A Garota Da Capa Vermelha - Continuação.
46 “UM MOMENTO TÃO TEMIDO: A DESPEDIDA.”- Capít. 45
Notas iniciais
POV HENRY
Ela sorri, pois, tenho certeza que percebeu o alarme e desespero em minha voz... Então, sinto-a descer da cama e assim dizer...
— Espere aqui, já volto.
Ouço a porta do quarto se abrir, ela sair. E passa-se um tempo e a ouço voltar e fechar a porta.
Ela aproxima-se e espalma uma de suas mãos em meu peito e empurra-me com delicadeza para sentar-me na cama. Assim que estou sentado, ela pede...
— Amor estenda suas mãos, pois quero te dar algo.
Assim o faço. Com todo meu corpo em alerta pela espera.
De repente, eu sinto que ela coloca algo em minhas mãos e pego e pelo que sinto, a textura é de madeira e lisa.
Assim, ela diz...
— Amor, este presente na verdade não é meu, este é dos Lancelot’s para você, na verdade de Érion, ele é quem teve a ideia de dar-te e tio Heitor permitiu. Eu amo você Henry, aliás, todos nós amamos você, e estamos felizes por que você está se curando amor.
Agora, ela solta minha venda e fica a minha frente observando.
E sinceramente, jamais passou pela minha cabeça o que eu veria ali... Era algo inacreditável: o alaúde que minha mãe me deu... Mas, como?
Como isto é possível? E Valerie responde minha pergunta não dita.
— Ele nunca foi vendido amor, os Lancelot’s o guardaram pra você para quando estivesse pronto para voltar a usá-lo. Porém, eu quis te dar outro, pois, se for realmente demais para você tocá-lo devido às lembranças de sua mãe, você terá outra opção, mas, isto não será motivo para não ter o de sua mãe guardado com você meu príncipe.
A cada palavra que ela dizia, meu coração se comprimia pelo tanto que eu posso ver e compreender que esta mulher me ama, enquanto eu estava morrendo de ciúmes, ela estava agindo em meu favor, ela e Érion e os demais estavam cuidando de mim. Mais uma vez, vejo o quanto ela tem motivos para estar mais recuada, o quanto eu a magoei a julgando. Mas, resolvi fazer algo.
Levanto-me e coloco o alaúde na cama e aproximo-me dela e ajoelho-me aos seus pés e abraço suas pernas e digo...
— Me perdoa pelo que fiz amor! Por favor, eu me arrependo tanto por ter julgado a você e Érion, e eu sei que eu mereço, mas, não se afaste tanto de mim, você tem evitado tanto contato comigo amor, e isto tem me matado, me doído demais, eu sei que eu procurei isto, mas me perdoe. Não continue achando que eu seria capaz de te deixar Valerie, pois, eu jamais o seria. Você é tudo pra mim amor!
Não resisto e as lágrimas estão em meus olhos e quando resolvo olhá-la, vejo que ela está em choque, pois, não esperava aquela minha reação, então, neste momento, ela abaixa-se até mim ajoelhando-se a minha frente e diz, enquanto segura meu rosto entre suas duas mãos...
— Ei lindo eu já perdoei você Henry, e não precisa fazer isto amor. Eu não vou me afastar de você. Põe, uma coisa nesta cabeça sua, Henry, eu também não vivo sem você amor, eu só estou mais cautelosa mesmo, mesmo porque eu quero mesmo o compromisso Henry. De verdade, e do jeito que as coisas estavam caminhando, nós quase não conseguimos... Nós quase fizemos amor na carruagem Henry, se Aquiles não estivesse ali, eu duvido muito que resistiríamos. Mas, sim, o medo de você me deixar, fez com que eu ponderasse mais, lógico, e é normal. Mas, Não interprete isto como que eu não te ame mais, pois, isto é impossível, eu a cada dia te amo e te desejo mais.
Aquelas palavras dela soam com tanta profundidade, que libertaram meu coração e eu disse:
— Repete amor, por favor, eu preciso ouvir...
— Eu amo você Henry Lazar, e quero demais você! E quero demais me tornar sua esposa e ser sua para sempre, por favor, meu amor, grave isto no seu coração!
Ela também termina com lágrimas. Porém, naquele momento ela toma meus lábios nos seus, sem cautela. Me beijado com uma urgência feroz. E no meio do beijo, ela o interrompe e olhando em meus olhos diz...
— Falta pouco amor, assim que passar esta viagem eu realmente serei sua para sempre Henry, aguente só mais um pouquinho. Hum? Amo você Sr. Lazar muito, não duvide!
Puxo uma grande quantidade de ar e digo-lhe...
— Eu acredito amor. E vou esperar prometo, mas, preciso mesmo que me ajude, pois, não está sendo fácil.
— Eu sei, pra mim também não está lindo! – Ela diz.
***
Toda aquela noite, é maravilhosa, Valerie havia preparado um jantar surpresa para mim, entre ela, sua mãe, eu e minha avó.
Convidamos Aquiles também, que reluta um pouco, mas em seguida cede.
Conversamos, brincamos e na hora de levá-las Aquiles se oferece.
Assim que elas saem, e detalhe, deixam tudo organizado, eu e Valerie começamos a preparar o que levaremos para o piquenique amanhã.
Quando Aquiles volta e vem conversar comigo sobre as coordenadas da noite, passo sobre o passeio para ele e ele diz que avisará Camelot para ficar aqui pela manhã enquanto saímos. Ele me dá uma sugestão de um lugar para levar Valerie e pretendo que aquela seja uma surpresa minha para ela.
Num determinado momento eu a pergunto:
— Valerie como você e Érion combinaram tudo? Pois, ficou tudo tão bom.
Ela me olha sorrindo e com sinceridade no olhar responde:
Tudo aconteceu assim:
— Eu conversei muito com Érion sobre você naquele dia a tarde, na casa de tio Heitor, e ele me contou por alto sobre você já tocar. Assim, eu combinei com ele que, ele comprasse um Alaúde novo para eu te dar, e que, até na quinta-feira me entregasse no chalé. E o disse que conversaria com minha mãe e vovó Lazar, para sexta feira eu poder fazer um jantar de despedida só para nós, sua família e você Henry, porém, Érion me deu à sugestão de fazê-lo só entre eu, você, minha mãe e sua avó. Algo bem íntimo mesmo, e que depois fizesse um momento só nosso em que eu pudesse presenteá-lo com o alaúde. E Érion ainda me disse que traria o que foi presente de Laura, sua mãe, como outro presente, mas, em conjunto com ele e os Lancelot’s para que você soubesse que, se caso houvesse se arrependido do que fez, mandando vendê-lo, que poderia tê-lo de volta. Porém, a grande questão seria. E se você não gostasse? Por isto, sondei antes com você, lindo. Eu acabei fazendo numa ordem um pouco diferente, mas, ficou muito melhor.
Fiquei maravilhado com aquilo e selei seus lábios de satisfação e gratidão.
Passamos um tempinho conversando...
Combinamos de dormir na sala devido à lareira, e assim, preparamos tudo, forramos o carpete com as cobertas, usamos mais uma para nos cobrir, e assim que nos deitamos, eu digo-lhe...
— Amor, espere aqui, pois tenho algo para você, preciso que feche os olhos e não abra...
Ela continua deitada, e a única luz que temos é a da lareira. Vou até meu quarto, e pego o alaúde que ela me deu, e respiro fundo e começo a trazer à memória a música que dedilhei na ferraria.
Chego próximo à porta e começo a cantar para ela:
(EXTREMAMENTE PERFEITA – VEJAM A TRADUÇÃO AO FINAL)
Assim que termino, ela tem lágrimas nos olhos, pois aquela letra expressa toda a verdade de meu coração para ela. Ela esta sentada em meio aos cobertores e eu ajoelhado a sua frente olhando em seus olhos. Tentando transmitir tudo o que sinto por ela em meu olhar.
Largo o alaúde na mesinha e aproximo-me dela e não consigo me conter, puxo-a para mim. E surpreendo-me quando ela não hesita, muito pelo contrário, ela vem e cola-se a mim com amor, e envolvendo-me com seus braços e eu tomo sua cabeça em minhas mãos e fecho o espaço entre nossos rostos para beijá-la.
É impressionante como aquele simples contato ascende todo meu corpo. Eu a amo e desejo demais. É assustador e avassalador, e parece que tudo que eu estou sentindo ela também sente, pois, o sinto a cada respiração sua. Por fim depois, de explorarmos a boca um do outro com toda a fome que nos é imposta, eu deixo seus lábios em busca de ar, mas desço meus beijos por seu pescoço até seu ombro e ali me perco sentindo seu cheiro e a maciez de sua pele, e ela continua acariciar minhas costas e meus cabelos e lentamente vai descendo suas mãos por meus ombros e braços, de repente ela começa a corrê-las pelas laterais de meu abdômen, com carinho e com as pontas dos seus dedos. Ela vai até meu peito e ali as deixa descansar próximo ao meu coração.
E assim sei que ela não vai prosseguir para não me provocar. Aproveito o momento para abraça-la com força, pois, é bom demais tê-la quentinha e segura em meus braços e eu sei que não a terei assim por um longo tempo. Quase um mês.
Ela parece compreender minha aflição naquele gesto e ergue a cabeça para poder olhar meus olhos.
Assim, respondo a pergunta que vejo ali...
— Sentirei demais sua falta, tudo vai perder o sentido sem você aqui.
— Eu também! Sabe, tenho medo de não consegui dormir, pois estou tão acostumada com isto, e ela se aconchega mais em meus braços.
Beijo o topo de sua cabeça e digo.
— Eu sei linda, mas, se esforce por causa de sua saúde, e eu, para mim também, as noites serão as piores. Mas, vamos fazer assim, quando a saudade estiver grande demais, vamos fechar nossos olhos onde estivermos e colocar nossos pensamentos um no outro, e tenho certeza que nossos corações nestes momentos estarão tão conectados que poderemos sentir conforto. Tudo bem?
— Tudo amor. Amo você demais Henry. E amor, nós vamos ler a bíblia hoje?
— Eu também a amo Valerie. E sim vamos ler amor. – Eu pego as bíblias na mesinha. — Vamos ler um texto que minha mãe sempre lia para mim, antes de pedir a Deus que me preparasse uma esposa? Sabia que ela fazia isto? E ela me ensinou a fazer isto pros meus filhos.
— Sério Henry?
— Hum, rum... Eu era novinho e Dona Laura já pedia pela minha esposa. Ou seja, por você.
Ela toca meu rosto sorrindo com o que eu disse e fala:
— Queria muito ter conhecido sua mãe nos dias de hoje. Acho que ela teria muitas coisas para me ensinar.
— Hum, ela sempre tinha.
Eu digo orgulhoso de minha falecida mãe.
— Sei o quanto sente falta dela lindo.
— É, eu sinto mesmo, muita, amor. Mas, vamos ler? O texto está em Provébios: 31: 10-30.
Eu rapidamente abro a minha bíblia e Valerie faz o mesmo com a dela. O que me deixa abismado. E eu lhe digo:
— Você ainda se lembra de como manuseá-la?
— Claro amor. Coisas boas nas nossas vidas não esquecemos.
Dou-lhe um sorriso com o que ela disse e falo a ela:
— Então eu nunca irei te esquecer.
E ela me diz com carinho.
— Assim como eu Henry, jamais te esquecerei.
E bem no momento em que ela me diz aquilo, sinto um aperto no peito e um mal estar. Que não consigo entender. E penso ser por que comi um pouco além da cota e respiro calmamente para passar. E evito demonstrar a Valerie...
Então... — Digo voltando minha atenção para o texto agora. — “Mulher virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede ao de rubis. O coração do seu marido está nela confiado; assim ele não necessitará de despojo. Ela só lhe faz bem, e não mal, todos os dias da sua vida.”
— Minha mãe adorava este texto Valerie, ela dizia que aqui tinha ensinamento para todas as esposas. É uma verdade, que se aplica até hoje.
— E ela tinha razão amor, tem mesmo.
— É verdade, e fico feliz por poder dizer que serei este marido feliz que o texto cita aqui.
Falo sorrindo para ela e prossigo:
— E eu tenho certeza também, que você será esta esposa!
— Obrigado amor, pelo menos esforçar-me para isto eu vou. Eu amo você Henry!
— Eu também Valerie, muito! Amor precisamos dormir cedo. Pois, amanhã sairemos cedo para aproveitarmos mais o dia.
— Sim vamos.
Assim nos deitamos envolvidos totalmente um no outro. E começo a acariciar seus cabelos e adormecemos depois de algum tempo.
***
Resolvemos sair de carruagem ao invés e cavalo, pois se caso chover não ficaremos desabrigados. Este foi o motivo que passei para Valerie sobre não irmos somente à cavalo, mas, a principal motivação é a segurança, na realidade, eu e Aquiles chegamos aquela conclusão. Mas, levo a cela do cavalo, pois, eu e Valerie poderíamos andar um pouco no terreno.
Fazemos assim, passamos uma parte da manhã no terreno e cavalgamos muito, passeamos a pé, subimos em árvores para colhermos frutas, e quando digo subimos eu disse literalmente, até Aquiles ficou surpreso com a desenvoltura de Valerie ao fazer aquilo. É claro que meu coração ficou na mão o tempo todo e eu não desgrudava dela.
Passamos um longo tempo perto do nosso lago, desfrutando de sua beleza, e falando dos preparativos para o casamento no local.
Mais no final da manhã, fomos para o Monte Grimor, e o vento gostoso não permitia que o sol nos escaldasse. Cavalgamos um pouco por lá. Eu e ela, pois, Aquiles ficou próximo a carruagem. Era tão bom estarmos juntos e eu estava sentindo falta de cavalgar com ela, pois desde que adquirimos a carruagem, aquilo não acontecia mais, era prazeroso demais ter seus braços em volta de minha cintura e sua cabeça aconchegada em meu peito, principalmente quando ela beijava ou inalava para sentir meu cheiro. Aquilo me deixava em plena êxtase. E pelo visto a ela também.
Porém, quando já havíamos cavalgado por duas encostas, e está próximo ao meio dia eu digo-lhe...
— Amor, podemos ir? Pois, tenho um outro lugar que desejo te levar...
— Sim Henry. Onde vamos amor?
— É uma surpresa amor. – Respondo e dou-lhe um sorriso.
Ao chegarmos perto de Aquiles, acoplamos os cavalos a carruagem e seguimos.
Aquiles havia me dado a dica de irmos a uma pequena piscina natural que existe dentro de uma das cavernas do monte Grimor.
Ele me disse que é um lugar belíssimo e que já veio muito aqui. É um lugar diferente e difícil de se encontrar, pois, é rodeado pela montanha, na verdade, é dentro de uma cavidade dela, mas é totalmente exposto a claridade e ao sol, mas com extrema privacidade E as águas por estarem em contato sempre com as rochas quentes, são mornas, ótimas para um banho. Assim, pela manhã pedi que Valerie colocasse na bolsa, algumas roupas leves para se caso precisássemos. E eu peguei uma bermuda coisa que uso pouco e uma camiseta para caso realmente venhamos resolver nos banhar.
Aquiles disse que ficará próximo, mas, nos dará privacidade, acho que até ele percebe o quanto é importante para mim passar estes momentos a sós com ela.
Assim, seguimos ao local.
Aquiles havia me dito que, para quem não conhece, o acesso é dificílimo. Mas, para ele que está acostumado ele conhece todos os atalhos e vai me ensinando.
Assim que chegamos, e é quase meio dia e meia, descemos e ficamos maravilhados com o local.
Aquiles não exagerou de maneira alguma, o local é lindo demais, há flores, há verde e também pouca, mas, há grama. E a água é cristalina. Noto que Valerie está radiante, diante de tanta beleza. E mais uma vez, eu fico impressionado em o quanto a natureza faz bem a ela. Ela gosta demais.
Preparamos um local para comermos e Valerie forra a esteira grande e coloca as comidas de forma organizada, eu e Aquiles colocamos duas redes que trouxemos para descansarmos, a dele ele pede que fique mais afastada, acho impressionante o quanto ele é discreto e não quer atrapalhar...
Quando voltamos Valerie tem tudo pronto e agora estende outra esteira com dois travesseiros ao ar livre para deitarmos embaixo da sombra de uma rocha alta.
Almoçamos e Aquiles vai para fazer uma ronda no perímetro enquanto eu e Valerie recolhemos tudo no cesto. Assim que terminamos ela diz...
— Henry eu amei a surpresa, o lugar é lindo! Eu nunca imaginei que existisse algo assim tão perto.
— Nem eu, foi Aquiles quem me falou quando disse que queria fazer um passeio especial com você hoje.
— Nossa eu adorei príncipe. E me diz uma coisa... – Ela hesitava... – As roupas leves é para um banho?
Ela me perguntava faceiramente...
— Sim, somente se você quiser amor.
Fiz questão de deixar claro.
— Claro que eu quero Henry!
Assim que Aquiles retorna, ele nos aponta um local seguro para nos trocarmos, deixo Valerie ir na frente. Passam-se alguns minutos e ela volta irreconhecível, e me fazendo ficar de queixo caído.
Ela veste uma camiseta branquinha como ela, e uma bermuda nos joelhos de tecido leve e devo dizer eu nunca a vi assim, e ela está linda. Aquiles mesmo disfarçando não deixa de olhar e aquilo me incomoda, mas, sei que é difícil mesmo não olhar, ela é linda! Eu mesmo, quase a devoro somente com os olhos, só que há uma diferença, ela é minha.
Assim que percebe a intensidade de meu olhar, ela fica corada e nitidamente com vergonha. E pergunta...
— É demais para você assim amor?
— Não Valerie. É só que... Eu fiquei surpreso. Você está ainda mais linda.
E ela fica ainda mais vermelha.
Então digo-lhe...
— Espere-me aqui, pois já volto.
Assim que saio, vou direto ao local que Aquiles disse para me trocar. E assim o faço. Ao retornar, Vejo Valerie quietinha sentada na esteira me esperando e ao sentir que me aproximo, ela me olha de olhos arregalados.
Então, lembro-me de o quanto aquela camiseta é provocante para ela e que já tive de trocá-la uma vez por causa do nosso compromisso. Não me lembrei disto, assim que me aproximo ela me diz.
— Amor justo esta camiseta? Isto é maldade Henry!
Ela me diz aquilo vermelha, porém digo...
— Valerie me perdoe amor, eu juro que eu me esqueci, não foi proposital.
— Tudo bem Henry eu acredito.
Assim guardamos nossas roupas e seguimos rumo ao pequeno lago.
Lembro-me de uma orientação de Aquiles e digo:
— Amor, Aquiles disse para evitarmos aquele lado, pois há pedras mais pontiagudas que podem nos ferir.
— Ah, sim Henry, tudo bem.
Descemos de mãos dadas pelas pedras, e caminhamos até mais ao centro onde a água nos cobre até a minha cintura e quase até os seios de Valerie. E devo dizer que está uma delícia. Realmente a água é morna. Assim, Valerie dá um sorriso evidentemente satisfeita pela temperatura da água, solta-se de mim e dá um mergulho.
Ela demora um pouquinho a emergir, e quando o faz, é com um enorme sorriso nos lábios, e a cena dela toda molhada e com a camiseta branca agora colada a seu corpo, ascende todo o meu corpo, me deixando em alerta.
Ela aproxima-se de mim, e digo...
— Agora é minha vez.
E agora eu mergulho. Demoro um pouco a emergir e quando o faço sou surpreendido como fato de não vê-la. Mas, ao olhar com mais critério, como a água é cristalina demais, a vejo submersa. Então, mergulho e vou ao seu encontro.
Ao aproximar-me, a abraço. O que a surpreende muito, fazendo-a voltar, pois, no susto soltou o ar. Então diz, afastando-se de mim, e socando meu braço...
— HENRY! Quer me matar de susto? Eu não estava esperando amor.
Aquilo me faz rir e em seguida depois da tensão dispersa ela ri também.
— Desculpa princesa, eu não te vi quando emergir e fui atrás de você.
Digo aproximando-me a abraçando-a novamente.
Ela não hesita, ao contrário, chega mais perto e envolve meu pescoço, e eu a sua cintura.
A sensação de suas pernas tocando as minhas e de seu corpo molhado tocando o meu, me irradia puro calor, mesmo dentro d’água. É realmente esplêndido o que sinto neste contato dentro da água.
Valerie me olha sorridente e diz...
— Obrigado por me trazer aqui Henry, este lugar é lindo e muito romântico meu amor, combina com você.
Dou-lhe um sorriso, e aproximo meus lábios dos seus...
O beijo começa suave, lento, mas, ainda assim delicioso, porém, à medida que vamos explorando cada cantinho de nossas bocas e com a proximidade tão aflorada pelo contato com a água, logo ele se torna mais intenso, mais voraz e extremamente mais gostoso.
Ela agora explora minhas costas com intensidade e meus cabelos também. E eu creio que, instintivamente, ela me puxa mais para si, o que faz com que meu corpo inteiro corresponda em segundos a cada estímulo, e eu agora também aumento meu aperto sobre sua cintura e suas costas. E a intensidade do beijo. Ela também explora meus braços expostos pela camiseta, e devo dizer, que correntes elétricas me percorrem por inteiro desde aquele ponto em que ela toca minha pele diretamente com seus dedos...
Quando estamos sem ar ela afasta sem fôlego e ofegante assim como eu. Porém, para não perder o momento vou ao seu pescoço e começo a provocá-la ali, beijo e mordo o local sensível próximo a sua orelha e ela estremece, mordo seu ombro e ela estremece de novo passo a intercalar as mordidas com beijos, pois sei que este gesto a enlouquece de desejo.
Meu corpo fica todo quente quando de repente em um momento em que mais uma vez mordo seu pescoço ela sussurra entregue...
— Hen... ry... Amo você... Amor!
Este gesto dela aliado às batidas enlouquecidas de seu coração, me mostra o quando seu desejo está latente, tanto quanto o meu, que sei que ela já pode sentir, cada reação do meu corpo. Assim, levo meus lábios a sua orelha e digo-lhe com carinho, pois, sei o quanto ela gosta, quando sou carinhoso...
— Quero tanto você amor... Faça amor comigo Valerie!
Ela literalmente congela em meus braços, ao que parece, recobrando a sanidade em segundos. Sua reação, me leva a congelar também, por receio de ter avançado demais e tê-la magoado, pois desde o episódio de ciúme meu dela com Érion, ela está muito mais cautelosa. E tem deixado isto claro para mim.
Então, ela procura meus olhos e fica me olhando de forma insondável. E o medo do que ela possa estar pensando, leva-me a lhe dizer...
— Só estou dizendo o que estou sentindo amor, eu não farei nada que não queira, eu já disse. Está realmente muito difícil para mim, e nestes momentos, sinto vontade de compartilhar isto com você, mas, entenda, eu não estou te forçando a ceder amor. Perdoe-me se lhe passo esta impressão.
— Eu sei Henry, e você sabe que também o quero não sabe?
Suas palavras lançam mais calor em mim, pois, eu sei e sinto que ela me deseja sim, porém, ouvir tem um efeito sublime.
— Você me quer amor? – Eu pergunto-lhe.
— Muito Henry, mas, no momento, quero mais ainda, esperar. Por favor, me perdoe. Me compreenda.
— Tudo bem amor, eu compreendo.
Ela beija meu rosto agora, e respira fundo assim como eu, creio que, para recobrar o equilíbrio.
Bem neste momento, ela afasta-se um pouco. E eu entendo com clareza que é para nos recuperarmos totalmente da atmosfera de desejo que nos envolve e vai nadando até o outro lado.
Fico procurando acalmar minha respiração ofegante e o meu coração, porém algo me faz estremecer e congelar, e correr vários arrepios pela minha coluna...
— AI MEU DEUS!
Valerie grita e eu olho apavorado já indo a sua direção, porém ela percebendo diz.
— Henry, por favor, fique aí. Não se aproxime!
Não compreendo aquilo, pois, sei que ela precisa de ajuda pela expressão de seu rosto que é de pura dor, só então vejo, sua camiseta marcada de sangue próximo a sua cintura e é muito sangue. A quilo me desespera e me aproximo mais, porém ela diz.
— Fica aí amor você vai se machucar, aqui tem pedras cortantes.
Desesperado eu digo...
— Mas, Valerie você se machucou amor.
— Eu sei, e vou sair só tenha paciência.
— Por que não sai logo? Amor?
Fico preocupado pois sei que tem algo errado e ela não quer dizer.
— Valerie, eu estou preocupado aqui.
Ela não resiste e chora, para em seguida dizer entre soluços.
— Henry meu pé está preso... Mas, eu não quero que venha aqui... Você vai se machucar amor... Tem muitas pedras cortantes eu estou com todo cuidado procurando não esbarrar em mais nada.
Fico preocupadíssimo, com receio de acontecer algo pior a ela, e não posso gritar por Aquiles, para não assusta-la e ela não acabar fazendo algo no impulso e que leve-a a se machucar mais. Minha mente está a mil, calculando o que posso fazer, e tentando calcular o sangue que ela está perdendo. Assim, digo com firmeza...
— Valerie confia em mim, deixa eu ajudar você meu amor.
Ela respira fundo e diz...
— Tudo bem. Mas, por favor, tome cuidado!
Aproximo-me com cautela e quando estou próximo digo-lhe...
— Fica calma, pois, eu vou mergulhar para enxergar onde prendeu o pé está bem?
Ela acena que sim com a cabeça, porém, pede em meio as lágrimas...
— Tome cuidado amor.
— Pode deixar princesa.
Mergulho com cuidado e vou a procura do que prende o pé de Valerie e surpreendo-me quando percebo que, Deus foi tão bom, que ela prendeu seu pé entre duas quinas pontiagudas de rocha estreita, certamente se ela prosseguisse o andar, ela rasgaria o pé todo.
Retorno a superfície para orientá-la...
— Amor, eu vi o que foi, eu vou descer novamente para retirá-la, mas, preste bem atenção: quando eu fizer força para te retirar, você tem de se jogar para cair daquele lado lá, ouviu bem? – E aponto para ela. – Pois, o seu pé está entre duas rochas extremamente cortantes. E se ele passar ali você o rasga todo, então, muito cuidado, por favor.
— Tudo bem amor, mas tome cuidado também Henry.
— Pode deixar amor, eu estou tomando.
Mergulho novamente, e começo aquela tarefa difícil, pego no tornozelo de Valerie, e começo a movimentar seu pé aos poucos e sem puxá-lo ainda.
Porém, assim que intensifico, sinto-o se movimentar minimamente, então insisto, até que consigo, e instintivamente lanço seu corpo na direção oposta dali para que ela não se machuque mais, porém, no processo, me movimento bruscamente e passo meu abdômen, bem próximo ao ventre, numa pedra cortante e a dor é excruciante. Num impulso, e movido pela dor, me lanço para longe dali em direção ao local, onde lancei Valerie, para ver como ela está e sem me preocupar em ver como estou.
Ao chegar próximo a ela, vejo que está gemendo de dor e assim preparo-me para pegá-la no colo para tirá-la dali, porém, quando aproximo-me ela me olha e diz...
— Henry amor você se feriu, e muito! Ai meu Deus. – Ela diz apavorada, e só então abaixo minha cabeça para olhar.
O corte é bem grande, mas, graças a Deus não é profundo. Inclusive a camisa também se rasgou.
Valerie chora mais agora ao me ver ferido, e sei que ‘e por se sentir culpada.
E digo a ela.
— Fica tranquila amor, só é grande, mas não é profundo, mas, deixa eu ver o seu. E nada de pensar que é culpa sua, estas coisas podem acontecer.
Ela prontamente cede. Eu fico surpreso, ao ver que foi quase na mesma região que eu, porém, o de Valerie, além de grande, é bem mais profundo e sangra mais.
— Linda, você já não teve tanta sorte, o seu é mais profundo. Venha, nós vamos ter que sair daqui, para cuidarmos disto.
Dizendo estas palavras, eu a tomo no colo, apesar dela questionar...
— Henry, se você ficar pegando peso ou se esforçando, vai sangrar mais.
Dou-lhe um sorriso...
— E quem disse que isto é um peso ou esforço para mim? Isto está mais para um prazer!
Digo referindo-me ao fato de carrega-la em meus braços.
Ao chegarmos, Aquiles esta sentado na rede lendo. E fica preocupado ao me ver carregando Valerie.
Ele aproxima-se e quando o faz que vê sangue nos dois se apavora.
— Meu Deus Henry o que aconteceu?
Aquiles já olha de um lado para o outro, pensando na possibilidade de termos sido atingidos por alguém...
— Acalme-se Aquiles, nós nos ferimos no lago, na verdade eu fui ajudar Valerie que estava presa pelo pé e tinha se ferido e acabei me ferindo também, mas, o meu está tranquilo, o dela é que não, então preciso agir rápido, pega o kit de primeiros socorros dentro da carruagem para mim, por favor.
Neste momento olho para Valerie, e noto o quanto esta vermelha. Então, pergunto.
— O que foi amor?
Ela me olha angustiada...
— Olha meu estado para está de frente a Aquiles Henry.
Só aí me dou conta de o quanto a roupa fica transparente molhada... Imediatamente, me abaixo e pego os nossos roupões que deixamos nas esteiras para pegarmos quando precisássemos.
— Lindo, eu preciso que me solte, quero me trocar.
— Tudo bem. Mas Valerie se você se trocar, como vou cuidar do seu ferimento de vestido amor?
— Hum... Amor não se preocupe, parece que eu estava adivinhando eu trouxe saia e blusa lindo.
— Ah sim, que bom então.
— Estou indo e já volto.
Ela diz e sai para se trocar aproveito sua saída para avaliar melhor o estrago de minha ferida que realmente não parava de sangrar, creio que pelo esforço mesmo. Bem neste momento, Aquiles chega trazendo os primeiros socorros.
Ouço passos e vejo Valerie se aproximar já vestida e penteada e com o roupão pressionado em sua ferida.
— Agora sou eu, já volto.
Digo e saio apressadamente para trocar-me rapidamente.
Ao voltar, vejo que Valerie está sentada na esteira com tudo preparado para cuidar de mim, porém eu protesto.
— Amor vai ser você primeiro, seu corte requer mais cuidados.
— Henry eu sei, por isto mesmo vou cuidar logo do seu, pois você vai levar um tempão comigo e sangrando horrores pois eu percebi que seu sangramento aumentou pelo esforço como eu já tinha te falado amor. Então venha logo e deixa de ser teimoso príncipe.
Aquiles segurou um riso, e ficou todo sem graça quando me olhou e fiz cara de quem não havia gostado. E Valerie ficou constrangida por ter dito aquilo daquela maneira.
— Me desculpe.
Ela disse vermelha.
— Tudo bem.
Eu digo já me deitando para ser cuidado pelas mãos que amo tanto, ela pede que eu levante um pouco mais a camisa para não sujá-la. E ela diz:
— Vou precisar descer um pouco o cós da calça tudo bem? Ele cobre uma parte da ferida amor.
— Claro, fique a vontade amor.
Digo a ela sério, mas, mesmo assim ela cora. E cora ainda amis quando tem de desabotoar minha calça para dobrar o cós expondo o resto da ferida que ela precisava tratar.
Eu o faço e ela inicia, primeiro, passa um antisséptico para limpar, em seguida, olha para mim e diz...
— Me desculpe por isto lindo...
E derrama um boa quantidade de um líquido meio vinho que me faz gritar...
— AI VALERIE! Meu Deus o que é isto?
Digo apavorado com a dor.
E olho para seu rosto e surpreendo-me de vê-la com os olhos cheios de lágrimas.
Aquilo me faz esquecer o que estou sentindo e me concentrar nela.
— O que foi amor?
— Me desculpa lindo não gosto de te ver sofrer... Dói em mim também.
Na hora a compressão me atingiu ela ficou alarmada de me ver sentindo dor e com a reação que tive, então, agora por mais que doesse eu precisava permanecer calado.
Toco seu rosto por onde as lágrimas correm e concentro-me nisto, ignorando a dor. Mas, a dor não dura muito, Valerie é rápida nos cuidados e suas mãos são delicadas. Passa-se algum tempo e não vejo mais Aquiles, acho que saiu para nos dar privacidade.
— Pronto príncipe, acabei.
Valerie Havia coberto ferimento com uma compressa com unguento específico para aquilo e agora ele estava preso por uma fita específica. E agora reposicionava o cós e de minha calça e em seguida, fechava o seu botão.
Assim que ela termina, levanto-me e beijo seus lábios sem aviso e digo:
— Obrigado por cuidar tão bem de mim. Amo você! Agora é sua vez.
Levanto-me e ela deita-se em meu lugar, Assim, ela muito vermelha ergue sua blusa até quase na altura de seus seios e prende-a no sutiã, pois seu corte era maior e bem mais profundo que o meu.
Então digo-lhe...
— Vai ter que descer um pouquinho a saia também amor... pois ele vem até aqui em baixo.
E aponto com o dedo para que veja.
Ela ergue-se um pouco e olha. Então, diz...
— Nossa, amor foi grande não é?
— Sim, foi princesa e profundo também.
— Hum lindo, creio que, você vai ter que dar ponto.
— O QUÊ? – Digo apavorado... — Valerie eu não vou aguentar te ver sofrer amor, ponto dói demais.
— Eu sei lindo, mas, vou fazer o que? Não vai dar tempo de chegar a lugar algum que faça isto dentro do prazo para fechar novamente, vai ter de ser você mesmo ou Aquiles, mas, eu prefiro você Henry.
Basta ela dizer isto, para que eu mude rapidinho de ideia, imagina? Ter as mãos de Aquiles no corpo da minha noiva? De maneira alguma, rapidamente começo a separar o material... E Valerie olha para mim, tentando fazer cara de divertimento por cima da de dor e diz...
— Mudou de ideia não é amor? Foi o que eu pensei.
Dou-lhe um sorriso por sua observação.
Assim, ela vai me orientando e vou fazendo.
Primeiro o antisséptico, depois, o álcool iodado, devo dizer que Valerie mordeu o roupão para que não gritasse me assustando, mas, eu sabia o quanto estava doendo, pois, via os sinais em sua respiração e nas batidas de seu coração. Mas, nada me preparou para o que eu iria sentir quando eu comecei a suturá-la, seu rosto ficava vermelho vivo e as lágrimas jorravam em torrentes, e seu corpo apresentavam espasmos devido a dor, por eu ter que fazer aquilo sem anestésicos.
Bem neste momento, Aquiles chega e faço o sinal para que não se aproxime. Devido ao fato do corpo de Valerie estar parcialmente exposto.
Ele afasta-se, porém, diz...
— Como ela está aguentando Henry? Isto dói demais.
Aquiles diz só movendo os lábios para mim para que Valerie não ouça. O que me deixa em mais desespero, pois naquele exato momento sei que ela esta segurando a dor por mim, para eu não sofrer vendo seu martírio.
As palavras de Aquiles juntamente com a consciência de que Valerie está sofrendo faz-me adiantar o processo rapidamente. Porém, com cautela para que a cicatriz não fique feia.
Assim que termino, passo o unguento específico para aquele tipo de ferida e cubro com uma compressa e a fita. Então, digo.
— Acabou amor!
E Valerie surpreendentemente, segurando sua ferida firmemente, pula no meu colo e me abraça aos prantos, e só aí entendo o quanto estava insuportável sua dor.
Envolvo-a em meus braços com carinho e vou acariciando seus cabelos e dizendo...
— Calma linda, passou, já passou amor! Desculpe-me pela dor!
E ela chora muito.
E sei que realmente não foi fácil. Passamos um bom tempo assim, para que eu pudesse acalmá-la e confortá-la.
Quando ela enfim, se acalma, digo:
— Está melhor? Me perdoe...
— Estou amor, não tenho o que te perdoar, pois tenho certeza que você também sofreu me vendo sofrer. Vamos até a rede para nos deitar.
O fazemos enroscados um no outro, porém, evitando nos tocarmos onde estamos feridos.
Num dado momento, Aquiles vem até nós e pede permissão para se aproximar, e eu concedo, ele estende dois copos e trás uma garrafa. Então, diz...
— É um chá para cortar infecção e dor, para evitar que as feridas de vocês piore. E para fazer com que cicatrize mais rápido.
Pego e ele serve a mim e Valerie . Então digo:
— Obrigado Aquiles.
— Por nada.
Eu e Valerie passamos um bom tempo conversando, falamos sobre a reforma, sobre os Lancelot’s, os Oxford’s sobre o nosso afilhadinho ou afilhadinha que está a caminho. Falamos do nosso casamento, ela confirma que trará seu vestido de Livergoorn, meu traje e coisas para o nosso enxoval e nosso enxoval particular.
Bem neste momento surge o assunto “Lua de Mel”.
— Valerie, estive pensando, já que vamos viajar, e nos casaremos pela manhã, é provável que passemos uma boa parte da noite viajando e aí?
— Hum... Como assim?
Ela não havia compreendido minha pergunta. Então, teria de ser mais claro.
— Bom já que provavelmente vamos para o Reino, a viagem é mais longa. Assim, creio que se pegarmos o trem de após o almoço, só chegaremos lá de madrugada amor, passaremos nossa primeira noite, em um trem, viajando. Assim, temos duas opções: ou deixamos para ir no outro dia e estreamos nossa casa nova. – Dou-lhe um sorriso com aquilo, pois, muito me agrada. Visto que, a ideia de esperar mais, ainda que seja só mais um dia, me desespera. – Ou, vamos após o almoço e provavelmente só conseguiremos ter nossas núpcias só no dia seguinte, pois, a viagem é muito longa e cansativa. O que você acha melhor?
Ela me olha pensativa, e diz...
— Sinceramente?
— Claro, Valerie!
— Eu prefiro ir no mesmo dia, Henry. Mesmo que tenhamos de esperar mais, pois, isto nos garante uma outra Lua de Mel quando voltarmos, pois desfrutaremos de um lugar novo e só nosso, pensa bem lindo!
É mesmo, pensando por este lado era uma boa coisa. Mas, olhando pelo lado de mais um dia de espera? Hum... que desesperador!
Ela me olha com carinho neste momento e diz...
— Tem sido bastante difícil para você não é amor?
— Sim Valerie demais, uma verdadeira provação diária. Mas, eu sei que valerá a pena. Porém, isto não torna as coisas mais fáceis.
— Para mim não é diferente Henry, só que eu tenho me focado em outras coisas amor para resistir.
— Eu sei valerie, tenho observado isto.
Digo-lhe sorrindo.
— Amo você Henry, está chegando lindo, só mais um pouquinho...
— Também amo você minha noiva linda! Sim, está. Breve você será minha esposa amor.
— Sim sua esposa, Sr. Lazar, meu futuro maridinho!
— Hum... E você Sra. Lazar, minha futura esposa, perfeita e maravilhosa!
Resolvo perguntar algo a ela...
— Valerie?
— Hum...
— Quanto tempo mais ou menos você deseja esperar para encomendarmos nossos bebês?
— Hum, eu penso que podemos parar de evitar com um ano e meio a dois de casados amor, mas, isto não é uma escolha só minha, é sua também. E tem a questão da minha saúde também lindo. Eu tenho que estar totalmente restabelecida.
— É verdade amor, mas, no que depender de mim, você estará. Amo você princesa, e este prazo está dentro do que eu previ mais ou menos para nós nos aproveitarmos. Outra pergunta Valerie, nós decidimos que se tivermos uma menina ela se chamará Laura, mas, e se tivermos um menino? Ou os dois?
Ela me olha pensativa e diz...
— Prefiro que você escolha Henry, já que eu escolhi o de Laurinha.
— Hum, não sei o que vai pensar, mas, eu gostaria muito de colocar o nome de meu pai amor, na verdade eu nunca esperava que você escolheria o de minha mãe e fiquei muito honrado, mas, se for muito ter os dois, eu vou entender amor.
Ela beija meus lábios e dá-me um sorriso e diz...
— Amor, claro que não me importo, imagina que lindos se forem um casal? Laura e Adrian... Gosto de sua escolha amor, fique tranquilo lindo!
— E se tivermos mais mesmo? Alias, deixa eu perguntar direito, quantos vamos realmente querer amor?
Eu pergunto a ela.
— Bem, nós pensamos três ou quatro não foi?
— Sim, você realmente está de acordo? Afinal, é você amor que vai carrega-los e amamenta-los.
— Sim, eu sei Henry, mas o farei com prazer, aliás já sonho com isto lindo, eu quero demais nossos bebês. E bem, se tivermos os primeiros gêmeos mesmo, eu acho que poderemos tentar mais dois. Aí ficaremos com quatro.
— Já pensou na possibilidade de termos duas gestações de gêmeos?
— Será Henry? Ai meu Deus amor, serão tão lindos.
— Também acho, pois, penso que serão muito parecidos com você amor e você é linda.
— Você também príncipe, você é maravilhoso amor.
Ela diz isto e beija meus lábios. E depois prossegue...
— Vou sentir tanta saudade destes beijos deliciosos, destes lábios, desta boca gostosa, deste corpo, que amo tanto, sentirei falta de cada parte de você Henry. Cada dia será uma agonia amor.
— Eu também minha amada, eu na verdade já estou saudoso, parece que por mais que eu passe tempo com você, não está sendo suficiente.
— Creio que nosso momento de despedida não será fácil lindo. Estou preocupada com isto...
— Hum... Eu também, tenho pensado nisto amor. Mas, pense bem, que eu vou visita-la neste intervalo. Vamos poder passear juntos. Conhecer lindos lugares juntos.
— Hum, Rum... tudo que pudermos fazer juntos é bom, Henry. Só o fato de ser juntos já é maravilhoso.
— Verdade Valerie.
— Henry, você disse que iremos passar a lua de mel no Reino mas já decidiu o lugar?
— Sim, princesa, mas, será uma surpresa. Uma surpresa minha para você!
— Então, será maravilhoso! Tudo que você faz é perfeito Henry.
— Hum você que é perfeita amor!
Beijo seus lábios e percebo que ela está cansadinha, começo a acariciar seus cabelos e logo ela adormece. E em meus braços.
Deixo-a ali com carinho e vou até Aquiles que está sentado perto da margem do lago.
Sento-me ao seu lado, e esqueço-me do corte. Porém, o movimento incalculado me causa dor e me faz gemer...
— Nossa isto dói, meu Deus!
Aquiles sorri discretamente e diz...
— Imagina ser suturado sem anestesia... Eu estou impressionado Henry, ela é muito forte, meu Deus! Coitada, aquilo dói demais.
— Sim Aquiles, ela é muito forte, até eu fiquei surpreso.
— Nossa, nem me diga. Ela parece estar um pouco melhor não é Henry?
— Sim, está sim Aquiles. Porém, eu acho que isto tem um pouco haver com o fato de Mildrad não ter mais aparecido.
— Eu também, percebi isto Henry.
— Aquiles eu quero aproveitar e pedir a você, cuide dela, por favor, por mim. E agora, eu não estou te pedindo isto como Sr. Lazar seu contratante. Estou te pedindo como Henry Lazar noivo de Valerie, eu estou entregando, aos seus cuidados Aquiles, a razão da minha vida, tudo que eu tenho de mais importante.
Aquiles respira fundo olha em meus olhos e diz...
— Eu sei Henry, e eu confesso a você que este foi o motivo pelo qual eu aceitei esta missão. Eu sabia que o que estava em jogo aqui era um grande e verdadeiro amor. Só isto é capaz de fazer com que alguém faça o que você tem feito por ela e o que ela faz por você. Esta foi minha motivação Henry.
Dou-lhe um sorriso me lembrando de algo e digo...
— Sabia que Valerie percebeu isto? Valerie é muito intuitiva Aquiles, ela percebeu que sua escolha por realizar a missão, era por que tínhamos algo que remetia a você mesmo.
Aquiles sorriu e disse-me...
— Ela realmente é muito intuitiva e perceptiva. – Ele olha ao redor preocupado e diz... — Henry, eu creio que está ficando tarde, e não seria bom, passarmos pela floresta depois do anoitecer.
Aquiles realmente estava preocupado.
— Sim, eu já ia comentar. Mas, não vou acordar Valerie, vou recolher tudo e quando terminar, eu a pego e você recolhe a rede para mim.
— Tudo bem.
Assim que terminamos, pego Valerie e seguimos de volta para casa.
***
Valerie dormiu todo o trajeto. Ao chegarmos em casa, deixei-a em meu quarto e sai preparando tudo, o jantar, organizando o restante das coisas para sua viagem, aproveito e guardo minhas cartas, para ela, no meio de suas coisas E separo uma que fiz para dar a ela na estação com uma surpresa...
Quando termino tudo, vou para o banho.
Ao sair vejo que Valerie não está no quarto, saio procurando-a e quando bato em seu quarto noto o silêncio, abro com cautela e ao chegar próximo a porta de seu banheiro, que evidencia a claridade lá de dentro, chamo...
— Valerie, amor? Você está bem?
— Oi. – Ela responde. – Lindo eu estou no banho, daqui a pouco vou sair.
— Tudo bem, eu estava preocupado. Estou te esperando na sala princesa!
— Tudo bem amor.
***
Passam-se algum tempo e Valerie sai do quarto, de cabelos lavados de pijama cor de rosa, novo, e com um kit de primeiros socorros numa mão e uma toalha na outra. Assim que ela aproxima-se, tiro as coisas de suas mãos, aproximo-me dela e a abraço dizendo-lhe...
— Hum que noiva cheirosa e tentadora!
E beijo seu pescoço e passo a pontinha de meu nariz por ali inalando.
Ela correspondendo a provocação, vai até meu pescoço e beija e morde a parte sensível me fazendo soltar um ruidoso gemido, para em seguida puxar meus cabelos trazendo meu rosto de encontro ao seu, até nossos lábios se encontrarem. Assim que o faz, tomo seus lábios com uma fúria incrível. E ela corresponde com a mesma proporção fazendo-me arfar coma intensidade daquilo. Sinto todo meu corpo aquecido por tê-la em meus braços, porém quando aumento o aperto em sua cintura, nós dois gememos...
— Ai...
A dor de nossos ferimentos, e Valerie se afasta segurando o local do seu e se assusta quando olha para mim, pois, o meu voltou a sangrar, ela rapidamente me conduz até o sofá me deitando e ajoelha-se ao meu lado para cuidar de mim.
— Ai Henry me desculpa amor, você ainda não pode se esforçar muito pois, sua ferida está aberta.
Rapidamente ela ergue minha camisa do pijama, desce o cós de minha calça um pouco e retira a fita e a compressa velha e vai agora limpando a ferida novamente com antisséptico, depois diz...
— Lindo, me perdoa, agora é a parte que dói.
Então, digo a ela...
— Amor, depois do que eu vi você suportar, fique tranquila, eu não vou reclamar.
Assim ela cuida com todo o carinho de meu ferimento. Noto que ela adota uma postura de seriedade o temo todo, creio eu que é para não se deixar levar pela intimidade que o momento proporciona, querendo ou não, nossos ferimentos foram em regiões muito tentadoras de se ver e tocar. Até me impressiona a capacidade que ela tem de se abstrair naquele momento. Assim que ela termina, eu digo...
— Agora é minha vez de cuidar de você meu amor.
Então, ela deita-se ali e sobe sua blusa do pijama, ela mesma desce um pouquinho o cós da calça até onde me dê acesso para mexer em seu ferimento, e pra mim, já não é tão fácil realizar a tarefa, sem me sentir tentado, pois, agora que não vejo sangue e a ferida não está tão exposta, tenho mais noção da parte de seu corpo exposta a mim, e fico maravilhado com aquela pele tão branquinha. E tão deliciosamente macia. Retiro a fita e a compressa, e cuido do ferimento, Valerie se ergue um pouco para ver e diz...
— Nossa Henry, você fez um excelente trabalho príncipe, ninguém diz que não foi um médico que suturou.
Olho para ela sorrindo.
— Já disse que eu coloco o meu melhor em tudo que é para você meu amor.
Ela sorri e diz...
— Eu sei amor.
Continuo limpando sua ferida e agora coloco o álcool iodado, e em seguida o unguento, e cubro com a compressa, e em seguida com a fita. Assim que termino, fico observando a pele tão linda de minha noiva, o desejo de tocá-la é enorme. E Valerie percebe, e olha profundamente em meus olhos. Assim, ela pega minha mão e leva-a até seu ventre, meu corpo todo desperta com aquele toque, ela deixa minha mão ali e retira a sua. E diz me olhando...
— Também sinto falta Henry, não sabe o quanto.
— Eu sei sim amor.
Digo deslizando os dedos por seu ventre exposto, fazendo-a a fechar os olhos com aquilo, creio eu que, é para se conectar com as carícias e contato com meus dedos. Faço movimentos circulares por toda a região exposta, só evitando a parte ferida, lentamente sou tentado a circular com a ponta de meu indicador, o seu umbigo, e naquele momento ela solta um baixo gemido, porém é o mesmo momento em que segura minha mão que a provoca olhando para mim simultaneamente, cheia de desejo em seu olhar. Assim ela diz...
— Amo tanto você Sr. Lazar, meu noivo perfeito e dono do meu coração!
Dou lhe um sorriso e digo-lhe...
— Também a amo Valerie! E pode ficar tranquila, que não vou avançar.
Digo isto, e retiro minha mão, reposicionando o cós de sua calça com cuidado e abaixando sua blusa.
E ela sorri para mim com contentamento...
— Você realmente é um príncipe meu amor, Meu Príncipe!
Puxo-a com cuidado até mim e com seus lábios a milímetros do meu digo-lhe...
— E você Minha Princesa, Minha Noiva linda, Minha Amada, Minha Vida. Dona do meu coração!
Tomo seus lábios nos meus com carinho num beijo calmo e suave, muito consciente de que hoje na véspera dela viajar, qualquer provocação, por menor que fosse, poderia ser muito. O beijo é longo cheio de amor, de sentimentos e significados... Quando o ar nos falta, Valerie se afasta fazendo um rastro de beijos por meu rosto, meu queixo, pescoço, até chegar a minha orelha. Ali ela intercala beijos e mordidas leves e sussurra para mim:
— Vou sentir falta disto. De percorrer cada centímetro de sua pele com meus lábios, sentindo seu sabor. – E ela dá um beijo molhado naquela região. – Seu cheiro. – E agora ela corre a pontinha de seu nariz pelo meu pescoço inalando. – A textura. – E agora ela afasta o rosto e corre a ponta de seus dedos pelo meu rosto, pescoço, ombros.
Cada estímulo daquele estava me enlouquecendo de desejo, porém eu me continha, pois, sabia que seu objetivo não era me provocar.
Por fim, creio que ela percebe, que minhas reações estão alteradas, beija meu rosto e diz...
— Na verdade, sentirei falta de você por inteiro Henry...
Então, sorri lindamente para mim.
— Eu também sentirei falta, exatamente de tudo em você Valerie.
Ela acaricia meu rosto, então digo...
— Amor, eu fiz o jantar e comecei a separar algumas coisas para sua viagem.
— Obrigado Henry, então, vamos jantar?
— Sim.
Enquanto preparo a mesa, Valerie recolhe o kit de primeiros socorros para guarda-lo.
Jantamos juntamente com Aquiles, e os momentos são maravilhosos. Apesar do distanciamento necessário ao profissionalismo de Aquiles, é visível como ele gosta de estar conosco, e o carinho que tem por eu e Valerie.
Conversamos muito, e Valerie recolhe e organiza tudo enquanto eu e Aquiles conversamos sobre a Guarda, guerras, combates, sobre o Reino.
Quando ela termina, me diz que vai para seu quarto organizar as coisas para a viagem.
Quando termino com Aquiles e vou para o quarto, ela me espera com as bíblias separadas. Fazemos nosso momento de leitura juntos, e ainda conversamos um pouco.
Nossa noite encerra-se maravilhosa, pois, a surpreendo cantando mais uma vez para ela. O que faz com que tenhamos mais alguns momentos de romance inesquecíveis antes de dormir, com direito a declarações de amor, a beijos intensos, a carícias maravilhosas, a trocas de olhares de cumplicidade, que é uma marca tão nossa... E o melhor, nos permite dormir ainda mais envolvidos um no outro como se nosso corpo fosse parte um do outro.
***
Ouço um soluço ao longe, que me traz incômodo. Ouço outro, que faz meu coração se apertar no peito. E de repente me sinto totalmente desperto, pois, identifico o que é: Valerie está chorando. Muito preocupado, a evolvo mais em mim, e pergunto:
— Amor o que você tem? É a dor?
Ela nega com a cabeça, e tem seu rosto escondido em meu peito.
— Foi um pesadelo?
Ela olha para mim e diz com olhos vermelhos...
— Sim. E eu preciso te pedir algo amor, mas, estou com medo de se aborrecer ou se chatear comigo.
Aquilo me preocupa...
— Por que amor eu faria isto?
Ela me olha constrangida e receosa, mas, me diz sincera.
— Ciúme lindo, pois o sonho foi com Érion e eu estou preocupada.
Realmente aquilo me trouxe desconforto, mas, na hora me lembrei do que meu ciúme foi capaz de fazer e me contive e disse a ela...
— Amor, eu prometo que vou me comportar Valerie, pode confiar em mim.
Ela respira fundo e diz...
— Henry algo está acontecendo com Ele, eu o via tentando tirar sua própria vida amor, e os tios desesperados e Araon e Sophie também. Inclusive você lindo, pois, ficava com remorso por tê-lo julgado. E foi horrível ver o sofrimento de todos amor.
Aquilo me deixou preocupado, pois, os sonhos de Valerie nunca são em vão. E se ele veio na véspera de sua viagem, isto pode ter algum significado com o dia de hoje.
E como que para confirmar o que estava em minha mente, Valerie disse...
— Henry, vamos descer mais cedo para Grewnville? Se for o caso, almoçamos por lá, estou com uma sensação muito ruim amor...
— Claro, Valerie, você sabe que não ignoro seus sonhos meu amor. Mas, e o almoço com sua mãe e minha avó?
— Eu pensei em tudo lindo, como deixamos tudo pronto ontem, vamos levantar rápido e vamos colocar tudo na carruagem e nos arrumar, levamos o café da manhã para tomarmos lá com elas, e de lá mesmo seguimos viagem. Só tem uma coisa Henry, eu quero que você leve Camelot, para não voltar sozinho. Já que Aquiles segue viagem comigo.
— Tudo bem Amor, então vamos.
Preparamos tudo de maneira criteriosa e agilmente.
***
Apesar da tensão promovida pelo sonho, nossa manhã segue tranquila, minha avó e Suzette compreendem nossa preocupação em irmos cedo.
Vivenciamos com elas um café da manhã maravilhoso, recebemos carinho, abraços, beijos, Valerie então, é muito bem cuidada e tratada pelas duas, ao olhar para minha sogra e minha avó, tenho a exata noção de o quanto elas sentirão falta de minha noiva.
Somos surpreendidos quando Cedrico e Prudence, Rox e Rose, vem até nós se despedirem de Valerie, e cada um traz a ela uma lembrança, Valerie chora muito, e ali vejo, que sentirá falta deles também, e esta perspectiva me deixa ainda mais consciente da saudade que eu mesmo enfrentarei e que ela enfrentará em relação a mim.
Ela chora mais ainda ao abraçar Suzette e minha avó, e as duas também não conseguem mais se conter. Aquilo aperta meu coração, e fico perplexo de o quanto fiquei focado na minha saudade e nem me dei conta de que todos nós sofreremos com sua ausência. Valerie fará falta demais.
É emocionante ver quando ela abaixa-se e beija a barriga de Prudence e diz:
— A madrinha vai passar um tempinho fora bebê, e quando ela voltar provavelmente você vai estar grandinho e fofinho, cuida de sua mãe, não faça ela sofrer muito viu, amo você bebê!
A esta altura ela e Prudence choram, e até Cedrico está emocionado, Prudence a abraça e Cedrico olha para mim pedindo permissão para fazê-lo também, e eu permito numa boa.
Ele a abraça e diz:
— Boa viagem, Deus acompanhe você, sentiremos demais sua falta.
— Eu também, Cedrico, fiquem com Deus e por favor. – Ela agora intercala olhares dele para mim e diz. – Cuide de Henry para mim, não o deixe só, não o deixe ficar mal. Sei que vocês são como irmãos. Faça isto por mim.
— Claro! Fique tranquila Valerie. Vá sossegada.
Então, ela se despede de Roxane e Rose e é mais uma rodada de choro.
Assim, partimos. Eu e ela vamos atrás na carruagem, Aquiles e Camelot à frente guiando.
Fazemos todo o trajeto muito envolvidos um no outro, eu sentia como se uma parte de mim, tivesse que ser separada de meu corpo muito em breve, então, era difícil demais soltá-la, ou separar-me dela.
Eu sentia claramente que ela experimentava a mesma coisa. Ela estava sensível demais e buscava meus lábios o tempo todo.
Num determinado momento, ela veio e sentou-se no meu colo e disse:
— Amor quero que você se cuide, se alimente direitinho, procure dormir bem, eu sei que não será fácil, mas, preciso que se esforce por mim.
— Pode deixar Valerie, irei me esforçar. Porém, também tenho algo a pedir: se cuide também, não saia sem Aquiles, não dê brechas, se concentre em cuidar de você. Amor, preste atenção, você é o que tenho de mais precioso nesta vida Valerie. Não vivo sem você, e mais, você agora também pertence a mim amor, então cuide do que é meu, e como eu também pertenço a você, prometo que cuidarei do que é seu. Eu amo você Valerie, mais do que tudo nesta vida!
— Eu também Henry e eu prometo que irei me cuidar.
Passamos o restante da viagem conversando nos declarando um ao outro, porém, eu sentia o tempo todo o quanto ela estava apreensiva e triste.
E sabia que também, tinha haver com o que sonhou em relação a Érion.
***
Assim que chegamos a Grewnville, fomos direto a casa dos tios. Ao chegarmos, somos recepcionados por tio Heitor, que numa alegria imensa ele me abraça e abraça Valerie. Porém, creio que percebe que estamos apreensivos, principalmente Valerie. Assim, pergunta...
— Vocês estão bem? Vieram cedo.
— Sim estamos tio, é que Valerie acabou resolvendo ver vocês antes e passar um tempinho aqui.
Eu respondo e Valerie dá um sorriso dentro do que lhe é possível confirmando, e o tio diz satisfeito:
— Nossa que maravilha! Vamos entrar então, que sua tia e Sophie ficarão muito felizes.
Entramos e realmente a tia e Sophie vieram muito satisfeitas nos receber. Elas abraçam Valerie e a mim, beijo o topo da cabeça da tia, e quando instintivamente vou beijar o topo da cabeça de Sophie, olho para Valerie e me contenho, e ela me dá um sorriso que na verdade quer dizer que não se importa, mas, depois do que houve com Érion, eu realmente não me sinto mais tão a vontade. Disfarço e nisto Araon chega nos abraçando e cumprimentando feliz da vida. Nisto, Camelot e Aquiles entram com tio Heitor que foi lá fora busca-los.
Vejo Valerie conversando algo com tia Clara por um instante, e em seguida Aquiles sai a pedido dela. E depois de um tempo volta. E tia Clara o agradece. Creio que havia pedido algo a ele.
Assim que Valerie percebe que estamos todos aqui, ela diz...
— Tia Clara onde está o Érion?
— Ah, minha filha, Érion não tem estado bem, anda indisposto, fica mais no quarto, e hoje ainda nem desceu para tomar café, já chamei, já bati na porta e nada. Ele diz que está descansando que só sairá mais tarde.
Neste momento, Valerie me olha muito aflita. E sei que ela está sentindo algo em relação a isto.
Faço sinal com a cabeça para ela e ela pede a tia...
— Tia Clara eu e Henry gostaríamos muito de vê-lo será que podemos?
— Claro, minha filha! Mas, temo que ele não irá atendê-los, pois, como eu disse, hoje, ele nem saiu do quarto ainda.
O tio que é atento a tudo, neste momento olha seriamente para mim, pois sente que tem algo no ar. E eu o confirmo com um aceno leve de cabeça para que ninguém perceba e não alarme a tia e a Sophie.
Assim, Valerie diz...
— Vamos Henry. – E agora ela se vira para Aquiles e Camelot e diz... – Vamos também Aquiles e Camelot.
A princípio eles não entendem e nem eu, mas, uma coisa eu aprendi, a confiar nos instintos de Valerie.
Subimos as escadas e percebo que todos vêm atrás, sem exceção.
Noto que Valerie tem sua respiração pesada e que sua mão que está entrelaçada a minha, transpira muito.
Assim que chegamos a frente do quarto de Érion, Valerie se posiciona perto da porta e diz.
— Érion? Érion, sou eu Valerie, eu vim ver você antes de viajar a Livergoorn.
Faz-se um silêncio e sinto Velerie apreensiva. Ouvimos um barulho de uma cadeira sendo arrastada, e Valerie arregala os olhos e de novo diz...
— Érion, por favor, abra eu quero muito ver você antes de viajar, Henry está aqui também, precisamos conversar com você. Por favor. Vamos, quer que eu te traga café da manhã? Tia Clara disse que você nem comeu ainda.
Mais um silêncio e novamente um barulho de algo sendo arrastado.
Valerie agora se apavora e diz.
— Érion, por favor, me responda.
O tio e a tia agora se aproximam e Araon vem junto querendo saber o que está havendo. Porém faço sinal para que esperem em silêncio.
— Érion? – Valerie diz...
Por fim, ele responde...
— Oi Valerie... Eu estou... Cansado... Vai embora...
Ele diz em voz sufocada e arrastada.
E bem neste momento Valerie se desespera e olha para mim apavorada e diz...
— HENRY QUEBRE ESTA PORTA.
— O QUE? – Eu pergunto não compreendendo.
— Amor, por favor, confia em mim, quebra esta porta agora...
O tio fica alarmado, e sem entender, mas Valerie grita...
— HENRY, PELO AMOR DE DEUS QUEBRA A PORTA AGORA AMOR!
Olho pro tio buscando confirmação e mesmo sem entender ele me dá:
— Vai Henry quebre! – O tio diz angustiado.
Então aproximo-me e Valerie diz.
— Vamos Camelot e Aquiles ajudem a Henry, quebrem esta porta rapidamente!
Eu Camelot e Aquiles damos juntos exatamente três chutes na porta exercendo toda a nossa força pois era jacarandá maciço e por fim ela tomba partindo as dobradiças.
E bem neste momento Valerie grita:
— TIRA ELE AGORA SE NÃO ELE VAI MORRER!
E começa a chorar...
E eu Aquiles e Camelot disparamos pelo quarto quando nos deparamos com a cena mais terrível que eu jamais poderia imaginar ver:
Érion havia acabado de se pendurar pelo pescoço em uma corda presa a uma barra de ferro no teto e tinha empurrado a cadeira que sustentava seu peso com os pés. E começava a agonizar sem ar.
O tio quando vê grita desesperado:
— ARAON SAIA DAQUI LEVANDO SUA MÃE E SOPHIE AGORA!
Por mais que Araon quisesse ficar para ajudar, e era possível ver isto em seus olhos, ele obedece, e tira uma tia Clara e uma Sophie aos gritos e desesperadas e relutantes dali. Enquanto eu Aquiles e Camelot trabalhávamos ardentemente para retirar Érion ainda com vida dali.
Tio Heitor tem Valerie abraçada com ele chorando e escondendo seu rosto em seu peito. E ele a conforta.
Mesmo sem olhar digo:
— Tio tire Valerie daqui também!
Porém, ela grita:
— NÃO! Eu vou ficar, e continua chorando!
— Acalme-se minha filha. – O tio diz a ela. E não sei de onde ele reúne força, pois seu semblante está arrasado.
Como sou o mais alto, eu e Aquiles sustentamos o peso de Érion para que ele não sufocasse tanto mais, porém, a corda já tinha ganhado um aperto e estava laçada em seu pescoço e Camelot tinha acabado de subir na cadeira para forçá-la a se abrir novamente.
Porém, neste momento dou um gemido baixo, pois no calor do momento esqueci-me de que estou ferido e Valerie percebe e me olha preocupada, porém a tranquilizo com meu olhar.
Assim que Camelot, consegue afrouxá-la, ele pega uma adaga em sua cintura e corta a corda, permitindo agora que eu e Aquiles retiremos Érion de lá. E assim, o colocamos na cama.
Olho seus batimentos, enquanto Aquiles faz massagens em seu peito para regularizar as batidas de seu coração, que já começava a enfraquecer.
De repente, Valerie sai rapidamente.
O tio agora, sem Valerie se aproxima e olha para Érion, com tristeza e angústia.
Valerie volta com uma bacia e uma toalha nas mãos.
Ela se aproxima e me dá. Porém, não entendo seu gesto. Só que compreendo que ela mesmo não o quer fazer por receio de me aborrecer, então digo-lhe...
— Faça amor, pode fazer sem problemas.
Ela me lança um olhar de gratidão e senta-se na cama ao lado de Érion, e começa a fazer uma compressa em sua testa, seus pulsos, passa uma outra bandagem com a compressa no seu rosto.
E incrivelmente, o rosto pálido e sem vida de Érion, pouco a pouco volta a ganhar cor, e ele que já estava semiconsciente devido a tanto tempo sem ar o suficiente, começa e ganhar consciência.
Assim, diz, no momento em que abre os olhos e consegue ver Varlerie...
— Por que fez isto? Por que você mandou eles me tirarem?
A voz de Érion estava grossa, creio que sua traqueia deveria estar ferida.
— Eu não poderia deixar nada acontecer a você Érion, nós todos ficaríamos arrasados. Seria insuportável. Como você pôde fazer isto conosco? Quase que não dá tempo de nós...
E bem neste momento, Valerie para, não conseguindo prosseguir, pois, o choro a vence.
Aproximo-me e sento-me ao seu lado, e ela me abraça no mesmo momento.
Aproveito e digo a Érion.
— Ei, Meu irmão, Valerie está certa, nós sentiríamos demais...
Ele não me deixa prosseguir, e diz magoado...
— Ela, eu acredito, e até você Grandão, apesar de ter sido um completo idiota comigo esta semana e com ela também, tenho certeza. Mas, ainda bem que pelo visto se acertaram. Mas, enfim, o resto nem iria notar, se não fossem por vocês dois, a esta hora, eu nem estaria aqui.
Érion diz aquilo com tanta mágoa, que nem consegue mais nos olhar nos olhos, ele desvia o olhar, e bem neste momento. Lágrimas rolam de seu rosto.
Tio Heitor que até então, estava estático pelo choque, acho que ainda estava processando tudo, diz:
— Meu filho, como você pode dizer uma coisa destas, eu e sua mãe e seus irmão amamos você.
Érion dá um sorriso amargo e diz...
— Não posso dizer que não amam, mas, a verdade, é que não se importam. É tanto que eu não ando bem a muito tempo e vocês não perceberam. Só Valerie e Henry o fizeram.
O tio neste momento, faz um silêncio profundo e Érion motivado por isto prossegue.
— Pai, você e mamãe a vida inteira, só se preocupam com Sophie e Araon, o fato deles sempre terem dado mais trabalho, cada um a sua maneira, sempre fez com que obtivessem mais atenção de vocês, eu por ser sempre o comportado, o compreensivo, o contido, que não arma confusão por nada, sempre fiquei de canto, ou para depois, era assim até quando tinha que escolher a que dariam preferencia quando alguma atividade escolar nossa coincidia a data, como eu sempre compreendia, não fazia birra nem nada, era a minha que era deixada de lado. Já pensou como eu venho me sentindo ao longo dos anos? O fato de eu não arranjar confusão, não quer dizer que estas coisas não me doam. Agora então, que sou adulto, aí que fiquei de lado mesmo, agora mesmo eu estava vivendo dias terríveis e vocês nem se quer notaram...
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Havia tanto ressentimento na fala de Érion. Porém, tio Heitor não o permite terminar...
— Meu filho, eu reconheço que erramos, agora que vocês me expõe isto e te peço perdão filho, do fundo de meu coração, mas, você está errado numa coisa, nós temos percebido sim, e até conversado entre nós, mas, você é tão reservado, que é difícil nos achegarmos e termos acesso. É como Henry era, Henry está mudando agora, Valerie o tem mudado.
Neste instante, é que observo que Camelot e Aquiles já se retiraram pelo momento ser algo tão íntimo, e me dou conta de que a família precisa de um tempo junto e a sós com Érion.
Valerie também, parece compreender, então diz:
— Bem eu quero dizer algo. Tio Heitor, eu e Henry, vamos embora, vocês precisam ter uma longa conversa em família e Érion precisa de cuidados médicos e neste momento, ele é a prioridade aqui. Eu estou bem, vi todos vocês, matei minhas saudades, e tenho Henry comigo, que é o que mais preciso e é tudo para mim. Érion precisa de vocês, e de todos vocês juntos. Então...
Ela levanta-se, aproxima-se de Érion e só toca sua cabeça se despedindo e diz.
— Fica com Deus cunhadinho, sentirei muito sua falta e de nossas conversas, e quero te agradecer por que você preservou meu noivo amado de ficar marcado com um bom soco no dia em que ele foi um bobo de ciúme com você, sei que você pensou que eu ficaria aborrecida.
Valerie diz, fazendo graça para desviar a atenção das circunstâncias. E Ele levanta sua mão e pega na de Valerie que está entrelaçada comigo e diz.
— Vocês são incríveis, eu não tenho dúvidas de que serão muito felizes.
Valerie me olha e me dá um sorriso que eu correspondo, e com minha outra mão, eu uno nossas três juntas. E digo...
— Nunca mais faça o que você fez, meu irmão. – Digo sério. Porém agora falo brincando.- Pois quem vai ajudar minha princesa a preparar mais algumas surpresas tão perfeitas para mim hein? Mesmo depois de eu ter sido um completo idiota?
E eu ele e Valerie rimos, porém, seu sorriso não toca seus olhos.
Assim digo...
— Érion, se cuida, e assim que o médico te ver e te liberar desce para Daggorhorn, pois, quero que passe uns dias comigo, terei muito trabalho por lá para você e não terá tempo para pensar em besteiras.
— Eu vou mesmo Grandão. Já havíamos combinado, e agora acho bom mesmo ir. Afinal quem vai aguentar sua melancolia nestes dias sem Valerie? Estou até vendo.
E ele sorri um pouco e eu digo...
— Nem me lembre disto! – E agora me aproximo e digo ao tio que está mudo e pensativo com a cabeça entre as mãos, seriamente entristecido com o que houve, sentado na cadeira de leitura de Érion... – Tio precisamos ir, será melhor para vocês, vocês precisam deste tempo.
— Tudo bem, você tem razão, mas, nos perdoe, e o almoço?
— Tio fique tranquilo, é bom que levo Valerie para conhecer aquele restaurante lembra? Ainda não tive oportunidade, e no mais, eu sinceramente gostei de passar mais este tempo só nós dois.
Eu digo sorrindo tentando fazer graça para alegrar o tio e fazendo Valerie ficar vermelha, o tio compreende e sorri um pouquinho, daí diz:
— Você tem razão Grandão estes momentos são preciosos, aproveitem, e mais, obrigado por tudo meu filho. – Ele diz para mim. E agora reporta-se a Valerie. – E obrigado a você minha filhinha querida! Nunca vou poder retribuir o que fizeram por nós neste dia, salvando meu filho. Mas, tenha certeza que Deus irá recompensá-los, e qualquer coisa, qualquer coisa mesmo que precisarem, e isto é para os dois, eu e sua tia estamos aqui. Esta realmente é uma extensão da família de vocês. Não somos perfeitos como acabaram de ver, mas, pelo menos tentamos acertar e não desistimos uns dos outros.
— Eu sei tio entendo e vejo isto claramente a cada dia!
Eu digo com sinceridade.
E Valerie diz, porém olha para mim antes pedindo aprovação no olhar, e eu dou, pois sei que quer beijar a abraçar tio Heitor.
E assim ela o faz...
— Tio fique com Deus, saiba que levo vocês e os momentos maravilhosos que temos desfrutado juntos no coração, e agradeço por tudo, e o que precisarem também estou a disposição.
O tio sorri com lágrimas transbordando e diz:
— Eu sei branquinha eu e sua tia sabemos o quanto você já nos ama, uma prova disto, foi seu gesto de hoje. Nunca iremos esquecer.
Ele beija a bochecha de Valerie, levanta e me abraça e beija meu rosto, como um pai verdadeiro faz. E assim, deixamos o quarto, e tio Heitor sozinho com Érion para conversarem.
Ao descermos as escadas, vemos que um médico encontra-se na sala, e Aquiles, aproxima-se e diz...
— Fui em busca de um médico, não é como Dartanhã, é claro, mas Érion vai precisar de cuidados. Inclusive acho que vocês devem aconselha-los a levarem-no ao Dartanhã em breve.
— Faremos isto, e obrigado por tudo Aquiles. Vamos almoçar agora, vamos a um restaurante e depois vamos para estação.
— Tudo bem.
Aproximamo-nos de Tia Clara Sophie e Araon que está com as duas.
Valerie vai até elas e as conforta, conversa um pouco, as orienta, enquanto eu converso com Araon que se aproxima...
Vejo pela primeira vez o quanto Araon está abalado com o que aconteceu a Érion, ele simplesmente chega perto e no seu olhar, sei que precisa de um abraço de irmão, e como hoje sou outro Henry, prontamente o puxo em direção aos meus braços e ali Araon desmorona.
Ele estava se mantendo por um fio pela tia e por Sophie, mas no fundo estava arrasado. Ele chora muito e eu também é claro, pois a dor desta família, agora posso ver melhor ainda, também é minha dor.
Observo e vejo Valerie fazendo o mesmo com a tia e Sophie e dou sinal a Aquiles para subir com o médico, que o faz prontamente.
Depois de um longo tempo Araon afasta-se e diz;
— Obrigado Grandão, a você e a branquinha por tudo e por terem salvado meu irmão. Não sei o que seria de nós se algo tivesse...
E ele não consegue completar. Chora mais um pouco.
Converso mais um tempo com Araon, e quando está mais calmo ele volta para perto da tia. Ele gradece e abraça Valerie, que se despede deles e eu me aproximo da tia e Sophie, e as conforto e me despeço delas, e a tia diz:
— Filho nos desculpe por não podermos passar estes momentos antes da viagem com vocês.
— Já passaram tia não se preocupe.
Ela sorri sem humor para nós e assim, eu e Valerie deixamos a casa dos Lancelot’s.
***
Noto que na carruagem, Valerie está pensativa e eu também.
Porém, a tomo nos braços e digo:
— Vamos agora a partir deste momento amor, por mais difícil que seja, deixar estes acontecimentos daqui para trás, pois, nós precisamos demais destes momentos juntos e só nosso, é o que nos dará forças para suportamos tão longa ausência, minha vida.
Ela sorri para mim, e diz...
— Tudo bem lindo, amo você Henry.
— Também a amo Valerie. Amor, lembre-se do que pedi, sei que posso estar sendo chato. Mas, prefiro ser chato pelo meu excesso de zelo do que relapso com você, meu amor. Então, eu quero mais uma vez pedir, se cuide, não se afaste de Aquiles, não faça nada que te coloque em vulnerabilidade amor. Pense nestes momentos em como eu me sentiria se caso algo acontecesse a você... Eu simplesmente não suportaria amor, de verdade!
— Eu sei Henry, eu prometo meu amor que me cuidarei. Porém, quero pedir que se cuide também Henry. Quero que tome cuidado onde vai, como vai, cuidado com emboscadas amor. Mildrad não está satisfeito com você também, e tenho receio que ele aproveite que você está tão focado em mim, e se aproxime para fazer algo contra você. E agora sou eu que digo a você: Pense em como eu ficaria se caso algo te acontecesse amor. Por favor, considere isto também.
Sua fala me deixa maravilhado! É incrível como Valerie se importa comigo. Ela simplesmente seria capaz de se colocar em risco por mim, e nisto é que concentro as vezes a minha preocupação, pois me recordo de uma fala sua, que Mildrad pode não alcança-la, porém se ele me alcançar, ela já terá sido alcançada.
Neste momento quando ela toca meu abdômen sem querer, solto um gemido de dor. E ela se lembra...
— Henry sua ferida!
E quando olha vê a compressa cheia de sangue creio que pelo esforço com Érion me diz:
— Vou pegar o kit e cuidar de você lindo!
E assim, ela o faz. E quando termina diz.
— Amor não faça mais esforço, estou viajando preocupada Henry.
Aquilo me deixa apreensivo então digo-lhe.
— Amor, vá tranquila e eu prometo que irei me cuidar.
Assim, passamos mais algum tempo nos braços um do outro desfrutando do nosso tempo juntos.
A carruagem atraca, e sei que chegamos ao centro de Grewnville, ao restaurante.
Saímos da carruagem, e chegando lá, reservo uma mesa para quatro, eu Valerie, Aquiles e Camelot.
Os dois ficam constrangidos, na verdade acho que as vezes não compreendem o fato de trata-los como iguais, pois, isto não é algo comum a todos, mas o é para mim, aprendi isto com meus pais e não me arrependo disto. E graças a Deus a mulher que me apaixonei e escolhi como minha esposa, é como eu. É impressionante o quanto isto também não faz diferença para Valerie. E ela dá uma grande prova disto quando diz:
— Aquiles e Camelot. Eu quero dizer algo em meu nome e de Henry. Parem de agir como se fossem estranhos ou estivessem em um nível inferior ao nosso. Mesmo vocês sendo nossos contratados, vocês já são parte de nossas vidas, vocês querendo ou não. Pois, conhecem nossa rotina, sabem dos nossos receios o que tememos, cuidam de nossa segurança, deixam de ter tranquilidade para que nós tenhamos a nossa. Principalmente, vocês dois que estarão diretamente conosco. Assim, entendam, vocês terão de se acostumarem a serem tratados desta forma tudo bem?
Eles me olham, e creio que buscando ouvir algo de mim a respeito. Mais pela questão da autoridade mesmo. Então digo...
— Valerie está certa em todas as suas colocações. Quando quisermos distanciamento, nós deixaremos claro tudo bem?
— Tudo bem.
Aquiles responde e Camelot acena com a cabeça.
Almoçamos e o momento é bem agradável. Aquiles e Camelot, quando estão mais relaxados são bem agradáveis de conversar.
Ao terminarmos de almoçar, percebo que temos quase três horas de espera ainda e tenho uma ideia.
Então, digo a Valerie.
— Amor, como nos adiantamos muito estamos com tempo de sobra e não acho uma boa passarmos todo este tempo na estação. Assim, como este restaurante tem um hotel na parte de cima vamos nos hospedar para descansarmos? O que você acha?
— Hum Henry, confesso que gostei da ideia. Vamos sim.
Assim digo a Aquiles e Camelot...
— Vou reservar um quarto na frente do nosso para vocês. Assim vocês descansam também.
— Tudo bem. – Aquiles responde.
Assim que faço a reserva. Seguimos ao nosso quarto.
E por medida de segurança Aquiles e Camelot, dão uma varredura no local antes, principalmente no nosso andar e no nosso quarto.
Assim que saem, eu e Valerie entramos, e imediatamente, assim que tranco a porta, vou até ela e envolvo sua cintura e capturo seus lábios num beijo saudoso. Cheio de amor, carinho, paixão e desejo.
E é impressionante que, desde quando ela se afastou mais de mim por causa das manifestações de meu ciúmes com Érion, é a primeira vez, que a observo menos hesitante, e mais receptiva a mim. Aquilo me dá tanta alegria, meu coração transborda de satisfação com esta compreensão.
Sinto em todas as suas ações e reações que ela sente tudo o que estou sentindo. Principalmente quando ela arranha minha nuca e puxa mais meu rosto contra o seu. Aquilo me faz gemer e suspirar em seus lábios e leva-me a apertar sua cintura, evitando o ferimento. E neste momento, ela abandona meus lábios e olha para mim. Vejo toda sua entrega de volta e seu desejo em seu olhar. Vejo o quanto ela está conectada a mim naquele exato instante, pois, seu olhar sonda a minha alma, e o meu não é diferente.
De repente ela me dá um sorriso lindo e diz...
— Venha aqui meu amor...
E a expectativa arde em mim com o convite. Ela puxa-me até a cama e conduz-me a sentar aos pés da mesma bem ao centro. Em seguida aproxima-se de mim sentando-se em meu colo de lado. Ali começa acariciar meu rosto com delicadeza. Passa os dedos em minha testa, minhas pálpebras, meu nariz, meu queixo, cada lado de minha face e por último meus lábios. E se detém ali contornando-o com seus dedos como se quisesse memorizar cada detalhe. Então, diz...
— Irei sentir tanta falta deles amor.
— Hum... — Respondo beijando seus dedos.
De repente ela começa a fazer o mesmo trajeto que fez com os dedos com os lábios. Porém, quando chega aos meus lábios ela só roça os seus ali me provocando, e assim desce-os ao meu queixo, pescoço.
Em todo o processo tenho uma mão em sua cintura e a outra entre seus cabelos. Porém, quando ela morde a parte sensível de meu pescoço, instintivamente e num impulso a mão que está em seus cabelos, vai para sua coxa apertando-a. E ela estremece, congelando seus movimentos em seguida.
Aquilo causa uma reação estranha em mim, pois me leva a querer a rir. E não consigo me controlar, acabo rindo mesmo e muito em seu pescoço, e quando afasto-me para olhá-la ela está vermelha. Então pergunta-me:
— O que foi?
— Desculpa amor, é engraçado, você fica apavorada, toda vez que toco sua coxa Valerie.
Ela fica ainda mais vermelha, porém diz...
— Claro Henry. Já não falamos sobre isto? É um dos meus limites rígidos, e você ultimamente anda muito bom em ultrapassar limites não é lindo?
Seu comentário me faz ficar sério.
— Desculpa amor, me perdoe, eu sei que tenho dito isto com frequência, mas, de verdade, há momentos que não dá tempo nem de pensar...
— Pois é lindo, como você não pensa, eu tenho que pensar e ainda agir, por que se não... Não é amor?
Sinto meu rosto queimar com a constatação daquela verdade. E Valerie para suavizar diz...
— Hum lindo, você está coradinho, ai que delícia amor! Adoro ver sua carinha assim, Sr. Lazar.
— Hum... Você gosta de me provocar não é princesa?
— Claro! E tem coisa melhor?
— Bem, depois não reclama então, se eu parto para cima de você.
Digo e agora é ela que fica vermelha.
— Estou brincando amor, você anda comportada até demais linda, eu que realmente ando sem noção. Me perdoe mesmo.
— Tudo bem Henry, já disse que entendo você, principalmente depois que está curado. Bem, agora eu proponho, vamos descansar um pouquinho, e aproveitar o tempo que temos para ficar nos braços um do outro.
— Claro! Venha então...
Arrasto-me até os travesseiro e estendo os braços para recebe-la e ela atende na hora.
Assim que ela deita-se, puxo-a até o meu peito com cuidado com sua ferida, e ela deita-se ali envolvendo-se em mim. E diz...
— Nossa Henry, de tudo que sentirei falta, acho que esta será a pior parte, dormir sem você. Será horrível amor. Sinto tanto sua falta quando não dormimos juntos. Como pode não é? Estas coisas vão se tornando tão essenciais à medida que vamos ganhando intimidade. Hoje eu acho impossível dormir uma à noite tranquila sem você, todo meu corpo protesta e sente falta, é horrível.
— Eu também passo por isto Valerie e no meu caso ainda acho um pouco pior, pois, eu já quase não durmo amor.
— É verdade Henry, inclusive lindo, assim que nos casamos quero muito tentar ajudar você a trabalhar isto amor, talvez mudando alguns hábitos mexendo na sua rotina, o que não pode é você ficar sem dormir para sempre. De maneira alguma amor.
— Eu sei Valerie, vou gostar que me ajude amor.
Beijo o topo de sua cabeça, então ela diz...
— Amor, sabe, o que aconteceu hoje com Érion, serviu de grande ensinamento para mim sabia?
— Para mim também Valerie, principalmente acerca de família.
— Justamente Henry, por que eu os via tão perfeitos. E percebi com esta experiência que todos nós e toda família tem um ponto vulnerável. E precisamos estar atentos a isto. Acho que o que aconteceu os fará ainda mais formidáveis, mais fortes e certamente fortalecerá ainda mais os laços familiares entres eles lindo.
— Também vejo assim Valerie. Não vê por nós, como estes problemas que temos enfrentado tem nos unido? A perseguição de Mildrad? Seu adoecimento, o episódio de ciúme com o Érion, como tudo isto tem estreitado nossos laços, amor?
— Sim Henry tenho visto. E sabe, fico pensando, daqui alguns anos nós também estaremos vivendo questões com nossos filhos, eu só espero que tenhamos a sabedoria de tio Heitor e tia Clara de passarem tudo juntos. Já pensou vivenciar algo que diverge nossas opiniões, principalmente quando o alvo é um filho? Deve ser tão difícil Henry.
— Nossa amor e como! Espero que não venhamos nunca a passar por isto. Mas, se caso passamos eu creio que eu seria mais maleável do que você, pois, você não é de ceder tão fácil amor.
— É verdade lindo, eu sei que sou teimosa. Porém, também sei que você tem ótimas maneiras de me convencer.
Ela diz aquilo de maneira maliciosa e sorrindo sapeca para mim.
— Hum... Tenho é?
— Mas claro!
Ela diz e sorri para mim. E em seguida beija meu peito, me fazendo suspirar.
— Amo quando faz isto.
Eu digo a ela.
— Hum... Isto? – Ela pergunta e beija de novo, e de novo, e de novo, e por fim, para me provocar, morde delicadamente, me fazendo gemer, estremecer e me arrepiar todo, ficar excitado e dizer...
— Amor não faz isto... Não provoca Valerie, pois você não vai me dá o que eu tanto quero agora, amor... E vai viajar e me deixar na vontade.
Repreendo-a com carinho, mas, ainda assim ela fica vermelha. E prossigo...
— Quer me matar de desejo é? Venha cá...
Puxo-a com delicadeza, ciente de seu machucado, de forma que ela fica por cima de meu corpo, e tenho a certeza que já pode sentir o quanto estou excitado, e posiciono-a de uma forma que sinta a evidência.
E assim que ela percebe, arregala os olhos que escurecem consideravelmente, evidenciando o seu desejo para mim. Então, digo-lhe...
— Viu o estado em que você me deixa? Como quer que eu não avance os limites?
Ela fica muito vermelha e diz com a carinha mais linda do mundo:
— Desculpe-me Henry.
Puxo seu corpo para que eu possa beijar seus lábios. O faço e respondo...
— Pelo que? Por me excitar, por me dar prazer? Adoro isto amor. É claro que gosto mais quando a coisa toda é completa, mas, se decidimos esperar, vamos esperar, afinal, falta tão pouco. E no fundo eu sei que não é fácil para nenhum de nós dois amor. Fico pensando... – Digo olhando em seus olhos com profundidade. – Amor, eu acho que não vamos sair do quarto por muitos dias em nossa lua de mel.
Valerie sorri, embora esteja bem corada e diz...
— Você acha? Eu tenho certeza lindo! Absoluta certeza, ainda.
— Hum... Sério? – Eu pergunto a ela, provocando-a...
— Claro que tenho. E você não?
— Nossa se depender de mim, vou querer fazer amor com você, toda hora, amor, só darei tempo para nos recuperarmos.
E sorrimos os dois do nosso desespero...
— Henry como nós temos amadurecido percebeu?
— Claro amor, mas, também, como não amadurecer com tudo o que temos passado? Estamos fazendo um intensivo de aprendizado pré-nupcial amor, tudo conosco é acelerado demais. Como você mesmo já disse isto para mim, estamos tendo que passar tudo de uma vez e quase ao mesmo tempo. É pesado isto. Espero que depois ganhemos alguns anos de refrigério!
— Ah eu também lindo, precisamos disto. Mas, sabe Henry, apesar de tudo, eu sentirei falta deste tempo. Destes nossos momentos, temos vivido tantas coisas lindas, e juntos, creio que jamais esquecerei.
— É verdade amor, sempre penso isso também, e eu tenho certeza que eu nunca vou esquecer, e se caso você o fizer, eu dou um jeito de te lembrar!
Digo a ela maliciosamente, ela sorri para mim entrando no jogo...
— Hum... Henry gosto disto, quando usa suas habilidades para conseguir algo de mim, é bom...
— É? Você gosta minha noiva?
Digo provocando-a e beijando seu pescoço.
— Sim, eu amo!
Ela diz, não cedendo a provocação e agora me beija também, porém, claramente se contendo, e compreendo que ela está em alerta máximo para não nos provocarmos além dos limites.
Beijo mais uma vez, os seus lábios e conversamos mais um pouquinho, e assim ela posiciona-se novamente deitada ao meu lado, e aproxima-se o mais que pode de mim. Coloco relógio do quarto para despertar. Assim, adormecemos um pouco, totalmente envolvidos um no outro.
***
Vamos para a estação, e assim que chegamos, aproximo-me de Aquiles sem Valerie e digo-lhe:
— Preciso sair Aquiles, e tem de ser sem Valerie. Ela não pode ver o que vou comprar. É uma surpresa para ela.
— Bem, se o senhor não se importar, eu mesmo vou.
— Se não for te incomodar eu agradeço Aquiles. É um buquê de rosas vermelhas com lírios brancos, pode ser de vinte e quatro rosas.
— Tudo bem eu vou.
— Muito obrigado Aquiles.
Aquiles aproxima-se de Camelot, creio que para dar-lhe alguma coordenada, e em seguida sai para fazer o que preciso.
Vejo que Valerie está demorando a sair da carruagem e chego na porta para chama-la. Porém quando chego ela sai estendendo os braços para mim para que eu a ajude a descer.
Assim que eu o faço ela vira-se e busca algo dentro da carruagem que me surpreende.
— Para você lindo, para que possa matar a saudade quando sentir muita falta de mim.
QUADRO DE VALERIE PINTADO POR TIA CLARA (AQUI)
Meus olhos já estão marejados de lágrimas, pois, trata-se de um belíssimo quadro pintado de Valerie, exatamente vestida como estava o dia em que viemos à primeira vez a Grewnville. Pela assinatura, notei que foi tia Clara que o pintou, então lhe digo...
— Então, é isto que vocês andam misteriosas, e foi isto que ela pediu hoje a Aquiles? Para guarda-lo na carruagem?
— Sim foi, lindo, pois era uma surpresa minha para você. Amo você Henry, não se esqueça disto amor. E isto, é uma carta minha, para você, Henry. Leia quando eu embarcar. E você estiver voltando para casa, ou quando tiver um tempo mais tarde.
Olho o quadro com carinho, e assim que termino, o guardo de volta na carruagem, junto com a carta.
Volto até Valerie.
Nós nos abraçamos e agora eu choro em seus braços de emoção e pela saudade. Ela acaba se rendendo e fazendo o mesmo. Sinto quando Aquiles se aproxima e ele está nitidamente constrangido por chegar em um momento como aquele, porém, o tranquilizo com um olhar, ele coloca sutilmente o buquê em minha mão e sai. Quando Valerie se separa de mim, dou-lhe o buquê com a carta, e digo-lhe:
— Esta é a minha surpresa para você meu amor, razão do meu viver.
Ela pega as flores, porém me abraça chorando e diz...
— Ah meu príncipe obrigado, eu sentirei sua falta demais Henry! Eu sabia que seria difícil, mas, não imaginava que seria tanto.
Ela diz aos prantos.
Ela agora toma meus lábios, e sinto o quanto quer aprofundar o beijo, mas, percebo o quanto está receosa por estarmos em um local público, com receio de nos expor. Então, ela puxa-me e diz...
— Venha aqui comigo Henry, por favor.
Assim que chega próximo a Aquiles, ela pede...
— Aquiles, pode segurar isto para mim por um tempinho? Eu e Henry vamos sair um pouco e já voltamos.
Então digo...
— Amor, nós vamos aonde? Pois, faltam apenas quinze minutos.
— E é mais do que suficiente lindo! – Ela responde sapeca, me deixando sem graça em frente a Aquiles e Camelot.
Antes de sair digo a Aquiles.
— Venha conosco Aquiles e deixe Camelot tomando conta das coisas.
Porém, bem neste momento, Valerie diz.
— NÃO! Deixe Aquiles e Camelot aqui Henry, nós não vamos demorar.
— Valerie nós não podemos sair sem segurança, você sabe disto.
— Henry eu sei e nós não vamos longe, e Aquiles pode ficar atento, mas, eu tenho certeza que ele não vai querer entrar onde eu quero te levar!
Ela diz aquilo vermelha até a raiz de seus cabelos me deixando com vergonha e alarmado e Aquiles e Camelot mais constrangidos ainda! E apavorado e sem pensar eu pergunto...
— Mas, Valerie aonde você vai me levar?
Ela olha de um lado para outro e constrangida para Aquiles e Camelot e diz...
— Quer mesmo que eu diga?
Na hora, ocorre-me que não. E Aquiles compreendendo minha situação diz.
— Vá tranquilo senhor eu fico, mas, estou de olho.
— Tudo bem. — Eu respondo.
Saio dali puxado por uma Valerie eufórica.
Quando noto os corredores que estamos percorrendo e deduzo para onde está me levando, estanco no lugar e digo-lhe firmemente...
— Valerie não! Amor, eu honestamente, amo estas coisas impensadas que você faz, de verdade, mas, não queira me fazer entrar num banheiro feminino, e nem que eu entre com você em um masculino!
Ela olha-me alarmada, mas, ao olhar para mim, percebe que não é que eu não goste do que ela pretende fazer, mas, que, eu quero evitar constrangimento, e como ela me conhece bem, ela não insiste, porém, não para por ali. Sai caminhando, me puxando pela mão, até outro corredor cheio de portas. Ela vai mexendo na maçaneta e verificando se há alguma aberta, como estou em expectativa pelo que ela vai fazer, estou mudo e sem reação.
Em uma determinada porta, assim que ela gira a maçaneta, ela dá um “clic” e abre-se. Valerie confere e nota que a sala é limpa e está vazia, é como se fosse um escritório de recebimento de encomendas. Ela dá um sorriso malicioso para mim, quando constata que além de vazia as chaves da sala estão atrás da porta.
Sem pensar, ela entra depressa, e me puxa para o local e tranca a porta em seguida. Assim que o faz, lança-se em meu pescoço e olhando em meus olhos diz.
— Estava desesperada para beijar e abraçar você enlouquecidamente, tanto quanto estou com vontade, mas, tenho certeza que esta não seria uma cena apreciada por todos, e nem eu gostaria que algum olho a visse. Então, o trouxe para cá para que eu possa fazer isto com privacidade e sem nos expor. Amo você príncipe, já estou desesperada de saudades Henry.
E suas palavras e seu gesto de coragem, e também de desespero de me trazer para cá às escondidas, fazem explodir em mim todo o desejo e saudades que já estou dela.
Beijo-a desesperadamente enquanto acaricio com urgência suas costas e ela as minhas costas e meus cabelos, me puxando contra si.
De repente quando desço minhas mãos às suas coxas para cruzar suas pernas em meu quadril buscando mais contato com seu corpo, ela rapidamente solta meu pescoço e meus lábios e diz ofegante.
— Não Henry! Você está ferido amor, não pode pegar peso! Espera...
E assim ela olha de um lado para outro e logo acha o que procura: um armário de arquivo não tão alto, mas mais alto que uma mesa, Rapidamente ela pega uma cadeira e usa-a para subir e sentar-se ali. Então, chama-me com um dedo e com um sorriso malicioso brincando nos lábios.
Assim que percebo o que ela quer, obedeço prontamente. E ao aproximar-me ela já me envolve pelos quadris com suas pernas.
Capturo seus lábios com intensidade e beijo-a com toda a vontade que está em mim, enquanto exploro suas costas com minhas mãos e ela, as minhas e também, minha nuca.
E digo-lhe entregue totalmente a ela entre os beijos...
— Amo desesperadamente você Valerie! Volte logo para mim meu amor...
Ela afasta-se de meus lábios para beijar e morder meu pescoço e meu queixo e descendo beijos até meu peito diz:
— Voltarei meu amor, meu homem lindo que amo tanto! Espere-me, pois, eu estarei ansiosa para voltar pros seus braços Henry!
— Esperarei amor!
E voltamos a devorar com toda paixão os lábios um do outro, e meu corpo está todo quente e desperto de desejo, e pelas reações de Valerie sei que o dela também.
Acaricio sua cintura, subo pelas suas costas envolvo sua nuca, seu pescoço, e agora enquanto eu corro meus dedos por seus braços, desço meus lábios ao seu pescoço e intercalo beijos e mordidas ali, e pelos seus sussurros e gemidos e pela forma que diz meu nome tão entregue, sei que a estou desorientando.
— Henry... Amo você amor!
E respondo cheio de satisfação por vê-la tão sedenta por mim.
— Eu também a amo Valerie!
Continuo correndo meus lábios, só que a gora em direção ao seu colo, e estou pronto para tê-la me barrando a qualquer momento, quando a coisa se tornar intensa demais para ela. E surpreendo-me que ela não o faz, muito pelo contrário, ergue o pescoço, expondo mais, sua bela pele para mim. O que me enlouquece completamente. E agora, eu amparo suas costas com minhas mãos, enquanto faço carícias em seu colo com meus lábios e o desejo de sentir seu sabor, faz-me agora deslizar a pontinha de minha língua ali, o que a deixa muito excitada fazendo-a puxar-me mais contra si, evidenciando o quanto quer mais daquelas carícias.
Ergo agora minha cabeça para olhá-la em seus olhos e ela dá um lindo sorriso pra mim e além de retribuí-la, com um sorriso meu, eu lentamente, beijo todo o seu rosto, cada cantinho dele finalizando com seus lábios.
E agora nosso beijo é menos urgente, porém, muito mais profundo, e com as mãos vamos tentando memorizar cada pedacinho do rosto um do outro.
Permanecemos assim por um longo tempo.
Até que, em um determinado momento, alguém meche na maçaneta e quando percebe que a porta está trancada diz, mal humorado.
— Meu Deus, quem trancou esta porta? Eu saí e a deixei aberta!
Eu e Valerie congelamos! Ela me olha de olhos arregalados e eu a olho apavorado já pensando no constrangimento que será sair dali. Porém, ela pensa mais rápido, e diz só movendo os lábios:
— Venha e não faça barulho...
Ajudo-lhe a descer e sigo-a, mas, de repente ela olha para mim e ri, então chega perto e começa a me ajeitar, pois, pelo tanto que nos agarramos tenho certeza que estou totalmente bagunçado, pois, seu estado também não é um dos melhores. Então, digo a ela que ainda está rindo de mim:
— Você acha que sou só eu? Se olhe em um espelho. – Falo sussurrando e rindo, de seus cabelos emaranhados pelos toque de minhas mãos e sua roupa toda amarrotada, e ela soca meu braço e diz baixinho:
— Lindo eu estou aqui ajeitando você e você rindo de mim! É assim que você cuida do que é seu Sr. Lazar?
Assim que ela diz isto, aproximo-me mais, e ajeito-a.
Quando terminamos, Valerie aproxima seu ouvido da porta, ouve por um tempo e diz...
— Eles foram atrás de outra chave, pois, não conseguiram chegar a uma conclusão de onde está esta.
E ela aponta a da porta, assim escuta mais um pouco, abre com cuidado e olha de um lado para outro, o que me deixa ansioso com receio de sermos surpreendidos.
Então diz...
— Tudo certo, vamos rápido Henry.
Ela sai na frente, puxando minha mão e assim que saio, fecho a porta e disparamos a correr pelos corredores da estação, que graças a Deus, por ser Domingo, estão vazios. Assim que vejo que estamos seguros, eu paro para tomar fôlego. E a puxo para mim, e a descarga de adrenalina me faz rir muito. E depois de um tempo quando sai do choque inicial, Valerie me acompanha... Depois de muito rirmos abraçados um ao outro lhe digo:
— Meu Deus Valerie, com você eu volto a ser adolescente amor, apronto coisas que eu nunca se quer, pensei em fazer.
Ela para de rir e me olha séria.
— Henry se você não gostar pode dizer amor que eu paro e não faço mais.
— O quê? Amor eu não gosto, eu AMO! JÁ DISSE EU AMO SUA VITALIDADE AMOR, É ISTO QUE ME TROUXE DE VOLTA A VIDA VALERIE, VOCÊ SER EXATAMENTE COMO VOCÊ É! EU AMO VOCÊ MINHA NOIVA AMADA, MINHA PRINCESA!
Digo e volto a tomar seus lábios agora com cautela por saber que estamos em local público.
Ela me abraça forte e quando separamos nossos lábios ela esconde seu rosto em meu peito e beija muitas vezes ali e inala, e beija de novo até que diz...
— Vamos meu príncipe, está quase na hora.
Entrelaço sua mão na minha e deixamos o corredor.
Assim que chegamos junto a Aquiles e Camelot, a estação anuncia que está na hora dos embarques. E a hora mais temida chega:
A hora de nos separamos.
Valerie abraça-me fortemente e diz...
— Amor como eu gostaria de não ter que ir, eu não quero te deixar Henry.
E as lágrimas já estão em seus olhos. E os meus também se enchem.
— Eu sei amor, também gostaria muito que não fosse, quer ficar? Quer desistir?
Ela me olha pensativa e sei que está pensando em Made em o quanto ela precisa, e diz...
— Não lindo, seria irresponsabilidade minha eu vou, mas...
Nem a deixo terminar...
— Eu vou te ver antes amor, eu prometo! Pode me esperar.
Eu abraço-lhe e ela corresponde com tanta intensidade, e só nos deixamos quando nós dois gememos com dor, por nossos ferimentos.
Ainda assim, com sua mão na minha, entrelaçada, agora, eu me viro e toco a mão livre no ombro de Aquiles e digo-lhe...
— Aquiles, eu estou confiando meu maior tesouro aos seus cuidados, por favor, cuide dela!
Aquiles me olha com profundidade e diz:
— Com minha própria vida senhor, tem minha palavra.
As palavras de Aquiles são sinceras e vejo que saíram de seu coração.
Valerie agora olha para Camelot e se despede. E então, diz:
— O mesmo peço a você Camelot, cuide de Henry.
Camelot sorri contidamente e diz...
— Fique tranquila senhora.
Como procedimento de praxe Aquiles e Camelot entram e fazem uma varredura pelos vagões, enquanto eu fico curtindo meus últimos minutos com Valerie nos braços.
Assim nos abraçamos e beijamos pela última vez e ela entra no trem juntamente com Aquiles. Suas lágrimas já correm soltas por seu rosto, e aquilo dá um enorme aperto em meu coração. E não consigo mais conter, as minhas correm também... Ela senta-se em sua poltrona na janela e fica a me contemplar o tempo todo, assim como eu a ela. E através de nossa troca de olhares, terminamos de dizer um ao outro todas as palavras de amor que não foram ditas, as demonstrações de afeto. Até que em um determinado instante, o trem apita, dando sinal de sua partida e começa a se locomover, levando meu amor para longe de mim...
E é quando sinto faltar um enorme pedaço de mim.
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MÚSICA — TRADUÇÃO:
Você estará em meu coração
Vamos, pare de chorar tudo vai dar certo
Apenas pegue minha mão, segure forte
Eu te protegerei de tudo ao redor
Eu estarei aqui, não chore
Para alguém tão pequeno você parece tão forte
Meus braços te abraçarão
Manterão você seguro e aquecido
Este laço entre nós não pode ser quebrado
Eu estarei aqui, não chore
Refrão:
Porque você estará em meu coração
Sim, você estará em meu coração
De hoje em diante
Agora e para sempre
Você estará em meu coração
Não importa o que dizem
Você estará aqui no meu coração
Sempre
Por que eles não conseguem entender
A forma como nos sentimos?
Eles simplesmente não acreditam
Naquilo que não conseguem explicar
Eu sei que somos diferentes mas, dentro de nós
Não somos tão diferentes assim
E você estará em meu coração
Sim, você estará em meu coração
De hoje em diante
Agora e para sempre
Não dê ouvidos ao que dizem
Por que, o que eles sabem?
Nós precisamos um do outro
Ter um ao outro, para abraçar
Eles verão com o tempo
Eu sei
Quando o destino te chama
Você precisa ser forte
Eu poderei não estar com você
Mas você tem que aguentar firme
Eles verão com o tempo
Eu sei
Nós mostraremos a eles juntos
Porque você estará em meu coração
Acredite, você estará em meu coração
Eu estarei aqui
De hoje em diante
Agora e para sempre
Oh, você estará em meu coração
(você estará aqui no meu coração)
Não importa o que dizem
Você estará aqui no meu coração
Eu estarei aqui
Sempre
Sempre
Eu estarei com você
Eu estarei lá pra você sempre
Sempre e sempre
É só olhar por cima de seu ombro
É só olhar por cima de seu ombro
É só olhar por cima de seu ombro
Eu estarei lá sempre
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