A Garota Da Capa Vermelha - Continuação.
13 REAÇÕES INESPERADAS x MUDANÇAS - Capítulo 13
Notas iniciais
POV HENRY
Enquanto eu me dirigia à vila, foi possível pensar com clareza sobre as coisas que aconteceram neste dia. Eu ter planejado estar lá para cuidar de Valerie, e tudo ter ocorrido ao contrário, a minha conversa com ela, a sinceridade de suas palavras, a preocupação dela e seu cuidado para comigo, nas pequenas coisas.
Eu pude sentir o quanto tudo isto me trouxe paz e conforto de uma maneira que eu não sentia há muito tempo. Valerie realmente é muito madura, muito consciente das coisas, e extremamente responsável, e de uma sensibilidade às necessidades das pessoas, incrível.
Chamou-me a atenção quando ela disse que havia ficado triste quando eu a disse que se Peter fosse eu não iria querê-la mais, por que será? Deu-me a impressão de que nem mesmo ela sabe. Ou talvez, seja por que ela tenha medo de realmente ficar só, pois, suas pessoas mais próximas, em quem sempre podia confiar e contar, já se foram, a Lucy, a sua avó e Peter. Ela tem a sua mãe, mas, infelizmente, não é a mesma coisa, porque, apesar de se amarem muito, elas divergem muito em suas ideias.
E então, se ela me perder, se eu me afastar dela, ela estará só, mas será possível que só assim, ela vai me perceber ou me notar?
Entretanto, quando os meus pensamentos começam a tomar este rumo, o da auto-depreciação, algo ecoou dentro de mim:
“E daí, não deixa de ser uma possibilidade, que antes nunca existiu, e no mais tolinho, você também precisa dela, ninguém, nunca te trouxe tanta sensação de conforto e segurança e cuidado como ela hoje, mesmo ainda não te amando como você deseja e espera, imagina quando ela te amar então, você vai desistir mesmo de tudo isto?”
Era como se o meu inconsciente estivesse me olhando de frente e gritando estas palavras para mim. Foi o suficiente para que eu realmente me concentrasse em reunir forças para, a partir daquele momento, lutar, lutar com todo meu ser, para alcançar para sempre o coração de Valerie.
Já na vila, fiz tudo o que eu precisava. Passei também na casa de Suzete, dizendo a ela, que tinha ido a outro vilarejo hoje, e na volta havia passado para ver Valerie e ela estava bem. Então, eu a aconselhei, a procurar estar mais próxima dela, visando que era hora de as coisas começarem a voltar ao normal. Ela me agradeceu e eu saí.
Ao chegar ao chalé, eu senti, ainda do lado de fora, o cheirinho gostoso de comida, e achei tão interessante como aquele lugar era aconchegante para mim.
Como eu me sentia em casa por estar ali com Valerie, quando bati a porta, ela não demorou muito a abrir para mim. Deu a impressão de que estava me esperando.
— Olá, seja bem-vindo de volta Henry. – Ela disse, mas, eu simplesmente havia perdido a minha voz. Ela estava tão linda, havia tomado banho, os cabelos estavam soltos, muito bem penteados, e vestia um lindo pijama de flanela, azul clarinho de detalhes verdes, refletindo os seus olhos. Creio que, sua escolha, tenha sido motivada, devido ao frio que faz a noite aqui na floresta. Então, me dei conta de que ela esperava que eu dissesse algo e também entrasse, e com muito custo encontrei a minha voz.
— Eh... Oi, Valerie, obrigado. Desculpe. – E antes que a tensão aumentasse, fui acrescentando... – Passei na casa de sua mãe, disse que tinha ido a outro vilarejo hoje, e que na volta passei por aqui e você estava bem. O fiz com a intenção de deixá-la despreocupada, e acho que amanhã seria bom você fazer-lhe uma visita.
— Há, sim, tudo bem, obrigada Henry. Bem, eu estava esperando você para jantar, vamos?
Fui antes ao banheiro, lavei as mãos e quando voltei, ela estava no mesmo lugar esperando, e ao encontra-la ela estendeu a mão para mim, nos conduzindo até a mesa. Não pude evitar, a corrente de eletricidade que subiu por minha mão e meu braço e alojou-se no meu peito, ao sentir aquele toque tão gentil e familiar. Sentamos, comemos e conversamos, sobre várias coisas, e pelo que eu notei, os nossos ânimos já estavam um pouco melhor.
Compartilhei com ela que eu estava desejando marcar algumas coisas entre nós e os nossos amigos, durante estes dias, em que ela ainda estaria por aqui antes da viajem.
Não foi fácil convencê-la, mas fiz com que ela entendesse a importância destas coisas para que ela se recuperasse mais rápido, já que este foi o maior desejo e pedido de Peter, então ela cedeu.
— Tudo bem então Henry... – Ela me dizia, enquanto tomávamos chá com biscoitos, sentados no sofá.
Já era bem tarde. Só sentamos para relaxarmos, após jantarmos e arrumarmos a cozinha, que por sinal eu a ajudei. Eu ficava admirado com o quanto ela é organizada.
— Marcaremos então, um jantar, aqui em casa, com todos amanhã e sábado. Se tudo der certo, amanhã mesmo falarei com as meninas.
Ela disse, e eu respondi:
— Combinado então, mas eu quero ajudar nos preparos, então, assim que eu terminar o meu trabalho na ferraria amanhã, venho para cá, tudo certo?
— Claro! Bem, venha, eu desejo te mostrar o seu quarto. – Ela estendeu a sua mão para mim novamente, que eu tomei sem nenhuma ponderação e a segui.
A porta estava fechada, e ao abri-la, fiquei surpreso. Estava muito bem arrumado, haviam cortinas claras, em tons de bege e pelo que parecem, elas eram novas. Notei uma cama de casal muito bem-feita, já pronta para dormir, tapete de lã ao chão ao lado da cama, e em um cabideiro, ao lado da porta do banheiro, havia um pijama branco listrado de azul, com um roupão, acho que... para mim? E notei também, que o quarto estava extremamente perfumado.
Ela me puxou para dentro, como se percebendo que eu ainda não tivesse absorvido tudo aquilo e foi dizendo:
— É tudo para você... O pijama e o roupão são novos e já estão lavados, eu os havia comprado para Peter, mas ele não teve tempo de usá-los. Eu ficaria feliz se você ficasse com eles, é de coração, um presente... para você. Um pequeno símbolo de minha gratidão.
Ainda demorou um tempo para que eu pudesse me recompor para que eu conseguisse exprimir qualquer palavra ou gesto, e ela pareceu entender...
— Ehhh... Obrigado Valerie, eu não sei o que dizer...
— Eu sei, não precisa, como eu disse, é de coração.... E você... gostou? – Ah, sim ela estava ansiosa por ouvir uma resposta, um comentário meu a respeito...
— Sim, claro! Eu amei. — Estendi o braço livre, por que, a outra mão ainda estava unida a dela, e toquei o pijama e o roupão, eram muito macios e estavam tão profundamente cheirosos...
— Que bom, fico realmente feliz, são seus, vou sair para te dar espaço, para você poder tomar banho e se trocar. – Ela soltou delicadamente minha mão, e saiu do quarto fechando a porta atrás de si.
Fui direto ao banheiro, e contemplei outra surpresa! Tudo o que eu precisasse estava ali, perfume, gel de barba, barbeador, escova de dente, creme dental, fio dental, shampoo, toalhas, tudo. Ela havia preparado tudo para mim, sei que talvez ela tenha tudo isto aqui por causa de Peter, por que ele praticamente, morava aqui com ela, mas, estas coisas, com certeza não eram dele, são novas, são para mim, e no mais, certamente as coisas de Peter devem ficar no banheiro de seu quarto.
Esta percepção me aqueceu profundamente: esta linda mulher, mesmo sem me amar já cuidava tão bem de mim, imagina o que ela seria capaz de fazer o dia que ela se tornasse minha. Somente minha... esposa, pois era isto que eu queria, era isto que eu sempre quis que Valerie fosse: minha esposa. E mais do que tudo agora, eu iria lutar por isto, cada passo de cada vez.
Tomei um banho delicioso. A água estava maravilhosa, e aliada à sensação de conforto do meu coração, aquilo pareceu me relaxar com profundidade.
Assim que eu saí, eu me enxuguei, escovei os dentes, passei o perfume, penteei os cabelos, mas, ao fazê-lo, achei melhor batê-los, para retirar o restante do excesso da água, e gostei do resultado, me deixou com um ar mais jovem.
Vesti o Pijama, e sai do quarto, e ao que parece, ela me esperava no sofá. Ao vê-la, e observar o olhar que ela lançou para mim, me avaliando da cabeça aos pés, corei até as raízes dos meus cabelos...
— Oh!... Henry.... Você está.... Lindo! Caiu muito bem em você, que bom! – Ela me disse jubilosa, batendo palmas de alegria, o que fez com que um calor percorresse por todo o meu corpo, mas, que interessante, eu havia acabado de me refrescar com o banho.
Sem mais demora, eu diminuí o espaço entre nós, sentando-me ao seu lado, no sofá e me virando de frente a ela...
— Obrigado! Eu acho que devo isto somente a você, seus presentes, e seu... cuidado. E a propósito, Valerie você cuidou de tudo!
— Bom, é o mínimo que eu posso fazer por você Henry, eu já te disse...
— Não, não é verdade... – Eu disse seriamente. Ela me olhou aturdida, parecendo não entender. – Você pode fazer mais, e já tem feito. Estar aqui por mim, isto é tudo e já me deixa muito feliz, certo? — Ela deu um lindo sorriso.
— Posso viver bem com isto... – Ela disse, ecoando as mesmas palavras que eu havia dito a ela. – Mas, eu quero fazer mais, me agrada poder fazer mais, e afinal, você merece... – Ela fechou o espaço entre nós, tomou minhas mãos, e beijou cada lado do meu rosto. E eu só consegui fechar meus olhos experimentando a sensação, que era maravilhosa.
Antes que ela se afastasse totalmente, levei uma de minhas mãos até sua nuca, deixando-a com o rosto a centímetros do meu, levei os lábios até próximo a sua orelha e disse:
— Pode fazer mais quando você quiser.
E soltei-a afastando-me, dando um sorriso de canto, enquanto eu a observava, corar profundamente em um vermelho vívido, enquanto se lembrava de como voltar a respirar. Tive que controlar o riso, pois percebi, que eu havia a surpreendido. Mas, de uma forma que ela havia gostado. Mas, ao mesmo tempo, deixando-a constrangida por não saber como agir.
Ela era adorável, envergonhada...
Não me contendo eu disse:
— Valerie, quer que eu te ajude a se lembrar de como respirar? – E eu não aguentei, ela conseguiu ficar ainda mais vermelha. E eu? Cai na gargalhada, e ao que parece, depois de um tempo, ela também, e foi o suficiente para dissipar a tensão de minutos antes.
POV VALERIE
Como Henry podia ser tão adorável? Realmente, eu acho que será uma experiência bastante interessante, esta jornada rumo a conhecê-lo mais.
Ele é extremamente reservado, controlado, o que requer muito esforço para poder alcançar o que se passa em seu interior. Mas, ao mesmo tempo ele é muito sincero, então, quando ele deixa passar alguma informação, ela sempre exprime a realidade sobre o que ele está sentindo.
Após chegar da vila, ele se preocupou em passar como haviam sido as coisas para mim. Nós jantamos, e ele me auxiliou com a cozinha. Desta forma, sentamos no sofá, conversamos, e assim, nós decidimos fazermos alguns eventos antes de eu viajar, pois, ele me convenceu que me ajudaria com a recuperação de meu luto, que por sinal até agora, está indo muito melhor do que um dia eu sequer pensei. E sinceramente, eu creio que isto tem tudo a ver com Henry, com o seu apoio, com a sua dedicação, as suas orientações, sempre tão centradas e certeiras, na realidade com a sua presença.
Em meio as nossas conversas, tomarmos o chá com os biscoitos que eu havia preparado.
Quando terminamos de conversar, eu o conduzi até o quarto mostrando tudo o que eu havia preparado para ele.
E eu confesso que, me deu uma satisfação enorme por fazer cada coisa daquela, porque, agora que eu sabia que Henry não tinha ninguém para cuidar dele, eu compreendia que esta seria uma boa maneira de recompensá-lo por tudo o que ele tem feito para comigo, e ao mesmo tempo, demonstrar toda gratidão, admiração e carinho que sinto por ele.
Foi muito revigorante, poder contemplar cada reação sua, com as coisas que eu havia preparado: o quarto muito bem arrumado e aconchegante, o pijama, o roupão, que por sinal, foi incrível, ver a reação dele quando eu disse que era para ele e que eu fazia questão de que ele o aceitasse.
Porém, o que eu acredito que o deve ter surpreendido, é ter preparado o banheiro com todos os aparatos que sei que os homens precisam, devido a ter feito isto durante algum tempo pra Peter, e é claro que eu sei, que ele deve ter deduzido isto. Contudo, eu tenho certeza que ele também deve ter compreendido que estas coisas são exclusivamente para ele, pois, são novas, e as de Peter, ficavam no banheiro de meu quarto.
Mas, então eu tomei um choque quando o vi sair do quarto. Ele vestia o pijama, que por sinal ficou lindo nele, com aqueles cabelos desgrenhados, molhados pelo banho, com um cheiro delicioso. Eu não consegui deixar de avalia-lo de cima abaixo, e tenho certeza que ele não deixou escapar isto.
Para quebrar a tensão, exclamei que ele estava lindo, batendo palmas, e ele fechou o espaço entre nós, veio até mim, e se sentou no sofá de frente para mim.
Ele agradeceu por seus presentes, eu disse a ele que era o mínimo que eu poderia fazer por ele. Fiquei muito contente, e não pude deixar de sorrir quando ele disse que a minha presença era o bastante, e o esforço que estou fazendo para estar bem por ele, que também é por Peter, porque ele me pediu isto.
E então, eu quis deixar claro para ele que me agradava poder fazer mais, poder de alguma maneira, expressar com atitudes, das mais variadas, pequenos gestos de gratidão.
Desta forma, eu tomei as suas mãos, e sem que ele esperasse me aproximei delicadamente e beijei cada lado de seu rosto. Deu-me uma enorme sensação de prazer, vê-lo fechar os olhos diante do gesto, certamente saboreando a sua própria sensação. Porém, o que eu não esperava, foi sua reação.
Eu não estava preparada mesmo para ela, pois, antes que eu pudesse me afastar, Henry segurou a minha nuca de uma forma que nossos rostos ficassem muito próximos um do outro, o que por si só mandou ondas de arrepios pela minha espinha que refletiram sobre minha pele. Assim, ele colocou afetuosamente os lábios quase encostados em minha orelha, dizendo em um sussurro:
— Pode fazer mais quando você quiser.
Eu certamente não esperava por isto, e um misto de sensações percorreu o meu corpo naquele momento, prazer, arrepios, vergonha, o que explica o flamejar de minhas bochechas.
Eu simplesmente fiquei sem reação, me esqueci até como se faz para respirar, o que ele obviamente, ao me soltar, percebeu, creio que, por não poder se conter, ele deu um meio sorriso, que ao mesmo tempo era lindo e... tremendamente sensual, mas como se trata de Henry, que é um cavalheiro por excelência, e antes que o clima se tornasse denso demais, ele fez uma piada como que, se oferecendo para ajudar-me a me lembrar de como se respira, caindo na risada em seguida, me conduzindo junto com ele.
Como foram estranhas, mas, ao mesmo tempo prazerosas e reconfortantes, aquelas sensações que a presença de Henry e sua maneira de lidar comigo, me provocaram. E eu não consigo parar de pensar, mas, e o Peter? Foi na noite passada, como posso estar sentido estas coisas, com Henry? Tentei ser racional, pensando que já faz alguns dias que eu não tinha Peter de forma íntima, por causa de sua ausência nos dias de lua cheia. Mas será que é isto? Que a minha carência, fez com que o meu corpo reagisse daquela forma? Mas, mesmo assim, o que mais me incomoda, é que isto parece tão errado.
Entretanto, um pensamento lutava para chamar minha atenção:
“Errado? Errado por quê? O próprio Peter queria que você seguisse em frente, e as intenções dele eram bem claras, com Henry, ele confiava em Henry, no amor de Henry, sabia que ele poderia te proteger, te fazer feliz. E no mais, errado para quem? As pessoas nem sabem que você tinha Peter? E no mais, é justo, por causas de questões mínimas fazer Henry esperar mais, ele não merece ser recompensado por tudo que ele já fez, e tem feito? O caminho foi aberto, as possibilidades estão bem estendidas a sua frente, você vai recuar? Vai fechar as portas? E no mais, queridinha, agora é sua vez de correr atrás do prejuízo, se quiser ter Henry, terá que fazer por merecê-lo, ele te deixou isto muito claro, e nada mais justo depois do que ele passou, e você até concordou.”
Mas o que, que é isto? Que pensamentos são estes? Acho que o meu inconsciente resolveu dar o arda graça, berrando para mim indignado, e ainda cheio de sarcasmo. Que petulância!
Mas ele tem razão. Eu também eu não sei direito o que pensar, estou confusa. Acho que eu preciso mesmo da viajem para colocar os meus pensamentos em ordem. Lá, eu estarei longe daqui, não terei Henry por perto, não que ele me incomode, muito pelo contrário, acho que eu não estaria tão bem se ele não estivesse aqui, para passar por tudo isto comigo. Entretanto, realmente eu preciso de um tempo para refletir....
Pensar em um tempo longe de Henry, também não me deixou muito confortável, o que me fez voltar das minhas divagações para o presente.
Logo após a rodada de risadas, eu achei que era hora de me deitar.
Levantei-me, e ainda um pouco relutante, mas, não querendo permitir que nada quebrasse o elo de confiança e proximidade que estava começando a surgir entre nós.
Aproximei-me dele, abaixei-me e beijei o topo de sua cabeça. E motivado por meu gesto, e como se quisesse demonstrar o mesmo, que não queria perturbar o que estávamos começando a construir. Henry também se aproximou ainda sentado, e também hesitando. Ele abraçou-me e encostou a cabeça sobre meu coração, o que me fez perceber o quanto ele era carente, carente de carinho, de afeto, e naquele momento, eu pude vê-lo como um menino, um grande menino assustado, necessitado de carinho, de cuidado, e me alegrei por perceber que isto, eu tinha para poder oferecê-lo, beijei de novo o topo de sua cabeça, acariciando seus cabelos....
Depois de um tempo, me afastei seguindo em direção ao quarto.
Ao chegar, como eu já tinha feito toda minha preparação para dormir enquanto Henry estava no banho, deite-me na cama e fiquei perdida em pensamentos, repassando tudo que aconteceu hoje, tentando compreender um pouco o que estava acontecendo dentro de mim, antes de pegar no sono.
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