A Garota dos vampiros

11 Cena de crime e suspeitas


P.O.V. Detetive Griffin.

Eu sou da polícia de Magic Falls a pouco tempo. Fui transferido de Chicago e sou da homicídios. Quase nada acontece aqui, então é basicamente preencher papelada e comer rosquinhas.

—Temos um caso.

—Alguém morreu?

—É meio que o ponto.

Disse o meu parceiro, veterano Alaric Silverton. E quando chegamos a cena era... terrível. Grotesca.

—Meu Deus!

Pedaços de cadáveres por todos os lados. Eram jovens, muitos alunos da escola local.

—A festa da fogueira. As minhas gêmeas estavam nesta festa.

Ele começou a passar mal.

—Com licença.

Ele ligou e graças ao seu suspiro de alívio imagino que as meninas estejam bem.

—Elas estão bem?

—Sim. Mas, são testemunhas. Estavam na festa.

—Alguma outra testemunha?

—A amiga delas. Renesmee Cullen.

Encontramos um sobrevivente.

—Temos um vivo! Tragam os paramédicos.

O menino foi colocado na ambulância e levado ás pressas para o hospital. As filhas do meu parceiro vieram para prestar depoimento.

A loira veio primeiro.

—Viu alguma coisa?

Ela olhou bem na cara do pai dela e disse:

—Foi um lobo.

O tom que ela usou foi como se houvesse algo implícito naquela frase.

—Um lobo? lobo, lobo?

—Sim pai. Era grande e preto e caiu matando encima da geral. Nós corremos antes dele pegar a gente. Nos escondemos numa cabana. Mas, dava pra ouvir os gritos. Nós queríamos ajudar, mas... não dava.

—Foram arranhadas ou mordidas?

—Não.

Então, veio a outra e a mesma história. O lobo grande e preto, se esconder na cabana.

—Obrigado pela sua cooperação.

—De nada pai. Oh, você vai estar em casa pra jantar hoje, certo?

—Talvez, Karen. Prometo tentar.

—Vamos começar a jantar na casa da Senhora Cullen. Estou cansada de comer pizza e comida chinesa e sei que a Kelly também. Aqui, fizemos pra você. Vai te manter seguro papai, fique com ele.

Disse a menina estendendo um colar para o pai.

—Toma. Fiz um pra você também.

Disse a morena que parecia ser mais tímida me estendendo um colar que era um medalhão.

—Bem vindo a Magic Falls.

As três meninas foram embora.

—Eu não sei você, mas preciso de café.

—Eu também.

Mas, o que poderia estar implícito na frase era um lobo? Era um lobo, simples assim. Magic Falls era uma cidade pequena, havia muita floresta, mata virgem e a cidade chamava assim porque tinha uma cachoeira enorme que era profunda. Haviam cavernas embaixo da cachoeira que eram profundas.

Nós entregamos o caso para a polícia florestal já que era um animal. Estava indo pra casa, quando vejo Alaric entrar na floresta carregando uma mala preta enorme.

Segui-o e ele estava fincando estacas prateadas no chão. Ao redor da cena do crime. Em lugares estratégicos. As estacas brilhavam e depois que ele saiu fui olhar mais de perto.

—É algum tipo de pulso sônico. Mas, pra que isso?

Ouvi passos e me escondi. Era Alaric.

—Sou eu. Onde você está? Certo. Fique ai e diga a sua família pra não passar perto da cena do crime. Eu coloquei umas estacas sônicas e vai irritar a sua audição. Se ele aparecer na sua casa... vai transformá-lo?

Transformá-lo?

—Certo. Espero que ele ache o caminho logo, se um dos guardas florestais atirar nele e ele morrer... vai tudo pro buraco. Certo. Tchau.

P.O.V. Alaric.

Tem um bebê lobisomem á solta e preciso pegá-lo, antes que ele se mate. Antes que ele morra na frente da polícia florestal e volta a sua forma humana revelando o mundo sobrenatural para a população humana.

Então, estou me preparando para pegá-lo. Armas de tranquilizante cheias de acônito. E umas balas de verdade só por precaução.

P.O.V. Detetive Griffin.

A polícia florestal ainda está atrás do lobo. Já faz quase um mês e nada do bicho aparecer. Eu sou Detetive á anos e sei que o meu parceiro está escondendo alguma coisa. Como se ele soubesse algo que eu não sei.

Alaric saiu mais cedo e eu fiz o mesmo. Fui atrás dele e acabei no mesmo lugar. Ele estava armado com armas tranquilizantes.

—Agora, você vai me dizer o que está acontecendo.

—Nick? Que droga, você não devia estar aqui. Está usando o colar que a minha filha te deu?

—Estou. Porque?

—Bom. Menos mau. Eu enchi o café da delegacia de acônito, vai ficar bem.

Então, a menina apareceu do nada.

—De onde você veio?

—O que esse humano tá fazendo aqui? Vai servir de isca?

—Ele me seguiu. E estamos sem tempo.

Então as filhas do Alaric e um rapaz indígena.

—Jake, sem ofensa, mas você não tem chance contra um lobisomem de verdade.

—Tocante, mas estou aqui só pra servir de bateria.

—Lobisomem?

Então, o uivo. Um uivo que pode ser ouvido á distância.

—Ok, dá uma arma para o seu amigo. E vamos nos esconder. Eu vou deixar um rastro pra ele seguir.

—Como você não tá passando mal?

—Ein?! Eu não to ouvindo nada Doutor S!

—Ela colocou tampões de ouvido.

E a menina se moveu numa velocidade que nenhum ser humano conseguiria.

—O que diabos...

—Bem vindo á Magic Falls. Temos vampiros, bruxas, híbridos, metamorfos e agora um lobisomem. População humana? Você e eu.

Ela voltou correndo.

—Ele está bem atrás de mim!

Então, vi o enorme lobo preto que corria a mais de cem quilômetros por hora. Dai ele começou a se contorcer.

—Fogo Doutor S! Tranquilizante na criança.

Alaric atirou três dardos na criatura que lutou, se debateu e então... ficou imóvel.

—Para Rick! Se continuar atirando vai matá-lo. Vou levá-lo para a cabana e fazer um feitiço de invólucro. Prendê-lo la dentro.

Ela carregou o lobo para dentro duma cabana de madeira e fez uma linha de sal, na porta, nas janelas.

—Ok. Temos poucos minutos antes que ele acorde.

As três meninas se deram as mãos e eu vi o brilho laranja.

—Repitam comigo. Phesmathos Integrum, Kalom, amalon falagios, ravendox.

—Phesmathos Integrum, Kalom, amalon falagios, revendox.

Elas continuaram falando aquilo até... algo pegar fogo. Combustão espontânea.

—O feitiço está completo. A barreira está erguida.

E bem na hora porque o lobo acordou e tentou nos atacar, mas continuava batendo naquela barreira sólida e invisível. Ela só ficava visível quando a criatura batia nela.

—Que tal um hambúrguer com milk-shake para recarregar?

—Demorou. Espera, temos que apagar a memória do cara.

—Certo.

—Não. Nem vem.

—Vai ficar tudo bem. Você não vai sentir nada. Não vai doer. Eu prometo.

—Não vai apagar a minha memória! Olha, eu não conto. Prometo.

—Ah, vamos lá Ness, vai ser bom ter alguém que sabe.

—Tem certeza, Xerife? Se ele começar a espalhar pra geral sobre a gente, vai dar a desculpa que o Aro precisa pra vir atrás da minha família.

—Vocês tem o seu acordo certo?

—É, mas... agora que o Alec saiu da guarda o Aro tá mais pistola do que nunca.

—O Aro não é burro. Ele não vai ser burro de vir aqui atrás de você.

—Você ficaria surpreso. Bem, agora vou ter que esperar até ele voltar a sua forma humana.

—E a barreira?

—Está limitada á lua cheia. Quando o sol nascer, a barreira cai.

Tudo bem. Isso é loucura.

—Você está em negação. É clássico. Uma reação natural.

Ela se sentou na porta da cabana.

—Você está ficando com o sanguessuga?

—Porque se importa? Certo, sou seu imprinting, mas isso não significa que eu não tenha escolha e você é possessivo, ciumento além da conta e sufocante. Então, não. Não daria certo entre nós. Isso e eu sou meio vampira.

—O imprinting não mente.

—Não gosto da ideia de estar destinada a ficar com alguém, eu gosto de ter escolha.

—Mas, de acordo com sua amiga Elisa você é uma brecha ambulante e é o seu destino ficar com o Volturi assassino.

—É. Eu sou uma fodida. Ai, ta frio.

Eles cataram alguns gravetos e juntaram.

Me ajoelhei e comecei a friccionar a madeira para acender. E eles me olharam como se eu fosse um idiota.

—Sai dai Griffin. Deixa elas acenderem.

A garota mirou no monte de madeira e falou:

—Incendea!

E bum! Combustão espontânea.

—Melhor. Amanhã eu vou fazer compras com a minha tia. Só vou voltar a noite. A tia Ali é obcecada por compras.

—Oh.

—Mas, eu tenho um pressentimento de que ela está escondendo alguma coisa. Estou tentando ver o que é, mas ela está me bloqueando.

—Então, você é uma bruxa?

—Híbrida. Meu pai é vampiro e minha mãe é um aborto. Ela é tão humana quanto você, bem, ela era. Mas, ambos os meus avós maternos eram bruxos.

—Eram?

—Eles morreram. Meu avô Charlie está enterrado no cemitério de Forks, em Washington. E minha vó Renné está em Phoenix.

—Então bruxas podem entrar em cemitérios?

—Sim. Cemitérios, igrejas. O mesmo para vampiros. A coisa das estacas de madeira, queimar no sol, precisar de convite é tudo falso. E a água benta e os crucifixos era marketing da Igreja Católica. Ou seja, não funciona.

—E o sol?

—Afeta eles sim, mas não queima. Os únicos vampiros que podem sair no sol são os membros da minha família. Usei um feitiço para protegê-los.

Espera ai, todos os Cullen são vampiros?

—Sim.

—O que?

—Sim. Todos os Cullen são vampiros.

—Você... você acaba de ler a minha mente?

—Sim. Herdei do meu pai. Ele é telepata e eu também. Alguns vampiros tem dons especiais. Papai é telepata, mamãe é um escudo, tia Alice é vidente, tio Jasper é empata, Alec tem a névoa anestésica, Tio Eleazer sente outros vampiros e seus poderes, tia Tânia é um detector de mentiras ambulante, tia Kate tem o choque.

—Choque?

—Ela dá choque. Eletrocuta a pessoa. Mas, é um dom psíquico. A tia Zafrina cria ilusões super realistas, tio Benjamin manipula os elementos.

—O seu tio Benjamin tem habilidades de bruxo.

—Não. Ele só consegue manipular, mas não tem a conexão. Ele não consegue sifar ou canalizar.

—Ela está certa Kelly. Benjamin é um vampiro. Ele não é bruxo.

—Todos esses vampiros vivem aqui?

—Não. Nós somos os Cullen, o Clã de Olympia. Aqui nós temos meu vô Carslile, minha vó Esme, tia Alice, tio Jasper, tia Rose, tio Emmett, mamãe e papai. E eu. Eles são vegetarianos.

—Vegetarianos?

—Não se alimentam de sangue humano. Apenas animal. Mas, isso não funciona comigo. Mas, antes que você surte, eu me alimento de bolsas de sangue. Meu vô compra e trás do hospital.

—Ele é um vampiro e um médico?

—Sim. E ele nunca se alimentou de paciente nenhum. Acho que ele nunca matou um ser humano.

—E você já?

—Me alimentar de um humano vivo? Sim. Matar algum? Não. Na década de vinte meu pai teve uma fase meio negra. Ele usava sua telepatia para caçar. Escolhia suas presas pelos pensamentos deles. Ele matou estupradores, assaltantes, assassinos.

Então o sol nasceu e eu vi os ossos do lobo quebrando, ouvi os estalos e...

—É uma mulher.

—Aconteceu de novo, não é?

—Olá para você também. Então, não foi sua primeira vez?

—Não. Segunda.

—Você sabe o que acontece?

—Sim. Todos os ossos do meu corpo quebrando duma vez. É meio impossível não se notar.

—Do que você se lembra?

—Oh, meu Deus! As pessoas. Eu... eu matei elas. Eu... eu matei eles.

—Não foi sua culpa. Lobisomens não conseguem se controlar no seu estado primal.

—Sou lobisomem? Bem, é bom saber o que eu sou. Porque isso está acontecendo comigo?!

—Qual é o seu sobrenome?

—Clark.

—Clark? Eu não me lembro de nenhuma linhagem Clark. Mas, posso fazer um feitiço para descobrir de que linhagem você descende.

—Espera, está me dizendo que isso é genético?!

—Não exatamente. É uma maldição de sangue. A bruxa que a lançou empoderou-a com a energia de sua própria morte e limitou-a a lua cheia. Ela não amaldiçoou apenas aqueles que estavam presentes naquela noite, ela amaldiçoou as famílias de todos que os que a condenaram. Katherine Wild que depôs contra ela, o padre Wilkings, o executor John Novak e o Juiz Joseph Nightingale. Ela os amaldiçoou assim uma vez a cada mês eles teriam que se transformar na mesma besta que usaram para caçá-la.

—Resumindo, a bruxa criou a maldição do lobisomem.

—E porque isso está acontecendo comigo?

—Porque é uma maldição sanguinis, uma maldição de sangue. É passada adiante. De forma latente. Então, quem você matou?

—Eu não matei ninguém! Bem, não enquanto eu era eu.

—Você matou alguém. É como a maldição do lobisomem funciona. Não é ativada até matar alguém. Pense á respeito. Pode ter sido qualquer coisa. Acidente de carro, de barco, uma pessoa que caiu da escada e bateu a cabeça.

—Eu bati o meu carro á dois meses. Mas, eu chamei a emergência. A pessoa estava viva, tá no hospital.

—Não está mais.

—Está me dizendo que se eu tiver filhos... isso vai acontecer com os meus filhos?!

—Não necessariamente. Conheço lobisomens que passaram a vida toda sem nunca se transformar. Eles tinham um temperamento ruim, mas fora isso... eram normais.

—Temos um sobrevivente. Ele vai se transformar?

Perguntei.

—Não. Qual é o seu nome?

—Elizabeth.

—Eu vi os seus olhos de lobo. Amarelos, não vermelhos. Você é uma beta. Não pode criar outros.

—E é possível transformar alguém em lobisomem mordendo?

—Se for um macho ou uma fêmea Alfa... sim. Mas, depende das circunstâncias. Obviamente tem que ser na lua cheia. A pessoa tem que ser mordida e não morrer. O que é raro. Pode também ser um arranhão, mas tem que ser muito profundo.

A garota se vestiu com um casaco.

—Vai acontecer de novo?

—Vai. Foi por isso que você veio né? Quer que eu te transforme numa híbrida. Certo?

—Eu não faço ideia do que você está falando.

—Surpreendente.

—O que quer dizer me transformar numa híbrida?

—Só os híbridos podem controlar quando se transformam. Tem seus prós e seus contras. Prós. Híbridos podem andar no sol sem exposição, podem controlar quando ou se se transformam, seus sentidos são como nada no mundo. Se você acha que seus reflexos são bons agora... se eu te transformar... seus reflexos, seus sentidos vão ser como nada no mundo. Imortalidade. Contras. Como híbrida vai começar a experimentar os sentimentos com maior intensidade. O bom fica ótimo, o ruim, fica pior. Raiva vira fúria, a perda, o luto... podem te aleijar. E tem a sede por sangue.

—Espera, de que tipo de híbrido estamos falando?

—Eu vou te fazer vampira, mas você nasceu lobisomem. Então, vai ser as duas coisas, só que mais letal que os dois.

—Isso não é possível. É?

—É claro que é. Ela já fez isso antes. Ela é uma máquina de gerar híbridos.

—Obrigado pela parte que me toca, Jacob.

Mas, o que diabos é isso?

—Acho que preciso do dia de folga.

—Certo. Se considere dispensado.

Magic Falls. Uma cidade cheia de vampiros, lobisomens, bruxas e híbridos. Meu Deus!

Cheguei em casa, tomei banho e tentei assistir TV. Mas, não deu. Então, comecei a fazer pesquisa. Quando você joga vampiro no Google aparece um monte de besteira. A menina falou que estacas, água benta, crucifixo, igreja e cemitério é mito. Assim como a coisa de precisar de convite.

Mas, a super-velocidade é verdade. Fiquei quebrando a cabeça por muito tempo, até ouvir a campainha. E quando abri a porta...

—Posso entrar?

Perguntou com tom de deboche.

—Claro.