Notas iniciais
Olá pessoas, agradeço todo mundo que comentou, curtiu e afins. Queria citar o nome de todos, mas estou meio sem tempo hoje (devo fazer no próximo). Sem mais delongas vamos ao capítulo. Tema: Bijuteria Boa leitura!

ESPECULATIVO

Ken, Miyako, Daisuke e Takeru estavam reunidos em torno do monitor do laptop da mais velha. Eles estavam displicentemente acomodados no chão da sala na casa do Digiescolhido da esperança, em meio a almofadas e encarando a pequena tela colocada sobre a mesinha de centro.

Patamon estava acomodado no colo do parceiro, Miyako fazia anotações em um caderno, Daisuke mantinha uma expressão abobada, de quem há muito tinha perdido o fio da conversa, enquanto Ichijouji questionava Agumon, que passava seu relatório semanal do outro lado da tela.

O Digimon dinossauro tinha vagado pelas imediações da Cidade do Princípio, coletado informações sobre ataques de Digimon descontrolados, cruzado essas informações com as coletadas por Gabumon e Palmon e agora informava suas descobertas para o grupo.

“Fora o que eu contei, Palmon relatou um ataque, mas o Digimon não estava evoluído e os próprios moradores do vilarejo conseguiram dar conta.”

“Certo, isso não está relacionado com nosso caso.” Descartou o moreno, colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha.

“Tem certeza?” A garota do cabelo lavanda questionou, parando a caneta no meio da ação, sem ter certeza se deveria anotar aquela informação ou não.

“Sem evoluções.” A menina abriu a boca para argumentar, mas ele a interrompeu. “Mais alguma, Agumon?” Ichijouji se voltou para o monstrinho reproduzido na tela.

“Isso é tudo.” Respondeu sério. Mas de repente sua expressão mudou e ele acenou desesperado para que ninguém cortasse a conexão. “Gabumon encontrou isso próximo a Cidade do Princípio.” E exibiu uma pulseira de silicone com uma pequena flor adornando. “Estava meio sujo e coberto de grama. Mas não me parece estar lá por muito tempo, parece novo.” A pulseira era roxa translucida, enquanto a flor, que lembrava uma margarida, era um lilás opaco. Todos pareceram bastante surpresos com o objeto. Embora aquilo fosse uma pista, também poderia não significar nada, já que muitos humanos tinham acesso aos portais por possuírem parceiros Digimon.

“Tem alguma inscrição ou marcação nisso?” O gênio uniu as sobrancelhas.

Agumon girou o objeto nas mãos, encarando-o de todos os ângulos. Não havia nada, nada que fosse relevante para ele ao menos. “Talvez, seja melhor um de vocês conferirem pessoalmente. Eu vou guardar enquanto isso.” E com um aceno se despediu e encerrou a conexão.

O quarteto permaneceu sentado em semicírculo diante da tela apagada. Inoue terminou suas anotações enquanto Ken trocou um olhar significativo com Takeru. Daisuke matinha o mesmo olhar confuso.

“Então, você estava mesmo certo...” Takaishi deu um longo suspiro. “É um humano afinal.” Ele parecia frustrado. Não que ter um Digimon controlando outros fosse uma boa opção, mas lidar com humanos era sempre muito mais complicado.

“Espera, como tem tanta certeza de que é um humano?” O ruivo questionou após ouvir as considerações do loiro.

“Qual é, Daisuke. Você acha que algum Digimon usaria uma pulseira como aquela?” Miyako rebateu incrédula. O garoto pareceu ponderar quase como se imaginasse V-mon usando o apetrecho e não pôde deixar de sorrir do quão bizarro isso parecia.

“Bem, mas nada indica que o objeto seja do nosso inimigo. Pode pertencer a qualquer Digiescolhido, não? Quer dizer, alguém pode ter perdido, não precisa ser uma perda recente, o tempo lá corre diferente, certo?” O líder questionou.

O pensamento não era ilógico, mas a pulseira estava em bom estado, o que significava uma perda recente e pelos relatórios enviados por Agumon, Palmon e Gabumon nenhum Digiescolhido tinha aparecido por aquela região nos últimos tempos.

“Se é um humano, ele ainda está procurando...?” A frase do guardião da esperança quebrou a linha de raciocínio do ruivo e o deixou ainda mais confuso.

Ao perceber o olhar abobado no rosto do líder e agora no de Miyako, Ken emprestou a prancheta da garota e rapidamente fez um desenho. Na ilustração, havia vários pontos marcados que formavam um círculo em torno de um ponto maior.

“De acordo com os relatos, todos os ataques e aparições estranhas aconteceram nesses vilarejos.” E apontou os pontos com o dedo. “Todos esses lugares ficam na Ilha Arquivo. Nenhum ataque aconteceu do outro lado do oceano. Esses pontos são muito próximos a Cidade do Principio e considerando que tivemos um ataque lá, é possível que a cidade seja o alvo de quem está por trás dessas manifestações estranhas.”

“Mas por que o alvo seria uma cidade berçário?” Inoue concordava que a interferência só poderia ser humana, mas o resto não parecia se conectar. “Ele quer destruir a cidade para que não haja mais renascimentos?”

“É um possibilidade a ser considerada.” Ken respondeu encarando a menina. “Mas eu acredito que ele esteja procurando por um Digimon em específico.”

“Mesmo, qual?” Indagou ainda sem entender.

“O próprio parceiro.” Respondeu.

O silêncio reinou no apartamento enquanto cada uma das crianças fazia suas próprias considerações mentais. Takeru era o que parecia mais de acordo com a ideia de Ichijouji, mas Miyako e Daisuke não pareciam realmente convencidos.

“Por que ele buscaria o parceiro na Cidade do Princípio?” O ruivo questionou.

“Ele pode ter perdido o Digimon em batalha e o Digitama deve estar lá.” Concluiu Miyako, sabiamente.

“Mas nem todos os Digimon voltam para Cidade do Princípio.” Explicou o loiro. “Quando Angemon se sacrificou, o Digitama dele apareceu no mesmo local.” Encarou o parceiro que permanecia aninhado no colo, lhe doía o coração só de lembrar-se de como fora perder o parceiro.

“Existem casos excepcionais, mas a maioria retorna como Digitama na Cidade do Princípio.” Ken explicou.

“Então, vocês acham que o parceiro dele renasceu lá, mas então por que atacar a cidade?” O olhar do ruivo transitou do moreno para o loiro e de volta para o moreno.

“Espera.” Miyako interrompeu. “Mas o que tudo isso tem a ver com os Digimon descontrolados?” A pergunta soava estúpida, porque a ela a resposta parecia muito óbvia, mas ao mesmo tempo sentia que havia perdido parte da informação.

“Eu acredito que o controle não seja intencional.” Ken se ajeitou melhor. “Essa pessoa deve estar usando o Digivice para encontrar seu parceiro, mas de alguma forma, isso interfere na evolução dos outros monstros.”

“Isso é realmente possível?” Inoue e Ichijouji já tinham discutido tal possibilidade, mas ela não estava realmente convencida.

“O primeiro Digivice era muito diferente do nosso, que também é muito diferente do que os Digiescolhidos mais recentes têm agora. Quando eu fiz aquelas coisas.” Detestava fazer menção ao seu passado como Kaiser. “Eu podia usar o poder das torres negras para que meu Digivice controlasse os Digimon. Eu precisava de mecanismos para isso, mas nada impede que esse Digivice seja mais evoluído.”

“Mas cada Digivice não deveria estar conectado apenas ao nosso parceiro?” Nada fazia sentido para Motomiya e parecia cada vez mais assustador.

“De certa forma sim. Cada Digimon responde a apenas um Digivice. Mas o dispositivo serve para canalizar nossas emoções e alinhá-las com nossos parceiros. Se os corações não estiverem unidos, as evoluções não ocorrem corretamente.” Explicou em tom professoral. “Se esta pessoa está canalizando emoções intensas e direcionando para qualquer Digimon, isso pode de alguma forma, estar influenciando nas evoluções e provocando o descontrole que presenciamos. São os conceitos que conhecemos, mas usados de forma diferente.”

Ichijouji via os olhares perplexos dos amigos. Até Takeru que parecia o mais sintonizado em seus pensamentos parecia bastante surpreso com essa última parte. O moreno havia repassado aquelas informações por semanas, pensando em todas as formas e ângulos possíveis, tido mais conversas com Kaiser e no final, não havia mais o que concluir.

“Então, ele está fazendo tudo isso para reencontrar seu parceiro?” A voz de Takeru saiu tensa, como se ele soubesse a resposta daquela pergunta, mas não quisesse ouvi-la.

“Não faz sentido.” Miyako enrolou um dedo numa mecha de cabelo. “Por que direcionar seu Digivice para qualquer Digimon quando está procurando seu parceiro? Quer dizer, se você tem um Piyomon porque tentar evoluir um Gomamon com seu dispositivo, sendo que você sabe que ele não é seu parceiro?”

“Isso é porque ele não tem um parceiro.” A frase ficou ecoando na sala do apartamento, quase tangível.

“Mas você acabou de dizer que ele estava procurando o parceiro.” Daisuke interferiu.

“Eu disse que ele estava procurando o parceiro, não que ele já tivesse tido um.”

“Espera, isso não é possível, é? Todos os humanos que foram para o Digital World tiveram um parceiro.” A voz de Takaishi se fez ouvir.

“Se essa pessoa tem um Digivice, ela deve ter um parceiro, então nada mais óbvio do que procurá-lo na Cidade do Princípio, onde todos os Digimon nascem. Mas por algum motivo, eles não se encontraram ainda e isso está se tornando um problema.”

“Mas se ele está procurando seu parceiro, por que atacar o lugar onde ele vai aparecer?” Miyako questionou se lembrando da batalha contra Golemon. “E por que usar outros Digimon para isso?”

“Embora tudo o que discutimos aqui seja especulativo, estamos todos de acordo que as influências nos Digimon são uma espécie de controle, certo?” E correu os olhos pelos amigos, todos concordaram com um aceno de cabeça. “Também estamos de acordo que esse controle não é ordenado, o que o diferencia das engrenagens ou anéis negros.” Respirou fundo e prosseguiu. “A forma como eles evoluem levam a crer que foi uma evolução errada, uma discrepância entre corações, como aconteceu com Yagami-san e Agumon no passado.” Os olhos vagaram para os orbes azuis, que pareceram incomodados em lembrar-se de tal fato. Embora Motomiya e Inoue soubessem da transformação de Greymon para SkullGreymon, nunca nenhum deles havia realmente se interessado pelo assunto e tentado descobrir mais sobre esse tipo de evolução. “Com isso, só podemos concluir que um Digimon sem parceiro não evoluiria dessa forma sem incentivos. Digimon livres evoluem apenas quando estão prontos e maduros. Apenas Digimon com parceiros humanos podem ter sua evolução forçada, o que nos leva a crer que esses Digimon que atacaram o vilarejos foram forçados a evoluir.”

“Eu entendi tudo isso.” Daisuke comentou interrompendo o longo discurso do ex-Kaiser. “Mas, como tudo isso se encaixa com o cara não ter um Digimon?”

“Quando nós recebemos nossos Digivices, a primeira coisa que encontramos no Digital World foram nossos parceiros, como se eles estivessem ali esperando por nós. Então, naturalmente nós nos unimos. Mas, o que você teria feito se ao ir para lá não houvesse ninguém?”

“Eu procuraria pelo meu parceiro...” Daisuke respondeu como se a resposta fosse simples e óbvia.

“Mas se você não sabe quem ele é, então você passaria a tentar todos os Digimon que encontrar pelo caminho.” Miyako ajeitou os óculos que escorregaram para a ponta do nariz, a voz saiu soturna, como se finalmente entendesse a delicada situação em que se encontravam.

“Ou escolheria apenas os que julga mais fortes e adequados para você.” Ken deu um sorriso ambíguo, que lembrava muito o do Kaiser e abraçou os próprios joelhos.

“Então temos alguém com um Digivice perambulando pelo Digital World procurando alguém que não sabe quem é e interferindo na evolução dos outros Digimon?” Daisuke enumerou contando nos dedos, analisando se não perdera nenhum tópico.

“O desejo dessa pessoa em encontrar seu parceiro é tão intenso que ela consegue forçar outros Digimon a evoluir, mas como eles não são seus parceiros, ela não consegue controlá-los...” Takeru concluiu.

O quarteto permaneceu em silêncio, cada um deles absorto em seus próprios pensamentos.

“Bem, se a pessoa está fazendo isso sem saber, podemos persuadi-la a parar.” A garota comentou positiva quebrando o silêncio.

Ken sorriu enviesado, sabia melhor do que ninguém o mal que fizera dentro de sua megalomaníaca ingenuidade. Quantas vidas não dizimara achando que aquilo era apenas um tipo de jogo? A pessoa que dissera que ignorância era uma benção com certeza não tivera sua vida arruinada por saber de menos.

“Vamos ficar bem e resolver esse problema como todos os outros, certo?” A voz da menina ecoou pela sala, animada afastando o clima pesado. Eles haviam enfrentados vários tipos de perigo, não tinha porque se abater apenas com isso. Ela sorriu para todos, mas o sorriso mais bonito e caloroso reservou apenas para Ken que timidamente retribuiu o gesto tocando-lhe o ombro.

“Vocês estão namorando?” A voz estridente de Daisuke terminou de dissipar o clima carregado da sala. Eles estavam ali discutindo as mazelas do Digital World, mas não passou despercebido o sorriso exagerado da moça ou o toque do moreno. Ken raramente se dava a contatos físicos, tocar o ombro da amiga diante dos outros não era algo que se pudesse ignorar.

“Do que está falando?” Inoue gaguejou enquanto o rosto era tingido de vermelho.

“Todos esses sorrisinhos e vocês estão até se pegando.” E indicou a mão de Ken que ainda permanecia no ombro da mais velha. O moreno tirou a mão e sorriu sem graça. “Eu estava quase me convencendo que não rolava nada entre vocês, mas admitam vocês estão namorando, não?” Provocou zombeteiro. Ken abriu a boca para responder, mas Miyako o interrompeu.

“Claro que não, não diga um absurdo desses, Ken-kun e eu somos apenas amigos.” A voz saiu inflamada, como sempre saia em suas discussões com o amigo. “Estamos aqui preocupados com o Digital World e você ai falando de namoro. Cresça Daisuke.”

Daisuke se preparou para rebater, mas parou a frase na metade quando viu Ken levantar de chofre com uma expressão indecifrável no rosto.

“Se já concluímos, eu estou indo.” Disse para ninguém em especial. O trio se encarou sem entender e antes que Takeru fizesse menção de se levantar e abrir a porta, Ichijouji já estava no corredor do prédio.

Miyako se levantou e correu atrás do rapaz, abandonando seus pertences na casa dos Takaishi. Ela mal calçara os sapatos na porta, correu pelo corredor e quando finalmente alcançou o moreno, ele já havia chamado o elevador.

“Ken, onde está indo?” Ela estava ofegante.

“Por que se importa?” A voz saiu carregada de indiferença.

“Como pode dizer isso, claro que eu me importo.” Protestou.

“Engraçada você, se importa com um cara que nem é seu namorado.” Então era isso. Este tinha sido o ponto que o irritara.

“Você está bravo porque não contei para eles?” Miyako tentou esconder o alívio na voz, mas não conseguiu. O problema é que isso só fez Ken fechar ainda mais o cenho e parecer duas vezes mais irritado. “Nós havíamos combinado em não dar títulos, lembra?” Tentou se defender.

“Claro, porque eu passar todos os fins de semana na loja da sua família com suas irmãs me chamando de cunhadinho e fazendo penteados no meu cabelo não significa nada. Porque minha mãe fazer mais doces que a confeitaria da esquina toda vez que você vai nos visitar também não significa absolutamente nada.” A frase saiu entredentes, carregada por uma raiva que Miyako se lembrava de ter visto poucas vezes.

“Mas Ken, você mesmo disse que se o Daisuke descobrisse iria nos zoar pelo resto da vida.” Era um argumento fraco ela sabia, mas não havia mais o que dizer. Analisando friamente Ken estava certo em sua indignação, eles estavam namorando e nem ela sabia porque ainda escondia isso de algumas pessoas.

“E por isso vamos viver escondidos pelo resto da vida. Não, obrigado.” O elevador chegou ao andar e abriu a porta, admitindo o acesso. O moreno entrou e encarou Miyako como se esperasse que ela sublimasse ali mesmo. A porta lentamente se fechou enquanto ela ainda procurava um argumento que o convencesse a ficar, mas não sabia o que dizer.

A garota permaneceu parada no corredor, pés descalços no piso gelado, encarando as folhas de metal do elevador. Na porta do apartamento dos Takaishi, Takeru, Daisuke e Patamon espiavam.

“Eu não disse que eles estavam namorando.” O ruivo se gabou do acerto.

Notas finais
N/T: O capítulo ficou meio chato porque há muitas explicações e especulações (ah vá) mas era importante para a evolução da parte de ação da fic. Quando a intriga no final, parece jogado mas isso estará diretamente ligado ao próximo capítulo, então não estranhem muito. Reviews, sugestões, críticas, receitas de bolo, vocês já sabem é só deixar nos comentários.