Notas iniciais
Inicia-se a primeira das muitas batalhas contra os Krügers que virão. Os Saiyajins se mostram extremamente confiantes, mas resistirão eles ao poder dos novos inimigos? Seriam os Krügers apenas lixo diante da força dos Saiyajins, ou valorosos guerreiros capazes de se equiparar ou mesmo superar os ditos guerreiros mais fortes do Universo?

- Prepararmos para morrer? – repetiu Dio, gargalhando – Vocês se esqueceram de um ponto bem básico! Nós somos Saiyajins! E estamos infinitamente mais poderosos que na época do Freeza, se você acha mesmo que pode nos vencer com tamanha facilidade, está prestes a ter uma desagradável surpresa!!

Schutz ergueu a mão e em seguida autorizou seus soldados a entrar no combate, que obedeceram prontamente e partiram em direção aos guerreiros Saiyajins e Kelfos. Os Krügers tinham a vantagem numérica ao seu lado, pois em alguns casos haviam lutas de cinco contra um.

O Governador Dio esquivou-se de um soco desferido por um dos soldados, pegando-o pelo braço e o arremessando longe, enquanto enterrava seu pé bem no meio do rosto de outro. O soldado arremessado foi diretamente em direção à Tank, que após bater dois de seus oponentes cabeça com cabeça, o recebeu dando-lhe uma cotovelada que o lançou longe. Já Sora, a impaciente guerreira, disparou com todas as suas forças intensas rajadas de ki, acertando não apenas seus oponentes, como também os oponentes de seus companheiros, o que rendeu alguns protestos de Kahza e Sony. Os Kelfos também estavam lutando bem, atacando bastante os soldados Krügers com disparos de energia. Logo, não sobrou nem um soldado Krüger em pé. Schutz aplaudiu, sorrindo satisfeito.

- Bravo! Bravo!! Veja que não são tão fracos quanto eu pensei! Isto pode render à nós um pouco de diversão! Mas quero ver vocês serem páreo para mim e para Totenkopf!

O grande guerreiro Krüger careca se adiantou, posicionando-se junto ao seu líder. E num piscar de olhos, desapareceram. Totenkopf surgiu à frente do Governador Dio, acertando-lhe uma cabeçada e disparando uma rajada de energia à queima roupa no velho, mandando-o longe. O Governador atingiu o chão já inconsciente.

- Governador! – gritou Tank, indo para cima do gigante Krüger.

- Seu miserável!! Tank, eu vou te ajudar!! – exclamou Sora, adiantando-se para voar em direção ao companheiro. Mas esta foi detida, quando Schutz surgiu à sua frente.

- Acho que você deveria se preocupar mais com você do que com os outros!

Num velocíssimo movimento, Schutz tocou Sora com a palma da mão na altura do estômago, disparando um poderoso raio de energia dourado, que transpassou a Saiyajin. Antes que tocasse o solo, a Saiyajin já estava morta.

Em seguida o Krüger desapareceu, pegando Sony numa chave de pescoço. O guerreiro se debateu e se contorceu, dando gemidos abafados mas não impediu que a morte chegasse para ele também: Schutz impiedosamente lhe quebrou o pescoço. Os guerreiros Kelfos fecharam um círculo ao redor do Chanceler Kopf, a fim de protegê-lo, mas antes que a formação se completasse, o robusto guerreiro Krüger conseguiu não apenas derrotar Tank com um único soco na ponta do queixo, como disparar uma grandiosa esfera reluzente de ki, causando uma fortíssima explosão. Os corpos dos Kelfos que tiveram sorte foram obliterados instantaneamente. Outros foram arremessados longe, mutilados. Apenas o Chanceler continuava vivo e com todas as partes do corpo.

Enquanto isso, Schutz atravessava o coração de Kahza com um soco e acertava o rosto de outro Saiyajin, alto e forte que atendia por Jiban, com um disparo de energia, simultaneamente. Ambos caíram mortos. Só haviam sobrado Tank e outra Saiyajin no combate, uma jovem de cabelos tingidos de vermelho que atendia por Elly. Ela partiu para o ataque, acertando o grande Totenkopf com um chute no rosto, com toda a sua força, enquanto Tank o socava na barriga. Mas espantosamente o gigante continuou parado, rígido como uma estátua de pedra, parecendo não sentir os ataques. Os dois Saiyajins ficaram espantados com aquilo. Que tipo de inimigos eram aqueles?

Distraído, Tank foi atingido por um dos disparos de Schutz, sendo atravessado pelo raio dourado na altura da barriga, tombando em seguida. Totenkopf segurou Elly pela cabeça e após bater com o corpo dela no chão com força, fechou a sua mão furiosamente. O crânio da Saiyajin não resistiu, cedendo como um tomate estragado.

- Estou decepcionado! – Disse Schutz, chutando o corpo inerte de Tank longe, fazendo espirrar bastante sangue pela neve – Pensei que os Saiyajins fossem coisa melhor do que isso! Mas eles não passam de lixo!

- Deve ser porque lutamos com todas as nossas forças – respondeu Totenkopf – não demos a menor chance para eles.

- Não seja ridículo. Se eu lutar com todas as minhas forças, sumo com este planeta. – respondeu o líder, cruzando os braços – Eu não devo ter usado nem mesmo trinta por cendo de meu... ei, veja só quem sobreviveu!

Rastejando-se pela neve fria estava o Chanceler Kopf, tentando inutilmente se esconder. Schutz surgiu em sua frente, esmagando sua mão com uma forte pisada.

- Ora, ora... se não é o meu velho amigo Chanceler... dentre tantos guerreiros poderosos, justo um inseto como você foi quem sobreviveu...

- Você... você é um demônio... – balbuciou o homem, em suas últimas forças.

- Há, há, há! Não me faça rir! Vou fazer com você o que fiz com todos os outros, e em seguida vou atacar o seu amado Império. E em seguida, vou destroçar completamente todos os Saiyajins deste planeta.

- Porque... porque...?

- Porque vocês são a causa para o meu pai ter caído em desgraça! Vocês são a causa por termos deixado de ter nosso brilho e termos virado um nada, uma escória!

Schutz parecia extremamente irado, o ódio era evidente em suas palavras. Ele arremessou o velho Kelfo longe, e em seguida ergueu a palma da mão em sua direção.

- Morra. – disse ele, indiferente e disparou sua rajada de energia. Ao ser atingido, o Chanceler tombou para o lado, imóvel. Estava morto.

Um pouco afastado, Tank agonizava, com o olhar voltado para o céu. Não sentia dor, o gelo havia se encarregado de entorpecer sua ferida mortal. Sabia que iria morrer e que tinha pouco tempo de sobra. Fechou os olhos e pensou em Lenia. Lamentou-se silenciosamente de não poder voltar para casa e ver o seu filho nascer.

Com muito esforço, levou o dedo ao botão do rastreador. Iria tentar falar com ela, deveria alertá-la sobre o que estava acontecendo ali. Agora que os melhores guerreiros haviam sido mortos, caberia a ela liderar os outros guerreiros para a batalha. Mas, também queria dizer seu último adeus.

- Le... Lenia... – ele falou, com avoz fraca – Você está me ouvindo...?

A voz da Saiyajin se fez ouvir pelo rastreador, embora abafada pelos ruídos de estática.

- Tank? É você? Onde você está? O áudio está horrível!

- Lenia... me escute... nós fomos emboscados... nós e os Kelfos... todos mortos...

- Tank, está tudo bem com você?

- Apenas me escute! Não tenho muito tempo... os Krügers... os Krügers vão atacar... vão destruir tudo...

Um pesado joelho acertou o estômago do Saiyajin, fazendo-o gemer de dor. Em seguida, Schutz o levantou pela gola do uniforme, olhando para Tank com desprezo.

- Então você ainda persiste em permanecer vivo... O que foi, estava falando sozinho?

- Ah...! Maldito... – ele gemeu, cuspindo sangue. Sentiu a visão ficar turva. Sabia que estava no fim.

- Mesmo estando à beira da morte, vocês Saiyajins sempre arranjam forças para insultar os outros. Me cansei de vocês, escória! Faça-me um favor e cale essa sua boca para sempre!!

Schutz travou o punho, desferindo um fortíssimo soco no rosto de Tank, atirando-o longe novamente. A força do impacto quebrou instantaneamente o pescoço do guerreiro, além de fazer seu rastreador voar de seu rosto, caindo aos pés do Krüger.

- Há, há, há! Então, esta que era a tal desagradável surpresa que o velho Saiyajin disse? Os ditos guerreiros mais poderosos do Universo não passam de...

- Tank, você está ai?! O que está acontecendo! Tank!! – chamou a voz de Lenia, pelo rastreador. Agora que já não estava mais preso ao rosto do guerreiro, a voz dela podia ser ouvida, mesmo por detrás de todo aquele chiado.

Schutz agachou-se, tomando o pequeno aparelho em suas mãos, sua expressão demonstrando cada vez mais raiva a cada palavra dita por Lenia. Enfurecido, esmagou o rastreador fechando seu punho com raiva.

- Então aquele desgraçado estava chamando ajuda! Filho da mãe! – esbravejou o Krüger, virando-se imediatamente para o seu companheiro – Totenkopf! Pegue um destacamento de guerreiros e vá fazer uma visita aos Saiyajins! Imagino que ainda se lembre da localização dabase destes malditos chimpanzés!

- Sim senhor, Lord Schutz. É pra já. O que o senhor vai fazer, no meio tempo?

- Eu vou escolher alguns guerreiros para irmos juntos fazer uma visitinha a um antigo amigo de meu pai... temos negócios inacabados para resolver...

Ambos adentraram novamente a grande nave mãe, cuja comporta metálica se fechou, deixando para trás todos os cadáveres. Apenas o Governador Dio permanecia vivo, embora muito ferido e sem forças para se mexer.

O velho Saiyajin sabia que se ficasse ali iria morrer – ou em decorrência de seus próprios ferimentos, ou de frio – e fazia de tudo para arrumar forças para se mover, inutilmente. Foi quando um par de pés aterrissou em sua frente, fazendo-o arregalar os olhos.

- V...Você...?

* * *

Lenia estava sentada em sua cama. Parecia completamente perdida. A sua experiência como guerreira era suficiente para saber que naquele momento, onde quer que ele estivesse, Tank estava morto. Ela não sabia o que fazer, no que pensar, apenas sentiu como se estivesse caindo lentamente num buraco cada vez mais escuro. As lágrimas brotaram em seu rosto, embora ela lutasse bravamente contra elas. Foi inútil, a dor era mais forte que seu orgulho. Elas as deixou deslizar pelo rosto, tocando suavemente sua própria barriga. Ainda era impossíveldizer que estava grávida, pois só havia feito a descoberta há uma semana. E agora aquela criança nasceria sem pai.

Não que isto seja algo incomum para os Saiyajins. Eu mesma nunca cheguei a conhecer os meus, que morreram quando eu era um bebê. Spark também nunca conheceu seus pais, pois eles partiram quando souberam que tinham um filho guerreiro de classe baixa... Nós somos uma raça guerreira e este tipo de coisa está presente em nosso dia-a-dia... mas porque eu não consigo encontrar nenhum consolo nesta realidade?

A porta de seu alojamento se abriu, rapidamente. O seu aluno estava lá, parado como uma estátua. Parecia não acreditar naquilo que estava vendo diante de si.

- Mestra Lenia? O que aconteceu? Você, você está chorando?

As lágrimas saltavam de seu rosto silenciosamente. Ela não iria se dar ao luxo de soluçar, não poderia. Aquele era o momento em que ela mais deveria ser forte, não só pela morte de seu marido, mas pelo recado que ele havia dado.

- Spark... eu quero que você ouça com atenção... – ela disse, com a voz embargada – Eu quero que você reúna os guerreiros mais fortes que você conhece, está me entendendo?

- Os guerreiros mais fortes que eu conheço? Pra que?

- Para nos defender. A Fortaleza vai ser atacada por um inimigo desconhecido, um inimigo forte o suficiente para matar Tank. E este inimigo está vindo para cá...

- Como é?! O Tank está morto?! Como assim!?

- Apenas faça o que eu mandei, moleque! – esbravejou a guerreira, enquanto mais lágrimas saltavam de seu rosto – Sozinhos podemos não ser páreo para este inimigo sinistro, mas se unirmos nossas forças seremos capazes de vencer!! Spark, você é a única pessoa que eu confio agora para esta tarefa! Vá, reúna todos os mais fortes que você conhece e me encontre do lado de fora da Fortaleza!

- Si.. sim! Agora mesmo!!

Spark deu as costas, partindo correndo imediatamente, deixando sua tutora entregue às lágrimas.E prometeu a si mesmo que nem sob tortura contaria a ninguém que havia visto ela naquele estado.

Ele correu, tentando montar um quebra-cabeças que havia sido feito em sua mente. Poucos minutos atrás havia sentido vários ki se manifestando, como numa batalha. Pouco a pouco eles foram sumindo, minguando. Até que não havia sobrado nenhum. Isso só poderia significar que Tank e os outros haviam encontrado os tais inimigos e lutado com eles, sendo todos derrotados.

E tudo isso depois que aquela imensa nave passou voando... eu senti um estranho amontoado de energias malignas junto com ela. Não resta dúvidas, seja lá o que for que tenha matado Tank e os outros saiu de dentro daquela maldita nave!

Ele precisava pensar. Quem iria recrutar para o grupo? A julgar que o inimigo era forte o suficiente para derrotar Tank e um grupo de Saiyajins de Elite, não restavam grandes opções, mas logo de cara vieram os membros da antiga gangue de Asus. Todos eles haviam treinado bastante nos últimos anos e ficado bem mais fortes do que eram na época do combate na arena. Decidiu que iria começar por eles, e o lugar mais provável para encontrá-los era no bar.

Ele desceu as escadas circulares que conduziam o andar dos alojamentos para a região onde ficavam o bar, o refeitório e o Salão Principal suando frio. E, quando finalmente chegou ao bar, empurrou a porta com toda a força.

A pesada porta metálica atingiu a cabeça de um Saiyajin alto e forte, que caiu por cima da mesa, derramando a própria bebida em si mesmo. Todos os outros presentes olharam em direção à porta, vendo que ali estava Spark. O jovem Saiyajin olhou todos os rostos, até reconhecer Klaus com suas feições um tanto femininas e sua longa trança preta, junto aos demais companheiros. Correu até ele, ignorando os xingamentos e palavrões daquele que foi atingido em cheio.

- Klaus! Preciso conversar com você, urgente! – disse Spark, parando diante dele.

- Comigo? E o que você quer? – perguntou o guerreiro, enquanto tirava uma mecha de cabelo preto de sua testa.

- Preciso de você e dos outros, Dirk e Dieter, agora! E de qualquer outro que seja suficientemente forte!

- Hei, vá com calma Spark – disse Dirk, após tomar uma longa golada de vinho vermelho – Primeiro diga que diabos está acontecendo para nós!

- É mesmo – Dieter concordou, olhando sério para o Saiyajin – queremos saber do que se trata.

- Mas que droga, vocês três! Temos um grande problema, Tank está morto e nós vamos ser atacados a qualquer momento! Será que vocês podem cooperar comigo?

A esta altura Spark já estava gritando e todos no bar olhavam para ele com cara de espanto. Um burburinho então iniciou-se, após uma breve pausa, todos repetindo ao mesmo tempo palavras como “Tank está morto” ou “Mas será possível?”, o que fez Spark perder a cabeça por uns instantes. Mas então, se recompôs. Decidiu tirar vantagem daquilo.

- Pois bem! É verdade! – ele disse para todos os presentes, caminhando a passos acelerados por todo o bar – Tank foi assassinado e agora estamos em vias de ser atacados à qualquer momento! Aqueles que se consideram fortes o bastante para poder lutar contra o nosso novo inimigo por favor venham comigo!

Mexer com o orgulho de guerreiro dos presentes não havia sido tão inteligente quanto ele pensava e logo todos os Saiyajins no bar se levantaram e se escalaram como voluntários para a luta, enquanto algumas canecas era arremessadas ao ar e contra as paredes. Em seguida, os presente começaram a se desentender uns com os outros, quando frases como “E desde quando você é forte”, “Eu sou melhor que você” e “Você vai morrer logo de cara” começaram a ser disparadas de um contra o outro.

Spark estava furioso. Liberou seu ki com todo vigor, fazendo surgir uma aura branca ao seu redor e gerando uma forte ventania dentro do bar, que arremessou mesas e cadeiras longe.

- PAREM JÁ COM ESSA BABAQUICE!! – ele gritou, com as têmporas alteradas – Se não conseguem nem ao menos se entender, como esperam vencer o inimigo!? Todos nós vamos lutar, mas por ordem da Mestra Lenia eu vim aqui montar um grupo principal! Agora fiquem quietos enquanto eu escolho os parceiros ideais!!

Todos silenciaram-se ao ver a aura de Spark, talvez por se lembrarem do que aquele garoto era capaz, em sua luta três anos atrás na arena da Fortaleza. O jovem Saiyajin continuou, ainda com tom de raiva na voz.

- Dirk, Dieter e Klaus, vocês vem comigo. Deixe-me ver quem mais... você, que eu acertei com a porta...

- Eu tenho nome, moleque, e é Axl! – respondeu o guerreiro, ainda passando a mão na parte detrás da cabeça.

- Tanto faz! Eu to vendo que você é bem mais poderoso do que praticamente todo mundo aqui! Você vai vir comigo também!

O homem se juntou ao grupo, embora ainda olhasse torto para Spark. Só estava mais tranqüilo pelo fato do garoto tê-lo reconhecido como um dos mais fortes dos presentes. Em seguida, uma jovem garota saiu do meio dos homens, ficando frente à frente com Spark.

- Eu também vou – disse ela, com convicção – Me garanto a lutar. Já derrotei a maioria dos homens que você está vendo aqui neste bar, quero ir com você!

- Sério? – Spark perguntou, incrédulo –Não consigo sentir um ki muito poderoso vindo de você.

- Claro que sim! As aparências enganam muito e não pense que você é o único dessa Fortaleza que sabe controlar o seu ki ou sentir o ki do adversário! Eu aprendi muito com aquela luta, três anos atrás!

Embora muitos dos presentes não tivessem entendido nada que os dois estavam conversando, Spark achou aquela garota impressionante. Ela havia sido capaz de compreender tudo que ele estava fazendo durante seu combate com Asus e aprimorar sozinha aquelas técnicas. Com certeza, seria uma boa escolha ter ela na equipe.

- Alguém mais? – perguntou ele, quase caindo de costas no chão quando uma voz disse no meio dos presentes.

- Eu. Eu vou com vocês – disse a voz esganiçada do pequeno e gorducho Gyules. Os demais Saiyajins riram.

- Olha Gyules, nós somos amigos... mas eu não vou levar você. – disse Spark, se segurando para não rir também. O gordo no entanto parecia irredutível.

- Eu sei que não me comparo a nenhum de vocês em termos de poder de luta, mas eu, ironicamente eu sei fazer uma coisa que apenas os mais fortes deveriam saber e que nenhum de vocês é capaz: eu posso criar uma lua artificial. Todos sabemos que o planeta Omega-003 não possui lua e se os inimigos forem muito poderosos precisaremos nos transformar em macacos gigantes para lutar. Eu serei o trunfo do grupo. E então, vai me levar ou não?

O que Gyules falava tinha total coerência. Sabia que os Saiyajins quando se transformavam em macacos gigantes eram máquinas destruidoras, com altíssimo poder de luta. Se todo o grupo se tornasse um bando de primatas super-desenvolvidos a vitória poderia vir com muito mais facilidade. Porém, Spark temia o fato de ser o único Saiyajin que ele conhecia que nunca havia se transformado em macaco e que, conseqüentemente poderia perder o controle durante a transformação. Mesmo assim o aceitou no grupo e em seguida se dirigiu aos demais.

- Ouçam... eu quero que todos vocês fiquem aguardando, preparados. Quando as coisas começarem a acontecer não precisaremos nem mesmo dar um sinal, vocês vão saber que estamos lutando. Quando isso acontecer, todos vão para o lado de fora da Fortaleza imediatamente ok? E avisem aos demais Saiyajins que encontrarem sobre a luta! Vamos nessa pessoal, temos que encontrar a Mestra Lenia no lado de fora, já!

Os sete correram pelos corredores da Fortaleza, chegando ao lado de fora o mais rápido possível, onde Lenia já esperava, sozinha. Ela olhou para cada um dos guerreiros, parecendo reconhecer alguns deles. Mas não pareceu muito feliz ao ver Gyules.

- Mas o que esse fracote quer fazendo aqui? Spark, você sabe que ele só vai atrapalhar! – ela falou, de braços cruzados. Ainda tinha os olhos vermelhos por causa do choro, mas sua voz estava praticamente normal.

- É que ele pode criar uma lua artificial. Ele não vai se envolver na batalha diretamente, mas pode nos dar este suporte.

- Idiota! Eu também posso fazer isso! – disse Lenia, com raiva – Você trouxe um inútil para o campo de batalha!

- Com licença, instrutora Lenia... – disse Gyules, se metendo na discussão – Mas ambos sabemos que a criação de uma lua artificial reduz nossa energia à quase zero. Se for eu quem criar a lua, você permanecerá em plenas condições de combate.

- Hmpf... contanto que não me atrapalhe – respondeu ela, virando o olhar para a garota em seguida – E quem é você?

- Me chamo Mahala, instrutora Lenia – disse a jovem Saiyajin de cabelos repicados na altura dos ombros -E posso garantir que sou mais poderosa que muita gente que você conhece. Talvez até mais que seu aluno.

Lenia abriu a boca para protestar, mas mudou de idéia ao ver a expressão no rosto de Spark. Parecia extremamente preocupado, olhando em algum lugar do horizonte, contra o sol. Então ele finalmente deu a notícia que caiu como uma bomba para todos os presentes.

- Eles chegaram...

.* * *

Era um ki poderosíssimo, seguido por vários outros menores, e já estavam muito perto. Como não havia notado antes? Estava tão nervoso, tão preocupado em reunir a equipe de guerreiros que iria defender a Fortaleza. Agora Spark conseguia entender porque Tank havia sido derrotado por aquele inimigo. Era alguém que superava qualquer um que havia conhecido, perdendo apenas para o Mestre Khan, pois nunca havia conhecido sua força real. Mas por mais que sentisse calafrios na espinha e seu estômago revirar, Spark não estava com medo, pelo contrário, estava excitado. Queria combater aquele adversário como nunca quis enfrentar ninguém antes em toda sua vida. Ele travou seus punhos e esperou apenas que o guerreiro viesse. E dentro de pouco tempo, lá estava ele.

O Krüger alto, robusto, careca e de pele cinza estava diante dos Saiyajins, trazendo consigo sua tropa, composta uma centena de soldados rasos, todos de capacete. Ele encarou todos os Saiyajins presentes e em seguida sorriu, expressando bastante crueldade nos seus lábios finos.

- Então vocês realmente estavam nos esperando... Aquele sujeito realmente alertou vocês sobre nossa presença neste planeta. – disse ele.

- Foi você que matou Tank e os outros, maldito? – perguntou Lenia, não conseguindo conter sua própria fúria.

- Não sei quem é Tank... Mas fui eu que aniquilei os Saiyajins que vieram nos receber, nas geleiras. Eu e nosso Lord Schutz Stafell matamos todos eles, impiedosamente. Não passavam de insetos.

- Insetos...? Como ousa... COMO OUSA FALAR ASSIM DO TANK E DOS OUTROS, MALDITO!

Lenia ergueu as mãos, concentrando uma gigantesca quantidade de energia e disparou um poderoso ataque azulado, atingindo em cheio o seu oponente que nem ao menos havia feito força para se esquivar. Houve uma intensa cortina de fumaça, tornando impossível para os presentes ver alguma coisa. Mas, tanto Spark quanto a jovem Mahala já não utilizavam seus olhos para lutar.

- Mestra Lenia! Saia daí! – gritou o jovem Saiyajin para sua mestra, mas foi inútil.

Totenkopf segurou Lenia pelo rosto, calando sua boca com a palma de sua mão e após um movimento rápido a ergueu do chão, acertando-a no solo em seguida. Tão forte foi o movimento que abriu uma considerável cratera onde ela estava em pé.

- Mas que desgraçado! – disse Spark, vendo que seu adversário estava sem nenhum arranhão.

- Lenia está em apuros! Vamos lá salvá-la! – gritou Axl, que foi seguido por Mahala.

- Não! – gritou o jovem Saiyajin ao ver a atitude de seus colegas — Espera, não vai dar... ah, maldição!!

Spark viu que ninguém o deu ouvidos, e no momento em que Dirk, Dieter e Klaus passaram voando por cima de sua cabeça não viu outra opção senão liberar seu ki e entrar na luta também. Mas neste exato momento, os soldados Krügers fizeram o mesmo, investindo contra os Saiyajins.

Era uma luta desigual. Para cada Saiyajin havia pelo menos cinco ou seis soldados Krügers, que embora não fossem equivalentes ao gigante cinza que estava lutando, também não eram completos inúteis. Enquanto tentava desviar de seus oponentes para auxiliar Lenia, que estava tomando uma sessão de socos no rosto, incapaz de se defender, o jovem Saiyajin pôde ver que seus companheiros não estavam tendo uma sorte muito diferente da sua instrutora: viu um grupo de soldados enfrentando simultaneamente Axl, que estava em visível desvantagem; viu Klaus sendo segurado por dois soldados, enquanto um terceiro o enchia de joelhadas no estômago; viu Dieter ser arremessado pela cauda em direção à Mahala, que tinha acabado de acertar um poderoso cascudo num dos soldados inimigos e em seguida os dois caíram no chão.

Ele fechou os olhos, tentando se concentrar por um segundo e foi contido por uma grande quantidade de guerreiros Krügers. Então, como um lampejo dentro de sua mente, Spark visualizou a mesma cena que tinha visto três anos atrás, enquanto lutava contra Asus: o guerreiro bravo que havia tentado impedir a destruição do Planeta Vegeta sozinho combatendo um exército e atropelando muito mais adversários do que ele naquele momento. Aquela imagem pareceu lhe dar forças extras. Ele liberou ainda mais o seu ki, fazendo todos os que o continham voar às quatro ventos e gritou, a plenos pulmões.

- Não se esqueçam com quem estão se metendo, malditos! Nós somos os Saiyajins, os guerreiros mais bravos do Universo!

O grito de guerra de Spark surtiu efeito contagiante em todos os demais Saiyajins presentes no campo de batalha, que mesmo em desvantagem começaram a revidar: Dirk livrou-se de três Krügers que o seguravam, acertando um deles com um soco no rosto capaz de perfurar seu capacete; Klaus disparou diversas esferas de ki simultâneas, ferindo muitos dos inimigos; Mahala concentrou um disparo avassalador, abrindo caminho entre os diversos soldados que caíam como moscas; Axl, após bater dois Krügers cabeça com cabeça, arremessou seus corpos em meio a mais uma pequena tropa que avançava em sua direção.

Lenia também fora contagiada pelo espírito combativo, conseguindo esquivar de um soco de Totenkopf magistralmente, revidando com um pesado chute na cabeça. Este ataque fez com que o gigante cinza voasse alguns metros, atingindo uma formação rochosa e ficando soterrado. Mesmo assim, o guerreiro Krüger estava longe de ser derrotado por um ataque tão simples e, após se livrar dos escombros liberando parte de seu ki, investiu contra Lenia novamente, ambos trocando golpes em alta velocidade, elevando-se aos céus. Mas num descuido da Saiyajin, ela foi atingida por uma joelhada na testa, que além de deixá-la tonta abriu uma ferida na mesma. Em seguida o Krüger a enviou de volta para o solo, com uma poderosa voadora no estômago. Ela quicou no chão como uma bola de praia, antes de atingir algumas rochas.

Aesta altura, Spark já havia conseguido derrotar muitos dos soldados que o atacavam incansavelmente. Em termos de perseverança, aqueles oponentes não perdiam em nada para os Saiyajins. Alguns deles que já haviam sido feridos pelo garoto voltavam a atacá-lo, visando pelo menos enfraquecer o adversário. Mesmo assim, eles não eram páreo para o guerreiro Saiyajin, que a vida toda fora julgado de classe baixa. Agora, aquela luta provava todo o seu valor, e como todos estavam enganados ao seu respeito.

Enquanto se livrava de mais dois soldados à sua frente, um dos guerreiros Krüger saltou em direção à Spark, com um par de lâminas afiadas em mãos. Quando se deu conta, viu que estando àquela distância seria impossível desviar. Mas na última hora a sola do pé de Mahala atingiu em cheio a cabeça do Krüger, mandando-o para longe. Salvo na última hora.

- Heh, valeu! Te devo uma.

- Eu to te dando cobertura! Agora vai salvar a mestra Lenia! – ela gritou, acertando mais um soldado com um cotovelada.

Spark olhou novamente em direção a sua instrutora, que após trocar golpes extremamente velozes com seu oponente, havia sido atingida em cheio na barriga, seus pés deslizando para trás no chão semi-árido. Ele deixou-se envolver pela aura branca novamente, partindo ao auxílio de sua instrutora. Esticou a perna e acertou com tudo o rosto de Totenkopf com uma voadora, que o atirou no chão. Em seguida pousou em posição de batalha.

- Você fez um ótimo trabalho, mestra Lenia. Mas pode deixar que eu assumo daqui! – disse Spark, de punhos travados.

- Você está brincando? Ficou doido é? As porradas que andou levando ao longo da vida por algum acaso afetaram seu cérebro? – Lenia demonstrava bastante raiva em suas palavras, ditas cheias de vigor mesmo com seu corpo estando coberto de alguns hematomas e arranhões. De sua boca, escorria um pequeno filete de sangue.

- Mestra Lenia, não é hora de ser orgulhosa. A diferença de poderes entre vocês dois é imensa. Você não tem condições de vencer esta luta.

- E o que te faz pensar que você vai poder vencer? Ou por acaso você deseja apenas me poupar?

- Não. Em hipótese alguma eu desejo lhe poupar. No entanto, acho que chegou a hora de eu liberar algo que está escondido já há algum tempo. Por favor, deixe que eu assumo a luta sozinho daqui para frente.

- Escuta aqui moleque! Este desgraçado matou o Tank! Você por algum acaso faz idéia de como eu estou me sentindo? Hein?! Não se meta na minha luta... eu e ele temos contas à acertar!

Lenia investiu novamente contra Totenkopf, já de pé, armando um potente soco e desferindo no rosto de seu adversário, que afundou completamente o corpo para trás fazendo com que a guerreira atingisse apenas o ar. Em seguida a atingiu com tudo no estômago, mandando-a para os céus como um foguete. Ela cuspiu bastante sangue com a pancada e antes que atingisse o máximo de distância que o golpe lhe mandaria, o Krüger desapareceu, ressurgindo à suas costas e acertando-lhe uma joelhada na barriga e uma cotovelada em sua coluna, simultaneamente. Lenia ficou sem forças, solta no ar como uma boneca de trapos, segurada pelos cabelos pelo gigante cinzento.

- Então você é só isso... onde está toda aquela energia que vocês Saiyajins se gabam tanto de possuir? Vocês não passam de lixo!

Impiedosamente, Totenkopf desferiu diversos socos no rosto de Lenia, que agora estava incapaz de se defender. Estava apenas sendo surrada no rosto, que ia ficando cada vez mais ferido. Spark não estava agüentando aquilo, mas no momento em que foi alçar vôo novamente foi detido pelos lacaios do guerreiro Krüger, que iniciaram mais uma onda de ataques em alta velocidade em cima do jovem Saiyajin.

- E então, já quer desistir? Prometo lhe matar rapidamente.

Lenia ergueu a cabeça, olhando diretamente nos olhos de Totenkopf e em um rápido movimento disparou uma esfera de energia no rosto do grandalhão, praticamente à queima roupa. Ele não esperava aquilo, levando ambas as mãos ao rosto, enquanto Lenia caia como uma pedra dos céus, já completamente sem forças. Antes que atingisse o solo porém foi salva por Spark.

- Já posso assumir a luta agora? Ou você ainda quer enfrentá-lo?

- Dá um tempo, Spark... – ela respondeu, com a voz fraca – Me dê uns minutos para me recuperar... esse desgraçado me deu uma surra daquelas. Mas vê se deixa algo pra mim, tá bom?

- He, he, he! Pode deixar! – falou Spark, sentindo alegria por finalmente estar indo lutar contra o poderoso adversário.

O gigante desceu dos céus, pousando diante de Spark. Os dois ficaram se encarando por um tempo.

- De agora em diante, seu adversário serei eu! Se prepare! – disse Spark, concentrando-se e liberando finalmente todo o seu ki.

A grande aura branca ficou ainda mais intensa, ao passo que pedras se soltaram do chão e se ergueram no ar, respondendo à manifestação de energia do garoto. Mahala parou de lutar por um instante, virando-se para Spark, olhando-o com espanto.

- Minha nossa! Quanto poder ele tem! – ela exclamou, de olhos arregalados – Esse garoto... esse garoto é mais forte até mesmo que o instrutor Tank! Como... como ele fez isso?!

Totenkopf sorriu, ao ver aquilo. Sentiu que finalmente poderia se divertir na luta, como ainda não tinha feito desde quando pisara os pés em Omega-003.

- E então, está pronto? – perguntou Spark, sorrindo e confiante.

- Então você é um pouco diferente dos demais de sua espécie... bom! Me mostre todo o seu poder Saiyajin!

E, no instante seguinte, ambos pareceram desaparecer no ar, ressurgindo alguns metros à frente, acertando um ao outro, joelho com joelho. Tamanha foi a força da pancada que o chão cedeu aos seus pés, como se toneladas tivesse atingido o solo. E em seguida, saltaram para trás, preparando-se para uma nova investida.

Notas finais
Olá! Sejam bem vindos a mais uma "Sessão Making Of"! Desta vez, trazendo informações sobre três personagens: o poderoso vilão Totenkopf, o guerreiro Saiyajin Axl e a prodigiosa Mahala.A começar pelo vilão, Totenkopf era o nome de uma divisão de blindados do Terceiro Reich, portanto eu achei que não haveria nome melhor para este "Tanque de Guerra Impiedoso" que é o vilão Krüger. A crueldade deste personagem vem do fato da palavra Totenkopf ser uma variação de Totenkopfverbände, a organização nazista encarregada de tomar conta dos campos de concentração. Por tanto, este personagem é capaz de cometer terríveis atrocidades e achar tudo completamente natural. Este é um vilão verdadeiramente malígno e um dos mais agressivos que eu já criei. Espero estar podendo transmitir isto direito em minha narrativa.Axl é um guerreiro metido. Ainda não tive oportunidade de explorar este lado egocêntrico do personagem, mas espero poder fazê-lo em breve. Penso nele como uma espécie de "Saiyajin Playboy", muito seguro de si, mas que acaba fazendo menos do que fala, embora seja poderoso. Seu nome é uma referência ao cantor Axl Rose, do Guns 'n' Roses... isto porque eu vi uma foto do dito cujo segundos antes de nomear este personagem! Rsrs. Vai que essa moda de dar nome com a primeira coisa que passar pela minha frente pega... ai ai!Já a Mahala é uma jovem gênia dos combates. Ela é capaz de aprender tecnicas novas só de observar elas sendo utilizadas pelos outros, além de se acostumar com o rítimo das lutas com mais facilidade que a maioria dos guerreiros. Ela ainda vai ter uma boa importância nesta guerra e espero poder mostrar este lado prodigioso dela de uma forma interessante. Seu nome vem de uma das tribos nativo americanas que infelizmente agora não me recordo se eram comanches ou tomahawks... mas enfim, Mahala significa Mulher. Nome sugestivo, não? RsrsEspero vocês no próximo capítulo! Estou trabalhando duro, e espero poder agradar bastante! Um abraço!