P.O.V. Detetive Griffin.

Agora que eu sei que eles existem, eles vivem nessa cidade e tudo o que eu pensava que funcionava é na verdade, absolutamente inútil eu estou tendo problemas para dormir.

—Você não parece bem.

—É irônico. O meu trabalho é proteger as pessoas e ainda assim eu mesmo não me sinto seguro.

—Posso pedir para as minhas meninas fazerem um feitiço de proteção na sua casa.

—Vai impedir que eles entrem?

—Vai. Eu tenho um na minha casa.

Muito bom.

—Temos um caso.

—Então, vamos lá.

Chegamos á cachoeira e o cadáver estava boiando na lagoa. Depois de catalogar a cena do crime, o corpo foi levado para o necrotério.

—O que temos?

—Uma mulher, vinte e poucos anos, caucasiana, loira e estatura mediana. Vão passar as digitais no sistema ver se temos alguma correspondência.

O cadáver estava diferente.

—Bem, isso é novo. O corpo não tem um pingo de sangue e há marcas de uma incisão na coxa direita. Bem na artéria femural. Nunca vi algo assim antes.

Olhei para o meu parceiro e só recebi um aceno positivo de cabeça. E eu entendi. Sim é um vampiro.

Quando saiu o resultado, causa da morte ataque de animal.

—Precisamos ir falar com o Doutor Cullen e então... com a Doutora Dupress.

—Certo.

E fomos primeiro ao pronto socorro.

—Doutor, precisamos conversar um minuto.

—Certo. Vamos ao meu escritório.

Entramos no escritório e era um lugar simples com uma escrivaninha de madeira maciça entalhada, papéis e relatórios sob a mesma. Quadros de anatomia humana pendurados na parede.

—Como posso ajudar?

—Uma mulher morreu hoje. Foi assassinada. E foi um vampiro.

—Eu lhes asseguro que nem eu e nem os meus filhos fizemos isso.

—Eu sei, mas tem alguma ideia de quem faria isso?

—Alice teria visto este ataque. Vou pedir para que ela fique de olho. É provavelmente algum nômade. No momento em que ele descobrir que o território está ocupado... vai embora.

—O território?

—Sim.

Ele era lindo, lindo demais. Os cabelos loiros, a pele pálida, os olhos dourados. Eram como ouro líquido.

—Olhos dourados.

—Sim, aqueles que se alimentam de sangue humano tem as íris vermelhas. Nós temos as íris douradas, mas todos os recém criados tem íris vermelhas.

—Acha que é um recém-criado?

—Duvido. Um recém criado teria causado muito mais estrago. Aposto que este já tem uma certa idade. Não se preocupe Xerife, vamos resolver as coisas com ele. Deveria ir avisar a Doutora Dupress. Isso se ela já não souber. Talvez devesse colocá-la sob proteção.

—Vamos fazer isso. Obrigado pelo seu tempo e sinto muito pelo incômodo.

—Imagine. Sempre ao seu dispor.

Então, fomos atrás da tal Doutora Dupress.

—Ela é uma bruxa?

—Não. Outra coisa. Juliette Dupress é uma Fae. Uma das últimas. Infelizmente devido ao aroma apelativo, os vampiros caçaram os Fae até quase a extinção.

—Fae.

Estávamos no carro e fomos parar numa Clínica veterinária.

—O que é um Fae?

—Uma fada.

—Uma fada?

Perguntei descendo do carro.

—É.

Assim que chegamos a secretária disse que a Doutora estava atendendo e que assim que acabasse falaria conosco. Foi a secretária fechar a boca...

—É só colocar esse remedinho na comida dela e pronto. Não tem gosto, nem cheiro, daqui a pouquinho a Magda vai ficar boa. Dei um sedativo então, ela está dormindo, mas vai acordar daqui a algumas horas. Tchau Magda. Tchau Eleonore, qualquer coisa pode me ligar.

A mulher loira saiu carregando um animal numa caixinha de transporte.

—Posso ajudar?

—Precisamos conversar.

—Claro.

A Doutora Dupress era ruiva de olhos verdes, os traços dela eram delicados, ela realmente parecia uma boneca.

—Pois não?

—Teve um ataque. Uma mulher morreu. Foi um vampiro. Achamos melhor colocá-la em proteção policial.

—Eu posso me cuidar e minha casa tem feitiços de proteção.

—Por favor, Julie. Não queremos mais mortes.

—O Doutor sabe quem foi?

—Ainda não, mas eles vão olhar.

—Bem, agora que estou grávida realmente acho que seria uma boa ideia ter proteção extra.

—Uau! Parabéns. Seu marido deve estar feliz.

—Ele é realmente um novato.

—Fae não se casam. Bem, se casam mas, geralmente eles não casam.

—Vocês não se casam. Mas, namoram?

—Sim, mas o que eu fiz não foi namoro. Acho que você chamaria de coisa de uma noite só. Apesar do humano não lembrar. Ele pensa que foi um sonho.

Pensa que foi um sonho?

—Como assim?

—Eu o usei para ter um filho. Enfeiticei-o, seduzi-o e peguei o que queria dele.

—Ok. Isso não é nem um pouco insensível ou estranho.

—Oh, por favor ao menos sou honesta. Não que eu tenha muita escolha neste quesito.

—O que quer dizer?

—Fae não conseguem mentir. É biologicamente impossível para eles. Não podem nem tentar.

—Mas, podemos manipular a verdade. Ou omitir coisas.

—É. Isso é possível.

—Eu te fornecerei o feitiço que deseja, em troca, você mantém a mim e o meu bebê seguros. Fechado?

—Acho que ela está falando com você Nick.

—Como você sabe...

—Fae são telepatas.

—Não invada a minha mente.

—Fechado. Sinto muito, eu não confio em estranhos especialmente forasteiros.

—É justo. Quanto tempo leva para o bebê...

—Nove meses. Vamos precisar de sal. Muito.

—Sal?

—Fae grávidas tem desejo de sal. Quanto mais sal ela comer mais perto está da criança nascer.

—Lógico que tem. Certo temos que ir.

—Mas, agora? Estou no meio do expediente.

P.O.V. Alec.

Nós fomos atrás do tal vampiro e era um nômade.

—As suas atividades de caça estão causando problemas para nós.

—Me desculpe. Não sabíamos que este território estava ocupado.

Ele estava olhando para mim e estava apavorado.

—Eu senti um cheiro maravilhoso. Infelizmente, não consegui pegar.

—A Doutora. E nem vai. Você vai embora daqui e nunca mais vai voltar, porque se voltar... eu mesma mato você.

—Eu não acho que você vá durar muito. Aro desconfia de você, por isso ele está aqui.

—É o que você acha? Já chutamos as bundas dos Volturi uma vez e vou fazer de novo se for necessário. Agora vá embora. Não volte mais.

—Vai deixá-la falar assim do seu Clã?

—Ex-Clã. Eu não sou mais um Volturi. Sou, mas não sou. Eu não respondo mais ao Aro. Ou Caius ou Marcus.

—É um Cullen agora.

—Algo do tipo. Agora vá embora. E não retorne.

—Como quiser.

P.O.V. Aro.

A notícia de que Alec deixou a guarda está se espalhando. Ellie também desertou. Sumiu.

E mais e mais membros da guarda estão desertando.

P.O.V. Nick.

Ela acendeu a lareira. E pegou um anel. E começou a derretê-lo.

—Porque está derretendo um anel?

—Vou vincular a magia de proteção do anel á sua casa ao invés de um anel, vou fazer alguma outra coisa com o metal.

E ela fez um enfeite. Um pássaro de metal.

—Pronto. Enquanto o pássaro estiver dentro da casa, vampiros não podem entrar. Não sem a sua permissão ou seu convite.

—Vai funcionar com a híbrida?

—Ela é uma vampira não é?

—Sim.

—Eis a sua resposta.

Antes de levá-la para a minha casa tínhamos passado na dela para pegar suas coisas. Apenas o essencial.

Ela fez chá e então falou:

—Apenas pergunte.

—Você tem asas?

Ela riu.

—Não. Fae se adaptam a qualquer padrão de beleza não importa de qual dimensão ou Reino.

Deu um gole no seu chá.

—Porque não café?

—Fae não podem tomar café. A cafeína contamina nossa magia.

—Contamina?

—Pense nisso como veneno. Deixa a magia louca. A magia dos Fae é elemental, mas é apenas magia de luz.

—Magia de luz? Significa que você não fere as pessoas?

—Não exatamente. Significa que não temos magia negra. Mas, não que não podemos ferir algum atacante ou oponente. Os Cavaleiros Fae são os guerreiros mais ferozes do mundo das sombras. Nós Fae temos a beleza dos anjos. E o poder dos demônios. Mais ou menos.

—Isso não soa bom.

—Pense nisso como uma arma. Como um instinto de auto-preservação. Não somos completamente maus, geralmente somos muito dóceis, mas quando ficamos de mau humor, ofendidos... então você iria preferir ter ofendido o diabo em pessoa. Eu sou uma Fae não uma naga.

—Naga?

—Nagas não são nem um pouco humanas. Machos ou fêmeas, do tronco pra cima elas são "humanas" parecem humanas. Do tronco para baixo, cauda de serpente. Elas são extremamente maldosas, imprevisíveis, traiçoeiras.

—Como a Medusa?

—Sim. Medusa era uma Naga. Nagas e górgonas são a mesma criatura, mas em idiomas diferentes. Górgona é grego e Naga é hindu. Mas, Medusa não era como o mito a descrevia, feia, horrorosa ao contrário. Ela era bela, sedutora e usava seu charme para atrair os homens para a morte. Assim como os Fae, os nagas são protetores. De rios mares e lagos. Se eles sentem que os humanos estão abusando ou maltratando seu habitat... eles causam enchentes, afogamentos. Transformam pessoas em pedra.

—E quanto aos Fae?

—Existem vários tipos de Fae. Fae da água, da terra, do fogo, do ar. Fae do ar tem asas, raramente vem aqui pra baixo.

—Você é uma Fae da terra, então?

—Não. Sou uma Fae de sangue azul.

—Então, você é realeza?

—Sim.

Ela se instalou no quarto de hóspedes e para todos os efeitos ela era uma pessoa muito normal. Se eu não soubesse que ela é uma fada, nunca desconfiaria.

P.O.V. Ness.

Alec me chamou para um encontro e eu disse sim. Não sei o que vai acontecer agora. Espero que dê tudo certo.