Notas iniciais
Boa leitura.

— Quem é aquela pessoa ali? — Pergunto ao meu companheiro.

— Aquela é a garota reta, que não sabe amar, não sabe dançar, não serve para nada.

A garota se aproxima de mim, vinda do meio das árvores.

— Quem é você? — Pergunto.

— Eu sou a garota reta, aquela que não tem nenhuma serventia.

— De onde você veio?

— Eu vim do mato, de lugar nenhum.

— O que você quer?

— Eu não tenho peitos, por isso me chamam de reta.

— Por que te chamam de garota?

— Porque me consideram como sendo uma garota.

— Por que você existe?

— Eu não existo.

— Como você está aqui?

— Eu vim de metrô.

Meu companheiro some de repente, sem que eu perceba. Encontro-me sozinho no bosque com a garota reta. Seu rosto parece embaçado. Peço a ela que me leve a algum lugar. Ela me puxa pelo pulso e me leva para frente. Vamos passando sobre o piso de paralelepípedos.

Penso se está dia ou noite; estão os dois ao mesmo tempo. O Sol está para na minha esquerda e a Lua na minha direita. O céu está nublado e há neblina em toda parte.

— Para onde você está me levando?

Ela não responde.

Pergunto novamente, mas ela inda não responde.

— Para onde você está me levando? — Pergunto pela terceira vez.

— Para o inferno.

Meu coração dispara. Meus olhos se enchem d’água. Puxo meu braço e me desvencilho dela, que me segurava o pulso com a ponta dos dedos (indicador e polegar).

— Você não pode me levar para lá.

Ela se vira e fica me encarando, apesar de não ter cara.

— Você não vai me levar lá. — Começo a chorar.

— Ok. — Ela aceita e começa a derreter.

Meu corpo todo se enverga para baixo, perplexo. Ela some e em seguida vejo-me cercado de várias dela.

— Vão embora!

Elas nem se mexem.

— Vão embora! — Repito.

Um lobo muito bravo, com a boca cheia de espuma, os dentes para fora, o pelo marrom espetado, parecendo um desenho animado, sai de dentre as árvores e morde todas elas, que desaparecem.

O lobo vem até mim, manso, se senta aos meus pés e pede carinho. Faço um cafuné na sua nuca e ele fecha os olhos. Eu o levanto. Ele fica de pé como uma pessoa e eu lhe abraço fortemente. Não sei se ele chega a virar uma pessoa real, mas logo some e fico sozinho novamente.

Me viro para uma árvore ao meu lado e a abraço. A árvore me abraça de volta.

Notas finais
Deixe o seu comentário, ele será sempre bem aceito.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!