A Garota do Apartamento 36
28 Destino Maldito
Notas iniciais
"Não preciso me drogar para ser um gênio;
Não preciso ser um gênio para ser humano;
Mas preciso do seu sorriso para ser feliz." — Charles Chaplin
Eta calor desgraçado!
Coloquei a mão sobre os olhos tentando dar uma pequena sombra pra eles, sai pra fora do taxi e soltei uma careta quando pisei os pés na frente do prédio – Quer ajuda com a mala?
Olhei pra trás rapidamente e dei um pequeno sorriso negando a gentileza do taxista – Não é necessário, ela está vazia.
Ele ficou um pouco surpreso com o que eu tinha dito, mas não falou nada. Deu um leve aceno se despedindo e acelerou o taxi de volta pra avenida Está na hora! Peguei na alça da mala e comecei a caminhar em direção ao prédio.
– Olha só quem ta de volta! Como foi a viajem Larissa? – Olha só quem não está dormindo! Aqueles olhos castanhos me encaravam curiosos e brilhantes, mas vi uma careta se formar na cara do porteiro quando ele reparou muito bem no meu rosto – O que aconteceu?
– Vamos dizer que foi uma viagem cheia de surpresas! – Respondi segurando uma careta desfaçada de sorriso, meu rosto não estava tão ruim assim graças ao Mamute que apesar de bruto sabia muito bem como fazer um bom curativo quando necessário, o que foi um verdadeiro quebra galho pra minha cara de carne moída.
– Deu pra perceber! – Murmurou com uma leve risada voltando sua atenção a televisão que ficava dentro de seu pequeno espaço.Soltei um suspiro e entrei no elevador. Apertei o botão do meu andar e encostei minha cabeça no vidro gelado É podia ser pior! Meu rosto só tinha um corte no lábio inferior e um band-aid na ponte do meu nariz por causa de outro corte, dei sorte por ele não ter acertado meus olhos, nem ia querer imaginar o roxo que iria ficar, mas em compensação meu corpo tinha altas marcas coloridas, estava parecendo um arco-íris humano todo dolorido.
Desgrudei minha cabeça da parede metálica do elevador no momento em que ele se abriu em meu andar. Andei a passos lentos até o meu apartamento e girei a maçaneta. Bufei quando vi que a porta estava trancada, mas só por teimosia girei violentamente mais algumas vezes e desistente soquei a porta com um pouco de força encostando minha testa na porta de madeira polida fechando os olhos.
– Que merda... Tanto tempo pra eles estarem fora de casa, porque logo agora? — Resmunguei comigo mesma quando não ouvi nenhum barulho de dentro de casa. Bufei e abri os olhos encarando o chão.
– Mas o que? — Franzi o cenho me abaixando quando vi um papel branco entre a entrada da porta. Peguei o papel com calma e li a escrita bem feita que eu tinha reconhecido como a da minha mãe.
– "Sua tia Luciana ficou doente e tivemos que viajar para Dourados de última hora, voltamos assim que possível, deixei a chave reserva na casa da..." — Li o que estava escrito no papel, entretanto segurei a respiração na última parte Só pode ta de gozação com a minha cara!– "Na casa da Gabriela" Eu realmente não tenho sossego nessa vida!
Me levantei resmungando e amassei o papel de caderno em minhas mãos com certa fúria Não é tão ruim assim Lara vamo la!
– Cala a boca mente estupida! — É ainda melhor agora! Eles nem vão poder discutir, apenas pegue a chave e vá embora!– Eu não estou pronto pra vê -la! — Você nunca ta pronta pra nada sua vadia! Precisa de outra sova daquela para voltar a ter coragem!– Porque você, a minha própria consciência, fica contra mim?! — Porque você é louca Lara, ou nunca percebeu isso?– E você também não AJUDA!
Gritei já irritada massageei minha temporã tentando focar na realidade, mas o que realmente me fez voltar a ela era ter observado de relance uma pessoa no apartamento da minha frente. Minha face esquentou e acabei dando um sorriso envergonhado quando encontro a minha vizinha da frente me encarando com a porta entreaberta — É que eu... Hamm... Bom dia Dona Marta...
Ela me olhou entre aqueles óculos fundos de garrafa de forma estranha, deu um leve aceno só por educação e fechou a porta. Ouvi o barulho dos trincos e de sua fechadura Olha só outro ser que me acha retardada! Eu vejo essa velha uma vez por mês e olha só em que situação.– Eu preciso ir ao medico... — Sussurrei só pra mim indo em direção ao elevador com a face queimando de vergonha.
Apertei o botão e logo após alguns segundos as portas se abriram, arrastei minhas coisas para dentro do elevador e com uma certa tremedeira apertei o botão de número oito. Respirei fundo e ajeitei minha mochila nas costas quando o elevador começou a se mexer, meu coração batia fortemente contra meu peito e a todo momento uma pequena parcela do meu ser queria que eu fugisse de uma vez daquele país.
– Não se preocupe Lara — Tentava convencer a mim mesma ainda com a respiração falha. A porta do elevador se abriu e eu acabei fazendo uma careta amedrontada Oh boy. Sentia as minhas pernas bambas a cada passo que eu dava, as portas metálicas do elevador se fecharam fazendo um leve som o que foi o suficiente para despertar a realidade em mim.
Eu estava de frente para o apartamento número trinta e seis.
CORRE! Fechei os olhos quando a minha mente praticamente gritou aquilo pra mim — Agora você não aguenta a pressão consciência? — Eu realmente não achei que você iria tão longe! Foda-se as suas roupas nós compramos mais delas em Londres!– Eu não vou embora sem meus livros e instrumentos! — La é barato! Fuja sua desgraçada! – Mente MALDITA!
– Lara?
Segurei minha respiração quando aquela voz doce cortou meus ouvidos, levantei minha cabeça e com os olhos arregalados encarei uma morena que me olhava com certa surpresa. Ela ainda estava de pijama, uma camisa larga dos sex pistols amarela que cobria a sua cintura, suas pernas estavam nuas e eu não conseguia saber se ela estava de calcinha ou com um short por baixo graças a camisa. Ela que até então coçava seus olhos miúdos de sono ficou alarmada ao saber quem estava falando sozinha feito uma idiota em frente à sua porta.
Seu cabelo estava bagunçado dando um ar tão fofo nela que quase fez meu coração saltar pela minha garganta. E aqueles olhos, aqueles olhos que sempre me faziam ter sonhos cobertos de luxuria me encaravam como se não acreditasse que eu estivesse ali.
– Haa... Gab... Porta... Pera! — Respirei fundo umas três vezes até conseguir colocar as palavras na minha mente nos lugares certos, voltei a olha-la e vi um pequeno sorriso de divertimento aparecer em sua face me fazendo voltar ao meu estado pimentão. Limpei minha garganta e finalmente consegui bolar uma frase útil — A chave de casa... Ela ta...
– Está comigo — Respondeu baixinho, o seu sorriso ficou maior e eu acabei desviando meu olhar do dela meio encabulada — Entra, eu já vou buscar.
Fiquei meio hesitante no começo, respirei fundo pela milionésima vez naquele dia e entrei dentro da casa dela quando ela me deu espaço para passar. Ela fechou a porta atrás de mim e caminhou a curtos passos em direção a cozinha — Como foi a viagem? — Perguntou puxando assunto comigo, abri e fechei a boca várias vezes tentando colocar as palavras certas na minha boca Você parece um filhote de passarinho vulnerável dessa forma sabia? Muuuuito patética Larissa.
Rosnei da minha própria mente e acabei fechando a cara graças a isso — Ainda magoada comigo? — Levantei meu olhar do chão e encarei aqueles olhos cinzas inseguros, ela mordia os lábios de leve e apertava seus próprios dedos compulsivamente com temor de minha resposta.
Meu coração apertou graças a isso — Nã-Não é isso Gabriela, eu não estou magoada com você!
– Não está?
NÃO ESTÁ? Como assim Lara?! Quer saber eu desisto de tentar te entender! Eu vou tomar banho... Franzi o cenho novamente, minha consciência estava ficando cada vez mais retardada a cada dia.
– Não eu... Eu apenas... é difícil de explicar — Coloquei minha mão na minha testa e sentei no sofá da sala dela, toda essa batalha mental estava me deixando com dor de cabeça.
Senti uma certa pressão no sofá ao meu lado e um leve corpo quente se aproximou de mim. Gabriela tinha sentado ao meu lado, meu coração estava batendo de forma descompassada e eu estava imaginando quando eu teria outro ataque cardíaco.
Senti suas mãos macias passearem sobre a minha bochecha, engoli seco com aquele movimento dela — Porque você tem um corte na sua bochecha?
Encarei seus olhos cinzas preocupados e dei um meio sorriso, meu corpo estava perigosamente próximo ao dela. Eu tinha que evitar isso a qualquer custo. Me levantei com calma tirando qualquer espaço fatal entre nós, ela percebeu meu movimento e abaixou a cabeça envergonhada — Eu inventei de entrar na roda punk, sai moída do show do Bad Religion — Respondi a pergunta tentando ser educada ao máximo. Eu não podia voltar atrás, não agora.
Seus olhos voltaram a me encarar e eu senti meu coração falhar uma batida quando vi seus olhos marejados, Num chora por favor!– Só me dê a chave Gabriela, eu tenho que ir...
– Eu terminei com a Mariane — Arregalei os olhos quando ela disse isso, entretanto essa revelação só me fez lembrar de toda a raiva que eu sentia por ela — Você tinha razão, ela é uma vadia...
– A chave — A cortei com a fala dura, me irritava de pensar que ela namorou com aquela desgraçada. Ela se levantou e me encarou com lagrimas escorrendo dos olhos, ela pegou as minhas mãos e as segurou com força. Senti minhas pernas ficarem bambas, mas o meu orgulho ainda estava muito além de qualquer outro sentimento.
– Lara por favor! Me ouça...
– Não! Quem vai ouvir agora é você! — Separei minhas mãos bruscamente das dela e tive que serrar o pulso para conter a minha vontade de abraça-la quando as lagrimas saiam compulsivamente de seus olhos. — Eu estou cansada disso ok? De desculpas esfarrapadas, de olhares de suplica! Você não foi a única a sofrer ok? Eu te amava! E você só me tratou como uma criança! E como você tentou se redimir?! Namorando a cobra da Mariane e eu aposto que você já sabia que ela só fez isso para me acertar!
– Eu não sabia...
– TODO MUNDO SABIA! Meus amigos, meu irmão ou qualquer pessoa com sã consciência! Mariane é uma sociopata que só pensar nela mesma e mesmo sabendo que eu a odeio, você começou a namorar ela! — Eu realmente não queria saber como estava a minha cara no momento em que gritei com Gabriela, ela apenas se sentou no sofá e se encolheu toda enquanto ouvia meu discurso de ódio. Eu já tinha passado dos limites.
– Eu estava perdida... — Ela disse baixinho, gaguejando com lagrimas sobre seu rosto inteiro, ela não me olhava acho que tinha medo de saber como estava a minha expressão — Foram cincos meses Lara, eu pensei em fazer besteira. Mariane apesar de ser tudo isso foi uma das poucas pessoas que me deram suporte... Eu pensei em me matar...
Perdi as forças das minhas pernas quando ela disse aquilo, me sentei bruscamente no sofá com o olhar sem foco. Coloquei minhas mãos na minha cabeça e comecei a conter as minhas próprias lagrimas. Eu estava tão perdida quanto ela — Eu... Eu fiquei tão irritada... Por saber que Mariane tinha te tocado, ficado ao seu lado, o problema é que eu não consigo...
– O que você não consegue?
– Eu tenho um psicológico muito alterado morena, eu sou movida ao orgulho, ele é o meu maior pecado... É até difícil pra mim admitir isso, você não tem ideia o que passa na minha mente e principalmente o que eu sinto quando alguém fere o meu orgulho da mesma forma que você fez... É simplesmente difícil...
Me arrepiei quando senti seus lábios irem de encontro com a pele exposta do meu pescoço, um suspiro saiu de meus lábios molhados devidos as lagrimas que saíram sem permissão de meus olhos — Você me prometeu — Sussurrou no meu ouvido serenamente, tive que apertar com força meus lábios para conter um gemido quando ela voltou a falar — Você prometeu nunca me deixar.
SHUTDOWN
“- MÁ QUE MERDA TA ACONTECENDO?!
– VOCÊS DERRUBARAM O MEU LANCHE NATURAL!
– PORRA MANO SE PISOU NO MEU PÉ!
– PORQUE VOCÊS ESTÃO SE PEGANDO NO ESCURO, ISSO É ERRADO NÃO É? VOCÊS SÃO IGUAIS!
Apenas murmúrios no escuro era ouvidos dentro daquela mente oca, muitos estavam confusos, outros estavam começando a ficar com medo, porque é claro o Medo estava dando uma de frango com todos em sua volta.
– É flango com catupily?!
Apesar de estar um breu só na mente da doida, a Zoera parecia ainda não querer perder uma. Todos os alteregos estava dando risada da frase besta solta no ar e apesar de todo o inferninho que tinha virado aquele lugar uma voz se destacou das demais:
– QUEM FOI O INFELIZ QUE DESLIGOU O SISTEMA?! – Gritou Liderança já um pouco irritada, junto com Ira colada no seu pé.
– Eu sei lá, eu estava tentando controlar as lágrimas da Lara...
– E como sempre você falhou Emoção, devíamos diminuir seu salário – Retrucou Amargura tentando não soltar tanto veneno.
– Mantenha o respeito com a Emoção cara – Disse Chapação de forma bem lenta, o cheiro daquela fumaça estranha estava impregnando o ar – Você precisa mais dos poderes de Jáh!
– Se a Razão souber que você ta fumando aqui dentro ela vai te jogar na trituradora de sentimentos...
– Relaxa Preocupação, só sente a maresia – Respondeu Chapação com a voz segurada para a fumaça não escapar, tossiu forte quando acabou seu ar e começou a cantar de forma estranha — Apaga a fumaça do revólver, da pistola. Manda a fumaça do cachimbo pra cachola. Acende, puxa, prende, passa. Índio quer cachimbo, índio quer fazer fumaça...
– Ela não tem jeito né? – Sussurrou Duvida quando viu Chapação distante, trombamos nas pessoas e pedindo desculpas sempre com uma risada.
– Deixa aquela noiada ser feliz, ela já é extinta aqui mesmo!
As luzes do nada se acenderam e uma salma de palmos foi feita por todos ali presentes, mas algo estava errado, um grito foi dado naquela noite fria e gelada. Todos correram para ver o que tinha acontecido e já era bem notado que Frescura jaz desmaiado aos braços da Preocupação.
– QUEM NAUCALTEOL A RAZÃO?! – Gritou Moral furiosos e logo ele foi chamado novamente quando ouviu Chapação gritar distante tentando esconder seus olhos vermelhos com uns óculos escuros na cara.
– Meu irmão, nocautearam o orgulho também! O bagulho é loco! HAHA!
– Isso quer dizer que...
– Me desculpe moral, mas ela e o orgulho estavam atrapalhando os planos, demos cabo neles que se foda a sua força de vontade – Um sorriso vitorioso apareceu nos lábios daquele sentimento que todos queriam esquecer. Amor estava lá de braços cruzados tomando todo o controle do corpo de Lara.
– Você apagou a Lara?!
– Não Moral, melhor que isso! – Ela apontou pro telão e todos ficaram espantados com a cena – Eu deixei a Lara no modo automático! MUAHAHAHAHA
– Isso é proibido! Só se pode fazer isso em momentos de tédio! Não nesse tipo de situação!
– Larguem de ser cuzões e uma vez na vida deixem a Lara agir por conta própria! Nós vamos acabar colocando ela num manicômio se continuarmos controlando ela!
– Mas se ela...
– Desculpe meu amigo, já está acontecendo...”
Me virei e encarei aqueles olhos cinzas, algo extraordinário estava acontecendo dentro de mim e eu de repente me senti mais leve, com vontade de fazer coisas e principalmente, vontade de beijar aqueles lábios suculentos.
Agarrei com força a nuca da morena e depois de muito tempo grudei meus lábios nos dela numa força maior que a necessária. Movi meus lábios com fúria enquanto ela apertava os meus com desejo, a minha força de vontade foi sendo substituída pela minha própria luxuria, não importava o quanto eu beijasse nunca parecia estar ao nível da minha saudade.
Ela me agarrou com força e me deitou no sofá bruscamente, senti todo meu corpo arrepiar e pedir por mais, querendo cada pedaço daquele corpo delicioso junto a mim. Ela gemia e me agarrava com foça provando de meus lábios com vontade, minhas lagrimas já secas já tinham se misturado ao meu prazer do desejo por aquela garota seminua em cima de meu colo.
Eu lembrava corretamente do nosso último beijo. Aquele nosso amasso cheio de emoções e sentimentos que foram apagados por um simples sentimento meu. Aquele sentimento de raiva e confusão que me deixou pensando por meses como apagar da minha mente.
Mas agora ela estava ali comprimindo seus lábios contra o meu em desejo. Depois de tanto tempo longe, tanto tempo evitando, eu tinha sucumbido a parte do meu cérebro que tinha dado tilt, a única parte em que reinava o resto da minha razão.
Seu corpo se deitou contra o meu com saudade, senti seu corpo quente ir de encontro meu com luxuria. Haaa como eu sentia saudade de seus lábios macios e carnudos, de seu corpo firme e voraz, de sua boca que explorava cada canto da minha a boca faminta.
Eu não sabia como classificar Gabriela, a sua boca era tão perfeita, seu corpo tão macio, a cada pegada e aperta o entre sua cintura e suas coxas a sentia respirar mais forte contra a minha boca.
Eu não sabia o que sentir mais, eu a amava, mas e eu sabia que não podia nutrir esse sentimento fútil. O futuro tinha sido jogado na minha cara e eu apenas estava enrolando e piorando a situação do meu estado.
– Eu senti sua falta... — Sussurrou em meu ouvido enquanto mordia levemente o lóbulo da minha orelha. Tive que segurar um suspiro por causa disso. Meu corpo já estava agindo sozinho, ele queria Gabriela, minha mente queria Gabriela, mas a minha razão que estava começando a acordar pedia por ajuda. Eu não podia continuar.
– Gabi!
– Lara por favor... — A desencostei do meu corpo com certa relutância, ela continuou deitada em meu colo com seus lábios inchados e seus temerosos olhos suplicantes não podia continuar eu já tinha a um plano marcado e não podia mais dar o pé atrás.
– Eu vou embora...
– Para com isso Lara, você sabe que eu te amo! Não vá! – Me cortou aindame segurando no lugar, apertei os olhos e respirei fundo antes de soltar a bomba em cima dela:
– Não Gabi, você não entendeu... Eu vou embora do país...
– Como assim embora do país?!
– Jonathan me colocou num programa a um tempo atrás, eu fui selecionada a fazer intercambio em Londres de gastronomia, eu só vim pra Cuiabá para pegar as minhas coisas e partir, eu vou embora morena...
Ela ficou longos segundos me encarando até o momento em que a ficha caiu e o choque tocou conta de sua face. Lagrimas se formaram em seus olhos e o desespero veio logo em seguida. Eu não aguentei segurar minhas lagrimas quando aquele corpo se chocou ao meu. Aquele abraço forte cheio de saudades se afundou em mim, sua lagrimas molhavam o meu pescoço e o cheiro de seu cabelo se fundi-o ao meu olfato.
Eu estava chorando junto dela, e eu não queria admitir o porquê. Mas eu sabia, sabia que eu ia sentir a falta dela, sentir a falta de todos. Eu ia embora. Eu não aguentava mais e precisava correr embora, fugir de tudo o que eu conhecia mais uma vez.
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