A Garota Que Sugava Almas.

3 3. Idiotas estão em todas as partes.


Notas iniciais
Capítulo editado em: 21-01-14

3. Idiotas estão em todas as partes

Lágrimas de raiva, ódio e desespero escoriam de meus olhos a minhas bochechas enquanto eu corria pelas ruas vazias de minha pequena cidade. O clima frio que eu adorava, o pôr do sol em lindos tons de laranja e vermelho e o vento que brincava com meus cabelos passavam despercebidos enquanto eu me afogava em minhas próprias lágrimas frias.

— Inúteis! Inúteis! — gritei para o nada, raivosa — eu estou cercada de inúteis!

Não estava preparada psicologicamente para voltar em casa, para olhar no rosto de meu pai, parte de mim o culpava pela morte de meu bichano, eu sabia disso.

Diminui meus passos até me ver caminhando lentamente sem rumo. Avistei não muito distante uma pequena praça onde alguns meninos andavam de skates e exatamente duas crianças corriam alegremente em círculos.

Respirei fundo o ar fresco me sentando em um dos bancos do local, me acalmando. A sensação de meus braços nus queimando por conta do frio que fazia se tornava inconveniente, mas nada insuportável.

Fechei meus olhos esperando que aquilo tudo não passasse de um pesadelo e eu finalmente acordasse com minha mãe me chamando para me aprontar para escola.

Doce ilusão.

— Caramba! Você é masoquista, garota? — uma voz me fez despertar de meu cochilo não planejado — Você vai congelar com essa camiseta.

Levantei meus olhos e me deparei com um menino vestido de jaqueta xadrez e uma bermuda uns cinco números maiores que ele, provavelmente seria algum dos idiotas de minha nova cidade que eu anda não conhecia.

— Sim, eu sou — revirei os olhos diante de tanta besteira — está esperando o que para me algemar e me fazer de sua escrava sexual?

— Está falando sério? — seus olhos brilharam em um sorriso — Que massa!

— Argh! Não seja tolo — soltei um rosnado, literalmente. — Vá embora, estou irritada, achei que isso fosse visível.

— Eu acho que fui mesmo um pouco tolo — ele riu de si mesmo. — Me desculpe.

— Um pouco tolo? — interroguei, me levantando. — Isso foi o cúmulo do eufemismo.

— Por que está indo embora?

Virei as costas enquanto o menino resmungava algo para si mesmo, embasbacado.

A neblina que se formava no caminho de volta para minha casa dava a rua um ar de mistério, o que me deixava relaxada a ponto de quase me esquecer do que acontecera a poucas horas atrás.

Quase.

O jardim de minha casa estava totalmente tomado por neblina e o silencio que tomava conta do lugar denunciava que não havia ninguém na mesma. A probabilidade de meu pai ter levado Jaxon para escola fora do horário era alta.

Subi para meu quarto que parecia cada vez mais vazio e solitário sem meu bichano.

— Agora somos apenas nós, — falei olhando em direção a boneca com olhinhos brilhantes que tinha em minha cama — eu e você.

Enquanto eu tirava meu uniforme, dominada por uma irritação crescente e sem motivo um grito ensurdecedor ecoou em meu quarto, vindo de algum lugar bosque adentro.

Um frio passou pela minha espinha me arrepiando por completo ao reconhecer de quem era aquele grito infantil.

Desci as escadas e sai pela porta de minha casa com grande rapidez, meu desespero de ter acontecido algo grave com meu pequeno irmãozinho fora tão grande que nem havia me dado conta que não terminara de mudar minhas roupas.

Eu sabia que aquele bosque era traiçoeiro, a cena de meu gato morto me dizia aquilo, e a última coisa que eu desejava era ver essa cena outra vez, agora com o pequeno Jaxon.

Meu estômago embrulhou ao ter esse pensamento. Um raio não cai duas vezes no mesmo local, certo?

Convenci-me de que nada de muito grave poderia te-lo acontecido e a probabilidade de eu ter me enganado sobre de quem o grito pertencia poderia ser grande.

Continuei caminhando, agora mais lentamente, já que estava mais "calma".

Havia um buraco na cerca que servia de fronteira entre meu quintal e o bosque, o que facilitou minha entrada e me poupou alguns minutos.

Enquanto andava pelas folhas secas e galhos que cobriam todo chão do local me deparei com a mesma árvore onde Pec estava morto pouco tempo atrás e para minha surpresa não havia nenhum vestígio do homicídio. Nenhum cadáver e nenhuma gota de sangue sequer.

Engoli em seco tentando ignorar aquela cena assustadora.

— Doroth! — Uma voz trêmula clamava socorro enquanto gritava pelo meu nome — O monstro me empurrou de minha bicicleta.

Ao levantar o olhar vi que Jaxon estava caído no chão com um corte profundo em seu joelho, mas nada que me parecesse muito grave para levar ponto.

— Oh, meu Deus! — corri em seu encontro para ajudá-lo. — Não se preocupe, você apenas caiu. Deixe-me limpar isso aqui.

Um pedaço de vidro estava encravado em sua pele fazendo com que o corte se abrisse cada vez mais, apesar de nunca ter visto nenhuma garrafa ou objeto de vidro pelo bosque.

Poupei-me de pensar sobre o assunto e retirei o objeto do joelho de meu irmão que urrava de dor e enrolei um pedaço de sua bermuda no ferimento na intenção de fazer o sangramento estancar.

— Foi o monstro sim! — As lágrimas que caiam de seus olhos eram tantas a ponto de deixar sua camisa molhada — Eu vi! Eu vi!

— Não existem monstros, quantas vezes vou ter que lhe falar? — Falei pausadamente controlando a irritação visível em meus olhos. — Vá para casa que eu vou atrás levando sua bicicleta, anda!

O olhei correr em caminho para casa até vê-lo sumir em meio a neblina que tomava a entrada do bosque.

Fechei meus olhos sentindo a agradável brisa que tinha somente naquele local, eu estava acabada, farta de tudo aquilo, e não esperava o momento em que tudo se resolvesse.

Dona Maggie, a mamãe, sempre dizia que eram necessários muitos momentos ruins para finalmente surgir muitos momentos bons e que a chave de tudo era a paciência.

Um rangido alto surgiu atrás do arbusto de folhas amareladas e compridas que havia em minha frente interrompendo meus pensamentos de autoajuda.

Caminhei em passos lentos até o local e ao levantar o olhar para a árvore que estava em minha frente pude ver nitidamente como em uma cena de filme de terror.

A cabeça da boneca que estava em minha cama minutos atrás estava lá, pendurada, olhando bem no fundo de meus olhos.

Aquilo era coisas da minha imaginação, tudo por conta do cansaço, certo?

Fechei meus olhos por longos segundos na esperança de que quando os abrissem novamente aquilo haveria sumido.

Mas não.

Quando os abri me deparei com algo muito pior. Na árvore agora não tinha apenas a cabeça da minha boneca, mas também escrito com um vermelho forte que eu conhecia bem a frase que me atormentara.

“ Agora você está sozinha”

As letras que escorriam pelo tronco da árvore estavam escritas com sangue.

Sangue fresco.

Notas finais
Críticas? Elogios? Digam suas opiniões, quero 5 reviews, será que conseguimos? hein, hein? haha Beijos da Juh *3*