Notas iniciais
Olá pessoas! Até que eu ando postando rápido, acho que é pra compensar o mês que eu fiquei ausente. Como eu disse, eu queria fazer agradecimentos especiais para todas essas pessoas lindas que comentaram minha fic: Maguh, que foi a primeira a comentar e sempre tem comentários ótimos; Xana que sempre tem comentários motivadores; Deny, que foi a pessoa linda que fez essa capa e só tenho a agradecer; TK, que pacientemente comenta todos os capítulos; Isao, que eu espero se dê bem no exame de proficiência; Manga, que tem as teorias da conspiração mais conspiratórias huahauha; Lourdes, que começou com comentários tímidos, mas hoje tem comentários geniais; Clara, que tem um dos nicks mais estranhos e engraçados e comentários longos e divertidos; Dark, que não viu D2, mas acompanha a fic, sempre comentando e sugerindo; Dix, que é minha mais nova leitora! Se eu esqueci de alguém, me xingue nos comentários, tentei lembrar de todo mundo. Chega de embromação, vamos para o capítulo de hoje. Tema: Numeração Boa leitura!

ANTES DA TEMPESTADE

O céu estava carregado naquela manhã de segunda-feira. As nuvens estavam cinzentas e baixas, quase tocando o telhado do colégio. Podiam-se ouvir alguns trovões ao longe e uma brisa fria anunciava que não demoraria muito a chover.

Ichijouji Ken gostava de dias chuvosos, o clima o deixava melancólico e ele sempre acabava se lembrando do irmão, mas mesmo assim gostava do clima. Exatamente por culpa do tempo, ele havia chegado mais cedo ao colégio. Os corredores estavam praticamente vazios e ele organizava seus sapatos no armário quando Motomiya Daisuke parou ao seu lado.

O ruivo já tinha trocado os sapatos e estava apoiado na porta aberta do armário do colega com um sorriso enigmático.

“Sua namorada ficou muito brava porque você não foi à reunião de ontem.” Os Digiescolhidos tinham se reunido na casa de Iori para reunir mais informações. O garoto já tinha se recuperado totalmente, e mesmo sabendo que seus amigos eram contra seu retorno ao Digital World, ele queria ajudar como pudesse. Takeru tinha voltado ao Digital World, acompanhado de Patamon, para recuperar a pulseira que foi o foco das discussões naquele domingo lento e sem graça. Mas Ichijouji não foi à reunião, ele estava na casa de Yagami e Ishida tentando resolver suas pendengas amorosas.

“Eu tive outros compromissos.” Puxou uma ponta do cabelo atrás da orelha e se concentrou em arrumar os sapatos no armário, que bem da verdade, já estavam perfeitamente arrumados.

“Mas ela estava furiosa, vocês andaram brigando?” Ken lançou um olhar incrédulo ao amigo, sendo namorados ou não, eles tinham brigado e o ruivo sabia disso.

“E como foi a reunião?” Questionou tentando desviar do assunto.

“Bem.” O líder revirou os olhos, buscando a lembrança. “Hikari-chan analisou a pulseira. Disse que elas eram mais comuns faz alguns anos e que as garotas de hoje não usam mais pulseiras desse tipo.” Pelo que a morena havia analisado, a peça estava em bom estado e parecia nova, mas esse tipo de acessório não era mais utilizado. De acordo com ela, poderia ser uma garota mais velha, saudosa do acessório, que ainda o usava, mas mesmo assim, não eram mais vendidos em qualquer lugar. “No final, acabamos contatando a Mimi-san para saber mais informações, já que ela é mais entendida de moda. Mas segundo ela, esse tipo de pulseirinha não fez muito sucesso nem na época do lançamento, porque as cores eram muito feias e o material não era dos melhores. Elas laceavam ou quebravam muito fácil.” Ele ainda se lembrava das caretas da veterana na videoconferência. Ela parecia horrorizada só de pensar que alguém ainda usava aquele tipo de acessório.

“Então, o que concluíram?” Pelo jeito a pulseira seria uma pista que daria em um beco sem saída.

“Bom, tinha alguns números anotados na parte de trás de uma das pétalas da flor.” Disse como se aquilo não fosse realmente relevante.

“Como assim números?”

“Estava anotado 610.”

“Número de fábrica, talvez?”

“Os números pareciam feitos à mão, riscado com alguma coisa de corte, tipo uma faca ou estilete. Mal dava pra entender que o seis era um seis, foi a Miyako que conseguiu identificar.” Explicou. “Mas ela e Takeru pesquisaram na internet e o número não remeteu a nada. Então, não deve realmente ser importante.” Deu de ombro.

“Você está com a pulseira ai?” Se o número tinha sido gravado pelo dono, deveria significar alguma coisa e isso poderia ajudá-los a localizar seu usuário. Começara a se arrepender de não ter ido a tal reunião.

“Não, ficou com a Hikari-chan. Achamos que seria mais seguro.” E Ken apenas consentiu, teria que esperar até a guardiã da luz chegar para conversar com ela.

“Mais alguma coisa?” Agora estava encanado com a numeração da pulseira. Agumon não tinha comentado sobre e o resto do grupo parecia agir como se aquilo não fosse importante. Mas tinha certeza que os números deveriam significar alguma coisa.

“Acho que não, Agumon disse que não aconteceram mais ataques.” Então levou os dedos aos lábios. “Mas ele disse que descobriu que um vilarejo de Yokomon foi completamente destruído.”

“Espera, mas você acabou de dizer que não houve ataques recentes.”

“Aparentemente esse ataque aconteceu faz tempo. Agumon não soube precisar, ele disse que a vila foi totalmente arruinada e não há vestígios de que ainda exista alguém morando por lá.” Ken curvou as sobrancelhas, será que todos tinham sido destruídos durante o ataque. “Ele disse que iria procurar por mais informações. Mas estranho eles não terem pedido ajuda.”

“Se eles foram um dos primeiros a serem atacados...” Fez sinal para que Daisuke desencostasse da porta e fechou seu armário. “O primeiro que nos contatou foi Elecmon, mas nada impede que outros ataques tenham ocorrido antes.” Embora a vila dos Yokomon ficasse próxima a Cidade do Princípio, ela se localizava em uma cadeia de montanhas e os Yokomon costumavam não ter contato com humanos, nem com outros Digimon. Se a vila foi atacada por um Digimon evoluído e descontrolado, eles não teriam chance de defesa e nem saberiam a quem recorrer. “Nós estamos fazendo o caminho errado.” Falou para si mesmo.

“O que quer dizer?” Daisuke perguntou sem entender.

“Sabemos dos ataques recentes, que aconteceram na mesma época da Cidade do Princípio ou um pouco depois, mas não sabemos qual foi o primeiro.”

“E o que isso vai nos ajudar?”

“Conseguiríamos montar uma linha do tempo, saber a ordem que os locais foram atacados, saber se os ataques estão se tornando mais violentos. Isso nos ajudaria a traçar um perfil.” Ichijouji não acreditava que havia deixado o ponto zero passar, tudo já poderia ter sido resolvido se ele tivesse ido atrás dos primeiros casos em vez de se ater aos casos recentes.

Motomiya não parecia estar acompanhando a linha de raciocínio do amigo, mas Ken não se importava, ele tinha certeza que de alguma forma o ponto zero e a pulseira se conectavam, mas ainda não sabia como.

“De qualquer forma, eu se fosse você estaria mais preocupado com outra coisa.” O ruivo tirou o gênio de seus pensamentos.

“O quê?”

“Miyako.”

“O que tem ela?”

“Eu não disse que ela estava furiosa porque você não apareceu ontem?”

“Disse.”

“E você acha que vai ter passado?”

“Não tem porque ela estar brava por isso, eu avisei a todos que não poderia ir.” Explicou.

“Mas ela fechou a cara quando perguntei se você não iria aparecer.” Ken abriu a boca, mas não saiu som algum. Ele não tinha sido estupido o suficiente para fazer tal pergunta a garota, tinha? “Aliás, ela vem me olhando feio desde que perguntei se vocês estavam namorando.” Ichijouji girou os olhos, não era possível que Daisuke não percebera a gravidade do que fizera. “Não sei por que ela ficou tão brava, vocês estão namorando, certo?”

“Tecnicamente...” Respirou fundo. “Eu não sei.” Admitiu.

“Como assim? Ela gosta de você e você dela, venho falando que vocês deveriam namorar faz um bom tempo.” Falou como se isso fosse óbvio.

“Não é tão simples.” Definitivamente ele não queria falar daquele assunto com Daisuke.

“Por que não?”

“Porque...” Como ele diria que por culpa dele mesmo as coisas não estavam indo a lugar nenhum? Mas antes que pudesse responder qualquer coisa, Motomiya deu um sorriso sem graça e saiu dali o mais rápido que pôde sem nem se despedir.

Ichijouji só entendeu o que estava acontecendo quando viu Inoue Miyako parada atrás de si, lançando um olhar fuzilante para o ruivo que já estava longe no corredor. A garota estava com o cabelo preso em um rabo de cavalo e parecia esperar que um raio divino fritasse Daisuke.

“Bom dia...” Sentiu o rosto corar e desviou o olhar para o corredor que começava a ficar movimentado.

“Bom dia, Ken.” Respondeu com um sorriso. “Tudo bem?” Ela parecia calma e radiante, mal lembrava a garota que segundos atrás esperava a morte do amigo.

“Tudo.” Respondeu meio sem jeito. “E você?” Ela só confirmou com um sorriso. “Bem, eu sinto muito não ter aparecido ontem, eu tinha outro compromisso.”

“Tudo bem.” Mas desta vez, ela não estava mais tão sorridente. Quando decidira ir atrás dos veteranos, mandou uma mensagem coletiva avisando que não apareceria, fez propositalmente, pois isso impediria Miyako de indagar sua ausência, ainda mais que tentava manter de todas as formas sua palavra de que eles não estavam juntos. “Ken, sobre a última vez que nos falamos...”

“Sobre isso.” Interrompeu. “Sinto muito não ter oficializado nossa relação e não ter te pedido em namoro devidamente.” Despejou a informação de uma vez. A garota ficou encarando-o espantada, sem saber exatamente o que dizer. “Eu devo fazer isso, certo?” Sabia muito bem que não era apenas isso, mas aquele era o primeiro passo.

“Acho que o corredor da escola não é o ambiente mais romântico.” Disse ainda impressionada.

“Tem razão.” Confirmou, sem sorrir. “Além disso, saiba que jamais você será um peso para mim.” Os olhos azuis encararam os castanhos, que vacilaram. “Eu sei que não sou a pessoa mais fácil de lidar e não sou bom em lidar com meus sentimentos.” A voz era séria e grave. “E também sei que você tem muito medo de despertar algo ruim em mim, mas isso não vai acontecer. Eu não vou deixar isso acontecer.”

A garota do cabelo lavanda permaneceu imóvel, encarando a expressão séria e decidida. Não sabia o que Ken tinha feito no dia anterior, nem tampouco como ele sabia de tais coisas. Sempre se preocupava com o bem estar de todos os amigos, e com Ken isso não seria diferente. Mas seus próprios sentimentos pelo gênio interferiam na maneira como ela lidava com ele e isso a assustava. Tinha medo que ele percebesse como ela se sentia e a evitasse, e agora tinha medo que ele se sentisse culpado quando ela estivesse triste.

Desde que o conhecera realmente, sabia como ele tinha dificuldade em lidar com sensações fortes e como seus sentimentos se tornavam incontroláveis. Por isso, havia reprimido o que sentia para que isso não atrapalhasse em sua recuperação. Considerou sim, migrar seus sentimentos para outro garoto, apenas para não feri-lo, mas no final, não conseguira reprimir o que sentia pelo rapaz e acabara se declarando.

Ficara com receio de como ele reagiria, mas ficou feliz ao perceber que ele também nutria sentimentos por ela. Se surpreendera em como ele poderia ser doce, delicado e gentil, mas também temia que a mudança muito rápida na relação entre eles pudesse ser demais para o adolescente e por isso pretendia fazer o relacionamento ir lentamente.

“Ken.” Respirou fundo. “Eu sei que parece estranho eu querer negar nossa relação, mas a verdade é que...” Só que ele não estava mais ouvindo. Os olhos estavam arregalados, encarando-a, mas ele parecia muito longe.

Se virou ignorando o que ela dizia e cruzou o corredor apressado. Miyako ficou parada, a frase parada na metade, vendo-o se afastar, perseguindo uma garota. Quando finalmente a alcançou a puxou pelo braço fazendo a virar de frente para ele e a veterana reconheceu Hanamizuki, a garota que beijara o adolescente no corredor do colégio e que reivindicara seu amor na escadaria externa no mesmo dia em que Miyako se declarou.

Ken segurava a garota pelo pulso esquerdo com força desnecessária. Os olhos não estavam presos no rosto redondo e maquiado, mas no braço que segurava. Cerca de dez pulseiras de silicone das mais variadas cores adornavam o braço da colega. Amarelas, verdes, azuis, rosas e roxas, todas translucidas e adornadas com flores similares a margaridas.

“O que foi?” Perguntou a menina assustada. Ichijouji até andava mais amigável desde o incidente na escadaria, mas não a ponto de fazer tal coisa no meio do corredor da escola.

“É você!”

Notas finais
N/T: Comentários, reviews, teorias da conspiração são sempre bem-vindos!