A Garota da Casa ao Lado
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Quinn’s POV:
Eu estava tão feliz, a entrada inesperada de Rachel mais uma vez em minha vida me fez sentir coisas que eu nem me lembrava que existiam.
Só espero que ela não tenha percebido como minhas pernas tremiam, eu tive que me agarrar na maçaneta da porta pra não cair bem ali, na frente dela.
Como era possível alguém me deixar daquele jeito simplesmente por existir? Essa coincidência de ter ido morar no mesmo lugar que ela, e no apartamento do lado foi assustadora. Talvez tenha sido o destino, me dando uma segunda chance. E é claro que eu não iria perder essa oportunidade de conquistar a Rachel. Eu poderia ter errado muito com ela no colegial, mas agora que eu sabia exatamente meus sentimentos verdadeiros eu não a deixaria escapar assim tão fácil e acho que todos sabem que quando Quinn fabray quer alguma coisa, ela consegue.
Entrei no elevador e tive que encostar na parede para respirar melhor, minhas pernas ainda estavam bambas e minha respiração irregular. Resolvi esquecer o táxi e ir caminhando até a padaria mais próxima. Estava me sentindo tão viva, e tenho certeza que sorria bobamente para todas as pessoas que passavam correndo ao meu lado sem nem ao menos notar minha presença, dia a dia bem típico de Nova York.
Ainda bem que Rachel não perguntou nada sobre minha vida, eu estava com uma certa vergonha de admitir que eu era um fracasso, que vivia as custas dos pais. Por isso fiz questão de deixar o foco da nossa conversa (eu já havia repassado cada movimento, cada palavra que fora dita, e foi tudo realmente muito estranho e divertido ao mesmo tempo) somente nela, que tinha alcançado os palcos da Broadway e eu tinha certeza de que sua carreira estava garantida, que logo logo, Rachel Berry seria conhecida por todos, sem exceções.
Entrei em uma padaria qualquer e me sentei, esperando o garçom, ainda teria que comprar meu ingresso para Spring Awakening, que eu espero que ainda não tenham esgotado, e depois resolver aonde iríamos jantar. Eu me lembrava muito bem que Rachel era vegan mas como eu sempre fui adoradora de carne, principalmente de bacon, teria que pesquisar algum restaurante, que não ficasse muito longe de onde ambas estariam essa noite. Afinal, eu tinha acabado de me mudar e estava sem carro não queria fazer uma viagem com ela de táxi, o que tirava nossa privacidade, se é que tínhamos alguma.
Depois de pedir meu café e ovos com bacon, abri minha bolsa em busca de algo. O que poucos sabiam era que eu sempre gostei de escrever. Eu estava num shopping de Lima a um tempo atrás e achei esse livro em branco, que se olhado de longe, poderia se passar tranquilamente por um livro comum, o encarte era envelhecido, num tom de marrom escuro, e na capa estava escrito em francês, com letras douradas:
"Peut-êtremon apparencevous tromper, mon sourirete cacherqui je suis vraiment, maisdans monde,mon monde,je changent d'avis"
E o significado era muito importante para mim:
"Talvez minha aparência te engane, meu sorriso te esconda quem eu realmente sou, mas nesse mundo, no meu mundo, eu mudo mentes."
E era nele que eu registrava cada pensamento que considerasse importante desde então. Comecei registrando frases que eu gostava, e passei a escrever poemas e expor meus sentimentos. Com certeza, o dia de hoje precisava ser registrado, então não hesitei quando peguei minha caneta e comecei a escrever, perdida no meu próprio mundo, aonde não existiam limites.
Fim Quinn’s POV
O final da tarde se aproximava e Quinn estava na bilheteria, tentando comprar seu ingresso, ela sabia que talvez tivesse enrolado demais o dia inteiro, perdida na magia que eram aquelas ruas, lojas e paisagem, a cidade grande era tão movimentada, as pessoas eram aceleradas, e a nova Quinn era calma, tranquila e estava sempre observando os outros, cada movimento para ela representava uma forma de expressão única, e ela achava isso muito divertido.
Enquanto roia as unhas, hábito que ela não se recordava de ter mas estava se tornando bem comum desde ontem, a fila finalmente chegava ao fim. Quando se aproximou da atendente disse, afobada:
- Por favor, eu gostaria do melhor lugar que você tiver para Spring Awakening essa noite!
- Me desculpe senhorita, mas os últimos lugares se encontram na platéia superior, e eu diria que não se pode ver muito de lá. Infelizmente está tudo esgotado. — Ela soltou um sorriso forçado, como se já tivesse repetido aquilo o bastante para estar de saco cheio.
- Tem certeza que não há lugares disponíveis? Eu pago o quanto for por esses ingressos! – Disse um pouco preocupada e mordendo o lábio.
- Infelizmente não posso fazer nada por você senhorita... – ela olhou para Quinn esperando que ela pronunciasse seu nome.
- Fabray, Quinn Fabray.
- Sim, infelizmente não há nada que eu possa fazer, você gostaria de comprar os... – e foi quando a mulher foi interrompida por outra pessoa, uma ruiva muito alta, que usava um terninho preto, tinha os cabelos presos num coque e usava um óculos que a deixava ainda mais profissional.
- Espere – Ela olhava para Quinn de cima a baixo – Qual é o seu nome?
- Quinn... Quinn Fabray — e ergueu a sobrancelha num gesto confuso.
- Sim – ela soltou um sorriso, como se Quinn fosse uma amiga que ela não via a tempos. Depois olhou para a atendente e completou:
- Dorothy, o ingresso que está reservado na primeira fileira está no nome da senhorita Fabray. A própria Rachel pediu para reservar e mais – agora ela olhava para mim – você não precisa pagar por nada, é por conta da casa.
Quinn parecia ainda mais confusa. Aquilo tinha sido muito fofo da parte de Rachel, ela deve ter ficado feliz por saber que eu estava indo assisti- lá. Ou talvez eu só estivesse sendo idiota, e imaginando sentimentos que jamais existiriam pela parte de rach.
Virou-se para a ruiva e disse com seu melhor sorriso:
- Eu agradeço pelo gesto, mas eu gostaria de pagar por ele. – a ruiva se preparava para protestar mas foi interrompida – Eu sei que Berry pode ser muito teimosa quando quer, e provavelmente falou que eu não pagaria de jeito nenhum, mas eu insisto, e isso pode ficar entre nós, ok? – Virou – se para a atendente logo após piscar para a outra, ainda sorrindo abertamente, deixando uma ruiva incrédula e sem saber o que fazer – Quanto eu te devo?
Quinn’s POV:
Talvez tenha sido uma má idéia voltar caminhando. Eu sempre me perdia em meus próprios pensamentos, e acabei perdendo a noção do tempo também. Logo após sair de lá, resolvi que queria comprar um vestido novo, e optei por um azul marinho, bem discreto, apertado e com as costas a mostra. Voltei para meu apartamento, mas antes me aproximei do de Rachel, estava silencioso, obviamente ela já estaria se preparando para mais tarde. Abri meu apartamento e corri para o banho.
Enquanto a água escorria pelo meu corpo, comecei a sentir um frio na barriga. E se Rachel percebesse que realmente me odiava? E se minha presença fosse trazer de volta tudo de ruim que ela sofreu no passado? Balancei a cabeça, querendo negar aquilo para mim mesma. Eu mudaria a cabeça dela, mostraria que aquela Quinn não existia mais. Me enrolei na toalha e já me sentia mais confiante. Com os cabelos pingando, e sem me importar, liguei o computador para pesquisar sobre algum restaurante ali perto. Depois de alguns minutos, soltei um sorriso e revirei os olhos, sabia exatamente aonde a levaria. Rachel iria adorar. Eu acho. Ai meu deus e se ela odiar? Respirei fundo e me levantei da cadeira pronta pra ir me trocar, não poderia me atrasar, queria que Rachel a visse ali, sentada na primeira fileira, sorrindo e mostrando meu apoio.
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Entreguei o dinheiro para o taxista, abrindo a porta logo em seguida, sorrindo e dando um aceno com a cabeça para o senhor de cabelos brancos e aparência cansada.
Estava lotado, e percebi que teria que enfrentar mais uma fila. Bufei e comecei a andar, pude perceber muitos olhares em mim, mas apenas desviava e corava furiosamente, eu não gostava mais de atenção, eu preferia passar despercebida, mas isso nunca parecia acontecer. Eu usava meu novo vestido, um salto e uma bolsa pequena combinando, meus cabelos estavam soltos e propositalmente bagunçados, tinha aplicado uma leve maquiagem e usava brincos delicados. Antes de sair dei uma última olhada no espelho, com certa dúvida, mas agora eu sorria, satisfeita comigo mesma, afinal, todos olhavam para mim, e talvez eu tenha arrumado minha postura e andado ao estilo fabray de antigamente. O que? Eu tenho meus momentos ok?
Quando já chegava ao final da fila, senti uma mão me tocando, logo avistei aqueles cabelos ruivos, facilmente perceptíveis, da mesma mulher de hoje cedo. Quando já estava totalmente virada e a observando, ela disse:
- A senhorita vem comigo. Ordens da diva. Nem tente protestar em relação a isso, não queremos deixar ela irritada, não é mesmo?
Diva? As pessoas já estavam a chamando assim? Isso deve deixar Rachel nas nuvens, eu já podia ver um sorriso convencido estampado no seu rosto. Revirei meus olhos internamente, e disse:
- Tudo bem, eu não queria enfrentar uma fila mesmo. – Dei de ombros e acompanhei-a até outro portão, que dava entrada direto para o backstage. Passei por vários camarins, e tenho quase certeza de ter visto um sobrenome muito conhecido em uma das portas, mas logo esqueci quando avistei uma porta onde estava escrito:” Srta. Berry” e logo em baixo, havia uma estrela dourada enorme.
Soltei um suspiro e não consegui me segurar, revirando meus olhos e soltando uma risada.
- Senhorita, algum problema?
- Nenhum, só que Rachel não mudou nada desde a época que eu a conheci – dei uma pausa – Pode me chamar de Quinn. Desculpe, mas qual é o seu nome?
- Sim, Rachel nunca mudou. Quando a conheci ela era muito ingênua e com o tempo ela aprendeu a ser menos doce, porém ela continua a mesma sonhadora de sempre – Ela me olhou pelo canto dos olhos enquanto continuava a me arrastar para a platéia, e eu fiquei curiosa para saber como ela conhecia Rachel tão bem. – Meu nome é Samantha, sou sua agente/amiga/faz-tudo. – e soltou uma risada, com os olhos brilhando de orgulho.
Senti um incômodo, talvez pelo jeito que ela sorria ao falar da minha pequena ou... espera, rachel não é MINHA! Eu tenho que controlar minha boca, ou melhor, meus pensamentos, já estou criando histórias fantasiosas na minha mente e Rachel nem mesmo confia em mim! Ela deixou isso muito claro ontem.
Samantha ainda esperava uma resposta, mas que logo foi esquecida ao chegarem ao local, ela abriu mais uma porta e me mostrou aonde seria meu lugar, a platéia já estava enchendo, e senti uma pontada de orgulho pela Rachel, afinal, aquilo tudo era pra ela, somente para ela.
Acomodei – me no meu acento e olhei em volta, um casal de velinhos estava ao meu lado, de mãos dadas, a senhora sorriu em minha direção,e dei meu melhor sorriso de volta, achando aquilo muito fofo. Do meu outro lado havia uma garota, com uma expressão que me lembrava Berry nos tempos da escola, olhos brilhando, sorriso de orelha a orelha e respiração ofegante. Não pude deixar de sorrir mais ainda. Aliás, perdi a conta de quantas vezes sorri desde que cheguei aqui. Em lima eu costumava acordar e dormir sem soltar um sorriso sequer. Ela me deixava assim, ridiculamente apaixonada...
Não acredito que falei essa palavra, como uma pessoa pode me deixar assim em apenas um dia? Afundei-me na minha cadeira, e foi quando pude ver as luzes diminuindo, e uma Rachel muito concentrada entrando no palco. Logo pude ouvir a voz que me fizera tanta falta, começando as notas da música “mama Who bore me”, meu coração se apertou, e passei a encará-la, eu mal conseguia ver ou ouvir as pessoas ao seu redor, eu não queria nem piscar! Meu deus, eu estava com vontade de agarrá-la ali mesmo! Pude ver seu olhar procurando alguém... Espera,ela estava me procurando! Quando finalmente me viu, sorriu com os olhos, mas obviamente apenas quem a conhecia muito bem poderia perceber aquele gesto, acenei com a cabeça e ela voltou a se concentrar, como se nada tivesse acontecido.
Estava tudo bem, até eu avistar aquela pessoa. Uma das pessoas que quebrará o coração de Rachel na escola, e eu tenho quase certeza que meus olhos estavam transbordando veneno. Jesse, Jesse St. James, estava entrando no palco, e merda, ele era o par romântico de Rachel! Isso me deixou totalmente irritada, eu mal conseguia prestar atenção no resto, tudo que passava na minha cabeça é como Rachel poderia ter perdoado ele! Será que eles estavam envolvidos? Com certeza sim! Rachel gostava dele, e ainda mais agora, que passava grande parte do seu tempo ao lado dele.
Eu queria sair correndo dali, eu não aguentava mais ficar olhando os dois agindo como um casal, aquilo me tirava do sério, e quando eu achei que nada poderia ficar pior, aquela cena começou... Jesse estava em cima do corpo delicado de Rachel, e abria seu vestido, eu podia ver seus seios, e corei violentamente, olhando para qualquer lugar, menos na direção daqueles dois. Eu estava com nojo daquilo, sabia que era tudo falso, tudo encenação, mas só de imaginar que eles poderiam estar se relacionando na vida real, eu tinha vontade de socá-lo. Respirei pesadamente e quando olhei de volta para o palco, pude ver a cena sendo finalizada, com Rachel soltando um gemido de prazer quando Jesse a penetrava falsamente, óbvio.
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