A Garota Sem Nome - Conto
1 Capítulo Único
Notas iniciais

Era uma vez…
Escreveu a garota num pedaço de papel amarelado. Pela milésima vez suas mãos frágeis envolveram o papel, o amassaram suavemente e o jogaram no cesto de lixo em um canto do quarto.
Um dia…
Ela tentou novamente, e o cesto de lixo recebeu de braços abertos mais uma bolinha de papel.
A garota resmungou e coçou o alto de sua cabeça. Uma leve brisa entrou pela janela fazendo tanto a cortina como seus longos cabelos dourados se moverem.
Mais uma vez! Decidiu ela pegando outra folha. A garota encarou o papel em branco e percebeu como sua mente estava vazia. Como não havia nenhum conjunto perfeito de palavras para que ela os escrevesse e finalmente conseguisse dar vazão aos seus pensamentos.
A ultima obra… Sussurrou ela para o silencio noturno. A lua brilhava baixo no céu. Já estava amanhecendo e ela não escrevera uma palavra sequer.
Outra brisa brincou com seus longos cabelos e ela fechou seus olhos escuros para assim saborear melhor a leve brisa da madrugada e sentir os doces raios do luar.
Amanhecer…
Com um suspiro a garota abriu seus olhos escuros, tão escuros que pareciam ser negros, mas na verdade eram de um azul tão escuro quanto o azul meia noite.
Ela sorriu largamente e começou a escrever, dando assim palavras ao seu sentimento, colocando no papel todas aquelas palavras maravilhosas, magicas que brincavam de esconde-esconde em sua mente. Quando finalmente acabou ela sorriu.
Estava acabado...
Era sua ultima obra, e como as outras, só iriam ler depois que ela morresse.
Com a vida se esvaindo de seus olhos escuros ela começou a divagar.
Até podia ler as manchetes.
Imaginou quantas pessoas a conheceriam apenas por causa daquela manchete, imaginou se alguém leria sua ultima obra ou as outras e desejou com seu ultimo fio de vida que as pessoas apreciassem seu trabalho, pois senão seria tudo em vão.
Era uma garota sem nome, sem vida, sem alegria.
Era uma garota com a meia noite nos olhos e o ouro em seus cabelos.
Era uma garota tão bela quanto feia.
Era uma garota que ninguém conhecia.
Era uma garota que manchou de vermelho o papel amarelado e velho,
Era uma garota que se sentia torturada pelas palavras,
Era uma garota sem nome, e ninguém se importa com uma garota sem nome…
Seus negros olhos se fecharam lentamente e ela deu um ultimo suspiro.
Finalmente, a garota sem nome se sentia feliz…
Finalmente havia acabado...
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