Notas iniciais
Estou de volta, depois de uma semana de enrolação. Mentira!!! Meninos e meninas, estou de mudança, morar em uma casa nova e tal e coisa. Por isso demorei o capítulo, estava indo atrás do meu novo lar e acabei não tendo tempo. A notícia boa é que eu já encontrei uma casa legal, a ruim é que os caras da internet vão demorar para instalar o serviço. Mas a previsão é que demore uma semana, então se eu desaparecer por esse tempo é porque a net do meu celular não deu conta nem de mandar um oi. Agradeço a todos que comentaram, aos leitores que comentam sempre, aos novatos que saíram da zona fantasma e mandaram um olá, aos que comentam vezes sim vezes não porque a vida é corrida para todo mundo, enfim, agradeço a todos vocês, leitores lindos. Mas chega de papo, vamos ao capítulo novo. Espero que gostem e não me odeiem por ele. Tema: Calor Boa leitura! I hope you enjoy!!!

DOMINGO

Estava um domingo terrivelmente quente, o sol estava a pino e as copas das árvores permaneciam imóveis, um clima abafado, sem nenhum vento para amenizar a sensação térmica. O ar condicionado do quarto de Ken estava quebrado e nenhuma brisa refrescante entrava pela janela. O garoto trajava roupas leves, o cabelo preso em um rabo de cavalo alto e mesmo assim estava suando em bicas. Miyako, o cabelo preso em duas tranças e usando um vestido de verão, não estava numa situação muito melhor.

Era um domingo quente e preguiçoso e a dupla se encontrava no quarto do adolescente. Ken estava sentado no chão, de costas para a porta aberta da varanda lendo um livro, enquanto Miyako estava mexendo no computador sobre a escrivaninha. Através da porta aberta, eles podiam ouvir o som da televisão e das risadas de Wormmon e Hawkmon vindas da sala. Na verdade, Ken não estava entretido no livro, ele usava a franja para esconder o rosto e observar os movimentos da moça, que desparafusava o gabinete da CPU.

Tudo começou no meio da semana, quando Ken perguntou a Miyako se ela teria um tempo livre para consertar seu computador. O garoto achou que ela fosse recusar depois da situação estranha que acontecera na cafeteria, por isso ficou surpreso quando ela concordou e perguntou se poderia passar na casa dele no domingo.

O problema era uma desculpa, embora realmente seu computador não estivesse funcionando direito, para finalmente acertar as coisas com a moça. Não tinha coragem de revelar seus sentimentos e nem faria isso, mas queria que a amizade permanecesse a mesma de sempre. Explicaria o episódio do beijo e se desculparia pelo comportamento estranho que tivera na última vez que estiveram na cafeteria. Sabia que seria difícil se explicar sem dizer a verdade, mas ele não queria perder o contato que tinha com ela.

A questão é que desde que ela chegara ao seu apartamento, acompanhada de Hawkmon e munida do seu kit de reparos, ele não conseguira tocar no assunto. Ichijouji não sabia por onde começar e quando percebia, já estava girando em círculos e deixando as poucas palavras que trocavam morrer em um incômodo silêncio.

A tarde passou vagarosamente, enquanto o adolescente observava a menina desmontar e remontar seu computador. Eles estariam mergulhados em um silêncio profundo, não fosse o som das partes do gabinete se encaixando e os risos escandalosos de seus parceiros Digimon vindos da sala.

“Ken-kun.” Miyako quebrou o silêncio e o garoto a encarou. “Tem certeza que você não poderia ter resolvido esse problema sozinho?” Questionou enquanto guardava suas ferramentas.

“Sim, você sabe que eu não entendo tanto de hardware quanto você.” O que era verdade, Ken havia estudado apenas programação enquanto Miyako conhecia os computadores por completo.

“Mas era só um cabo solto, até o Daisuke teria conseguido arrumar.” Concluiu e fechou seu kit de reparo.

“Ah...” Foi tudo que o jovem conseguiu expressar. A verdade é que quando seu computador começou a dar problemas, ele sequer conferiu qual poderia ser o defeito, afinal aquela era uma desculpa perfeita para poder falar com a garota.

“Você tem agido meio estranho ultimamente. Tem algo te incomodando?”

“Não.” Respondeu enquanto se levantava. “Eu estou bem, não tem nada me incomodando.” Idiota, era sua oportunidade para entrar no assunto.

“Bem, então eu estou indo. Você deve ter outras coisas para fazer.” Disse estalando os lábios, pegou seu kit de reparo e começou a caminhar em direção a porta do quarto.

Ken era realmente um tolo, convidou-a para ter uma conversa, mas desperdiçara a oportunidade perfeita e agora a jovem estava partindo sem ter dito uma única palavra. As coisas continuariam a mesma, ou até ficariam piores, já que ele a chamara para ir até a casa dele sem nenhum motivo real.

“Então, você vai ao encontro com o Izumi-san?” Ken idiota. De todas as coisas que poderia dizer, acabara falando a única coisa que pretendia não abordar. Miyako parou, estava tão surpresa que quase derrubou o kit de reparos que carregava, afinal Ken era seu amigo que menos se importava com fofocas.

“Não é um encontro, você sabe.” Estranhamente, ela se sentia nervosa.

“Parece um encontro.” Saiu tímido e acanhado.

“Mas não é.” Ela sorriu.

“Talvez ele ache que é.” Ele não sorriu.

“Você conhece o Koushiro-kun, sabe que ele não pensa assim.” Explicou, séria.

“Talvez pense.” A voz saiu muito alta.

“Ken!” Repreendeu.

“Eu não quero que você saia com ele.” O quarto de repente pareceu muito pequeno e ainda mais quente.

“O quê?” Ela estava em choque.

“Eu... Eu não quero que você saia com o Izumi.” Se arrependera da frase assim que a dissera, mas não havia mais como consertar o estrago, havia dito claro e alto da primeira vez, não podia dizer que não dissera nada ou que ela o entendera errado. Não passou despercebido a Miyako a falta do honorifico, mas o uso tão informal do nome do mais velho não lhe pareceu intimidade, mas petulância.

“Por quê?” A voz dela saiu ligeiramente baixa, meio curiosa, meio indignada.

“Eu...” Mordeu os lábios sem saber o que dizer. Não estava pronto para declarar seus sentimentos e muito menos para admitir que estava enciumado. “Eu não quero!” Soou como um moleque mimado.

Miyako o encarou sem entender. Aquilo não seria um encontro e mesmo que fosse não tinha nada a ver com Ichijouji. A garota balançou a cabeça descrente.

“Não vai ser um encontro.” Tentou mais uma vez.

“Claro que vai.”

“Que diferença faz se for?” Ela estava irritada com todo esse oba-oba sobre o seminário que Izumi apresentaria. Daisuke a provocou a semana toda, enquanto Hikari tentava arrastá-la para lojas na tentativa de comprar roupas mais descoladas e ficava mandando mensagens no celular dando dicas de cabelo e maquiagem.

“Faz diferença.”

“Provavelmente não para você, que fica se agarrando com uma menina no corredor do colégio.” Golpe baixo jogar Hanamizuki no meio da conversa dessa forma. Não que esse assunto não estivesse na pauta mental que Ken criara, mas definitivamente o assunto não deveria ser abordado dessa forma. Miyako tinha a mesma expressão que exibira no dia que os flagrara, mas sem o sorriso e o tom de voz que usara estava carregado de raiva e ciúme. Não podia ser ciúme, Miyako não sentia nada por ele além de amizade.

“Sobre isso, eu quero explicar...” Começou, mas ela o interrompeu.

“Você não precisa se explicar sobre a sua namorada, e nem eu preciso te explicar nada sobre meu encontro.” A voz saiu firme, mas os olhos estavam úmidos. A menina tinha razão, eles não tinham nada e não precisavam explicar nada um ao outro, mas o cérebro de Ken tinha se atido a um único detalhe, a palavra encontro proferida pela garota.

“Então, você admite que será um encontro.”

Ela bufou e fechou a cara. Aquela conversa não estava levando ninguém a lugar algum e eles acabariam brigando de verdade se continuasse desse jeito.

“Está na minha hora.” Ela iria por um fim naquilo, se inclinou em uma breve mesura e girou nos calcanhares para sair do quarto.

“Você só vai ser um troféu para ele.” Saiu sem querer, ou meio sem querer. Ken sabia que muitos universitários saiam com garotas mais novas só para se gabar, exibir sua “maturidade” e “inteligência universitária” para uma pobre adolescente sonhadora. Só que Izumi não era assim, nem Miyako era tão ingênua. Mas ele não queria que ela fosse embora, muito menos que fosse ao encontro. A parte do seu cérebro que se convencera do encontro estava lá conspirando com seu ciúme possessivo, enquanto seu bom senso parecia ter saído de férias sem previsão de retorno.

A menina o encarou chocada, Ken era doce e gentil, o tipo de garoto que fala calmo e baixo e sempre tem um sorriso tímido no final de cada frase. Aquela postura não combinava com ele. Era arrogante e possessiva. Era muito parecida com alguém que um dia ele fora, mas que ela acreditou não existir mais.

“Ou você acha que arrastar uma colegial para um jantar com outros caras da universidade não é para se exibir?” Provocou, um sorriso cínico desenhado nos lábios.

Havia duas coisas que Ken deveria ter se lembrado antes de iniciar aquela conversa: Miyako não era o tipo que levava desaforo para casa e tinha uma mão muito pesada. O som foi alto quando ela deu um tapa em seu rosto.

“Eu não vou falar com VOCÊ! Quando o Ken-kun estiver aqui, nós poderemos conversar de novo.” E saiu pisando alto. Ken pôde ouvi-la conversar com os Digimon na sala, se despedir de Wormmon e bater a porta da sala com força. O rosto estava pegando fogo e uma dor gigantesca se alastrava pela face.

Wormmon veio rapidamente para quarto após a saída de Miyako. Apesar de estar na sala diante da televisão, ele tinha ouvido os gritos e a expressão que a menina tinha ao deixar o apartamento demonstrava que algo realmente estava errado. Ficou ainda mais preocupado ao ver seu parceiro parado no meio quarto, livro na mão e cinco dedos estampados na cara.

“Ken-chan, você está bem?” Perguntou aflito, se aproximando do humano.

Mas Wormmon não teve resposta, apenas viu uma lágrima silenciosa rolar pela face avermelhada. E então outra e outra, até que elas formaram um fluxo constante. Ken soltou o livro, caiu de joelhos e cobriu o rosto com as mãos, tentando abafar o choro. Mas era um lamento tão triste e doloroso que era impossível esconder. Wormmon ficou ainda mais preocupado com a reação do parceiro. Ele nunca vira Ken chorar dessa forma. Aquele choro o fazia entrar em desespero.

“Ken-chan, Ken-chan!”

=8=

Miyako só parou de andar quando chegou à estação de metrô. Ela andara tão rápido que estava ofegante e com as pernas doendo. Hawkmon não entendera absolutamente nada do ocorrido e tentara o caminho todo perguntar a menina o que acontecera, sem sucesso.

“Miyako, o que aconteceu? Você e o Ken brigaram?” Perguntou pela décima vez.

Mas a menina não respondeu, fingiu estar ocupada contando as moedas que usaria para comprar a passagem do metrô. As mãos tremiam tanto, que acabou derrubando parte do dinheiro e precisou se abaixar para pegá-lo. Hawkmon foi atrás de uma moeda que rolou para longe, apenas quando devolveu o dinheiro para a parceira, percebeu como as lentes dos óculos estavam embaçadas e com o rosto estava úmido. Ele não tinha reparado, mas Miyako estava chorando desde que saíram da casa dos Ichijouji.

=8=

Ken passou o resto do dia no quarto, deitado no chão, no meio do cômodo. Já não chorava e tentava arrumar seus pensamentos. Falara as coisas sem pensar. Sem pensar não, dissera coisas que ele nunca diria em seu estado normal, mas que seriam facilmente proferidas pelo Kaizer. Novamente fora consumido por seu lado sombrio e dissera coisas terríveis à garota. Odiava não ter controle sobre seus sentimentos, toda vez que alguma coisa o deixava muito nervoso e angustiado, oscilava para o lado negro. E odiava ainda mais sentir ciúme. Fora o ciúme cego que o arrastara a primeira vez para as trevas, quando desejou a morte do irmão por este receber mais atenção, e agora o ciúme o consumia novamente. Ele gostava de Miyako, já tinha aceitado isso, por mais que jamais tivesse coragem de admitir em alto e bom som. Mas se conseguia controlar seus sentimentos amorosos, não tinha controle nenhum do ciúme que sentia e quando via já tinha feito coisas movidas por ele e deixado o Kaiser o dominar.

Wormmon ainda estava ao seu lado, tentando fazê-lo falar. Mas Ken não estava disposto a explicar o ocorrido, nem sabia como fazê-lo, além disso, sua própria voz chamando Miyako de troféu ecoava em suas lembranças e o enojava. Sinceramente, ele não queria se ouvir por um longo tempo. O mais engraçado era que para um garoto gênio, ele fazia muitas coisas estúpidas.

Notas finais
N/T: como eu disse, talvez eu suma por uma semaninha, torçam para que o cara que vai instalar o serviço de internet venha logo. Espero que tenham gostado e se divertido. Reviews são sempre bem-vindos, vocês já sabem e sugestões de temas são altamente recomendáveis.