A Garota do Guarda-chuva Azul
19 Capítulo 19
— Acha que esse verde combina com azul? – Alex pergunta, em dúvida.
— Acho que sim – respondo, dando de ombros. É sábado à tarde e estamos sentadas no chão do escritório de Alex fazendo alguns cartazes que serão utilizados em uma campanha beneficente. Estamos completamente sozinhas, visto que Charlie está trabalhando e Benedict está em seu curso de Francês. Me lembrando do garoto, acrescento, com um sorriso – Mark e Benedict estão se dando bem?
— Pode apostar. – ela diz, sorrindo, enquanto recorta uma cartolina verde musgo – Agora não sei de quem eu tenho mais ciúme.
— E Charlie, gostou da ideia?
— Eu diria que gostar é uma palavra muito forte. – começa, com uma sobrancelha arqueada – Vive dizendo que Mark faz muitos buracos no jardim e que está sujando toda a casa de terra.
— Filhotes são assim mesmo, parecem até um furacão ambulante. – digo. Em seguida pergunto, olhando ao redor — Você viu o tubo de cola? – Continuo a procurar por ele no meio de toda aquela bagunça de papéis recortados.
— Esse aí que está no seu colo? – ironiza.
— Caraca, eu tenho uma péssima memória – digo, envergonhada, caindo na risada junto com ela por alguns minutos.
— Você também tem um sorriso lindo – comenta, distraidamente, com uma expressão de admiração no rosto.
Estamos significativamente próximas uma da outra. Sinto meu coração começar a bater descompassadamente. Vendo aquela mulher espetacular me olhando daquele jeito faz com que eu perca todos os meus sentidos. Como se minha vida dependesse disso, me aproximo ainda mais e colo meus lábios aos dela num tímido selinho. Rapidamente afasto meu rosto, pensando na grande idiotice que acabo de fazer. Olho para ela e vejo que Alex tem a mesma expressão de espanto que eu. Ficamos alguns segundos em silêncio, incapazes de proferir qualquer palavra.
— Emma, – inicia, confusa. Suas bochechas começam a ficar vermelhas – eu não posso. Não posso fazer isso.
— Eu... s-sei disso – é tudo o que consigo dizer, me levantando.
— Acredite em mim, eu quero. – começa, também se pondo de pé, me encarando – Mas eu sou casada e tenho um filho. Já estabelecemos que somos apenas amigas – termina, com uma expressão de culpa e ansiedade.
— D-desculpe, eu não devia ter feito isso – falo, totalmente constrangida. Meu rosto queima de vergonha e me sinto a pessoa mais estúpida de todas.
Me viro para ir embora, mas, antes que eu alcance a porta, sinto um puxão no braço e me viro novamente, me deparando com Alex diante de mim, que imediatamente me pega pela cintura e me beija.
Apesar de ter sido pega completamente de surpresa, correspondo ao ato quase que imediatamente. Ao contrário do primeiro beijo, que havia sido tímido e lento, agora nos beijamos com ferocidade. Ela me aperta ainda mais, deixando nossos corpos colados. Sentindo faíscas percorrerem meu corpo, coloco minhas mãos em seu pescoço. Seus lábios são macios e deliciosamente doces, o que me faz querer aprofundar ainda mais o beijo. Instintivamente, minha língua, desesperada para sentir mais profundamente aquele gosto espetacular, pede passagem. No mesmo instante Alex cede e passamos a nos beijar com ainda mais desejo. Nossas línguas protagonizam um beijo ávido e faminto.
A sensação que tenho é que, ao mesmo tempo em que estou caindo de um prédio de 6 andares, também estou numa maravilhosa banheira de hidromassagem repleta de pétalas de rosa. Uma onda de prazer percorre meu corpo com tanta intensidade que sinto minhas pernas ficarem bambas. O sentimento de poder colocar para fora todo o desejo ardente enterrado durante todo esse tempo é sem igual.
Estamos nos beijando com cada vez mais paixão, mas, ainda assim, Alex me segura com todo o cuidado e firmeza do mundo, como se eu fosse algo extremamente precioso. É inacreditável o fato de que o momento que estamos compartilhando ser tão cheio de excitação e amor, ao mesmo tempo.
Continuamos a nos beijar urgentemente por mais alguns minutos, até que meu corpo pede por mais. De maneira involuntária e ainda a beijando, caminho lentamente em direção à mesa vazia de seu escritório, levando-a comigo. Paro quando sinto minhas costas encostando nela e imediatamente troco de posição com Alex, fazendo com que ela fique de costas para a mesa. Paro de beijá-la e a encaro. Colado ao meu, seu olhar está carregado de um desejo insano que eu jamais vira passar pelos seus olhos verdes antes. Tomada por aquele sentimento insaciável, posiciono minhas mãos em sua cintura e, a segurando firmemente, sento-a na beirada da mesa. Logo após, Alex começa a me beijar ainda mais vorazmente, encaixando seu quadril no meu e colocando as pernas ao redor das minhas coxas. Ela entrelaça seus dedos em meus cabelos e puxa levemente, tirando ainda mais a minha razão e me fazendo descer ainda mais minhas mãos até chegarem em sua bunda. Sinto um pequeno receio de que, talvez, eu possa estar indo longe demais, mas na mesma hora ela solta um gemido baixo no meio do beijo, que soa como música para meus ouvidos, e deixa nossos corpos completamente colados após entrelaçar ainda mais suas pernas ao redor do meu corpo.
Nesse momento trocamos muito mais do que um beijo. Trocamos emoções. Sentimentos. Sensações. Trocamos todo o amor que sentimos uma pela outra e que tanto cansamos de reprimir. Sinto que é exatamente ali onde eu preciso estar. Nos braços de Alex, sentindo todo o calor do seu amor. Ela descola seus lábios dos meus para, em seguida, depositar beijos suaves em meu pescoço de forma arrebatadora. De olhos fechados, tudo o que consigo fazer é apreciar a onda de êxtase que preenche meu peito. Com uma sensação tão intensa que sinto como se fosse desfalecer a qualquer momento, sou capaz de sentir a região entre suas pernas pressionando fortemente minha virilha. É nesse momento que um tesão que nunca havia sentido em toda a minha vida desperta em minhas partes mais íntimas.
Num gesto ainda mais arrebatador, Alex dá uma pequena mordida em meu pescoço, fazendo-me soltar um suspiro carregado de prazer. Consigo sentir a rapidez com que o sangue percorre meu corpo quando ela passa a ponta de sua língua quente e deliciosa em minha pele. Eu nunca me senti tão viva quanto nesse momento. E nunca me senti tão feliz por isso. Vale a pena viver por essa mulher. Tudo vale a pena por ela.
Então voltamos a nos beijar ferozmente. Seu beijo é simplesmente sensacional. Não é como o de Cheryl ou o da garota da balada. Ela sabe exatamente onde pegar e o que fazer para me enlouquecer. Nossas bocas se encaixam perfeitamente e estão em sintonia exata. Como ela usa shorts, passo minhas mãos por suas pernas desnudas e consigo sentir sua pele quente e macia. Arranho-as de leve com as pontas de minhas unhas e, ao mesmo tempo em que ouço mais um gemido irresistível saindo de sua boca, dessa vez um pouco mais alto, sou capaz de sentir os pelos de suas pernas se arrepiando.
Nesse momento, passo a beijar ardentemente seu pescoço e sinto mais profundamente seu perfume avassaladoramente doce e suave. Então Alex, lentamente, começa a levantar minha blusa e deposita suas mãos em minhas costas nuas, me provocando uma sensação sem igual. Me encontro totalmente entregue àquelas sensações e sentimento. Me encontro totalmente dada àquela mulher. Não são apenas dois corpos unidos. São duas almas conectadas e tão intrinsecamente unidas que poderiam formar uma só.
Como se todo aquele prazer insano não fosse o bastante, sinto a urgência de sentir ainda mais o seu gosto, então passo a ponta de minha língua em sua pele macia em uma trilha que vai de sua clavícula até sua mandíbula. Com a respiração pesada, Alex crava suas unhas em minhas costas e arranha-as sem cerimônias, num movimento irresistivelmente erótico.
Volto a colar meus lábios aos dela num beijo molhado e apaixonado. Em seguida, ela dá uma mordida maravilhosamente sexy em meu lábio inferior, o que me faz beijar seus lábios carnudos de maneira ainda mais ardente. Como se feito um para o outro, nossos corpos se encaixam perfeitamente. Parece que estamos nos beijando há horas ou até mesmo segundos. Perco a completa noção do tempo. Perco a completa noção de tudo. Não faço ideia do que teria acontecido se, nesse exato momento, eu não tivesse recuperado a razão, me dado conta do que estávamos fazendo e parado de beijar Alex.
Olhando fixamente para o chão, sinto meus lábios arderem tanto que, involuntariamente, passo as pontas de meus dedos neles para, irracionalmente, certificar-me de não que estão pegando fogo. Alguns segundos depois, Alex desce da mesa e, notando que voltamos a ficar muito próximas uma da outra, dou alguns passos para trás, sentindo meu rosto inteiro formigar. É com muita dificuldade que consigo olhar para Alex e vejo que ela tem uma expressão de choque e pavor no rosto. Noto que sua boca está muito vermelha e que ela olha para o nada, absorta em seus pensamentos. Então percebo que nós duas estamos ofegantes, por causa da onda insana de prazer que estava percorrendo nossos corpos há menos um minuto atrás.
— É melhor... – começa, quase sussurrando, respirando com dificuldade. Seus olhos estão fechados e ela massageia as têmporas, com uma expressão de dor – é melhor você ir Emma.
— Está tudo bem com você? – não consigo deixar de perguntar, preocupada.
— Só preciso que vá embora – responde apenas, virando de costas para mim, como se não suportasse minha presença.
— Tudo bem – digo, por fim, pegando o casaco que havia deixado em uma cadeira e saindo, com o coração batendo a mil por hora.
Fale com o autor