A Garota Do Lago Vermelho
2 Capítulo 2- O Lago
A GAROTA DO LAGO VERMELHO
Capítulo 2-O Lago
(Tokerwood, 11 de Agosto, 06:02h; Casa de Elisa)
(Elisa se sentara em um pequeno banco bege com arranhões em sua borda. A paisagem que estava metros à sua frente, era deslumbrante e almejada por qualquer cidadão estressado da parte central de Tokerwood. Elisa cruzara suas pernas e relaxou suas costas ao encostar na árvore que ficara atrás de sua casa. Ela era o maior ponto de referência para todos que passassem pela rodovia. Folhas amarelas e reluzentes tomada por toda a copa e galhos finos esculturais)
(Elisa abrira seu diário branco que segurara, enquanto observava um lago que parecia sem vida á uns 30 metros da árvore de folhas amarelas. As bordas das páginas de seu diário estava tomada por diversos desenhos de rosas. Pequenas lembranças das rosas do jardim de sua mãe Mary. Eram lembranças falhas, já que era difícil para ela passar bons momentos com seu pai e sua mãe antes do divórcio que afetaria toda sua infância. Elisa começara a escrever sobre aquela manhã e o que esperara do restante do dia)
(''11 de Agosto, acordei e nem vi o horário em meu celular. Hoje deve fazer uns 2 meses que vim morar sozinha nessa zona quase rural. Mas ainda aproveito cada pedaço da natureza em que vejo'')
(Elisa olhara para o lago ao chegar ao final daquela folha, e da uma respirada lenta e consistente. Em seguida, vira a folha e volta a escrever)
(''Esse lago é tão lindo. Escolhi essa casa por causa desse lago e dessa vista. De uns tempos para cá esse lago vem ficando avermelhado. Talvez destrua minha teoria de que não haja vida de verdade nele, hahaha. De manhã é tão lindo vê-lo avermelhado dessa forma, porém a noite é um pouco amedrontador. Deve ser todas essas árvores de troncos afinados ao redor do lago. Uma pequena floresta fechada, mas não ouvi nenhum relato sobre problemas de animais invadindo as casas. Ah, os insetos! Malditos besouros, como eu odeio! Ontem a noite, abaixo dessa árvore que estou, estava infestado de besouros. Credo! Eram enormes. Espero que meu dia hoje seja legal. Hoje, a Hillary irá me dar carona para a escola. Ela começou a entender que é um saco ir para a escola de bicicleta. São 24 km até minha escola. Minhas pernas se cansam fácil. Mal posso esperar pra ano que vem eu fazer 18 e ter meu próprio carro, igual a Hillary. Êêê, loirinha de sorte. Os pais dela dão tudo o que ela precisa...'')
(Elisa é interrompida por uma buzina alta na frente de sua casa. A maldita buzina do carro da loira)
—ELISAAA!! JÁ TO AQUI!(gritara Hillary, ao abaixar o vidro do carro e colocar uma parte do rosto para fora)
—ESPERÁ, NEM ARRUMEI MINHAS COISAS!(exclama Elisa, ao fechar o seu diário rapidamente de susto por conta da buzina)
(Elisa se levanta correndo do pequeno banco bege, que logo cai pelo impulso da mesma. Ela correu para dentro de sua casa, sem nem ao mesmo olhar para o carro da amiga, deixando a porta da frente aberta)
—MAS EU POSSO ENTRAR? EU SAÍ DE CASA SEM COMER NADA!(indaga Hillary, já abrindo a porta do carro)
(''Nossa. Esse lugar é muito bonito mesmo'' pensa Hillary, ao caminhar alguns passos para o lado da casa, notando as diversas árvores ao redor do lago de água avermelhada)
—'Miga', você nunca me explicou o por quê da água ficar avermelhada(diz Hillary, ao avistar a Elisa pela janela na lateral da casa)
(Após alguns segundos sem resposta, Elisa sai da casa e tranca a porta com seu chaveiro rosa)
—Eu também não sei o porquê. Deve ser algum tipo de alga de água doce
—Ah, vai dizer que você nunca teve curiosidade pra ir lá ver?(questiona Hillary, ao acompanhar Elisa até o carro, e adentrando-o)
(A pergunta acertara em cheio uma coisa que a Elisa não tinha muito. A ''ficha''. Em que só agora ''ela caíra'')
—De manhã eu só escrevo no diário, vou pra escola e quando chego eu só penso em deitar na minha cama(exclama Elisa, ao jogar a bolsa no banco traseiro)
(Hillary apertara o volante ao poucos, mas ela relaxa seus braços logo em seguida. Ela lembrara dos problemas que Elisa tivera com família pouco tempo atrás)
—Bom, vou ligar a rádio. Vamos esquecer as coisas ruins que existem, e vamos escutar uma música(diz Hillary, que logo em seguida liga a rádio do carro enquanto se afastava com o carro da entrada da casa de Elisa)
—''...bom, eram estudantes da Ellenmire Elementary. As duas jovens, Barbara e Stephanie, que foram esquartejadas, tiveram seus rostos reconhecidos pelos pais de ambas. A polícia não teve muitas evidências e nem suspeitos. O último lugar em que foram vistas foi na balada, relata uma conhecida das duas nos depoimentos recolhidos pela polícia. Uma investigação será iniciada por toda a cidade contra esse crime bárbaro...''
(Hillary e Elisa tiveram um arrepio repentino e simultâneo em suas espinhas ao escutar a notícia até ali. A palavra que mais ecoou na mente de ambas era ''esquartejada''. Era difícil de acreditar que Tokerwood iniciava aquela manhã linda, com uma notícia de esquartejamento. E pior: sem evidências e suspeitos)
(Elisa percebera que Hillary começara a diminuir a velocidade do carro após segundos. O olhar da mesma estava totalmente fixo. Em linha reta e sem piscar. ''Com certeza ela ta chocada com isso'', concluía Elisa. Hillary desce a mão direita do volante ao botão 'Power' da rádio, e o desliga rapidamente. Ela começara a pressionar os lábios, desviando seu olhar em linha reta para baixo gradativamente)
—Droga. Que notícia péssima, né?(indaga Elisa, mesmo sabendo que não seria a melhor coisa a ser dizer num momento como aquele) Se quiser, podemos voltar pra minha casa. Eu vou preparar aquele meu chá que você sempre adora(acrescenta ela, sorrindo de maneira em que tivera medo de Hillary achar forçado)
(Elisa convence Hillary dela voltar para casa dela. Não tinham andando nem 200 metros de carro, mas a volta parecia eterna. Parecia longas e eternas horas)
(Hillary estacionara, dessa vez, mais próxima da entrada da casa de Elisa. Elisa, preocupada com a amiga, não lembrou de sua bolsa no banco traseiro, e desceu do carro rapidamente)
—Vamos, já vou colocar a água pra esquentar. Quer esperar no meu quarto? Vamos ficar por aqui, depois pegamos a matéria com o Kenny, ok?(questiona incessantemente Elisa, não esperando uma resposta de Hillary)
(Hillary entra na casa, com seus passos curtos e lentos, enquanto Elisa colocara a mão sobre o ombro esquerdo dela. Elisa fechara a porta, mas esquecera a chave por fora da casa)
(Logo abaixo da casa, na ladeira pequena e de curta inclinação que levara ao rio de água avermelhada, havia uma mulher de cabelos pretos espalhados pelo rosto. Sua vestimenta era inteira vermelha e estava descalça. Seu olhar, pelas pequenas frestas das mechas de cabelo jogadas no rosto, era fixo na casa de Elisa. Ela começara a andar em direção à casa de Elisa)
—--CONTINUA...
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