P.O.V. Rosalice.

Meu nome é Rosalice Griffin, sou meio Fae, meio humana, meio vampira, gêmea, blá, blá, blá. Vamos pular essa parte já que vocês já sabem.

Uma das minhas gêmeas está no reformatório. A outra, Juliette já passou um tempo num hospital psiquiátrico. Pelo o que eu sei só eu e a Amara nunca chegamos nem perto de nenhuma instituição assim.

Enquanto o elemento dominante da Lucy é fogo e o da Amara é água, o meu é terra. Por isso gosto de acampar, caminhar na floresta, jardinagem. Juliette e eu somos as únicas loiras de olhos azuis. Apesar da Juliette levar o nome da nossa mãe biológica, quem parece mais com ela mesmo é a Amara.

Renesmee Cullen, bem agora Volturi. Ela é nossa mãe de nascimento e para todos os efeitos.

Quando cheguei em casa notei que tínhamos novos vizinhos. E pelo cheiro, eram humanos. Isso pode ser um problema.

Estacionei o carro e desci. Havia esse enorme caminhão de mudança e eles estava carregando as coisas para dentro da casa. Era uma típica casa do subúrbio. Com colunas, estilo colonial. Muito parecida com a nossa.

Eles me viram e eu simplesmente acenei.

—Rosie!

—O que?

—Me ajude a tirar as compras da caminhonete, por favor.

—Certo. Sinto muito.

Havia esse cara e ele era lindo. Olhos azuis, cabelo loiro, mas não tanto quanto o meu. Ele era alto, escolhi viver com o meu pai em Magic Falls e os humanos não se dão bem por aqui.

—Vamos levar as compras pra dentro e depois cumprimentamos os vizinhos.

—Tá.

Descarregamos o carro e eu usei um pouquinho de magia para guardas as compras mais rápido.

—Rosalice!

—Pai!

Como uma Fae é biologicamente impossível para mim mentir, caso tenham esquecido, mas posso manipular a verdade. Minha vó me ensinou isso, nos ensinou.

P.O.V. Henry.

A vizinha é uma gata. Mas, vi que tinha uma viatura parada do lado de fora da casa.

—Com licença. Se não for muito incômodo, nós gostaríamos de dizer oi e bem vindos á vizinhança.

Ela estava usando uma blusa de moletom marrom, calça jeans e botas de salto cubano marrom, a blusa por baixo era florida. E seus cabelos loiros ondulados. Olhando mais de perto, ela tinha um colar no pescoço que era de madeira. Algo escrito em japonês.

—Olá. É bom ser bem vindo, certo filho?

—É.

—Vocês são britânicos? Tá, pergunta idiota.

—Eu sou o Doutor Maximilian Maxfield.

Ela riu.

—Desculpe.

—Tudo bem. Todo mundo ri. E esse é o meu filho Henry.

—Oi. É um prazer conhecê-los. Sou Rosalice Griffin, mas podem me chamar de Rosie. E esse é o meu pai. Nicholas Griffin.

—Desculpe perguntar, mas porque tem uma viatura parada em frente a sua casa?

—Porque eu sou o xerife.

—Oh!

Agora que eu olho mais de perto vejo a palavra xerife pintada no carro.

—Max.. Oh, visitas. Eu sou Elizabeth Maxfield.

P.O.V. Rosie.

Quando eu vi a mulher senti as lágrimas nos meus olhos.

—Bem vindos á Magic Falls.

—Você está bem querida?

—É que... a senhora parece com ela. Desculpe.

Disse secando a lágrima.

—Pareço com quem?

—Minha mãe biológica. Mas, ela morreu então...

—Oh, eu sinto muito. Foi muito recente?

—Beth!

—Não, tudo bem. Ela morreu quando nós nascemos.

—Nós?

—Sim. Eu sou gêmea. Quadrigêmea.

—Oh, quatro bebês.

—Vamos deixar eles se instalarem Rosalice. Já é tarde, eles devem estar cansados.

—Sim. Você tem razão. Fui um prazer conhecê-los, com licença.

—Toda.

P.O.V. Beth.

Eles entraram e fiquei com pena dela.

—Coitada. Perdeu a mãe.

—Ela disse que era quadrigêmea. O que será que aconteceu com as outras? Será que morreram?

—Não sei. Espero que não. Isso não é da nossa conta Maximilian.

No dia seguinte ela estava passando e eu convidei-a para ficar comigo. Fico muito sozinha aqui nesta casa. Maximilian é médico, geneticista e o meu filho já tem um emprego de advogado. Então, passo os dias em casa. Eu sou Dona de Casa! Eu sei, as feministas odeiam isso.

—A senhora cavou muito fundo. A semente de rosa gosta da terra fria e úmida. Se você cava muito fundo, a terra fica fria demais.

Fiquei chocada de ver a menina mexer na terra com as mãos. Ela tapou um pouco o buraco, na verdade metade dele.

—Pronto. Agora pode colocar a semente.

Coloquei a semente e tapei o buraco.

—Depois que começar a brotar, não coloque água nela quando o sol estiver a pino. As plantas não gostam disso. A água evapora toda e você as mata de um jeito terrível.

Olhei na casa ao lado e eu vi o jardim mais lindo do mundo. Era como... o paraíso. Roseiras, de rosas brancas, vermelhas, cor de rosa. A grama era verdinha. Haviam margaridas, lírios, peônias, copos de leite.

—Você cuida do jardim da sua casa?

—Sim senhora.

—Pode me chamar de Beth.

—Beth. Espero que a senhora não se ofenda, mas o garoto Henry... ele é seu filho?

—É e não é. Maximilian era casado, a esposa dele ficou grávida teve o menino e foi embora com outro homem, nos conhecemos na sessão de fraldas do supermercado. Eu estava comprando fraldas para o enxoval duma amiga minha e ajudei-o a escolher e depois disso... ele se divorciou da primeira esposa e estamos juntos.

—Foi meio que o que aconteceu com a gente. Apesar dos meus pais nunca terem tido um relacionamento amoroso. Eles são só amigos e minha mãe casou ano passado.

—Suas gêmeas...

—Elas estão vivas. Só nossa mãe biológica morreu, tiveram complicações no parto e tiveram que escolher entre nos salvar e salvá-la, ela escolheu a gente.

É claro. Uma mãe prefere que todo o mal do mundo recaia sob si do que sob o filho. Só quem é mãe que sabe.

—E quantas gêmeas você tem?

—Três. Mas, não somos idênticas. Na verdade, cada uma veio de um espermatozoide e um óvulo diferente.

—Uau!

—Eu sei. Somos uma anomalia.

Disse ela rindo.

Enquanto isso na Sword and Cross...

P.O.V. Lucy.

Uma garota apareceu. Eu a vi se mover, se move rápido demais. O olho humano jamais conseguiria captar esses movimentos.

—Merda. Você é sobrenatural.

A garota gótica de cabelo Channel, batom roxo, olhos delineados de preto e a roupa preta com umas rosas vermelhas só ficou me encarando.

—É por isso que eu não consigo te ouvir. Você é sobrenatural.

Ela não falou só ficou me olhando.

—Então tá.

Sai andando e ouvi-a se movimentando, senti o empurrão e cai no chão deixando minhas coisas caírem.

—Coitadinha. Você caiu? Se machucou?

—Eu não sei o que você é, mas eu não vou contar e não quero encrenca. E estou bem.

—Não. Não está não. Nunca esteve tão mal em toda a sua existência miserável.

Uma vampira? Não. Se ela fosse vampira eu poderia ouvi-la. Ouço meu padrasto e os tios e tias da minha mãe.

—Vir pra cá foi uma escolha ruim.

—Não foi uma escolha e como eu disse... eu não quero encrenca, mas não force a barra.

—Você não é nada. Você pisca os olhos e joga o cabelo esperando que o mundo vá parar para te olhar.

—Você nem me conhece.

—É uma doidinha assassina.

Eu senti ela na minha cabeça, trazendo a memória do incêndio de volta.

—Sai da minha cabeça!

P.O.V. Molly.

Eu só vi a onda. E fui arremessada longe. Eu atravessei o corredor.

—Fique fora da minha mente, sua piranha.

O inspetor veio e ela ficou de castigo.

—Bem, isso é novidade.

P.O.V. Lucy.

Fui ao banheiro e fiquei olhando para o meu próprio reflexo. Estou ficando mais fraca. O ataque á senhorita Gótica só me exauriu mais ainda.

Então, alguém sai duma das cabines. Pego minha mochila e tento sair, mas ela me fala:

—Você não deveria estar aqui sem uma autorização.

Ela estava brincando.

—O que?

—Estou brincando.

—Ah!

—Desculpe.

—Tudo bem, eu só tive um dia difícil.

—Bem vinda á Sword and Cross.

—Mm. Esse lugar é...

—Maluco. Sou Pennycol Van Sicle Lockwood. Mas, pode me chamar de Penn.

Ela apertou a minha mão.

—E você é a Lucinda Griffin, mas todos te chamam de Lucy, nasceu em Magic Falls, tem três irmãs gêmeas não idênticas e foi transferida para cá de Dover com 4,2. Impressionante.

—Como você sabe disso?

—Ops. Investiguei demais?

—Um pouquinho sim. Mas, não se preocupe eu sei o que é saber demais melhor do que qualquer um.

—Você parece meio pálida. Está passando mal?

—Só exausta.

—Precisa de um médico?

—Não. Sem médico, sem hospital. Nada disso.

Ela me escoltou até o dormitório e depois fomos para a aula. E pelas minhas contas haviam três deles. Inclusive o loiro bonitão.

—Senta aqui.

Me sentei ao lado dela e a Senhorita Sophia começou a dar a aula. Sobre anjos, demônios e o amor. O garoto estava desenhando num caderno. Era muito talentoso.

Isso me fez lembrar da Amara. Amara adora desenhar e é tão talentosa quanto o garoto misterioso.

Mas, então ouvi a senhorita Sophia dizer...

—E se os anjos realmente vagassem entre nós? Essa é a história dos anjos caídos.

Anjos? Eles são anjos? Isso explica porque não consigo ouvir as mentes deles, mas também prova que não são sobrenaturais, são... celestiais. Literalmente divinos.

—Senhorita Sophia?

—Sim, Lucy?

—E se os anjos operam numa frequência diferente da nossa?

—O que quer dizer?

—Todo ser opera numa determinada frequência, a energia condensada opera naquela frequência e se nascer na família certa, na linhagem certa você pode sintonizar como... como um rádio, mas os anjos não são daqui. Eles são uma forma de existência que está acima de nós, eles literalmente vieram do céu! Outra dimensão. Então, isso não implica que mesmo se eles se parecem conosco... por fora, por dentro são diferentes?

—Sim. Imagino que sim.

—E se esses anjos realmente andassem entre nós, eles não teriam habilidades? Como serem super-rápidos ou extra-fortes?

—Talvez. Mas, é apenas uma teoria.

—Certo.

Minhas irmãs e eu usamos muito a palavra Certo. Porque nós não podemos mentir, então quando não concordamos, mas não queremos contestar simplesmente dizemos, certo.

Ela continuou falando.

—E o que aconteceu com os outros anjos?

Ela deu a resposta óbvia.

—Disso eu sei, mas Deus não deveria estar orgulhoso do anjo? O anjo Rebelde.

—E porque ele estaria?

—Porque ele escolheu ao amor ao invés da guerra, da morte, da violência. Eu nunca tive uma religião, mas sei os mandamentos e algumas coisas. E Lúcifer era absolutamente perfeito e esse foi o problema. Ele era tão perfeito que ficou egoísta, egocêntrico, pensou que fosse melhor que Deus e... talvez ele seja. Apenas, o único verdadeiro obstáculo no caminho dele, é ele mesmo. Seu ego. Ele pode ter virado o senhor do Inferno, mas ainda é um anjo. Isso não implica que ele é bom e mau? Herói e vilão?

Notei que ela ficou meio pistola, mas ai começou a passar sermão no garoto loiro.

—É escolha dele não sua! Deus nos deu o livre arbítrio. O anjo tem o direito de escolher, não escolher.

—Imagino que tenha aprendido isso em ensino religioso.

—Eu nunca frequentei a Igreja.

—Então, nunca foi batizada?

—Não. Minha família não tem ligações com... cultos. Ou igrejas.

Depois que acabou a aula tive que ir ao castigo. Catar lixo no jardim. Nem era tão ruim. Podia aproveitar para tentar recarregar.

Mas, ouvi um barulho. Era pedra quebrando.

A enorme estátua de anjo caiu e eu fui salva pelo cara, que eu acho que é um anjo. Tive essas visões e não era ele. Era eu.

Ele saiu e uma das anjinhas veio me ajudar.

—Lucy, menina... você tá bem?

—Eu só preciso recarregar. Mas, obrigado.

Me levantei e o inspetor veio.

—Talvez devesse passar na enfermaria...

—Não. Nada de hospital.

—Não tem medo de agulha né?

—Você tem sorte que estou fraca. Mas, não se preocupe... uma hora Celestial ou não... eu te pego.

Me levantei e fui pra dentro obrigada. Queria tanto que a Rosie estivesse aqui. Ela podia me ajudar. Servir de conduíte.

Conversei com a Penn e ela disse que tinham uma piscina. Como não posso ir para a floresta sem ser expulsa, a piscina vai ter que servir. E vou usar a água para conversar com minha família.

P.O.V. Cam.

Ela está sim diferente. Ela ameaçou a Molly.

—Você tá de sacanagem.

—Me deixa Molly.

—Não acredito. Você, o Cam, apaixonado?

—Me deixa Molly.

—Também pudera. Essa é a Lucy possuída pelo demônio.

—O que quer dizer?

—Ela pôde me ver mesmo quando eu estava me movendo depressa demais para um ser humano captar, me atacou. Eu atravessei o corredor. Foi uma rajada de energia. Nunca vi nada igual!

P.O.V. Daniel.

Ela veio falar comigo.

—Daniel, eu não tive a chance de te agradecer ontem.

—Não precisa.

—Preciso. Então, obrigado. Não precisa ficar nervoso, o que eu posso fazer contra você? Á propósito, será que já nos vimos antes?

—Não.

—Tem certeza?

—Tenho.

Eu sai e ouvi ela praguejar.

—Cara, isso é uma droga! Agora eu sei como meu vô se sente em se tratando da vovó.

O que?

P.O.V. Lucy.

Eu estava indo para a aula quando ele estava esperando por mim. Eu acho.

—Ai garota nova. Os seus primeiros dias foram muito movimentados, já está planejando uma fuga?

—Bem que eu queria, mas na minha situação atual... não teria muitas chances. Estou fraca, me sinto fraca.

—Você quer café da manhã?

—Tentador, mas estou atrasada para a aula.

—Antes nunca do que tarde.

—Acho que é o contrário.

—Que seja.

Ele deu o copo na minha mão e assim que eu coloquei na boca, eu cuspi.

—Café! Café! Credo. Essa foi quase. Eu não posso ingerir cafeína de jeito nenhum.

—E porque não?

—Chame de alergia. O café eu não posso tomar, mas... vou ficar com as rosquinhas.

—Você é o tipo de pessoa que prefere fazer o que é certo do que o que mandam. Então, é problema.

—Algo do tipo. Mas, acha que me conhece?

—Eu sei do que eu gosto.

—Você realmente não me conhece.

O sinal tocou.

—O Rolland vai dar uma festa na sexta, é bem casual pode levar quem quiser.

—Do jeito que a coisa vai, logo vou estar de cama. Mas, obrigado pelo convite.

—O que quer dizer?

—Nada. Deixa pra lá.

—É uma festa na floresta.

—Eu vou pensar.

—Vai ter uma fogueira.

Eu parei assim que ouvi aquela palavra.

—Você disse fogueira?

—É.

—Conte comigo.

Fomos para a aula de esgrima e ter um padrasto com mais mil anos de idade tem suas vantagens. Ganhei da Molly.

—Muito bem.

—Obrigado.

—Agora troquem de parceiros. Grigori vem pra cá!

Quando começamos a lutar eu tive outra visão e foi mais do que só uma visão. Eu estava lá, lutando com a espada, o lugar pegando fogo ao redor, era uma batalha. Podia sentir o calor do fogo e então, senti a lâmina atravessar o meu peito, o gosto de sangue na minha boca.

Quando voltei ao agora, toquei o meu peito e não tinha nada.

—Tudo bem, agora eu estou com medo.

Me levantei e sai. Fui ao vestiário com a Penn e ela me confidenciou que a ficha do Daniel estava vazia.

Em Magic Falls.

P.O.V. Henry.

A janela do quarto dela é de frente para o meu. Pude ver de longe que haviam muitas velas, ervas e posteres. Tem algo nela que eu não sei o que é.