Notas iniciais
Fugir dos problemas pode ser uma ótima saída para por os pensamentos no lugar, no caso de Marianne sua fuga a levará a um lugar onde nunca sonhou em estar.
Acordei cedo, mais cedo do que havia imaginado ser possível, traduzindo para uma linguagem mais objetiva, acordei às 06h30min da manhã.

— Ah, fala sério! murmurei rolando de lado na cama

Logo depois percebi que não adiantaria nada ficar rolando de um lado para outro quando o sono não viria.

Considerando que o sol brilhava intenso e que um calor convidativo me proporcionava uma animação incomum, resolvi levantar.

Abri a janela e uma brisa trouxe-me um cheiro de terra molhada que remoeu lembranças boas de banhos e mais banhos numa cachoeira próxima do bosque.

— E se... cogitei andando até uma gaveta e tirando dela um biquíni novo em folha

Coloquei-o e por cima uma regata e um shorts jeans; arrumei uma mochila com algumas peças de roupa.

Desci para a cozinha e para minha surpresa, não havia ninguém lá. Dei-me ao direito de roubar algumas barras de cereais escondidas no armário e pegar algumas garrafas de água.

Segui rumo aos estábulos e também não encontrei ninguém lá, encilhei Trovão e estava prestes a sair quando enxerguei algo que me prendeu a atenção.

— O que meu violão faz aqui embaixo? perguntei a mim mesma

Escutei um barulho de janelas se abrindo, não teria tempo de voltar para casa e deixar o violão lá dentro, portanto atrelei-o às costas e sai com Trovão na direção do bosque.

***

A cachoeira continuava como em minhas mais remotas lembranças de infância, as mesmas pedras acinzentadas, a água cristalina que caia em forma de véu, a espuma branca espiralava na superfície espelhada.

Tirei a regata e o shorts e deixei minhas coisas à margem, amarrei Trovão no tronco de uma árvore que julguei ser uma figueira (como se entendesse algo de botânica).

Entrei devagar, sentindo as pedras arredondadas embaixo dos pés, caminhei até que a água batesse por minha cintura, então mergulhei de cabeça, deixando-me envolver por um misto de serenidade e liberdade.

Emergi com a cabeça sob a cachoeira, a água pressionava-me os músculos das costas fazendo uma massagem natural.

Acredito ter ficado por meia hora de molho, sequei-me com a toalha que havia trazido e tornei a colocar a roupa com que havia vindo.

Montei em Trovão voltava na direção fazenda, margeando a cerca que dividia os limites da propriedade com o bosque.

Estava na metade do caminho quando vi algo se mexendo no meio das árvores, parecia pequeno, talvez um menino.

Forcei Trovão a parar puxando-lhe as rédeas com força.

— Volta pra casa amigo falei acariciando a grande cabeça negra eu chamo você depois.

Ele se virou e galopou na direção em que estávamos indo enquanto eu transpus a cerca de arame farpado e me infiltrei no bosque, algo que ia completamente contra as orientações da minha avó.

— Ei! chamei quando vi o garoto correndo novamente Espera!

Corri atrás dele até onde minhas pernas conseguiram aguentar, então ele sumiu em meio a mata.

— Ok falei apoiando-me nos joelhos eu desisto de te seguir! ofeguei sentando-me em meio às árvores Você venceu!

Tinha a sensação de que ele ainda me escutava e que estava me observando.

— Já que não ganhei de você sussurrei tirando o violão das costas e dedilhando as cordas acho que merece uma música da vitória, não acha?

Look at this photograph

Everytime I do it makes me laugh

How did our eyes get so red

And what the hell is on Joey's head

Cantei Photograph da banda Americana Nickelback, dedilhando cadenciada a corda fina do violão.

Às vezes procurava por algum sinal de movimento no meio das folhas, sem ver nada.

Aos poucos fui deixando a música me envolver como sempre fazia, mas desta vez o vento pareceu sussurrar com uma voz melodiosa e firme.

A profecia foi feita... Apenas uma poderá nos salvar... Filha dos dois mundos, a esperança irá espalhar...

Sobre estas terras desoladas abrirá suas asas douradas... No sacrifício nos agraciará...

Ao abrir os olhos, parecia estar no mesmo bosque de sempre, com a única diferença de que estava sentada sobre uma relva de folhas amarelas e sob um teto de folhas douradas.

Aquilo tudo me parecia familiar como se eu realmente estivesse em...

— Lothlórien...

Levantei-me desnorteada observando ao redor, virei-me pensando em voltar por onde tinha vindo e chamar Trovão, mas o que vi me deixou plantada onde estava.

— Mae Govannen disse um homem alto de olhos cinzentos, cabelos longos e louros e orelhas pontudas

Ele era somente um dos nove homens parados diante de mim, só não sabia definir quem estava mais estarrecido, se eu ou eles.

— Por que parou de cantar? perguntou-me o garoto que eu segui há minutos antes

Os cabelos negros e encaracolados e os grandes olhos azuis não deixavam dúvida: aquele era Frodo Bolseiro, o portador do anel. Eu, Marianne estava diante da Sociedade do Anel, na Terra Média.

— Eu... balbuciei sentindo minhas pernas enfraquecerem titubeei

— Fique calma disse-me Haldir apoiando-me deixe as explicações para a Senhora Galadriel.

— Creio que saiba quem somos falou Aragorn

— Sei assenti

— E sabe por que está aqui? ergui meus olhos e eles ficaram presos pelos olhos azuis de Legolas

— Pra falar bem a verdade, não faço a menor ideia eu sorri feito uma idiota

Notas finais
Hum, Mary derretendo-se por Legolas hein?
KKKKKK