A Good Day For Love To Die
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Depois de acordar fui direto pra casa, precisava de um banho, uma roupa limpa e principalmente: FALAR COM O MAX!
Não conseguia mais esperar pra saber a explicação dele por ter furado no ensaio, não foi mancada só comigo, foi mancada com todos os amigos dele.
Chego no prédio e vou direto para o elevador, o porteiro já me conhece e autoriza a entrada. Paro em frente a porta e penso se devo tocar a campainha, ou abrir com a minha chave. Fico com a primeira opção.
Max abre a porta e me encara, pede pra eu entrar. Tenta me dar um beijo mas eu recuo. Vou logo despejando tudo que ta engasgado:
-Me explica, o que aconteceu ontem. Por que você fez aquilo? Deixou a gente plantado lá na casa do Taylor, sem poder ensaiar porque a gente acreditava que você ia aparecer. Por que você não me atendeu? Não viu o SMS do Taylor? – jogo tudo em cima dele, atropelando as frases, sentindo um nó subindo pela garganta.
-Eu não atendi porque eu tava passando mal, passei a noite no pronto-socorro. – ele diz sem me olhar nos olhos.
-Jura Max? E quem tava lá com você, o Papai-Noel ou o Coelhinho da Páscoa?-digo exagerando no sarcasmo- Na boa, você acha mesmo que eu vou acreditar nessa história? Você ta cheirando a bebida. Vem cá. – digo já alterando o tom de voz.
-O que você quer? – ele me pergunta, já se alterando também. Esse é o nosso maior defeito, a gente perde a linha muito fácil, e hoje eu tava afim de descer do salto.
-Quero ver se você ta com perfume de mulher –falo puxando ele pelo braço, procurando marca de batom na camisa e sentindo um forte odor de álcool.
-Não pira Camilla, eu tava no hospital.
-Tava no hospital o caramba. A não ser que tenham inaugurado uma boate que se chama hospital, porque né... Me explica logo essa história que é melhor.
-Tá, você venceu. Eu não fui pro ensaio porque não tava afim, não te atendi porque eu não quis mesmo, queria curtir, viver minha vida.
Nesse momento já sinto as lágrimas vindo nos olhos.
-Se você quer assim... –digo indo em direção a porta
Ele me puxa pela cintura. E eu me afasto
-Não toca em mim Max. Você quer viver, vai lá, esse namoro já tava por um fio mesmo – digo sentindo as lágrimas escorrendo pelo rosto.
-Calma, eu não quero deixar você, não é isso. Só precisava sair um pouco.
-E você acha que esse é o melhor jeito? Me deixar preocupada, deixar seus amigos preocupados, deixando suas responsabilidades de lado, QUE DROGA, EU MUDEI POR VOCÊ, por que você não pode mudar por mim? Quando a gente começou a namorar você não gostava que eu fosse pra festas, e o que eu fiz? Eu parei, deixei de lado, pra ter você comigo, abri mão das festas, da curtição, mas você não está disposto a fazer isso por mim não é?
-Prometo que essa foi a primeira e última vez, nunca mais falto num ensaio, nem minto pra você. Vem cá, me dá um beijo – ele diz tentando me abraçar de novo.
-NÃO! VOU PRECISAR DE UM BOM TEMPO PRA ESQUECER DESSA ... – não termino a frase, Max me interrompe com um beijo.
-Para ta, me explica uma coisa –digo me afastando de novo- Você ficou com alguém nessa tal festa?
-Eu não te trocaria por ninguém nesse mundo. Sério mô, me perdoa, não vai acontecer mais. – ele diz com um olhar de derreter o coração
-Eu desculpo ta, mas você também vai ter que se desculpar com seus amigos também. E que não tenha uma próxima vez. –respondo ainda um pouco alterada.
-Ahan- ele diz me puxando pro sofá.
***
Passei a tarde toda no apartamento do Max, ficamos assistindo filme e comendo pipoca por um bom tempo... mas isso depois que eu o obriguei a tomar um banho gelado e beber um café amargo pra curar a ressaca causada pela grande quantidade de vodka.
-Mô? – ele chamou. Droga, tava quase pegando no sono.
-Oi? – perguntei ainda sonolenta
-Vamos na casa da galera pedir desculpas por ontem anoite?
-Eu mesmo não, tenho que ir pra casa, tenho aula de violão amanhã ou seja, preciso acordar cedo. Sinto muito, mas quem deu mancada foi você, então, vá se desculpar sozinho com eles, quem sabe assim não aprende a cumprir com as responsabilidades.
-Nossa! Você ainda ta com raiva dessa história?
Sério mesmo que ele achou que eu ia esquecer assim num piscar de olhos? Tenho certeza que se fosse ele no meu lugar, passaria semanas sem olhar na minha cara. A gente se conhece tipo, desde sempre, e tem horas que ele dá uns foras que pelo amor de Deus viu...
-Você não meu lugar também ficaria, então não me culpe. Agora eu vou indo ta, e não demora muito pra pedir desculpas pro povo, chamaram a gente pra fazer uma apresentação num barzinho semana que vem e eu não quero que fique esse clima chato. –digo me levantando do sofá e arrumando o cabelo.
-Não vai não, dorme aqui hoje. – ele pediu. Sei muito bem qual era a definição do dormir dele.
-Ainda não ta ... – digo esperando que ele entenda. – vou trancar a porta, e vê se descansa um pouco, amanhã a gente tem que ensaiar e acho bom que você esteja lá.
***
-Não! Sério que ele tentou dizer que tava no hospital? – Gabriela me pergunta com cara de espantada enquanto caminhamos em direção ao ponto de ônibus.
-Por que eu mentiria? Sério, ele ta me saindo um dos maiores caras de pau que já pisou nesse planeta, e essa foi a máxima. –digo voltando a sentir a raiva pulsando
-Mas você não terminou com ele não né?
-Dessa vez não. Não posso julgar assim logo de cara, logo eu, que passava noites fora de casa. –digo lembrando das festas que freqüentava antes de namorar com o Max- Espero que não tenha outra vez né.
-Relaxa, fica se estressando com isso não. Pensa que daqui a meia hora estaremos numa sala lotada de gatinhos — ela diz com um sorriso bobo no rosto
-Você nem ta afim de ver o tal do Ricardo né? – falo lembrando do menino que disse que seria futuro namorado dela.
-Só um pouquinho né... mas eu namoro com o Harry... seria muita mancada
-Seria mesmo.- e nesse momento o ônibus para no ponto
-Cara que bosta ter que carregar esse violão, podia ter um armário pra deixar guardado lá- digo me matando pra entrar no ônibus com o violão e a bolsa
-Para de reclamar menina chata
-Olha quem quer falar sobre chatice – digo dando um tapa nela.
...
-Entrem logo, temos muita coisa pra fazer hoje – diz o professor quando chegamos na porta da sala. Legal, chegamos atrasadas.
-Vish, alguém vai ficar triste... – digo passando o olho pela sala e vendo que ta faltando alguém na turma
-Quem? – Gabriela me pergunta
-Você, o Ricardo não veio hoje.
-Sua besta. –ela responde revirando os olhos.
-Por favor, peguem o violão, hoje vocês vão aprender uma música muito emocionante – cara, será que aquele professor sabia que tinha uma voz tão sexy?
-E qual é professor?- perguntou um menino alto e loiro, se não estava enganada o nome dele era Niall.
-Atirei o pau no gato – ele disse sem conter o riso.
-Quanta emoção – falou um garoto que se chamava Jay.
Tiramos as apostilas com as notas e todas essas coisas das bolsas e mochilas, quando fomos interrompido pela maldita da secretária com cara de bruxa/antipática. Ela vem segurando um buquê de flores, ninguém entendeu direito, até o momento em que ela pede licença ao professor e pergunta:
-Quem é a Gabriela?
Olho pra cara da praga do meu lado e vejo que ela ta ainda mais branca que o normal. A mulher lhe entrega as flores e ela pergunta quem mandou.
-Procura o cartão – eu disse enquanto via a vaca da secretária saindo da sala.
-Deve ter sido o Harry né ...
Continua ...
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