Notas iniciais
Olá pessoas! Tudo bom com vocês? Como algumas pessoas já sabem, porque informei por MP, o capítulo acabou atrasando porque meu gato fugiu e eu passei meus dias indo atrás dele. Obrigada por todos os comentários e tudo mais. Eles me incentivam muito. Tema: Sangue Boa leitura!

LA NOCHE – Parte 4

JewelBeemon tentou se manter em pé, mas as pernas tremeram na margem lamacenta do riacho, os joelhos fraquejaram e só não foi totalmente ao chão porque apoiou a haste da lança na argila escura. Uma das asas tinha sido arrancada e um dos braços mal tinha força para se segurar na haste prateada. JewelBeemon só poderia julgar sua situação como precária.

Diante de si, Greymon se exibia esplendoroso, havia algumas escoriações na barriga, mas ele estava bem. Garurumon estava ao seu lado, dentes a mostra. Dentes esse que tinham estraçalhado sua asa. Um dos olhos estava fechado e exibia um enorme corte, que se tornaria uma ambiciosa cicatriz de guerra. Aquilamon voava próximo. Parte das penas chamuscadas e uma das pernas pendendo molemente ao lado do corpo. Era possível ver um rasgo enorme na parte interna da coxa feita pela lâmina da lança.

Até mesmo Taichi estava impressionado. Era verdade que JewelBeemon era um ultimate, mas ainda teria que dar conta de quatro Digimon. E ele havia lutado bravamente. Diante de um grito incompreensível do parceiro, partiu para o ataque sem pensar muito. Apesar das mãos trêmulas, manejou a lança com maestria e atingiu Greymon no abdômen. O bicho deu um urro para a noite, mas não se deixou abater, com um golpe com as costas das patas arremessou o insetoide de volta ao riacho.

Aquilamon aproveitou a deixa e avançou com um Blast Ring, sabia que estava regulando a força de seus ataques, mas não podia machucar Wormmon seriamente. Inoue nunca o perdoaria. Viu a lança girar e metal avermelhado se aproximar. Antes mesmo que o ataque fosse finalizado, Garurumon pulou dentro do riacho, a nuvem de água pulverizada descortinou a noite e JewelBeemon só teve tempo de trocar a lança de mão e estocar sem a menor precisão. A lança foi parar dentro da água, junto de sua dignidade.

Mesmo nesse estado, voltou ao combate. Se antes, mantinha as mãos firmes na lança e fazia manobras de voo complicadas, agora só poderia usar alguns poucos golpes. Os pés já não eram mais tão ágeis e ele mal poderia desviar dos próximos ataques.

Estava concentrado desviando de uma furiosa dentada de Garurumon que só percebeu a longa espada violácea quando essa cravou em seu braço, na junção entre o peito e o ombro. Parado diante de si, voando em um voo silencioso, HolyAngemon se exibia supremo e superior. A Excalibur empunhada e atravessando seu braço.

“Eu sinto muito.” Pôde ver o anjo pedir melancolicamente.

Nem percebera que Takaishi convocara a forma ultimate do parceiro. O anjo, grande e brilhante parecia muito limpo e puro e sua brancura contrastava drasticamente com o restante do cenário.

Quando a espada foi removida, sentiu o corpo ser impelido para trás, após um golpe de Greymon e voltou ao meio do riacho. Não queria desistir, mas não tinha mais forças para continuar. O grito engasgado de Kaiser ainda ecoava em sua mente e tinha certeza que mais ninguém havia entendido além dele.

“Prove que ele está certo sobre você.” O menino gritou com a cara enfiada na grama. Prove que Ken estava certo em acreditar em sua força. Mas agora, ali, não estava conseguindo provar nada.

JewelBeemon se encontrava em uma difícil encruzilhada. Tinha se virado contra os parceiros, o amigos de tantos anos apenas para realizar um capricho do Kaiser. Sabia que se arrependeria cada segundo do que estava fazendo, mas Ken era sua prioridade e não importava se o comando fosse tirar a própria vida. Seguiria lealmente, porque sua vida, sua existência só tinha sentido ao lado do parceiro.

“Kaiser, isso acabou.” A voz de Taichi ecoou forte pela noite. “Mande JewelBeemon recuar.” O jovem se virou para o garoto.

Yamato saiu de cima do adolescente, manteve seus braços presos as costas e o puxou pelo cabelo sem muita gentileza, fazendo o ficar de joelhos sobre a grama. Os olhos escuros deslizaram do castanho e foram para o parceiro. Estavam sem brilho algum. Era quase impossível identificar que emoções se passavam pela mente diabólica.

Os lábios se abriram para uma resposta, mas o insetoide interviu. “Eu vou continuar lutando.” Disse, reunindo o resto de força que possuía. “Eu vou provar que o Ken-chan está certo.” As pernas trêmulas içaram o corpo esgotado e mesmo com um braço fora de combate, o outro punho se fechou e ficou em guarda, diante do corpo.

“Você não precisa fazer isso.” A voz sufocada de Motomiya se impôs. “Você não precisa provar nada.” O ruivo não fazia ideia do que JewelBeemon queria dizer com provar que Ken estava certo, mas fosse o que fosse não era tão importante quanto sua saúde.

“Eu preciso!” A voz estridente e cansada rebateu. “Eu não vou decepcionar o Ken-chan. Ele está contando comigo.”

“Mas esse não é o Ken.” O líder cortou. “Você sabe que não é o Ken.” A voz do menino pareceu surtir algum efeito, pois o monstro esverdeado pareceu vacilar. Os orbes vermelhos buscaram o rosto do parceiro pela última vez. Ele precisava de um sinal, um sinal mínimo de que deveria avançar ou recuar, mas não havia nada. Apenas os olhos escuros que pareciam não fitar coisa alguma.

“Eu sinto muito.” Pediu. E as pernas se moveram do enlameado do riacho. Iria se arrepender pelo resto da vida, mas Ken estava indo mais fundo para as trevas, se ganhasse a confiança de Kaiser, talvez pudesse se tornar uma voz influente e resgatá-lo.

“Nós é que sentimos.” A voz de Yagami saiu soturna. Daisuke se surpreendeu com a obscuridade do pedido e encarou o eterno líder com olhos arregalados. “Greymon, Mega Flame.”

O dinossauro deu um passo à frente e com uma baforada, aqueceu o ar, formando uma poderosa bola de fogo. A chama atingiu JewelBeemon, que sumiu na parede de chamas. Quando finalmente, as labaredas se apagaram, o inseto, que havia retornado a forma de Minomon, estava parcialmente enterrado na lama da margem do riacho.

Yamato sentiu Kaiser estremecer sob seu aperto e resmungar algo inaudível.

“Takeru.” Taichi pediu, e o loiro atravessou o grupo, em busca do pequeno Digimon desmaiado.

“Por que você fez isso?” Daisuke se voltou para Taichi, aumentou instintivamente o aperto que segurava Chibimon.

“Do que está falando?”

“Você não precisava dar um ataque tão potente. Ele...” Mega Flame atingia altas temperaturas. Por mais que Minomon parecesse bem, certamente tinha tomado uma pancada violenta.

“Precisávamos tirá-lo de combate, antes que se ferisse de verdade. Ou ferisse algum de nós.” Enfiou as mãos nos bolsos.

“Se nós falássemos com ele, sei que JewelBeemon entenderia...”

“Daisuke.” Taichi cortou. “Você deveria se focar em problemas que ainda temos.” E os olhos deslizaram do menino diante de si para o moreno imobilizado por Yamato.

“O que vamos fazer com o Kaiser?” Takeru se aproximou, aninhando Minomon nos braços.

“Da última vez um choque de realidade com o sacrifício de Wormmon o trouxeram para a verdade, mas não parece ser este o caso.” O líder coçou o queixo.

“O que acha que aconteceu a ele?” O loiro encarou o companheiro e o irmão à distância.

“Deve ter sido culpa do Kariya.” Daisuke falou apressadamente. Ichijouji nunca se permitira voltar àquela condição. Deveria ter sido induzido de alguma forma.

Lentamente o trio se aproximou de Yamato e Ken. O corpo de Miyako ainda jazia no chão, a respiração leve, o fragmento de Torre Negra enfiado no peito.

“Ela está bem?” O castanho arqueou uma sobrancelha encarando a garota. Ela parecia terrivelmente pálida.

“Sim.” Iori acenou com a cabeça.

“Eu não acho que seja uma boa ideia manter isso nela.” Era uma sensação horrível vê-la caída com um pedaço de pedra atravessando o peito. Não era um fragmento grande, mas parecia terrivelmente doloroso. “Seria melhor se a Hikari fizesse isso.” Pensou em como a irmã era delicada e cuidadosa. “Pode fazer isso, Hida?”

Os olhos pequenos se arregalaram em pavor e o corpo tremeu. Se ele tivesse coragem para tal já teria feito.

“Eu faço.” Daisuke se voluntariou. Os olhos azuis da dupla de irmãos se voltaram para ele, surpresos. Não pelo menino se voluntariar, mas Motomiya não era exatamente o garoto mais delicado que existia.

Entregou Chibimon para que Taichi o segurasse e se ajoelhou ao lado da amiga. Encarou a face pálida e inexpressiva. Nas últimas horas eles tinham discutido e mal trocaram uma vogal desde que colocaram os pés no Digital World. Respirou fundo, apoiou uma mão sobre o peito, com os dedos abertos e com a outra envolveu fragmento. Com um puxão removeu a pedra.

O buraco aberto verteu um sangue escuro e grosso, mas a menina nem se abalou. Iori voou sobre ele, cobrindo o orifício com a beirada da blusa e fazendo pressão sobre o ferimento. Daisuke encarou o pedaço de pedra escura que segurava. Não era muito grande e nenhum órgão vital tinha atingido a adolescente.

“Talvez seja isso.” Disse mais para si mesmo. “Talvez esse pedaço de Torre Negra tenha o afetado.” E rolou a pedra nos dedos. Os olhos buscaram o peito do amigo a procura de alguma marca, como fizera em Miyako, mas não havia nada ali que evidenciasse sua teoria.

“Talvez seja possível.” Taichi concordou incerto.

“Mas se é isso, Miyako-san também vai estar diferente quando acordar?” Iori arriscou, explanando o que todos pensavam em segredo.

“Afinal, onde esse fragmento de Torre estava?” Yagami encarou a pedra na mão de Daisuke.

“Dentro do Digivice, aparentemente.” Hida arriscou, apontado para o resto de plástico, fita adesiva e microchips deixados a esmo no chão. Nenhum deles realmente vira o ataque a Inoue, Takaishi e Motomiya estavam em batalha e o trio chegou logo após.

“Deve ser o Digivice da Hanamizuki.” Takeru observou. “Se havia um pedaço de Torre nele, explica como Kariya tentava controlar os Digimon. Quando Kaiser estava sob controle dos Dark Spore, também conseguia controlar outros Digimon com o Digivice.”

“Mas como um pedaço disso foi parar dentro de um dispositivo fechado?” Daisuke se perguntou.

“Talvez não estivesse ai no começo.” Yamato arriscou.

“Hanamizuki disse que o Digivice tinha sido destruído quando Tyrannomon se descontrolou e ela apenas guardou o que sobrou.”

“Kariya deve ter remendado quando roubou da irmã.” Hida aumentou a pressão no ferimento de Miyako.

“Ela não teria como ter colocado. Mal deve saber o que é uma Torre Negra.” Takaishi finalizou.

“Mas onde Kariya teria conseguido isso?” Daisuke analisava o fragmento em todos os ângulos.

“Talvez de alguma que destruímos.” Chibimon gemeu com a voz infantil.

“Mas, ele não deveria saber para que isso serviria.” Taichi se manifestou. “E se houver alguém induzindo-o? Talvez alguém que tenha dado a pedra a ele, e feito isso com o Ichijouji.” E lançou um olhar ao garoto que agora assumia um olhar brilhante e alucinado, mas não dizia nada.

“Você diz Oikawa Yukio?” Takeru arriscou.

“Ele se foi.” Hida respondeu com pesar se lembrando do amigo de seu pai. “E também tinha se arrependido de tudo o que fizera.” Era verdade que tinha sido um homem terrível, mergulhado em seu egoísmo e que tivera seu sonho usado por um Digimon das trevas. Mas no final, ele havia verdadeiramente se arrependido de todas as suas ações.

“Ele não deve ser o único com aquele tipo de pensamento.” Yamato sugeriu.

“Vocês não entendem.” A voz grossa dominou o ambiente. A expressão vazia dava lugar ao olhar brilhante e o sorriso rasgado.

“Do que está falando?” O loiro aumentou o aperto em seus braços.

“As trevas, elas não precisam desse tipo de artifício tal banal.” E tentou se libertar, sem sucesso.

“Está dizendo que as trevas sozinhas o fizeram colocar um pedaço de Torre Negra dentro do Digivice?” Yagami questionou desconfiado. A explicação não podia ser assim tão vazia.

“Estou dizendo que isso não importa.” O sorriso se alargou. “Vocês não entendem, por isso, idiotas como vocês não conseguem enxergar a verdade em questões simples.”

Taichi deu um passo à frente, estava começando a perder a paciência com o garoto. Gostava de Ichijouji, mas sabia que poderia ser uma pessoa totalmente desagradável como Kaiser.

“O que vamos fazer com ele?” O guardião da amizade perguntou, puxando Kaiser pelos cabelos.

Na primeira vez, uma série de acontecimentos tinha sido o responsável por fazer Ichijouji Ken se livrar do seu lado sombrio, mas agora, nada parecia adiantar. Eles não podiam simplesmente deixá-lo solto e correr o risco de tudo se repetir.

“Talvez HolyAngemon consiga fazê-lo voltar ao normal.” Chibimon sugeriu de repente.

Todos os olhos se voltaram para o pequeno ser azul que Yagami ainda segurava nos braços.

“HolyAngemon poderia usar o Holy Disinfection como fez com o WaruMozaemon.” Os olhinhos pequenos brilhando em expectativa da sugestão ser aceita.

“Bom, é uma possibilidade. Eu acredito.” Daisuke coçou os cabelos diante da sugestão do parceiro.

“Eu não acho que seja uma boa ideia, Ichijouji-kun não é um Diigmon.” Hida se opôs.

“Mas se ele estiver infectado pelos Dark Spore, isso pode funcionar.” O atual líder emendou.

“Só que não temos como saber se ele realmente está infectado.” O caçula foi firme.

“E certamente, você não irá nos responder gentilmente, não é?” Yamato aumentou a pressão no aperto dos pulsos do moreno.

“Por que eu faria isso? Está tão divertido ver vocês quebrarem a cabeça para resolver.” Cantarolou.

“Takeru, isso funcionará?” Taichi questionou se voltando para o loiro. Hida abriu a boca para argumentar algo, mas se calou.

“Talvez.” Respondeu lentamente, então encarou o parceiro que voava ao lado, esperando algum suporte.

“Isso pode ser arriscado. Nunca fiz isso em um humano.” O anjo respondeu.

“Mas pode funcionar?” O líder foi incisivo.

“Talvez, combinado com Soul Banish. Podemos expulsar as trevas e purificá-lo.” O Digimon explicou.

“Eu não acho que seja uma boa ideia.” Hida se fez ouvir. “Podemos feri-lo. Até matá-lo.”

“Qual é. Eu gosto de brincar de roleta russa.” Kaiser riu.

“Nós não temos muitas opções.” Yamagi encarou o menor. “Alguma outra ideia?”

“Não, só acho que...”

“Deveríamos tentar.” Yamato cortou.

O grupo permaneceu em silêncio, avaliando a única opção que possuíam. Não era exatamente a melhor ideia, mas funcionava nos Digimon que tinham sido atingidos por engrenagens escuras ou controlados pela Torre Negra. Se fosse um Dark Spore, deveria funcionar.

“HolyAngemon, tenha cuidado.” Takeru pediu ao parceiro. O anjo concordou com um aceno e se pôs em posição.

Mas antes que o golpe pudesse ser executado, Inoue Miyako sentou na grama, empurrando Iori, que ainda tentava estancar o ferimento, de lado. Os olhos pareciam escuros e sombrios e estava tão pálida quando Kaiser era.

Os olhos do grupo se voltaram para ela e Chibimon deixou escapar um gritinho. Os olhos de Ichijouji deslizaram de HolyAngemon para a menina e analisaram-na profundamente. A expressão sádica não se alterou. A garota permanecia sentada, os olhos fixos em lugar algum. A respiração tão leve que mal se fazia ouvir.

“Miyako, você está bem?” Daisuke perguntou quando a surpresa passou. Mas ela não respondeu.

Notas finais
N/T: Acho que o capítulo precisa de revisão... Bom, hoje estou sem assunto, então é isso. Beijokinhas e até!