Notas iniciais
Olá! Agora sim, oficialmente o último capítulo dessa fanfic que eu AMEI escrever para o Junho Scorose ♥ É um epílogo, mas resolve algumas das coisinhas que ficaram de lado no anterior. Este final é dedicado à prongs, maravilhosa, que recomendou a fanfic e surtou junto comigo e todas as outras leitoras maravilhosas nos comentários haha Obrigada por todos os elogios, apoio e confiança ♥ Se a história chegou até aqui como chegou, devo muito a todos os comentários incríveis! Aproveito a emenda para agradecer a quem favoritou, comentou e me acompanhou até aqui nessa jornada louca! A gente se vê no final para mais alguns agradecimentos e despedidas haha Não esqueçam de conferir a playlist: https://open.spotify.com/playlist/5WApc53CnzwWmZ5l3u2u3H#_=_ Espero que gostem ♥

06. UM EPÍLOGO

…

CINCO ANOS DEPOIS

Encarei o par de alianças que eu segurava e depois fixei meus olhos na imagem no espelho. O terno preto me deixava ainda mais pálido que o normal, meu cabelo estava com gel demais e minha gravata estava torta, apesar das várias tentativas de ajustá-la nas últimas horas. E essa era só uma das várias coisas que estavam erradas.

— Eu realmente não vou conseguir fazer isso.

De quem havia sido a estúpida ideia de me colocar como padrinho de casamento? Olha, se fosse só pelo motivo de ser escritor, era um absurdo.

Ok, talvez nem tão absurdo assim, considerando que eu realmente havia ficado relativamente bom em escrever romances, então fazer um discurso bem elaborado e com alguns toques de romantismo não seria tão difícil. Poderia me basear um pouco no que Mark disse para Anna em Noite de Outono, ou o que Karen escreveu em uma carta de despedida para Julie em Café amargo, mas se notassem a semelhança do discurso com certeza me julgariam.

A pior parte estava em ter que subir naquele palco cheio de flores e ficar de pé na frente de uns trezentos convidados. Quem convida esse número todo de pessoas para o casamento? Mas não é de se estranhar totalmente, na realidade, considerando que uma das partes possui uma família enorme.

— Você não é o único que está surtando aqui. — Rose resmungou, enquanto revisava as próprias anotações. A encarei por alguns instantes, permitindo-me sorrir ao perceber os fios teimosos soltando da trança e notando que ela não havia terminado de subir o zíper do vestido amarelo.

Caminhei até ela a passos largos e segurei seus ombros com delicadeza, percebendo o quão tensa ela estava.

— Vou fechar para você. — avisei quando levei meus dedos até suas costas, mas Rose se arrepiou do mesmo jeito. Era assim mesmo após os cinco anos: arrepios involuntários eram fáceis demais de arrancar dela em contextos totalmente aleatórios. — Você é muito melhor que eu para falar em público.

— Mas você não tem o peso de ser da família. — a revirada de olhos dela me fez reprimir um sorriso. Apertei a caixinha que estava em meu bolso e respirei fundo.

— Você tem a facilidade de que sua família inteira sabe o quão incrível você é. Já eu… — ri pelo nariz e Rose abaixou o papel com força, me encarando séria.

— Esqueceu que todo mundo está viciado em seus livros e que os Weasley’s possuem praticamente um fã clube à parte seu? — minha namorada se levantou, fingindo irritação, obviamente, pois o canto de seus lábios escondia um sorriso. — Minha mãe gosta mais de você do que de mim.

— Que exagero. — ri beijando sua testa e Rose balançou a cabeça, me abraçando. — Ter uma filha artista famosa é muito melhor do que ter um genro escritor de romances e mistérios meia boca. Ela só talvez esteja roubando seu posto de minha fã número 6.

— Eu te odeio por esse ranking.

— Você me ama por eu ser justo no meu ranking que eu sei.

— Talvez. — ela sorriu, soltando-se e voltando a ler os papéis. — Ah, quer saber? — rasgou em pequenos pedacinhos o que eu sabia que eram cerca de cinco folhas, já que a acompanhei ficar a noite passada inteira escrevendo, de última hora como sempre costumava fazer as coisas. — Vou falar o que vier na cabeça. Se eu estiver com uma taça na mão e rir um pouco todo mundo vai achar que estou bêbada demais e meu discurso mediano vai acabar se tornando icônico. Você lembra no casamento de Vic e Teddy que tio Charlie deu o melhor discurso, não é? Mas ele me contou depois que não lembrava nem ter subido no palco! E nós dois bem sabemos que álcool por gerar bons resultados. — o sorriso que Rose abriu me fez beijá-la ali mesmo, pouco me importando se meu cabelo parecia lambido demais ou se minha gravata não tomava jeito. E bem, o dia estava bem ensolarado, ninguém iria perceber o quão pálido eu era.

— Rose… — nos separamos quando a voz de Hugo soou na sala. Ele sorria nos encarando com aquele olhar de quem estava interrompendo alguma coisa. — A noiva pediu para te ver.

— Onde ela está?

— No antigo quarto do papai.

Com um selinho rápido ela se moveu em direção à saída, mas eu reparei que ela estava descalça.

— Rose, você sabe o que sua mãe irá falar.

— Vocês dois deveriam dar as mãos, isso sim. — resmungou tentando esconder um sorriso. — Hoje eu sou a madrinha, então posso me dar o direito.

— Achei que somente as noivas pudessem ter essas regalias. — Hugo observou e Rose deu de ombros.

— Esse casamento nem aconteceria se não fosse por minha causa, então acho que posso.

Não era inteiramente mentira, porque Rose realmente havia dado um empurrãozinho.

Se não fosse por ela, Dominique jamais teria ido ao TED Talk em que acabou conhecendo Louise. Nem Rose nem Mia se lembravam do porquê da minha ruiva ter insistido tanto naquela palestra, mas Rose gostava de dizer que ela apenas sentiu que a prima precisava ir até lá. Mia, na verdade, acreditava que Rose só queria uma desculpa para frequentar os corredores de Oxford e tentar me encontrar, já que era uma fã dos meus contos na época.

Era realmente irônico como esse tempo eu estive tão perto dela, mas fomos nos encontrar por um puro acaso do destino sobre duas pessoas bêbadas que mal sabiam distinguir o que era real e o que era imaginação.

— Ainda não acredito que Dominique não me chamou para ser padrinho. — Albus resmungou enquanto rodava a gravata na mão de maneira entediada.

— Se minha irmã e o Scorpius se casarem você vai ser o padrinho, relaxa. — Hugo bateu nas costas do primo, deixando-nos a sós. Apesar de ter sido uma tentativa de piada, era mais ou menos o que eu estava planejando fazer em breve. E Albus sabia, por isso abriu um sorriso enorme, aproximando-se de mim para falar mais baixo.

— E aí, você vai pedir hoje mesmo?

— Não sei. — comentei estralando os dedos. — Você não acha que seria invasivo demais? Quero dizer, é o casamento da Mia e da Lou.

— Scorpius, fala sério, elas vão dar o fora daqui para a lua de mel na Tailândia em tipo duas horas de festa. — meu amigo revirou os olhos, sentando-se em uma poltrona próxima da janela. Reparei que ele estava impaciente e eu tinha uma leve impressão do que poderia ser.

— Ainda não teve resposta da Nina?

— Não. — soltou um suspiro irritado enquanto tentava ajeitar a própria gravata. — Ela disse que havia perdido o vôo, então chegaria em cima da hora da cerimônia. É uma droga que ela seja uma correspondente do outro lado do mundo.

— Já faz quanto tempo?

— Que ela foi para a Coréia ou que nós nos vimos? Sinceramente, os dois fazem tanto tempo que não sei mais. — soltou uma risada sem emoção e eu me aproximei dele, percebendo que a luta contra a gravata iria longe demais.

— Deixa que eu arrumo. — ele se levantou, suspirando pesadamente, com os olhos ainda grudados na janela.

— Tá um calor dos infernos, quem é que teve a brilhante ideia de se casar em pleno vinte e nove de junho? — resmungou enquanto limpava o suor da testa, mas calor dos infernos era um exagero absurdo, já que, apesar de estar quente, nada se comparava ao que julho ainda estava por trazer. Eu sabia que o nervosismo inteiro era por conta de Nina.

— Você não a visitou lá ano passado? — perguntei, ignorando a observação sobre o calor.

— Sim, mas foi isso mesmo que você falou. Ano passado. Olha, não é que eu não tenha gostado de tentar achar os cenários de Train to Busan. E as fotos com as versões gigantes do Psy em Gangnam também ficaram ótimas. — a risadinha dele ecoou pela sala e eu revirei os olhos lembrando de como Albus encheu a memória do meu celular com vários vídeos dançando Gangnam Style. — Mas sei lá, namorar à distância por quase dois anos é coisa demais, Scorp.

— Você não a ama mais?

— Olha bem para a minha cara de panaca. — ele apontou para o próprio rosto, atônito. — Eu tô pior do que você quando olha pra Rose, cara. O foda é que eu amo a Nina demais e você sabe que desde aquela briga a gente não se largou mais. Até a merda da Coréia entrar em campo.

— Então qual o problema? — finalizei o nó e me afastei dele, cruzando os braços. — Você está sendo antecipado de novo com medo do que vai acontecer e está pensando em terminar?

— Vou estar mentindo se disser que não cogitei isso. — admitiu, passando a mão nos cabelos. Quando é que ele iria aprender? — Mas eu sei que é idiotice, foi só um lapso. Não precisa me dar lição de moral. A verdade é que eu tenho medo que ela termine comigo. Estou sentindo que ela vai fazer isso, na verdade.

— Por quê?

— Ela não me deseja bons sonhos mais. E isso era meio que nosso código, nossa piadinha interna. — Albus parecia genuinamente envergonhado e eu franzi o cenho. — Por conta de você e da Rose… Sabe… Que se apaixonaram por sonhos.

Meu Deus.

— Albus, isso não quer dizer nada.

— Será que não mesmo? — ele cruzou os braços, irritado e eu só revirei os olhos.

— Desde quando ela não fala mais isso?

— Faz uns três dias.

Meu. Deus. Albus estava delirando por uma coisa boba.

— Você precisa se acalmar. Ela vai chegar e vocês vão resolver tudo. Tenho certeza. — sorri em solidariedade e Albus suspirou, aparentemente com muitas dúvidas.

Mas se ele as tinha, não conseguiu compartilhar, pois Mia, acompanhada da mãe, da avó e de Rose, estavam na ponta da escada.

Não consegui deixar de conter o sorriso ao ver o quão linda Dominique estava em seu vestido bege simples, mas absolutamente deslumbrante.

— Não falem nada! — advertiu quando chegou perto de nós. — Eu vou chorar, sério. Não falem nadinha.

— Pode deixar. — Al falou e eu assenti. Mia nos encarou por alguns segundos e nos abraçou, rindo.

— Meu Deus, eu vou mesmo me casar!

…

— Você está com as alianças aí, certo? — Rose sussurrou enquanto caminhávamos para o altar e eu quase desmaiei de susto.

— O quê?

— Você é o padrinho, precisa entregar as alianças. — murmurou entre dentes enquanto sorria para os convidados. Suspirei aliviado, sentindo a caixinha de Mia de Louise no meu bolso esquerdo e a de Rose no meu bolso direito.

— Sim, estão aqui.

— Ótimo. Boa sorte. — apertou minha mão gentilmente enquanto se separava para ficar no seu local do altar.

Ao menos, aquela parte seria a mais fácil. Era somente eu ficar ali, prestando atenção na cerimônia e no momento certo de dar as as alianças. Não era nada demais.

— Como você e a Rose ainda não casaram? — Anthony sussurrou ao meu lado depois de entrar com com Lana, a namorada do momento que ele jurava que dessa vez seria para valer. — Sabe que vou querer ser padrinho também, não é? O Potter que se vire. Já não basta você ter ficado com a tarefa de entregar as alianças no casamento da minha prima. — riu me cutucando e eu arfei nervoso. Por que hoje todo mundo havia resolvido me perguntar sobre um possível casamento com Rose? Me preparar para o pedido já estava sendo suficientemente difícil.

Logo Louise apareceu, sendo conduzida pelo pai e, na sequência, Dominique entrou com Bill Weasley. Eu sinceramente não sabia dizer quem sorria mais: ambas estavam igualmente felizes e emocionadas.

Percebi uma movimentação e notei Nina correndo, enquanto segurava o vestido vermelho nas mãos, a passos silenciosos para a fileira em que Albus estava sentado, tentando inutilmente não chamar muita atenção. O sorriso que meu amigo abriu ao ver a namorada me fez ter certeza de que qualquer preocupação que ele tivesse haviam ido completamente embora. O beijo saudoso que ela roubou também só confirmavam minha hipótese de que Nina não tinha intenção nenhuma de terminar nada. Estavam mais apaixonados do que há cinco anos atrás, quando voltaram e se assumiram oficialmente como namorados, e do que há dois, quando a proposta de trabalho irrecusável apareceu e eles passaram meses se despedindo em todas as oportunidades.

Não resisti e olhei para Rose, que estava concentrada na cerimônia e sorria de maneira adorável. Eu havia imaginado aquela cena várias vezes. Eu e ela no altar. Ela dizendo os votos e me fazendo chorar de rir, eu dizendo os meus votos e fazendo-a chorar de rir também. Nós dois dizendo sim.

Eu não fazia de ideia de quando aquilo iria acontecer e nem como, porque Rose gostava de coisas diferentes e talvez uma cerimônia tradicional não a agradasse, mas não era importante agora. A ideia de estar ao lado dela para o resto de nossas vidas já era suficiente.

— Scorpius. — Anthony me cutucou forte na costela, fazendo com que eu saltasse, assustado. — As alianças. — olhei para Mia e Louise, que sorriam com minha atrapalhação. Engoli em seco, enfiando minha mão no bolso direito e entregando sem jeito para Mia, que afagou meu pulso em consolo.

— Hã… — Mia virou a cabeça novamente para mim, me olhando de uma maneira estranha. — Está faltando uma. — sussurrou e eu gelei. Que merda, eu havia perdido a outra aliança?

— Na verdade essas não é a aliança que eu escolhi. — Louise falou um pouco alto, chamando a atenção de alguns convidados. Ela aproximou o rosto do anel e sorriu. — Me parece mais uma aliança de noivado do que uma de casamento.

Puta que pariu.

— Merda. — gemi caçando a caixinha certa no meu bolso esquerdo. Fiz a troca tremendo e com a certeza de que meu rosto estava pegando fogo enquanto algumas exclamações de compreensão podiam ser ouvidas.

Não tive coragem de encarar Rose e mative os olhos fixos nos meus pés. Eu era um idiota. Eu era realmente patético. Que porcaria, quem estragava o próprio pedido de casamento? Ainda mais interrompendo uma cerimônia assim?

— Boa sorte. — as duas noivas sussurraram para mim e eu gemi de vergonha.

— Acho que teremos outro casamento em breve. — o juiz de paz anunciou e as risadas tomaram conta. Eu queria morrer.

— Scorpius, olhe pra lá. — Tony me empurrou levemente com o ombro e eu ergui os olhos finalmente, tentando controlar meus batimentos cardíacos. Rose parecia genuinamente surpresa e… Estava chorando e rindo ao mesmo tempo?

Rose me deu um daqueles sorrisos enormes que ela tinha e eu respirei um pouco mais aliviado. Ela sabia o que eu queria e estava me dando uma resposta com o olhar. Eu tinha plena consciência agora de que era só uma questão de tempo — mais ou menos quanto tempo ainda demorasse a cerimônia de Mia e Louise — para oficializar o que já estava iminente.

…

— É claro que eu e Draco não ligamos da cerimônia acontecer aqui! — meus pés cravaram no chão quando ouvi aquilo saindo da boca de minha mãe. Eu ainda nem tinha conseguido falar à sós com Rose!

— Ai, que maravilha, Astoria! — Hermione juntou as duas mãos e sorriu, soltando uma pequena exclamação ao me notar. — Scorpius, querido! Me deixe ver o anel.

— Hermione, não é melhor deixar ele falar com Rose primeiro? — meu sogro parecia sem jeito, olhando para mim com pena de todo aquele escarcéu. A esposa dele suspirou pesadamente, olhando para os lados.

— E onde é que está a Rose?

— Procurando pelo noivo. — meu pai se aproximou sorrindo enquanto entregava uma taça para minha mãe, beijando-lhe a testa. — Acabei de vê-la perto dos drinks. Se quiser vou buscá-la.

— Pare quieto em algum lugar, Draco. — mamãe ralhou, mas riu, agradecendo pela taça. Desde que não existiam mais resquícios do tumor e ele finalmente havia saído da cadeira de rodas ele aproveitava absolutamente qualquer oportunidade para se mexer um pouco.

— Eu vou até lá. — anunciei antes que eles pudessem começar a falar mais sobre meu pedido público de casamento ou fizessem mais planos.

Mas Rose não estava lá e sim o senhor Davies, que atualmente também havia se tornado agente de Dominique.

— Scorpius! Vejo que acabou se inspirando no pedido desastroso de um dos seus livros. — comentou rindo enquanto me abraçava. Suspirei pesadamente, me achando incapaz de esquecer aquele deslize pelo resto da vida, mas sem muitos arrependimentos, na verdade, só uma vontade imensa de finalmente encontrar minha possível noiva.

— Acho que acabei mergulhando demais nas histórias. — resmunguei pegando uma taça para tentar aliviar meu nervosismo, pois pelo visto todo mundo estava olhando para mim e sorrindo de maneira afetuosa ou risonha. — Mas a culpa é totalmente sua, professor. Quero dizer, senhor. — largar alguns velhos hábitos era difícil, mas Davies apenas sorriu.

— Scorpius, você me dá crédito demais pelas suas próprias conquistas. — ele balançou a cabeça rindo e eu franzi o cenho.

— Como assim? Eu literalmente só estou onde estou por sua causa.

— O quê? Escrevendo livros de romance que fazem tanto sucesso quanto os de mistério? — arqueou uma sobrancelha, se aproximando de mim. — Scorpius, você realmente não se lembra de como eu propus isso, não é?

— Você disse que eu tinha que escrever um romance. — afirmei e ele negou.

— Eu disse que você poderia tentar arriscar um romance.

Ele não precisou dizer mais nada, pois eu tinha ciência do que aquela pequena alteração semântica significava. Davies nunca me obrigou a nada, fui eu que comprei a ideia desde o ínicio. Eu quis aceitar o desafio de escrever romance. Meu professor apenas de meu a dica, mas toda a obstinação veio de mim. Às vezes eu me surpreendia comigo mesmo. E gostava daquilo.

…

Quando finalmente encontrei Rose ela estava conversando com Albus e Nina animadamente. Fui até lá decido a puxá-la para algum canto reservado e conversar, pois depois que me separei de Davies encontrei ao menos mais três conhecidos que queriam me parabenizar por um pedido que nem estava realmente oficializado.

— Scorpius, seu doido! Eu não acredito que quase perdi o pedido de casamento mais icônico da face da terra! — Nina me recepcionou com um abraço apertado e eu sorri um pouco sem jeito, olhando para Al que fazia um joinha e Rose que reprimia um sorriso.

— Você sabe que não foi nada pensado. — falei sem jeito e ela balançou a mão.

— Eu sei que não e também sei que você está morrendo para falar com a Rose. Se não fosse por mim vocês provavelmente ficariam horas tentando se encontrar, porque pareciam duas baratas tontas rodando por aí. — ela balançou a cabeça negativamente, abraçando Albus. — Por isso que eu parei ela aqui e também por isso que eu ainda estou segurando os dois. Depois que ouvirem o que eu tenho pra falar, vocês podem sair, terminar o pedido, se comerem, o que for.

Levei a mão ao rosto, envergonhado, ao passo que Rose soltou uma gargalhada alta.

— Que novidade é essa que eu não estou sabendo? — Al franziu o cenho e Nina sorriu, pigarreando e erguendo a taça.

— Sou uma excelente correspondente, vocês sabem. Meu coreano é afiadíssimo graças aos dramas e os k-pop da vida, komawo. — ela fez uma reverência esquisita e eu não contive uma risada. — Mas eu recebi outra proposta muito interessante.

— Não vai me dizer que você vai ser correspondente em outro país da ásia. — Al arfou em desespero.

— Albus, eu estaria feliz desse jeito se a proposta de trabalho fosse em outro lugar senão aqui e em uma emissora maior? — ela mantinha o olhar sério sobre o namorado, tentando conter um sorriso. Quando compreendeu, Albus começou a distribuir vários beijos pelo rosto dela. — Meu Deus, calma, vai tirar minha maquiagem toda com sua boca!

— Eu não acredito que você vai voltar! — Rose entrou no meio do abraço e eu me juntei também, rindo.

— Finalmente o Albus vai parar de chorar no meu ombro.

— Calma que eu ainda preciso cumprir mais seis meses de contrato! — Nina riu, separando-se do abraço coletivo e me encarando. — Agora que vocês já sabem, o que você tá esperando pra ir fazer o pedido oficialmente, Scorpius?

Rose sorriu para mim e estendeu a mão, que aceitei de bom grado, sentindo meu coração aquecer com o toque. A guiei para longe dali, em direção ao local que havia imaginado para o pedido.

— Há quanto tempo você veio pensando nisso? — perguntou risonha ao perceber que eu a levava para o lago próximo em que ela me levou quando conheci a família dela pela primeira vez, há praticamente quatro anos e meio.

— Um tempo. — respondi sem tem muita certeza e ela resmungou.

— Scorpius você sempre fala tudo de maneira específica.

— Eu sei. — defendi-me. — Mas é que eu realmente não sei quando comecei a pensar nisso. Eu só… Sabia. — virei para encará-la, parando de andar. Rose sorriu, afagando minha mão.

— Foi impreciso?

— Totalmente. — arfei, sentando-me no banco que tinha ali perto e puxando-a comigo. — Foi como nos sonhos. Eu não sei quando me apaixonei. Só sei que aconteceu. A vontade de te pedir em casamento também não sei de onde veio. Só estava ali. Às vezes me pegava pensando em como seria casar, até que um dia eu estava na casa dos meus pais e perguntei se poderia levar o anel. — dei de ombros e Rose levou a mão à boca, chocada.

— Meu Deus eu não acredito que é o anel da sua família! Seus pais sabiam?

— Bem, eu disse que era para fazer a capa do meu próximo livro baseado no anel. Não sei se eles acreditaram. — peguei a caixinha e exibi para Rose o singelo anel de prata com uma pequena safira, tão azul quanto o céu do terraço que embalou nossas memórias, quanto o vestido customizado com pequenas nuvens que ela vestia naquela noite e quanto seus olhos arregalados quando me socorreu.

Aquela era a coincidência mais adorável do mundo, uma das várias que envolvia meu relacionamento com Rose, e que me fazia acreditar que talvez o destino realmente existisse e tivesse caminhado perfeitamente para que chegássemos até aquele momento.

— Eu sei que você não é de usar anéis porque atrapalham a segurar o pincel, mas talvez esse aqui você possa usar ao menos como colar. Se aceitar, é claro. — falei engolindo em seco, tentando me lembrar de tudo que havia planejado dizer. — Ah, merda. — fiz menção de me levantar para ficar de joelhos, mas Rose me impediu.

— Não precisa. É óbvio que eu aceito. — sorriu abertamente e eu arfei.

— Mas eu não deveria pedir adequadamente?

— Scorpius eu já disse sim na hora que você trocou os anéis no altar.

— Mas eu…

— Se é tão importante formalizar eu mesma falo. Sempre quis fazer isso. — ela se levantou e meu me ergui no mesmo instante, contrariado.

— Não, Rose, eu falo.

— Tarde demais. — abriu um sorriso zombeteiro e quando fez menção de dizer as palavras, eu me apressei.

— Quer casar comigo? — apesar do pequeno delay ao término da frase, falamos praticamente ao mesmo tempo, rindo como duas crianças competindo. — Sim. — em uníssono de novo.

— Ainda bem que ninguém está aqui para ver essa cena. — comentei aos risos enquanto Rose colocava o anel em si, sem esperar que eu o fizesse.

— Mamãe iria cair dura se soubesse que eu não deixei você fazer o pedido sozinho.

— Talvez ela achasse adorável. — sugeri e Rose assentiu, me beijando.

— Ou completamente ridículo.

— Mas é isso que nós somos. — falei simplesmente e Rose sorriu.

Notei que ela não estava falando muito o dia inteiro, o que era algo muito anormal considerando toda sua verborragia. Quando questionei minha noiva a respeito, ela balançou a cabeça, sorrindo.

— Só fiquei pensando em como tudo isso parece um sonho. — Rose me encarou, com os olhos azuis brilhando, capazes de ler cada canto da minha alma, como fez nos últimos cinco anos e continuaria fazendo por tantos outros mais, se tudo continuasse dando tão certo como estava. — E em como eu quero gravar tudinho e, se for um sonho, não acordar nunca mais.

Sorri com sua observação, envolvendo-a em um abraço demorado. Senti, naquele momento, que eu segurava meu mundo inteiro e sorri com o pensamento de que tudo não só parecia, como estava certo.

Rose Weasley veio até mim por meio de sonhos, como Ruby, mas se tornou a realidade que jamais esperei. Ela era o completo oposto de mim em vários sentidos, e por isso mesmo conseguia despertar coisas que eu jamais havia imaginado. Ela poderia ser totalmente diferente do que eu esperava, mas isso porque era muito mais.

Rose Weasley era a garota dos meus sonhos, aquela pela qual eu nem sabia que estava esperando, mas que agora eu simplesmente não queria deixar ir embora. E ela tampouco fazia menção de ir.

...

FIM

Notas finais
Obrigada prongs, noora, winnie, Little Alice, BadMinnie, Wonder, violet, Thais, Nathalianath, Lê, Láurea, Carol, RosaDWeasley, celest e Yeuxpapillon que aqueceram meus corações com comentários incríveis e/ou favoritando a fanfic. Obrigada também a todas as meninas do Sociedade Secreta Scorose por todo o apoio também, que estão penando para colocar as leituras em dia assim como eu, mas sempre tiram um tempinho para vibrar quando alguma posta um capítulo novo. Obrigada Tahii e Miss A, por terem encabeçado esse projeto incrível, organizando tudo para que as coisas ficassem perfeitas, tanto no Twitter, quanto no Tumblr e na ajuda com capas e divulgação. O Junho Scorose acaba amanhã, mas fez uma diferença e tanto na vida de cada um que participou, fosse escrevendo ou lendo ♥ Quem não foi citado aqui, mas acompanhou de longe a fanfic, ou só depois que ela foi encerrada, meu muito obrigada também ♥ Amei a jornada de escrever um Scorpius metódico, uma Rose extravagante, um Albus brincalhão e uma Nina empolgada! Espero que cada um que chegou até encontre um pouco de magia no dia a dia ♥ Sim, eu sou melosa assim mesmo e chorona SIM, apenas lidem HAHA Amei surtar com vocês, rir das teorias e respondê-las - muitas vezes com bíblias gigantes - com muita empolgação. Espero que tenham gostado dessa jornada tanto quanto eu! Beijos e até uma próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!