A Garota do Batom Vermelho
15 Capítulo 14: Operação caça vadia
Notas iniciais
Assim que o beijo terminou, Luis saiu sem falar nada. Vivian ainda suspirava quando Nayara a puxou pelo braço e a levou para um canto.
— Me solta, Nay! Está me machucando.
— O que foi isso Vivian? Ele ainda namora a Mia, sabia?
— Mas foi ele que me beijou, não tive culpa.
— Eu sei muto bem que você é louca por ele desde sempre, não adianta negar. Se a Mia souber disso, ela vai acabar com você.
— Não ligo, se o Luis quiser ficar comigo ao invés de ficar com ela a culpa não vai ser minha.
— Minha nossa, Vivian! Você passou dos limites.
Vivian saiu sem dizer mais nada e mesmo querendo falar umas poucas e boas para a garota Nayara foi até o lixo e pegou os papéis que viu Luis jogando fora.
Chegando em casa, antes mesmo de almoçar, Nayara correu até o seu quarto e montou o bilhete.
“O príncipe é filho de um ladrão, não é mesmo? O que você acha que aconteceria se isso fosse parar nos murais da escola? Ou quem sabe na mídia? Tenho provas, não arrisque. Pra isso não acontecer basta beijar a Vivian na escola. XoXo”.
— Ai meu deus! Sabia que tudo isso estava estranho! Tenho que ligar para a Mia. — Nayara pegou o celular e ligou para a amiga — Mi, preciso falar com você urgente!
— Mas que coisa, todo mundo quer falar comigo urgente. O que você quer?
— É de seu interesse. — Mia ficou em silêncio. — A GBV atacou de novo.
— Que? Como assim?
— Com certeza vai aparecer no Face hoje, então é melhor você falar comigo.
— Fala logo, garota!
— O Luis beijou a Vivian?
— Que? Aquel…
— Calma! A GBV ameaçou ele. Ou ele beijava a Vivian ou ela espalhava que o pai dele é um político ladrão.
— Ai aquela vaca!
— A GBV ou a Vivian?
— As duas! E o Luis é um retardado! Que ódio! Que ódio!
— Calma. Eu também já recebi um bilhete e…
— Que? Você também recebeu? Mas que merda ta acontecendo?
— Não sei, mas eu p…
— Você vai ficar quieta, deixa que eu cuido disso.
— Eu posso te ajudar.
— Não, quanto menos pessoas souberem melhor. Não conta pra ninguém, okay. Nem pra Vivian.
— Ta bom, pode deixar. Mas se precisar pode contar comigo.
— Está bem. Tchau.
— Tchau.
Logo em seguida Mia ligou para Andy.
— Mi?
— Precisamos logo de um plano. To cansada dessa vadiazinha manipular nossas vidas.
— O que foi? O que aconteceu?
— Você vai saber hoje no Facebook. Precisamos marcar uma reunião neste feriado.
— Certo, pode ser aqui em casa então. O Murilo vai ta aqui, mas a gente disfarça.
— Combinado então.
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Atenção: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram
abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.
“Alô, alô marciano. Aqui quem fala é da terra. Pra variar estamos em guerra”. E vai explodir uma bomba a qualquer momento. Na verdade, já explodiu. Duas!
Sim fiéis foram duas!
Acho que todo mundo já ficou sabendo que T é uma putinha e que deu para D logo no primeiro encontro né? Que azar T, D avisou todo mundo sem querer. O lado positivo é que sua fila vai ficar cheio de gatinhos te querendo. Aproveita e se joga!
Agora a segunda bomba, acho que poucas pessoas viram. Mas cara, é a melhor de todas. Só comprova que da mesma forma que A continua sendo uma fura olho, M continua chifruda.
Isso mesmo fofoqueiras de plantão. L traiu novamente a rainha M e novamente com uma amiguinha dela: a antiga sem sal V.
Aguardo ansiosamente o barraco de amanhã.
XoXo
No outro dia na escola todo mundo ficou aguardando o barraco, mas Mia não compareceu a aula. Ela queria aparecer triunfante, mas não conseguia. Se sentia sozinha e só queria acabar com a vida da GBV.
— To preocupada com a Mi.
— Por quê? Pelo o que você me falou ela parece bem decidida.
— Sim, mas… Em momentos como este era eu que erguia ela.
— Todo isso vai acabar, okay. E ela vai voltar a ser a chata de sempre.
Mia sorriu, mas sua preocupação não diminuiu. Queria estar com ela, dizer que nada ia ofuscar o seu brilho, que tudo isso era inveja, pois todos queriam ser como ela.
No dia seguinte já era feriado. Significava que GBV ia ficar quieta e que elas poderiam arquitetar um plano. Joana chegou cedo na casa da amiga, elas tomaram banho de piscina e almoçaram com os pais e o irmão de Andy, Murilo, que tinha acabado de chegar de viagem. No início da tarde Mia chegou, cumprimentou a todos e logo em seguida elas foram para o quarto de Andy.
— Então… Por onde começamos?
— Eu trouxe a lista de convidados da minha festa. — disse Mia pegando uma folha dentro da bolsa — A GBV com certeza estava ali entre as duzentas pessoas.
— Duzentas pessoas? A gente vai ficar até o final do ano para descobrir isso .- disse Joana.
— Tem uma ideia melhor?
— Bom, não. Mas tem que ter um jeito mais fácil.
— Enquanto você pensa nisso, eu e a Andy vamos investigar um por um.
— Pode ser.
— Ótimo.
— Ótimo.
— Nada disso. Parem com isso, okay. Vocês duas vão ter que se dar bem pra isso funcionar.
— Acho meio difícil.
— Por favor Jô. Só assim pra gente ter uma vida tranquila de novo.
— Está bem. Vamos dividir a lista em três e stalkear a vida deste povinho.
Após três horas focadas na "Operação Caça Vadia" decidiram parar para descansar, não tinham avançando muito, mas a cabeça delas estavam doendo. Andy foi pedir um lanche e deixou Joana e Mia no quarto.
— Então, Jô. Como é se sentir rica por alguns dias?
— Primeiro: não me chame de Jô. E segundo: vou sair daqui antes que eu quebre sua cara.
— A favela não sai de você, não é querida?
Joana saiu do quarto e bateu a porta com força. Ainda resmungando não notou Murilo chegando.
— Está tudo bem?
— Ah. Oi. D-esculpa. Está sim, está sim.
— Bom, parecia que você queria socar alguma coisa.
— Na verdade ainda quero, mas não to a fim de quebrar a mão.
— Tenho um saco de pancadas no meu quarto.
— Sério?
— Quer vir?
— Claro.
Joana seguiu Murilo e assim que chegaram ao quarto ele colocou as luvas nela e a ensinou dar alguns socos.
— Ué cadê a Jô? — perguntou Andy voltando para o quarto com o lanche.
— Não sei, saiu toda estressadinha.
— Com certeza você falou algo.
— Olha se vai ficar me acusando, vou embora okay. Já terminamos por hoje.
— Não Mi. Espere!
Mia saiu sem olhar para trás, Andy estava indo atrás dela quando viu Joana saindo do quarto do irmão.
— Você é boa nisso, pode vir aqui mais vezes se quiser. — disse Murilo.
— Acho arriscado ficar treinando, posso não me controlar da próxima vez.
— Jô?
— Ah, oi. Seu irmão tava me ajudando a esvaziar a raiva.
— Bom, acho que nosso “trabalho” já acabou, a Mia foi embora.
— Então eu já vou também.
— Está bem, te levo até o portão.
Assim que Andy voltou do portão, Murilo a esperava na sala.
— A Joana é uma garota interessante.
— Pode esquecer, ela gosta de outro garoto.
— Só quero o número dela.
— Está bem, mas não diga que não te avisei.
— Confio no meu taco, irmãzinha
Andy passou o número da amiga para Murilo por WhatsApp, logo em seguida chegou uma mensagem.
Rafa: Oi. Podemos conversar?
O coração de Andy disparou. Por que isto estava acontecendo com ela?
Andy: Claro, Rafa.
Rafa: Queria te falar isso pessoalmente, mas não consigo. Bom, é que… O seu beijo não sai da minha cabeça. Sei que foi só um selinho, mas acho que estou confuso com tudo isso.
Andy saiu correndo da sala e foi para o seu quarto. Isso não poderia acontecer. Rafa era da Joana e eles se gostavam, ela não podia se meter no meio.
Andy: Foi um erro, esquece isso. Ok?
Rafa: Ok.
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