Ele chegou mais perto dela.

-... E quem é você exatamente? Está usando o uniforme do Acampamento Meio-Sangue, mas nunca te vi por lá... — havia um pouco de raiva em sua voz, talvez por ter visto aquela garota desconhecida dobrar a água tão bem... até mesmo melhor do que ele.

Ela se virou devagar com um sorriso travesso no rosto. Ela tinha a pele bronzeada e cabelos cacheados, seus olhos eram de cores diferentes, mas ele não conseguiu identificar exatamente quais eram elas.

-Você deve ser Perseu Jackson... Prazer em conhecê-lo, sou Nathaly... Sou sua meia-irmã.

A garota disse aquilo com a maior naturalidade, e o grito de espanto dos outros semideuses em volta deles não pareceu surpreendê-la nem um pouco. Depois de alguns segundos de muitos cochichos, uma garota loira de olhos cinzas tomou a frente:

-Impossível, Poseidon não possui nenhum outro filho semideus além de Percy — interrompeu Annabeth.

Nathaly olhou para ela com fúria nos olhos.

-E você deve ser a tal Annabeth, criança de Atena...

-Sim, sou eu.

-Não gosto de você. Fique calada. E sim, eu sou filha de Poseidon…

Todos ouviam atentamente Nathaly contar a história.

-Pelo que se sabe até agora eu sou a única semideusa filha de Poseidon, por isso muitas pessoas dizem que ele só é capaz de ‘produzir’, com humanas, descendentes do sexo masculino. Bobagem! Eu estou aqui, certo? — Ela falou olhando para o céu, como se estivesse falando sozinha, ou com Zeus, talvez. Ela ia continuar quando um alguém lá atrás perguntou.

-E quantos anos você tem? — Gritou o tal alguém.

-É verdade, e seu colar tem várias contas, mais do que qualquer um aqui. — Resolveu perguntar Percy, apontando para o colar de contas que ela levava no pescoço, com sete contas.

-Bom, certo… Sou mais velha do que vocês pensam. Tenho dezessete, fui para o Acampamento aos nove, e fui reclamada no mesmo dia. Ouve um grande alvoroço quando o tridente aparaceu brilhando em cima da minha cabeça. E depois de muitas discussões desnecessárias com o tema ‘acho que Poseidon se confundiu’, o próprio apareceu lá no Acampamento para confirmar isso, seguido de Afrodite e Ares.

Vários olhos curiosos pendurados nela.

-O que Afrodite e Ares estavam fazendo lá? — Perguntou algum curioso

-Foram me parabenizar, presentear, e sei lá mais o que.

-O que eles te deram? — Annabeth ousou perguntar

-Eu ganhei o título de νέα νερό (néa neró) e…

-Água nova? — alguém interrompeu

-Sim… continuando... Ares e Afrodite me deram bênçãos; a dele me permite ficar mais forte fisicamente durante a batalha. e eu posso passar minha “força de batalha” para meus aliados, e ela me abençoou com o charme; obviamente essas bênçãos que ganhei não são tão fortes quanto as dos filhos deles, mas como as tenho a muito tempo, já estão equivalentes. E depois meu pai me deu um presente que ele mandou Hefesto produzir, é um tipo de pulseira, bracelete… não sei… que inicialmente se transforma em um tipo de tridente, e depois em qualquer arma de bronze celestial que eu desejar. A pulseira, barra, bracelete é super fina e quase imperceptível. — Ela levantou o pulso para mostrar o fino objeto de bronze celestial que se enrolava delicadamente em seu braço e terminava um pouco antes do cotovelo com um desenho do tridente. — Perguntas?

Muitos braços se levantaram…

-Quantas outras filhas Poseidon tem? — perguntou um filho de Hermes que parecia ter um sério tique nervoso no olho direito.

-Com uma mortal? — A garota perguntou com um leve tom de deboche — Nenhuma… Que se saiba...

-Onde você esteve por todo esse tempo? Porque embora você diga que é a mais velha daqui, não aparenta ser.

-Eu vivi praticamente a minha vida toda no palácio subaquático do meu pai. Quando nasci, minha mãe me criou sozinha durante algum tempo, mas quando fiz uns três anos ela ficou muito doente e faleceu. Por algum motivo isso chamou a atenção de Poseidon, que pediu Hermes para me buscar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.