A Garota da Casa ao Lado
30 Capítulo 30
Notas iniciais
Eu sei que demorei e que muita gente estava esperando mas eu não tenho uma desculpa ou uma explicação para minha demora. Não consegui escrever antes e eu tentei muitas vezes, só agora deu pra terminar...
Agradeço as pessoas que vieram falar comigo, perguntar se eu não ia mais postar a fic. E também queria dizer que me impressiona muito a falta de educação de algumas outras pessoas. Eu escrevo a fic porque é uma distração, algo que gosto muito de fazer. Não me sinto na obrigação de dar explicações ou responder pessoas que falam grosso comigo. Eu devo lembrar que não recebo nada para escrever aqui?
Enfim, obrigado a quem veio falar comingo de boa e dizer que sente falta da minha fic :)
— Por mim ela podia morrer nessa cadeia!
- Eu acho que ela pega uns 40 anos no máximo, e sem contar com a probabilidade dela sair antes por bom comportamento...
- Puckermann! Eu não me chamo Santana Lopez se essa mulher sair da cadeia sem sofrer tudo que ela merece! E aliás por que não me deixaram entrar nesse tribunal? Eu sou a advogada aqui! A Fabray não exerce a profissão dela a décadas! – Santana andava de um lado para o outro, sendo observada por Puck.
- A Quinn já te falou que você vai ser a advogada dela, mas primeiro a Tracy pediu para conversar só com as duas.
- E desde quando essa mulher pode exigir alguma coisa? E cadê a cascavel loira? Os sete anões?
- Quem Santana? – Puck apertou as têmporas. Eles já estavam em pé a quase duas horas ali fora, esperando alguma notícia e a última coisa que ele queria agora era ouvir a voz da latina.
- A Fabray rainha e as ajudantes da Tracy!
- Que? – Puck a encarou confuso.
- Meu deus Puckermann, como você conseguiu sair da escola mesmo? – Santana revirou os olhos e se aproximou da porta para tentar ouvir algo. Minutos depois a porta abriu e Quinn saiu dali sem expressão no rosto. — O que aconteceu? Já vão prender ela? Por que vocês não me deixam entrar? Eu sou a melhor advogada do país!
- Santana...
- E ela não é a única que tem que ir pra cadeia e você sabe muito bem disso!
- SANTANA! – Quinn bufou.
- O QUE?
- Você pode entrar agora. – Quinn ergueu as sobrancelhas e a latina deu um sorrisinho vitorioso e já foi entrando, mas uma mão delicada a puxou de volta. – Espera, você precisa saber que provavelmente Tracy não vai ser presa agora.
- Como assim Fabray? – A latina sentiu o sangue fervendo.
- Ela vai ser internada em uma clínica para pessoas com transtornos psicológicos. Ela passou por uns testes e afirmaram que ela tem transtorno de personalidade. Talvez ela passe a vida inteira internada... Mas Rachel quem decide o que fazer... Pode entrar agora. – Santana concordou com a cabeça e foi entrando, mas mais uma vez a loira a puxou. – Não trate minha namorada mal. – Ela finalizou, com um olhar sério.
- Aha loirinha. Pois fique sabendo que quando você estava lá morta na cama de hospital, ela ia até o MEU apartamento, chorar no MEU ombro ok? Então fique tranquila que já somos muito próximas agora... – Santana piscou e finalmente entrou na sala, rindo.
Quinn bufou de novo, observando a porta se fechar atrás de Santana.
Ela olhou pro lado e viu Puck encarando o nada. – Oi – Ela sorriu timidamente.
- Como você está mamma? – Puck a envolveu num abraço de lado.
- Bem... Eu acho. Quer dizer, eu me sinto muito melhor agora, sabendo que Beth está em casa com a Brittany, e que Tracy finalmente vai ficar presa em algum lugar, e que não vai destruir mais a vida de ninguém. Mas ao mesmo tempo, sei lá... Eu esperava que um dia meus pais me aceitassem do jeito que eu sou sabe? E olha tudo que aconteceu Puck... Meu pai morreu enquanto eu estava em coma, e fazia tanto tempo que eu não conversava com ele igual filhos fazem. Minha mãe está louca e nunca vai me perdoar por ter engravidado de você na escola, me apaixonado por uma garota e por não querer assumir as empresas de meu pai. Eu nunca tive pais, eu nunca vou ter.
Puck a envolveu com os dois braços, apertando bem forte e a levantando no ar, fazendo a loira rir. – Sim, tudo isso, infelizmente, é verdade. Maaas você tem uma judiazinha linda do seu lado, uma filha maravilhosa, que fica cada dia mais igual a você, amigos que te amam e uma profissão que você é apaixonada. Sinceramente? Eu não pediria por mais nada. Sabe, a vida as vezes parece estar toda errada, mas já parou para pensar que você tem tudo isso agora, por que não teve outras coisas no passado?
- Uhn, na verdade isso faz muito sentido puck! – Quinn se afastou um pouco para encarar ele nos olhos – Quando foi que você se tornou responsável?
Puck corou, dando um sorrisinho sacana – E você achava que eu ia ser apenas um rostinho bonito pra sempre hun? – Ele beijou a testa dela e os dois riram juntos.
- Obrigado Puck. – A loira voltou a lhe encarar nos olhos.
- Pelo que mamma?
- Por tudo. Por ter me dado essa filha maravilhosa, e por você e Shelby terem criado ela tão bem. Eu sei que Shelby ainda me vê como uma adolescente irresponsável. Beth me contou que ela faz de tudo para que eu não passe tempo com ela. Eu me sinto péssima em admitir, mas graças a deus que minha filha foi criada por vocês dois. Ter uma filha com você nunca foi um erro Puck, eu só queria que você soubesse disso... Eu sei que você ainda se sente culpado às vezes, mas NÓS DOIS, fizemos essa garotinha linda. E como você mesmo disse, a vida às vezes parece estar toda errada, mas já parou pra pensar que você tem tudo isso agora, por que não teve outras coisas no passado?
Puck tentou esconder as lágrimas que teimavam em querer cair. – Quinn, você sabe que foi a primeira garota que gostei, de uma forma estranha, mas eu realmente queria te proteger dos seus pais, do Finn, do mundo se fosse preciso. Eu tentei, mas infelizmente não deu certo.
Os dois trocaram um olhar cúmplice e se abraçaram novamente. Por mais que tudo parecesse ter sido um erro, graças a aqueles erros, eles tinham algo que os manteria ligados para sempre.
Enquanto isso...
- De acordo com todos os arquivos que a Doutora Santana Lopez, junto de algumas pessoas, gravaram, e a quantidade de informações que temos em relação a todos os crimes que a réu,Tracy Champyton cometeu, ela será julgada culpada ou inocente pelos crimes de falsidade ideológica, roubo, tentativa de homicídio, porte de drogas... Enfim, eu poderia continuar mas acho que não é necessário. O que importa é que a Doutora tem provas contra todas as acusações e agora cabe aos presentes hoje aqui julgarem a réu.
- Santana – Rachel sussurrou. – Eu quero que ela seja internada.
- O que? Rachel! Ela vai apodrecer na cadeia, ela vai morrer aqui, não precisa de tratamento!
- Santana! Eu nunca vou me perdoar se eu for a culpada por alguém ter morrido. – Rachel batia os pés igual á uma criança mimada.
Santana revirou os olhos, pedindo a palavra para o juiz, que acenou afirmativamente com a cabeça.
- Eu gostaria de acrescentar que minha cliente gostaria que a réu fosse internada em uma clínica para cuidar de seus transtornos psicológicos ao invés de passar os anos na cadeia... – Rachel puxou a camisa da latina, o que a fez revirar os olhos e abaixar até estar na altura certa para Rachel sussurrar em seu ouvido. Ela mal podia acreditar na idiotice daquela anã! – E minha cliente também não quer o dinheiro que é seu por DIREITO – ela olhou torto para Rachel, que mal parecer notar, ou fingiu não notar. – Ela prefere que todo o dinheiro seja doado para alguma instituição de caridade ou para o tratamento de Tracy. –Santana deu sua última palavra antes de voltar a sentar.
- Uhn, quem diria, você toda sexy em um uniforme e falando essas palavras sérias de advogada! – Rachel sussurrou novamente, tirando sarro.
- RACHEL! – Santana continuou olhando nervosamente na direção do juiz que tinha traços cansados no rosto. – Nós não estamos brincando de detetive aqui ok?
- Ok – Rachel se sentou direito e segurou a risada, se virando para o balcão onde as pessoas julgavam Tracy. – Qual é o nome que dá pra essas pessoas que ficam ali decidindo? – Rachel franziu a testa curiosa – E por que todo juiz tem essa cara de mal?
Antes que Santana pudesse responder educadamente com algum palavrão em espanhol, o resultado já havia saído.
- Ow, eles decidiram rápido! – Santana sussurrou.
- Isso é bom?
- Não acho que tenha algum resultado “bom” para Tracy aqui Berry.
O Juiz se levantou, começando a falar – Como podemos ver, a Senhorita Tracy Champyton não tem sequer chances de se defender, pois seus crimes já foram confirmados. Com isso, junto com todos meus auxiliares aqui presentes, nós declaramos que a réu é culpada.
Tracy não tinha movido um músculo sequer, parecia estar absorvida em um universo paralelo. Ao ouvir isso, colocou a cabeça entre as mãos, balançando negativamente várias vezes.
Rachel já estava abrindo a boca para protestar quando o juiz a mandou ficar calada com um gesto. Santana riu.
- E a pedido da Senhorita Rachel Berry, a réu irá fazer um tratamento psicológico e logo após ter sinais de melhora cumprirá 30 anos de cadeia. Todo o dinheiro na conta de banco da réu será doado para a instituição de caridade que você, Rachel, achar melhor. Eu declaro esse julgamento encerrado. Obrigado pela presença de todos.
- Isso foi rápido! – Rachel não sabia se ficava feliz ou triste. Ela não gostava de julgar ninguém, apesar de aquela ser a mulher que acabou com sua carreira e vida pessoal. – Eu sempre achei que julgamentos eram iguais aos filmes e que teria muitas reviravoltas, talvez um filho perdido dela fosse aparecer! Talvez os maridos que ela enganou e fugiu com o dinheiro! Talvez a mãe dela pedindo perdão por ter abandonado a filha quando era pequena... Talvez – Santana começou a sair de lá, observando Tracy ser levada para fora do tribunal algemada. – Ei Santana! – Rachel apressou o passo, seguindo a latina.
Assim que Santana pôs o pé para fora ela encontrou Quinn com um olhar nervoso no rosto e Puck parecendo distraído. – Ela é toda sua Fabray.
- Ei! Santana! – Rachel surgiu logo atrás, recebendo um olhar questionador de Quinn – Ela me deixou falando sozinha em uma sala onde tem criminosos! Eu poderia ter levado um tiro!
- Quem me dera... – Santana revirou os olhos, virada de costas para as duas.
- Quinn! – Rachel fez biquinho e se aproximou da loira.
- Racheel... – Quinn envolveu um braço na cintura da morena. – Esquece ela ok? O que aconteceu lá dentro?
- Tracy vai para uma clínica primeiro, depois vai ficar presa por 30 anos... – O braço de Quinn foi subindo pelas costas da morena até chegar ao pescoço, onde ela repousou, fazendo uma leve massagem na nuca de Rachel.
- E o seu dinheiro? – Quinn sorriu ao perceber a baixinha relaxando em seus braços.
- Não é meu dinheiro Quinn. Eu não quero todo esse dinheiro sujo, eu não preciso, nós não precisamos. Eu tenho uma carreira pela frente, e você então? Esta prestes a lançar seu segundo livro!
Puck e Santana conversavam sobre algo aleatório, sem dar atenção para as duas.
- Mas Rachel... – A morena a olhou teimosamente – Ok Ok, mas o que vai acontecer com esse dinheiro então?
- Uhnn – Rachel fingiu estar pensando – Eu já tenho planos pra esse dinheiro Fabray.
- Ah é? E eu posso saber quais serão seus planos Senhorita Berry?
- Talvez um dia – Rachel piscou – Agora vamos para casa porque eu preciso de um descanso e todo mundo aqui também. – Ela deu um selinho em Quinn e segurou a mão dela, a puxando para fora dali.
- Aleluia ela disse alguma coisa que presta. – Santana resmungou e Puck riu do seu lado.
Duas semanas depois...
- Quinn! Quinn! Olha isso – Rachel entrou abruptamente na sala, onde todos seus amigos estavam reunidos. – Seu livro esta no topo dos mais vendidos! – Ela parou ao perceber que todos a encaravam como se ela fosse louca – Ei, oi gente! Eu não sabia que vocês estavam aqui! Mas ainda bem que sim porque eu acabei de comprar alguns champagnes para comemorar o sucesso da minha mulher! – Rachel fez uma dancinha estranha no meio da sala.
- Ok, sem esquisitices Berry, passa aqui essa garrafa porque eu preciso de álcool pra continuar o que eu estava falando antes de você me interromper. – Santana puxou a garrafa da mão da morena e foi até a cozinha buscar as taças. Rachel se acomodou ao lado de Quinn, sentando quase no colo dela e a abraçando com força. – Eu sabia que você um dia ia conquistar coisas grandes na sua vida meu amor. Eu sempre te disse que você era mais do que um rostinho bonito – Rachel soltou um pouco o abraço apenas para depositar os lábios nos da namorada. Quinn sorriu, sentindo seu corpo esquentar com todos esses toques.
- Obrigado Rach... Eu não acho que teria conseguido sem você – Ela sorriu mais ainda e retribuiu o beijo.
Brittany estava na ponta do mesmo sofá com Michael no seu colo e os dois cachorros dormindo ao seus pés.
- Mamãe, o que é isso mesmo? – Michael segurava uma bala de goma que ele havia tirado do saco onde havia muito mais, de todas as cores.
- Isso é a comida dos unicórnios meu amor... – Brittany balançava o garoto em seu colo.
- Quer dizer que se eu colocar vários desses no chão e ir até o lugar mágico onde os unicórnios saem, eu vou ver um unicórnio? – Os olhinhos do garoto brilharam. Brittany sorriu como se fosse a coisa mais inteligente que alguém poderia dizer.
- Como eu nunca pensei nisso? – Ela fez um biquinho, abraçando a cintura do garoto. – Você é muito inteligente meu amor! Nós vamos fazer isso amanhã mesmo.
- Eba! – O garotinho juntou as duas mãos, sorrindo. Ele voltou a se concentrar nas balas, provavelmente deixando a imaginação ir longe.
- Brit, você sabe que unicórnios não exi- — Kurt começou a falar.
- Porcelana, que tal você me ajudar a por esse champagne nas taças hein? – Santana o encarava com um olhar mortal.
- Mamãe o que ele ia dizer sobre os unicórnios? – Michael voltou a prestar atenção nas pessoas ali na sala.
Todos encaravam perplexos, Brittany ainda era tão inocente.
A loira deu de ombros – Não sei meu amor. O que você ia dizer Kurt?
Kurt olhou para a loira, depois para Santana, ela ainda o encarava assustadoramente. – Na-Nada. – O garoto ignorou os olhares mortais da latina e começou a distribuir as taças. Mike, Mercedes, Quinn, Rachel, Brittany...
- Oh, não quero Kurt, muito obrigado mas por acaso vocês não tem leite colorido aqui?
- E-Eu, uhn – Ele olhou para Rachel e Quinn que não conseguiam mais segurar as risadas, conversar com Brittany era tão confuso. – Desculpa Brit, mas a Quinn tomou todo o leite colorido. – Quinn o olhou perplexa, depois olhou para Brittany que parecia chateada. Voltou a olhar para Kurt e sussurrou um ‘obrigado’, ele deu de ombros e voltou a sentar em seu lugar no outro sofá, junto de Mercedes e Mike.
Santana serviu sua própria taça e se sentou entre as pernas de Brittany, antes ela deu um beijo na testa da loira e disse: “Eu prometo que quando voltarmos para casa eu compro leite colorido para você ok?” – Brittany sorriu, os olhos brilhando.
Rachel a encarou – O que foi Berry?
- Nada... Você está levando a sério esse negócio de casamento huh? – Rachel deu um sorrisinho de lado e todos a acompanharam, encarando a latina.
- HÁ-HÁ, muito engraçado. Já que você tocou nesse assunto, eu vou voltar a contar a história que eu comecei antes de você atrapalhar tudo.
- Mas começa tudo de novo, porque a Rachel entrou bem quando ia ficar legal! – Mercedes finalmente se pronunciou e todos concordaram.
- Ok Ok. – Santana soltou uma risadinha enquanto Rachel bufava e se aconchegava mais em Quinn, que também estava rindo da morena.
– Brit?
– Oh. Sant? É você? – Brit sussurrava.
– Sim brit, sou eu. Quem mais seria?
– Eu achei que era um robô que os alienígenas mandaram no seu lugar. Alguns dias atrás eles mandaram um robô com o rosto de Quinn! Mas eu soube que não era ela logo de cara. Porque o robô sorria e abraçava. Quinn nunca fez isso na frente dos outros. Então dei o número do meu quarto errado.
– Sou eu brit... Podemos conversar?
– Oh, sim Sant. Pode falar. – Ela parou na porta me olhando com aqueles grandes olhos azuis.
– Posso entrar? – disse cautelosamente.
– Ah, você quer entrar ou conversar? – sorri e lágrimas surgiram nos meus olhos quando percebi que ela continuava a mesma. – Você está chorando?
– É só que estou muito feliz Brit. – eu disse, já entrando enquanto ela fechava a porta e se sentava na cama. – Então... Você está chateada comigo?
– Sim. Desde que você e Quinn foram levadas pelo disco voador eu fiquei muito chateada.
– Brit...
– Na verdade, eu ainda estou na dúvida se você é a Sant ou um robô.
– Brit...
– E também eu não s...
- Brit, senta aqui do meu lado. – Ela me olhou sorridente e se sentou.
- Você lembra do que eu te disse quando terminamos?
- Sim – Ela me olhava com aqueles grandes olhos azuis. – Você disse que nunca seria boa o bastante pra mim. Sant, você foi embora... – ela abaixou a cabeça e eu senti meu peito se apertar quando ela levantou o rosto e tinha lágrimas querendo escorrer. Me aproximei e segurei seu rosto com delicadeza.
- Foi o maior erro da minha vida Brit, eu achei que isso iria passar, mas cada vez cresceu mais no meu peito. Eu nunca te esqueci, eu nunca parei de pensar em você. – Meu olhar penetrava no seu, sem hesita.
- Isso o que Sant? – Ela esfregou os olhos com as costas da mão. Ela era tão fofa, como eu pude deixa-la?
- Meu amor por você...
- Você me amava? – Brit tinha os olhos vermelhos e aquilo era mais do que meu coração podia suportar.
- Eu te amo Brittany... Eu sempre te amei, eu nunca tive dúvidas. Desde aquele dia que você me deu esse colar, lembra? – Levantei o colar que estava usando por baixo da blusa. Era um unicórnio brilhante.
- Mas Sant, isso foi há muito tempo, nós éramos crianças... — Brit balançava a cabeça, não acreditando. – Eu achei que você não quisesse mais ficar comigo...
- Sim, mas desde aquele dia eu já sabia Brit, eu juro. Eu não quero ficar com mais ninguém. Todas as pessoas que eu fiquei me fizeram perceber que esse vazio que eu sinto aqui no meu coração – Peguei sua mão direita e coloquei no meu peito. – Esse vazio só some quando você esta perto... Você sente isso Brit? Isso é como eu fico perto de você, eu te amo Brit, diz que você ainda me ama, por favor – Me aproximei, colando nossas testas.
- Você sabe que eu vou sempre te amar Sant... Mas eu não sei se posso ter perdoar – Brit não quebrou o contato visual, mas ela parecia triste. Me senti mal por ter ido embora.
- E se eu conquistar sua confiança de novo? Eu te prometo que nunca mais vou embora ok? – Me aproximei mais, deixando um espaço mínimo entre nós – Brit, eu preciso sentir você, eu preciso te tocar, por favor me deixar te beijar... – Brit não disse nada e eu juntei nossos lábios, ainda de olhos abertos, esperando uma reação dela.
Ela se separou de mim e eu abaixei a cabeça, decepcionada.
- Eu te amo Sant... Eu também nunca parei de pensar em você...
- Sério? – Levantei meu olhar novamente – Voc-Você está com alguém agora?
- Alguém? – Ela me olhou confusa.
- É, sabe... Saindo com alguém.
- Eu saio com várias pessoas Sant.
- Brit...
- Hoje mesmo já sai com Mike, Terry, Ash... – Ela olhou para cima, pensativa. Meus olhos se arregalaram. – Ah, e com minha mãe... Minha mãe veio aqui hoje. – Ela sorriu.
- Brit... – Coloquei as mãos no rosto, controlando meu quase ataque do coração ao ouvir tantos nomes. – Eu quero saber se você esta namorando com alguém...
- Ah sim – Ela balançou a cabeça negativamente, seu rabo de cavalo balançando junto. – Não, eu tentei mas eu não achei mágico beijar ninguém além de você – Ela fez uma careta muito fofa.
- Mesmo? – Me aproximei novamente e dessa vez ela correspondeu ao meu beijo. A puxei para o meu colo e tive que me controlar para não chorar de novo. Beijar ela era perfeito, era a melhor coisa do mundo, sentir o corpo dela próximo ao meu... Ter ela só para mim novamente. Coloquei seu corpo delicadamente deitado na cama e me encaixei em cima dela, continuamos a nos beijar como se nossas vidas dependessem daquilo... Ela gemeu no meu ouvido quando mordi uma parte especifica do seu pescoço que eu conhecia bem...
- Santana, poupe-nos de detalhes sobre o sexo. – Quinn a cortou, balançando a cabeça para apagar aquelas imagens que ela tanto já tinha visto na sua adolescência. – Eu já vi muito mais do que eu queria...
- Vai dizer que você não ficava toda excitada quando via nós duas? Eu sei que toda essa homossexualidade presa dentro de você deve ter te causado momentos de muita frustração sexual. – A latina sorriu maliciosamente.
- Santana! – Rachel se intrometeu. – Deixa minha namorada em paz ok? Ela não teve frustração sexual nenhuma.
- Claro que não... Pelo menos não na faculdade né Q? Quantas meninas puras e inocentes você pegou mesmo? – Ela fez uma cara pensativa – Uhn, será que você lembra? Eram tantas... – Brittany beliscou o braço da namorada, lançando um olhar reprovador.
- Sant, para! Você vai fazer elas brigarem e se você continuar assim eu não deixo você me tocar nunca mais.
Quinn riu se sentindo vitoriosa, mas assim que olhou para Rachel, aquilo não parecia tão mais engraçado. Esse olhar não era nada bom... — Rach, eu...
- Quantas meninas Quinn?
- Eu... Uhn... Muito obrigado Satan. – Quinn revirou os olhos e voltou sua atenção para Rachel, que agora tinha uma cara emburrada e se sentou mais longe de Quinn.
- Depois a gente conversa sobre isso amor, ta? – Quinn sorriu inocentemente e Rachel deu de ombros, desviando o olhar.
- Enfim... Continue Santana! – Mercedes adorava uma boa história de amor e estava curiosa para saber como aquele começo tinha terminado em um casamento e um filho.
- Bem... Já que vocês não querem detalhes sobre como somos maravilhosas na cama... Depois desse dia eu fiz de tudo para Brit ver como eu a amava. Eu...
- Ela comprou uma fazendinha com vários bichinhos pra gente. – Brit interrompeu, os olhinhos brilhando como sempre.
-- Sim, e depois de nos acertamos e eu provar que mudei, nós resolvemos viajar juntas e eu a pedi em casamento.
- Ela me pediu em casamento enquanto andávamos de barco em Paris.
- Sim... – Santana corou. – E você aceitou e me fez a mulher mais feliz do mundo. – A latina pegou uma das mãos de brit e beijou com carinho.
- Quem diria hein... Santana sendo romântica! – Kurt interrompeu, com lágrimas nos olhos.
Todos explodiram em risadas enquanto Santana ficava cada vez mais vermelha.
- Ela é bem romântica. Sant gosta de cantar canções para eu dormir mais tranquila.
- Brit... – Santana mal sabia onde enfiar a cara agora, ela se levantou, procurando algo para fazer e tentar disfarçar sua vergonha.
- Ownn – Rachel sorriu – Isso é muito fofo Brit! Quinn também gosta que eu cante canções para ela...
- Isso tudo esta muito meloso mas eu preciso ir embora, até porque eu estou começando a ficar com inveja. – Mercedes se levantou, sendo seguida por Kurt.
- E eu estou sentindo muita falta do Blaine – Ele fez uma cara triste. – Rach, levanta para me dar um abraço, eu preciso fazer minhas malas de volta para Lima.
--x--
Todos se despediram, Rachel e Kurt ficaram abraçando e chorando por alguns minutos a mais enquanto Mike abraçava Quinn, a balançando no ar e fazendo a loira rir.
- Eu te vejo por ai Mike?
- Pode apostar que sim! Eu vou vir te visitar várias vezes e você nunca vai se livrar de mim viu? – Ele sorriu, dando um ultimo aceno para ela e indo em direção ao elevador junto com Kurt.
Sobraram apenas Santana, Brittany, Rachel e Quinn na sala, em um silêncio confortável.
De repente Rachel falou:
- Você não nos contou quando adotou Michael! – Rachel pegou o garoto no colo, brincando com ele.
- Ah, eu esqueci completamente! Bem, nós o encontramos na rua, sozinho e deitado num canto. Ele não sabia falar direito e tivemos que levar ele em alguns médicos de lá. Descobrimos que ele tinha algumas marcas pelo corpo, e depois de vários exames, foi comprovado que ele tinha sido espancado. Nós ainda não conseguimos fazer ele falar quem fez isso, mas já começamos a levar ele em uma psicóloga... Acabamos nos apegando muito a ele nesse tempo no hospital e decidi que seria um passo importante na nossa vida. Brit concordou e o adotamos. Simples assim.
- Uau... – Rachel beijou a testa do garotinho – Você é muito corajoso Michael, muito especial... – O garoto sorriu, colocando os braços em volta do pescoço de Rachel.
Quinn observava tudo em silêncio. Santana percebeu e ficou observando a amiga. – Quinn?
- Sant, eu tenho uma coisa pra você! – A loira se levantou abruptamente e foi em direção ao quarto sem dizer mais uma palavra.
- O que é? – Santana sussurrou para Rachel, que deu de ombros sem saber o que era.
Alguns minutos se passaram e Quinn voltou para a sala sorrindo.
- Demorou um pouco mas eu achei. – Ela ergueu uma caixinha muito parecida com a que deu para a latina no natal com o endereço de Brittany. – Isso é pra você – e um envelope. – E isso também.
- Sério Fabray, eu realmente acho que essa mania de me dar caixinhas é um incrível amor platônico por mim. – Quinn revirou os olhos enquanto Santana pegava a caixinha. E dessa vez havia duas chaves ali.
Santana pegou as chaves na mão e ergueu a sobrancelha. – O que é isso?
Quinn se sentou ao lado da latina, ficando séria de repente. – Sant, eu pensei muito nisso. Eu tenho uma carreira que sempre sonhei, um livro de sucesso que acabei de lançar, uma mulher incrível do meu lado e eu não preciso de mais nada além disso. E eu sei o quanto você leva sua carreira e sua família a sério e quer continuar crescendo na vida. E é por isso que eu tomei uma decisão.
- Desembucha logo Fabray! – Santana tentou esconder o nervosismo com uma risada.
- Bem, eu quero que você se torne a dona de todas as empresas Fabray, as empresas do meu pai.
- O q- O que? – Santana gaguejou, ela tinha certeza que tinha ouvido errado.
- Eu quero que você assine os papéis dentro desse envelope e, por favor, nunca mais me faça entrar em uma empresa dessas! – Quinn fez uma careta. Rachel a olhava sem palavras e Brittany parecia bastante impressionada.
- Quinn... Isso não é brincadeira que se faça, voc- você tem noção do que esta me falando?
- Sim! E eu confio totalmente em você para assumir algo tão grande, algo que eu nunca conseguiria fazer. Eu iria falir os negócios do meu pai e você sabe muito bem disso...
- Eu não sei o que falar... – Santana ainda não acreditava que aquilo era real. Finalmente teria um lugar só seu para trabalhar. E não apenas isso, mas toda uma rede de empresas, ela poderia dar uma vida ótima para Brit e Michael. E seus cachorros incrivelmente gordos também, claro.
- Não fala nada, só assina logo esses papéis! – Quinn entregou uma caneta para Santana e a latina assinou sem pensar duas vezes. Seu coração praticamente saindo pela boca.
- Espera... Mas por que duas chaves?
- Fico feliz em dizer que meu apartamento agora é seu.
- O que? Quinn Fabray! Você quer me matar do coração? – Santana pulou do sofá, passando a mão nos cabelos.
- Olha – Quinn levantou, segurando as mãos da amiga. – O que você fez por mim, e por Rachel também... – Rachel sorriu na direção da latina, um sorriso encorajador – Eu não vejo forma melhor de agradecer por tudo. Por ser essa amiga incrivelmente protetora, por ter feito o impossível e se metido em coisas que nem deveria, só para provar a verdadeira personalidade de Tracy. Por ter ficado ao lado de Rachel quando ela mais precisava de alguém e por continuar com esse gênio terrível e essa personalidade incrivelmente irritante mesmo depois de tantos anos. O que seria da minha vida sem você hein? – Quinn apertou as mãos da Santana. – Depois do que você falou sobre sua família... Eu tive aquela confirmação que me faltava. Você merece isso Sant.
Santana balançava a cabeça afirmativamente, as lágrimas escorrendo sem parar. Ela abraçou Quinn com tanta força que Rachel achou que os olhos esverdeados da namorada iriam pular para fora. – Eu te odeio Fabray! – Ela deu um tapa no ombro de Quinn e de repente soltou uma risada junto com as lágrimas, sem saber direito como reagir.
- Santana é tão temperamental... – Rachel sussurrou para si mesma.
- Isso é muito bom na cama sabia? – Brit tinha ouvido e sussurrou de volta. Rachel corou.
- Quinn, eu mal posso acreditar. Isso é um sonho... Eu nunca vou saber te recompensar pelo que você esta fazendo. – Santana finalmente soltou o abraço e limpou as lágrimas do rosto totalmente borrado de maquiagem.
- E nem precisa. Eu fico feliz em te fazer feliz. – Elas trocaram um olhar cúmplice.
--x--
Rachel e Quinn estavam sentadas no sofá do apartamento de Rachel, conversando sobre o dia enquanto assistiam televisão.
- O que você fez por Santana foi lindo...
- Eu só fiz o que achei que devia fazer. – Quinn mexia nos cabelos de Rachel, que estava deitada em suas pernas.
- Eu tenho que ver o que vou fazer com esse apartamento... Nós vamos nos mudar quando?
- O mais rápido possível, mal posso esperar para morar na nossa casa – Quinn lançou um sorriso de lado para a morena.
- Eu também não... – Rachel deitou virada com a barriga para cima, observando Quinn.
- O que foi? – A loira questionou, devolvendo o olhar.
- Eu gosto de te olhar... – Rachel ergueu o corpo, sentando no colo de Quinn – Seus olhos... Eu senti tanta falta dos seus olhos quando você estava no hospital. – A morena a fitava intensamente.
- Rach... – Quinn se sentiu envergonhada, abaixando o rosto.
- Eu nunca vou confiar em alguém como eu confio em você Q... Eu te amo.
- Eu também te amo – Quinn mordeu o próprio lábio, seu coração acelerando mesmo depois de tanto tempo juntas.
- Mesmo você sendo muito assanhada. Hunf. “Quantas meninas puras e inocentes você pegou mesmo?” – Ela imitou a voz de Santana, bufando.
- Ta com ciúmes é? – Quinn ergueu uma sobrancelha, apertando as coxas de Rachel.
- Sim! – Rachel fez bico. – Você sabe como fico insegura quando se trata de você.
Quinn odiava ouvir essas palavras. Não entendia como Rachel podia ainda se sentir insegura depois de todo esse tempo provando seu amor.
Ela pegou a mão da morena e levou até a boca, beijando por longos segundos. Depois começou a fazer uma trilha de beijos por todo o braço da morena, até chegar ao ombro.
- Eu só queria que você acreditasse nas coisas que eu digo. – Quinn se aproximou do ouvido de Rachel e sussurrou:
" You'll never love yourself
Half as much as I love you
You'll never treat yourself right darlin'
But I want you to
If I let you know
I'm here for you
Maybe you'll love yourself like I love you…"
- Você é perfeita Rachel, perfeita… — Quinn beijou a morena, tentando demonstrar todo esse amor que sentia por ela através daquele beijo.
Notas finais
bj
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