu de pesar e senti um rugido escapar de meu peito. Jamais haveria lágrimas suficientes para aplacar aquele sofrimento, mesmo que eu chorasse durante toda a eternidade.
Virei-me para a luta, apertando Caleb em meus braços. Marcus lutava bem e era forte, até por que ele fora rei durante muitos séculos. Mas ele não era nada excepcional. De fato, Isie era muito mais forte do que ele. Ela o havia encurralado perto das altas janelas que descortinavam a montanha.
O golpe seguinte o desarmou, fazendo sua espada voar pela janela.
– Isso não está certo! Eu sou invencível! Serei rei novamente! – Marcus gritou, pouco antes de ter a espada de Isie cravada em seu coração. Então ele desapareceu em uma nuvem de pó que foi levada pela brisa montanha abaixo.
Isie caiu, desacordada.
– Isie! – Gritei, na intenção de correr até ela. Jake foi mais rápido e chegou até ela antes de mim, até por que eu estava paralisado. O que eu senti naquele momento fez meu coração perder uma batida.
Uma mãozinha. Uma mão minúscula havia agarrado a manga da minha camisa.
– Papai.
Olhei para baixo e me vi refletido naqueles olhinhos azuis idênticos aos meus. Caí de joelhos, uma felicidade imensa brotando dentro de mim.
– Caleb! – Exclamei, um soluço preso em minha garganta.
Apertei aquela coisinha em meus braços, tão forte que poderia sufocá-lo.
– Caleb! – Ouvi Isie gritar. Ela correu até nós e se jogou à minha frente, largando as espadas e brindo os braços para pegar o nosso filho. Caleb pulou alegremente para cima dela, gritando “Mamãe!”.
Aquele sem dúvida foi o melhor momento da minha vida. Era como se Caleb houvesse nascido novamente.
POV Isie
*You are the one — Ichiko
You’re the one boku no mirai wo ageru
Mejirushi no nai michi mo heiki sa futari nara
Você é o escolhido, a quem confio meu futuro
Ficaremos bem mesmo em estradas obscuras, enquanto estivermos juntos
Saki no mienai tabi mayoi nagara mitsukete yo
Boku no iru desho kimi no tonari
Procurando enquanto vaga por uma jornada sem destino em vista
Estou ao seu lado, não estou?
Eu mal podia acreditar que estava segurando o meu bebê no colo novamente, são e salvo. Meu coração parecia gritar de alegria. Olhei para Edward em meio às lágrimas que nublavam os meus olhos e ele nos envolveu em seu abraço.
Kenka shite nando mo
Hanashita sono te hikiyose dakitai ima
Já brigamos tantas vezes
Mas quero puxar esta mão que soltei e segurá-la agora
You’re the one boku no mirai wo ageru
Namida no ame ni utaretara
Você é o escolhido, a quem confio o meu futuro
Depois de ser atingida pela chuva de lágrimas
Ficamos ali por alguns segundos, apenas aproveitando o calor dos corpos um do outro. Então tivemos que nos separar. Quando voltei a olhar para os nossos amigos, vi que Angela, Lauren e Renesme estavam com os rostos totalmente molhados de lágrimas, e eu tinha certeza de que os garotos apenas estavam se contendo para não chorar também, principalmente Jake.
– Vamos para casa. – Edward disse, por fim.
Casa.
Apenas quatro letras, mas uma das palavras mais maravilhosas que existia, juntamente com amor, família e lar. Aqueles dois eram tudo isso pra mim. Meus amores, minha família, meu lar... Minha casa... Onde eu sempre estaria segura e feliz.
I wanna hold you sugu yo himei yo boku no namae
Dakishime ni yuku wa
Kanashimi mo tsuyogari mo kono te ni uketomeru
Quero abraçá-lo agora, então grite por meu nome
Irei abraçá-lo
E aceitarei com estas mãos sua tristeza e seus blefes.
Edward pegou as minhas espadas e eu levei Caleb nos braços. Descer a montanha foi mais fácil e não encontramos obstáculos. Eu não sabia se os Vampiros Vermelhos que restaram haviam fugido ou simplesmente estavam com medo demais para nos atacar, agora que seu mestre fora derrotado.
Todos aproveitaram a viagem para conhecer Caleb. Renesme e Jake foram os primeiros a se aproximar dele.
– Você se lembra de nós? – Renesme perguntou.
– Lembro. – Ele disse apenas, com aquela vozinha infantil.
Eu ainda estava espantada com o fato de ele ter crescido tanto, já pudesse falar e andar. Durante aquela semana, eu havia perdido muita coisa da vida da minha coisinha, mas a partir de agora, não me permitiria perder se quer um segundo.
– Eu sou a sua tia Renesme. Aquele chorão lá é o tio Jacob. – Renesme falou e Jake realmente estava com os olhos úmidos. Eu ri com uma leveza que 24 horas atrás eu se quer imaginava. O riso não havia me ocorrido tão fácil ultimamente, mas com Caleb nos meus braços, era como se tudo estivesse perfeito. E realmente estava.
Os outros se aproximaram também, todos querendo falar com Caleb.
– Ele é tão lindo! – Angela ronronou, apertando as bochechas gorduchas dele, fazendo Caleb rir.
– Ele puxou ao pai. – Eu disse. Edward meramente revirou os olhos.
Encontramos o micro-ônibus no mesmo lugar em que o deixamos. Tratamos de subir nele e finalmente nos dirigimos de volta para casa.
Sentei-me numa das últimas cadeiras com Caleb no colo e Edward ao meu lado. Virei o menino de frente para mim e o observei cuidadosamente. Eu não queria ouvir mais nada ruim, mas precisava perguntar.
– Caleb, meu amor... Aquele homem te machucou? – Eu perguntei.
– Ele me mordeu, tirou meu sangue. – Ele reclamou.
– Eu sei. E antes disso? Ele fez alguma coisa? Ele bateu em você? – Eu quis saber.
– Não. Ele não deixava ninguém me tocar nem fazer nada comigo, ele dizia que eu era muito precioso e que nada de mal podia me acontecer. – Ele disse.
– Você teve medo? – Edward quis saber.
– Não. – Caleb afirmou, balançando a cabeça de um lado para outro para confirmar.
– Por que não? – Eu perguntei, impressionada com a certeza dele.
– Eu sabia que mamãe e o papai iam me achar. – Ele disse. Tive tanto orgulho naquele momento que meu peito poderia ter explodido. Então enchi o rosto de Caleb de beijos, fazendo-o rir. Edward também riu, feliz.
A viagem de volta pareceu imensuravelmente mais curta e muito menos tensa. Todos queriam se revezar pegando Caleb no colo, colocando-o para dormir e dando-lhe comida. Eu era, com frequência, obrigada a lhes lembrar de que eu é que era a mãe dele. Mas o garoto era irresistível e conquistava a todos facilmente.
Ao chegarmos à cidade, fomos recebidos imediatamente por Alice, Jasper, Emmet e Rosalie. Os guardas do portão haviam visto o ônibus se aproximando e o reconheceram.
Quando nos viram descer no pátio com Caleb, os quatro vibraram de alegria. Então Alice correu até nós e começou a socar o Edward.
– Seu idiota! Por que você não ligou para nós? Eu estava morrendo de preocupação. – Ela gritou. Edward a segurou pelos braços, rindo.
– Desculpe, Alice. Acho que perdemos o celular no caminho. Tinha um monte de vampiros sanguinários querendo nos matar, então você deve saber que foi meio difícil parar para fazer um telefonema. – Edward disse ironicamente. Alice bufou.
– Mas e então? O que aconteceu? – Emmet quis saber, depois de nos abraçar.
– É melhor falarmos em um lugar privado. – Renesme sussurrou.
– Claro, venham. – Emmet mandou que todos nós o seguíssemos até os seus aposentos. A história era longa e muito, muito estranha. Nem mesmo eu, que havia presenciado tudo, conseguia acreditar totalmente em tudo pelo que havíamos passado.
Ainda tínhamos alguns mistérios para decifrar.
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