A Garota do Guarda-chuva Azul
11 Capítulo 11
Meu coração pesa uma tonelada quando subo as escadas, completamente abalada. Volto ao terceiro andar, e, em busca de Cheryl, percebo que ela não está mais lá. Estou tão alheia a tudo e todos que sequer me pergunto como ela foi embora. Entro em meu apartamento e fecho a porta. Em seguida, apoiando minhas costas nela, escorrego lentamente até o chão. Coloco a cabeça entre os joelhos e fecho os olhos, tentando assimilar tudo aquilo.
Que porra acaba de acontecer? Penso, confusa. Cheryl vem até a minha casa. Ela me beija. Eu a beijo de volta. Alex surge no corredor do meu prédio e vê toda a cena. Ela sai correndo. Eu a sigo. Alex grita comigo e vai embora. Percebo que ainda há um enorme sentimento de culpa dentro de mim. Um remorso muito maior do que quando beijei Alex. Mas o que fiz de errado dessa vez? Não estive com uma pessoa de 32 anos. Não fiquei com nenhuma mulher casada. Não colei meus lábios apaixonados e cheios de desejo em uma boca que procurava apenas refúgio.
Então me lembro do momento em que vi Alex parada em frente a nós duas. Me lembro de sua expressão de choque e vergonha. Relembro o quão rapidamente ela desceu as escadas, como se quisesse fugir dali o mais rápido possível. Penso em ver seus olhos tristes e molhados, que insistiam em não me encarar de volta. Recordo-me de quando ela tirou abruptamente minha mão de seu rosto e gritou comigo. E me lembro do olhar carregado de surpresa e mágoa que ela me dirigiu, em seguida. Era como se ela tivesse se assustado consigo mesma por ter feito aquilo. Como se ela própria não se reconhecesse.
O que toda essa reação intensa e agressiva por parte dela significa? Que ela se importa com quem são as pessoas que eu beijo? Que ela não esperava por isso? Que ela está com ciúmes? Mas e se toda essa mágoa e tristeza não tiverem absolutamente nada haver comigo? E se ela tivesse vindo desabafar sobre alguma coisa que a deixou chateada? São inúmeras as possibilidades e pensar nisso faz com que eu me sinta exausta.
Levanto-me do chão frio e caminho em direção ao balcão da cozinha. Pego meu celular, que se encontra em cima dele e disco o número de Alex. Me demoro encarando o ícone verde de iniciar a ligação e penso se isso é mesmo uma boa ideia. Será que ela ainda quer falar comigo depois de tudo isso? Será que eu quero falar com ela? Então, depois de pensar por um tempo, acabo desistindo e desligando o celular. Nesse momento, me lembro que ainda não havia preparado o meu almoço para o dia seguinte, o que me faz soltar um grande suspiro de desânimo. Ser adulto é realmente uma droga.
Chego na floricultura às oito da manhã em ponto. Entro na loja e logo avisto Cheryl, organizando os vasos de magnólias. Estou completamente apreensiva, pois não faço a mínima ideia de que reação irei receber dela, após de ter saído correndo atrás de outra mulher depois de beijá-la.
— Oi Cheryl – digo, receosa, me aproximando lentamente dela.
— Emma, oi. – responde, com um enorme bocejo. Percebo que ela tem a aparência de quem não dorme há dias – Como vai?
— Bem – começo, desconfiada – e você?
— Ah, você sabe. Vim direto para a floricultura depois da festa – responde, sorrindo, erguendo um grande copo de café do Starbucks.
— Mas e aquele papo de voltar cedo? – pergunto, um pouco mais calma, ao constar que ela não aparenta estar chateada.
— E eu voltei, não é mesmo? Mais cedo que oito da manhã é impossível.
— Tem razão – concordo, acrescentando, em seguida – Olha Cheryl, sobre ontem...
— Águas passadas. – ela responde, colocando seu braço ao redor de mim – Além disso, você e a loira espetacular fazem um casal muito mais bonito.
— De onde você tirou isso? – pergunto, surpreendida, desvencilhando-me dela. Cheryl, ao constar o quanto aquilo havia me constrangido, começa a rir e diz:
— Que tal do modo como vocês duas se olhavam? Tá na cara que as duas se amam – responde, levantando os ombros.
— Bom, eu posso gostar dela. – começo, indignada – Mas Alex é casada. Além disso, ela já deixou bem claro que não sente nada por mim.
— Típica história de amor lésbrico. – retruca, revirando os olhos – Já vi esse filme mais de mil vezes.
— Já disse que não temos nada Cheryl – digo, irritada.
— Calma gracinha. Não precisa ficar nervosinha – fala, apertando minha bochecha.
— Esquece isso, ok? – peço, constrangida.
— Pode apostar. – ela ironiza, rindo. Em seguida, estica sua mão em minha direção e propõe – Amigas então?
Nesse momento, uma sensação inédita me invade. Jamais havia tido um amigo e essa ideia faz eu me sentir mais alegre.
— Amigas – respondo, sorrindo, correspondendo ao aperto de mão.
Acordo no dia seguinte com o barulho do meu celular tocando. Abro os olhos e, com a visão ainda um pouco embaçada, procuro-o. Olhando no visor, vejo que é o número de Alex. Isso me faz sentir um grande misto de preocupação e ansiedade. Olho para o relógio ao lado de minha cama e vejo que são 6:30. Por que ela me ligaria tão cedo?
— Alô? – digo, com a voz grogue.
— Emma? – uma voz baixa e infantil soa do outro lado da linha – É Benedict.
— Benedict? – pergunto, surpresa, sentando rapidamente na cama – Aconteceu alguma coisa com a sua mãe? E por que você está sussurrando?
— Minha mãe está bem... quer dizer, mais ou menos. Ela está quase saindo para me levar para a escola, então eu peguei o celular dela escondido e liguei para você, por isso estou falando baixo. Ela não tem andado nada bem esses dias e ontem ela e o papai brigaram feio. Ficaram gritando muito um com o outro e eles nunca fizeram isso – explica, fazendo uma pequena pausa nesse momento, como se refletindo sobre a última frase – E hoje ela está péssima e com muito mal humor. Então eu pensei que você podia vir até aqui e dar uma alegrada nela, pois eu sei que ela te adora.
— Entendo – é tudo o que consigo dizer. Ainda não consigo raciocinar perfeitamente – Escute Benedict, eu não acho que eu seja capaz de ajudar a sua mãe no momento.
— Você é sim Emma. Eu nunca vi ela desse jeito, não sei o que fazer – ele diz, com a voz começando a ficar embargada.
— Tudo bem, vou ver o que consigo fazer. – me dou por vencida, afinal, suspirando – Vou tentar aparecer aí.
— Obrigada – agradece.
— Benedict, o que você está fazendo aí? – ouço Alex perguntar ao fundo.
— Nada mamãe. Tchau Emma – despede-se rapidamente e desliga.
Tiro o telefone da orelha e jogo-o em um canto da cama. O que diabos eu vou fazer agora? Penso, hesitante. Preciso estar na floricultura às 8 da manhã e só conseguiria ir até a casa de Alex e voltar a tempo se eu tivesse superpoderes. Além disso, mesmo que desse tempo, por que eu iria até seu encontro? Além de termos tido aquela conversa traumática no café, nosso último encontro foi no meio de toda aquela confusão. Fora que ela acabou de brigar com o seu marido, então não sei se a garota com quem ela o traiu seria a opção mais indicada para fazer seu dia mais feliz.
Mas aí me lembro do que Benedict disse, sobre ela estar muito mal nos últimos dias e sobre ele nunca a ter visto naquele estado. Nesse momento, a minha preocupação com ela fala mais alto que qualquer outra coisa e sinto que preciso fazer tudo o que estiver ao meu alcance para ajudá-la, mesmo que eu acabe sendo expulsa de sua casa ao tentar.
Penso em faltar do trabalho. Depois me lembro que já havia tirado uma licença de 45 dias e que se eu fosse me ausentar novamente possivelmente seria demitida. Apenas uma opção plausível me vem em mente. Pego meu celular e procuro o contato de Sally.
— Alô? – ela atende, usando a mesma voz grogue de quando eu atendi Benedict .
— Sally? Tudo bem? – pergunto, com a voz mais simpática e alegre que consigo emitir.
— Emma? Por que está me ligando tão cedo? Aconteceu alguma coisa? – pergunta, com a voz elevada.
— Está tudo bem. É que me esqueci que tinha que fazer um exame oftalmológico hoje para me certificar de que está tudo certo com meu olho, mas acabei me esquecendo de te avisar – explico – Mas ele é muito rápido, então consigo chegar aí ainda de manhã.
— Certo, certo. – ela diz, voltando a abaixar a voz – Mas seja rápida, sim?
— Claro. Tchau – falo, antes de ela desligar na minha cara.
Menos mal, penso. Me levanto e começo a me arrumar, sem ter ideia de que Alex me espera.
Quando minha caminhada de 20 minutos do meu prédio até a casa dela está quase chegando ao fim, começo a pensar em todas as situações que posso encontrar. Alex me vê e fecha a porta na minha cara, furiosa. Ou, quando abre a porta começa a gritar comigo novamente. Imagino eu até mesmo não encontrando-a em casa. Mantenha a calma. Digo para mim mesma, quando chego diante do enorme portão de sua mansão.
Apreensiva, toco o interfone e aguardo. Fico tanto tempo esperando que começo a pensar que não tem ninguém em casa, de fato, e começo a pensar em ir embora. Segundos depois, ouço o portão abrir-se automaticamente e entro lentamente.
Quando ele se fecha atrás de mim, olho ao redor e noto o quanto a casa fica ainda mais bonita e luxuosa à luz do sol. Tenho esperanças de que Alex venha me buscar no meio do caminho entre o portão e a porta de entrada, como da última vez, mas ninguém aparece. Isso me faz ficar ainda mais receosa. Reparo que um senhor, provavelmente o jardineiro, está numa parte do jardim aparando um pequeno arbusto. Quando me vê, ele sorri e acena, me encarando com curiosidade, como se perguntasse a si mesmo o que uma garota como eu possa estar fazendo aqui. Então, retribuindo o comprimento com um sorriso nervoso, começo a me perguntar a mesmo.
Paro em frente à entrada e espero alguns segundos. Em seguida, ergo minha mão esquerda para bater na porta, mas ela é aberta nesse exato momento. Tomo um choque tão grande que continuo com o braço estendido. Quem abre a porta é uma Alex totalmente diferente do que eu já vi. Com os cabelos loiros levemente bagunçados e usando um conjunto de moletom cheio de desenhos de cactos, ela está completamente sem maquiagem e exibe olheiras profundas que denuncia o quanto ela havia chorado. Seus olhos verdes, em contato com a luz do sol, estão mais claros e intensos me encaram de forma indecifrável. Nesse momento, percebo que nunca a havia visto tão lindamente encantadora.
Meu coração bate tão forte que penso que acabo de me apaixonar ainda mais por aquela mulher. Por um milésimo de segundo me deixo levar pela sensação maravilhosa de apreciá-la. Então ela tira seu olhar de mim e, apreensiva, olha na direção do jardineiro, que havia voltado a aparar o arbusto, como se ele não pudesse nos ver juntas. Em seguida, volta a olhar para mim e se afasta da porta, para que eu entre.
Quando, confusa, entro na casa, ela fecha a porta rapidamente e me encara. Ela me olha de forma estranha, e, quando abro a boca para perguntar como ela está, Alex me surpreende completamente me puxando para perto dela e colando fortemente nossos corpos num abraço apertado. Ela me abraça com urgência, como se tudo do que ela precisasse fosse sentir meu corpo junto ao seu. Quando sinto suas mãos quentes ao redor do meu pescoço, é como se uma tonelada de endorfina tivesse sido despejada em mim, fazendo-me retribuir o gesto quase que imediatamente, passando os braços ao redor de sua cintura definida.
Em seguida, Alex deposita seu rosto em meu pescoço, o que me permite sentir sua respiração quente e pesada. A ponta de seu nariz e seus lábios macios traçam um percurso lento sob minha pele, como se ela quisesse sentir toda a minha essência. Isso me faz sentir uma excitação que eu jamais tivera antes. Meu corpo inteiro arde em desejo, e, de repente, me vejo afundando o rosto em seus cabelos macios. Então volto a sentir seu perfume doce e sedutor. É uma fragrância irresistível, e logo me sinto hipnotizada por aquele aroma maravilhoso.
Novamente, ela me abraça com tanta força que, certamente, não fosse a paixão avassaladora que preenche meu corpo, chegaria a doer. A sensação de ter essa mulher nos braços, nesse momento tão entregue e vulnerável, é indescritivelmente magnificente. De olhos fechados, concentro cada célula minha em sentir aquele contato.
— Você não faz ideia de quantas saudades eu tive de sentir o frio de seu corpo – Alex diz, ainda colada em mim, com uma voz tentadoramente sedutora, fazendo-me sentir um pequeno formigamento. Nesse momento, estamos tão próximas que, por mais que meu coração bata incessantemente, ainda sou capaz de sentir ritmadas rápidas vindas de seu peito esquerdo.
— Duvido que diria isso se estivéssemos no inverno – brinco, quando nos soltamos o suficiente para nos encarar. Nesse momento, um enorme alívio invade meu coração. Cheguei a pensar que jamais voltaríamos a ser como éramos antes – Eu também senti saudades – devolvo, distraída, enquanto coloco uma mecha de seu cabelo atrás da orelha. Meu olhar aprecia cada parte de seu rosto sublime.
— Então, de onde surgiu a grande ideia de vir para a minha casa às sete e meia da manhã? – pergunta, rindo.
— Agradeça a Benedict. – começo, enquanto nos soltamos do abraço – Ele quem me ligou mais cedo, dizendo que você estava pra baixo e que queria eu viesse te visitar, para te fazer melhorar.
— Isso explica todo o mistério que ele fez antes de irmos até a escola hoje. Aquele menino é realmente inacreditável – fala, com um sorriso. Porém, após alguns segundos, seu semblante se torna mais triste e ela complementa, com um sorriso cansado – Mas, sim, as coisas têm andado muito difíceis para mim. Minha vida está uma enorme bagunça, sabe.
— Te entendo completamente. – digo, pensando em como meu mundo virou de cabeça para baixo quando a conheci – Você não vai para a empresa hoje?
— Não estou com cabeça para fazer negócios hoje – responde, simplismente – Mas e você? Como fez com a floricultura? Não quero que tenha problemas por minha causa. – indaga, preocupada.
— Relaxa, eu dei o meu jeito. Também não estou com cabeça para flores hoje – brinco.
— Estamos no mesmo barco então – comenta, sorrindo – Venha, vamos para a sala de estar.
— Uau, que tapete delicioso – eu digo, quando chegamos. A sala é completamente luxuosa e um enorme tapete felpudo cor de caqui cobre todo o chão, no qual imediatamente me sento.
— Foi comprado diretamente da Turquia – Alex diz, enquanto me observa em pé, com um ar de diversão no rosto.
— Meu Deus! – exclamo, levantando-me imediatamente, envergonhada – Me desculpe. Não sabia que ele era tão caro assim, do contrário não teria me sentado nele.
— Não se preocupe Emma – fala, com tranquilidade, sentando-se no tapete – Nunca tive, realmente, a oportunidade de sentir toda a sua maciez. Fique à vontade.
Um pouco receosa, volto a me sentar nele.
— Então Alex, conte-me o que está acontecendo em sua vida – peço, cuidadosa.
— Vejamos... – começa, pensativa – Digamos que o meu casamento está mais arruinado a cada dia. Nosso primeiro ano casados foi maravilhoso. Éramos melhores amigos e sempre contávamos um com o outro para tudo. Mas quando Benedict nasceu as coisas mudaram. Comecei a passar mais tempo em casa e quase não nos víamos. Ficávamos mais distantes a cada ano que se passava e eu demorei muito tempo para perceber isso. Mal notei que passamos a nos falar com uma frequência muito menor e que já não éramos mais amigos. Até que chegou o dia em que nós éramos apenas dois estranhos um para o outro.
“Na época em que aconteceu aquele acidente e eu te conheci, nós dois brigávamos quase diariamente por conta de pequenas bobagens. Ele quase nunca fica em casa e, quando o faz, está sempre no escritório resolvendo pendências. Eu diria que aquele Charlie de antes, que trabalhava fazendo o que amava, não existe mais. Percebo que ele está super sobrecarregado a todo momento.”
“A empresa sempre cobrou muito de nós dois, pois somos os melhores no que fazemos. Porém, ele se joga naquilo de maneira desnecessária e eu não sei o que ele está querendo provar”
— Mas e você? Gosta do que faz? – pergunto.
— Eu amo meu trabalho, apesar de ele ser extremamente desafiador algumas vezes – responde, com um sorriso cansado – Mas não o problema não está apenas no trabalho. Perdemos completamente a química. Eu e ele não sentimos mais aquelas sensações exasperadas como... – começa, me olhando com intensidade. Retribuindo-a com um olhar duvidoso, me pergunto se ela quer insinuar que ela não sente com Charlie o que sente comigo. Mudo de ideia quando ela completa, desviando seus olhos dos meus – como os outros casais normais.
— Sei – digo, encarando o tapete, constrangida. De certa forma, é estranho e desconfortável ouvir Alex falando de sua relação com seu marido e não deixo de sentir uma pequena pontada de ciúme.
— Então tivemos uma discussão horrível ontem à noite. – ela continua, arrasada – Foi nossa pior briga nesses 6 anos de casamento. De repente, estávamos gritando e dizendo coisas horríveis um para o outro. Sinceramente, eu não faço ideia do que está acontecendo comigo. Eu nunca aumentei o meu tom de voz nem mesmo em meus maiores momentos de fúria, mas acabei me descontrolando completamente com ele... – fala e, após alguns segundos, completa – e com você, Emma. Me desculpe. Não devia ter te tratado daquele jeito, eu não sei o que deu em mim.
— Não tem que se desculpar. Eu quem não deveria ficar beijando os outros no meio de um corredor – brinco, tentando amenizar o clima.
— Vocês estão namorando? – indaga, com uma súbita curiosidade na voz.
— Eu e a Cheryl? – pergunto, rindo – Ela é só uma amiga. Aquela que eu te falei que trabalha comigo.
— Então por que você estava beijando ela? – questiona, confusa.
— Não sei ora, foi coisa do momento – respondo, balançando os ombros.
— Mas você não disse que jamais se interessaria por uma mulher? – pergunta, com um certo tom de acusação na voz.
— As coisas mudam – respondo, simplesmente. Não estou entendendo o motivo dela me fazer tantas perguntas. De repente, algo me vem à cabeça – Era por isso que você estava chorando?
— Como é? – ela pergunta, arregalando os olhos, em pânico.
— As brigas com Charlie. Era por causa delas que você estava chorando naquele dia?
— O que? – indaga, confusa – Ah, claro. Sim, eram por causa delas – responde, desviando os olhos dos meus.
— Já pensou em tomar alguma decisão? – proponho, sem muitas ideias em minha mente.
— Ainda não. Prefiro esperar mais um pouco – diz, pensativa.
— Entendo. Eu não sei nada sobre relacionamentos, muito menos quando o assunto é casamente. Mas, de qualquer forma, saiba que sempre estaria aqui para te ajudar da melhor maneira que puder – falo, pegando suas mãos quentes e macias.
— Não sei o que seria de mim sem você, Emma Morgan – e, levantando minha mão direita, deposita um beijo suave nela, faz meu braço inteiro formigar.
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