A Garota da Rodoviária
1 Capítulo 1 - Delírio
Notas iniciais
O garoto latino se encostou à pilastra e olhou ao redor. Ela estava atrasada. A culpa na verdade era do ônibus, mas se ela não tivesse vindo ele não estaria ali, no meio de toda aquela gente, ele odiava essa "muvuca" toda.
A verdade era que ele estava com medo. Ela foi à única pessoa em quem ele confiou além do seu pequeno grupo de amigos. E ele nem ao menos sabia por que tinha confiado nela. Simplesmente confiou. Arrependeu-se algumas vezes, mas agora já era tarde demais, ela já tinha conseguido alcançar o coração dele. E isso o deixava apavorado.
Será que ela tinha percebido que ele estava agindo estranho na última semana? Eles tiveram uma conversa antes de ela decidir vir, mas ele não disse nada. Foi tudo culpa daquela maldita, que colocou coisas na minha mente dele. A maldita em questão, era a amiga de ambos. Que em um surto de sacanagem, falou que minha raiva era na verdade tensão sexual. E foi aí que eu comecei á ter sonhos eróticos com a dita cuja, que alias, ainda está atrasada.
Olhei no relógio. Meia hora atrasada. Eu ia arrancar o coração dela por me fazer esperar. Resolvi dar uma volta na rodoviária para me distrair.
Alguns minutos depois seu celular tocou. Era ela. A mesma se chama Charlotte. Eu adorava seu nome, simples e sexy.
- Cadê você Pablo? — Perguntou ela, indignada.
- Já estou indo. Onde você está?
- Hm... Do lado de uma placa azul.
- Placa azul? — Eu disse e comecei a andar para o lugar onde estava.
- É. E tem um garoto de cabelo azul nela. A Abby ia adorar isso aqui.
- Sim, ia. – Eu sorri.
- Você já está vindo?
- Já estou te vendo. Olhe para trás. – Eu disse me aproximando de uma garota com longos cabelos escuros. Desliguei o celular e guardei-o no bolso da calça.
E então ela se virou. E eu engoli em seco.
Ela estava bem mais sensual do que nos meus sonhos. Usava uma blusa decotada, que não a deixava vulgar, e uma calça justa demais para a minha sanidade. Acho que á olhei por tempo demais, por que ela me deu um olhar confuso.
- Olá, garota atrasada. – Eu disse dando o meu sorriso mais sedutor.
- Se você não percebeu, era eu que estava aqui te esperando. – Ela fez uma careta.
- Eu estava aqui o tempo todo, só você não viu.
Ela soltou um sorriso mais amigável.
- Se você demorasse mais um pouquinho eu seria estuprada pelo cara da placa azul. — Ela olhou para a placa. Olhei também. Havia um casal se abraçando sensualmente. O rapaz de cabelo azul parecia olhar diretamente para onde nós estávamos.
- Com esse decote, até eu iria te estuprar. — Disse quase num sussurro
- Oi?
- Nada, melhor irmos. — Peguei sua bolsa e seguimos
- Ah, sim, a Abby esta me esperando. Estou ansiosa para ver o apartamento que ela arrumou.
- Então é verdade? — Olhei para o lado para esconder um sorriso
- Que vou morar aqui? Sim, esse foi o melhor presente de 18 anos que a Abby podia ganhar.
- Claro, claro.
-Alias, obrigado por vir me buscar na rodoviária, como não conheço a cidade, fiquei com medo de me perder.
- Ah tudo bem, foi um prazer.
Caminhamos um tempo em silêncio, estávamos quase fora da rodoviária, eu tinha que fazer algo. Não podia deixa-la entrar em um táxi e ir. Pense Pablo, pense em algo!
Foi então que tive uma ideia...
- Hey, o que acha de comermos algo antes de você ir?
- Ótimo, estou mesmo faminta. Mas e a mina bolsa? Está um pouco pesada.
- Moro aqui perto com meu irmão e primo, se esqueceu?
- Ok então. Vamos lá — Ela sorriu, já estava louco por ela
Andamos uns cinco minutos e começou a chover bastante, corremos até chegarmos ao meu prédio, eu morava no 12° andar. Seguimos até o elevador calados, mas ela quebrou o silêncio.
- Ah... Pablo?
- Sim? — Eu já imaginava o que ela iria dizer então me posicionei em sua frente
- Olha, sobre a nossa última conversa, eu queria dizer que devemos esquecer isso. Abby tem seus surtos, mas não precisamos dar atenção para o que ela diz, ok?
Sinceramente eu não prestava atenção no que ela dizia, apenas olhava aqueles lábios que me seduziram desde a primeira vez que à vi hoje. Estávamos os dois encharcados, a roupa molhada só fez ela parecer mais sexy do que o normal. O que eu queria era agarra-la aqui mesmo. Queria realizar todos os sonhos que tive com ela. E olha que irônico, um deles era no elevador.
O meu transe foi quebrado por um arranhão no braço, que cá entre nós, me excitou.
- Pablo, você está me ouvindo?
- Desculpe, estava pensando em umas coisas que quero fazer hoje e me distrai.
- Que coisas?
Então foi ai que eu vi, era a minha chance.
- Isso.
Eu a puxei para mim e a beijei. No inicio ela me bateu e me arranhou, o que me fez querê-la ainda mais. Então ela cedeu, e ficou melhor ainda. Ficamos ali agarrados, até que ela me empurrou. Eu a olhava incrédulo, não sabia o que tinha feito para faze-la reagir assim. Ela parecia estar gostando, querer o mesmo que eu.
- Charlotte... Eu... Eu sinto muito...
- Vamos esquecer isso. Nada aconteceu ok?
Ela respirou fundo e o elevador se abriu. Peguei sua bolsa e seguimos ate a porta do meu apartamento, abri e então entramos. Eu fui direto para a cozinha, precisava beber algo.
- Quer alguma coisa?
- Não, apenas preciso tirar as roupas molhadas. Onde fica o banheiro?
- Por aqui, eu te levo até lá — Fui em direção ao corredor.
- Não precisa, eu.. — Ela se calou e abaixou a cabeça
- Charlotte, eu sinto muito, eu já disse. Eu fui impulsivo e pareceu que você queria.. Você tem razão, vamos esquecer isso, apenas esquecer.
Ela acenou com a cabeça e me seguiu até o banheiro maior, que ficava no meu quarto. Enquanto ela pegava uma roupa em sua bolsa eu fui tirando minha camisa e procurando outra, foi quando senti ela me observar.
- O que foi?
- Nada... — Ela virou o rosto, estava corando.
- Você está bem? — Parei na sua frente, ainda sem camisa.
Ela ficou de costas e disse — Eu não posso esquecer, desculpa.
- O que quer dizer? — Então eu entendi seu recado e sorri.
Comecei a beija-la, e ela a arranhar minhas costas, eu já estava excitado demais depois de todo esse "joguinho".
A agarrei pela cintura e fui empurrando-a para o banheiro. Ela sabia o que eu pretendia, pois abriu minha calça e me permitiu tirar sua roupa, deixando-a apenas de trajes íntimos.
- Alguém pode chegar! Não acha melhor parar? – Ela disse, mesmo não querendo que eu parasse.
- Não consigo – disse beijando o pescoço dela – A culpa é sua, você me provocou. Agora aguente as consequências.
- Vai me estuprar é? – Ela disse lembrando-se de mais cedo.
- Não vai ser preciso. Eu sei que você quer tanto quanto eu. — Demos nossos sorrisos mais perversos e eu fechei a porta do banheiro.
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