A Garota Problema

42 Caminhos diferentes...


Notas iniciais
HELLO!!! Meus amores vocês não sabem como estou emocionada, HOJE FAZ 1 ANO DE AGP! e.e.e.!! Meu, muito obrigada por todo o apoio até aqui, eu amo cada uma de vocês, até as que não conheço ❤❤ e não sei como conseguem ler o que eu escrevo ;) Mas enfim, muito, muito, muito obrigada por tudo ate aqui e vamos de atualização para comemorar? Ahaha PS: não me matem pelo capítulo! Ps2: QUERO VER CHOVER DE COMENTARIOS!!!!!!

Foram tudo questões de horas. E pelo que parece, um rumo de uma vida pode mudar nessas horas.
Eu havia desligado o despertador do quarto, para que as meninas e Pablo não acordassem a tempo. Tudo bem se os meninos no outro quarto conseguissem acordar antes, eu não estaria mais aqui mesmo. Para mim, não havia necessidade de despedidas quando eu não tinha a certeza se iria voltar a vê — los. Foi por isso que rapidamente e silenciosamente acordei cedo e me preparei, depois arrastei sem fazer barulho minhas malas para fora do quarto e caminhei até a cama de Laura, depositando um beijo em sua cabeça. Depois na de Bler e enfim na de Pablo. Eles iriam ler as cartas que deixei, por isso não iria no quarto dos meninos.
Me afastai das camas e caminhei até a porta, colocando a mão na maçaneta, mas não estava pronta para puxar e sair, indo embora. Meus olhos vagaram pelo quarto, tentando decorar cada mísero detalhe que seja pois eu sabia que daqui a alguns meses tudo iria sumir, não me lembraria como o closet é tão apertado por conta das roupas escandalosas de Pablo, ou o quanto minha cama é confortável. São coisas que com o tempo a consciência humana esquece, e eu não queria esquecer.
Mas bem, respiro fundo e com um último olhar puxo a maçaneta, saindo em seguida. A primeira coisa que meus olhos capturam é os corredores vazios a essa hora da manhã. Seguro firmemente nas alças das duas malas de rodinhas e saio as puxando, meus passos ecoando pelo corredor vazio. Desvio de uma pilastra e ao chegar no corredor dos armários olho para o chão, é mais fácil não deixar que as lágrimas caíam quando se tem algo para focar o olhar. Ao final do corredor, vejo a claridade da manhã lá no pátio e minha garganta começa a apertar, meus olhos pinicam com mais fervor e os soluços tentam escapar.
Respire fundo Juli, respire fundo.
Giro o corpo olhando para trás e percebo o quão só estou. Lembro — me de todos os momentos vividos aqui, das brigas, de todas as vezes que fui para a diretoria, da tia da limpeza que é muito legal, das quintas — feiras onde é servido Risoto no refeitório, de quando um dos meninos me carregava na carcunda, de quando conheci o idiota do Vicente, da primeira vez que entrei no quarto e me deparei com uma ruiva que era a Laura... Pequenas lembranças que carregarei comigo a vida toda.
E havia eles, as pessoas, meus amigos que eram como uma família para mim. Eu estava os deixando para trás, sem despedidas. E o pior, mas que ao mesmo tempo era mais especial, Vicente; o único garoto que fez meu coração acelerar como nunca, que me fez entrar e sair de tantas confusões mas que também me fez ficar apaixonada. Como o amor é maluco e meloso!

Um sorriso trêmulo se forma em meu rosto e dou meia volta, agarrando nas malas e saindo logo pela porta. Já no pátio, enquanto caminho em direção aos grandes portões olho para o chafariz e vejo alguns pombos ali bebendo água, pelo menos eles podem continuar aqui.
Uma lufada de vento passa levantando meus cabelos e assim que meus olhos se focam na senhora do portão o meu peito aperta ainda mais. Dona Nastacia, a avó que eu sempre quis trocar pela minha, a senhora que faz o bolo mãos gostoso, a mulher que deixou uma adolescente problemática invadir seu apartamento.
Passo pelo segurança que nunca falou comigo, mas que sempre esteve em seu posto. Na verdade eu sabia o nome dele, Call.

– Adeus Juli — ele disse, as mãos cruzadas atrás das costas e a expressão rígida.

– ATÉ Call — corrijo sorrindo para ele, que faz boca de riso mas logo volta a expressão rígida.

Balanço a cabeça e saio pelos protões, encontrando os olhos protuberantes de Dona Nastacia me encarando. Ela abre os braços e eu vou até ela, soltando as malas e a abraçando.

– Não acredito que irá embora, menina Juli — ela diz, a voz falhando.

– Nem eu. — confesso.

– As despedidas podem ficar para depois se não o coração dos velhos não aguenta — ouço falarem atrás de Dona Nastacia e levanto os olhos.

– Arthur!

– Sim, sim menina. — ele diz — Quanto tempo, não?

– O que está fazendo aqui? — pergunto

– Tinha que vim me despedir da melhor patroa que já tive — ele pisca e eu sorrio.

– Não quero pensar em despedidas Arthur.

O senhor sorrir, mostrando as linhas de rugas formadas ao redor de seus olhos.

– Então não precisa ter — diz — Agora, entrem.

Dona Nastacia e eu nos entreolhamos e entramos na limousine preta estacionada ao lado, enquanto Arthur pega minhas malas e as põe no porta — malas. Outra pessoa que eu deixaria para trás, o melhor motorista que já tive. Fiquei até surpresa por ele ter voltado das férias já.
Mas enfim, assim que ele entra no carro e liga, encosto a cabeça no banco do carro e fecho os olhos, querendo que as horas demorem a passar. Enquanto isso, sinto Nastacia apertando minha mão, uma maneira de me confortar.

...

E havia chegado a hora. Esperei quarenta minutos e agora já haviam chamado o número do meu vôo com destino ao Canadá. Levantei da cadeira puxando as malas e olhei para a velhinha e o velhinho, um ao lado do outro.
Resolvi que falaria com Arthur primeiro, ele parece menos triste do que Nastacia.

– Arthur — seguro suas mãos — Você é o melhor motorista que alguém pode ter. Você é um homem incrível que foi tipo um tio para mim, obrigada por ter me levado aos lugares mais estranhos e ter poupado que eu pegasse ônibus cheios.

Ele sorri, me abraçando em seguida.

– Eu que agradeço menina, não sabe como as férias que me deu me fizeram bem. — ele ri me soltando — Mas eu que agradeço por tudo, vá com Deus e obrigado Juli.

Sorrio respirando fundo e beijando a bochecha de Arthur.

Olho para Dona Nastacia que já estava aos plantos enquanto me olhava.

– Dona Nastacia — digo, chegando perto dela e a abraçando — Eu não tenho nem palavras para lhe agradecer. Mas obrigada, por tudo. A senhora foi como uma avó para mim, e saiba que ficará guardada em meu coração eternamente.

– Ah Juli — ela soluça — Você não sabe o quanto fez essa velha aqui feliz minha filha. Obrigada por ter aparecido e vou sentir muita saudades sua, e ah, se cuide e mande um beijo para seu pai e minha filha.

– Pode deixar — pisco secando as lágrimas dela e as minhas.

Rimos e a voz repetindo que o vôo com o destino para o Canadá já irá sair. Reviro os olhos, que vontade de mandar essa mulher ir se danar ( para não dizer outras coisas).
Me Afasto de Dona Nastacia e volto a agarrar nas malas, dando um último beijo na testa dos dois e indo em direção a plataforma de embarque.
Olho para trás uma última vez e vejo os dois acenando, com lágrimas nos olhos. Volto a olhar para frente e mordo o lábio, não vou chorar, não vou chorar...

Agora estou sentada na poltrona do avião que ainda não decolou e sinto um torpor no corpo. Parece que minha mente ainda não processou o que está acontecendo, o que estou deixando para trás, parece que tudo é irreal.
Suspiro... Fecho os olhos e encosto a cabeça no vidro ouvindo o burburinho das pessoas do avião.
Meu celular começa a tocar e eu abro os olhos, franzindo o cenho e o pegando.
Na tela aparece o nome "Pablo" e faço careta, com certeza ele e todos devem estar querendo me matar agora.

– Alô? — atendo espiando para ver se a aeromoça vem

– Olha aqui sua lambisgóia, deveríamos te matar, mas não vamos fazer isso — ele berra no telefone que eu afasto do ouvido.

– Pablo eu só não...

– Calada! — ele interrompe — Agora ou você desce desse avião e vem se despedir da gente, ou entramos aí e te arrastamos pelos cabelos.

Arregalo os olhos e olho pela pequena janelinha do avião, vendo oito figuras acenando freneticamente e gritando. Abro a boca e deixo o celular cair no banco, sentindo meu coração saltar cada vez mais e meu peito se encher de gratidão. Eles vieram atrás de mim, mesmo eu fazendo de tudo para evitar despedidas.
E só há uma coisa a fazer para retribuir.

– Senhorita, senhorita por favor não saia do avião — ouço a aeromoça falando, mas ignoro.

Mesmo ouvindo todos os protestos das pessoas no avião corro para fora dele e corro ainda mais quando vejo meus amigos pulando e comemorando. Ponho um sorriso no rosto e me jogo para frente, aonde eles me pegam e me abraçam em grupo

– Que ideia absurda foi essa de ir sem se despedir? — Bler se pronuncia irritada e com os olhos vermelhos.

Todos me encaram ainda abraçados.

– Tá legal, eu sei que foi bobagem mas eu só não queria despedidas — digo, piscando no final por conta das lágrimas.

– E iria deixar a gente morrendo de saudades? — Marcelo diz.

Balanço a cabeça e volto a abraçar a todos apertadamente. Eles riem enquanto falam todos juntos.

– UM DE CADA VEZ! — Berro.

– Eu primeiro — Laura declara — Só queria dizer que vamos sentir muito a sua falta e que você é a melhor amiga que eu poderia ter tido. E ah, graças a você Tomás e eu estamos juntos.

Gargalho beijando a bochecha de Laura, enquanto nós duas lutamos contra as lágrimas.

– Minha vez — André diz — Eu não tenho muita coisa para falar Juli, Laura já disse tudo. Mas quero que saiba que sem você nosso grupo não vai ser mais o mesmo, vamos sentir saudades.

Sorrio o abraçando e André volta para o lado de Bler.

– Bem, eu já estou chorando dona Juli — Bler diz, me fazendo rir — Mas é sério, você foi muito boa amiga e vamos sentir sua falta... Acho que não consigo terminar isso. Mas bem, sabe que sempre será bem vinda em nossas vidas, e na de alguém especial hein?

E Bler filha da mãe pisca para mim me fazendo balançar a cabeça e todos rirem. Nem preciso dizer que ela está se referindo ao irmão.

– Primeiro queria agradecer a Juli por fazer a Laura tomar uma iniciativa e me acordar para a realidade — Tomas diz, com um sorriso bobo no rosto — Mas não é querendo repetir o que todos estão dizendo, mas você é a melhor Juli, e tenha certeza que fará falta.

Sorrio abraçando ele. Coitado do Tomás, também se não fosse por minha causa ele não teria ganhado uns bons tapas da namorada. Mas bem, minha missão cupido até que deu certo.

Vejo um sorriso maroto se formar no rosto de Gustavo assim que a vez dele chega, lá vem!

– Só queria dizer que eu poderia estar dormindo, tocando, comendo ou dormindo de novo, mas preferi vim me despedir da baixinha — todos riram e eu ponho a não no rosto — Mas ei Juli, é uma boa causa! E como não sei o que dizer, você é muito doida baixinha, é. Mas tem um bom coração, e cozinha bem e ... Ah meu deus, eu vou chorar. — sorrio com o jeito atrapalhado dele — Mas isso está ficando gay e eu sou macho, então vamos te perrubar por ligação Juli.

Reviro os olhos e vou abraçar Gustavo, que me tira do chão me rodopiando.

– Eu posso não ser amiga da Juli há muito tempo, mas sei que ela é uma boa pessoa. Apesar de todas nossas brigas e armações ela me perdoou, e eu fico feliz com isso.
A verdade é que ela não é como eu pensei que seria, ela é melhor do que isso. E me desculpe Juli, por tudo e ah, quero que você seja muito feliz. — Melissa diz, os olhos brilhando enquanto funga.

Abro os braços e ela vem até a mim, me abraçando apertado. Respiro fundo e olho para Marcelo atrás dela, que observa toda a cena.

– Lembrei de uma coisa — sussurro para Melissa — Aposto como você já leu a carta, por isso faça o que está escrito nela e ah, se declare logo para ele mulher.

Ela arregala os olhos e cora instantaneamente. Balanço a cabeça e abro um sorriso malicioso, feliz por ter acertado.
Enfim, Melissa volta para o lugar dela envergonhada e vejo que é a vez de Pablo, danou — se.

– Chegou minha vez — ele diz, vindo rebolando até a minha frente — De todas as pessoas que já conheci, você é a melhor Juli, minha mona! Você é poderosa garota, conquista cada boy magia que só deus e é uma grande amiga... Já deixo avisado que se conhecer uma amiga melhor do que eu, te mato sua perua, pois você sabe que eu sou estrela e o resto das vadias são purpurinas. Ta, mas eu vou sentir muito a sua falta baby, você não sabe como meu coraçãozinho vai ficar e....

– Pablo daqui a pouco o avião decola sem ela — Marcelo interrompe — E eu preciso me despedir.

Sorrio, só Marcelo para ter coragem de interromper a bicha do Pablo numa horas dessas.

– Afss — Pablo murmura, me abraçando e beijando minha bochecha estalado.
O abraço apertado de volta e o solto, vez do Marcelo.

– Então... Quero que tome cuidado, que não faça novos melhores amigos e que sempre lembre de mim pequena. Vai ser difícil ficar sem você e eu... — ele me abraça, aterrando o pescoço no meu cabelo e eu sinto o nó na garganta voltar.

– Marcelo, também vou sentir sua falta.

– E você sabe que sempre vou estar aqui, te amando Juli — ele levanta a cabeça e seus olhos brilham ao fitar o meu.

Suspiro... Marcelo não merece alguém como eu. Eu não posso o amar da mesma forma, não da.

– Eu agradeço por isso — digo — , mas conheço alguém que pode te fazer muito mais feliz.

Meu olhar segue até Melissa que ajeita sua saia e Marcelo me acompanha, vendo a quem estou me referindo.

– Ah — ele diz, como se já soubesse — Ela já foi a melhor amiga da Isabela.

– E o que que tem? — arqueio a sobrancelha — Dê uma chance.

Ele balança a cabeça e eu sorrio, voltando a abraçar meu melhor amigo.
E é aí que meus olhos correm para trás dele, para trás de Bler, para trás de todos ali... Mas não o encontram. Ele não veio, não veio.
Meu coração se aperta mais e uma dor se instala no meu estômago. Meus olhos se enchem de lágrimas e um soluço baixo me escapa.

– Ele não quis vir — Marcelo diz, baixo — Mas me pediu para lhe entregar isso.

Ele estende um envelope para mim e eu arregalo os olhos. Não por Vicente ter enviado algo para mim, mas por ter pedido isso para Marcelo. Engulo em seco e olho para o envelope, o pegando e segurando firme.

– Obrigada — digo acariciando seu rosto e ele beija minha mão.

Ao longe ouço o grito da aeromoça me pedindo para retornar e reviro os olhos. Marcelo segura minha mão a afagando e logo depois me solta. Me viro para todos ali e damos mais um abraço coletivo, logo em seguida corro até o avião e antes de entrar aceno para todos. Eles retribuem o aceno.
Passo pela aeromoça e levanto o dedo do meio para ela, o que a faz ficar vermelha enquanto caminho até a minha poltrona.
Me sento e ouço a voz do piloto e em seguida olho para fora da janela, aonde vejo as pessoas que amo me verem partir. Uma lágrima cai quando o avião levanta vôo.

E me lembro do envelope que ainda está na minha mão. Abro com as mãos tremendo e vejo que dentro tem um papel dobrado, retiro de dentro e abro, lendo o que está escrito.
É a letra da música que Vicente compôs para mim, e ao fim ele diz que é realmente feita para mim.
Meu celular apita e o pego, vendo que se trata de uma mensagem.

"Aposto que nesse momento você deve estar sentada no avião, então resolvi te mandar isso agora.
Você já deve ter percebido, eu não fui me despedir de você. Eu sei, fui um covarde mas preferi assim Juli, e você sabe que nós dois fomos covardes pois esse nosso amor — você sabe que nós dois nos amamos — poderia ter se concretizado, mas fomos covardes e negamos isso a nós mesmos.
Agora não há mais nada que possamos fazer, trilhamos nosso destino que infelizmente é separado. Mas se te mando esse SMS é porque queria que você soubesse, nem que seja no último momento mesmo, que você foi a melhor coisa que poderia ter acontecido na minha vida Júlia Lacoste. Obrigada por ter revirado minha vida de pernas para o ar, eu gostei. E se você quebrou meu coração tantas vezes não tem problemas, acho que ele sempre foi seu mesmo.
E não vai ter Isabela nenhuma ou alguém que faça eu me esquecer de você Juli, você foi a garota por quem eu me apaixonei, mesmo que sem perceber e quando se ama de verdade, se procura fazer o melhor para a pessoa amada e se te deixei ir foi por isso, sabemos que talvez essa nossa paixão só fosse nos magoar mais do que já somos magoados.
Mas quero que saiba de uma última coisa nanica, vamos voltar a nos ver. Não importa onde, não importa quando, mas sei que voltaremos a aprontar.
E ah Juli, você será eternamente a Minha Garota Problema, a causadora das mais belas confusões e problemas da minha vida e aquela garota do cabelo roxo que fez meu coração bater irregular.
Com amor ( e sem despedidas ) Vicente, ou idiota como você prefere.

Levo a mão a boca e sinto as lágrimas quentes escorrendo. O celular desliza para o meu colo e eu encosto a festa no vidro da janela, minha vontade agora é de parar esse avião e voltar correndo para Vicente, para seus braços que sempre me acolheram.
Mas como ele mesmo disse, trilhamos caminhos diferentes e tudo por nossa falta de coragem.
Mas o que me pergunto é: Algum dia iremos mesmo voltar a nos ver?

Notas finais
E aí, o que acharam desse capítulo triste? Eu estou no chão, coração arrasado... Mas enfim, ainda rerei que escrever os próximos e não sei como farei isso com o meu emocional.... BEIJOSSS E ATÉ O PRÓXIMO AMO VOCÊS ❤