Notas iniciais
Nossa. Me empolguei nesse capítulo... Simplesmente não deu para terminar ele em um só, porque não ia acabar nunca KKKKKK
Então o resto fica pro próximo.
Na verdade eu já queria ter postado faz tempo, mas ta difícil essa vida de dividir o computador com a minha irmã viu? Finalmente consegui escrever em paz... mas enfim. Esperem que gostem porque esse ficou grande D:
ps: eu estive pensando em fazer um trailer da fic, sabe? Mas sinceramente tenho preguiça de pegar as partes, as falas e tal kkk se ALGUÉM, uma pessoa do bem, de bom coração, quiser me ajudar com essa parte, seria bem legal sabe.... e ai eu editaria o video, com o resto e tal. É só uma idéia, eu agradeceria muito se alguém ajudasse :B

– Rachel!

– Rachel!

– RACHEL!

– RACHEL! RACHEL! RACHEL! RACHEL!

Céus. Rachel tinha certeza que nas profundezas de sua mente, podia ouvir alguém lhe chamando. Seus olhos permaneciam fechados, e ela não conseguia pensar. Mas alguém realmente devia estar lhe chamando, pois a voz não parava de ecoar em seus ouvidos.

Ela abriu um olho de cada vez e teve uma visão um tanto quanto perfeita. Quinn Fabray estava com as duas pernas em volta da sua cintura, sentada em cima dela enquanto balançava seus ombros e deixava os cabelos, totalmente despenteados, caírem em seu rosto.

– Oh meu deus. Eu morri e estou no céu? Oh anjo, me leve com você. – Rachel finalmente conseguiu formular alguma frase, com os olhos “abertos” e esticando os braços para frente.

– Racheel! Acorda! — Quinn disse e alguns fios de cabelo entraram involuntariamente em sua boca. Ela começou a tentar assoprar eles para fora.

– Já acordei meu amor, e afinal, por que você está me acordando... – ela tateou a mesinha ao lado em busca de seu relógio – as 6:30 da manhã num sábado?

– RACHEL! – Quinn se sentou sobre as pernas, colocando o peso do seu corpo para trás.

– Que foi? – Rachel gemeu preguiçosamente. – Me deixa dormir sua mala. – Rachel tentava empurrar a namorada de cima dela para poder virar de lado.

Quinn bufou e não mexeu um músculo. Rachel percebeu que iria perder essa e finalmente resolveu olhar de verdade, encarando dois olhos verdes que pareciam extremamente brilhantes naquele dia.

E foi ai que ela se tocou. Quinn Fabray estava em cima dela. Sim, em cima. E apoiando o peso nas suas pernas. Sentada. O que só podia significar uma coisa.

– MEU DEUS QUINN! – Ela se sentou abruptamente, fazendo Quinn acordar de seus pensamentos e cair para o lado arqueando as sobrancelhas. – É ALGUM MILAGRE DE NATAL OU ALGO DO TIPO?

– Rachel, ainda não é natal. – Quinn se recompôs, voltando a se sentar, agora de pernas cruzadas ao lado da morena. Rachel parecia maravilhada e começou a tocar nas pernas de Quinn como se fossem de mentira.

– Está andando totalmente normal? Sem esforço, sem precisar de apoio?

– Sim. Quer dizer, às vezes eu me canso, mas estou andando normalmente. – Quinn sorriu.

– Co-Como? Eu estive com você ontem na fisioterapia e estava tudo na mesma! – Rachel cruzou os braços na defensiva.

– Uh... Eu meio que menti para você – A loira soltou um sorriso torto. – Eu já estou andando desde o começo da semana, mas queria fazer uma surpresa!

– FABRAY! EU VOU MATAR VOCÊ! – Ela jogou uma almofada na cara da namorada, fazendo ela rir. – Como você pode simplesmente esconder o fato de que está saltitando por ai como antes? Inacreditável, você devia ser atriz. – ela revirou os olhos.

– Ei! – Quinn voltou a subir em cima da morena, jogando seu peso sobre o corpo dela e fazendo as duas se deitarem. – Surpresa. – Ela sorriu mais ainda, depositando um leve beijo nos lábios de Rachel.

– Será que você não leva nenhuma das minhas brigas a sério? – Rachel fez biquinho. – Eu mal posso treinar minhas cenas dramáticas com você, porque você não leva a sério.

– Na verdade, não mesmo. – Quinn se aconchegou no peito da namorada. – Eu não gosto de brigar com você, você é fofa demais. Me sinto brigando com uma criança.

– Bela comparação Fabray... Você por acaso fode crianças é?- ela sorriu sarcástica.

Quinn se assustou com o repentino vocabulário a la Santana de Rachel e arregalou os olhos.

– Ok... Da onde saiu isso? – Quinn parecia perplexa. Rachel ia continuar mas ela apenas fez que não com a cabeça. – Continuando... Eu queria fazer uma surpresa para você, por que hoje é o dia da premiação e também da minha entrevista, e ai eu iria fazer esse espetacular café da manhã, mas eu não aguentava mais esperar e simplesmente me joguei em cima de você as 6:30 da manhã.

– Então você esta basicamente dizendo que me acordou as 6:30 da manhã sem preparar uma xícara de café? – Quinn acenou afirmativamente – Fabray, você só pode estar querendo ser assassinada.

Quinn se distraiu com a correntinha de estrela no pescoço moreno de Rachel. Pegou o pequeno pingente na mão e apertou sem falar nada.

– Você me deu esse colar – Rachel sorriu, percebendo o que a loira estava fazendo. – Tem um significado muito especial.

– Qual? – Ela levantou o olhar.

– Você vai ter que se lembrar sozinha Q.

– Isso é injusto! Você realmente ainda acredita que eu vou me lembrar? – Quinn bufou, se levantando de repente.

– Isso esta saindo da boca da mesma garota que me disse que não ia conseguir voltar a andar, e olhe só para você querida. – Rachel se levantou também, puxando o cobertor para si. – Que frio. – Ela estremeceu.

– Tudo bem. – Quinn respirou fundo querendo evitar aquela discussão. – Eu vou comprar café no Starbucks para minha namorada. – Rachel foi andando em sua direção, cobrindo as duas com o cobertor. Quinn a puxou para um beijo calmo.

– Ah é? – Rachel finalmente disse, quando elas se separaram o bastante para se olharem nos olhos. – E por acaso você acha que vou deixar você andar por ai sozinha? Nem pense nisso Fabray, eu vou com você.

– Não. Você não vai. – Quinn ergueu uma sobrancelha ameaçadoramente. – Porque graças a você e Samantha, eu tenho uma segunda Rachel Berry na minha vida.

– Como assim? – Rachel ficou tensa.

– Minha agente, a que você providenciou. Aquela garota é maluca. Não para de falar um segundo, e preciso encontrar ela agora para conversarmos sobre minha agenda.

– Está me chamando de tagarela?

– Eu nunca faria isso meu amor – Quinn fingiu estar ofendida.

– Ah é? – Rachel fez um bico – E essa garota beija tão bem quanto a Rachel Berry original?

– Uh, não sei – Quinn fingiu estar pensando. – Vou ter que beijar a original de novo para comparar as duas. – Ela finalizou, juntando os lábios com uma enciumada baixinha.

–-x--

QUINN’S POV

O dia estava extremamente frio. Eu também estava um pouco apavorada andar sozinha pela primeira vez depois do acidente. Não sabia como me comportar diante de câmeras ou até mesmo fãs. Coloquei duas blusas de lã e um casaco preto e longo por cima, junto com calça jeans e botas pretas e sai em direção ao Starbucks. Era logo ali, então apressei o passo o mais rápido que eu conseguia e tentei fingir não ser eu. É, exatamente isso.

Cheguei ao local em segurança, ninguém parecia ter me notado e eu agradeci mentalmente. Logo avistei uma garota loira e baixinha, batendo os pés no chão freneticamente e com os braços cruzados. Lá estava ela, Megan Woods, minha agente.

Assim que ela notou minha presença, veio em minha direção, começando um de seus monólogos:

– Mas será possível que ninguém saiba cumprir horários? Eu marco as coisas e sempre fico esperando, esperando. Pessoas famosas acham que elas podem simplesmente se atrasar, pois é “chique”, mas vou lhe dizer uma coisa, é muito indelicado! Eu só queria que...

Resolvi interromper, caso contrário, Rachel nunca iria sentir o cheiro do café aquela manhã. – Megan, respira. — sorri – Me desculpe, mas eu tenho uma enorme distração em casa, se é que você me entende. – Fiz um sinal para nós nos sentarmos.

– Ok Ok Fabray. Dessa vez passa. Mas não pense que vou te perdoar toda hora. – A garota baixinha apontou o dedo em minha direção.

– Céus, você soa como Rachel Berry. – Revirei os olhos. – Então, o que temos para esse mês Meg Meg?

A loira mais baixa pegou uma agenda e desandou a falar novamente. Eu mal conseguia me lembrar o que ela disse que eu iria fazer hoje.

– Ei, que tal você falar o que iremos fazer só na semana que vem? Eu nunca vou me lembrar das coisas do mês inteiro.

– Ok. –A loira revirou os olhos, começando de novo. – Hoje. Cabelo e maquiagem as 16:00. Entrevista as 17:00. Premiação da sua amada Rachel Berry ás 21:00. Amanhã você vai fazer aquela entrevista com a Rolling Stones as 14:30. E o resto do dia você tem folga. Semana que vem você vai...

Quinn tentou se concentrar o máximo possível. Algum tempo se passou e as duas finalmente terminaram sua conversa. Megan se levantou alegando que precisava ir e se despediram com um beijo na bochecha e um aceno.

Quinn estava na fila do Starbucks e pediu dois cappuccinos grandes. Afinal, já era 10:00 e sua namorada definitivamente deveria estar pirando por falta de cafeína no organismo.

Em falar em namorada, eu meio que não pedi a Rachel em namoro de novo. Eu sei que namorávamos antes do acidente, mas ela me disse que tínhamos terminado, e eu não tinha mais minha aliança.

Estava saindo dali enquanto colocava um plano em minha cabeça, mas fui impedida por alguém tocando meu ombro.

– Quinn.

Todo meu corpo congelou quando senti aqueles dedos finos e compridos no meu ombro. Aquela voz me fez suar frio.

Me virei, encarando Judy Fabray parada logo atrás de mim.

– Nós precisamos conversar. – Ela soltou, sem ao menos me olhar nos olhos e indo em direção a uma das mesas.

Fiquei estática. Aquilo só podia ser um sonho. Um pesadelo, e dos grandes. Por alguns segundos pensei em me virar e sair dali sem ao menos dar uma explicação. Mas eu merecia algumas respostas e meu orgulho me fez me voltar em direção a mesa e me sentar a sua frente.

– Filha, eu estava tão preocupada com você. – Ela tentou segurar minhas mãos sobre a mesa. Eu soltei uma risada sarcástica.

– Você só pode estar brincando! Não me chame de filha. Você nunca foi uma mãe para mim Judy.

– Eu fiquei com tanto de medo de acontecer algo mais grave por causa do acidente... Eu não pude te visitar antes filha, me desculpe.

– Eu tenho nojo de você. Nojo. Eu precisei de você quando eu estava grávida. Eu precisei de você quando fui obrigada a trabalhar naquela bosta de empresa e fazer uma faculdade que eu não queria. Eu precisei de você quando estava tão confusa em relação a minha sexualidade, em relação a Rachel. E eu precisei de você quando acordei naquela cama de hospital, sem poder mexer as pernas. E adivinhe só, você não estava lá em nenhum desses momentos. Você NÃO É minha mãe. Mães apoiam os filhos, cuidam deles. Você nunca fez isso Judy, eu mal conheço você. – Soltei tudo que estava preso na minha garganta, um nó se formando. Mas eu não ia chorar, não mesmo.

– Você tomou decisões na sua vida que me obrigaram a me afastar filha! Não jogue a culpa toda em mim! Você teve um ano toda revoltada, e no ano seguinte começa a namorar uma garota. – Ela torceu o nariz, como se fosse a coisa mais nojenta que ela pudesse imaginar. – Você está pecando filha, mas eu vim aqui te ajudar, eu vim aqui para te curar.

Ok. Ou essa mulher tinha enlouquecido de vez depois da morte de Russell ou ela estava querendo levar um soco no meio da cara. Preferi acreditar na primeira opção.

– Você está louca? Eu não estou doente! Sentir atração por uma pessoa do mesmo sexo não é uma escolha porra! – gritei, mas fui abaixando o tom ao notar os olhares em cima de nós. – Eu não acredito nisso. – ri secamente – Você mal se importa de eu ter passado quase um ano em coma, você nem deve saber isso, não se importa que eu tenha passado um inferno em uma porra de uma cadeira de rodas, e que o único motivo de eu não ter desistido de andar, em momento nenhum, foi graças a pessoa que você chama de doença. Rachel me apoiou, me amou, me deu tudo que você nunca vai sequer dar a alguém, porque você nunca amou Russell, você amava seu dinheiro, seu status, mas adivinhe só “mamãe”. Eu nunca vou ser igual você.

Ela apenas respirou fundo, seu rosto ficando vermelho de raiva.

– Você não vai ter a herança se continuar com essa garota.

– Eu estou pouco me fodendo para a herança! Você acha mesmo que estou querendo dinheiro? Eu não preciso, eu sou famosa, eu escrevi um livro. Sem a sua ajuda ou a de ninguém, eu conquistei isso sozinha.

– Não é só dinheiro. Seu pai deixou a toda a rede de empresas Russell em seu nome Quinn. Você é a nova dona.

– Foda-se. Se está no meu nome é tudo meu por direito. Você não pode fazer nada.

Eu tinha realmente esquecido como mandar tudo se foder era bom. Estava adorando aquilo, descarregando aquele peso das costas.

– Você vai mesmo querer entrar na justiça com sua mãe? – Ela arqueou a sobrancelha da mesma forma que eu.

– Você vai mesmo querer entrar na justiça com uma garota que passou anos trabalhando para Russell Fabray e estudou com Santana Lopez? — Ergui a sobrancelha, mostrando que eu não tinha medo dela.

– Você não pode me ameaçar Quinn. Sou sua mãe, e você me deve respeito. Eu vou tirar tudo que você tem, você é uma vergonha para a família. – Ela continuou, naquele tom frio de sempre.

– Eu não sei se você entendeu. Foda-se. Foda-se você. Foda-se tudo que eu já vivi em Lima. Eu tenho uma vida de verdade aqui. Eu tenho um emprego. Eu tenho Rachel. Eu tenho amor. Eu tenho fãs! — Me levantei, já estava cansada daquilo.

– E o que você tem a dizer sobre Beth? – Judy falou em um tom ameaçador.

Já estava preparada para sair dali, mas aquilo soou como uma bomba.

– O que tem ela? Fique longe da minha filha! – Rosnei.

– Sinto muito, mas acho que você deveria a chamar de sua “irmã” agora.

– O que? – guspi as palavras em sua direção, apertei seu braço sem me importar com quem ela era ou já foi um dia para mim. – O que você está tentando dizer?

– Eu tenho a guarda dela. Sou sua mãe legal.

– Você está mentindo! Shelby nunca iria dar Beth para qualquer um, especialmente você! Ela odeia todos da nossa família.

– Digamos que ela não teve muitas opções – Judy retirou um papel da bolsa. E o que eu mais temia estava escrito ali. Um papel de adoção. Beth tinha o meu sobrenome. Mas não porque finalmente ela era minha filha e sim porque agora ela tinha uma nova mãe, e essa mulher era Judy Fabray.

Rasguei o papel sentindo o sangue ferver em minhas veias. Sem pensar duas vezes dei um tapa na cara dela e pude ver a marca se formando. Dei mais um tapa, e mais outro, até que um atendente veio e nos separou.

– Eu te odeio. Eu tenho nojo de você. Eu vou conseguir minha filha de volta, e não se atreva a tocar nela, não se atreva! EU TE MATO!

– SE EU FOSSE VOCÊ EU FICARIA MUITO LONGE DAQUELA FILHA DE PAIS DOENTES! VOCÊS ESTÃO TODOS DOENTES! FIQUE LONGE DELA OU VOCÊ E SHELBY VÃO TER QUE LIDAR COM AS CONSEQUÊNCIAS!

Sai dali o mais rápido que eu podia naquela situação, finalmente permitindo que as lágrimas caíssem sem parar.

Cheguei em casa sem ao menos saber o que eu estava fazendo. Abri a porta e não vi nenhum sinal de Rachel. Eu ainda segurava o café, mas já tinha certeza que ele havia esfriado a muito tempo. Me dirigi ao quarto, ainda chorando entre soluços. Me deparei com Rachel dormindo, coberta dos pés a cabeça. Sorri tristemente e me sentei ao seu lado, tirando vários fios de cabelo de seu rosto e depositando o café em cima da cama. Depois de algum tempo fazendo carinho em seu rosto ela começou a soltar alguns sons e se espreguiçar, abrindo os olhos logo em seguida e sorrindo ao perceber que eu estava ali.

– Amor, você demorou e eu acabei pegando no sono. – ela se sentou e pegou um café, quase espirrando tudo para fora da boca ao sentir que estava frio. – Eca Quinn, está horrível. – Ela finalmente olhou para minha cara e percebeu as lágrimas. – Quinn? Quinn,o que aconteceu? Você está bem? São suas pernas? Eu sabia que não devia ter te deixado sozinha... O que foi querida? – ela limpava as lágrimas que não paravam de cair do meu rosto – Fale comigo.

– Ra-Rachel, só me abraça, por favor. – Me deitei na cama de costas para ela e as lágrimas aumentaram quando senti seu corpo se apertando contra o meu. Suas mãos acariciando meus braços e sua boca dando leves beijos nas minhas costas e pescoço.

Não sei quanto tempo se passou, quanto tempo ficamos assim, mas finalmente fui sentindo que minha respiração se normalizava e que minhas lágrimas iam secando. Me afastei de Rachel, levantando, o que fez ela se levantar também, assustada, e tentar se aproximar de mim.

– O que aconteceu Q? – ela perguntou carinhosamente.

Eu provavelmente iria me odiar pelo resto da vida pelo que eu ia falar agora, mas era necessário.

– Eu não posso ir com você na premiação hoje. – Minha voz saiu extremamente vacilante. – Eu não vou com você. – falei mais firmemente.

Ela foi se aproximando – Quinn, o que aconteceu? Me explique, por favor. – ela tentava passar calma.

Eu tinha que sair dali antes que aqueles olhos me impedissem de me afastar.

– Eu preciso ir embora. Eu tenho uma entrevista hoje e depois eu vou embora, não vou com você na premiação. Sinto muito – falei, agora minha atuação estava mais do que perfeita, igual a Quinn Fabray da escola.

Ela permaneceu com um olhar perdido, tentando entender o que tinha acontecido. As lágrimas começaram a escorrer do seu rosto. Não, eu não poderia aguentar aquilo.

Peguei minha bolsa e as chaves do carro, precisava sair dali agora. Me encaminhei até a porta sem olhar para trás.

–-x--

Acho que nunca precisei conversar com alguém como eu precisava agora. Santana e Brittany não atendiam seus celulares e não é como se eu pudesse ligar para Rachel, não é mesmo?

Disquei o número da pessoa que eu menos esperava falar agora e esperei que ainda fosse o mesmo número. Tocou umas cinco vezes e quando eu já estava quase desistindo alguém finalmente atendeu.

– Puck?

– Quinn? Quinn é você?

– Sim puck, sou eu!

– Nós precisamos conversar! – nós dois dissemos ao mesmo tempo, ficando um silêncio logo depois.

Puck decidiu continuar – Sua mãe enlouqueceu! Ela levou Beth, Shelby esta arrasada. Eu venho tentando te ligar a dias, mas você não atendia.

– Eu mudei o número, desculpe Puck. Eu preciso de sua ajuda, precisamos desfazer isso. Como minha mãe conseguiu a guarda?

– Ela ameaçou Shelby, ameaçou destruir Rachel, acabar com sua carreira e até mesmo com sua vida... – ele sussurrou a última parte.

– você acha que — você acha que ela seria capaz de algo assim? E desde quando Shelby se interessa pela vida da Rach? – sorri sarcasticamente, mesmo ele não podendo ver.

– Sua mãe esta fora de controle Q! Eu acho que ela seria capaz de qualquer coisa. E você sabe que Shelby ama a Rachel, só não sabe lidar com a situação das duas...

– Não chame essa mulher de minha mãe Puck, ela não é nada minha. – Eu não conseguia controlar minha voz dura e fria. – Ok, deixe esse outro assunto pra depois.

– Eu não sei como agir, Shelby e eu estamos de mãos atadas. Precisamos de você.

– Eu tenho uma entrevista hoje! Porra, eu preciso falar com Santana! Puck, tente achar minha filha, sequestre ela se for preciso, eu farei com que você saia impune disso, eu prometo! Agora eu preciso ir.

Desliguei o telefone e tentei ligar para Santana mais uma vez. Nada. Ela não atendeu. Deixei a quinta mensagem de voz em sua caixa postal, falando que era urgente e que eu precisava dela agora.

Santana, me ligue! – Quinn

SANTANA PORRA, ONDE VOCÊ SE METEU?- QUINN

MINHA FILHA ESTÁ EM PERIGO SANT! POR FAVOR ATENDA ESSE CELULAR – QUINN

Perdi a conta de quantas mensagens mandei, até que desisti e fui em direção ao estúdio onde ocorreria a entrevista. Precisava me livrar daquilo logo e encontrar Santana.

Meu celular apitou, e eu peguei, trêmula, achando que fosse Santana. Mas vi o nome de Rachel na tela e abri, segurando a respiração.

Não fuja de mim Quinn. Droga, eu odeio essa mania sua de querer se esconder quando algo acontece. Eu posso me defender, eu posso te ajudar. Será que você não percebe? Não percebe que quando você se transforma e fica toda fria comigo EU SEI que aconteceu alguma coisa? BOSTA QUINN, VOLTA AQUI AGORA! – Rachel

Eu não posso Rachel, me desculpa. – Quinn

Depois de uma hora eu estava devidamente maquiada e vestida, mais uma vez com aquele sorriso estampado no rosto, mesmo que minha vida pessoal estivesse sendo destruída. Eu era uma atriz nata pelo jeito. A entrevista finalmente iria começar, depois de eu esperar longos 15 minutos, batendo o pé descontroladamente e me segurando para não acabar com todas minhas unhas.

FIM QUINN’S POV

“Ela é uma das escritoras mais famosas do momento. Seu livro vendeu mais de 40.000 cópias em apenas uma semana de estreia. Seus desenhos são considerados uma verdadeira obra de arte. Porém a pouco tempo, passou por um momento de desastres em sua vida. Mas hoje, ela está aqui, de cabeça erguida, e com um segundo livro a ser lançado futuramente. Por favor, aplausos para Quinn Fabray.”

A plateia ficou de pé, aplaudindo, enquanto Quinn entrava com um grande sorriso estampado no rosto, sussurrando “obrigado” várias vezes. Ela se sentou ao lado do apresentador logo após cumprimenta-lo.

– É um prazer te receber no nosso programa Quinn Fabray. Vamos começar as perguntas... Você esperava todo esse sucesso com o seu livro?

– Não! Definitivamente não! – Ela fez uma cara surpresa – Eu mal sabia que algum dia alguém leria meu livro. Depois que acordei do coma fiquei sabendo que tinha sido publicado. Foi uma loucura. – Ela bateu os braços no joelho, um pouco nervosa.

– Entendo. Você se importa de falar sobre o acidente?

– Oh não, de jeito nenhum. – Ela sorriu gentilmente. – Bem, como todos já sabem, eu passei oito meses em coma, e algum tempo na cadeira de rodas. Eu só voltei a andar completamente sozinha essa semana! Mas sabe, eu acho que nada acontece sem um motivo. Se isso aconteceu, é porque tinha que ser.

– E como você foi atropelada?

Rachel. Foi a primeira palavra que surgiu em sua mente. Ela não ia mentir.

– Rachel. Eu entrei na frente daquele veículo porque minha namorada, Rachel Berry, estava prestes a ser atropelada. Quer dizer, eu não me joguei na frente do ônibus, mas quando eu empurrei ela para trás, meu corpo foi para frente e é basicamente tudo que eu me lembro.

Namorada. Elas ainda eram namoradas certo?

Claro que sim, você não leu a mensagem? Ela está preocupada com você.

Quinn balançou a cabeça, voltando a atenção para aquele momento.

– Você salvou sua namorada? Rachel Berry, a atriz e cantora?

– Sim e sim. – Ela sorriu sem nem perceber. – Para ser sincera nós tínhamos acabado de ter uma briga, da qual eu não me lembro, porque perdi a memória das coisas que aconteceram nesse último ano da minha vida. E eu me sentiria muito culpada se ela tivesse passado por tudo que eu passei.

– Uau. Isso é realmente uma demonstração de amor! E vocês ainda estão juntas? – ele perguntou, curioso.

– Eu preferia não falar mais sobre minha vida pessoal, desculpe. – ela limpou a garganta.

– Ok. Sem problemas. Ouvi falar que você já está prestes a lançar um segundo livro, é verdade?

– Sim! Estou trabalhando nele agora e não acho que vá demora muito para ser lançado... Talvez no começo de 2015.

– Fico muito feliz por você Quinn, acho que todos ficamos. – Alguns gritos e palmas puderam ser ouvidos e Quinn ficou um pouco vermelha, sussurrando um obrigado. – Já surgiu alguma proposta de adaptação para filme?

– Na verdade, ainda não... Mas eu adoraria! Uau, seria mais um sonho realizado. – Rachel. A palavra surgiu novamente na sua cabeça. Céus, como ela podia ser tão estúpida com a garota, sendo que ela só queria ajudar?

–Tenho certeza que muitas propostas ainda irão surgir. – ele deu um sorriso reconfortante. – E seus desenhos? Agora que você tem um nome conhecido, pensa em abrir sua própria galeria?

Ela não tinha parado para pensar naquilo. É claro que ela adoraria fazer isso. Mas ela mal se lembra da outra galeria que ela “trabalhou”. Rachel disse que foi bem no primeiro dia de estreia dela que aconteceu o acidente...

– Pra falar a verdade, eu não pensei nisso ainda. Minha vida está muito corrida. Como eu já disse, ainda estou me recuperando do acidente, e finalmente voltando a vida normal. Claro que eu adoraria! Mas por enquanto irei me focar no meu livro apenas... – ela sorriu novamente.

O apresentador acenou, concordando e disse:

– Bom, chegamos ao final da entrevista. Muito sucesso para você minha jovem. Agora nós iremos para os comerciais.

Quinn se despediu e ficou sorrindo por algum tempo para câmera até alguém gritar “corta” e o programa ser substituído por propagandas.

– Foi um prazer Quinn. – o apresentador já de idade veio lhe parabenizar.

– Magina, o prazer foi todo meu. Tchau – ela se despediu novamente e se encaminhou para o camarim. Ela precisava sair dali agora.

A primeira coisa que pescou na sua bolsa foi o celular. Havia agora chamadas perdidas da Rachel, que ela apenas ignorou, mesmo se odiando por isso. Ela se surpreendeu quando o nome de Santana surgiu na tela:

Porra Fabray, é bom você não estar mentindo, se isso for uma brincadeira eu vou acabar com essa sua bunda branca. Nós já – Santana

Quinn ergueu a sobrancelha, sem entender onde estava o final da mensagem, mas ela viu que havia recebido mais uma.

Uhn, desculpe... Tive um probleminha aqui. Enfim, nós já estamos a caminho do seu apartamento. Sorte sua que conseguimos passagens rápido. Esteja lá sua vadia. – Santana

Ela olhou o horário da mensagem, tinha sido a duas horas atrás. Ela se despediu de todos e foi em direção a seu carro. Foi surpreendida por meia dúzia de fãs, literalmente surpreendida porque ela quase derrubou seu celular no chão. Ela sorriu gentilmente e atendeu a todos os pedidos de autógrafo e foto, logo depois saiu dali, acenando. Já estava ficando escuro, eram 18:30 e ela mordeu o lábio ao lembrar que Rachel provavelmente já estaria se arrumando para ir. Respirou fundo e teve que controlar todo ciúme ao discar o próximo número. Ela esperou impacientemente enquanto o telefone chamava umas 4 vezes antes de alguém respirar ofegante na linha:

– Alô? – Uma voz grossa surgiu do outro lado.

– Jesse? – Quinn sussurrou.

– Sim, quem fala?

– Sou eu. Quinn. Quinn Fabray.

– Oh. E ai Fabray, a que devo a honra? – ele falou, provocando.

– Eu preciso de você. – ela soltou, sem pensar.

– Fabray, querida. Você sabe que eu gosto de morenas certo? Além do mais, pensei que você estava fora do armário. – Ele riu.

– JESSE! – Ela revirou os olhos. Babaca. – Não preciso de você dessa forma- ela podia sentir suas bochechas corando – Preciso que acompanhe a Rachel em uma premiação. Preciso que você enfie um smoking e vá agora até o nosso apartamento. Diga que eu te mandei lá. Por favor.

– O que? Você não está drogada né? – ele de repente parecia preocupado.

– Não Jesse! Céus, óbvio que não! Só faça o que eu estou dizendo por favor. Ela deve estar quase saindo de lá!

– Ok... Mas eu quero uma explicação melhor depois. Vou mandar uma mensagem para ela e dizer que estou a caminho. Até mais Fabray.

– Obrigado Jesse. Me mande uma mensagem quando chegar lá com ela. E veja se ela está bem ok?

– Ok. – Ele desligou sem dizer mais nada. Quinn ainda demoraria uns bons minutos até chegar em casa. O trânsito de Nova York era insuportável, mas ela até que estava aliviada de chegar só depois de Rachel ter saído.

–-x--

Do outro lado da cidade, Rachel se olhava no espelho sendo observada por Samantha.

– Você está maravilhosa Rach. – A garota ruiva sorriu gentilmente, tentando aliviar a tensão.

Rachel continuou observando, lembrando que Quinn havia escolhido esse vestido. E ela não tinha se arrependido, pois realmente era decotado e apertado nas partes certas de seu corpo.

– Eu não acredito que ela vai fazer isso comigo Sam. – Rachel deixou escorrer uma lágrima. – Eu odeio quando ela se fecha e não me deixa saber o que aconteceu.

– Ei, ei baixinha. Você vai borrar sua maquiagem. — A garota levantou o queixo de Rachel e sorriu, limpando a lágrima. – Hoje é sua noite meu amor, esqueça tudo. Você vai esfregar um prêmio na cara de Meryl Streep. – Ela finalizou, dando um beijo no nariz da morena.

– Porque você não pode ser minha namorada hein? As coisas seria muito mais fáceis. – Ela abraçou Samantha, que soltou uma risada gostosa perto do ouvido da morena.

– Meu amor, seria uma honra ser sua namorada, mas eu realmente gosto de homem. Abdomens, barba mal feita... – Rachel riu alto.

– Isso é injusto – ela fez um biquinho, se separando de Samantha e pegando seu celular. Viu que havia duas mensagens de Jesse e estranhou. Eles não se falavam a algum tempo.

Ei minha morena gostosa, não se atreva a sair desse apartamento enquanto eu não chegar ai — Jesse

Ela revirou os olhos, aquele jeito de falar era típico dele.

Você não respondeu, e isso é preocupante pois se eu não for o seu acompanhante essa noite, uma loira maluca vai me esquartejar. Espero que você e suas perninhas deliciosas estejam ai. Chego em 5 minutos – Jesse

Ela olhou o horário da mensagem. Havia passado exatamente cinco minutos. Então ela resolveu esperar.

– Ei Sam. – ela falou com a garota, que pegava as bolsas em cima da mesa distraidamente – Jesse me mandou essa mensagem estranha falando que vai ser meu acompanhante porque Quinn o obrigou. Quer dizer, foi o que eu entendi.

– Uhn... – Samantha ergueu as sobrancelhas. – Qual é a dessa sua namorada hein?

– Eu sei, eu sei – Ela respirou fundo, se virando para o espelho novamente e apertando sua correntinha nas mãos. “Por favor Quinn, eu preciso de você aqui.”

Logo depois, o porteiro anunciou que Jesse havia chegado e as duas desceram para encontrar com o garoto e irem para a tão esperada premiação.

–-x--

– Eu vou matar ela. Aquela loira falsa. Brit Brit, segure ele por favor – Santana passou o garoto para o colo de Brittany, que começou a cantarolar uma canção no ouvido do menino.

Santana abriu a porta da casa e como ela imaginava, estava vazia. Pegou todas suas malas e jogou para dentro do apartamento da Quinn. Ou seria o da Berry? Ela pensou. Tanto faz.

Se sentou no sofá, descansando. Ela não havia parado um minuto. Viu que brittany foi em direção ao quarto colocar o garoto em uma cama e voltou para se sentar ao lado de Santana.

– Sant, cadê a Q? Estou com saudades! – ela sorriu, depositando um beijo na boca da latina.

– Uhn, não sei. – A latina sorriu com o gesto e segurou as mãos da loira com as suas. – Estou muito feliz pela gente Brit Brit. Eu te amo muito. – Ela olhou nos olhos de Brittany, passando o máximo de sinceridade.

– Eu também Sant! Foi tão fofo você ter comprado uma aliança com um desenho de unicórnio dentro. Eu te amo – ela repousou a cabeça no ombro de Santana, mas as duas foram interrompidas por um furacão de cabelos bagunçados e loiros.

– Q! – Brittany pulou do sofá para abraçar a amiga. Quinn sorriu o máximo que podia, devido às circunstâncias. – Você está parecendo um leão – Brittany passou os dedos no cabelo bagunçado de Quinn, que riu junto com Santana.

– Fabray – Santana fingiu indiferença, mas estava morrendo de saudades de encher a amiga – Vejo que já pode usar essas pernas para comer a Berry novamente. Fico feliz.

Quinn revirou os olhos.

– Mas é claro que não foi por isso que você estragou minha viagem com Brit Brit, então desembucha.

– Eu não sei o que fazer Santana! Esta tudo uma loucura. Minha mãe apareceu aqui em Nova York essa manhã e nos ameaçou! Ela tem a guarda de Beth Sant! – a loira sentou em uma cadeira que estava ali, escondendo o rosto nas mãos.

– Ela está blefando Q! Isso é impossível... – Santana ergueu as sobrancelhas.

– Não – Quinn balançava a cabeça negativamente, sem parar. – Ela... Ela me mostrou o papel que dava a guarda. E puck confirmou, disse que ela ameaçou Shelby, ameaçou todos!

– E cadê a Rachel? – Santana olhou em volta, se certificando de que a baixinha não estava perdida em algum canto da casa.

– Ela ganhou três indicações no MTV Movie Awards! – Quinn sorriu entre as lágrimas que caiam livremente de seu rosto. – É hoje a premiação, e droga, já deve ter começado, e era – era pra EU estar lá – lá com ela, entran-entrando no tapete vermelho e – e esfregando pro mundo que ela é minha namorada, MINHA. E agora minha mãe ameaçou minha filha e ela parecia tão verdadeira nas palavras! Eu – Eu não pude ignorar! Eu fiz a Rachel ficar triste Sant, você sabe que eu odeio magoar ela.

– Oh, vejo que a voz daquela baixinha irritante serviu para alguma coisa então! – Santana tentou esconder o orgulho que sentia de Rachel, mas era evidente. – Calma Quinnie, que tal você relaxar um pouco huh? Vamos ligar a TV e ver se já começou, ta?

Quinn acenou afirmativamente e se sentou no sofá. – Mas sabe Sant, se pelo menos eu me lembrasse, mas nem isso eu consigo! – Ela bateu na própria cabeça, como se isso fosse ajudar em algo. Santana segurou suas mãos entre as dela e começou a fazer carinho.

– Shiiu Q, fiquei calma. – Ela ligou a TV e pôs no canal que estaria sendo transmitido ao vivo. – Olha lá Quinn, já começou a meia hora!

Quinn olhou atentamente para a TV, até que ela foi obrigada a desviar o olhar para o corredor do apartamento de Rachel. Céus, brittany estava carregando uma criança. Um garoto de aproximadamente quatro anos, de pele morena e poucos cabelos, e dois cachorros vinham atrás dela. Dois cachorros gordos e cheios de banha, da raça shar-pei. Quinn arregalou os olhos, virando novamente para Santana e exigindo explicações com os olhos, enquanto Brittany se aconchegava no chão, com o garoto no colo e um cachorro de cada lado.

– Ei Q, esse é o Doug, e essa é a Mary. – ela apontou para os cachorros. – E esse aqui é o Michael , nosso filho.

Quinn abriu a boca, ela tinha certeza que sua mandíbula ia quebrar. E foi então que ela teve certeza que aquilo era um grande sonho, olhou para a mão de Santana e havia uma aliança, uma aliança de casamento. Ela pulou do sofá, mal prestando atenção na premiação que estava ocorrendo.

– Nã- Não. NÃO BRINCA! – Ela tinha certeza que estava se comportando que nem idiota. – Vo-vocês – ela apontou para as duas. – É tudo um sonho né? Diz que sim! – Ela voltou a se jogar no sofá.

Santana deu de ombros enquanto brittany a encarava divertidamente.

– Brit Brit quer, Brit Brit consegue. – Ela bateu um high five com a sua mulher.

– Eu queria que nosso filho se chamasse Michael, porque ele vai ser o próximo Michael Jackson. – Ela falou do nada, sem ninguém ter perguntando.

– Fala sério Santana. – Quinn não podia perder aquela oportunidade de zuar a latina. – Se Brittany pedir um unicórnio de presente, você vai inventar um só para deixa-la feliz?

– Onde eu posso comprar um unicórnio Q? Sant disse que eles não existem. – Brit abaixou a cabeça, parecendo chateada.

– Muito obrigada Fabray, mesmo. – Quinn deu de ombros, sem acreditar naquilo ali. Santana tinha uma família! UMA FAMILIA! E ela não estava prestes a assassinar todos ou usar xingamentos em espanhol. Ela estava se comportando adoravelmente, brincando com os cabelos de Brittany e dando um leve beijo na testa de seu filho, enquanto os dois cachorros babavam por toda a sala. Céus. Isso tem que ser um sonho.

– Olha lá Q! A Rachel! – Quinn voltou sua atenção a TV, se jogando em cima da latina para pegar o controle que estava do outro lado do sofá. A morena empurrou Quinn com um ‘ sai pra lá fabray’ enquanto Quinn aumentava o som.

Rachel sorria, Samantha de um lado, Jesse de outro. Dando todo apoio que Rachel precisava. E que ELA deveria estar dando. A loira suspirou enquanto Anne hathaway e Zac efron subiam ao palco para entregar o próximo prêmio.

– Sonhos. Acho que todos que estão presentes aqui já tiveram seu momento de estar no quarto, imaginando como seria ser famoso, como seria estar em uma premiação dessas. Ser nomeado para um prêmio tão importante. – Anne hathaway falava, enquanto a câmera passava por todos os ali presentes, sentados em seus respectivos lugares.

Quinn suspirou quando a câmera passou em Rachel. Os olhos dela brilhavam. Quinn sabia o quanto Rach babava em Zac efron desde sempre, ela o achava bonito, mas tinha ciúmes.

A voz grossa dele foi ouvida atentamente por todos, inclusive as três garotas na sala que mal piscavam.

– Mas nós estamos aqui hoje, em homenagem a uma pessoa. Essa atriz que como qualquer um aqui, merece estar onde esta agora. Ela enfrentou muitos problemas em sua vida. Bullying, rejeição, insegurança. Mas... – ele fez uma pausa, fazendo suspense.

– Oh. Maryl Streep tão já ganhou essa. – Santana falou, o que fez Quinn arremessar uma almofada na cara dela. – o que? – ela fez uma careta.

– Apesar de tudo, ela está aqui hoje, com a cabeça erguida, e concorrendo a três prêmios diferentes. Por favor, recebam no palco a homenageada do ano, Rachel Berry. Parabéns Rachel, você ganhou as três categorias.

A câmera focou em Rachel. Ela parecia perplexa e lágrimas já podiam ser notadas em seus olhos. Samantha e Jesse pareciam orgulhosos. Ela ficou parada por um momento, até que finalmente criou forças para controlar a tremedeira em suas pernas, e se levantou, indo em direção ao palco, ao som de vários aplausos alguns gritinhos.

Quinn pulava no sofá enquanto dava socos em Santana. A latina a olhava como se ela fosse uma doente mental.

– Fabray, acalme esses hormônios, pelo amor de deus.

– ELA GANHO SANTANA! ELA GANHOU OS TRÊS PRÊMIOS! ELA GANHOU DE MARYL STREEP PORRA! – Quinn estava fora de si. Santana a puxou pelo pé, fazendo a garota sentar novamente e ouvir o que Rachel tinha a falar.

A morena já havia subido ao palco e agora dizia sobre como foi chegar até ali logo depois de abraçar os dois que haviam lhe homenageado. Ela demorou demais em Zac Efron, o que fez Quinn bufar.

A escola, os slushies, tudo que teve que suportar de boca fechada, as decepções. Mas então tudo ficou melhor quando entrou na faculdade. Entrou na Broadway, e a partir daí sua vida se tornou um sonho.

– Eu- Eu queria agradecer a meus pais, que infelizmente estão em Lima, me assistindo pela TV, e que sempre me apoiaram e foram meus melhores amigos quando eu mais precisei. Queria agradecer a meus dois amigos que estão me acompanhando aqui hoje. Samantha, você é um verdadeiro anjo na minha vida, graças a você consegui várias propostas de emprego. E principalmente, queria agradecer a alguém muito importante na minha vida. – ela apertou a correntinha no pescoço. Quinn observava atenta. – Quinn, Quinn fabray, minha namorada. Sem ela eu não estaria aqui hoje, não teria toda essa confiança, não acreditaria em mim mesma, e provavelmente estaria em uma cadeira de rodas. – Uma lágrima escorreu de seu olho. – Obrigada, muito obrigada a todos! – A morena ficou por uns momentos agarrada a correntinha, era visível que suas mãos estavam tremendo. E foi naquele momento que tudo para Quinn fez sentido.

As lembranças surgiram em sua mente como um furacão. Tudo passou como um filme em sua mente. Ela arregalou os olhos ao ouvir a própria voz na sua cabeça

“Jura? Promete que toda vez que você quiser que eu esteja ao seu lado, você vai segurar esse colar com toda a força possível e vai ser como se eu estivesse com você?” ·.

– Puta que pariu! – Foi tudo que ela conseguiu dizer.



Notas finais
até eu fiquei triste por ter parado de escrever bem nessa parte viu?kkkkkk fui bem maldosa D:
Muita coisa aconteceu né?
ta chegando ao fim gente............. hehe
beijos, até o próximo.