A Garota da Profecia - 2º temporada

2 Capítulo II - A determinação de Lya


Notas iniciais
Helloous *acena acena* Estou de volta com o capítulo dois! Vamos conhecer os cinco Enns mais poderosos de Enea? :D Boa leitura!

Capítulo II – A determinação de Lya

Depois do pedido de Lya, a morena pegou Sieghart pelo braço e o levou até o quarto que estava dividindo com Holy.

– Você adora sair me puxando pelo braço, né não...? – Sieghart brincou, lembrando-se da última vez que a Cyran o arrastara por todo o QG da Grand Chase ao ouvir a voz de Eryon em sua cabeça, atraindo-a a enfermaria.

Lya riu, desculpando-se por isso enquanto olhava de um lado para o outro dentro do quarto pequeno, como se procurasse por algo.

– O que você está fazendo? – o moreno perguntou, acompanhando os movimentos da menor com certo interesse.

– Bem... Ah. Aqui está bom. – Lya se interrompeu antes de explicar, andando até o vão formado entre a cama beliche e o armário do cômodo. Só então ela se virou para Sieghart a fim de explicar o favor que queria – Eu gostaria que você me ajudasse com uma coisa, Sieg... Prometo que não lhe tomarei muito tempo.

– Um favor, no seu quarto? – Sieghart esticou um sorriso malicioso – Posso imaginar o que você quer.

– Não é nada disso, seu pervertido. Velho pervertido. – reclamou Lya, corando um pouco.

– Velho? – Sieghart riu – Te faço retirar isso em uma noi...

– Ah! – Lya o cortou antes que Sieghart continuasse falando besteira, movendo as mãos afoitamente como se isso fosse impedir o moreno – Apenas escute o que eu tenho a dizer, sim?

Sieghart decidiu ser “bonzinho” e ouvir o que ela tinha a dizer, então se sentou na beirada na cama de baixo do beliche com um sorriso travesso nos lábios e a incentivou a continuar.

– Sou todo ouvidos.

Mesmo duvidando do sarcasmo na voz do imortal, Lya começou a falar, desta vez não sendo interrompida.

– Bem... Como você sabe, eu recebi cinco essências para me ajudarem a completar os desafios da profecia, mas, por isso, não precisei fazer o contrato padrão.

– Porém...? – Sieghart completou por ela, sentindo de que havia algo mais ali.

–... – Lya fez uma pausa, fitando as essências em suas mãos – Eu não gosto disso.

Sieghart arqueou uma sobrancelha.

– Não me sinto satisfeita desse jeito. Não me parece certo nem justo com os Enns. – os olhos de Lya se levantaram para os prateados – Eu não quero algo como simples posse, quero que meus Enns me aceitem por si mesmos e não por obrigação. Por isso... Resolvi fazer o contrato com eles.

– Hm... – Sieghart levou uma mão ao queixo, analisando interessado – E se eles não a aceitarem?

– Paciência. Darei um jeito de cumprir a profecia mesmo assim. – respondeu a menor sem qualquer hesitação quanto a sua decisão – Eu sei que seria bastante complicado sem a assistência deles, mas... O importante é que eles tenham o direito que todo Enn tem, que todos os meus Enns tiveram. Isso é a base de uma relação saudável entre Enn e invocador. Afinal, é por essa e outras que Cyrus está em guerra.

Sieghart não conteve um sorriso, achando esse comportamento bastante típico dessa pequena valente. Ela não era uma pessoa comum, tinha um senso de justiça admirável, mesmo que isso pudesse tornar as coisas mais difíceis para ela mesma.

Era de se esperar que ela tivesse chamado a atenção daqueles sábios que a elegeram como escolhida.

Se as pessoas em Cyrus pensassem como Lya, provavelmente, Cyrus não estaria enfrentando uma guerra agora, pensou Sieghart. Alguém como ela... Era de fato interessante, pois os ideais que ela tinha não eram apenas sonhos, Lya tinha a força e a coragem de lutar por eles.

Sieghart cruzou as pernas sobre o colchão.

– Sim, mas onde eu entro nessa história?

Lya ajeitou as essências em suas mãos.

– É que para fazer o contrato mais rápido, com todos ao mesmo tempo, eu precisarei entrar em um estado de... – ela procurou a palavra exata – Meditação, praticamente. E eu não serei capaz de reagir a estímulos externos. Então, caso aconteça alguma coisa, eu queria que você me despertasse. Ah! Mas você não precisa ficar o tempo todo aqui. – acrescentou rapidamente.

– E como eu deveria fazer isso se estímulos externos não vão te afetar?

– Espere, vou lhe mostrar.

Lya se sentou no vão e cruzou as pernas, ao seu lado dispôs as cinco essências em forma circular, então puxou uma grande quantidade de ar e o soltou lentamente. Sieghart a olhava curiosamente, vendo-a fechar os olhos em um estado de concentração.

De repente as essências brilharam com as suas respectivas cores: vermelho, azul, branco, marrom e outro azul, mais claro, como se estivessem entrando em sincronia com a Cyran invocadora. Então elas levitaram e passaram a rodear Lya na altura do rosto.

Os olhos verdes com a sua característica peculiar se abriram e a expressão no rosto da Cyran havia se tornado mais séria.

– Sieghart... Pode estender a sua mão, por favor?

O moreno não entendia o que ela queria com aquilo, mas o fez mesmo assim, virando a palma da mão direita para a menor.

Os lábios de Lya se moveram, murmurando palavras que Sieghart não compreendia. Então ele sentiu a palma da mão queimar ligeiramente, causando uma leve dor suportável.

A expressão da morena voltou ao normal e as essências pararam ao seu redor.

– Pronto. Com isso, você só precisará estender a palma da sua mão na minha direção e será capaz de me despertar.

Sieghart virou a palma da mão para si e viu um símbolo desconhecido marcado ali.

– Mas use isso somente se chegarmos à ilha ou se acontecer alguma coisa. Ah! E se o jantar ficar pronto também!

A última parte fez o imortal rir.

– Comida, é? Vai ficar gorda.

– Não vou!

– Sei. Mas e o almoço? Pretende demorar tanto assim?

– Bem... Não sei ao certo... – Lya pensou um pouco – Nunca fiz um contrato simultâneo com cinco Enns, então não sei o que acontecerá ou quanto tempo demorará.

– Esse contrato... Você terá que lutar com todos eles?

Sieghart pareceu ligeiramente preocupado.

– Talvez. Cada Enn é diferente. Alguns são mais práticos e preferem apenas uma luta, sim, mas outros exigem testes de habilidade ou mesmo de caráter. Cada um tem o seu método, por isso não sei o que esperar. – Lya explicou.

– Hm...

– E também... – a morena começou a brincar com os dedos, mostrando-se um pouco hesitante, talvez nervosa – Quanto maior o poder do Enn, diz-se que mais exigentes eles se tornam. Com o Eryon, por exemplo, embora o nosso contrato não tenha sido da maneira usual, demorou anos até que ele me aceitasse de fato.

Sieghart arqueou as sobrancelhas, surpreso.

E pensar que aquele Eryon que havia visto na enfermaria, devotado e apegado à dona, demorara tanto tempo para aceitá-la... Era uma surpresa. O imortal não queria duvidar da capacidade de Lya, mas depois de ouvir isso, foi inevitável.

– Mas isso foi devido a várias circunstâncias – a morena acrescentou rapidamente e sorriu, embora um pouco nervosa, tentando ser mais otimista – O jantar será o meu prazo final. Até lá, ou os contratos estarão feitos ou terei falhado. Conto com você, Sieg. – disse ela, mostrando-lhe um sorriso amigável.

Assim, a Cyran voltou a fechar os olhos, respirando fundo. As essências que a rodeavam brilharam mais forte por alguns segundos, então começaram a diminuir até que estabilizassem o seu brilho e parassem suspensas em um círculo em volta da cabeça de Lya.

No chão, sob o corpo da garota, um círculo mágico surgiu e ela já não estava mais disponível, apenas respirava calmamente e mantinha as pálpebras abaixadas.

Sieghart continuou olhando a novata em silêncio e lembrou as palavras dela dizendo que ele não precisava ficar o tempo todo com ela.

–... – o moreno pensou por alguns segundos, então se levantou da cama como se fosse sair do quarto.

Ele se inclinou perto de Lya e esticou o braço na direção dela, pegando o pacote de alcaçuz que ela havia deixado entre as pernas, e voltou a se deitar na cama, levando um doce à boca enquanto observava aquela garota.

Não era como se ele tivesse mais o que fazer de qualquer maneira.

E se tinha uma coisa que Sieghart queria tirar a limpo era aquela estranha sensação que Lya lhe despertara desde que se colocara em seu caminho e que, de fato, ainda despertava. Talvez passar mais tempo com ela pudesse ser útil para tirar as dúvidas do imortal.

*

Quanto a Lya, a garota estava em pé dentro do que parecia um dado gigante de quatro lados. O lugar completamente branco e vazio, exceto por cinco figuras distintas a poucos passos da Cyran, encarando-a. Analisando-a.

– Então... Essa é a famosa Lya Deviron. Que deprimente.

Enn do elemento fogo. Uma garota de corpo escultural e de difícil personalidade, ruiva de longos cabelos em camadas, cujas pontas eram pretas, ela tinha olhos igualmente rubros e se vestia de maneira provocante: um tecido vermelho caia-lhe do quadril para baixo como uma saia com uma abertura frontal, mostrando o short preto e bem curto por baixo, deixando as longas pernas aparentes, calçadas com finas fitas pretas e vermelhas entrelaçadas. Em cima, usava um tomara que caia vermelho de mangas longas e feitas de fios negros no meio. E nos pés, coturnos baixos.

– Controle o seu veneno, Ib. Ela é a nossa invocadora de agora em diante, portanto mostre respeito.

Enn do elemento água. Formal e apegado às regras. Um garoto pouco expressivo que não nutria admiração pela sua companheira Ib, o seu completo oposto. Ele se vestia completamente de branco e social – camisa e calça. Os cabelos eram longos e sedosos, de belo tom azul claro; os olhos, porém, eram azuis escuros. E na sua orelha direita tintilava um brinco pequeno na forma de uma gota.

– Uau! Mas essa garota é muito mais lindinha do que eu esperava! Definitivamente faz o meu tipo de invocadora.

Enn do elemento terra. Aficionado por garotas adoráveis, jamais aceitara um invocador homem. Era um garoto extrovertido e descolado, de sorriso fácil, adorava jogos de qualquer natureza. Ele usava roupas que combinavam com a personalidade: uma calça preta repleta de bolsos e fivelas, com uma correntinha no bolso e, em cima, apenas um colete de mesma cor, aberto, deixando a mostra o físico invejável. Era o único dos cinco Enns que tinha a pele morena escura. O cabelo era curto e com franja, que misturava fios castanhos claros e escuros. E os olhos eram cinza. Nos pulsos, ele usava munhequeiras marrons que lhe davam um pouco de irritação, mas o moreno não as tirava mesmo assim, porque dizia que ficava maneiro com elas.

–... – uma Enn apenas suspirou. Não tinha vontade de interagir com pessoas desse nível que sequer paravam para escutar o que afinal a sua, agora, invocadora havia vindo tratar com eles.

Enn do elemento gelo. Uma mulher de poucas palavras, paciência curta e objetiva. Do tipo que é difícil perder a compostura e facilmente perde o interesse. Ela vestia um belíssimo e impecável quimono azul-gelo como seus olhos, com detalhes branco-perolado; uma faixa branca amarrada à cintura com um grande laço cujas extremidades caiam-lhe até os pés, que calçavam sandálias com salto de madeira. Os longos cabelos eram da cor dos olhos e na fronte usava uma fina tiara adornada por um, aparentemente, simples pingente em forma de uma lágrima, mas que, na verdade, era um raro diamante.

– Calma, calma, pessoal... Acho que a senhorita quer falar algo importante, não é?

Por último, Amélia. Enn do elemento ar. Uma garota pouco fã de violência e brigas; à primeira vista parece bem calma, mas quando as coisas não saem como esperado, ela facilmente se desespera e fica sem saber o que fazer. Ela tinha cabelos brancos, estilo Chanel de bico fino e longo; os olhos eram pretos como um ônix, mas ainda assim gentis; e vestia roupas brancas: saia curta de pregas e uma blusa larga de mangas caídas, porem justa na cintura por fios entrelaçados que eram amarrados nas laterais. Do tipo que adorava o cheiro de chuva e o aroma das flores, por isso usava uma coroa e tornozeleiras de rosas brancas, sua flor preferida.

Às palavras desta última, todos os olhos se voltaram para a pequena Lya Deviron, esperando pelo que ela queria dizer. Um silêncio incentivador e, de certo modo, intimidador também.

Um pouco nervosa, a Cyran respirou fundo antes de levantar a cabeça e encarar o quinteto mais poderoso dentre os Enns de que se tem ou já se teve conhecimento.

Havia um brilho impressionantemente determinado naquele olhar.

– Como é de conhecimento de todos aqui, eu fui escolhida para ir em busca da última esperança para reconciliar os nossos povos: a profecia da deusa Aisha. E vocês foram designados para mim no intuito de aumentar as minhas chances de sucesso nessa missão, para o tanto, não foi necessário aceitação recíproca, de nenhuma das duas partes.

– Blábláblá e blá. – Ib interferiu com um ar de tédio enquanto revirava os olhos exageradamente – Todos sabemos disso, portanto pare de enrolar e vá direto ao ponto.

Lain pareceu reprovar o modo de falar de Ib, mas nada falou. Quanto a “ir direto ao ponto” ele concordava com a Enn.

Ouvindo a garota, Lya não hesitou ao continuar.

– Eu não concordo com nada disso.

Uma muda surpresa geral se espalhou entre os Enns ao ouvirem aquelas palavras saírem da boca da Cyran, mas ela não havia terminando ainda.

– Isso não é nada mais além de obrigá-los a fazer um contrato comigo, uma invocadora que vocês sequer conhecem ou aceitam. Se eu aceitasse isso, mesmo que por uma boa causa, não estaria certo. Os meus Enns sempre tiveram respeito da minha parte e eu sempre tive orgulho de enxergá-los não como armas, mas como amigos que lutam ao meu lado.

O olhar de Lya era forte e suas palavras tão pouco vacilavam. Seus ouvintes não se atreviam a interrompê-la ou sequer eram capazes, afetados pelo que ouviam.

– Não é porque estamos enfrentando uma crise que eu me esquecerei dos meus princípios. Por isso tomei a decisão que, com vocês, não será diferente. Eu lhes proponho um contrato comigo e, como tem que ser, podem me testar da maneira que lhes convir. Se eu vencer, serão meus Enns, de livre e espontânea vontade, mas se eu falhar, não terei o direito de ser a sua invocadora.

Fim do capítulo II

Notas finais
E finalmente o quinteto fez a sua estreia! (São 6, mas o Eryon é rodado e vocês já conhecem, neh HMMM, rodado suahsuhaushauh *ignorem*) Já tem algum preferido? ^^ Os próximos capítulos vão focar cada um deles, então ainda os conhecerão mais e melhor. Maaaas, apenas com essa pequena introdução, quem dos Enns vocês já pegaram gosto? :D Podem me responder nos reviews, estou curiosa pra saber :3 Quer dizer, isso se tiverem gostado de algum suhaushaussuah Ah! Talvez gostem do Eryon? Tudo bem. Então digam o segundo depois dele o/ Bjs, Ray chan. Obs: Eu tava parando pra pensar aqui... E sou só eu, ou o meu Sieghart (não que ele seja MEU, quem dera u.u Mas o jeito que eu o descrevo) é um poço de safadeza? auSHUAhsuaHSUAhusAUSHUahsu Apenas algo que eu reparei agora e resolvi compartilhar xD
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.