A Grande Guerra

13 A Luz Dourada da Esperança


Notas iniciais
Em meio a mais um sacrifício, a sangrenta batalha entre Schutz Stafell e Spark parece caminhar rumo ao seu fim. É neste momento em que o jovem guerreiro Saiyajin irá definir se todos aqueles que morreram por ele ao longo da Guerra o fizeram em vão.

Mais uma vida estava para se extinguir. Seria mais um adeus a um ente querido. Lenia, Tank, Gyules, o Chanceler Kopf, Khan, Simon... e agora, para lhe partir ainda mais o coração, Lily. Spark simplesmente se negava a acreditar nisso. Todos aqueles que amava pareciam morrer ao seu redor. Porque? Ele não tinha a resposta.

Ele apenas a segurou, olhando-a em seus olhos azuis em meio a uma súplica mental para que ela não partisse. Havia se esforçado tanto... e aquilo parecia bastante injusto.

- Estou feliz... – ela balbuciou, enquanto tocava carinhosamente a face ferida do jovem Saiyajin com uma das mãos – Feliz porque... finalmente eu pude ser útil... e mais ainda... por te ver uma última vez...

- Lily, fique quieta! Por favor não fale, não gaste o resto de energia que tem!

- A minha energia... toda a minha energia... agora vive em você...

Spark segurou a mão de Lily que tocava seu rosto no momento em que ela tombou, a Sacerdotisa já sem a menor força para sequer manter seu braço erguido. A forma como ele a segurava era como se tentasse mantê-la ainda neste mundo, como se ao soltá-la, ela fosse despencar no precipício da morte. Lily ainda sorriu novamente.

- Mantenha-me viva... dentro de você... Vença...

Estava consumado. Suavemente, a Sacerdotisa fechou seus olhos, como se estivesse dormindo em paz, embora Spark soubesse que ela não abriria mais os olhos. Ele a abraçou, sem sequer dizer nada. Não iria ousar gritar, derramar uma lágrima ou sequer gritar seu nome. Não iria perturbar a paz do sono daquela que o havia ensinado o quão bom é amar.

- Hnf... então foi para isso que ela morreu? – perguntou Schutz Stafell, fazendo pouco caso do sacrifício – Ela entregou a própria vida para despertar aquele moribundo? Um semimorto como aquele, que mal se aguenta em pé! O que ela pensava, que aquele Saiyajin iria se reerguer e me derrotar? Como ela era idiota!

O sacrifício de Lily já havia deixado Spark em seu limite, e o deboche de Schutz foi a gota d’água que faltava para que tudo transbordasse. Ele abraçou o corpo da Sacerdotisa contra o seu próprio com mais força, sendo envolvido por uma leve aura transparente. Seus poderes se elevaram de forma brusca, fazendo a aura etérea ganhar mais definição e irrompendo um brusco barulho explosivo seguido de um potente deslocamento de ar que derrubou Mahala sentada no chão e arrastou para longe o corpo inerte de Asus. Schutz ergueu o braço rente ao rosto, para evitar as gotas de chuva que eram sopradas contra sua face como pequenas agulhas, olhando o Saiyajin com uma expressão curiosa. Mesmo sem possuir a habilidade de sentir o ki, mas a forma como aquela energia se elevava evidenciava que Spark estava librando todo seu poder. Os músculos dos braços e do peito exposto ganharam maior definição, a medida em que descargas elétricas estalavam ao redor do corpo do jovem guerreiro e a única certeza de todos era a de que algo grandioso estava por vir à seguir.

Houve mais um estrondo, como um trovão que se originava de Spark, seguido por outro brusco deslocamento de ar e então o jovem Saiyajin estava novamente com os cabelos loiros e aura dourada, que se elevava pulsante como uma chama ardendo descontrolada. A água da chuva que caia dos céus agora nem sequer tocava mais a sua pele e os escombros e pedras partidas que cercavam seu corpo se elevaram no ar, ignorando a gravidade e respondendo em ressonância ao ki de Spark. E, mesmo aquele Palácio que fora considerado inabalável agora tremia diante do poder do Super Saiyajin enfurecido.

Mesmo assim, Spark ainda conseguia demonstrar cuidados ao deitar o corpo de Lily num dos cantos do enorme pátio. Mahala e Asus apenas o observaram por o corpo da Sacerdotisa no chão com ambas as mãos juntas na altura do peito, numa posição que simbolizava repouso, enquanto seu ki juntamente com sua raiva continuavam a se elevar sem freios. Naquele ritmo, Spark alcançaria um nível nunca antes visto por nenhum dos Saiyajins. E após tê-la deitado, Spark dirigiu sua voz à Schutz, num tom amargurado que só fora ouvido na vez que Lenia havia se colocado entre seu aluno e Totenkopf.

- Schutz Stafell... você é o ser mais desprezível que eu conheço. Você não se importa com ninguém e não dá valor aos sacrifícios dos outros... não passa de um canalha que abusa do poder que tem.

- Ora, poupe-me de seus discursos moralistas, Saiyajin! Você sabe melhor do que eu que nossas espécies não são tão diferentes assim... Em vez de querer me dar uma lição de moral, volte a lutar. Veremos se o sacrifício daquela garota inútil terá servido de algo!

- Aquela garota inútil...? Você está se referindo à Lily, seu monstro?

Spark se levantou e virou-se em direção ao Krüger, com um olhar similar ao de uma fera selvagem estampado em suas feições. Ambos os punhos estavam travados e diversas veias e artérias em seus braços, pescoço e têmporas estavam alteradas. Até mesmo sua respiração estava sem ritmo, tamanha era a sua cólera.

- E quem mais poderia ser? Uma idiota, tola, cega por seus sentimentos e sua extrema confiança nos poderes de um guerreiro decadente! – Schutz não poupava desprezo em sua voz, sorrindo malevolamente enquanto fazia seu discurso – Mas não fique bravo, logo mandarei você diretamente para o Outro Mundo, onde poderão refletir sobre o quão imbecís vocês foram ao acreditar que poderiam me vencer!

Aquilo era demais. Todos aqueles insultos conseguiram deixar Spark ainda mais irado do que já estava, e ele liberou tudo que estava entalado em sua garganta, toda aquela sua raiva numa única palavra, dita na forma de um berro a plenos pulmões:

- MALDITO!!

Spark continuou a gritar por alguns segundos, um grito de dor, angústia e fúria, liberando ainda mais e mais poder de luta e criando um poderosíssimo deslocamento de ar ao seu redor. A aura dourada se agitou mais ainda, elevando-se alguns metros acima do corpo do Saiyajin e envolvendo-o em meio a um forte brilho dourado capaz de ofuscar a visão de todos os presentes. Não era possível dizer ao certo quanto tempo ele havia permanecido naquele estado, mas após breves instantes, a silhueta de Spark pôde ser discernida em meio àquela luz.

Estava diferente do normal. Seu corpo havia ganhado pouco avanço muscular em relação à sua primeira forma, entretanto a aura dourada agora se movia de forma arisca, fluindo para o alto de uma forma que lembrava ainda mais uma chama acesa que o de costume. Seus cabelos também haviam mudado, se tornando um tanto quanto mais longos e mais rígidos para o alto enquanto que as suas mechas frontais que normalmente pendiam em sua testa agora haviam se dividido ao meio, também se projetando para o alto e para os lados. A parte detrás de seus longos cabelos também havia se elevado, abrindo-se para o alto e para as laterais como firmes espinhos dourados. As descargas de bio-eletricidade também se faziam presentes, mas com uma incidência muito maior do que na transformação mais avançada de seu rival Asus. Não havia dúvidas que Spark havia rompido as barreiras de um novo nível dentro do Super Saiyajin.

Ao vislumbrar aquela cena, Mahala levou ambas as mãos à boca, sem conseguir esconder sua surpresa diante da situação. Com os olhos arregalados, não conteve as próprias palavras que lhe escapavam da boca sem nenhum controle.

- É... enorme.... o poder de luta de Spark... é simplesmente inacreditável! Como...? Como isso é possível...?

No entanto, enquanto a guerreira havia perdido o foco diante do espanto, Asus se entregou ao riso. Um riso que vinha de dentro de suas entranhas e que logo se tornou uma gargalhada encorpada que ele não fazia a menor questão de conter, mesmo estando jogado no chão e coberto de feridas.

- Ora, seu maldito! – rosnou Schutz em direção ao orgulhoso Saiyajin por uns instantes, sem saber se mantinha os olhos nele ou em Spark, que estava se limitando a permanecer parado, sem mover um músculo sequer – Do que você está rindo?! Por acaso enlouqueceu por causa de seus ferimentos?

- Mas é claro que não... – ele respondeu, ainda gargalhando abertamente – Eu estou rindo é de você! Contemple Schutz, a imagem do Saiyajin que irá lhe matar!

- Ora, cale-se verme! Um mero Saiyajin não pode me vencer mesmo que use todas as suas forças! Pare de dizer estas tolices!

- Tolices? Há, há, há... Você logo vai constatar a sua própria tolice se entrar nesta luta exatamente como estava minutos atrás... Vou te contar uma coisa, quanto mais irado ficar um Saiyajin, maior será seu poder de luta! No momento que aquela garota sacrificou a própria vida, Spark perdeu a última pessoa que ele mais amava no mundo. Não consegue perceber o quão irado ele está? Em toda a minha vida, eu nunca tinha visto ele com esta expressão... pela primeira vez ele está com olhos de um verdadeiro guerreiro Saiyajin e digo mais: o poder dele mais que dobrou agora que ele assumiu essa transformação! Você está morto, Schutz Stafell!

- Eu já mandei você calar a boca!!!

O Krüger criou uma esfera de energia púrpura na palma da mão direita, já pronta para se arremessada contra Asus, que sequer podia se mover direito, mas antes que Schutz fizesse qualquer movimento, uma mão firme segurou seu pulso, causando bastante dor na mesma hora. E em seguida, um poderosíssimo soco estalou no ar, arremessando longe o corpo do líder raça maligna. Schutz acertou o rosto no chão, seu corpo rolando das mais variadas formas possíveis até arrebentar tudo que sobrava do chafariz, diversos metros à distância. Então Spark começou uma lenta caminhada em sua direção, o Krüger ainda se recompondo do golpe inesperado.

- Você é um desgraçado, Schutz Stafell – disse o jovem Super Saiyajin – Um calhorda egoísta e mesquinho, um sanguinário que não pensa em nada nem em ninguém além de você mesmo. Um ser assim como você é perigoso demais para poder ficar solto por aí, vagando pelas galáxias afora e causando dor e destruição. Esteja certo que em nome de todos os Kelfos que foram mortos injustamente por você e seus lacaios... e em nome de todos os meus amigos que se sacrificaram nesta Guerra, acreditando num futuro melhor... você vai morrer aqui!

O Krüger se colocou de pé. O rosto realmente doía muito, e sua boca apresentava um sangramento. Aquele golpe fora superior a tudo que havia sentido em toda sua vida, uma força absurda que não condizia com os Super Saiyajins que havia enfrentado até poucos instantes atrás. E por mais que tentasse compreender como aquilo era possível, não conseguia.

O furioso Super Saiyajin investiu contra Schutz mais uma vez, acertando-lhe outro soco no rosto sem que este pudesse fazer nada para evita-lo. Em quanto o corpo do adversário era arremessado vários metros à frente, Spark já se lançava outra vez ao seu encalço, acertando uma violenta cotovelada na outra face. Desta vez, Schutz fora projetado para o lado, arrebentando o chão de pedras do pátio fazendo um rastro enorme de destruição por onde passava. Ainda inconformado, Spark se lançou outra vez contra o Krüger, mirando-lhe uma potente voadora no rosto. Ele se reergueu rapidamente e se preparou para receber o ataque frontal fechando ambos os braços em frente ao rosto, quando o Super Saiyajin pareceu simplesmente se dissolver no ar.

- O que?! Mas como...? Ele sumiu!

A sola do pé de Spark acertou a têmpora direita de Schutz com toda a força, no momento em que ele pareceu ressurgir instantaneamente ao lado de seu inimigo. Uma terceira vez ele foi arremessado longe por um golpe de Spark, mas desta vez ele se recuperou em pleno ar, dando um giro magistral com o corpo enquanto estava no ar e caindo sobre os dois pés, como um felino.

- Você se tornou muito forte em muito pouco tempo... Isto que é ser um Super Saiyajin? Ter a habilidade de se adaptar facilmente às condições do combate? Não importa. De agora em diante, lutarei usando cem por cento de meus poderes, mas esteja certo de que muito provavelmente este planeta não irá resistir ao nosso combate. E se o planeta for destruído, você e sua tola cruzada de vingança às mortes dos demais habitantes deste lugar terão sido em vão.

- Pois então lute com todas as suas forças... é realmente isto que eu quero. – falou Spark friamente – E quanto ao planeta resistir ou não... farei o possível para evitar que ele seja destruído, mas não pense que eu irei me conter. Quero acabar com você usando todo o poder que tenho!

- Saiyajin insolente... este será o último erro que você cometerá!

Foi a vez de Schutz travar os punhos e elevar seu ki, com os joelhos levemente flexionados e aumentando progressivamente sua voz, gritava um “Ah!” cada vez mais longo e alto. Uma aura púrpura se formou ao redor do Krüger e o chão do pátio tremeu a rachou em resposta a elevação de poderes de Schutz e então outro violentíssimo deslocamento de ar irrompeu, com ventos poderosos que pareciam querer arrancar o próprio Palácio Imperial do lugar. Ainda assim, Spark permanecia parado diante de seu inimigo, sem se deixar intimidar por todo aquele poder inimaginável que ele possuía. Mahala e Asus, no entanto, não estavam tão tranquilos. Incrédulos, os dois observavam o inimigo transcender os limites de seus poderes a cada segundo que passava.

- Finalmente... eu liberei todo o meu poder, Saiyajin... – disse Schutz, ainda envolvido pela aura púrpura que também disparava algumas descargas de eletricidade.

Assim como acontecera anteriormente com Himmler, Schutz Stafell também sofrera algumas alterações em sua fisionomia. Os músculos das pernas, tórax e braços haviam ficado mais desenvolvidos e seu corpo havia ficado um pouco maior em matéria de estatura. A única alteração facial era a ausência de sobrancelhas, que contribuíam para deixa-lo com um visual ainda mais ameaçador.

Spark não respondera nada diante do comentário de Schutz, apenas se limitando a colocar-se em guarda novamente, num movimento propositalmente lento. As auras se agitaram por um milionésimo de segundo, ambos desaparecendo no instante seguinte e atacando um ao outro como meros vultos que se cruzavam no ar. O som das pancadas ecoava por todas as direções, embora os olhos de Mahala e Asus não pudessem ver nada. Era como se estourassem canhões em volta de ambos, tamanho era o estrondo de cada golpe, que geravam furiosas rajadas de vento que eram capazes de espalhar a água da chuva para todos os lados.

Os dois guerreiros eram equivalentes um ao outro. Punhos se chocavam com punhos, canelas com canelas e joelhos com joelhos. Ambos tomaram distância um do outro, em pleno e ar e se lançaram novamente frente a frente. Spark lançou diversos socos contra Schutz, que os defendia com o antebraço e a com as mãos, lançando seus próprios socos também entre uma defesa e outra. O jovem Super Saiyajin defendia-se e atacava com a mesma eficiência. Após se chocarem punho com punho novamente, os dois interromperam seus golpes, outra vez se afastando um do outro.

- Ora, ora... quem diria... um oponente que não perde em nada para o velho Khan... estou surpreso. – disse Schutz, satisfeito – Mas acho que a hora do aquecimento terminou. Vou apaga-lo da face deste mundo!

Schutz investiu outra vez, acertando o punho na barriga de Spark e outra vez em seu rosto, o mandando com violência para longe. Deslocou-se para bem acima de onde estava indo o corpo do Saiyajin e com um golpe extremamente bem calculado acertou ambos os pés em seu peito, mandando-o contra o chão do que restava da capital Himmel. Uma enorme cratera foi aberta, como se o chão tivesse sido alvejado por um enorme meteoro. No entanto, antes mesmo que a poeira se assentasse, um vulto dourado saltou do meio dela e se projetou contra Schutz Stafel de punho erguido. O soco explodiu no rosto do Krüger, fazendo um som ensurdecedor, sendo seguido por diversos outros que o castigavam em todo o corpo. Schutz havia ficado atordoado por um tempo, e Spark não desperdiçou a chance que teve para poder agarrar a cabeça do adversário, puxando-a contra seu próprio joelho e acertando mais m golpe violento, que fez com que uma grande quantidade de sangue púrpura escapasse do nariz do Krüger, acertando-o com um fortíssimo cascudo de duas mãos no alto da cabeça e o mandando contra o chão, tão violentamente quanto fora lançado instantes atrás. E para se certificar de que Schutz receberia ainda mais dano, Spark se lançou contra o oponente antes mesmo que ele tocasse o chão, com o joelho já posicionado contra sua barriga. O resultado não poderia ser outro: o choque do corpo do Krüger contra o solo abriu mais um enorme buraco no chão, que foi aumentado ainda mais quando o golpe de Spark acertou o seu abdômen. O Saiyajin então saltou do fundo da cratera, num salto para trás repleto de perfeitas cambalhotas antes de cair de pé. Instantes seguintes, um vulto envolto numa aura púrpura também saltou lá do fundo, parando diante dele.

Aquela era uma batalha de titãs. Mesmo após ter sofrido todos os golpes violentos, Schutz Stafell não só ainda estava de pé, como nem ao menos ofegava ainda. Mas ao contrário de antes, quando parecia não levar nem o combate nem os adversários à sério, agora o líder Krüger estava bem compenetrado na luta, observando seu oponente atenciosamente. E quando julgou o momento mais adequado, ele liberou seu ki e investiu contra Spark outra vez.

Os dois trocavam golpes numa velocidade absurda, enquanto se deslocavam por toda a extensão das ruínas da capital. Apenas um rastro de sons de pancadas e destruição denunciava o caminho que os dois combatentes estavam seguindo. Num determinado momento durante a troca de golpes, Spark foi atingido por um fortíssimo chute na ponta do queixo, que o lançou contra uma fileira de casas. Seu corpo atravessou todas elas que foram desmoronando uma atrás da outra, como se fossem feitas de isopor. Ele se recompôs daquilo, deslizando para trás com a postura baixa e saltou para o lado bem a tempo de evitar um outro golpe de Schutz, que acertou o chão onde ele estava e abriu um enorme buraco ali. Ele continuou a perseguir o Saiyajin, lançando outra sequência de golpes múltipla da qual ele só podia desviar enquanto chegava para trás. No último instante, Spark abaixou-se, evitando um devastador soco que reduziu a pó um monumento que havia sobrevivido ao ataque à cidade e contra atacou colocando ambas as mãos no chão e impulsionando seu corpo para cima, atingindo o rosto do Krüger com seus dois pés. Ele rolou para trás enquanto seu adversário sentia o golpe e investiu novamente com o cotovelo em sua barriga, os pés de Schutz travando-se ao chão enquanto ele deslizava para trás deixando uma trilha dupla rasgada no solo. Em seguida, os dois seguraram as mãos um do outro, numa disputa de força que fez com que mais algumas construções ao seu redor desabassem diante da quantidade surreal de energia emanada por ambos os lutadores. Ambos permaneceram naquele impasse, descargas de energia cortando o ar ao redor de ambos e até mesmo a chuva que caia evitava tocar neles. E no momento em que um raio cortou os céus tempestuosos, ambos se soltaram, dando um pulo para trás. Schutz não perdeu tempo, lançando um poderoso raio de cor púrpura contra o Super Saiyajin, que o evitou com um movimento espetacularmente rápido, desaparecendo de onde estava e ressurgindo ao lado do Krüger e desferindo-lhe um chute com toda a força na altura do rosto. No entanto, o Líder abaixou-se bem a tempo, o golpe de Sprak atingindo a parede de uma casa que ainda resistia e transformando-a numa pilha de escombros e quando se levantou, agarrou rapidamente o Super Saiyajin pelo rosto e bateu com a sua cabeça no chão com bastante força, acertando diversos socos em sua testa todas as vezes que ele queria se levantar. Ele em seguida pegou Spark pelo pescoço, voando em alta velocidade enquanto ralava o rosto do jovem guerreiro pelo chão acidentado por diversos metros de distância, até lança-lo longe, o seu corpo abrindo um enorme buraco na parede do já destruído Santuário de Himmel.

Schutz sorriu por um instante, crente que agora havia conseguido ferir Spark, quando a voz do Super Saiyajin se fez ouvir, vindo de dentro dos escombros do Santuário e do meio de um brilho dourado. O jovem saiu de lá como um vulto envolto numa aura brilhante, com um salto velocíssimo e aterrissando diante de seu inimigo, abaixado. Em seguida se levantou, limpando um pouco do sangue que lhe escorria da testa e da boca.

- Você é mais poderoso e persistente do que eu esperava, Saiyajin – rosnou o Krüger, impaciente – Mas pelo menos posso te agradecer por ter sido um bom exercício para mim depois de tantas lutas sem graça neste planeta. Pelo menos alguém aqui parece não ser um total desperdício.

- Normalmente eu agradeceria os elogios, se não quisesse tanto assim te matar – foi a resposta de Spark, nada amistosa – Mas devo reconhecer que você realmente é muito forte, o oponente mais poderoso que eu enfrentei em toda a minha vida. É por isso que eu escolhi deixar você utilizar seus poderes em sua plenitude, para que esta seja uma luta memorável para mim até o final da minha vida. Talvez além do desejo de vingança, o que mais me motiva agora é o desejo de vencer alguém tão mais forte do que eu!

O sangue Saiyajin de Spark fervia. Além de seus sentimentos, o desejo de lutar tão característico de sua raça se elevava cada vez mais. No momento que havia se transformado, Spark fora possuído pelo sentimento de combatividade dos Saiyajins e aquilo tornava tudo mais pessoal ainda. O jovem não deixaria de lutar por nada, mesmo que aquilo significasse o próprio fim.

- Chega de conversa! – disse o garoto, se posicionando para atacar outra vez – Vamos lutar!

* * *

Mahala caminhou até Asus, que ainda se encontrava caído de bruços, em meio a uma poça de água misturada com o sangue de suas próprias feridas.

- Asus, você está ok? – ela perguntou, ao se aproximar.

- Eu por acaso pareço ok? – ele rebateu com uma grosseria, para não perder o costume.

- Mesmo Asus de sempre... acho que você está ótimo – ela disse, oferecendo o ombro logo em seguida – Vem cá, eu te ajudo a se levantar.

Numa outra situação, Asus teria recusado prontamente. Mas naquele instante ele não se importava em ser sustentado por ninguém, ainda mais depois da surra que havia tomado. Ele respirava pesadamente e mal conseguia suportar o próprio peso nas pernas. No entanto, parecia querer puxar Mahala para algum lugar, ou pelo menos que ela o levasse a algum local.

- Vamos... até a beirada do pátio – disse ele por fim – Spark... eu quero assistir a luta dele contra aquele monstro desgraçado.

Ela concordou com um aceno com a cabeça, e logo começaram a caminhar pelo longo pátio, agora cujo chão estava completamente destruído.

- Asus... – Mahala começou a falar, enquanto caminhavam – O que foi aquilo? Que diabos aconteceu com Spark? Aquilo era realmente um Super Saiyajin?

- Sim... com certeza, aquilo era um Super Saiyajin... não há dúvidas.

- Mas então, porque toda aquela diferença de poder? Spark não era tão forte! Eu não acredito que ele tenha aumentado seus poderes naquela proporção absurda só porque a garota Kelfa o curou!

- Você não entende... o Super Saiyajin não surge de um simples desejo... você não pode simplesmente querer ser mais forte... O Super Saiyajin é um estágio que aparece em meio a uma dificuldade. Não existe definição melhor para esta transformação, que a palavra superação. Foi isso que Spark fez... ele superou os limites do Super Saiyajin...

- Superou os limites do Super Saiyajin? Asus, eu não entendo! O Super Saiyajin não era a transformação suprema, o limite final?

- E desde quando nós possuímos limite, Mahala?! Por acaso está louca, ou você simplesmente se esqueceu de quem somos?! Não há limites para a força dos Saiyaijns... eu pude sentir isto ao me transformar em Super Saiyajin pela primeira vez... Acontece que Spark conseguiu ir um nível adiante. Ele é um miserável que insiste em estar sempre à minha frente... conseguiu de longe superar os poderes da minha atual transformação de Super Saiyajin. Minha forma avançada se provou facilmente superável...

- Mas e quanto as mudanças físicas? Você e eu vimos, o cabelo de Spark mudou um pouco...

- Ainda não sabemos direito como funcionam os poderes de um Super Saiyajin... se ao menos tivéssemos tido tempo para treinar e aperfeiçoar nossas habilidades... Mas eu creio que Spark conseguiu superar o nível do que seria um Super Saiyajin comum. Mesmo a minha transformação mais avançada ainda está retida no contexto do que eu posso chamar agora de primeiro nível de um Super Saiyajin. Assim... se eu sou um Super Saiyajin nível um no limite dos meus poderes...

- Então... Spark agora é um... Super Saiyajin nível dois? – Mahala arriscou o óbvio palpite

- Exato...

Os dois chegaram ao limite do pátio, olhando imediatamente em direção à cidade destruída. Era possível ver um ponto dourado brilhante se mover numa velocidade absurda, enquanto o que restara em pé na capital ia se reduzindo a pó. Por vezes, os dois perdiam Spark e Schutz de vista, tendo de procurar novamente com mais calma. Os ataques eram sucessivos e ambos os lutadores pareciam incansáveis máquinas de lutar mesmo vistos daquela distância.

- Seja sincero, Asus... o que você acha que vai ser dessa luta? Acha que Spark pode vencer?

- quem pode vencer aquele monstro agora é ele... mas a luta parece acirrada demais. Se eu fosse arriscar um palpite, diria que aquele que cometer um erro entregará o combate ao oponente.

- Então, vamos torcer para que Spark não erre.

Ambos voltaram seus olhares para a luta no momento em que Spark e Schutz se atingiam simultaneamente com um soco no rosto em pleno ar, despencando de volta ao chão em seguida. O solo pavimentado da cidade rasgou-se como se fosse feito de barro molhado ao receber o choque do corpo de ambos os lutadores, abrindo duas grandes listras no chão. Eles se levantaram instantaneamente, se lançando com fúria um contra o outro como dois vultos envolvidos por auras brilhantes que trocavam centenas de golpes por segundo, elevando-se aos céus em meio à tempestade. O Super Saiyajin evitou um soco direto do Krüger contra seu rosto, contra atacando com um gancho estalado e muito bem aplicado no queixo de seu oponente. Desferiu também uma joelhada em direção à cabeça de Schutz, que mesmo atordoado conseguiu conter o golpe a tempo com uma mão, devolvendo a gentileza com um poderoso chute que acertou o pé do ouvido de Spark e o arremessou violentamente contra uma enorme catedral. Ela desmoronou sobre o jovem guerreiro instantaneamente, soterrando-o com toneladas de entulho e pedras. Sem pensar duas vezes, Schutz criou uma esfera de energia rosada em sua mão direita, lançando-a contra os escombros do prédio onde o seu inimigo havia caído e causando assim uma fortíssima explosão de brilho violeta e acompanhada de vendavais fortíssimos, além da já esperada densa cortina de fumaça preta. Quando a fumaça se desfez foi possível se ver o estrago daquela explosão, que não somente havia simplesmente apagado grande parte da cidade de Himmel do mapa como também havia criado uma colossal cratera no solo cujo tamanho seria equivalente a mais de vinte campos de futebol e possuía diversos metros de profundidade. O fundo da cratera ia progressivamente se enchendo de água, graças ao rompimento de diversos lençóis freáticos presentes logo abaixo da capital.

Schutz observou a destruição causada por si próprio, procurando por algum sinal do Super Saiyajin que estava lhe dando tanto trabalho, mas não havia nada. Nenhum movimento brusco ou brilho dourado que pudesse denunciar a presença de Spark. Ao que tudo indicava, Schutz Stafell havia sido o vencedor daquela batalha.

- Verme miserável... – o Krüger praguejou, relaxando um pouco o próprio autocontrole sobre o próprio corpo e regurgitando uma grande quantidade de sangue púrpura – Nunca pensei que alguém fosse me causar tantos danos... todos estes ferimentos, internos e externos... esse macaco possuía muito poder de luta.

Ele levou uma das mãos para dentro do peitoral da sua armadura Krüger, agora avariadíssima e trouxe de volta algo que lembrava um controle remoto. Apertou alguns dos botões rapidamente, guardando aquele estranho aparelho logo em seguida. E então, continuou a observar a grande cratera causada por seu destruidor ataque.

- Acho que este desgraçado não me causará mais problemas... maldito Saiyajin, ousando ferir meu corpo desta maneira. Mas agora ele está morto. E eu já ativei o comando automático da Nave Mãe para que ela venha ao meu encontro. Dentro de no máximo dez minutos eu destruirei este planeta e partirei em busca das Esferas do Dragão dos Namekuseijins!

Mahala e Asus permaneciam incrédulos diante daquilo. Estavam fracos e cansados demais para conseguir sentir perfeitamente os kis, mas o fato de Spark não ter voltado ao combate preocupava os dois bastante. A esta altura, Asus já estava de pé sem precisar de ajuda, com ambos os punhos fechados de apreensão.

- Será possível... quem nem mesmo o Super Saiyajin 2 foi capaz de vencer os poderes deste monstro? – ele disse, observando à distância a pequena silhueta de Schutz pairando em meio ao que um dia fora uma gloriosa cidade – Se for este o caso e Spark tiver mesmo sido derrotado... então caberá a nós dois irmos lá e terminarmos esta batalha.

- Asus... você sabe o que vai acontecer se formos lá... – respondeu Mahala, desanimada – Nós... nós somos fracos demais para conseguirmos sequer feri-lo de verdade, ainda mais agora que ele está utilizando cem por cento do seu poder. Eu adoraria poder acabar com aquele miserável... mas ele está além de tudo que podemos fazer.

- Não deixe seu orgulho de Saiyajin morrer assim com tão pouco, garota – Asus rebateu, curiosamente soando mais suave do que o de costume – Se nós não formos lá, morreremos do mesmo jeito. Eu não quero morrer me escondendo como um covarde. Eu sou um guerreiro Saiyajin de Elite, Primeira Classe! Guerreiros como eu não devem morrer de braços cruzados, e sim no campo de batalha, enfrentando um inimigo muito mais poderoso! Você também é uma guerreira de Classe Alta, deveria pensar o mesmo! Agora vamos... pelo visto o Spark não vai reaparecer, e nós dois temos uma luta a concluir!

Asus... você é um idiota na maior parte do tempo, mas tem os seus momentos...

Mahala concordou com o companheiro, considerando-o desta maneira pela primeira vez. Olhou para ele, com os olhos transbordando de inspiração para dar a sua própria vida em combate. Mas, quando foram alçar vôo em direção do inimigo, sentiram um poderoso abalo. Era como um terremoto, que fazia tudo ao seu redor tremer. E então, do meio daquela cratera, se ergueu um feixe de luz dourada, sendo seguido por mais outros feixes menores e por fim uma grande cortina de água e vapor fervente. Spark havia se levantado para o combate mais uma vez.

Schutz Stafell se recusava a acreditar naquilo que seus olhos estavam vendo. A imagem do Super Saiyajin pairando no ar de frente para ele, com o corpo recoberto de feridas e queimaduras e com um ardente desejo de lutar, mesmo já demonstrando estar em seu limite. Suas roupas também haviam sofrido mais danos com o ataque que havia recebido anteriormente: todo o seu peito esquerdo e mais da metade do peito direito estavam expostos, sem a proteção da armadura, bem como a maior parte de sua barriga. Apenas um pedaço do peitoral do uniforme Saiyajin resistia em seu corpo. A calça preta apresentava um enorme rasgo na altura do joelho direito que ia descendo até a canela, enquanto que a perna esquerda havia sido completamente destruída na altura da coxa. Os tensores que usava nas canelas também estavam completamente rasgados e, dos dois que usava nos braços, apenas o direito ainda estava lá.

As grossas gotas de chuva caíram sobre o rosto de Spark, lavando o sangue que lhe escorria pela face. Ele estava ofegante e cansado, mas seu adversário também se encontrava em condições similares. Schutz parecia ainda pior, por estar chocado ao ver que seu inimigo não estava morto.

- Quem é você, Super Saiyain? – ele perguntou, apontando o dedo em sua direção com a voz alterada – Por acaso você é imortal?

- Eu já te disse... – Spark respondeu, num tom baixo porém carregado de ira – Eu vou vingar as mortes das pessoas inocentes que você matou custe o que custar... enquanto você estiver vivo, eu me recuso a morrer!

- Pois então te matarei contra a sua vontade, e em seguida reduzirei este mísero planeta à poeira cósmica! Eu já chamei a minha nave de volta, em breve ela estará aqui e no momento que este planeta explodir eu estarei são e salvo! Já vocês Saiyajins não podem dizer o mesmo!

- Você é um covarde!!

Em meio àquele grito de raiva, o Super Saiyajin avançou, cortando os céus numa velocidade impressionante até alcançar seu adversário, acertando-o com dois socos, um de direita e outro de esquerda em ambos os lados de sua face e desferindo-lhe um chute que o mandou para longe, ao mesmo tempo em que já voava na direção que corpo do Krüger era arremessada, castigando-o com um cascudo com ambas as mãos entrelaçadas no meio de suas costas. Schutz caiu vários metros como um meteoro rumo ao chão, mas antes de tocá-lo se recuperou outra vez e se lançou de volta aos céus contra seu oponente, desviando com maestria de mais um soco e contra atacando com uma joelhada no estômago de Spark e uma cotovelada em suas costas, simultaneamente. O garoto deu um gemido de dor, golfando uma pequena quantidade de sangue, ao mesmo tempo em que o líder Krüger o segurava pelo pulso com ambas as mãos, girando o corpo do Saiyajin diversas vezes ao redor do próprio eixo até lança-lo longe. Spark atingiu novamente mais uma fileira de construções, atravessando a todas elas sem muita resistência. Schutz avançou novamente, na esperança que desta vez Spark estivesse mais atordoado que durante os ataques anteriores, mas foi surpreendido no momento em que o jovem Super Saiyajin saltou do meio dos escombros, envolvido pela aura dourada, e se lançou contra ele acertando uma joelhada no meio de seu rosto.

Schutz havia aberto a guarda novamente, e Spark havia decidido terminar aquela luta ali mesmo: primeiro ele atingiu novamente a barriga do líder Krüger com um soco que o deixou sem ar, aproveitando a brecha para distribuir uma implacável sequência de socos e chutes em altíssima velocidade, seu oponente sequer reagindo e em seguida entrelaçou as duas mãos, concentrando o máximo de força naquele golpe e acertando-as em seu queixo, o que mandou Schutz em direção às nuvens tempestuosas sem grandes dificuldades.

Já chega... esta luta já foi longe demais! Eu vou cumprir minha missão... vou vingar a morte de todos e assim poderemos viver tranquilamente outra vez!

- Schutz Stafell... prepare-se para morrer!

O garoto liberou seus poderes no máximo que ainda lhe restavam, concentrando seu ki num único punho enquanto que todos os escombros e pedaços de pedra e concreto que o rodeavam se elevaram no ar, respondendo a todo aquele poder. Ele flexionou suavemente os joelhos para dar um impulso, se lançando contra o Krüger no instante seguinte.

- Ora! Então você pensa que este será o golpe final?! – ele bradou contra seu adversário, enquanto planava no ar – Pois saiba que eu também sei fazer isto!

Schutz também liberou a própria energia, concentrando-a toda em seu punho e se lançou contra Spark. Como dois projéteis eles se atiraram um contra o outro de punhos fechados, cortando os céus naquele que poderia ser o golpe que definiria a luta e o destino de Omega-003. E então, ambos os punhos se chocaram em pleno ar, um contra o outro, numa precisão milimétrica. O que se sucedeu após isso foi mais uma enorme explosão, cujo brilho e a intensidade foi tanta que poderia com certeza ser facilmente vista de fora do planeta.

* * *

O corpo de Spark fora arremessado violentamente. A potência da explosão o mandou diversos metros à distância, o Super Saiyajin indo parar novamente no pátio do Palácio Imperial, ainda mais ferido do que antes. A esta altura, já não havia mais o tensor do braço direito nem mesmo o resto de peitoral da armadura. Sua mão apresentava diversas queimaduras e pela expressão do guerreiro que jazia deitado no chão molhado do pátio, ele estava sentindo muita dor.

O que havia sobrado da cidade de Himmel havia simplesmente desaparecido do mapa e em seu lugar havia apenas um deserto de terra, barro e algumas porções de escombros e destroços de construções. As casas, os monumentos, tudo havia sido levado pela explosão que se sucedera. Mesmo o Palácio Imperial também encontrava-se repleto de rachaduras, e uma de suas torres estava desmoronando naquele exato momento.

Mahala correu ao auxílio de Spark, ajudando-o a se sentar. Ele estava realmente ferido, e ao que tudo indicava, seu braço direito estava fraturado. Ele deu um gemido de dor quando foi colocado sentado, suas pálpebras ainda fechadas vibrando como se quisessem se abrir novamente.

- Calma, está tudo bem... você venceu – ela disse ao mesmo tempo em que Spark abria levemente os olhos – Já pode relaxar agora.

- Eu... venci...? – ele perguntou, com os olhos quase fechando novamente, embora ainda mantivesse a transformação do Super Saiyajin 2.

- Sim. Depois de tudo isso, a luta finalmente acabou. Você foi incrível, Spark.

Com dificuldades ele se colocou de pé, caminhando até onde ficava o peitoril do pátio, agora literalmente a beirada de um precipício. A explosão havia danificado até mesmo parte da montanha onde o pátio do Palácio Imperial havia sido construído, que desmoronou na mesma hora. Agora, os três Saiyajins apenas observavam o cenário caótico que havia se estabelecido na terra dos Kelfos.

- A capital... Himmel desapareceu – observou Spark, que achava difícil imaginar que ali no meio de todo aquele vazio houvesse existido a cidade mais fantástica que havia conhecido.

- Sim – concordou Asus – Nenhuma construção normal resistiria a tamanho poder. Temos sorte de estarmos vivos, se aquele choque tivesse ocorrido no chão e não em pleno ar, possivelmente o planeta inteiro teria ido pelos ares, bem como Schutz queria.

- Pelo menos agora, todos os Kelfos podem descansar em paz... — respondeu o primeiro – Eles eram sábios e inteligentes... os Kelfos eram uma raça incrível. Mas agora, eles estão completamente extintos, bem como sua Capital e a maioria de seus documentos. Poucos são os vestígios que esta civilização deixou para o futuro. Mas enquanto eu viver, manterei viva a memória deste povo maravilhoso.

- Hmpf... faça como quiser – Asus cruzou os braços, demonstrando seu desapego e desprezo por questões sentimentais – Mas acho que agora você tem mais é que se manter vivo. Vamos voltar à Fortaleza. Todos nós precisamos sarar nossas feridas antes que...

O Saiyajin deteve a sua fala, abrindo os olhos com uma expressão de terror em seu rosto. Só poderia ser um pesadelo, ou ao menos é o que ele tentava dizer a si mesmo, à medida que sua expressão de pânico se tornava ainda mais evidente. Os demais Saiyajins não deixaram de perceber isto e também olharam na mesma direção, somente para descobrir o motivo pelo qual Asus estava paralisado daquele jeito. E a reação de Spark e Mahala não fora diferente, ao terem a terrível constatação:

Schutz ainda está vivo!

Ele pairava no céu, com um sorriso maníaco em seu rosto. Também estava ferido e sua armadura Krüger havia desaparecido por completo. O uniforme que usava por baixo dele estava cheio de rasgos, e as partes de seu corpo que estavam expostas na maioria das vezes estavam repletas de feridas por onde escorria seu sangue de cor púrpura. Como um louco ele começou a gargalhar diante dos três Saiyajins sem parar, elevando o rosto em direção às nuvens que não cansavam de despejar água sobre o mundo.

- Espero que tenham aproveitado seus últimos momentos, Saiyajins miseráveis!! – ele gritou, em meio às próprias gargalhadas.

- Seu... seu persistente desgraçado de uma figa! – exclamou Asus, ainda sem uma expressão facial definida que mesclava entre terror e raiva – Como você conseguiu sobreviver a isso?! Como?!

- Se você quer mesmo saber, o culpado por eu estar vivo é o seu amigo Spark! Ele é um covarde!

- Como assim a culpa é dele?! – dessa vez foi Mahala quem se manifestou.

- Este macaco covarde havia dito que não iria conter suas forças durante esta luta, mas ele mentiu! No momento em que nossos golpes colidiram um contra o outro, ele baixou propositalmente o próprio poder de luta! Normalmente, aquela explosão seria tão forte que mesmo tendo acontecido no ar iria se expandir até danificar o núcleo deste planeta! Omega-003 iria pelos ares, mesmo comigo morto... Mas, em vez de liberar todo o poder destrutivo que possuía, ele tentou me destruir sem usar toda a sua força e depois usou a própria energia do golpe para anular a explosão! O resultado é que a potência foi muito menor do que deveria ser, e o único a receber a maior parcela de dano foi ele mesmo! Graças a este erro, eu serei o vencedor desta luta!

Os dois Saiyajins desviaram o próprio olhar em direção à Spark, que ostentava uma expressão mista de raiva e culpa. Com ambos os punhos fechados ele olhava para algum ponto perdido no ar, desolado, enquanto Schutz não deixava de rir como um insano.

Algo precisava ser feito para remediar aquela situação, e Spark faria o que fosse sem hesitar. No entanto, ele não tinha opções naquele momento. Sentia-se cada vez mais fraco e o braço direito doía muito. Mesmo se os ossos não estivessem fraturados, ainda assim seria muito difícil lutar daquele jeito. Ele ergueu os olhos em seguida, fitando diretamente Schutz Stafell que ainda ria da situação, ao mesmo tempo que a gigantesca Nave Mãe surgiu nos céus, logo atrás dele.

- Vocês perderam Saiyajins! Principalmente você, Spark! De nada adiantou você ter se sacrificado tanto durante todo este tempo! Tudo que você conheceu em sua vida foi a dor e o desespero do inferno de perder aqueles que ama! E no final, veio a desilusão de não ter conseguido proteger seu planeta, nem seus amigos nem a si mesmo! Este é o melhor presente que eu poderia receber de despedida deste lugar imundo e fedorento! Irei mata-los agora, já que minha carona já está aqui e espero que sofram eternamente no Outro Mundo! Desapareçam!!

Schutz Stafell ergueu ambas as mãos acima da própria cabeça, onde começou a reunir o máximo de energia possível. Ele criou uma esfera de energia púrpura do tamanho de uma bola de basquete, que logo foi aumentando seu diâmetro numa velocidade espantosa. Era uma quantidade de energia enorme que se acumulava ali, e não era preciso nem ao menos sentir o ki para saber que aquilo iria destruir todo o planeta se conseguisse tocar o chão.

- Asus, Mahala – disse o jovem Super Saiyajin, liberando o resto de poder que tinha e se envolvendo novamente pela aura dourada – Para trás... o que ele disse é verdade e eu errei contendo meus poderes. Mas desta vez, vou usar toda a minha força para tentar remediar este meu erro.

- Spark o que você vai fazer?! – perguntou a guerreira, exasperada – Não me diga que está pensando em se lançar contra aquela técnica?!

- Não seja tola. Nem mesmo meu corpo poderia segurar algo como aquilo sozinho. Isso com certeza seria suicídio. O que eu vou fazer é tentar rebater toda aquela energia de volta para ele.

- Mas você não tem forças suficientes! Acha que pode conseguir?

- Se eu não tentar... então seremos todos mortos de qualquer jeito. Para trás!

Spark fechou os olhos, respirando com calma e tentando não pensar nas dores de seu corpo e na própria exaustão física, assumindo a postura de sua técnica mais poderosa, o Canhão Supernova. Flexionou levemente os joelhos e trouxe ambas as mãos para o lado direito de seu quadril, uma por cima da outra como duas conchas que cobrem uma a outra, onde uma pequenina esfera de luz brilhante surgiu, que brilhava intensamente como o brilho de uma micro galáxia. O jovem Super Saiyajin concentrou-se ainda mais, aumentando simultaneamente o tamanho daquela esfera de energia assim como sua própria aura dourada.

Mestra... obrigado por estar acreditando em mim, mesmo no Outro Mundo... Você também, Tank... Gyules... Simon e mesmo agora você, Lily... obrigado por não terem perdido a fé! Senhor Kibitoshin! Eu acredito que tudo que eu vi inclusive o senhor, são reais! Todos vocês estão confiando em minhas forças! Não irei desapontá-los!

E então, reabriu os olhos, olhando em direção à Schutz e sua esfera de energia, que agora já estava do tamanho de uma pequena lua e faiscava em todas as direções.

- Você acredita mesmo que apenas com esta bolinha brilhante poderá impedir a destruição deste planeta?! – desdenhou o Krüger mais uma vez, ainda com ambos os braços erguidos – Pois então tome isto! Desapareçam deste Universo!

Ele os baixou, ao mesmo tempo que sua aterradora técnica começou a despencar dos céus. Asus e Mahala olharam aterrorizados a enorme esfera púrpura que ia descendo em sua direção, enquanto que Spark apenas a deixava cair. E então, ele ergueu ambos os braços à frente do próprio corpo, um por cima do outro e com ambas as palmas abertas ao mesmo tempo que anunciava o nome de sua técnica:

- Canhão Supernova!

E a onda de energia carregada de poder e brilhante como uma estrela que explode se elevou aos céus, atingindo a esfera de energia de Schutz Stafell em cheio. Começava então um impasse entre as duas técnicas.

Eu me lembro deste golpe... Spark usou ele contra mim durante nossa luta na Arena, três anos atrás... é incrível! Está muito mais poderoso e devastador do que naquela época! Nem mesmo meu Impacto Solar poderia ser superior a esta técnica... tsc, Spark infeliz! Sempre me superando... He, he, he, nunca imaginei que chegaria o dia que eu ficaria feliz com isto! Não desista moleque! Não deixe que este monstro infeliz ganhe esta luta!

Schutz, que antes gargalhava agora havia ficado irritadíssimo com a contramedida de Spark. Sua esfera agora encontrava um obstáculo entre ela e a destruição eminente do planeta: a poderosíssima onda de energia lançada pelo jovem Super Saiyajin, que embora não estivesse no auge de suas condições físicas, mas parecia encontrar forças para resistir. O Krüger então direcionou todo seu ki para a sua própria técnica, a fim de terminar logo não só com aquela batalha, mas também com a vida de seus inimigos e com todo o planeta.

Spark no entanto não estava disposto a perder. Havia chegado muito longe para simplesmente desistir ali. A dor física, a dor da perda de seus amigos, do sacrifício das pessoas que ele mais amou... agora nada aquilo parecia existir mais. Só existia a vontade de vencer, o desejo de fazer valer todo aquele sangue derramado. Ele elevou ainda mais seu ki, disparando a onda destruidora em seu poder máximo. A pressão era tanta que o chão do pátio cedeu como se tivesse recebido uma poderosa pancada. E a esfera púrpura que antes insistia em continuar descendo, deteve-se no meio do caminho. Ambas as técnicas agora estavam completamente equivalentes, num equilíbrio que determinaria o destino do planeta.

- Eu não acredito nisto! Como este maldito macaco pode encontrar forças para resistir?! Eu vencerei esta batalha, eu!! EU NÃO SEREI VENCIDO POR UM VERME PRIMATA COMO VOCÊ!

Com muito esforço, Schutz direcionou ainda mais energia para sua esfera, que milimetricamente voltava a descer contra os Saiyajins. A técnica de Spark ia perdendo terreno aos poucos, mesmo este tendo colocado todo seu espírito naquele golpe. Seu coração estava disparado. Algo deveria ser feito, aquela luta não poderia ter um final tão trágico!

- Eu não vou apenas ficar assistindo! – bradou Asus, liberando as últimas centelhas de energia que havia conseguido recuperar e assumindo uma vez mais a transformação do Super Saiyajin, saltando para o lado de seu rival para unir forças com ele – Big Bang Attack!!

Mahala também fez o mesmo, parando do outro lado de Spark e após colocar ambas as mãos uma sobre a outra e junta-las na altura da testa com as palmas voltadas para frente, concentrou uma grande quantidade de energia, que disparou rumo à técnica de Schutz Stafell.

- Pessoal! – Spark falou, sentindo muito mais alegria que podia expressar ao ver seus dois companheiros de combate ajudando-o também – Fico muito feliz em ver vocês aqui... esta foi uma luta que todos nós lutamos juntos... é hora de finalizarmos ela juntos também!!

Os três elevaram suas energias ao máximo, interrompendo por instantes o avanço da destruidora esfera púrpura. Ela estava novamente num equilíbrio perfeito, sem sair do lugar. Mas então, lentamente começou a descer de novo, para o desespero dos três Saiyajins.

- Mas... Mas que droga! – exclamou Spark – Será possível?! Eu não acredito nisso!

Ele fechou os olhos novamente, numa prece silenciosa. Nunca tivera deuses e não sabia exatamente à quem direcionar o seu pedido. No entanto, ele apenas implorou para que algo acontecesse, de olhos fechados.

Por favor... façam acontecer um milagre!

Spark abriu novamente os olhos e encarou o próprio fim, que vinha na forma de uma esfera do tamanho de um satélite feita de pura energia que iria reduzir todo o mundo à nada, quando sentiu uma mão tocar seu ombro direito. No espaço vazio entre ele e Mahala estava ninguém menos que a própria Lenia, com um sorriso característico de todo Saiyajin quando está em combate em seus lábios e uma auréola dourada acima da cabeça.

- Mestra... como?!

- Não fale, moleque. Se concentre somente em vencer aquele monstro. Você não está sozinho nesta luta.

- Sim! – concordou uma voz masculina ao seu lado, grossa como a de um troglodita pertencente à Tank, que havia surgido entre Spark e Asus – Estivemos com vocês o tempo todo!

- Ah! Tank! Você também veio! – Spark alegrou-se ainda mais, ganhando mais confiança para vencer aquele combate.

Foi então que ele percebeu que um a um estavam surgindo todos os seus amigos e companheiros que haviam sido mortos pelos Krügers. Ele sentiu o ki de Simon, Gyules e também o de Lily. E, finalmente, veio o ki poderoso e característico do Mestre Khan.

- Já está na hora de dar um fim a esta Guerra que tanto fez mal ao meu povo!! – exclamou o velho Kelfo, às costas do Saiyajin num grito encorajador.

Todos eles ergueram suas mãos, disparando poderosas ondas de energia que aderiram ao disparo do Canhão Supernova de Spark, engrandecendo-o e o deixando ainda mais poderoso. E com tantas energias juntas, desta vez foi a esfera de Schutz que começou a perder terreno rapidamente, voltando contra seu criador que assistia incrédulo aquela inexplicável virada dos eventos.

- COMO?! EU NÃO POSSO PERDER AQUI! EU NÃO POSSO SER MORTO POR VOCÊS! NÃO É JUSTO, EU SOU O PODEROSO SCHUTZ STAFELL! EU SOU O LÍDER DA RAÇA SUPERIOR, NÃO POSSO SER VENCIDO POR MEROS SAIYAJINS!

Ele estendeu ambos os braços à frente do próprio corpo à fim de conter aquela energia, sendo atingido por ela enquanto tentava futilmente resistir a toda aquela pressão. Como uma enorme parede púrpura e escaldante ela empurrou seu corpo para trás enquanto o Krüger berrava desesperado tentando contê-la, até não resistir mais e ser engolido por toda aquela quantidade de energia. Em meio à um grito final de desespero, seu corpo foi rapidamente desintegrando até tornar-se menos que pó. A onda de energia ainda se chocou contra a Nave Mãe dos Krügers, empurrando-a bruscamente para fora do planeta enquanto os céus tempestuosos se abriam para a passagem daquela quantidade enorme de poder. E, quer fosse por mera coincidência ou por algum desígnio superior, toda aquela energia acumulada juntamente com a Nave Mãe foram lançadas em direção ao Sol da galáxia onde se situava Omega-003, onde lá se desfizeram.

Havia acabado. A maior batalha da vida daqueles três guerreiros havia chegado ao fim, e mesmo sem ainda acreditar no que havia acontecido, eles haviam sido os vitoriosos. O destino havia coroado os Saiyajins como vencedores.

Spark finalmente baixou os próprios braços, que agora pareciam pesar toneladas e apenas olhou para o céu, cuja tempestade agora havia cedido lugar a um bonito fim de tarde. O sol quente acertou sua face e ele respirou fundo, se permitindo sorrir outra vez. Durante os momentos de tensão daquela batalha ele havia pensado que nunca mais poderia fazer isto, e por vezes pensou que com certeza morreria em meio àquela luta. Mas agora, havia finalmente provado que os sacrifícios da Grande Guerra não foram em vão.

- Nós... conseguimos.... Pessoal, nós vencemos! – ele disse alegremente, virando-se para trás à fim de cumprimentar a todos os que o ajudaram durante o duelo final que definiu o fim do combate, mas para seu desapontamento só estavam presentes Asus e Mahala.

- Sim... Schutz Stafell foi derrotado e a ameaça dos Krügers agora já não passa mais de lenda. – respondeu Asus, visivelmente esgotado.

Spark olhou outra vez em direção ao céu, agradecendo mentalmente a ajuda que havia recebido de todos os seus amigos que agora se encontravam no Outro Mundo. Não sabia ao certo se os demais haviam visto ou sentido algo, mas ele tinha certeza absoluta de que Lenia e os outros haviam ajudado no momento crucial da luta. E estava muito grato por isso.

Obrigado pessoal... não poderíamos ter ganhado sem vocês... vocês são os verdadeiros heróis que salvaram este planeta e deram suas vidas por ele. Muito obrigado...

O jovem guerreiro então finalmente relaxou o próprio corpo, voltando à sua forma normal. No entanto, no momento em que seus cabelos voltaram a ser negros, seu corpo não aguentou de exaustão e caiu, com a barriga voltada para o solo. O último esforço havia sido tanto que agora seu corpo estava sem energia alguma, e o Spark agora jazia prostrado no chão, inconsciente.

- Spark foi quem mais se feriu nesta luta – disse Asus, se aproximando do corpo do rival e carregando-o com um certo esforço, apoiando-o em seu ombro – Precisamos voltar logo para a Fortaleza ou ele não sobreviverá.

- Você tem razão – concordou Mahala, se aproximando também – Mas nós estamos a centenas de milhares de quilômetros da Fortaleza e já não temos mais forças sequer para voar... O que nós vamos fazer?

Asus olhou ao redor, querendo encontrar algo útil para dizer mas não havia nada que lhe viesse à mente. Não achava que houvesse nenhuma nave ou meio de locomoção rápida naquele Palácio arruinado, e a cidade de Himmel agora já não existia mais.

- O que está sugerindo? Que fiquemos por aqui até ele morrer? – Asus retrucou, ríspido como de costume mas com o diferencial de estar parecendo um pouco preocupado.

- Não é isso que eu quero dizer... mas eu realmente não consigo pensar em nada também que possa nos ajudar. Não vai ser justo se ele simplesmente morra depois de tudo que passamos...

Os dois permaneceram sem saber que atitude tomar, quando uma voz rouca falou em direção a ambos, vindo do umbral que separava o pátio da parte interior do palácio.

- Deixem que eu cuido disso.

Asus imediatamente ergueu a mão que estava livre em direção à pessoa que estava vindo, mas Mahala imediatamente baixou seu braço. Era um homem, um velho Kelfo de barba grisalha e aparência carrancuda e a julgar pelas vestes que estava usando, deveria ser alguém importante.

- Quem diabos é você?! – rosnou Asus rispidamente – Por acaso você é um Kelfo?! Pensei que estivessem todos mortos!

- Eu sou o Chanceler Wulfric, guerreiro Saiyajin, e muito possivelmente o último ser de minhas espécie vivo neste planeta. Eu... bem, eu me escondi durante o ataque ao Palácio, como um covarde. Que ironia... eu sempre detestei vocês Saiyajins, fiz tudo que estava ao meu alcance para que Spark fosse mandado embora daqui a três anos atrás e desejava do fundo do meu coração poder expulsá-lo daqui e apagar sua memória para que nunca mais encontrasse o caminho de volta para Himmel e agora... enquanto eu, um membro do alto escalão do Governo me escondo diante do perigo, justamente vocês Saiyajins salvam o nosso planeta. É algo para me envergonhar para o resto da vida.

- Nós não temos tempo para ouvir suas confissões, velho! Como vai ser, você vai curar o Spark ou ficar aí parado nos contando suas lamúrias?

Wulfric aproximou-se um pouco mais, ignorando os insultos de Asus. Embora reconhecesse que eles eram desnecessários, mas estava disposto a ouvir todos os insultos vindos de Saiyajins sem sequer questionar. Estava envergonhado demais de sua postura contra eles para poder sequer rebater algo.

- Infelizmente, eu não sou um Sacerdote. Não fui treinado nas artes de cura, por isso não posso fazer nada para sarar as feridas de Spark.

- Como é que é?! Você por acaso está a fim de brincadeiras, velho?! Então porque diabos você disse que iria cuidar da situação?

- Porque eu possuo a habilidade da Transmissão Instantânea de corpos. Em outras palavras, eu posso teletransporta-los de volta para o lar de vocês, o que pouparia uma longa viagem e poderia salvar a vida de Spark.

Mahala sorriu, entrando na conversa assim que Asus já se preparava para xingar o homem novamente.

- Você faria mesmo isso por nós?

- Sim... vocês três salvaram o planeta da destruição. Este é o mínimo que eu posso fazer.

- Então, gostaria de lhe pedir um favor – disse Mahala, tornando a assumir feições mais sérias – Antes de nos teletransportar, gostaria de te pedir para que dê um enterro digno à Sacerdotisa Lily. Spark a amou de verdade e eu tenho certeza que se ele tivesse forças, neste exato momento ele estaria cavando seu túmulo com as próprias mãos. Faça isso por ele, sim?

- Com certeza, guerreira Saiyajin – respondeu Wulfric, desviando o olhar para o corpo de Lily – Ela foi filha de um homem muito importante dentro de nossa sociedade. Agora eu o compreendo melhor. Farei isso e rezarei por sua alma em nome de Spark.

- Ficamos gratos com isto – disse Mahala, finalizando o diálogo, estendendo a mão ao velho Kelfo, que embora um pouco hesitante, a apertou. Naquele momento, Wulfric deu um pequeno passo em sua jornada para se redimir de seu preconceito, reconhecendo-a como um semelhante.

- Apenas relaxem – disse o Chanceler, estendendo ambos os braços em direção aos dois – Isto vai durar apenas um instante...

Uma suave energia envolveu o trio Saiyajin, e sem que eles percebessem exatamente quando, eles desapareceram no ar instantaneamente, ressurgindo num piscar de olhos n’outra parte do mundo, nas proximidades da Fortaleza.

Asus sorriu, ao reconhecer as instalações onde vivera durante toda a sua vida.

- Como é bom estar de volta em casa! – ele disse, com satisfação.

- Eu pensei que você não fosse mais um de nós – retrucou Mahala, em meio a um sorriso com uma pitada de desdém, algo típico dos Saiyajins – Pensei que não tivesse mais laços com este lugar, e que também não precisasse lutar por nós, se não quisesse.

- Heh, como você é tola... – ele respondeu com o mesmo sorriso no rosto, enquanto caminhava em direção à Fortaleza – Esta batalha me ensinou algumas coisas. Não espere que eu me torne sentimental como o Spark, mas ela me ensinou sobre qual lugar eu pertenço, assim como me deu excelentes razões para lutar daqui para frente. Nesta Guerra eu descobri que nós amadurecemos não só as nossas forças nos combates, como também nossas mentes e espíritos.

- Você está me surpreendendo cada vez mais... nunca pensei que fosse te ouvir dizendo estas coisas, muito menos que eu fosse ver você se importando com Spark como foi no Palácio. Agora mesmo, você faz questão de carrega-lo, embora esteja com o corpo muito mais ferido do que o meu. E você não é do tipo cavalheiro, não iria carregar um peso à mais estando todo machucado só pra me poupar de esforços...

- Não confunda as coisas. Eu acabei de dizer, não serei nunca um bonzinho sentimental como Spark. Ao contrário de você e ele, eu sou fiél às minhas raízes e ao meu orgulho de Saiyajin. Apenas não posso permitir que meu maior rival morra diante dos meus olhos, sem que eu possa ter tido minha revanche com ele primeiro. Spark e eu ainda temos contas a acertar e o faremos na Arena, como há três anos atrás. Mas antes, eu vou treinar duro para poder preencher esta lacuna entre nossos poderes...

- Asus... eu queria te perguntar uma coisa antes de chegarmos... naquele momento, quando estávamos tentando repelir o golpe de Schutz Stafell de volta para ele... você os viu, não viu?

- Do que está falando, Mahala? Viu quem? – Asus ergueu uma de suas sobrancelhas, com um ar de curiosidade estampado em suas feições.

- Ah, nada não. Deixe isso para lá.

Mahala pareceu desapontada, voltando seu olhar para os portões da Fortaleza, onde Dirk, Dieter e Asus o aguardavam ansiosos, juntamente com o governador Dio. Eles vibraram de emoção ao ver os três Saiyajins voltando, mesmo eles estando em péssimas condições e Asus estar carregando em seu ombro um Spark aparentemente inconsciente. O orgulhoso guerreiro sorriu para os componentes de sua antiga gangue e acenou positivamente com a cabeça para o Governador Dio, num gesto que dispensou palavras mas disse tudo que o velho Saiyajin queria ouvir: Os Krügers estão finalmente derrotados.

Logo ele passou o corpo de Spark aos cuidados dos três companheiros de gangue, enquanto Mahala reportava um resumo do ocorrido ao velho Governador Saiyajin. E então, o guerreiro observou o pôr do sol enquanto refletia sobre o que havia acontecido nos momentos finais da batalha contra Schutz Stafell.

Sim. Eu os vi. E também senti suas presenças. O Instrutor Tank, Lenia, Gyules e os demais Kelfos. Eles estiveram lá e nos ajudaram naquele momento. Tenho certeza que Spark sentiu também. Acho que agora eu devo ficar grato aos mortos por terem nos dado uma mão... e tratar de recuperar logo as minhas feridas para poder voltar a treinar! Preciso elevar ao máximo os poderes do Super Saiyajin e assim vencer Spark numa luta justa e limpa! Me aguarde, Spark, em breve terei a minha tão esperada revanche contra você!

* * *

Muitos anos luz de distância de Omega-003, o Supremo Senhor Kaioh sorria satisfeito, observando o final da Grande Guerra no seu planeta, pela bola de cristal em companhia de seu ancestral de Quinze Gerações anteriores. Estava certo de que havia escolhido o melhor guerreiro para defender seu mundo. Ele aproximou-se do Kaioh mais velho, que encontrava-se sentado com ambos os braços cruzados e parecia pensativo.

- E então Rou Dai Kaioshin, o que achou de Spark? – ele perguntou ao acião, sorridente.

- É... num é que o moleque é mesmo bom de briga? – respondeu o antigo Kaioshin, com uma expressão meio tediosa em seu rosto enrugado — Ele já provou que tem fibra, agora vamos deixar que o futuro mostre pra gente como ele vai se desenvolver daqui pra frente... Mas eu ainda acho que ele né nenhum Goku não. Falta muito nesse garoto pra que ele se torne tão poderoso quanto os Saiyajins da Terra. A única coisa que ele tem mais do que o Goku é miolo, já que aquele lá, coitado, parece que nasceu sem nada no juízo...

- Heh, você está certo... o Spark ainda tem um longo caminho a percorrer até que ele se torne tão poderoso quanto Goku ou Vegeta... mas acho que ele está num bom caminho. Só espero que ele se recupere logo. Tenho mais um trabalho para ele em mente...

- Mais um trabalho é? Ai, ai, ai... Mas deixa o menino descansar primeiro, ele ralou feito um cão nessa luta e merece pelo menos uns dias de soneca.

Kibitoshin não disse nada. Apenas sorriu, colocando uma das mãos no queixo e contemplando os diversos planetas e satélites nos céus do Planeta Supremo.

Sim... para alguém que venceu o líder Krüger, esta missão será como um passeio no parque! Recupere-se logo, Spark!

Notas finais
Eis o último capítulo, mas... espere! Ainda não acabou! Ainda tem mais história!
Ainda sobraram os dois epílogos que fecham a saga! Ao final deles é que virão os meus últimos comentários! Não perca tempo e continue a ler! :D