A Gentileza da Eternidade
1 Único
Notas iniciais
Estou tentando técnicas diferentes, mas ainda não consegui mudar o tema dos meus contos. Reviews com sugestões e críticas são sempre bem-vindos.
Enquanto todos esperavam ansiosos e temerosos, muita coisa acontecia dentro daquela sala. Palavras de consolo eram trocadas por entre os parentes, em vão.
Não sei se o mais difícil é esperar uma resposta do médico, que define quem vive ou quem morre dentro da sala de cirurgia, ou se é estar dentro da sala, preso nesse mundo por um fio mais fino que a vida, quando os suaves batimentos cardíacos podem se encerrar a qualquer momento.Talvez o mais difícil seja saber o resultado antes mesmo do jogo começar. Afinal, todos morrem um dia. E neste dia, a morte estava reservada para aquele garoto.Ela veio visitá-lo com seu mais belo vestido de cetim, negro como a solidão que ela enfrentava em roubar as vidas do mundo, e brilhante como os sonhos que ela arrancava, à facadas, dos corações feridos de suas vítimas.Alguma vez você já se perguntou como é a morte?Em seu rosto, estão refletidos os traços de todos que já a acompanharam. Em seu corpo, todos os sete pecados absolvidos pelo além. E em sua mente, apenas o frio pensamento de seu trabalho a ser cumprido. Muitos podem pensar que ela é má, sem sentimentos e de coração gélido. Mas ela apenas tenta fazer seu trabalho. Se você tivesse o trabalho dela, com certeza também tentaria realizá-lo sem sentir nada.É a difícil arte de matar.Ela entrou na sala de cirurgia, e os médicos e enfermeiras sentiram sua presença com um forte calafrio na espinha. Todos já conheciam essa sensação. A morte abriu caminho por entre eles, e chegou ao lado do garoto. Enquanto isso, era possível perceber uma alteração no eletrocardiograma; o barulho agudo e irritante se tornava cada vez mais frequente. Os médicos já começavam a batalha, tentando impedir a morte de fazer seu serviço. Mas ela é forte. Ela sempre ganha no final.Seus dedos finos e sombriamente encantadores tocaram a mão do menino. Lentamente, ele ia relaxando. Não se pode dizer que ele não lutou — ele batalhou por bravos 10 meses. Os mais difíceis de sua vida. Estava na idade que deveria ser a melhor de todas, mas o câncer roubou sua juventude. Porém, estava na hora do sofrimento cessar. E ele entregou-se aos braços da velha dama, mais antiga que a humanidade e tanto quanto a vida. Esta, já acostumada com a situação, carregou-lhe como se fosse a única coisa que importasse no mundo. O garoto não teve mais medo. Na verdade, nunca se sentira tão bem. E juntos eles foram, para o lugar que ninguém sabe onde fica.Bom, na verdade, eu sei.Afinal, eu sou o garoto. E por isso, lhe digo:Não tema a morte. Ela faz valer a vida.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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