A Garota da Lua
30 Capricórnio – que fica melhor com o tempo
— Leve-a, Eres! – O Senhor do Oriente consentiu, com um gesto de desprezo. – Será também uma punição para o meu inimigo, perder a filha.
— Senhor! – Ouvimos um grito de trás do salão, sabia quem era, Gabriel – Eu estou aqui para pedir que poupe a Dama da Lua, eu irei com Eres.
— Não! – Eres contestou. – Eu quero a mulher, a Dama da Lua. Quero vê-lo viver toda a eternidade carregando a culpa de não salvar sua amante.
O Senhor do Oriente parecia confuso, sem saber o que fazer, então proclamou:
— Já dei minha permissão a Eres. Que ela leve a Dama da Lua!
— Não acho que seja uma boa ideia! – Outra voz se fez ouvir do fundo da sala, um corredor se abriu no meio da multidão, quando Lilith passou, vestida como para uma noite de festa de gala em um lindo vestido branco com os cabelos negros soltos e seus enigmáticos olhos verdes, atrás dela vinha Miguel, com ar pomposo.
— Lilith! – O Senhor do Oriente exclamou, nem ele teria coragem de enfrentá-la, a mais antiga e poderosa entre ele.
— Olá, Anan, Kira – Lilith cumprimentou de uma forma quase sedutora. – E você, Enki, Eres. Dama da Lua e o Senhor dos Ventos. E tantos rostos conhecidos, temos aqui uma bela reunião, que deveria ser de regozijo pela volta do Senhor, não um julgamento.
— Senhora, os traidores precisam ser punidos pela minha prisão por milênios — A voz de Anan era branda diante do sorriso conciliador de Lilith.
— Mas, como eu ia dizendo, não acho uma boa ideia. Anan, eu sei que você ficou prisioneiro por séculos, por causa daquela guerra estúpida entre os povos, que destruiu quase toda a nossa espécie e nossa civilização. Levamos muito tempo para nos erguemos e estamos recuperando o nosso poder, neste maravilhoso novo tempo. Por isso, estou certa que a maioria do seu povo não vai querer começar outra guerra.
— Nosso mundo foi destruído – argumentou o Senhor do Orientem com energia.
— Destruído, não. Modificado e, atualmente, nosso poder é outro. Pergunte ao seu povo. – Então Lilith, olhou ao redor, procurando um exemplo. – Você! – Apontou para um homem com feições do Extremo Oriente e indagou: – Você quer outra guerra entre Oriente e o Ocidente?
— Bem, na verdade, não. – O homem explicou, sem jeito. – O Senhor do Mares é o maior cliente do meu estaleiro.
— E você? — Ela apontando para outro homem.
— No meu caso, o Senhor dos Mares transporta grande parte da minha produção.
— E você? – Lilith indicou mais um trajado como um príncipe do Oriente médio.
— O ocidente compra uma grande parte da minha produção de petróleo, não quero entrar em guerra com eles – o homem declarou.
— Está vendo, Anan! É um novo mundo, estamos todos interligados e mais fortes que que nunca. Se você prender Diana, isso gerará consequências para o nosso equilíbrio.
O Senhor do Oriente parecia aturdido, sem entender bem aquela situação.
— Mas a traição do meu filho? – perguntou a Lilith, com um fio de voz.
— Enlil é um herói, ele manteve seu povo unido, protegeu a irmã e a mãe, depois da guerra, enquanto Enki... bem isso não é problema meu – falou reticente, olhando o outro com desprezo
— Eu não sei o que fazer. Preciso pensar — Anan parecia desorientado, todo aquele tempo em suspensão, como uma estátua, ainda pesava na sua cabeça, seus pensamentos ainda estavam lentos.
— Será melhor refleti um pouco mais, Anan – Kira o aconselhou, ele olhou para a esposa, que assentiu com a cabeça.
— Sim, por enquanto, estão todos livres — Anan anunciou, abanando as mãos.
— Não! Eu quero a minha vingança! — Eres gritou, desesperada, em sua mão apareceu, repentinamente, uma faca vermelha, e tentou me golpear consegui aparar o golpe com minha espada, ficamos muito perto uma da outra, o suficiente para ela olhar no fundo dos meus olhos.
— Olhe o que eu vejo no fundo do seu coração, Dama da Lua! Aqui está o seu pior temor! Quem imaginaria isso! Eu a entendo – ela falou, mansamente com um sorriso de ironia no rosto, e desapareceu, imediatamente. Eu sabia do que ela estava falando, me desesperei, fiquei ali parada, espada abaixada, sem saber o que fazer.
— Alexandre! – gritei alto, em agonia, sabia que ela iria atrás do meu filho, pensei como queria estar no sítio, naquele momento, então a sala parecia que rodava a minha volta e quando parou, eu estava na frente do sítio da minha mãe.
O lugar parecia bem calmo, tudo igual, entrei correndo para encontrar minha mãe caída de bruços no chão, me aproximei, com medo que ela estivesse morta, mas, felizmente, só estava desmaiada, voltado a si, lentamente.
— Ela o levou! Tentei impedir, mas ela era muito forte – minha mãe comunicou com um fio de voz, fiquei aflita.
— Quem foi que Eres levou? – Ouvi Gabriel perguntar junto a porta, com sua espada na mão, pensei um segundo.
— Meu filho. Nosso filho — respondi, enquanto aparava a minha mãe, ajudando a se levantar e sentar em uma cadeira.
— Filho? – Ele me olhou pasmo, não acreditando no que ouviu.
— Eu tive um filho. Eres olhou nos meus olhos, na minha alma, e descobriu que o meu maior temor era perdê-lo, por isso o levou, para se vingar. Precisamos achá-lo.
— Como você teve um filho? – Ele ainda estava chocado.
— Como sua idade toda, você não quer que eu explique como os bebês nascem, não é, Gabriel? – respondi, sem paciência, enquanto cuidava da minha mãe, que parecia bem, só um pouco tonta, pensando no que iria fazer para encontrar o meu bebê.
— E como ele se chama?
— Alexandre!
— Alexandre?! – Ele parecia não ter gostado do nome, mas não era o momento de discutir isso.
— Ela vai matá-lo? — Tive medo da resposta.
— Tenho certeza que não, ela sabe que a pior punição para nós dois, será levá-lo com ela, através do portal e nunca mais o veremos – Gabriel tentava me acalmar, mas não funcionou.
— E esse portal, onde fica? – Talvez fosse a nossa única chance.
— Ele não tem lugar certo, aparece onde ocorre uma tragédia que tenha muitas vítimas.
— Mas, como saberemos onde haverá uma tragédia? – Tinha medo da resposta, mesmo desesperada, não poderia matar inocentes para recuperar meu bebê, deveria haver outra solução.
— Não sabemos. Só os regentes do mundo inferior sabem, a menos que nós mesmo a provocássemos, como um furacão ou um tornado.
— Deve haver outra solução. Tales! – exclamei, quando uma ideia veio à minha cabeça.
— Quem?!
— O oráculo do meu pai. Ele faz previsões e Salvatore usa isso para jogar no mercado financeiro. Talvez, ele possa prever onde haverá um desastre com vítimas, no próximo ao solstício.
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