A Guardiã

29 Capítulo Dez: De Volta ao Lar


– Claro, venham. – Emmet mandou que todos nós o seguíssemos até os seus aposentos. A história era longa e muito, muito estranha. Nem mesmo eu, que havia presenciado tudo, conseguia acreditar totalmente em tudo pelo que havíamos passado.

E algumas coisas nem mesmo podíamos explicar.

A guardiã: A morte é apenas o princípio...

Capítulo Dez: De Volta ao Lar

Sentamo-nos ao redor da mesa de audiências que havia ali e Alice ficou insistindo em pegar Caleb no colo.

– Eu sou a sua tia Alice, ta bom? Sou a sua melhor tia. – Ela dizia à criança.

– Mas a tia Renesme é a minha melhor tia. – Caleb resmungou. Alice fez cara feia para Renesme.

– Agora vamos ao que interessa. O que houve com vocês nessa viagem? – Emmet perguntou, ignorando completamente a irmã.

Contamos tudo o que havia ocorrido da melhor forma possível. Cada um explicava o detalhe que sabia, ajudando um ao outro. Quando chegamos à parte sobre o seu pai, tanto ele quanto Alice, Jasper e Rosalie exclamaram, surpresos. No entanto, eles não nos interromperam.

Foi difícil falar sobre a morte de James. Eu o havia odiado por bastante tempo e havia até mesmo desconfiado dele, mas no fim, ele havia salvado Edward e, consequentemente, a mim. Quando chegamos ao final da narrativa, os quatro estavam boquiabertos.

– Como isso é possível? Todos achavam que ele havia morrido há dez anos. – Emmet falou, levantando-se de seu lugar e andando de um lado para outro.

– Ele disse que muitos simpatizavam com ele e que se juntaram a ele depois que ele forjou a própria morte e fugiu. Laurent era um deles, mas todos foram eliminados nas batalhas que houveram. Ele estava apenas usando os Vampiros Vermelhos para nos distrair, como linha de frente, prometendo-os uma vida diferente quando voltasse ao poder. – Edward explicou.

– E Caleb? Como ele sobreviveu? – Alice quis saber.

– Não tenho ideia. A Isie teve meio que um surto, ela começou a gritar e seus poderes de Death Knight despertaram. – Edward explicou. Então baixou a voz, como se o que fosse dizer doesse. – Caleb... Ele parecia morto, mas quando Isie derrotou Marcus, ele voltou à vida.

Todos voltaram os olhos para mim.

– Eu não sei o que aconteceu. Eu vi Marcus mordendo o Caleb, então ouvi um zumbido alto. Minha cabeça parecia querer explodir, minha pele estava em chamas, então não sei o que aconteceu em seguida. – Eu disse, dando de ombros.

– Então a lenda estava errada? – Jacob sugeriu em tom de dúvida.

– Talvez. Ela dizia que o vampiro teria que sugar o sangue do híbrido e quando ele morresse, a pessoa seria invencível. – Alice relembrou.

– Mas Caleb não morreu, então não funcionou. – Renesme concluiu.

– Ele parecia... Parecia estar morto. – Edward falou baixinho, como se estivesse dizendo algo indecente.

– Algo o impediu de morrer. – Jacob apontou.

– E as profecias? Aquelas que ligavam vocês, Caleb e Marcus? – Jasper lembrou.

Então Alice começou a recitar a primeira:

A sede de sangue pintará tudo de vermelho,

E a ordem será abalada pela matança.

O mundo humano cairá em desgraça,

A menos que se levante um da extinta raça.

Para que a vida se preserve,

A Fênix deverá morrer e das cinzas se erguer,

Então, em sua glória, o Tirano irá perecer.

E então a que ela própria fizera:

Um tributo de sangue será reclamado,

Para que um fim na batalha seja dado.

Pelas mãos de sua família tirada,

A vida do inocente estará findada.

O poder do amor será testado,

A dor da perda findará o legado.

E aquele há muito Perdido,

Finalmente encontrará o fim merecido.

– Então a Fênix, no fim, era Caleb, não eu? – Eu questionei.

– Talvez. Ele com certeza foi o tributo de sangue falado, quando Marcus bebeu dele... E Marcus era Tio-avô de Caleb, ou seja, família, e lhe tirou a vida... – Alice resmungou. Ela parecia estar falando mais consigo mesma. – Então quer dizer que ele morreu mesmo... Mas resurgiu das cinzas... Das cinzas de Marcus. O poder do amor de Isie, da sua dor, foi o que o trouxe de volta?

– O que isso significa, Alice? – Renesme perguntou, impaciente.

– Eu não sei direito. Há magias no mundo muito mais poderosas do que nós podemos imaginar, e o amor é uma das mais antigas. E tudo o que temos para nos basear aqui são lendas. Nunca houve um Death Knight Vampire no mundo. Só posso imaginar que a vida de Caleb está ligada à de Isie. – Alice disse, então se voltou para mim. – Você disse que sentiu algo, não foi? Quando Marcus mordeu Caleb, você sentiu algo.

– Sim. Não dá pra explicar direito. Era como se... Como se meu corpo estivesse pegando fogo, como se eu estivesse morrendo. – Eu disse, tentando demonstrar da melhor forma possível.

– Talvez haja uma ligação entre vocês, da mesma forma como há uma ligação entre vampiros e seus guardiões. Talvez o poder do amor que a profecia fala ligue a vida de um ao outro. Para que a lenda funcionasse, Caleb teria que morrer... Mas para ele morrer, você teria que morrer. – Alice concluiu.

Eu não tinha certeza sobre aquilo. Era tudo confuso demais, mas era a melhor explicação que havia e eu não conseguia pensar em nada melhor. E ainda...

O amor que eu sentia por aquela coisinha era maior do que tudo que eu já havia sentido na vida. Talvez fosse verdade o que as pessoas diziam, que não há poder maior do que o poder do amor de uma mãe pelo seu filho. Talvez tenha sido isso que manteve o meu bebê vivo naquele dia.

Mas fosse o que fosse, eu estava muito grata.

– Acho que agora a paz vai voltar ao nosso mundo. – Emmet falou, parando por fim atrás de sua cadeira. – Com Marcus definitivamente morto e os Vampiros Vermelhos dispersados e em menor número, tenho certeza de que a onda de ataques chegou ao fim.

– Nós conseguimos! Nós salvamos o nosso mundo! – Mike falou, como se não pudesse acreditar em si mesmo. Todos riram de sua exasperação.

– Mas Mike está certo. – Emmet disse, ficando então sério. – Vocês nos salvaram. Não apenas a nossa cidade, mas todos os humanos, toda a nossa sociedade.

– Ainda há algo que precisamos fazer, Emmet. – Eu disse, ficando de pé.

– Do que se trata, Isie? – Edward perguntou, sem entender.

– Temos que pensar no porquê de essa guerra ter começado, em primeiro lugar. – Eu comecei. Aquilo já estava na minha cabeça há algum tempo, mas estava acontecendo tanta coisa que nunca tive tempo para externar esses pensamentos – Marcus usou os Vampiros Vermelhos para nos atacar por que eles estavam perdidos, sem ninguém com quem contar.

“Não podemos esquecer que eles um dia foram como vocês. Eu não posso imaginar o que um vampiro sente quando perde um Guardião, mas imagino como seria perder alguém que amo e ser abandonada pela sociedade que protegi. Isso não foi apenas um jogo de poder, foi a resposta que uma sociedade hipócrita recebeu pelos seus crimes. Eu não culpo vocês, eu sei que isso é algo que vem de muito tempo atrás, muito antes de qualquer de nós existir. Não podemos mudar o passado, mas se nos unirmos, poderemos mudar o futuro. Você pode mudar o futuro, Emmet, você é o rei. Durante as viagens que fizemos, Edward, Renesme Jacob e eu ficamos muito próximos e houve vezes em que Edward precisou beber do sangue de Jacob e em que Renesme precisou beber do meu. Se todos os vampiros aprendessem a dividir, essa guerra poderia nem ter acontecido.”

Todos olhavam para mim atentamente e quando terminei, pude ver o orgulho nos olhos de Edward.

– Você está certa, Isie. O que sugere? – Emmet perguntou, sorrindo largamente para mim.

– O sangue humano torna os vampiros monstros, descontrolados. Mas o sangue de Guardiões os mantém sem problema. Eu sugiro a criação de um banco de sangue, como um banco de sangue humano, mas com sangue de Guardiões, como seguro para os vampiros que perderem seus parceiros em batalha e não puderem convocar outro Guardião. Eu sei que não há consolo suficiente depois de uma perda como essa, mas ao menos mostraremos que nos importamos. – Finalizei.

Emmet começou a bater palmas, bem como Edward, Alice, Renesme, Jacob... E logo todos estavam me aplaudindo. Confesso que fiquei constrangida.

– Você tem toda razão, Isie. Abandonamos nossos irmãos na hora em que mais precisaram e pagamos por isso. – Emmet falou depois que todos fizeram silêncio novamente. – Hoje farei um pronunciamento para explicar ao povo o que aconteceu, omitindo a parte sobre a natureza de vocês, claro, e informar que a guerra acabou. Nesse pronunciamento, anunciarei a criação do banco de sangue Swan.

– Swan? – Perguntei.

– Em homenagem a você, claro. – Ele disse sorrindo com aquelas covinhas lindas. Tive vontade de mordê-lo, mas seria muito inapropriado sair por ai mordendo o Rei, mesmo que ele fosse da família.

– Posso pedir algo? – Perguntei timidamente.

– Claro. – Ele consentiu.

– Chame-o de Renée Swan. Meu pai ficaria muito feliz. – Eu pedi.

– Como quiser. – Emmet falou. Sorri para ele e então olhei para Edward, que sorria largamente para mim. Então peguei Caleb e o segurei nos braços.

– O mundo será um lugar muito melhor quando você crescer, meu amor. – Eu disse, beijando sua bochechinha gorducha.

~~

Naquela tarde, a notícia sobre o fim da guerra se espalhou por toda a cidade e houve muitas comemorações. Muita gente ficou surpresa com o anúncio sobre o banco de sangue, mas a ideia foi muito bem recebida.

Ao anoitecer fui visitar Charlie, levando Edward e Caleb. O velho quase enfartou quando nos viu. Ele havia visto o pronunciamento de Emmet na TV e ficou muito emocionado por saber que o nome de minha mãe homenagearia aquele novo projeto.

Estávamos sentados na sala de estar que eu tanto conhecia, na qual eu havia crescido e tinha tido tantos momentos felizes. Charlie segurava Caleb nos braços, parecendo hipnotizado.

– Essa criança não pode ser sua. Ele já aparenta ter um ano de idade! – Charlie exclamou.

Contamos então a ele sobre Edward, Caleb e eu. Ele ficou confuso, claro. Até mesmo eu ficava confusa às vezes. Pedimos segredo, mas era desnecessário. Charlie não era muito de falar mesmo. Ele levantou-se, entregou Caleb a Edward e me pegou pelas mãos, me fazendo me erguer também.

– Eu sempre soube que você era especial Isie. – Ele disse, acariciando os meus cabelos. – Eu sei que todos os pais pensam o mesmo dos seus filhos, mas você eu sabia que realmente era. Nunca tive tanto orgulho de você.

Eu estava ficando muito mole mesmo, ultimamente. Meus olhos se encheram de lágrimas e meu pai me abraçou. Fiquei agarrada a ele por uns bons minutos.

– Eu também quero abraço. – Caleb falou em voz alta, quebrando o clima. Eu ri, pegando-o no colo e o abraçando.



Voltamos ao forte naquela mesma noite. Quando entramos no nosso quarto, Esme e Carlisle nos esperavam.

– Meu filho! – Esme exclamou, jogando-se nos braços de Edward.

– Que bom que está bem filho. – Carlisle falou, dando tapinhas nas costas de Edward.

– Quem são esses, mãe? – Caleb perguntou.

– Mãe? Então esse é o Caleb? – Esme perguntou, vindo em nossa direção.

– Essa é sua vó Esme, Caleb. E aquele é o seu avô Carlisle. – Eu expliquei. Ele estendeu a mão gorducha para Esme, que se derreteu completamente quando o pegou no colo.

Carlisle chegou perto, passando a mão na cabeça de Caleb.

– Ele é tão lindo. Parece o Edward, quando pequeno. – Esme disse. Carlisle sorriu e olhou para Edward.

– Você me deixou muito orgulhoso, filho. – Ele disse. Edward sorriu e tive certeza de que ele estava segurando o choro.

Ele havia vivido a vida inteira sob a sombra do pai, o maior vampiro de todos os tempos. E ouvi-lo dizer que se orgulhava devia enchê-lo de alegria.



Quando Carlisle e Esme foram embora, nós três finalmente ficamos sozinhos. Edward e eu nos deitamos na cama, com Caleb entre nós. O garoto logo pegou no sono. Havia passado por muita coisa e era apenas um bebê.

– Nada poderia ser mais perfeito do que estar aqui, com vocês dois, agora. – Edward disse, entrelaçando seus dedos aos meus.

– Eu sei. Se você me dissesse o que passaríamos, alguns meses atrás, eu não teria acreditado. O que eu sinto por você, por essa coisinha... Nada no mundo pode explicar. – Eu falei.

– Eu te amo, Isie. – Edward disse, olhando nos meus olhos e acariciando o meu rosto.

– Eu também te amo, Edward. – Eu falei.

Eu ficava repassando as brigas que eu tivera com Edward, quando nos conhecemos. Eu tinha tanta raiva dele, por me controlar, por ser tão metido. Agora eu não podia imaginar um universo em que ele não existisse.

Agora, eu sentia que a minha vida estava perfeita.

Notas finais
Gente, terminou!! Buá! Buá! Gostaria de agradecer a C3Bonilha pela recomendação. Bom, na verdade gostaria de agradecer a todos que comentaram e recomendaram! Obrigada aos novos leitores e aos antigos, que voltaram pra ler novamente!! Agora só falta o EPÍLOGO. Fiquem ligados!!! E pra quem não sabe, quando terminei de postar A Guardiã pela primeira vez, postei também UMA FIC SÓ DO CALEB. Quem estiver interesse em saber como fica a vida da coisinha depois de tudo isso, é só ler: A Lenda do Death Knight Vampire. http://fanfiction.com.br/historia/255984/A_Lenda_Do_Death_Knight_Vampire/ Sinopse: Caleb não era vampiro, nem humano, nem Guardião. Ele era uma Lenda. Ele era o Death Knight Vampire e por isso estava fadado a passar a eternidade sozinho. Ou talvez não. Bjs