A Gente Pode Também
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A Gente Pode Também
Por Sibila Tsudi
Santuário de Athena há uns 14 anos atrás, perto de um dos muitos jardins que o rodeavam. Saga e Kanon vinham andando por um dos caminhos, envolvidos numa acirrada discussão.
- Eu não acredito que você fez uma coisa dessas! — Dizia Saga irritado com seu irmão que seguia ao seu lado. — Parece criança!
- Ah! Vai dizer que não foi divertido o pulo que o Mestre Shion deu! — Retrucou Kanon rindo.
- Divertido? Uma grande maldade! Colocar tachinhas no trono dele! Será que eu vou ter que ficar de olho em você para o resto da vida?
Kanon ria mais ainda.
- Ele é um velhinho! — Continuava Saga brigando com o irmão. — Você não devia ter feito isso!
- É. Um velho. — Disse Kanon entre os risos. — Já devia ter se aposentado!
Saga olhou para cima, buscando paciência para aturar as sandices do irmão. — Lá vem você com essa conversa de novo!
- Mas é a verdade! Ele devia se aposentar e dar lugar para alguém mais jovem! — Kanon olhou para o irmão. — Alguém como você!
- Aaaahhhh!...De onde você tirou essa idéia!? — Retrucou Saga irritando-se mais. — Eu não quero ser o mestre do Santuário! — Completou, mas sem muita convicção, como se houvesse uma vozinha em sua cabeça que dizia exatamente o contrário e essa sensação vinha se intensificando nos últimos dias.
- Não quer, é? Sei...mas não vamos falar sobre isso agora. — Ficou pensativo por um tempo. — Já que você não gosta das minhas brincadeiras, que tal irmos jogar War?
Saga olhou de lado para Kanon. — Hm...Jogar com você não tem muita graça. Você não considera as missões e só quer saber de conquistar o mundo todo!
- Deixa de ser chato, Saga! Vamos jogar, vamos! — Insistiu Kanon que gostava muito de derrotar o irmão neste jogo.
- Só se for mais tarde. Eu prometi ao Aioros que iria ajudá-lo a cuidar dos pequenos que estão visitando o Santuário.
- Aioros, Aioros! Você só sabe ficar grudado nesse aí!
- Oras, porque não vem junto comigo e depois vamos nós três jogar War?
- Eu, heim? Ficar de babá para um bando de pivetes? Nem pensar! — Refutou Kanon afastando-se do irmão. — Vai lá você ajudar o seu amiguinho!
- Aonde você vai? — Perguntou Saga preocupado.
- Ahn...vou dar umas voltas por aí. — Disse Kanon ao longe.
- Olha lá o que vai fazer... — Retrucou Saga vendo o irmão se afastar.
Kanon acenou sem se virar e desapareceu por um dos caminhos.
Com um suspiro resignado, Saga seguiu para o jardim fechado onde estavam as crianças e chegando lá encontrou Aioros envolto em falar com os pequenos Aldebaran e Máscara do Morte.
- Ele pegou a minha lagartixa e cortou a cabeça dela! — Protestava Aldebaran que parecia prestes a pular em cima do outro.
- Eu estava precisando de mais uma cabeça! — Defendeu-se Máscara da Morte indiferente a indignação de Aldebaran.
- Mas não precisava pegar a dele, não é? — Ralhou Aioros segurando Aldebaran para que não rolasse no chão com Máscara da Morte. — E porque você queria mais uma?
- Para terminar esse quadro. — Máscara da Morte mostrou um pedaço de cortiça onde estavam pregadas com alfinetes umas dez cabecinhas de lagartixa.
Aioros olhou espantado para a r16;obra de arter17; do menino. — Bem, então agora você vai pegar outra lagartixa e dar para o Aldebaran, certo? E viva! — Disse e colocou os dois para andar.
Saga que já havia se aproximado o suficiente, fez uma cara de asco quando viu o quadro do menino. — Que coisa medonha. — Murmurou para si mesmo.
- Ah...ainda bem que você chegou... — Disse Aioros olhando para Saga com um ar de satisfação. — Esses moleques estão impossíveis hoje.
Saga sorriu para Aioros que retribuiu o sorriso e ficaram se olhando por breves instantes.
- AAAAAAAiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!!!! Sooooocoooorrrooooooo!!! — Afrodite veio correndo em direção aos dois mais velhos, sendo seguido por Shura que ria a mais não poder do escândalo do outro e com o corpo de uma lagartixa na mão.
Afrodite rodeou Saga rapidamente, agarrando-o pela cintura e escondendo-se atrás dele. — Aii! Mande ele parar!
Shura parou de chofre em frente à Saga, escondendo a mão onde estava a lagartixa e dando-lhe um olhar entre divertido e apreensivo.
- Posso saber o que está acontecendo aqui? — Perguntou Saga olhando bem para Shura.
- Ele quer colocar essa coisa dentro das minhas roupas!! — Disse Afrodite apertando mais os braços ao redor de Saga e escondendo o rosto em suas costas. — Que nojo!!!
Aioros reprimiu uma risada, olhando para o outro lado enquanto Saga tentava manter a seriedade. — Quer parar que chatear o Afrodite, Shura? — Censurou inclinando-se um pouco e encarando o garoto.
- Ah, mas ele é que foi lá encher eu e o Máscara, dizendo, r16;que nojo..que nojor17; para o que a gente tava fazendo! — Disse Shura imitando os trejeitos de Afrodite. — Agora ele vai ver o nojo.. — Deu um sorriso safado e sacudiu o pedaço de lagartixa para o outro menino que se escondia mais ainda atrás de Saga.
- Não vai ver nada. — Retrucou Saga e tirou o bichinho da mão de Shura, atirando-o longe. — Vamos tratar de ir fazer outra coisa e deixar o Afrodite em paz. — Virou o rosto para o futuro cavaleiro de Peixes. — E você nada de ir incomodar a brincadeira dos outros, ta?
Afrodite fez que sim com a cabeça e olhou zangado para Shura que lhe mostrou a língua e saiu, indo para onde Máscara estava junto com Aldebaran e Aioria, caçando lagartixas e outros bichinhos.
Saga olhou para Aioros que o olhou também como se dissessem um para o outro, r16;É hoje..r17; e depois voltou a cabeça para Afrodite que ainda continuava agarrado às suas costas. — Hã...pode me largar agora, que o Shura já foi.
O menino foi tirando os braços da cintura de Saga muito a contragosto. — Você está com um perfume tão gostoso hoje, Saga. — Disse, com um meigo sorriso iluminando seu belo rostinho.
- Você acha? — Saga olhou-o meio sem graça. — Hã...que bom que você gostou, Então. Agora vai brincar, vai.
Afrodite fez uma leve carinha decepcionada. — Eu queria ficar aqui com vocês. — Disse olhando para Saga. — Os outros só sabem ficar brincando com bichos nojentos!
- Olha só, porque você não vai terminar o que estava fazendo lá no roseiral? — Sugeriu Aioros com um sorriso simpático.
- É mesmo! — Disse Afrodite com os olhos brilhando, como se tivesse se lembrado de algo. — O presente! — Completou e saiu correndo em direção a moita de flores.
- Esse aí gosta mesmo de você. — Murmurou Aioros olhando Afrodite que se afastava e depois para Saga. — Mas não tiro a razão dele.
- Ele cismou comigo. — Disse Saga olhando de lado para Aioros, com um sorriso.
- Queria eu poder te abraçar agora e também sentir o seu perfume — Disse Aioros com um olhar afetuoso para o outro.
Saga deu uma leve risada. — Mais tarde. — Murmurou carinhoso.
Outro berro ecoou pelos jardins, tirando Saga e Aioros do namorico deles para ver Shaka sair de trás de uma árvore e vir correndo, com os olhos arregalados e quase chorando. Mu vinha logo atrás, mas parou assim de viu os dois cavaleiros.
- O que foi, Shaka? — Perguntou Aioros, se abaixando quando o menino chegou perto.
- O Mu! — Disse Shaka abraçando Aioros. — Ele puxou o meu cabelo...! — Explicou com voz chorosa.
- Mu! Venha já aqui! — Disse Saga acenando para o garoto que caminhou até ele com passinhos vacilantes. — Porque você fez isso? — Perguntou quando o garoto chegou perto. — Pensei que vocês fossem amigos!
- Porque ele não quer brincar comigo... — Murmurou Mu sem jeito, olhando para baixo.
- Mas isso não é motivo para puxar o cabelo dele, Mu. — Repreendeu Saga inclinando-se para o garoto.
- Desculpa. — Disse Mu baixinho.
- E porque você não quer brincar com ele? — Perguntou Aioros olhando para Shaka.
- Eu não quero brincar daquilo. — Disse Shaka mordendo o canto da boca e olhando chateado para Mu.
- Daquilo o que? — Indagou Aioros, olhando para os dois meninos alternadamente e não entendendo nada.
Mu abaixou mais a cabeça e ficou deslizando a ponta do pé no chão. — De dar beijo. — Disse com uma vozinha sumida, quase inaudível.
- Como? Eu não entendi. — Disse Saga que não ouviu direito.
- Também não entendi. — Falou Aioros.
- Brincar de dar beijo. — Esclareceu Shaka e tapou a boca com a mão.
- O QUE?! — Exclamaram Saga e Aioros ao mesmo tempo, quase caindo sentados no chão e chamando a atenção de Kamus e Miro que estavam jogando bolinha de gude ali perto.
- Viu? Não pode... — Disse Shaka para Mu diante da expressão de assombro dos dois mais velhos e destapando a boca.
- De onde você tirou essa idéia? — Perguntou Saga tentando manter uma aparência tranqüila para não chocar mais os meninos e encarando Mu.
Mu, já completamente sem jeito e com os olhos começando a ficar marejados de lágrimas, lançou um olhar de lado rapidamente para Miro e depois tornou a olhar para o chão. — Eu...eu inventei...- Disse não querendo entregar o outro coleguinha.
- Ah, não...alguém deve ter dito para você fazer isso. — Retrucou Saga se agachando e segurando Mu pelos ombros. — Quem foi? — Perguntou imaginando se isso não era obra de seu querido irmão.
- Ninguém...e eu..eu não sabia que não podia... — Murmurou Mu muito sentido porque todos estavam contra ele. — Eu...eu...Buuuuáááááá...!!
Saga abraçou Mu, fazendo carinhos na sua cabeça. — Ah, que isso...também não precisa chorar...é que... — Ele olhou para Aioros pedindo ajuda.
- Não pode, né, tio Oiros? — Disse Shaka já ficando com pena de Mu, mas só um pouquinho, porque ainda sentia o couro cabeludo dolorido.
- Ahn.. — Aioros passou a mão pelos cabelos, olhando para Saga e depois para Shaka. — Bem, eu acho que o que não pode é ele forçar você a fazer algo que você não quer fazer.
- Ah, tá...- Shaka pensou um pouco. — Mas se eu quisesse podia? — Perguntou com seus cândidos olhos azuis postos em Aioros.
Mu parou de chorar um pouco e também ficou olhando para Aioros, com seus olhos violetas igualmente cândidos, esperando a resposta.
- Er...Bem... — Gaguejou Aioros sem saber o que dizer para aqueles dois. — Sabe o que é...- Olhou para Saga em pânico.
- Sabe o que eu acho. — Disse Saga querendo parecer firme. — Eu acho que vocês devem ir brincar de outra coisa qualquer e deixar esse negócio de beijo para mais tarde.
- Bem mais tarde. — Concordou Aioros mais aliviado e se levantou, sendo seguido por Saga. — Agora vão brincar, vão. — Começou a empurrar Shaka de leve e Saga fez o mesmo com Mu.
- Mas podia? — Insistiu Shaka olhando para cima.
- Chega. — Disse Saga decidido. — Depois falamos sobre isso. Agora vão! Andando...! — E espantou os dois para longe.
- Eu acho que podia. — Disse Mu indo para o lado de Shaka.
- Não podia, não! — Retrucou Shaka empurrando Mu. — Seu bobo! — Deu língua para ele e foi andando em direção a Afrodite que estava colocando pétalas de rosas dentro de um bonito vaso de cristal.
Mu olhou frustrado para o futuro cavaleiro de Virgem e foi assistir ao jogo de Kamus e Miro.
- Credo...essa foi de morrer, heim? — Disse Saga desabando em um banco de pedra que havia ali perto.
- É... — Concordou Aioros sentando ao seu lado. — Agora eu queria saber quando é que você vai ter essa conversa com o Shaka, como prometeu. — Disse num tom de voz divertido.
- Daqui a uns dez anos. — Respondeu Saga e começou a rir. — Aí não vou precisar explicar mais nada mesmo! Imagina..beijar! De onde eles tiraram isso?
- Não faço a mínima idéia. — Aioros deu de ombros.
Eles se entreolharam e depois desviaram o olhar, embaraçados.
- Será que eles viram... — Disse Aioros apreensivo.
- Não..- Retrucou Saga seguindo seus pensamentos.
- É..claro que não. — Tranqüilizou-se Aioros
- Mas eles disseram que não podia? — Perguntou Miro enquanto fazia mira para acertar uma das bolinhas de vidro que estavam espalhadas no chão.
- Não falaram nada. — Respondeu Mu. — Mas o Shaka acha que não pode.
- O Shaka é um bobo. — Comentou Kamus observando o jogo.
- E aqueles dois ali.. — Disse Miro apontando discretamente para Saga e Aioros que conversavam animadamente. — Eu vi eles fazerem...
- Eu também vi. — Emendou Kamus.
- E era na boca. — Completou Miro.
- Foi? — Disse Mu espantado.
- É. — Responderam Miro e Kamus ao mesmo tempo.
- Mas o Shaka não quer.. — Lamentou-se Mu.
Kamus e Miro trocaram olhares e depois se viraram para Mu.
- A gente pode fazer ele querer. — Disse Miro.
- Como? — Perguntou Mu.
- Como, você vai ver...quer que a gente faça ou não? — Perguntou Kamus.
- Eu quero. — respondeu Mu esperançoso.
- Mas em troca você vai ter que dar a sua sobremesa de hoje para a gente. — Disse Miro. — Feito?
- Hã...o que tem de sobremesa?
- Pudim de leite. — Informou Miro. — E então...feito? — Esticou a mão para Mu.
Mu fez uma carinha de desânimo ao ouvir que hoje teria uma de suas sobremesas favoritas no almoço e que teria que abrir mão dela. Ficou olhando para Miro, decidindo-se o que seria melhor, comer pudim ou beijar Shaka e não sabia o que escolher. Adorava pudim de leite, mas também queria muito brincar de beijar com Shaka. Ele pensou e pensou e depois apertou a mão de Miro. — Feito. — Afinal, poderia comer pudim outro dia, mas Shaka e os outros meninos iriam retornar aos seus locais de treinamento amanhã e sabe-lá-Deus quando tornariam a se encontrar.
Kamus deu outra olhada para Saga e Aioros e depois se virou para Mu e Miro. — Eu vou falar com o Shaka. Depois eu chamo vocês. — Disse e se levantou, andando até onde estavam Shaka e Afrodite.
- O que vocês tão fazendo? — Perguntou Kamus agachando perto dos dois.
- Um presente. — Respondeu Afrodite colocando umas belas folhagens dentro do vaso que já estava repleto de pétalas de rosas.
- Um presente para quem? — Disse Kamus olhando o arranjo.
- Para o tio Saga. — Retrucou Shaka pegando algumas rosas e passando para Afrodite que as colocava no vaso.
- Ah...E falta muito para terminar? — Perguntou Kamus.
- Não, já terminamos! — Respondeu Afrodite com um sorriso, colocando uma última rosa no arranjo. — Não ficou bonito?
- Sim, muito bonito. — Concordou Shaka também sorrindo.
- É..bonito. — Disse Kamus. — E Shaka, vem cá que eu quero te mostrar uma coisa. — Ele se levantou e pegou o braço do outro menino.
- O que? — Perguntou Shaka desconfiado.
- Uma coisa...um bicho esquisito. — Disse Kamus começando a puxar o outro. — Vem que eu quero ver se você sabe o que é.
- Você vem também? — Disse Shaka olhando para Afrodite e em dúvida se devia ir ou não com Kamus.
Afrodite balançou a cabeça em negativa, fazendo uma careta. — Não quero ver nenhum bicho feio.
- Vamos logo! — Insistiu Kamus quase arrastando Shaka pelo chão. — Senão ele foge!
- Tá! Eu vou! — Disse Shaka se levantando e indo com o futuro cavaleiro de Aquário.
Kamus foi conduzindo Shaka para os fundos do jardim e fez um sinal para Miro e Mu, que saíram de onde estavam esperando e foram atrás.
Afrodite, ainda dando os últimos retoques no vaso de flores, seguiu aqueles quatro com o olhar, imaginando que bicho era esse tão interessante assim e, desconfiando que não era bicho nenhum, deu um tempo e foi atrás também para ver o que eles iam fazer.
Saga e Aioros estavam entretidos em conversar sobre a vida no Santuário e o fato de terem conquistado recentemente as armaduras de ouro de Gêmeos e Sagitário, respectivamente, e o que ia ser dali para frente quando foram interrompidos por Afrodite que se aproximou com um vaso de flores na mão, entregando-o a Saga.
- Fiz para você. — Disse Afrodite com um sorriso feliz e subiu no colo de Saga.
- Obrigado, Afrodite. — Agradeceu Saga também sorrindo. — Hm...que cheirosas! E lindas! — Fez um carinho nos cabelos do menino em seu colo.
- Sim, muito bonito esse presente. — Concordou Aioros olhando para o arranjo que Saga colocava cuidadosamente no banco onde estavam sentados. — Você gosta muito de rosas não é, Afrodite?
- Muito. — Respondeu o menino e olhou para Saga. — Vamos brincar?
- E do que você quer brincar? — Perguntou Saga simpático.
- Ahn... — Afrodite olhou para Aioros, corando, e aproximou a boca do ouvido de Saga, dizendo a ele do que queria brincar, para espanto do cavaleiro de Gêmeos.
- Não! Você não pode brincar de beijar comigo! — Disse Saga já ficando cheio desse assunto e olhando seriamente para Afrodite. — Quem anda pondo essas idéias nas cabeças de vocês?
Aioros deu um suspiro e também ficou olhando para Afrodite.
- Eles estão brincando de beijar e eu quero também! — Protestou Afrodite fazendo manha e dando pulinhos no colo de Saga. — Eu quero!
- Quem? Quem está brincando disso? — Perguntou Saga passando os olhos pelo jardim. Máscara da Morte e Shura continuavam caçando bichos e Aldebaran e Aioria estavam agora jogando bola. Aonde estavam Kamus, Miro, Shaka e Mu?
- Porque você não quer brincar comigo? — Dizia Afrodite cada vez mais alto, quase tendo um ataque histérico. — Eu quero! Eu querooooooooo!!
Aioros não sabia se ria da cara transtornada de Saga ou ficava preocupado com a nova mania daqueles garotos.
- Ahhh!! — Saga deu um beijo no rosto de Afrodite e tirou-o do colo se levantando. — Pronto! Tá aí seu beijo! Agora pare de gritar! — Virou-se para Aioros. — Está faltando um povinho aqui! — Disse indicando o jardim.
Aioros olhou ao redor, também notando aqueles que estavam faltando e os que estavam visíveis já vinham se aproximando, curiosos para saber o porque do show de Afrodite.
- Eu quero aqui! — Disse Afrodite olhando para Saga e colocando um dedo rente aos lábios.
Saga olhou para Afrodite com pensamentos assassinos e passou a mão pelo rosto, tentando se controlar. — Olha só, Afrodite, para eu te beijar aí você vai ter que estar desta altura aqui! — Ele colocou a mão uns cinqüenta centímetros acima da cabeça do menino e se afastou, buscando os sumidos.
Afrodite ficou olhando para Saga com um sorrisinho lindo no rosto, registrando na mente a promessa feita e que não seria esquecida, mas cobrada com juros quando voltasse ao Santuário de novo e com a altura certa.
- O que está acontecendo? — Perguntou Shura chegando perto de Aioros e olhando para Afrodite.
- Eu estou com fome. — Informou Aioria chegando logo atrás.
- Eu também. — Disse Aldebaran juntando-se aos outros.
- O que você estava querendo tanto? — Perguntou Máscara para Afrodite.
- Nada. — Respondeu Aioros para Shura. — Daqui a pouco eles vão chamar para o almoço. — Disse para Aioria e Aldebaran. — E ele não está querendo nada. — Completou para Máscara antes que Afrodite falasse qualquer coisa e foi atrás de Saga.
Shura e Máscara rodearam Afrodite querendo saber o que era aquela comoção toda e Aldebaran e Aioria sentaram no chão esperando o chamado para o almoço.
Saga foi andando pelo jardim, chamando o nome dos desaparecidos e pensando que alguém ia apanhar hoje. Viu quando quatro cabecinhas surgiram detrás de uns arbustos e rumou para lá, já se preparando para esquentar a mão em uns traseiros.
- Porque vocês estão escondidos aí?? — Esbravejou tão irritado que seus olhos estavam quase ficando avermelhados, perigosamente avermelhados, com a coloração de seus cabelos cambiando entre o azul e o cinza, as cores mesclando-se na trama dos fios que oscilavam enquanto se aproximava dos meninos.
Aioros se adiantou, colocando-se em frente a Saga, segurando-o e impedindo-o que se aproximasse mais dos garotos que o olhavam amedrontados. — Calma, Saga. Você está assustando eles. — Disse para o outro. — Você está me assustando. — Completou olhando-o bem de perto e pensando se não foi imaginação o que tinha visto agora a pouco já que o rosto de Saga, apesar de ainda irritado, estava normal.
- Mas eles estavam fazendo o que nós dissemos que não era para fazer! — Protestou Saga, mas já cedendo diante do jeito calmo de Sagitário.
- Calma e deixa que eu falo com eles. — Retorquiu Aioros e voltou-se para os garotos que saiam devagar de trás do arbusto, ainda olhando meio assustados para Saga. — O que vocês estavam fazendo? — Perguntou com um tom de voz tranqüilo.
- Brincando. — Respondeu Kamus se adiantando.
- De beijar, não é? — Disse Gêmeos olhando duro para o menino.
- É. — Respondeu Miro com um leve ar petulante.
- Mas porque vocês cismaram com isso agora? Quem foi que inventou essa brincadeira? — Indagou Aioros olhando para os quatro alternadamente.
Miro e Kamus entreolharam-se.
- Foram vocês dois. — Disse Miro olhando para Aioros e Saga e Kamus confirmou com a cabeça.
- O que? — Exclamaram Gêmeos e Sagitário pegos de surpresa com o que os garotos disseram.
- Quem disse que nós inventamos isso? — Perguntou Saga com o rosto rubro.
- Ninguém. — Respondeu Miro.
- A gente viu vocês brincando de beijar. — Acrescentou Kamus.
- E se vocês podem... — Disse Mu.
- A gente pode também. — Completou Shaka.
Neste momento a sineta chamando para o almoço começou a soar o que fez os quatro pequenos aproveitarem a estupefação dos dois maiores e saírem correndo para se juntarem aos outros e irem comer, sem maiores preocupações a não ser matar a fome por comida, já que tinham matado a por beijo de forma bem satisfatória.
FIM
Por Sibila Tsudi
Janeiro de 2002
Notas finais
Espero que gostem e comentem.
Abçs
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