A Garota Da Capa Vermelha - Continuação.

62 “O CASAL DA PROFECIA SEGUNDO A LENDA” - Capítulo 57 - Parte 1


Notas iniciais
Leiam as Notas Iniciais e Finais, porque são importantes. Olá Lindos e Lindas! Capítulo 57 - Parte 1. Neste capítulo, muitas lacunas se fecharão, porém muitas outras se abrirão, é o desfecho da história se delineando. Gratidão por cada comentário do capítulo anterior, foi maravilhoso saber o que vocês sentiram, e ver o quão intenso foi, eu estou maravilhada! Minhas outras fanfics: — Do “Inferno” ao “Paraíso” – Por Henry Lazar. – Short Fic Henlerie em Um Universo Alternativo: https://fanfiction.com.br/historia/373132/Do_Inferno_ao_Paraiso_-_Por_Henry_Lazar — O Triunfo da Esperança - Minha FANFIC totalmente Petniss do Universo Jogos Vorazes http://fanfiction.com.br/historia/333216/O_Triunfo_Da_Esperanca_-_Por_Peeta_Mellark Apareçam por lá! Sem mais demoras, ótima leitura! Nos vemos nas notas finais!

POV VALERIE

Gostaria de conseguir descrever a felicidade em palavras. Pura e plena felicidade, é isto que eu estou sentindo desde o dia em que eu e o Henry nos acertamos e resolvemos prosseguir com as nossas vidas independente das circunstâncias, e nos casarmos.

O jantar da renovação dos nossos votos de noivado, foi maravilhoso, e tudo o que vivenciamos neste mês que se seguiu, foi extremamente perfeito.

Engraçado, quando vemos uma noiva linda, entrar por uma igreja ao se casar, geralmente, nós não temos a mínima ideia de o que ela passou para chegar até ali.

Eu estou passando na pele o que é isso. Quando a tia Clara nos pediu um mês para preparar o nosso casamento, eu achei muito tempo. É óbvio que, no sentido de ter de esperar mais para me unir definitivamente ao meu amor. Porém, em se tratando de tudo o que se tem para fazer, é muito pouco.

Dessa forma, este tem sido um mês muito corrido. Pois, eu nunca imaginei que preparar um casamento, fosse tão trabalhoso, no entanto, ao mesmo tempo, tão gostoso. Ver cada preparativo se concretizando, cada detalhe sendo preparado, foi incrível. E olha que eu fui poupada de muitas coisas, pois, a tia Clara tomou a frente de tudo.

Devido a minha perda de peso, eu precisei refazer as medidas do meu vestido, e o Henry do seu traje, pois, em meio a todo o sofrimento que passamos, ele também perdeu muito peso, pobre do meu lindo.

Era impressionante, observar como o Henry era paciente para me acompanhar, eu via prazer em cada gesto seu, comigo. Ele realmente apreciava estar ao meu lado nestes momentos.

Aliás, depois, que nós nos reaproximamos, nós dois, nos recusávamos a ficarmos separados, tudo fazíamos juntos. O que tem aumentado ainda mais, a nossa conexão como casal.

Ele se tornou ainda mais responsável comigo, com a sua avó e com a minha mãe, assumindo o papel de um verdadeiro provedor, aliás, eu tenho que admitir, o Henry incorpora muito bem, este papel.

Na verdade, eu olho para ele e vejo o quanto ele parece que nasceu para proteger e cuidar, o verdadeiro papel de um homem que almeja ser marido e pai.

Quando surgia oportunidade de alguém ir, ainda que, rápido, a Daggorhorn, aos poucos, nós fomos enviando as nossas coisas adquiridas para o enxoval, para a nossa casa e tudo que íamos comprando para nós.

Por falar em enxoval, na semana que antecedeu o nosso retorno a Daggorhorn, eu precisei arranjar uma boa desculpa para conseguir ir ao centro de Livergoorn, sem o Henry. Mas, é claro que, eu precisaria levar o Aquiles.

O que eu não esperava, é que aquilo me geraria um constrangimento tão grande, e para o Aquiles também, coitado!

Tudo aconteceu assim:

O Henry, os rapazes, o Aquiles, e o Camelot, também, quando estava em Livergoorn, continuavam os treinos, quase que rigorosamente, todas as tardes, para passarem o tempo, e o Henry dizia que, também, era para ele não perder a prática.

Só que, como antes de nos separarmos, eu havia criado o hábito de treinar com o Henry, aos poucos, eu fui o convencendo a voltarmos a fazer isso. E, apesar de muito receoso em me machucar, ele passou a aceitar com mais facilidade, pois, com o passar dos dias, além de eu melhorar muito meu desempenho, esse gesto fazia com que, a nossa conexão, ampliasse ainda mais, e o desejo nem me fala!

Como é excitante, de todas as maneiras que se possa imaginar, ver o Henry adotar a postura de um Guerreiro. Quando o espírito de um bom combate o toma, e que, ele é preenchido por um instinto mortífero e predador, o meu corpo inteiro, reage de desejo por ele.

Entretanto, isso é absurdamente maior quando estamos duelando entre nós, a carga de eletricidade é espessa, e não há quem não perceba, a ponto de no final de muitos dos nossos duelos, observarmos que a plateia antes presente, já ter desaparecido totalmente, caçando cada um o seu rumo, por tão intimo que estes momentos são.

Assim, um dia, logo após duelarmos, estávamos tão cheios de desejo, que saímos as pressas em busca de um banho, porque, o calor era absurdamente insuportável, mas, ao chegarmos ao quarto, foi preciso muito mais muito esforço e autocontrole, não somente do Henry, mas, meu também, para nos contermos.

Todavia, este acontecimento, abriu uma oportunidade para falamos de nossas fantasias. E eu pedi ao Henry que se vestisse de Guerreiro para mim, em nossa “Lua de Mel”.

Na verdade, a princípio, ele riu demais, pois, ele me contou que antes do coma, eu já havia pedido isso a ele, inclusive falou-me sobre a conversa que nós partilhamos no riacho, naquela época, sobre nossas fantasias. Por fim, ele disse que faria.

O que ele não sabe, e até a lua de mel, ele não saberá, é que eu vou aliar um complemento a esse momento. Por que ele compartilhou comigo que desde o dia em que eu “encarnei” o papel de guerreira pela primeira vez, aquilo vem consumindo a sua mente em suas fantasias de homem, por que exatamente ali ele me viu despertar nas duas faces que ele ama: a Valerie menina, destemida que subia em árvores, matava coelhos para fazer pantufas, mas também, a postura de uma mulher determinada, sensual e forte que eu venho assumindo com o meu amadurecimento.

O Henry me confessou que isso quase tira a sua sanidade, de tanto que seu desejo aflora.

Desta forma, diante de sua confissão, eu resolvi montar duas estratégias para surpreendê-lo com essas minhas duas faces que ele ama. E uma delas me levaria a comprar uma armadura feminina para mim, com direito a espada e tudo. Porém, a tarefa difícil era: sair sem o Henry, e despistar o Aquiles, para comprar aquilo.

É claro, que eu precisei pedir a ajuda de Made. Como eu faria uma coisa dessas sem ela? E lógico que eu fui bombardeada de perguntas, e chantageada, no sentido de que, eu somente receberia ajuda se eu contasse do que se tratava. Tão injusto isso!

Assim, eu dei a Made apenas a explicação de que eu queria surpreender o Henry. E ela ficou tão animada com as possibilidades que minha ideia deu a ela, de pensar em surpresas para Araon, que ela logo se esqueceu de suas curiosidades comigo. UFA! Ainda bem!

Desta forma, certo dia em que o Henry foi convocado a uma consulta a sós, solicitada de antemão, por ele, com o Dartanhã, a Made pediu ao Aquiles, que nos levasse ao centro de Livergoorn para comprar algumas coisas. Aquiles prontamente o fez.

Made realmente precisava comprar umas roupas para ela e pijamas para a sua mãe. Nestas lojas, tudo correu bem, porque o Aquiles, fazia a sua costumeira varredura antes de entrarmos, mas, depois, ele ficava a distância tranquilamente, pois, como eram lojas de roupas femininas, ele sabia manter-se mais discreto.

Made me contou, pois, eu não me lembrava, que ele havia passado um constrangimento enorme conosco quando fomos comprar o meu enxoval íntimo, assim, eu compreendi que ele buscava nos dar espaço para não correr este risco novamente.

Entretanto, quando chegamos a loja de Artefatos para Guerreiros, obviamente, jamais passou pela cabeça do Aquiles o que nós fomos fazer ali, e claro, como trata-se de um lugar que ele mesmo frequente e com artefatos que lhe chamam a atenção, não havia possibilidade de tirá-lo de perto de nós sem levantar qualquer suspeita.

Made, discretamente solicitou, que fôssemos atendidas por uma mulher, porque, era difícil comprar uma coisa que você não está familiarizada, ainda mais que eu também queria uma espada, por que eu tinha planos, e eu não sabia nada sobre as especificidades para se adquirir estas coisas...

Assim, precisávamos do olhar meticuloso de uma mulher e de nos sentirmos a vontade para fazermos perguntas. E também, seria bastante constrangedor um homem, ver duas mulheres em busca de algo que elas não têm familiaridade alguma e resolver também fazer perguntas. Pior ainda seria, caso fosse necessário, ter de responde-las. Sendo assim, seria muito mais fácil sermos atendidas por uma mulher do que por um homem.

Até aquele momento, Aquiles estava agindo tranquilamente, creio que ele pensava que estávamos ali comprando algo a pedido do Henry ou do Araon, visto que, os dois são guerreiros também.

Porém, no momento em que a atendente veio com o nosso pedido nas mãos e o entregou a mim ela disse:

— É desse modelo mesmo que a Sta. deseja?

Por mais estivéssemos em um local mais reservado no atendimento, e aproveitando que o Aquiles estava distraído na seção de Adagas, justamente, na hora em que a moça me fez aquela pergunta apontando a belíssima armadura feminina em tom creme e proteção em metal dourado, para combinar com os meus cabelos e a espada, exatamente como eu havia solicitado, juntamente com uma espada adequada ao meu tamanho, Aquiles volta até nós, e assusta-se ao olhar o que eu tinha nas mãos.

E isso não foi o pior, o pior estava ainda longe de vir, porque o Aquiles entendeu tudo errado e disse:

— Senhora, me perdoe, a indiscrição, mas, o que vocês estão fazendo? Vocês estão me colocando em uma situação muito difícil. Será possível? Por um acaso a Sra. está pensando em se envolver em alguma escola de treinamento para mulheres? — Estas escolas são comuns aqui no Reino. — Por que, até onde eu sei, o Sr. Lazar não aprovaria isso, e eu não posso e não vou esconder isso dele, já que o meu trabalho, é manter a sua segurança.

— É claro que não Aquiles! Pelo amor de Deus! De onde você tirou essa ideia?

Ele olhava de mim para a armadura, com um olhar extremamente aborrecido e insatisfeito.

Eu tentava explicar que não era isso, e já todos os meus argumentos haviam se esgotado.

Portanto, a Made, ao perceber que já não havia jeito e a coisa poderia ficar pior, disse em alto e bom som:

— Aquiles, eu sei que este é o seu trabalho e você o faz muito bem, mas, pelo amor de Deus, você vai acabar estragando a surpresa da Valerie para o Henry em sua lua de mel, ACORDA!

Bem naquele momento, Aquiles, simplesmente arregalou os olhos e ficou vermelho purpura, de tão constrangido... E, pelo visto, coitado, ele perdeu a sua voz, pois ele demorou é muito para conseguir pronunciar:

— Desculpe senhoras, e me deem licença...

E ele desapareceu, pelo menos, de nossas vistas, dali.

E eu? Eu dei uma crise de choro de puro constrangimento, porque, não foi somente o Aquiles e a atendente que ouviram aquilo, mas, a loja inteirinha! E eu precisei lidar com vários pares de olhos, dos mais variados tipos, arregalados para mim.

O que fez com que tudo fosse muito pior, pois, a atendente ficou preocupadíssima comigo, me dando a máxima atenção, e o gerente acabou vindo também, para ajudar, porque, quando a Made viu o meu estado, ela ficou dizendo:

— Ah, Valerie me perdoe, eu às vezes, esqueço o quanto você ficou reservada com o Henry, essas coisas são tão naturais para mim, eu estou me sentindo péssima, pois, você não pode sofrer abalos e nem se aborrecer.

Neste momento eu quase abri um buraco e me enfiei dentro, por que a atendente, sei que, na melhor das intenções, disse-me:

— Nossa, você está grávida? Deixa-me ajuda-la!

Eu não aguentei e gritei:

— MADE, CALE A BOCA!

Levando a Made a quase ter um “treco” de susto. Por fim, ela teve um trabalhão para, ao menos tentar explicar tudo, e simultaneamente conseguir me acalmar.

Mas, o pior, foi que eu acabei sendo o alvo de atenção de uma loja inteira, e uma particularidade da minha vida, a essa hora, certamente virou piada por aí...

Depois desse episódio, por mais profissional que o Aquiles fosse, todas às vezes, que ele via eu e o Henry, duelando, ao cruzar o meu olhar com ele, eu o via muito constrangido. Acho que ele nunca mais vai esquecer o que aconteceu naquele dia...

***

Durante todo este mês que antecedeu o meu casamento, o Henry se esforçou muito, para reconstruirmos juntos, as memórias semelhantes as que foram perdidas, envolvendo os momentos marcantes que nós vivemos juntos.

E, o que foi mais interessante, segundo o Henry, foi que elas se tornaram melhores que as anteriores. E para mim, elas realmente foram inesquecíveis.

Foi maravilhoso também, os momentos em que nós estivemos no lago do nosso terreno, principalmente agora, que ele está todo decorado, pois, os jardins estão prontos.

Inclusive, como o Henry irá alugar a nossa casa na Vila, ele construiu um muro de cercas vivas que a separa do terreno, mas, com acesso a ele. Isto por que, apenas a casa será alugada, a parte maior do terreno, com o lago, ficará para nós desfrutarmos.

O tempo passou rápido demais...

Sinceramente chega a ser inacreditável que eu irei me casar amanhã, parece um sonho. Enfim, eu e o Henry alcançamos nosso sonho. Amanhã neste horário, nós seremos oficialmente um casal.

Hoje, nós retiramos o dia para nós, passeamos na primeira parte da manhã e viemos para a nossa casa, para verificarmos se está tudo certo para o casamento e para aproveitar o terreno.

Só que o Henry e sua mania de manter tudo sob controle, quis resolver o problema de uma luminária no terceiro andar.

Confesso que, desde que ele me comunicou o que iria fazer, eu não senti paz, ainda mais que esta noite, eu tive um flash com ele, em que a Laura, a sua mãe, chegava até ele e pedia cuidado. Aquilo me preocupou, mas, eu não quis dizê-lo para não o deixar receoso.

Enquanto eu estava no jardim, cuidando das rosas. Ele estava cuidando da luminária. Eu fui até a carruagem e peguei a cesta de comida, e a esteira com a tolha para preparar o nosso piquenique.

Deixei tudo pronto e voltei para cuidar das flores.

De vez em quando, eu olhava para o Henry para ver se ele estava bem.

Só que em um determinado momento, eu senti uma pontada de angústia no meu coração e imediatamente olhei para ele, e ao fazê-lo, vi uma cena que me deixou em pleno desespero:

O Henry caindo em queda livre, do terceiro andar...

No instante que eu o olhei, e nosso olhar se cruzou, eu vi a tortura em seus olhos, e, uma a certeza de que é por que ele estava angustiado, por eu estar presenciando a cena, me invadiu.

No mesmo instante, em que eu vi a queda, corri desesperadamente em direção a ele gritando:

— MEU DEUS! HENRY!

Todo meu corpo se retrai em meio a corrida, quando eu vejo o impacto do seu corpo com o chão, e, meu desespero aumenta demasiadamente...

Na medida em que eu vou me aproximando, vejo que ele se esforça para me olhar.

Eu fico ainda mais ansiosa, porque, eu vejo que ele se esforça para colocar a cabeça de lado, e aí é que eu percebo: ele está colocando sangue pela boca e nariz. Creio que a sua posição é para não sufocar, e esta percepção, faz-me correr mais rápido, gritando:

— HENRY, AMOR, HENRY!

Aproximo-me apavorada, e ajoelho-me ao seu lado procurando ver o que posso fazer para limpar o fluxo do sangue da sua boca e nariz que corre solto.

Pego um lenço e começo a limpa-lo, viro ainda mais um pouco, o seu rosto, com cuidado, tentando dar espaço para o sangue correr, com medo, que ele sufoque. E vou dizendo-lhe:

— Henry, meu amor, fala comigo, por favor, príncipe, não me deixa. Preciso de você. – Lembro-me de pedir socorro a Deus. – “Ah Senhor cuida dele, não deixa nada de ruim acontecer” ...

Minha voz é embargada pelo choro que aumenta.

Ele tenta falar mais não consegue.... Sua força parece faltar, ele está enfraquecendo.... Com muita dificuldade, ele ergue a mão para tocar o meu rosto, levando-me a suplicar em meio as lágrimas:

— Amor fala comigo, por favor, Henry, o que eu posso fazer lindo?

Ele começa a tossir tentando falar, mas o sangue que ainda flui de sua boca, dificulta. Com muito carinho e todo o cuidado, coloco a sua cabeça em meu colo, para que eu a tenha mais alta para evitar que ele sufoque com o sangue, e aí com esforço ele consegue dizer:

— Ei prin... cesa. Não.... Chore. Por favor Valerie.

Uma dor tão profunda preenche o meu peito, a dor da perda e da impotência, por não poder fazer nada, nem se quer movê-lo até a carruagem, porque, eu tenho medo de danificar algo em seu interior, fazer um estrago pior, choro mais, porém, eu digo-lhe:

— Príncipe, não se esforce. Fique quietinho, eu vou tentar fazer algo.

Pego a minha capa que estou vestindo, enrolo. Em seguida, eu ergo um pouco mais a sua cabeça e coloco a capa por baixo, fazendo volume para que o Henry fique com a cabeça erguida.

Corro até a carruagem e pego algumas coisas e volto correndo mais ainda, trago a maleta de primeiros socorros e uma adaga, pois, eu quero examiná-lo e ver a extensão do seu corpo para constatar se há ferida externa, como não posso movê-lo para tirar suas roupas, se for preciso, eu irei cortá-las.

Olho de um lado para o outro, imaginando como seria bom receber ajuda, o Henry está morrendo.... Eu sinto, eu posso sentir, e este pensamento traz uma dor latente ao meu peito, pois, não há vida para mim sem o Henry, já perdi demais, eu não posso perde-lo, o meu coração não suportaria.

Penso em o quanto eu o amo, e o quanto a perspectiva de não o ter mais, é dolorosa, e a angústia, leva-me a olhar novamente em seus olhos cheio de dor e dizer:

— Henry por favor, meu amor, aguente firme, eu não posso te deixar sozinho.

Levo minha mão em seu pulso e choro mais ainda, ao senti-lo, porque está muito fraquinho.

Acaricio o seu rosto, limpo o sangue o tempo todo, e, beijo os seus lábios, não me importando com o sangue. E em seu olhar, eu vejo o quanto ele está sofrendo por ver a minha dor por medo de perdê-lo.

Ele toca o meu rosto com um imenso carinho e com a pouca força que tem, diz-me:

— Ei minha querida.... Fica calma.... Eu amo.... Você!

Olho com olhar de súplica a ele pedindo: “Não se despeça, não me deixe”, em meu olhar, e o meu choro agora é de pura dor, lamento e tristeza.

De repente, uma imagem explode em minha mente:

“O Henry ajoelhado, de frente ao Mildrad, que me tem colado a si com uma adaga em meu pescoço, e Mildrad gritando, para Aquiles, dando ordem para matar o Henry com a espada.”

Me perco naquela visão, e imediatamente algo me ocorre, não é uma visão, é uma MEMÓRIA! Levo minha mão livre a cabeça como que para apalpar a dor que irrompe, aliada aquela lembrança.

ELAS ESTÃO VOLTANDO!

E uma enxurrada de flashes irrompem em minha mente, me deixando tonta, e sem ar.

Eu fecho os meus olhos apertando forte, para tentar aliviar o desconforto. Porque, a intensidade e velocidade das imagens que vão surgindo, vão me deixando tonta.

Dou um gemido involuntário, pela dor que aumenta em minha cabeça...

No instante em que eu abro os olhos, vejo a angustia e preocupação no olhar do Henry. E, eu sei que é por que, eu não posso sofrer abalo emocional, e certamente, ele está preocupado comigo.

— Princesa vá se cuidar, você não pode se aborrecer...

— O QUÊ?

Eu digo nervosa...

— Eu não saio daqui sem você lindo! Ninguém me tira daqui!

Noto o seu semblante se contorcer em pura manifestação de dor. E sinto que ele está cada vez mais frágil, como se sua vida, estivesse escorrendo por entre os dedos. Meu choro aumenta, mas, em real desespero e plena determinação, eu digo:

— Nada disso, nada de me olhar com este olhar Henry, você não vai me deixar amor. Pelo amor de Deus, fica comigo, eu não posso perder você.

Eu digo completamente assustada, apavorada e aos prantos.

E com o seu finzinho de força e fôlego, ele diz:

— Eu amo você querida minha, cuide-se...

Minha agonia, explode e agora eu grito em meio a um choro profundo...

— NÃO HENRY, NÃO VÁ! POR FAVOR, AMO VOCÊ PRÍNCIPE! NÃO ME DEIXE!

E, naquele momento, ele fecha os olhos, me deixando só, e em pleno apavoramento.

A única coisa que consigo fazer é pedir:

— “Senhor, onde houver socorro neste momento, o envie a mim, eu não posso perdê-lo Senhor! Por que irias me poupar como me poupou da morte para leva-lo agora? Sei que há algo para nós, além disto, faça cumprir tudo que já está determinado, mas não leve o Henry de mim meu Deus, eu preciso dele. Sei que foi o Senhor quem o deu a mim.... Por que, justamente agora que eu me lembro, ele se vai? Por favor, Senhor, mande o recurso!”

Assim que eu termino, beijo cada parte do rosto do Henry, detendo-me mais tempo em seus lábios, lembrando-me, com mais clareza, de cada cena vinda em flash:

“A morte do Peter; o Henry ficando para cuidar de mim; eu cuidando dele. O nosso primeiro beijo, no jardim do chalé; os nossos momentos intensos; o nosso noivado; as nossas trocas de votos; não só alguns, como vi em sonho, mas, todos os detalhes da primeira vez em que nos amamos e cada uma delas depois; o compromisso, os nossos momentos no lago, a minha viagem; o nosso reencontro após a viagem; e enfim, cada ato do dia em que o Mildrad me capturou. “

Embora tudo ainda seja muito confuso, há mais clareza nas cenas agora...

A cada cena, lágrimas corriam e mais e mais beijos eu dava nele e dizia agora:

— Eu amo você príncipe, e eu me lembro, me lembro de tudo, de como tudo começou, e quero compartilhar com você. Você não pode me abandonar...

Neste instante, meus pelos se eriçam, e meu instinto de sobrevivência me avisa que algo inesperado se aproxima. E bem no momento em que eu sinto isto, viro-me para olhar para a entrada que dá acesso ao terreno, ao lago e ao bosque.

Eu vejo cruzar os portões, em um salto gigantesco, dois lobos enormes, um totalmente prateado, e outro, cor de areia.

E neste exato instante, uma sensação de dejavú me envolve, por que ao contemplar o lobo prateado, eu sei que, de alguma forma, eu já o vi.

Eles rapidamente se aproximam, e como não sei do que se trata e por eles serem enormes e o Henry estar desacordado e banhado de sangue, meu instinto de autopreservação, mas, acompanhado do de proteção, grita alto...

A única coisa que me vem a mente é que eu preciso proteger o Henry. E dentro de mim, emerge uma força poderosa: Levanto-me e tomo posse da adaga, e assumo uma postura protetora na frente do corpo do Henry.

Isto ocorre no mesmo momento, em que os lobos chegam perto. Sei que não são lobos comuns, e ao pensar nisto, mais flashes chegam: “Uma matilha de lobos nas rochas no dia do sequestro e as palavras de desafio do lobo negro sobre o Henry não poder pará-los.”

Mas, a questão é, este lobo, não estava no meio daqueles, e o olhar que ele me lança não é de desafio e sim, de solidariedade. E, estranhamente, é um olhar muito familiar..., mas, com receio do que eles podem fazer ao Henry, eu não baixo a guarda de maneira alguma.

Eles estão a pelo menos, três metros de distância, mas, pelas passadas largas que deram até chegar ali, sei que, num salto estariam facilmente em nós e sem esforço.

Porém, uma força enorme se apodera de mim e eu grito:

— Não tentem tocá-lo, eu não deixarei chegarem perto, saiam daqui, eu sei que vocês não são lobos comuns, e sei que podem me ouvir, saiam. Para pegá-lo terão de passar por mim.

Algo estranho acontece, eles se entreolham, um gesto puramente humano, pois, denota inteligência intencional. Olham-me novamente e tentam se aproximar, e eu explodo avançando:

— Saiam, não cheguem perto!

Porém, simultaneamente, sinto uma pontada maior de dor em minha cabeça e mais uma memória querendo surgir, mas, ela ainda é só um borrão...

Então, inesperadamente os dois lobos retornam de onde vieram pelos portões, e somem bosque adentro, rapidamente como borrões...

E aquilo me trás mais uma sensação de dejavú. Principalmente quando vejo o lobo prateado passar em alta velocidade... outro flash irrompe, mas, agora é muito claro:

“No dia da captura, quando o Mildrad me lançou nas rochas, um vulto prateado, antecipa-se chegando antes do meu corpo... Eu consigo ver que é um lobo enorme, mas, em seguida, eu não vejo mais nada, pois, o meu corpo se choca em seu corpo e pelo, macios, porém, a minha cabeça se choca contra as rochas, me levando para a inconsciência na mesma hora.”

Volto até o Henry e confiro o seu pulso, que está ainda mais fraco, tomo a sua cabeça novamente com cuidado e digo a ele chorando:

— Aguente meu príncipe, você não tem o direito de me deixar. Você não pode lutar tanto para me trazer de volta e me deixar sozinha sem você! O que será de mim? Eu não vivo sem você Henry, esta Valerie de agora, que eu me tornei, não é nada sem você! Eu o amo príncipe, na verdade agora eu sei, eu sempre o amei, eu só demorei para compreender isto!

Neste instante, ouço um ruído próximo e ao me virar, uma surpresa: é Will e mais um homem. Noto que ele está sem camisa e somente de calça jeans e o seu companheiro também. Ele aproxima-se e imediatamente minha mente processa:

— Era você!

Digo a ele...

— Sim, mas é claro, Valerie, eu te disse que eu sou um lobo. Como você pode achar que eu faria mal ao Henry? – Seu rosto no momento em que fala, denota compreensão. — Ah! É mesmo, às vezes, eu me esqueço, você não se lembra de tudo!

— Não Will! Eu estou falando das rochas. Você me salvou no penhasco! Era você ali!

— Sim era, espera aí... Valerie as suas memórias...

Não o deixo terminar...

— Sim, estão voltando.... Mas, depois falamos sobre isto, Henry é a prioridade aqui, ele está muito fraco Will me ajude, ele caiu do terceiro andar e creio que está...

Agora ele me interrompe...

— Com uma hemorragia interna... E está mesmo, meu olfato não se engana, temos de ser rápidos!

Ele e o seu companheiro, que nunca falava, somente interagia com os olhos, se entreolham, e eu digo:

— O que nós podemos fazer? Eu acredito que não dará tempo de chegar a um hospital!

Will me olha profundamente com os seus olhos verdes, e naquele momento, vejo o quanto a sua beleza é absurdamente sobrenatural, pois, apesar de ser um homem mais velho, como Aquiles, é como se houvesse congelado no tempo! E ele me diz com seriedade:

— Valerie você confia em mim?

Lembro-me que uma vez ele me perguntou isto, e ele me mostrou o quanto era digno de confiança me contando um segredo seu, que hoje, eu vejo que é real, ele é um lobo! E sei em meu coração que Will, é de confiança e que sua pergunta está relacionada ao estado do Henry.

Então, eu pergunto:

— É algo para salvar a vida do Henry?

Ele me olha sondando-me e diz:

— Sim, é!

— Então eu confio, faça.... Eu não posso perde-lo Will...

Ele me olha com compaixão e diz:

— Se eu estiver certo, em minhas considerações, você não o perderá...

Will diz e se aproxima e pede-me a adaga em minha mão. Eu a entrego e rapidamente, ele se afasta e vai até o jardim, e vejo-o cortar e pegar um belo e grande botão de rosa branca.

Vejo ele abaixar-se e pegar algo na cesta de alimentos e vejo que é a garrafa que contém água quente, e traz dois copos, uma toalha e uma colher.

Ele volta rapidamente, e quando chega, eu já estou sentada, com o Henry com a cabeça em meu colo, protetoramente.

Ele se aproxima de mim, chega ao meu lado e senta-se ali, próximo a mim e ao Henry.

E agora, com as coisas organizadas ao seu lado, ele me olha seriamente e diz:

— Me dê uma de suas mãos.

Eu dou-lhe sem hesitar, enquanto eu o faço ele pega a adaga lava com álcool da caixa de primeiros socorros, e a seca com a toalha. Ele faz tudo olhando em meus olhos. E assim diz:

— Vou precisar cortar você, vai doer um pouco...

Não o deixo terminar e digo:

— Se é para salvar o Henry, Will, faça, e faça logo...

Will confirma que sim com a cabeça, e agora olha para o seu companheiro que imediatamente se aproxima, e ele lava a sua mão e a de Will com o álcool e enxuga-as na toalha, e depois lava a minha. E em seguida, enquanto Will examina rapidamente a minha mão, o rapaz, pega uma agulha na caixinha, e fica com ela na mão, e compreendo na hora: Will irá me cortar e o seu companheiro irá me suturar.

Mais uma memória emerge: “Henry me suturando no lago do monte Grimor.” Mas, me desfoco dela, para me afastar da lembrança da dor.

Will agora, tem minha mão esquerda, entre a sua e faz um corte em minha palma, próximo da linha que chamamos de linha da vida.

Sinto a dor, e sinto o sangue fluir imediatamente, e surpreendentemente, Will pega o botão de rosa branca...

Em seguida, ele pega a minha palma e aproxima-a do botão, e vira a minha mão sobre o botão, de uma forma que o sangue que já preenche a minha palma, caia sobre ele, e também, o demais sangue que vai fluindo...

Inusitadamente, uma coisa acontece: ao entrar em contato com o meu sangue, o botão de rosa branca o absorve completamente, tornando-se totalmente vermelho vivo, como o meu sangue.

Cada pétala que absorve o sangue, de uma maneira impressionante, vai se tornando vermelha e se abrindo de uma forma mágica e linda, é como se meu sangue desse uma nova vida a ela, e aquilo me faz arregalar os olhos de encantamento, e arfar de surpresa, e Will, automaticamente me olha e sorri. Então, ele diz:

— Você irá presenciar um milagre! Algo muito especial, e, que poucos nesta terra, sabem a respeito...

A medida que o meu sangue vai cobrindo a rosa, ela vai se transformando completamente, e o mais importante, é que ela se torna uma rosa vivamente vermelha e aberta, deixando se ser um botão, transformando-se em uma preciosa Rosa Escarlate. Quando ela está completamente transformada, Will diz:

— Comprima o corte para estancar o sangue, ele vai te suturar, e isto irá doer mais.

O outro homem-lobo se aproxima e enquanto o Will prepara algumas coisas, ele rapidamente passa iodo em meu corte e me sutura com cuidado. O processo é rápido, pois, o corte é pequeno.

Porém, eu não me atento a dor, que é bem grande e muito menos em como está ficando a sutura. Por que eu estou preocupada é com o que Will está fazendo.

Will pegou um copo, e despetalou a rosa colocando cada pétala dentro dele. E eu percebo que elas incrivelmente estavam secas. As pétalas absorveram o sangue tão completamente, como se estivessem o tempo todo a espera de se fundirem com ele.

Agora, ele pega a garrafa de água quente que eu trouxe para chá e vira um pouco no copo, e ele imediatamente começa a mexer com uma colher de uma forma que triture as pétalas, e em seguida, completa o copo com água.

Agora ele esfria, jogando de um copo para outro e o faz furiosamente, e quando percebe que a temperatura está suportável, ele vem até mim e diz:

— Precisamos dar isto a ele. Eu sei que você está curiosa, Valerie. Eu vou te explicar tudo, o que eu posso e tenho permissão para falar, mas, primeiro, nós precisamos terminar com o Henry, ele já está muito enfraquecido.

— Eu sei Will, vamos, eu quero te ajudar.

Confiro a pulsação do Henry e ela ainda é mais fraca.

Rapidamente, vou abrindo a boca do Henry e Will vai colocando as colheradas do chá da rosa transformada. Para que ele engula, ainda que, com muita dificuldade.

Eu vou tapando o seu nariz a cada colherada. E pouco a pouco o Henry vai tomando e engolindo, até o final. Assim que eu termino, confiro o seu pulso novamente, e surpreendentemente, a sua pulsação está mais forte.

Aquilo me faz suspirar e sorrir, e eu digo:

— Will, você acha que nós podemos transportá-lo, com cuidado e sem riscos?

— Sim. Com a esteira que eu vi ali. Onde você quer colocá-lo?

— Dentro da casa, pois, eu quero examiná-lo para saber se tem alguma ferida externa, e eu quero limpá-lo.

Will, confirma com a cabeça e no momento, eu vejo o seu amigo já retornando com a esteira na mão, e ele rapidamente, a estende próximo ao Henry dobrada, creio que é para dar mais firmeza. Assim, eu me levanto e digo:

— Eu vou pegar algo na carruagem.

Vou correndo até lá e pego a minha bolsa. Pois, como saímos para um passeio, trouxemos umas roupas a mais para cada um, e levo-a até eles. Chegando, eu digo-lhes:

— Vamos, para a casa.

Conduzo eles até a casa, e faço o trajeto segurando as mãos do Henry, junto ao seu abdômen.

Assim que entramos na casa, guio-nos até um dos quartos do segundo andar. E Will diz:

— Você disse que quer limpá-lo Valerie. Nós, podemos dar um banho nele? Para limpá-lo do sangue de forma mais completa e colocarmos ele na cama para repousar, ele vai precisar disto. E assim, poderemos examinar se há ferimentos em seu corpo para você, com mais clareza.

— Claro, eu vou preparar a banheira, pois, será mais fácil.

Deixo minha bolsa na mesinha e vou até o banheiro e preparo tudo para o banho do Henry.

Retorno ao quarto, depois de tudo pronto.

Um pouco constrangido, Will diz:

— Quer que façamos tudo e assim que ele estiver seco e na cama, nós te chamamos? Podemos fazer, e prometemos tomar cuidado.

— Sim, obrigada Will, e eu quero te pedir que, só lhe vista com a roupa íntima e o cubra com um lençol e um cobre leito que eu deixarei aqui, para que ele fique à vontade, pois, eu não tenho pijamas dele aqui, e as roupas que eu trouxe são apertadas e se ele estiver machucado ou dolorido, não será uma boa ideia usá-las, tudo bem?

— Claro. Faremos como você nos pediu.

— Enquanto vocês vão, eu vou preparar a cama para ele.

Eles saem e eu vou até a cômoda e pego um jogo de lençóis, pois, eu deixei alguns aqui, e cubro a cama e coloco fronha nos travesseiros.

E pego um cobre leito para colocar por cima do lençol que irá cobri-lo.

Vou até ao banheiro social e tomo um banho rápido e me troco para poder cuidar do Henry. Há um pouco de dificuldade para cada tarefa que eu faço, devido ao corte em minha mão.

Depois que eu me arrumo, eu cubro a parte cortada com um curativo e uma atadura, mas, percebo que já está bem cicatrizada. E me lembro do dia em que a Dra. Helena, me disse que a minha cicatrização era extraordinária, a ponto de que, cicatrizes grandes, poderem sumir completamente com um tempo.

Tanto que, observo que a do monte Grimor, já é apenas uma linha bem mais leve. E a da minha têmpora, do dia da captura, também já é bem fraquinha. E a da mão, a esta altura, não sangra mais.

E começo a pensar: será que isto tem haver com o meu sangue? O meu sangue, é tão poderoso assim?

Acho que hoje é o dia de eu começar a compreender e agora, eu sei que o Will, tem algumas respostas para mim.

Assim que eu termino, organizo tudo e retorno ao quarto em que o Henry está e bato na porta, e ouço a voz do Will:

— Entre, ele está pronto!

Entro e vou direto até o Henry e sento-me na beirada da cama, ao seu lado. Agora com o rosto limpo, vejo o quanto ele está pálido, e que o seu rosto está intacto, pego as suas mãos e elas estão bem, apesar de ainda, um pouco frias. Eu beijo a cada uma, como também cada parte do seu rosto. E, ao conferir a sua pulsação, vejo o quanto já está mais forte, e aquilo me alegra.

Olho para o Will e pergunto:

— E aí, algum ferimento visível Will?

Will me olhava admirado e disse:

— Olha Valerie, nós conferimos, e, não há ferida exposta e nem hematoma ainda, apenas uma vermelhidão, mais acentuada, em uma das laterais do abdômen dele.

— Hum... Eu irei continuar observando...

Eu dou um sorriso a Will que me responde com outro, e diz:

— Fique tranquila Valerie, deu certo!

Olho-o curiosa e digo-lhe:

— Na verdade, foi uma dádiva! Eu creio que o Criador atendeu a minha petição. O que deu certo Will? O que houve?

— Bem, eu vou sentar-me. Pois, eu irei te contar desde o início Valerie, creio que realmente é o tempo de você saber, e Heron... – Ele diz ao seu amigo. – Você poderia nos deixar a sós por um tempo?

Seu amigo, que agora sei o nome, confirma com a cabeça e sai. E, Will senta-se na cadeira de leitura, próximo a cama de frente para mim e eu, continuo sentada na beirada da cama segurando as mãos do Henry. Ele respira forte e começa a falar:

— Bem, eu faço parte de uma longa linhagem de lobos, tanto de origem amaldiçoada, quanto de origem pacífica, Valerie.

Will diz cada palavra sondando o meu ânimo e reações, é visível isto. Acho que ele tem medo de me assustar. Mas, enfim, ele prossegue.

— Eu no meu caso, eu tornei-me o que sou, pois, o meu avô escolheu ser pacífico, ou seja, renunciou a natureza de lobo, nunca mordeu um humano, ao contrário, ele ajudou a salva-los, inúmeras vezes, mas, houve um mistério nisto. Ele na verdade, era apaixonado por uma humana comum e muito especial, que também o amava, o que por si só, enfraquece a maldição. O amor verdadeiro, a enfraquece. E, eu, já pertenço a uma geração de lobos totalmente pacíficos, mas, é claro que, eu também tive que fazer as minhas próprias escolhas. Mas, isto não vem ao caso no momento. Bem, todos nós que pertencemos as gerações de lobos pacíficos, seja por escolha ou seja pela força do sangue, aguardamos por alguns acontecimentos a algum tempo, que estão previstos nas profecias de um oráculo, de uma lenda muito antiga”. Você precisa saber que, o meu povo crê nisto, quero que você compreenda que, nós, pertencemos a uma cultura que possui crenças diferentes das de vocês. E por este fato, nós é que temos mais consciência destas profecias.

Eu estou atenta o tempo todo, absorvendo cada palavra. E então, eu pergunto:

— Enfim, o que diz a lenda e a profecia?

Will me olha atentamente, parecendo experimentar cada reação minha...

— Elas dizem que haveria um tempo, que segundo as nossas contagens, apontam para o tempo de agora, em que estamos vivendo. Em que, uma jovem, cujo o coração e a alma foram forjados em meio ao sofrimento e as perdas, que viveria para ser o fim de nossa espera. Ela viria de uma grande linhagem de amaldiçoados e estaria numa terceira geração ininterrupta de lobos. Porém, essa jovem, não aceitaria receber a maldição, porque ela lutaria com todas as suas forças para impedi-lo. No entanto, ela não conseguiria sozinha, pois, a força do veneno, contida no sangue, clama pelo cumprimento do destino. Só que, a lenda também diz que, dois jovens, desde que nasceram, obtiveram seus destinos laçados com o da jovem, pois, eles seriam o sustentáculo dela em sua missão, assim como, ela seria muito importante na vida deles. Um deles, seria o responsável por guarda-la e estar com ela, durante uma fase de sua vida, ensinando-a a ser forte, forjando o seu caráter em coragem e protegendo-a de si mesma para que ela não sucumbisse a força do sangue, mesmo que, ainda não o soubesse. Porém, em um determinado momento, eles se separariam para que este jovem, ficasse pronto o suficiente, para selar a sua missão junto a ela, e neste afastamento, o outro jovem estaria sendo aproximado da jovem, para que começasse a cumprir à sua parte. Mas, o primeiro jovem, teria de cumprir primeiro a sua missão, para que o segundo, pudesse cumprir a dele. A missão do primeiro jovem, era retornar, forjado pela sua essência, a verdadeira coragem que é movida pela abnegação que nasce do verdadeiro amor. Seu destino seria oferecer-se como salvador da jovem no momento da transferência da maldição, e também por ela, não sucumbir, por escolha própria, à força da maldade do veneno, contida no sangue do mordido. Ele negaria a si mesmo, a satisfazer a sua própria natureza, que clama pela maldade, pela morte, e pela transferência da maldição, por amor a jovem. E ficaria ao lado dela num tempo oportuno, para que também, a essência dela, que agora com a quebra da passagem da maldição, estaria sendo forjada, cuidado e persistência, e também seria aprimorada, e, os seus verdadeiros dons, contidos no sangue, poderiam aflorar. Assim, ela cuidaria deste jovem até que ele terminasse de cumprir o seu destino para que ele encontrasse forças o suficiente, no amor dela, para resistir à natureza, de fera maldita, que habitava dentro de si. E suas escolhas, selariam destinos e futuros. Bom, esta seria uma parte da profecia do oráculo, que esta contida na lenda. Porém, mesmo a jovem não tendo sido mordida, ela teria a força do veneno no sangue. O sangue clama pelo cumprimento do destino, por causa da maldição que está sobre quem carrega o veneno.

Cada coisa que Will dizia, falava comigo em muitos aspectos. Mas, eu só pensaria em tudo, depois, porque, eu precisava ouvi-lo. Will prossegue.

— Bem, como eu disse: para que o segundo jovem, cumprisse o seu destino, o primeiro precisaria deixar o caminho preparado para ele. E no momento exato, ele faria com o primeiro, os dois, por escolha própria, uma aliança com o objetivo de proteger a jovem. Os dois só o fariam, por que seriam movidos por amor pleno e verdadeiro. Assim, o primeiro jovem, cumpre uma parte da sua missão e morre, mas, alcança a redenção da maldição, que persegue quem carrega o veneno no sangue, por causa de suas sábias escolhas e por ter cumprido cada etapa de sua missão aqui. No momento em que ele deixasse este mundo, ele selaria o tempo do segundo jovem, agora um homem, para tomar o seu legado, ao lado da jovem. A aproximação, o amor, e a essência dele, bondade e altruísmo e o seu cuidado, para com a jovem, despertaria o amor adormecido e forjado pelas marcas deixadas por ele, nela, em tempos em que ele foi o seu refúgio e conforto. E então, este pleno, puro e eterno amor, afloraria e ganharia uma dimensão tão arrebatadora que seria capaz de romper muitos grilhões e maldições que estavam para se cumprir nas gerações vindouras da jovem. Mas, para que este verdadeiro amor fosse moldado, o jovem casal seria em muito provado, e suas escolhas evidenciariam que eles eram o casal da profecia. Ele por muitas vezes, daria sua vida por amor a ela, que seria um dos sinais que revelariaquem é o casal: a marca do sacrifício, e ela faria o mesmo por ele, quando necessário. E os dois, curariam suas almas feridas por longos percursos de provação, perdão e purificação que teriam de passar pela dor, que seria: a marca da cura. Quebrando mágoas, medos, receios, fazendo-os simultaneamente fortes e guerreiros, para que cumprissem, juntos, os seus destinos. E bem, agora, vem a parte mais importante para o momento, e é o que vou dizer-lhe: A maior prova de que este casal é o da lenda, seria que, a força do sangue da jovem, livraria este homem da morte, este seria o terceiro sinal: a marca da Força do Amor Pleno e Verdadeiro. Pois, a partir do momento que o genuíno amor, realmente aflorasse, uma primeira parte da maldição, seria quebrada. E todo o poder contido no sangue da jovem, contaminado pelo veneno, seria subvertido para o bem, ou seja, a força para matar, faria viver, a força para maldade seria para o bem, e a força para o ódio, seria para o amor. E o primeiro ato que, agora, provariase este era o casal da lenda, seria este: “o sangue dela o salvaria da morte”. A lenda diz, que o sangue da jovem, quando purificado, teria um poder majestoso, e, a Rosa Branca o revelaria. No entanto, este deveria ser um segredo, e isto só deveria e poderia ser usado, em extrema necessidade e sobre os que realmente estão ligados a jovem, seja pelo sangue ou pelo amor da profecia. A lenda diz, que o sangue da jovem, ao entrar em contato com a rosa branca, faria com que, todo o poder medicinal dela, fosse ampliado em dimensões supremas, e ela absorveria toda a virtude agora incorporada no sangue, e a provadisso, seria que: “ao aspergir o sangue sobre a rosa branca, a mesma se tornaria tão escarlate e viva, quanto o próprio sangue”. E aqueles que, forem ligados a jovem pelo laço do sangue ou pelo Pleno e Verdadeiro Amor da Profecia, poderiam ser curados de qualquer convalescença pelo poder da rosa transformada pelo sangue purificado. E aí é que eu entro na história Valerie, o meu destino, diz que: “eu sou aquele que, cuidaria para que o primeiro jovem, fosse preparado e forjado para voltar, no tempo oportuno, para a jovem, e, cumprir a sua missão sem se permitir ceder ao instinto de fera amaldiçoada, até ele partir. E, também estaria presente, para auxiliar o segundo jovem, agora homem, na proteção da jovem contra os perigos que a cercariam. E, presenciaria conjuntamente, o cumprimento do sinal da rosa transformada, pelo sangue da jovem, que salvaria esse homem, da morte”. E aqui estou eu, o meu destino está ligado ao de vocês. Então, eu creio que você já deduziu tudo não é Valerie? Que Peter foi o primeiro jovem, você é a jovem...

Então, agora eu compreendi: ele conheceu o Peter! Não o deixo terminar...

— Você conheceu o Peter e cuidou dele, quando ele foi mordido e se foi de Daggorhorn, e o preparou para voltar somente quando ele fosse seguro para mim, e consciente de sua missão para comigo e o Henry e para que ele também aproximasse a mim e ao Henry e renunciasse a sua natureza de fera. E o homem que eu estou destinada a amar eternamente, e a salvar da morte, é o Henry.

— Sim, exatamente. Vocês: você e o Henry, são o casal da profecia, que diz a lenda. E ela diz que, este amor seria tão forte, que seria capaz de despedaçar cada parte da maldição, rompendo um longo e perverso ciclo. Mas, eu só posso contar até aqui. Eu apenas tenho permissão para isto.

— Tudo bem Will, eu entendi, e o mais importante de tudo: o Peter foi salvo da maldição e o Henry vai ficar curado, isto é o que importa!

— Sim, e a ligação do seu sangue com o do Henry, a partir de agora, dará a ele o restante da força e habilidades necessárias, para que mesmo como um humano comum, ele seja totalmente capaz de cuidar e proteger você para que você cumpra toda a sua missão. Na verdade, o amor do Henry por você, o faz mais forte e corajoso que ele, mesmo como um humano comum, poderia ser, e ainda amplia as dimensões da própria essência dele, altruísmo e bondade. É difícil de se explicar, pois, é algo sobrenatural. Mas, você precisa saber Valerie, que embora exista o destino, as escolhas de vocês é que o selam ou não, e as consequências, quando deixam de cumprir o que foi determinado como Plano Perfeito, são desastrosas e podem afetar as gerações vindouras. Vocês, principalmente depois que se casarem, estarão unidos por laços eternos. O seu amor por ele, também é muito forte Valerie, nunca duvide disto. E você acabou de experimentar um pouco do poder que o seu amor por Henry tem. Na verdade, o Amor Pleno e Verdadeiro, é a força e a magia mais poderosa que se possa existir, capaz de coisas inimagináveis, e devo dizer, que o Perdão também é uma força incalculável e muito poderosa, e aliados, eles podem destruir cadeias terríveis de maldição.

— Eu sei Will, e como sei. Você nem imagina o quanto eu o amo e o que eu seria capaz de fazer por ele. E creio também no que disse sobre o perdão, pois, eu vi isso com Peter, também com o Henry e na minha própria vida.

— Eu sei Valerie, eu não duvido disto. Eu já presenciei a força do amor de vocês, e a veria mesmo que não conhecesse a lenda. E também sei, o quanto tiveram que perdoar e superar.

Cada palavra de Will, preenchia espaços vazios do meu coração e alma. Tudo agora fazia sentido. Exatamente tudo. Esta percepção, fez-me apertar as mãos do Henry e beijá-lo no rosto novamente. A verdade é que: como eu realmente amo este homem e daria a minha vida por ele.

— Will, eu preciso te perguntar algo, se não puder contar, tudo bem. Existe alguma possibilidade de eu ter, mesmo sem ter sido mordida, uma descendência de fera?

Neste momento, Will me olha profundamente, e sei que ele está ponderando cada palavra que vai me dizer. Assim, ele responde:

— Olha Valerie, eu só tenho permissão para falar até aqui, porque, se não, eu posso interferir em suas escolhas. E, isto, é estritamente proibido para um Guardião, que é o que eu sou, e com consequências severas. Eu sou um Guardião da Dimensão Terrena. E há limites para o que eu posso ou não fazer. Porém, o que eu posso dizer é: Não se preocupe com isso. Você é a própria testemunha viva, do que o seu amor por Henry e o dele por você é capaz de fazer, portanto, eu sinceramente não vejo com o que se preocupar. Porque todo o fruto que vier de vocês, através desse amor, será providencial e jamais uma maldição. Porém, é como eu disse, pensem sempre muito nas escolhas que farão. Isso é importante.

Will foi bastante sincero e aquilo me trouxe paz.

— Obrigada Will, por tudo mesmo! – Eu digo a ele com um sorriso e sou retribuída com outro.

— Will, e a sua família? Os seus filhos também são lobos?

Me arrependo de perguntar-lhe, pois, naquele momento, o seu olhar exprime tristeza.

— Se não quiser ou puder compartilhar, eu entendo Will.

Ele me olha profundamente, porém, me diz com um olhar muito sincero:

— Não é isso Valerie, posso sim, e vou falar, mas, é que, você tocou, na verdade, em uma ferida muito profunda...

Will respira fundo e parece buscar algo muito longe em sua memória, o seu olhar é melancólico, no entanto, ainda assim, ele prossegue:

— Há muitos anos, eu amei profundamente uma mulher. Aliás, eu ainda a amo. Eu a conheci em minha adolescência e ali, eu me apaixonei profundamente por ela. E, às vezes, eu me pego pensando, — o olhar de Will era muito saudoso — e como não me apaixonar? Ela era inteligente, muito sábia, calma, serena, e o mais importante: ela jamais me julgou ou me tratou diferente por eu ser de uma cultura totalmente distinta da dela. Principalmente nas crenças. Veja bem Valerie, quem nasce com uma missão, como eu, em minha cultura, destinado a ser um líder, principalmente de várias gerações ininterruptas, nasce com responsabilidades. E, eu cresci totalmente consciente das minhas. Então, alguém assim, não pode simplesmente largar tudo e seguir uma outra vida, ou um outro destino. Lembra-se do que eu falei, de que temos que pensar bem, ao fazermos nossas escolhas, por que tudo tem uma consequência, principalmente quando saímos do Plano Perfeito traçado para nós? – Apenas afirmei com a cabeça, porque, eu estava vidrada em cada coisa que Will me falava. — Isso é a Lei mais real, incontestável e absoluta da nossa existência. E realmente muitas delas, não atingem apenas a nós, mas, as nossas gerações vindouras, e ninguém, ouça bem Valerie, ninguém escapa disso. – Will respira fundo novamente e prossegue. – Assim, eu sempre fui preparado para ser Líder, e existe um entendimento em minha cultura que nos mostra que, para proteger os humanos comuns, com maestria, nós precisamos compreendê-los, experimentar um pouco do mundo deles, para assim, estamos preparados para lidarmos com suas questões. E isso inclui, conhecer a cultura, as crenças, um pouco das paixões. E dessa forma, quando chegou o meu tempo de interagir no meio dos humanos, eu fui mandado para a escola comum, mesmo me afastando do meu clã, por um tempo, para conhecer e interagir com os humanos comuns. E veja bem, foi através dessa pessoa, que eu consegui perceber este mundo de dimensão humana, através do olhar dela. E eu posso dizer eu nunca, jamais, conheci uma pessoa com uma alma tão boa, tão altruísta, e que mesmo sendo de um mundo tão diferente, compreendesse as diversidades existentes neste Universo. Um dia conversando com ela sobre valores, crenças, e compartilhando sobre o que realmente acreditávamos, mesmo ela tendo uma visão de Deus totalmente diferente da minha, por que nós cremos num Grande Espírito de Sabedoria e cremos que todos de alguma maneira estamos interligados no grande e maravilhoso ciclo da vida, cada um ao seu modo e com a sua missão. E acreditamos em um profundo Equilíbrio em tudo. Assim quando eu compartilhei algumas coisas com ela e falamos das nossas diferenças na forma de crer. Ela falou-me algo que me fez compreender que por mais que ela havia aprendido algo muito diferente, a sua fé era muito além do que foi proposto a ela. Bem, eu devo dizer, que ela sabia o que eu sou, na verdade naquela época apenas estava predestinado e sendo preparado para ser. Então, ela presenciou um pouco do meu mundo sobrenatural. E quando eu a questionei se àquilo, não abalava a sua fé, ela me disse: “Olha Will, eu acredito que Deus em sua grande e infinita sabedoria, tem nas mãos a chave para todos os mistérios de todo esse Universo. E quem sou eu para contestar o que é ou não é, afirmar ser verdadeiro ou não. O que eu compreendo, é que, cada um vai ver e enxergar aquilo apenas que está preparado para ver. Assim, para aqueles que não o estão, só lhes resta ignorar ou contestar, pois, como vão poder lidar com aquilo que não dão conta? Ou seja, eu não compreendo a sua forma de viver e nem muito menos o que você está disposto a viver por suas crenças, por que elas são suas e eu não fui preparada para isso, mas, isso não me da o direito de te contestar ou duvidar de você, pois, a sua própria maneira de conduzir a sua vida, já denuncia a veracidade do que você crê para você. Então, cabe a mim, a não questionar, muito menos te menosprezar. Por que na verdade, cabe apenas ao Criador conduzi-lo da maneira que ele achar melhor, segundo aquilo que, Ele mesmo, já te preparou e te capacitou, para fazer aqui nesta terra, assim como capacitou a mim, para cumprir a minha própria missão, ainda que ela seja algo muito mais simples e talvez sem significado algum, como crescer, me casar, ser mãe, me tornar uma boa mãe, uma boa esposa, e levar a vida que o Criador me deu da melhor maneira que eu puder, dentro daquilo que me foi permitido construir de minhas crenças e de minha fé.” E olha Valerie, ouvir aquilo, foi a maior lição de sabedoria que eu recebi. Por que era a mais pura verdade. E realmente aconteceu assim. Eu segui o meu caminho, ela seguiu o dela, no que ela acreditava. E assim, como eu não poderia adentrar em seu mundo, ela também não poderia adentrar no meu, porque ela tinha de seguir o que ela foi preparada para acreditar. E eu me tornei exatamente tudo que eu fui preparado para ser, assim como ela. Até onde eu sei, ela realmente se casou, foi uma boa esposa, uma mãe maravilhosa, inclusive o seu filho foi a sua maior alegria, pois, eu soube, que embora fosse muito bom com ela, o seu marido não a amava, mas, ainda sim, ela foi fiel, permaneceu com ele e cumpriu a sua missão até onde foi possível. Por que na verdade, ela morreu muito jovem. – Neste momento corre uma lágrima do rosto do Will. – Então, respondendo a sua pergunta. Eu não tenho filhos, por que eu não me casei. Eu não poderia, por que a dona do meu coração, não teve o seu destino ligado ao meu. E como eu poderia construir uma família sem amor? Eu não consegui fazer outra escolha, porque, o meu coração já havia escolhido amá-la. Mas, hoje, eu vejo que foi a escolha correta para mim, porque, a minha vida, me expõe a muitos perigos, uma família para mim, ficaria muito exposta. Assim é você com o Henry, o seu mundo, você querendo ou não, está mergulhado no sobrenatural por causa da sua linhagem de loba, porém, você escolheu não se contaminar. E por outro lado, o Henry, mesmo não estando, a princípio, ligado pelo sangue, ao sobrenatural, por escolha e pela força do destino, ele se ligou, através de você. E, agora, por meio de você e seu sangue, ele também está. E, a partir de agora, ele está totalmente preparado para cumprir o destino dele ao seu lado.

Will olhava-me atentamente e eu retribuía o olhar e pensava em cada palavra. Por fim ele concluiu.

— Eu sei que é muita coisa Valerie.

— É claro que é Will, e bem difícil de entender. Veja bem, de entender e não acreditar, por que eu acredito, em cada palavra. Na verdade, esta história toda, me fez compreender muitas coisas, antes incompreensíveis para mim, inclusive o fato de eu ter amado ao Peter e ainda assim, amar tanto ao Henry hoje, e, de uma forma tão imensurável.

— É claro que é difícil Valerie como eu disse, é sobrenatural. E eu tenho certeza que por uma sabedoria maior, muitas coisas, nem devem ser entendidas agora, pois, ainda virá o tempo.

— Também acredito Will – Assim concluo: — Will, é muito linda, apesar de muito triste a sua história. Obrigada por compartilha-la comigo. Olhe, eu vou preparar alguma coisa para comermos, você pode ficar com o Henry aqui para mim? Assim que eu terminar, eu retorno. E eu quero que você conte tudo o que me contou a ele.

— Sim claro, pode ir. E eu irei sim, fazê-lo, mas, ao seu lado. Vocês dois precisam saber, para apoiarem um ao outro daqui para frente, para poderem cumprir seus destinos. E obrigado a você por ter ouvido sobre mim.

— Tudo bem, obrigada, mais uma vez, Will.

Saio do quarto e vou em direção a varanda da casa, e o vou em busca da cesta, porém ao chegar lá, vejo Heron sentado no jogo de varanda e a cesta na mesa. Olho para ele e digo:

— Obrigada Heron, eu estava indo busca-la para preparar algo para nós.

— Por nada senhorita Valerie.

Olho Heron admirada, pois, pela primeira vez, ouço a sua voz. Ele parece compreender, pois, ele olha-me também, sorri e diz:

— Apenas para que a senhora entenda, quando fazemos parte de uma mesma linhagem, seja por sangue ou lealdade extrema, nós podemos nos comunicar através dos nossos pensamentos, tanto estando na forma de lobo ou na forma humana, por isso eu quase não falo.

Aquilo é uma surpresa para mim, mas, me trás clareza a muitas coisas.

Então eu digo:

— Obrigada Heron porque isto esclareceu muitas coisas para mim.

Ele me sorri.

Pego a cesta e retorno para dentro em direção a cozinha. Preparo a mesa para o lanche e organizo o restante para que a casa não fique desorganizada. Tudo o que Will me contou me deu muito a considerar. Mas, este não é o momento para isso...

Assim que eu termino, eu volto ao quarto.

***

POV HENRY

Após um longo tempo em meio a escuridão. Sinto uma forte claridade tomar os meus olhos. Aos poucos, eu começo a ganhar consciência, porém, antes de abrir os olhos, tento aguçar os meus outros sentidos, para tentar captar onde eu estou.

Na verdade, eu tenho receio da realidade que eu irei encontrar. Medo de ter morrido e ter deixado a Valerie. Sei que eu estive bem perto, muito perto.

No entanto, eu senti quando, uma força me puxou do túnel onde eu caminhava em direção a onde estava minha a mãe, o Peter e mais dois seres, que eu não sei quem são, e daquele momento em diante eu não pude ver mais nada, eu fiquei inconsciente.

Procuro ouvir, e tudo o que eu escuto, é o silêncio e o som da minha respiração. Por fim, eu crio coragem e abro os olhos.

Ao fazê-lo, sou saudado com um caloroso sorriso, claro que não é o rosto nem o sorriso que eu mais queria ver, mas, é de alguém importante, ou que pelo menos, passou a ser importante para mim. E Will diz:

— Pode acordar tranquilo, você está vivo e muito vivo! Não está na hora de você partir, há muito a fazer ainda, Guerreiro!

Will diz sorrindo e me estende a mão.

Levanto a minha lentamente e aperto a do Will. E digo-lhe:

— Will, o que aconteceu? Como você me salvou? Eu estava indo para morte, eu estava ciente disto, mas, eu senti quando uma força poderosa me puxou de volta para a escuridão da inconsciência, e ao abrir os olhos, eu estou aqui. Quanto tempo eu estive fora? Onde está Valerie? Eu quero vê-la.

Will começa a rir e sei que é pelo meu desespero contido na minha enxurrada de perguntas. E diz:

— Acalme-se. Uma coisa de cada Vez. Valerie está muito bem, ela está preparando algo para comermos e pediu para que eu esteja aqui cuidando de você enquanto isto. Você só ficou algumas horas fora. Devemos estar encaminhando para o meio da tarde. E o mais importante: Não foi eu quem te salvou, quem me dera poder fazer isto. Eu não tenho este tipo de poder.

— Mas então, o que houve?

— Vou te contar, mas, eu prefiro fazer isto, junto a sua noiva.

— Tudo bem, eu também quero muito vê-la.

— Imagino.

Will sorri e naquele momento, a porta do quarto é aberta e fechada, e ouço passos se aproximarem e sei que é ela. E ao passar pelo rol de entrada do quarto, o seu sorriso, aparece triunfante no rosto. O que me faz sorrir de volta. Ela vem alegremente para mim e senta-se com cuidado ao meu lado e toma as minhas mãos, beijando-as com carinho e desespero. Então diz:

— Príncipe você acordou! Graças a Deus amor! Que saudade e que alívio!

Ela toca o meu rosto com carinho, porém, eu vejo uma atadura em sua mão e preocupado pergunto:

— Princesa, você se machucou?

Digo tomando a sua mão machucada e beijando.

Ela olha para Will e ele diz:

— Eu estava esperando por você Valerie, para contar a ele, porque, ele já me perguntou.

Eu a olho e pergunto:

— Você já sabe de tudo amor?

Ela me olha com tanto carinho e diz:

— Sim príncipe, eu sei. Will me contou tudo.

Ela acaricia o meu rosto, beija-o e diz:

— Will, você pode contar-nos novamente? Assim que terminarmos nós iremos comer.

Will confirma e assim inicia sua história...

***

Assim que Will termina, eu estou chocado e admirado. No entanto, acima de tudo, eu estou feliz por saber que a minha princesa, está mesmo aqui por mim, que ela é minha. E Will neste momento, diz:

— Olhe Henry, como eu disse a Valerie, todo o Plano Perfeito, tende-se a se cumprir e a única coisa que pode retardar ou impedi-lo, são nossas escolhas. Elas têm poder, e selam ou não, destinos. Assim, a partir de agora, estejam atentos para as escolhas de vocês. E no mais, se casem e se amem muito, pois, este amor tem feito e fará milagres. O amor de vocês é extremamente poderoso, por que foi provado e purificado como ouro no fogo.

Valerie sorri para Will e diz:

— Eu sei, e como sei. Obrigada Will. E Henry... – Ela agora diz, olhando para mim... – Inclusive, eu quero dizer algo: por mais que eu deseje me casar logo, se você quiser adiar, por seu estado, para mim tudo bem amor, primeiro eu quero focar em seu bem-estar.

Eu a olho alarmado!

— Amor, só se você quiser. Pois, por mim, eu me caso com você agora. Eu não quero esperar mais amor, eu me caso com você até em cima de uma cama, como eu estou agora, caso eu não consiga andar, só não o faço, se você não me quiser Valerie.

Valerie me olha incrédula.

— Amor, como você pode pensar isto? Eu quero me casar com você Henry. É o que eu mais quero! Amo você príncipe!

— Eu também Valerie, e, eu não quero esperar mais!

Olho para Will e percebo que ele está muito constrangido e sei que é por que ele está presenciando um momento tão particular.

E Valerie, também percebendo, diz:

— Desculpe por isso Will. Você quer comer? Está tudo pronto.

— Sim eu adoraria.

Wil responde e eu digo a Valerie:

— Eu estou com fome também, princesa.

— Eu também Henry e vou comer junto a você, só que, eu vou acompanhar ao Will para que ele e o Heron, seu amigo, que está com ele, comam, e, quando eles terminarem, eu trarei o lanche até aqui, em uma bandeja, por que, você precisa repousar.

— Tudo bem.

Valerie me beija e sai com o Will. Que se despede de mim com um potente aperto de mão. E ali, naquele gesto, eu sei que, selamos uma aliança que duraria por muito tempo.

Eu fico pensando sobre tudo o que Will falou e várias coisas me fazem refletir: primeiro, eu devo muito ao Peter. E segundo, tentando unir tudo o que Will falou, com os fragmentos me dado por Aquiles, eu realmente decido não dizer a Valerie sobre o que eu sei, e sobre o que temo em relação aos nossos filhos.

Eu arcarei com cada consequência, pois, agora, depois da sua grande demonstração de amor por mim, me salvando, eu quero tudo que ela tem para me oferecer, principalmente os nossos filhos.

Depois de algum tempo, Valerie volta com uma bandeja muito bem preparada. E um jarro de água e uma toalha. E diz:

— Eles comeram e depois, se foram. Agora eu vou cuidar de você príncipe.

Ela senta-se comigo na cama e me ajuda a levantar um pouco o corpo até ficar em uma posição, recostado entre travesseiros para que eu possa comer.

Porém, quando eu vou fazê-lo, percebo que eu estou quase completamente nu. Na verdade, vejo ao olhar por dentro do lençol, e do cobre leito, que eu estou apenas de boxer.

O meu rosto ferve e Valerie percebe e acaricia-me em cada lado e ela também está corada. E ela diz:

— Foi o Will e o Heron que te deram banho e te vestiram para mim, e eu pedi para o deixar assim, para que você ficasse mais à vontade, porque eu temia que você acordasse dolorido. Eu fiquei com receio de machucar você príncipe, pois, as roupas que eu trouxe, são apertadas.

Sorri para ela para que a tensão fosse quebrada, e de repente, ela diz:

— Você precisa se alimentar príncipe!

Ela começa a me alimentar com todo o carinho. De repente, ela fecha os olhos e age como se estivesse se concentrando em algo. Então, seguro o seu queixo e pergunto...

— Valerie, o que foi amor?

Ela abre os olhos e me olha com admiração agora, então, diz:

— Vou dizer amor, mas, nós precisamos comer primeiro.

— Tudo bem.

Digo, e, ela, em seguida, ela continua a me alimentar com frutas, pão, iogurte e por último, suco.

Ela come juntamente comigo, e assim que terminamos, ela vai até a cozinha guardar tudo.

Após algum tempo, ela retorna, e senta-se ao meu, lado, na cama e toma as minhas mãos nas suas e pergunta:

— Você está bem Henry? Eu estou preocupada.

Olho-a e vejo todo o seu amor ali, naquele olhar, e é engraçado que a sinto diferente, como se ela estivesse diferente, mais completa, não sei explicar. E respondo:

— Como não estar bem meu amor? Eu acabei de voltar da morte Valerie! Amor, eu cheguei a entrar em um túnel, você sabia? Eu vi a minha mãe e o Peter. Eu pude chegar perto deles, mas, de repente, do nada, uma força poderosa me trouxe de volta. A força que a muito tempo tem movido a minha existência: O Amor. O seu amor por mim me salvou. Lembre-se de o que o Will disse, o seu sangue só tem este poder sobre quem está ligado a você pelos laços de sangue ou pelo Pleno e Verdadeiro Amor. Você me salvou da morte amor, me trouxe de volta a vida, como não estar bem? Posso estar ainda um pouco debilitado fisicamente, o que é absolutamente normal, afinal, foi uma queda do terceiro andar, mas, eu estou vivo, e aqui com você na minha frente, cuidando de mim, e se preocupando comigo. Vou me casar em menos de vinte quatro horas com você, que é a razão da minha vida, meu eterno amor, como não estar bem? Claro que estou bem amor, e muito feliz: Eu amo você princesa!

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Ela me olha mais profundamente e toca o meu peito, onde bate potentemente, o meu coração. E então, diz:

— Também amo você, e quase morri de tanto desespero de ter quase perdido você Henry.

E as lágrimas que sei que, ela vem contendo, correm. Puxo-a para mim, e, à tomo em meu colo, com cuidado.

Beijo cada parte do seu rosto e imediatamente, ela encolhe-se em meu corpo de uma forma que leva seu ouvido ao meu coração, e encosta-o ali. E é gostoso demais e reconfortante sentir seu rosto quente em meu peito. E ela diz:

— Como eu amo ainda mais este som. O som que representa a força do seu fôlego de vida. Como me deu medo Henry! Eu não posso perder você amor, você não pode me deixar.

E ali ela chora, cedendo a todo o abalo emocional que sofreu. O que me leva a querer confortá-la, a querer arrancar aquela dor.

Acaricio suas costas buscando acalmá-la e ela chora mais, e muito.... Me comove demais o seu choro, e ali me deixo levar também, pois, creio que precisamos disto, descarregar todas as pressões vividas nestes tempos de dores.

E daquela maneira, nos braços um do outro, vamos nos refazendo e reconfortando. Ficamos um longo tempo assim. Por fim, as lágrimas cessam para os dois, e ainda permanecemos abraçados.

Mas, agora, eu sinto o desejo de tê-la mais próxima, para poder olhar seu rosto. Acho que a mesma vontade a preenche no momento, porque ela rapidamente deixa meus braços, se ergue e senta-se de novo em meu colo, mas, agora de frente para mim. Só que no processo o lençol se afasta, revelando meu ventre e parte de minha boxer, e instintivamente eu puxo o lençol me cobrindo mais, e também sinto meu rosto arder de constrangimento.

Ela me olha com carinho, e após se sentar novamente e eu abraçar sua cintura, ela diz:

— Príncipe, você está com vergonha de eu ver você? Tenho que dizer, que se Will não houvesse chegado, eu iria fazê-lo: dar-te banho, e cuidar de você. Mas, eu preciso perguntar algo... E amanhã?

Sei o que está perguntando e aproximo-me e toco seu rosto, ela me olha com carinho e eu digo-lhe:

— Acredita que sim? Parece que a minha mente ainda não assimilou que a partir de amanhã, estaremos casados, um grande sonho se tornando realidade, e acho que é por que eu passei tanto tempo reprimindo o meu desejo e contato mais íntimo com você, que a compreensão ainda não me atingiu, amor. Mas, quanto a sua pergunta sobre amanhã, eu estou preparado quanto amanhã. Ansioso claro, talvez um pouco nervoso, afinal é algo que eu desejei e desejo tanto, se tornando real, imagina amor? Mas, para amanhã, eu estarei pronto, hoje, ainda não.

Valerie sorri, diante do meu corte sutil.

E eu a olho com carinho e toco o seu rosto novamente. Imediatamente ela toca o meu e se aproxima.

Noto seus olhos percorrendo meu peito e sinto-me quente. Talvez seja pela ciência do seu desejo crescendo em seu olhar. Afinal, eu também a desejo muito.

Entretanto, uma coisa me ocorre, ela está mais contida, e ultimamente ela não tem sido assim, creio que ela já teria me “atacado”. Mas incrivelmente, por mais desejo que eu veja em seu olhar, ela está quieta. Ela definitivamente, está diferente.

Então, eu pergunto:

— O que foi?

Ela cora muito e diz:

— Você é lindo! Cada parte de você é maravilhosa, e ver você assim, seminu faz eu me lembrar de cada parte do seu corpo, e desejar... – Ela hesita... – O restante.

A fala dela me deixa com o rosto quente, mas, meu ego aumenta consideravelmente, mas, ao mesmo tempo, minha mente processa algo: Ela disse “me lembrar” e desejar o restante do meu corpo. Como, se lembrar?... E o entendimento me alcança... E eu a olho maravilhado e digo:

— É isto que você tem a me dizer? Você se lembrou? Amor as suas memórias voltaram?

Ela sorri amplamente e diz:

— Sim príncipe, no momento em que eu senti o desespero de te perder assim como eu senti, na minha captura por Mildrad, várias memórias invadiram a minha mente, e aos poucos, a cada coisa que fazemos que me remete a algo, elas vêm com a força de uma tempestade, e, chega a me roubar o ar. Mas, a questão é: eu me lembro! Eu me lembro que eu te amava, eu me lembro da morte do Peter, eu me lembro de você ficando por mim, de nosso cuidado um com o outro. Do nosso primeiro beijo, de quando eu “ataquei” você na ferraria, — e ela dá uma gargalhada muito gostosa nesta hora — de todos os detalhes com perfeição, de nossa primeira vez juntos, nos amando, de cada detalhe, de cada palavra, gesto ou carícia, de cada cheiro. Lembro-me das nossas idas ao lago, lembro-me de cada detalhe da captura, e do fato de que você quase morreu para me salvar. Enfim, eu me lembrei de o quanto já nos amávamos e o quanto éramos bons, felizes e perfeitos juntos. Apesar dos momentos difíceis, pois, eu me lembrei deles também, inclusive de nossas brigas. Enfim, eu me lembrei de como eu amava você, mas, o mais importante, eu posso comparar agora: Eu te amo muito mais hoje! Pois, eu não só me lembrei que te amava, mas também, aprendi a te amar novamente Henry, e muito mais.... Eu amo você e sei que, eu te amarei eternamente, e, eu nem precisava de uma profecia para eu saber disto. Pois, o meu coração me da esta certeza o tempo todo.

Minhas lágrimas correm, e não resisto mais, abraço-a com toda vontade que eu estou sentindo, de uma forma intensa e poderosa. E com a mesma proporção, eu tomo os seus lábios. Na ânsia de tentar mostra-la o quanto eu a amo.

Porém, num determinado momento, quando o desejo já está latente nos dois, pois, nossos corações batem frenéticos, nossos corpos estão quentes e os nossos braços nos puxam um para outro na necessidade de nos sentirmos um só, meu corpo inteiro já tem reações ao desejo que sinto por ela, e sinto as suas também, seu corpo está arrepiado, onde a pele está exposta, e sinto o bico dos seus seios, que tocam meu peito, evidenciarem intumescimento de desejo. E toda esta consciência me faz deseja-la mais. Muito mais. Mas, é neste exato instante que ela se afasta e diz:

— “O Compromisso”. Não podemos ceder, justamente agora, menos de um dia lindo! Amanhã, a partir de amanhã, neste horário, estaremos casados.

— Sim, eu sei, eu estou ansioso amor, só que...

— Só que...

Ela me encoraja.

— Teremos de esperar mais um dia! Vamos chegar de madrugada e exaustos. Não esperei tanto para fazermos amor cansados e de qualquer maneira.

Ela sorri muito e diz:

— Veremos.... Pois, tantas coisas, tantas possibilidades podem acontecer lindo! E pensa bem, poderemos fazer o que quisermos, pois, seremos casados e oficialmente um do outro, quer coisa melhor?

Dou-lhe um sorriso sincero e aliviado e digo:

— Não! Eu amo você Valerie!

— Também o amo Henry, demais meu Sr. Lazar, meu homem lindo!

Instantaneamente um sorriso extenso brota em meus lábios, porque ali, exatamente ali, naquela sua forma espontânea de falar, eu a vejo de volta.

Minha Valerie voltou para mim! Mas, o que é melhor, não antes da outra também se tornar minha! Ela já era perfeita, mas agora, está completa!

Penso em fazer algo, mas, apesar de me sentir muito bem, tenho receio de me levantar, pois, apesar de ter certeza de estar curado, ainda há preocupação, mas, a vontade fala mais alto e...

Inesperadamente, eu a tomo nos braços e me levanto com ela no colo, ela se envolve totalmente em mim, suas pernas em minha cintura, e seus braços em meu pescoço, porém, noto que ela me envolve com cuidado, creio que com receio de me machucar.

Assim, giro-a no quarto sem parar, e ali com nossos corações agora leves, nos sentimos livres, e confirmo também o quanto estou bem, e nem parece que acabei de passar pelo que passei...

Quando estou tonto de tanto girar, me jogo na cama com ela sobre mim. Só aí me lembrando e me dando conta, de que eu estou somente de boxer, preta.

˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜Continua...˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜

Notas finais
E aí pessoas o que acharam? Mereço Reviews e Recomendações? Muitas lacunas se fecharam? Me falem um pouco sobre isso nos comentários. Gratidão e até o Capítulo 57 – Parte 2.