A Garota e o vampiro
2 Clarissa Dragomir
Notas iniciais
P.O.V. Sebastian.
Bem, eu odeio esta cidade. Eles todos parecem saber da vida de todos.
—Algumas coisas não mudam.
—O que?
—Vizinhos fofoqueiros.
—Ah, isso tem em todo lugar. Especialmente em cidade pequena.
Estava perto de Kaleb e Milton.
—E qual é a sua com a garota do caminhão?
—Como vocês sabem disso?
—Cidade Pequena. Olha, cara eu sei que sendo vampiro amplia tudo, mas tente não fazer cagada com a Lizzie. Se está afim da garota do caminhão, diga pra Lizzie que não quer nada com ela.
—E como pode você dizer isso?
—Porque, eu amo a Lizzie Saltzman. Eu a conheço. O bom, o ruim e o horrível. E eu já fiz uma besteira colossal, pensei que estava ajudando ela e no fim eu não tava. Eu daria tudo para ser tão sortudo quanto você. Para ela gostar de mim do jeito que gosta de você. Então, não seja um idiota. Porque se acha que vai ficar com as duas, no fim você vai acabar sozinho.
Ele tinha razão.
Depois de muito pensar, decidi ir até a casa dela. Mas, ao invés de encontrar Clarissa, eu encontrei a vó.
—Posso ajudar?
A senhora tinha um sotaque carregado.
—Estou procurando uma pessoa.
—E quem seria essa pessoa?
—Clarissa. Clarissa Dragomir.
A velha senhora exalou.
—Eu vou fazer um pouco de chá.
Ela trouxe as xícaras e o bule pra fora. Tudo de porcelana chinesa.
—Não vou te convidar a entrar. Sei que entende o porque. Eu sei o que você é. Mas, a Clary não.
—Clary?
—Ela não gosta muito de ser chamada de Clarissa.
—Porque motivo?
—Porque, de acordo com ela a faz se sentir velha.
A casa era uma típica casa suburbana, com gramado verde, cerca branca e pintada de branco. Tinha um balanço na varanda.
—Porque essa melancolia, minha senhora?
—Você realmente não sabe? Quando a bruxa que conhece como Cassandra, lançou o feitiço para trazer aquele mal sob o vilarejo e escolheu salvar você, os espíritos não gostaram. Eles a puniram.
—Você sabe sobre Cassandra e vampiros e bruxas?
—Eu sou uma bruxa.
—Isso significa que Clarissa...
A anciã fez que sim.
—Mas, ela não sabe. Não sabe de nada disso. Minha filha se mudou para a Califórnia, viveu lá sua vida toda, nunca vinha visitar, parou de praticar. E tudo para não trazer a menina pra cá.
—Porque?
—Por sua causa. Você é o vampiro que Cassandra salvou. Você se lembra de tudo o que houve, a Clary não. Ela nem se lembra de você. Não de forma consciente ao menos.
Precisei de um momento para processar aquela informação.
—Está me dizendo que... Cassandra e Clarissa são a mesma pessoa?
—Mesma pessoa não. A mesma alma, sim.
Disse a senhora com melancolia mexendo a xícara de chá. Então, falou distraidamente.
—La Mort por La amour.
—A morte pelo amor.
—Ah, então fala francês. Você tem que voltar para a sua namorada, Elizabeth e ir o mais longe que puder da minha neta.
O que? Porque?
—Porque motivo?
—Porque há uma maldição. Os espíritos não gostaram quando Cassandra fez tudo o que fez apenas para salvar um vampiro. Vampiros são... um abominação, não deveriam existir. E ela sacrificou um vilarejo inteiro e até mesmo a própria vida para salvar um ser que não deveria existir. Por isso a amaldiçoaram.
A morte pelo amor.
—A morte pelo amor? Isso é uma maldição?
—Sim. Você vai matá-la, Sebastian.
—Não. Eu não vou.
A senhora deu risada.
—E ele acha que tem uma escolha.
—Todo feitiço tem uma falha. Uma brecha.
A senhora de cabelos grisalhos e olhos azuis começou a tirar as xícaras e o bule.
—Acredite, nada me deixaria mais feliz do que encontrar esta tal brecha. Mas, minha filha e eu estamos procurando á anos, em todos os livros, todos os grimórios e não encontramos nada.
—Você encontrou alguma coisa. O que foi?
—Procuramos por anos, não encontramos nada. E de repente, você aparece e há uma pista? E se alguém queria que eu encontrasse isso? E se for uma armadilha? E se alguém quisesse que eu encontrasse isso?
—Eu entendo.
—Acho que não. É a vida da minha neta na reta, filho. Eu já perdi a minha filha. Clary é tudo o que me sobrou.
—Qual é o seu nome, senhora?
—Adelaide.
P.O.V. Clary.
Eu fiz amigos novos e estou tão animada para contar pra minha vó. Quando cheguei em casa...
Me assustei com o som do meu próprio grito. Eu vi o cadáver mutilado da minha vó. Com o pescoço estraçalhado.
—Vovó. Vovó!
Depois que o choque começou a passar, eu liguei para a emergência. Para a Xerife. E logo a minha casa tava cheia de polícia. Chamaram o médico legista e minha vó morreu atacada por um animal. A casa tava praticamente virada do avesso.
Fui interrogada. E depois me mandaram de volta pra casa.
Não consegui dormir, passei a noite inteira acordada, esfregando e tirando o cheiro de morte do chão. E no dia seguinte fui a escola.
—Você tá bem?
—Minha vó morreu, achei seu corpo mutilado e passei a noite inteira acordada, chorando e esfregando o cheiro de morte do chão. O que você acha?
—Caramba! Sinto muito, Clary.
—Obrigado e sinto muito por ter sido tão... idiota. Eu só... to cansada e triste. Mas, isso não é desculpa para ser uma estúpida com os meus amigos.
Eu não queria voltar pra casa, mas eu tinha que dormir e alguém tinha que cuidar da Magik, o gato de pelo curto inglês gordo da minha vó. Ela parecia um gato siamês, mas não era.
Coloquei comida e água nos potinhos.
—Não tá com fome né?
Ela só olhava pra mim com a carinha triste. Magik sabia que a minha vó não ia voltar.
—Eu sinto falta dela também.
P.O.V. Sebastian.
Me levou um certo tempo, mas eu descobri.
—Clarissa Adelaide Dragomir, nascida dez de junho de 2012. Ela tem dezessete anos. Nasceu em Nova York.
—Como descobriu tudo isso?
—Enquanto você estiver entretido com a Clary, não vai atrás da Lizzie. Todo mundo ganha.
—Respeito-o por isso Milton.
—Ahm, obrigado.
P.O.V. Clary.
Ataque de animal. Mas, porque um animal sairia da floresta no meio do dia, invadiria uma casa e atacaria uma senhora idosa e indefesa? Essa história tá muito mau contada.
Mas, eu vou descobrir o que tá acontecendo e o que matou a minha vó.

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