A Grande Guerra

3 O preço do Super Saiyajin


Notas iniciais
O inimigo se mostra poderoso demais para Lenia, então Spark assume as rédeas do combate? Mas será que ele poderá vencer este novo e terrível adversário?


Os punhos se chocaram rosto com rosto, fazendo ambos os lutadores serem arremessados em direções opostas. Em seguida, ambos desapareceram, iniciando um espetacular luta com movimentos altamente velozes no ar, vários metros acima do chão. O jovem Spark era quem mais atacava, desferindo incontáveis chutes e socos em seu oponente, que parecia não acompanhar sua velocidade do Saiyajin. Seus socos eram precisos, atingindo os pontos onde a defesa do Krüger falhava.Finalizou mandando-o para o chão, com um cascudo com ambas as mãos juntas.

Em seguida, o oponente se reergueu, enquanto limpava a poeira que cobria seu corpo. Em seu rosto, esboçou um grande sorriso de satisfação.

- Sim! Isso! Você sim vai ser um oponente que irei me divertir! – exclamou o Krüger – Vou lutar um pouco mais à sério, então é melhor que você se prepare!

Ele desapareceu no ar, ressurgindo em frente a Spark lhe acertando um chute no rosto. Em seguida deu mais um chute, que o jovem Saiyajin segurou com firmeza e, girando Totenkopf pela perna, o arremessou novamente contra o solo. Desta vez não esperou que o oponente se levantasse, castigando-o com vários socos potentes, criando um buraco cada vez mais fundo no chão árido. Tomou distância e, após concentrar bastante ki em sua mão, lançou uma devastadora onda de energia, que explodiu logo em seguida.

Ele tomou fôlego. Havia cansado por um momento de tanto bater em seu oponente. No entanto, Spark sabia que ele ainda estava em condições plenas de combate, quando pode sentir seu ki ainda inabalado. O jovem estava espantado.

Eu acertei ele com o meu melhor... mas ele parece nem ter se machucado! Que tipo de guerreiro é esse?

Totenkopf se levantou em meio à fumaça. Tinha algumas pequenas queimaduras espalhadas pelo corpo, mas sua armadura – bem como seu ki – permanecia do mesmo jeito que no começo da luta. Ele sorriu com maldade novamente, desaparecendo graças a sua incrível velocidade e ressurgindo atrás de Spark, desferindo um soco em sua coluna. Em seguida, o conteve em uma chave de pescoço.

A dor o impedia de conseguir sequer pensar direito. Seus olhos começaram a perder o foco, e sua cabeça girar por falta de oxigênio. Não conseguia aceitar que fosse morrer ali, nas mãos daquele inimigo terrível e sem ter dado nem um pouco de trabalho. Ele ergueu um de seus braços e enterrou o cotovelo comtodas as forças no tronco do Krüger, que sentiu aquele golpe e folgou um pouco seus braços, dando a Spark a brecha para lhe acertar uma cabeçada. Estava livre, finalmente e encheu os pulmões de ar da mesma forma que faria se tivesse permanecido muito tempo dentro d’água. Precisava se recompor, então voltou ao solo.

A esta altura, os demais Saiyajins haviam saído de dentro da Fortaleza e entrado na batalha: para todo lado que se olhasse, havia alguém lutando. O grupo formado por Spark agora assistia a luta entre o líder Kelfo e o Saiyajin, enquanto Mahala tentava cuidar dos ferimentos de Lenia. E eles, assim como Spark, pareciam não acreditar que pudesse existir um oponente tão forte.

O Saiyajin foi atingido em cheio por uma cotovelada no rosto, o que o fez ser arremessado longe. Ele derrapou pelo terreno semi-árido, levantando uma fina camada de pó. Havia treinado tanto, porque não conseguia vencer aquele guerreiro.

- Quem... quem é você? – ele perguntou, quando conseguiu se levantar.

- Eu sou o poderoso Totenkopf, um dos generais Krüger! – ele disse, parado diante de seu oponente – Nós viemos tomar o que é nosso por direito, o controle deste planeta e eliminar tanto os Kelfos quanto os Saiyajins! Vocês possuem uma grande reputação pelos sistemas solares, mas na verdade não passam de lixo! Eu estou usando um pouco mais de meu poder, mas saiba que isto não é toda a minha força... pensei que pudesse me divertir por mais tempo com você, mas vejo que me enganei redondamente. Não passa de mais um verme, como todos de seu planeta. Você vai morrer aqui e agora, pelas minhas próprias mãos!

Estava blefando, só podia. Seria possível que o guerreiro que se auto-intitulava Totenkopf era ainda mais poderoso? Spark não podia aceitar aquilo e, após recobrar a visão completamente, partiu mais uma vez para o ataque.

Acertou um poderoso chute no rosto do guerreiro Krüger, mas que não obteve nenhum resultado significativo: o gigante de fato sentira o golpe, virando seu rosto para o lado, porém ao contrário do que Spark esperava, ele não foi arremessado longe. Seus pés permaneciam enraizados no chão. E o guerreiro sorria, mesmo que um pequeno filete de sangue púrpura lhe escorresse do lábio. Ele acertou Spark com um telefone, ambas as mãos estalaram num sonoro tapa nos ouvidos do Saiyajin que parecia tonto. Em seguida foi castigado com severos socos no estômago, que lhe tiraram alguns centímetros do solo e foi finalizado com um chute giratório, que o arremessou longe e o fez escorregar novamente pelo terreno. E sem dizer mais nada, o Krüger disparou uma esfera de energia brilhante em Spark, causando uma grandiosa explosão que ergue uma densa nuvem de poeira.

O corpo do Saiyajin estava muito ferido. A calça do uniforme possuía rasgões na canela e nos joelhos, e o peitoral da armadura estava um pouco fragmentado. O rosto estava coberto de feridas e queimaduras e, pelo grande esforço que fazia para se mover, parecia estar fraco. Pensara ser forte suficiente para vencer aquele inimigo, mas comprovara – da pior maneira possível – que mesmo superando sua mestra, ou mesmo Tank, que era visto como um dos, senão o mais poderoso guerreiro Saiyajin da Fortaleza, ainda assim não seria páreo para aquele oponente.

- Mas... mas que droga! – ele disse, olhando com apenas um dos seus olhos para Totenkopf que se aproximava cada vez mais – Eu fui vencido com tanta facilidade... Porquê? Será que eu não sou bom o bastante para vencê-lo...? Dei duro estes anos todos... droga, isso não é justo! Eu queria tê-lo derrotado, ou ao menos... ter sido um adversário melhor...

Nisso, Totenkopf o segurou pela gola do uniforme, suspendendo-o no ar. E ao contrário do que esperava, Spark não demonstrava medo diante da morte. Parecia mais decepcionado. Decepcionado consigo mesmo e com sua própria falta de força.

- Prepare-se para morrer, Saiyajin. – ele disse, erguendo a outra mão disposto a transpassar o corpo do jovem com ela. Mas, antes que se movesse foi atingido por um disparo de energia em seu rosto, caindo para trás como uma árvore podre.

Spark ergueu seus olhos, cobertos de poeira aos céus, de onde o disparo havia vindo e não sabia se deveria alegrar-se ou temer quem havia chegado: a expressão fria, os longos cabelos negros e espetados e o ki inconfundivelmente carregado de orgulho e mesquinharia denunciavam que aquele era sem dúvidas a última pessoa que Spark queria ver naquele momento: Asus, seu eterno rival.

Em seu ombro, o Saiyajin recém chegado carregava o corpo inerte do Governador Dio, cuja capa pendia no ar movendo-se à vontade do vento, como uma bandeira suja e repleta de rasgos. Ele olhou para Spark e sorriu com desdém, deliciado ao ver a imagem de seu rival jogado no chão, derrotado.

- Ora, que agradável visão estou tendo daqui... – disse ele, descendo dos céus lentamente – Então, depois destes anos todos você simplesmente não consegue vencer este adversário.

- Asus... o que você está fazendo aqui? – perguntou Spark, fazendo forças para se levantar. Com muito trabalho havia conseguido se por de pé, embora estivesse com a postura bastante arqueada.

- Eu tive a atenção desviada de meu treinamento quando uma nave gigantesca passou pelos céus... em seguida, vi alguns Saiyajins perseguirem a dita cuja e resolvi ir investigar. Não me contive ao voar, despreocupado em esconder minha presença. Os rastreadores haviam pifado mesmo... então assisti este gigante e o outro cara aniquilarem todos os Saiyajins, incluindo aquele molenga do meu antigo mestre. Mesmo assim, o Governador Dio continuava vivo, e eu achei que o mínimo que poderia fazer era trazê-lo de volta para casa... então, encontro estes infelizes aqui! Esta vai ser a oportunidade perfeita para mostrar para todos o resultado de meu treinamento árduo!

- Sem chances, Asus – disse Spark, de cara amarrada – Essa luta é minha... além do mais, não sei se você seria capaz de vencê-lo...

- Idiota! Está pensando que eu sou você?! – ele respondeu, colocando o corpo desacordado do Governador no chão – Passaram-se três anos... três anos desde o combate na arena. Três anos desde que você me derrotou! Eu treinei incessantemente durante estes três anos e aumentei muito meus poderes... mas ao contrário de você, eu não relaxei um único instante!

As palavras caíram como uma bomba na cabeça de Spark. Então, ele havia sido relapso em seus treinos? Buscou rapidamente em sua memória tudo que havia acontecido nos últimos anos, e embora aquilo doesse muito em seu interior, deveria dar o braço à torcer. Só havia se dedicado bastante aos seus treinos na segunda metade do segundo ano após o combate da arena, afinal seu objetivo já havia sido alcançado antes, que era provar a todos a sua força e que ele não deveria ser visto como lixo. Ainda por cima, havia conseguido vencer seu maior rival. Por um momento de sua vida, havia perdido a ambição de ser sempre o mais forte, cedendo lugar ao comodismo. Sua expressão facial ao se recordar disso apenas davam certeza à Asus de que de fato, Spark havia sido relaxado. Então continuou a falar, num tom bastante sombrio.

- Pois é... enquanto você ganhava medalhas ou aproveitava seu momento de “candidato número um ao Super Saiyajin”, eu treinei como um louco. Estava completamente possuído pelo único desejo de te superar, de te vencer, de voltar a ser o guerreiro Saiyajin número um e este desejo conseguiu fazer com que eu superasse minha dor física e meu cansaço, me transformando na mais perfeita máquina de lutar que este mundo já viu. A humilhação que eu, um guerreiro de Elite senti naquele dia me fez gerar uma força tremenda e agora nenhum Saiyajin consegue sequer chegar aos meus pés! Agora faça-me o favor de levar este velho daqui e não se meter... pois de agora em diante, esta luta é minha!

Asus estava extremamente confiante, mas Spark achava que aquilo não passava de um acesso de orgulho de seu rival. Ele sempre fora daquele jeito, arrogante e egoísta e parecia que todos os anos de exílio não haviam mudado nem um pouco sua personalidade. No entanto, seu ki era em muito inferior ao de Totenkopf, que agora já estava se colocando de pé. Como ele poderia esperar poder vencer, sendo tão mais fraco?

Ao menos que...

Asus travou os punhos, agachou-se levemente e aumentou bruscamente seu poder, em meio a um grito. Foi envolvido por uma aura branca idêntica à de Spark e seu poder soprou ventos fortes à todas as direções. Foi com imenso terror que Spark constatou duas coisas: a primeira é que Asus também havia conseguido dominar o controle do ki tão bem quanto ele; a segunda era que indiscutivelmente, Asus o havia superado de longe.

- Agora venha – disse o Saiyajin de longos cabelos, confiante – e prove o verdadeiro poder de um guerreiro Saiyajin de Primeira Classe!

* * *

As expectativas de Spark se confirmaram no momento em que Asus deu o primeiro passo, desaparecendo no ar e ressurgindo de frente à Totenkopf, com o cotovelo afundado em seu estômago. Nem mesmo havia tido tempo para fraquejar e sentir o golpe recebido, o Krüger recebeu outro poderoso ataque, um soco que o arremessou longe em direção a uma formação rochosa. Esperava por um estrondoso impacto, mas ao invés disso, sentiu uma dor aguda no meio das costas. Asus estava lá, com a lateral do pé erguida acertando a parte traseira do torso de seu adversário. Deu um sorriso com desdém, antes de chutá-lo longe novamente.

Quando se levantou, Totenkopf parecia mais sério do que nas lutas anteriores. Seu tradicional sorriso zombeteiro havia cedido espaço à uma expressão concentrada, e seus olhos estavam semi-cerrados. Parecia pensar por um instante, em qual seria a melhor forma de atacar seu novo adversário.

- O que é? Porque não ataca? – perguntou Asus, em seu tom provocativo que não mudara em nada durante os últimos três anos – Contra aquela ralé você estava deitando e rolando, porque não faz nada lutando contra mim? Vim aqui porque achei que você seria um inimigo fabuloso! Mas pelo visto será tudo uma perda de tempo...

o Krüger não aparentava nenhuma reação mediante as provocações de Asus, mas havia reconhecido que precisava atacar. Desapareceu com um rápido movimento, ressurgindo em frente à Asus e lhe desferindo uma seqüência de socos e chutes velozes, errando todos os golpes. Parecia impossível, mas era com extrema facilidade que Asus evitava todos os ataques de seu inimigo, de braços cruzados e sem se dar o trabalho de bloquear nenhum deles. E aproveitando um momento oportuno ele deu um pequeno salto, atingindo o queixo de Totenkopf com a ponta do pé esquerdo, pousando no chão com a mesma perna em seguida. O Krüger ainda atacou de novo, vindo com um soco armado na altura do rosto e visando atingir Asus sem dó nem piedade. Mas estando milímetros da face do Saiyajin, o punho foi detido por uma pegada forte. Asus havia segurado o braço de Totenkopf sem uma gota de esforço. Sorriu então, vidrando seu olhar determinado nos olhos frios do Krüger.

- Sinta o sabor de minha mais nova técnica! Impacto Solar!

O Saiyajin criou uma pequena esfera de ki do tamanho de uma bola de baseball e a empurrou com força na barriga de Totenkopf, que saiu sendo arrastado pela técnica. A esfera foi ficando cada vez maior, a medida que ia ganhando velocidade. Em pouco tempo, o guerreiro cinza foi engolido por uma gigante esfera de aparência flamejante, que explodiu ao longe. O imenso clarão decorrente da explosão da técnica fez com que todos fechassem os olhos.

- Este é o Impacto Solar. Crio uma pequena esfera de energia com uma carga latente, que se alimenta do oxigênio da atmosfera e cresce descontroladamente, podendo assumir uma proporção imensa. Então, valendo-me do princípio de fusão nuclear, eu combino os núcleos leves de hidrogênio e hélio, também presentes na atmosfera, a fim de formar elementos mais pesados e liberar uma imensa quantidade de energia. O resultado é uma explosão avassaladora, podendo ter a força de um sol ou ainda mais. Neste caso, contive meu poder. Não quero explodir o planeta... mas eu poderia devastar este lugar por inteiro se eu quisesse!

Spark estava pasmo, chocado. Ele não fazia idéia de que Asus havia desenvolvido tanto poder assim durante esses anos que havia estado fora, e tinha uma leve impressão de que seu rival havia desenvolvido aquela técnica destruidora como uma contra-medida ao seu Canhão Supernova. E o pior, não podia ter certeza se aquele era o limite da evolução de Asus, ou se ele havia criado mais algum golpe incrivelmente poderoso.

Mas que maldito... ele conseguiu criar uma técnica tão poderosa capaz de desencadear uma explosão nuclear... Isto tudo porque quer me vencer?

- Preste bastante atenção, Spark – disse Asus, olhando com evidente superioridade para o garoto – pois depois que eu acabar com este verme cinzento, você será o próximo que irei reduzir a pó!

O jovem Saiyajin engoliu à seco. Não poderia, não deveria demonstrar medo diante de Asus, mas como encarar o fato de que seu rival o havia superado e que tinha uma técnica avassaladora de destruição em massa? Travou os punhos e se amaldiçoou por ter ficado vaidoso por um tempo, acostumado com todos lhe dizendo que havia se tornado muito forte. Talvez, se não tivesse perdido aquele tempo antes voltar a treinar sério... mas agora o erro estava feito.

O gigante cinza veio caminhando em direção à Asus, seu corpo coberto de feridas e queimaduras, e seu olhar era extremamente sério. Mantinha o mesmo olhar do começo da luta. Sabia que agora estava enfrentando um inimigo poderoso. Parou diante de Asus, olhando-o dos pés à cabeça. Então recomeçou a falar.

- Sinceramente, não pensei que eu precisaria usar todo o meu poder com você... mas fique avisado, quando eu lutei contra os demais Saiyajins nas geleiras, eu usei toda a minha força e matei todos eles com apenas um golpe. Esteja certo de que se eu usar todo o meu poder, você vai morrer sem ter nem mesmo chance de reagir.

- Me poupe de seus discursos medíocres, verme. Lute a sério ou retire-se à sua insignificância... eu ainda tenho outra luta hoje e decidi que não vou mais perder meu tempo com você! – foi a resposta de Asus, carregada de arrogância e prepotência. Neste instante, Spark notou que embora seu rival tivesse ficado bem mais forte, ele estava cometendo um grande erro: subestimando seu oponente.

Totenkopf travou os punhos, concentrando-se e começou a liberar todo seu ki, em meio a um grito quase gutural. O chão começou a tremer, o tempo fechou. Os músculos dos braços, pernas e tronco se alteraram e ele ficou parecendo ainda mais ameaçador. Pedras também se elevaram aos céus mas caíram novamente quando o guerreiro havia finalizado os preparativos para seu combate sério. Asus então colocou a guarda, satisfeitíssimo.

- Venha.

O Krüger obedeceu, partindo para o ataque mirando um soco fortíssimo no estômago de Asus. Ele deteve o ataque, mas seus pés afundaram-se pesadamente no chão semi-árido, graças a força do impacto. O segundo soco veio mirando seu rosto, mas foi detido por seu antebraço esquerdo, seguido por um som de algo rígido se fragmentando e um grito de dor. Não era preciso ser um gênio para saber que rádio e ulna haviam se partido com o ataque. O terceiro golpe de Totenkopf acertou Asus na barriga com muita força, o Saiyajin babou por uns instantes à procura de ar e depois, sem forças, tombou de joelhos. Em seguida levou um tapa com as costas das mãos, que o fez cair sentado.

Se Asus parecia estupefato com o desenrolar da luta, Spark estava ainda mais, recusando-se a acreditar naquilo que seus olhos estavam mostrando. Nem mesmo o poderoso Asus com toda a sua evolução de força estava sendo páreo para o guerreiro cinzento.

Asus foi erguido por apenas um braço de Totenkopf, que o segurava pela garganta e tirou seus pés meio metro do chão. Apertava o pescoço do Saiyajin com muita força e era um milagre que os ossos ainda não tivessem se partido. O olhou no fundo de seus olhos negros, que mesmo estando à beira da morte não demonstravam medo ou receio.

- Eu te avisei que não seria páreo para mim neste estado. – disse o Krüger, seriamente.

- É melhor você não me subestimar, seu inseto asqueroso! – rebateu Asus, mesmo com um terço de sua voz.

Revidou com um veloz movimento de erguer a perna, acertando a ponta do queixo de Totenkopf com seu joelho, mas mesmo tendo recebido o impacto, o Krüger não exibia sinais de ter sido ferido pelo golpe. E, forçando a cabeça na direção contrária da perna de Asus, conseguiu não somente conter o golpe como causar do no joelho do guerreiro. E em seguida, o arremessou longe.

Ele ergueu a mão direita, criando uma esfera de energia que brilhava com grande intensidade e apontou para Asus. E então, voltou a sorrir, como durante os combates com Lenia e Spark, momentos atrás.

- Da mesma forma que você não consegue me vencer, vai ser impossível evitar este ataque! Este será o seu fim e de todos da sua espécie!

O disparo cortou o ar numa velocidade impressionante, como um projétil luminoso que seria até mesmo belo ao olhos de quem assiste, se não significasse destruição iminente. Mesmo assim, Asus travou os pés no chão e ergueu ambas as mãos. Iria ao menos tentar conter aquele ataque.

- JÁ DISSE PARA NÃO ME SUBESTIMAR! – gritou o guerreiro, deixando seu orgulho se manifestar em suas palavras.

Por um momento, houve um choque pesado seguido de um chiado aterrador, que parecia anunciar que aquela esfera de energia tenebrosa iria explodir a qualquer instante. Mas Asus não iria se dar por vencido e, em meio a um grito que parecia brotar de sua alma, aumentou o próprio ki e com o auxílio de um raio luminoso azulado começou a empurrar lentamente o ataque de volta a seu dono. E sorriu, satisfeito. Talvez se seus próprios poderes não conseguissem ferir seu adversário, pelo menos iria usar os poderes dele mesmo para vencer a luta. Orgulhoso, ele se permitiu gargalhar.

- Há, há, há, há, há! Está vendo isso!? Você que desafia tanto o poder dos Saiyajins, conheça o desespero da morte pelas minhas mãos! Se prepare!!

- Há! Peguei você! – gritou o Krüger, que ainda mantinha sua mão estendida no ar e, ao finalizar sua frase, fechou o punho com força.

O resultado daquele simples ato foi um só: a esfera de energia se auto-destruiu, causando uma explosão tão poderosa que arremessou longe todos os Saiyajins que estavam presentes, assim como os soldados Krüger que lutavam. Graças ao terreno, houve uma grande tempestade de areia por uns instantes, graças àquela explosão. E quando a cortina de fumaça e poeira resolveu baixar, quase um minuto depois, Asus pôde ser visto caído no chão. Sua armadura estava completamente estraçalhada, sem ombreiras e faltando alguns pedaços do peito. O braço que fora quebrado anteriormente encontrava-se lavado de sangue, que escorria de uma ferida no ombro. As pernas do guerreiro tremiam, como se fossem desabar a qualquer instante. Mesmo assim, ele ainda permanecia diante de seu inimigo, disposto a continuar aquela luta perdida.

- Você caiu diretamente na minha armadilha, macaco imundo – disse o robusto guerreiro cinzento, sorrindo – Durante toda a luta eu vi que você tinha mania de se vangloriar de sua força. Então usei seu ego contra você mesmo, sabia que você tentaria resistir a minha técnica se eu lançasse uma provocação primeiro. Como se sente agora, que foi vencido por seu próprio orgulho?

- Você... é um canalha! – gritou Asus, no que restava de suas forças.

- Basta! Você escapou do primeiro golpe, mas agora não escapará do segundo!!

Totenkopf criou novamente outra esfera de puro ki brilhante em sua mão, disparando-a como um raio de cor dourada em Asus. Ele não tinha a menor chance de esquivar, embora quisesse muito: suas pernas se recusavam a obedecer. Com apenas um braço e praticamente nenhuma energia, não conseguiria rebater o ataque. Era seu fim e por um momento ele realmente acreditou que estaria morto no minuto seguinte, até sentir seu corpo ser empurrado para o lado.

Spark havia se jogado contra ele, a fim de evitar que Asus fosse atingido pelo disparo de energia. Mas como também estava debilitado, não conseguiu ser rápido o suficiente para escapar do ataque também, recebendo toda aquela energia no meio das costas. A rajada de ki foi o suficiente para fragmentar ainda mais a armadura na região das costas e fazê-lo dar um alto berro de dor, enquanto caia por cima do corpo de Asus, ambos indo ao chão.

- Mas... mas que...?! Spark?! – ele perguntou, levando alguns segundo para entender o que havia acontecido – Mas que droga! Seu cachorro enxerido, quem disse que era para você me salvar?! EU NÃO QUERO A SUA AJUDA!

O agradecimento de Asus veio como um soco no rosto de Spark, jogado e incapaz de sequer fechar os olhos por reflexo. O soco foi fraco, mas conseguiu tirar o corpo inerte do garoto de cima do seu próprio. Em seguida ouviu a voz de Spark dizer fracamente.

- Você é o mais forte... não pode morrer... aqui!

- Pro diabo com o que você pensa! Eu ainda não esqueci da nossa luta! E agora você ainda por cima me salva!? Você não cansa de me humilhar, seu nojento!?

- Eu... não fiz isso para te humilhar... como você é idiota, Asus. Será possível que nós vamos morrer... e você não vai mudar?

Não havia tempo para responder. O braço erguido de Totenkopf já tinha outra poderosa rajada preparada para ser lançada em ambos. O Krüger lentamente começou a ganhar altitude, afastando-se do solo o que poderia significar apenas uma coisa: a explosão daquele ataque poderia ser forte o suficiente para varrer todos daquele lugar. Enquanto o Krüger deliciava-se em assistir os dois jovens guerreiros incapazes de sequer se levantar, um vulto materializou-se na frente de ambos. Uma mulher, de cabelos longos e azulados, usando um gasto uniforme Saiyajin. Lenia.

- Mestra Lenia...? O que...? – perguntou Spark, mas foi ignorado por sua tutora, que se dirigiu ao outro guerreiro.

- Asus... Imagino que você tenha mais forças do que Spark neste momento. Por favor, carregue-o para longe daqui e salvem-se os dois. Há muito tempo que eu não vejo guerreiros Saiyajins tão poderosos.

- Como é? – ele perguntou, com toda a sua arrogância contida em seu tom de voz, mesmo estando praticamente um moribundo.

- Vocês dois são os mais talentosos Saiyajins que eu tive a honra de conhecer... talvez sejam até melhores que o Príncipe Vegeta... mesmoque tenham sido derrotados hoje, vocês dois tem potencial suficiente para derrotar este inimigo, por isso... não desperdicem suas vidas hoje.

- Mestra Lenia... o que vai fazer...? – perguntou Spark novamente, olhando para as costas de sua instrutora.

- Eu... irei me sacrificar no lugar de vocês, para que ganhem tempo e sumam daqui o mais rápido possível! Já avisei Mahala e os outros, encontrem-nos nos subterrâneos da Fortaleza.

- Não! Mestra Lenia! Por favor, não faça isso! E quanto... e quanto ao seu filho?

Ela acariciou novamente o ventre, como se quisesse ao mesmo tempo sentir o pequenino embrião que ali se formava e se desculpar com ele. E disse, finalmente.

- Meu filho... o filho de Tank será sempre lembrado como o guerreiro que antes mesmo de nascer deu sua vida para proteger os Saiyajins. O meu filho morrerá junto comigo, como um orgulhoso herói! – e virou o rosto para seu pupilo, as lágrimas rolavam pelo seu belo rosto de mulher. Só agora Spark havia notado, como Lenia era linda – Adeus, Spark. Foi uma honra!

A guerreira liberou o que restava de sua energia, disparando aos céus em direção ao Krüger, ignorando os berros desesperados de Spark, que queria poder ter apenas um pouco de força para evitar o que estava por vir. Se amaldiçoou novamente por ter deixado de treinar e até mesmo se arrependeu de ter salvo Asus da morte. Sua atitude agora estava lhe custando alguém que havia sido para ele a irmã mais velha e a mãe que nunca havia conhecido, além de sua mestra. Alguém que ele havia aprendido a amar, antes mesmo de saber o que era amor.

Ele viu quando ela parou de frente para Totenkopf e abriu os braços, ao mesmo tempo que o disparo de energia foi lançado.

- Já que não pude ser útil para vencê-lo... então colocarei minha vida como escudo para que um dia, estes dois possam te derrotar! Que eu morra em nome do futuro dos Saiyajins!!

Houve então o momento que Spark mais temia, o choque entre a energia fulminante e o corpo da Saiyajin, que gritava não de dor, mas sim um grito de coragem. Ela estava fazendo o possível para, em suas últimas forças, canalizar todo o golpe de Totenkopf em seu próprio corpo. Ela foi engolida pela energia e então, houve uma explosão em pleno ar. E seu corpo despencou, como uma boneca sem vida em direção ao chão.

- Não!! Mestra Lenia!! – Spark berrou e, como se tivesse recebido uma carga de energia extra em seu corpo levantou-se e correu, numa corrida manca e desengonçada até onde o corpo de sua tutora estava marcado para tocar o solo. E antes que isto acontecesse, foi amparada. Amparada nos braços de seu aluno querido.

Seu ki estava fraquíssimo e oscilando. Era duro admitir, mas Lenia iria morrer. Ela então abriu fracamente seus olhos, tendo uma visão embaçada de seu aluno, seu rosto coberto de feridas e arranhões. E com muito esforço, tocou sua face, erguendo o braço como se erguesse um peso de uma tonelada.

- Tolo... o que está... fazendo...? Fuja...

- Não! Mestra, eu vou ficar aqui com você! Por favor, por favor... não morra!

- Eu não sou... importante... você é... o futuro dos Saiyajins... viva...

- O que?!

- Viva... Spa..rk... vi...va......

A mão tombou para o lado e o pescoço pendeu para trás pesado. E o ki, a centelha da vida que restava no corpo de Lenia se apagou para sempre. A instrutora Saiyajin que havia tornado Spark um guerreiro e o educado desde os dez anos de idade agora estava morta.

- NÃÃÃO! MESTRA LENIA!! MESTRA LENIAA!!

* * *

Asus observava tudo aquilo de longe. Sentia nojo, um terrível asco só de ver toda aquela cena e aquele sentimentalismo, mas lá no fundo havia respeitado e admirado a decisão da guerreira de se sacrificar. Eram poucos capazes de realizar aquele feito. Subitamente, ouviu a voz de Mahala chamá-lo às suas costas.

- Vamos! Ou você quer que ela tenha morrido em vão! – ela gritou para o Saiyajin ferido – Vai, corre! Eu vou tirar o Spark de lá, corra direto para a Fortaleza e não pare por nada! Os outros vão te dar cobertura!

- Eu não irei fugir do campo de batalha! – ele grunhiu como um porco selvagem – Eu sou um Saiyajin, um guerreiro de classe superior, não vou por o rabo entre as pernas e fugir como um covarde!

- Pare de ser tão orgulhoso! Como pode ser estúpido a este ponto, não vê que a mestra Lenia se...

Houve um intenso tremor no chão, um terremoto de imensas proporções fazendo Mahala e Asus terem a impressão de que todo o planeta vibrava. Asus pensou se tratar de um fenômeno da natureza fora de hora, mas Mahala sabia qual o epicentro daquele tremor inteiro. Olhou para Spark, sentindo seu ki aumentar de forma totalmente desenfreada juntamente com o tom de voz do garoto, que gritava de raiva, um gutural de ódio e revolta enquanto trazia nos braços o corpo de sua instrutora morta. Uma intensa ventania se fez em seguida, e tudo que havia ao redor do garoto como pedras de todos os tamanhos, cacos de sua armadura e formações rochosas que deveriam pesar toneladas se ergueram no ar, em ressonância com todo aquele aumento de poder. Então, os cabelos de Spark ergueram-se juntamente com o resto dos objetos inanimados e brilhou uma vez, dourado e voltou ao preto. Oscilou novamente, mantendo-se por alguns segundos mais da cor dourada e, quando finalmente Spark deu mais um grito de raiva, consolidou-se daquela forma, enquanto era envolvido por uma aura da mesma cor que seus cabelos. Os seus olhos também haviam mudado, não somente do castanho escuro para o verde, mas também na forma de olhar. O olhar agora era o de uma fera assassina, pronta para rasgar sua presa em duas. E sem perceber, havia conseguido aquilo que tanto desejara por anos à fio: havia se transformado no Super Saiyajin, tal qual Goku em sua lendária batalha contra Freeza. Mas, o preço havia sido alto demais. O nível Super Saiyajin foi pago com o sangue de Lenia.

Notas finais
Olá! Chegou o momento tão esperado... Spark se transforma no Super Saiyajin... mas Lenia teve de morrer no processo. Foi com um imenso pesar que eu sacrifiquei uma das personagens que eu mais me identifiquei desde quando comecei a escrever fanfics. A severa instrutora se sacrificou em nome de um bem maior... Achei que esse trecho da história ficou bem dramático. Foi uma verdadeira tragédia, de fato, mas acho que foi um sacrifício bonito.

Sobre a transformação de Spark, eu me inspirei muito na primeira transformação de Goku, durante a saga de Freeza ( que basicamente foi copiada por Gohan no nível de SSJ 2 na saga de Cell... ). Me lembro de que o céu fechou, houveram raios caindo e Goku virou a própria imagem da fúria encarnada num ser vivo. Marcou, com certeza esta cena marcou, então eu tentei fazer algo igualmente impactante, mas tentando manter diferenças. Espero ter conseguido mandar bem...

Já o novo ataque do Asus, eu me inspirei no funcionamento de uma bomba de hidrogênio. Em teoria, tanto o ataque do Saiyajin quanto a bomba criada pelo ser humano em nossa realidade seguem o mesmo princípio físico. Claro que no caso de Asus, existe o fator do ki dele. Quanto mais ele utilizar, mais avassalador será este golpe. Porém, mesmo ele sendo muito poderoso, eu não o criei de forma que ele possa bater uma Genki-Dama. Ou seja, o ataque "Divina-Apelação" de toda a Saga Dragon Ball continua sendo a técnica que Goku aprendeu com Senhor Kaioh.

É isso! Espero que tenham gostado deste capítulo, pois deu muito trabalho para ser feito! No próximo haverá a conclusão da luta de Totenkopf, além de revelações sobre alguns mistérios de Omega-003! Não percam!