Notas iniciais
Obrigada por abrir essa página!
Peço que mesmo se não goste, me indique onde posso melhorar.

Eram 5:48pm, Matthew estava atrasado, nada que preocupasse Sam, mas sério, eles se viam apenas duas vezes por ano, não custava nada ser um pouco mais pontual.

Matthew era o melhor, e único, amigo de Sam, que ela conheceu durante uma missão em Orlando, onde coube-a salvar sua vida, e assim revelar sua real identidade. Eles teriam seguido por caminhos diferentes se o diretor da SSA não achasse que Matt possuía potencial para um espião temporário, o que garantiu a vitória deles em umas três missões antes de ele desistir.

Enquanto esperava o amigo, Sam sentou-se no sofá de sua casa temporária, mais uma daquelas que a agência lhe ofereceu para passar as curtas férias, e ligou a não tão imensa televisão para assistir alguns noticiários, já que, felizmente, os agentes de férias eram isentos à saber das más notícias de primeira mão como de costume.

"Mais um adolescente desaparecido"

A mensagem estava estampada no canto inferior da tela em letras garrafais pretas, juntamente com o número de desaparecidos no total.

“397”

Mal entrar de férias e já ter que se lembrar do pior caso enfrentado pela agência não é nada fácil. Sam não fazia parte dos agentes envolvidos, mas, como todo o mundo, sabia do que se tratava o anúncio.

Há um ano e um mês jovens começaram a desaparecer do mundo, não, não entenda isso como se de repente todos os adolescentes do mundo fossem abduzidos, o lance é bem mais complexo. O "sequestro" de Richard Owen foi primeiro de muitos que estavam por vir, todo dia desde 06/20/64 um jovem do sexo masculino desaparecia, sem deixar nenhum rastro de seu paradeiro. Inicialmente ninguém se mobilizou a respeito, todos acharam que uma hora os sequestradores iriam informar quanto queriam pelo resgate ou coisa do tipo, mas depois de dois meses sem nenhuma informação as pessoas começaram a se preocupar. Mães e pais prenderam os filhos em casa, mesmo sabendo que boa parte dos adolescentes foram raptados enquanto dormiam, e organizavam protestos contra seja lá o que estivesse acontecendo. A mídia fazia o máximo para lucrar com a situação, criando diversas hipóteses e as expondo com reais; isso até o governo proibi-las de continuar esse teatro e limita-las a dizer o nome dos desaparecidos e fazer entrevistas com populares que tinham uma suposta informação sobre o ocorrido. E o governo, bem, o governo tentou de tudo, até mesmo contatar a melhor agência de espiões do mundo, A SSA, que amargamente, não conseguiu nenhuma informação sobre o que poderia estar acontecendo.

Fora o sexo e a faixa etária, os jovens tinham em comum outro elemento: o elevado QI; o que expandiu as possibilidades de destino dos garotos e fez a agência “abandonar” essa missão para investirem em outras “mais importantes”.

Sam voltou sua atenção a jornalista, que após relembrar aos telespectadores que novamente não possuíam nenhuma informação sobre o paradeiro do garoto, lembrou-se de que ainda não havia dito seu nome e acompanhado por uma foto no canto superior da tela, o nome do garoto surgiu em letras garrafais.

O coração de Sam deu uma falha batida quando seus olhos percorreram a tela e leram:

"Matthew Connell, 17 anos, Orlando"

Enquanto a repórter falava, Sam encarava fixamente a imagem do seu amigo exibida na tela a mesma que ficou no seu crachá temporário e aparecia toda vez que se identificava pela digital. Talvez, por um descuido, eles teriam errado, não havia como Matt, com o qual ela havia falado a três horas atrás, ter sido uma das vítimas. Mas, infelizmente, a senhora Connell estava em frente à câmera, completamente desolada, falando sobre seu filho, contando sobre o momento de seu desaparecimento.

— Estávamos conversando no sofá vinte minutos antes de eu ir lembra-lo de um compromisso e perceber que ele não estava em seu quarto, não estava em lugar algum. — Choramingou a mãe de Matthew, antes de continuar a falar um pouco sobre a personalidade de seu filho.

A cada palavra que aquela mulher articulava a dor de Sam aumentava, era como se ela estivesse se afogando (ela sabia muito bem como era isso), era angustiante, lhe frustrava e, acima de tudo, amedrontava-lhe, sentimento que ela nunca esperara ter. Perder a única pessoa que um dia se importou com ela, que fez-lhe sentir como uma pessoa normal, a qual sempre considerou como um irmão, a fez se sentir terrível, até lembrar que, talvez, ela ainda não o tivesse perdido. Então, com um único pensamento em mente, não importou-se em deixar a televisão ligada, muito menos a porta aberta, quando entrou no carro e, pela quase deserta estrada, seguiu em direção a um lugar que só pretendia ir em dois meses: A sede da SSA.