Depois que Stefan e Damon se tornaram vampiros, voltei para Nova Orleans, onde adotei a identidade de Juliette James, a dona de uma adega muito cultuada na cidade e que frequentemente recebia visitas das famílias ricas e ilustres, como os Mikaelson por exemplo. Certa manhã, o movimento na loja ainda continuava lento e monótono, até que um cliente, vamos dizer, ilustre, cruzou as portas do estabelecimento.

– Bom dia senhorita James. Como anda a loja?

– Um pouco movimentada além do esperado por causa da virada do século. O mesmo vinho de sempre sr Mikaelson? — minha loja também era uma espécie de bar.

– Ainda tem daquele vinho 1702? E, por favor, me chame de Kol.

– Desculpe-me, Kol. Soube que andou causando na Igreja há umas duas semanas.

– Quem te contou? — Ele perguntou, mudando o tom de voz.

– Bruxa... Vampiros... Lobisomens... Todos eles falam Kol.

– Então, Juliette, gostaria de ir á festa da virada do século que meus irmãos e eu faremos hoje a noite?

– Claro, eu adoraria, Kol. — Sorri.

– Está muito bonita hoje.

– Obrigada, mas não caio no seu charme.

– Não cai, nem nunca caiu, não é mesmo Katia?

– Quem é Katia?

– Não me engana Kats, eu te conheço desde que nasci.

– Há quanto tempo você descobriu?

– Percebi pelo jeito como olha para Elijah. Você sempre o preferiu em relação ao Finn,ao Nik e a mim.

– Kol Mikaelson, não me diga que está com ciúmes igual a Rebekah?

Ele riu.

– Então, aceita meu convite, Katia?

– Sim, será uma festa formal, não é mesmo?

– Sim.

– Elij e Nik sabem sobre mim?

– Não.

– Kol, por favor, pode deixar que eu mesma conte isso hoje a noite.

Ele sorriu.

– Como quiser, minha querida Katia.

– Posso lhe contar uma coisa? — Ele assentiu. O levei até os fundos da loja. — Quando você naceu, eu segurei você. Você olhou bem nos meus olhos e como se me obrigasse, eu acabei sorrindo.

Ele acariciou meu rosto e me beijou.

– Espero poder ser seu um dia. — Ele saiu da loja num piscar de olhos. Depois que ele me visitou, Elijah e Klaus também apareceram na loja.

– Olá Juliette.

– Olá rapazes, o que querem para hoje? Vinho ou absinto?

– Está louca Juliette? — Exclamou Klaus, rindo. — Claro que queremos vinho para hoje a noite.

– A festa de fim de ano, não é mesmo?

– Já vimos que se espalhou pela cidade.

– Kol veio até aqui hoje mais cedo e me contou. — Peguei um copo de vidro em que Kol havia bebido vinho, o lavei e o sequei.

– Juliette, gostaria de ir a nossa festa como convidada de honra? — Convidou Klaus. Dei uma risadinha.

– Kol me convidou também.

– Ele nos contou.

– Que me convidou?

– Por que você voltou? — Klaus me atacou. — Me responda! Por que voltou?

– Niklaus! — Elijah gritou. — Solte-a.

– O que houve com você, Nik? Você não é mais o mesmo menino.

– Por que você voltou? Elijah me contou que você esteve aqui há mais de 80 anos atrás.

– Por que eu senti falta dele. Elijah, você foi meu único e primeiro amor. Eu te amo, meu menino. Mas Nik, sempre amei seu irmão mas nunca deixei de gostar de você. Não se lembra? De como Mikael e eu duelamos por que não gostei do que ele iria fazer com você? De como eu tive chance de o matar mas não o fiz. Se eu o tivesse matado, muitas coisas seriam diferentes. E vocês não seriam vampiros e a criança que espero do Elijah nunca a conheceria como ele quer que ocorra.

– Já sabe o sexo?

– É uma menina.

– E qual é o nome dela? — Perguntou Elijah.

– Alissa Nicole. Nicole em homenagem a você, Nik. — Ele sorriu. — Tem muita coisa sobre mim que seus irmãos e você não sabem e que eu faça questão que não saibam.

– Como o quê por exemplo, Katia? — Perguntou Klaus.

– Elijah foi meu primeiro amor e o motivo que me fez assumir a forma de uma criança novamente. Digamos, que ele me fez voltar a ser como eu era antes. Seu irmão,Klaus, fez eu me sentir viva de novo, em outras palavras, me trouxe de volta da escuridão, da solidão e da agonia que foi passar mil anos sozinha antes de conhecer vocês.

– Acho que não fui o único motivo para você se parecer com uma criança.

– Não, você não foi.

Kol cruzou novamente as portas da adega, dessa vez, junto de Finn.

– Katia? — Finn parecia não acreditar no que seus olhos viam.

– Oi jovem Finn. Há quanto tempo.

– Então, Kats... — Começou Klaus. — Com é ter os quatro irmãos Originais perdidamente apaixonados por você?

– Eu... — Hesitei, não sabia o que falar diante de Finn,Elijah,Klaus e Kol. — É muito confuso, não sei como agir e sinceramente, depois do que eu vi na noite do massacre da aldeia, eu sinto medo.

– Ah, vamos lá Kats. Você sempre fora muito corajosa e gentil conosco mesmo depois daquela noite. — Disse Kol, sorri.

– Eu fui gentil com vocês porque eu sentia pena do que aconteceu naquela noite. Mas mesmo que eu tenha sentido pena, pude ver de olhos arregalados quando Klaus e Kol mataram e se alimentaram naquela fatídica noite. Fiquei horrorizada ao ver as veias em volta dos olhos de Kol se materializarem juntas com as presas; Por um milésimo de segundo, tive vontade de fugir, desaparecer para que vocês pensassem que eu havia morrido durante o incêndio.

– Nos perdoe pelo que viu naquela noite, mas só queremos você de volta. — Implorou Klaus.

– Não posso, vocês não são mais os mesmos. Elijah e Finn ainda dão para reconhecer,mas você e o Kol, Klaus; Não. Eu realmente sinto muito por isso. Vocês perderam muita coisa naquela noite, incluindo a minha amizade.

– Katia, por favor, deixe-me mostrar que ainda sou o mesmo garoto de quem você gostou.

Olhei nos olhos dele e percebi que ele realmente queria aquela chance.

– Está bem, Nik. Mas esta será minha única segunda chance.

– Obrigado, Katia. — Ele pegou em minha mão. — Poderia nos ceder algumas taças para a noite?

– Sim, de quantas acham que serão necessárias?

– 70. — Disparou Kol.

– Não vai sair barato. 3479 doláres.

– Tudo bem, nós pagamos.

– Têm certeza, rapazes?

– Mas é claro. — Afirmou Elijah. — E, apropósito, será uma festa de gala.

Depois que eles saíram, eu fechei a adega e fui para a minha casa, nos fundos dela. Escolhi um vestido vermelho estrilo Jessica Rabbit:

Me maquiei, usei o bracelete de presente de minha avó e depois fui para a festa acompanhada dos empregados dos Mikaelson, que estavam a carregar as taças de vinho.

Quando chegamos na mansão, todos pareciam ter os olhos virados para mim, inclusive os quatro irmãos Originais.Klaus se aproximou de mim, trajando um smoking.

– Está deslumbrante esta noite, Katia.

– Obrigada, Klaus. Está,digamos, encantador. — Ele beijou minha mão, corei.

– Quer um drink? — Perguntou Kol, me levando até a mesa com doces,salgados e bebidas.

– Com prazer.