A Girl And Her Dog

1 Sozinha na praia, não mais


Estou sentada na varanda na casa de praia alugada. Todos da casa estão dormindo e não quero acordar os meninos na sala nem minha prima no quarto. Coloco os fones e começo a ouvir músicas, olhando o mundo fora.

Observo um cachorro mancando de um lado para o outro, provavelmente não saiba para onde tinha que ir para achar alguém que preocupe com ele...

Continuo o observando, ele se deita no tapete do prédio da frente, mas logo em seguida passa um casal e o cachorro de levanta e começa a segui-los, mas eles nem olham para o pobre animal que estava se esforçando para segui-los.

Ele desiste e volta para o tapete, afinal, está chovendo. O que será que aconteceu com o cachorro para ele estar numa praia e sozinho? Afinal, vi algum tempo atrás mais dois cachorros, só que estavam andando juntos. Será que ele não queria ficar com eles ou será que eles que não o queriam por perto? Será que ele não conseguia se ajustar de acordo com aquela dupla de cães?

Quando olho novamente para o animal ele está tremendo. Acho que ele possa ser igual a mim, um pouco diferente. Não acha um grupo para se encaixar, por mais que se esforce...

Coloco um roupão e calço os chinelos, não posso deixá-lo sozinho no frio e na chuva. Desço as escadas e vou para a rua, nesse horário ninguém passaria, afinal, são três da manha. Logo sinto a chuva tocar minha pele, e vejo o cachorro no tapete, lutando contra o frio.

— Boa noite, amiguinho... — Chego perto dele e passo a mão em sua cabeça. — O que está fazendo aí?

Sua cabeça está um pouco levantada para receber carinho, vejo melhor e ele se parece com um Cocker com vira-lata. Provavelmente era de um criadouro e um vira-lata entrou no terreno de seu dono e cruzou com a fêmea, e como para uma pessoa que vive vendendo cachorros de raça pura, um mestiço não serviria para nada em seus negócios.

— Vem... — Pego ele no colo e começo a andar em direção ao apartamento. — Eu vou cuidar de você, Darling... — Ele parecia um pouco mais a vontade nos meus braços, acho que ele achou alguém parecido com ele...

Chego ao apartamento toda encharcada, e pego logo uma toalha e um pano, para enxugar o Darling e me secar. Ouço algo e olho para o lado, está minha tia parada com cara de zumbi no meu lado.

— Acordada a essa hora, Esther? — Ela olha para o bicho peludo nos meus braços. — O que é isso?

— Ah... tia, esse é o Darling. Ele vai ser meu agora.

— Mas você não está na sua casa... Esther, coloque-o de novo lá fora. — Ordenou e se virou em seguida.

— Eu não vou jogá-lo num mundo como esse! Ele vai morrer. — Aumento um pouco o tom da minha voz.

— Mas ele é só um cachorro...

— Não é só um cachorro. Ele agora é meu amigo, faz parte da minha família! — O Darling parece não entender muito, mas seu olhar demonstra tristeza. — Não vou ser como o antigo dono ou dona dele!

— Abaixe mais o tom da sua voz! Tem gente dormindo.

— Tudo bem... mas vou ficar com ele, queira você gostar da idéia ou não. — Me viro e vou para o meu quarto. Coloco a toalha em cima de um travesseiro velho e minha prima acorda com o barulho.

— Esther... o que você está fazendo? — Ela olha para o cachorro que vai até ela. — Que coisa fofa! É seu?

— É o Darling, Becca... — Me sento na cama.

— Own... ele é lindo. Já falou com a minha mãe?

— Já. — Dou um sorriso. — E ela aceitou ele aqui. — Passo a mão na cabeça dele. — Afinal... ele não está mais sozinho. — Começo a falar cochichando para mim mesma. — Assim como eu...

Dou um sorriso sincero e volto a dormir. Ele não latiu nenhuma vez durante a noite, devia ser por agradecimento ou por sono, mas nunca vou saber de sua vida ou de seus pensamentos, apesar de falar com ele tudo o que sinto e penso sem saber também se ele entende. Mas de uma coisa eu sei, ele está muito mais feliz.

Notas finais
Obrigada por lerem essa fic construida em uma noite... por isso tá ruim.
Qualquer review serve.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!