A Garota Da Capa Vermelha - Continuação.
51 VL - RECONCILIAÇÃO E NOVO COMPROMISSO - Cap. 49
Notas iniciais
Olá Pessoas Maravilhosas!!!!
Esta semana não houve Spoiler, Desculpem foi à correria da faculdade!!!
Gente quero agradecer a Deus por esta semana!!!
Agradeço aos leitores que estavam sumidinhos e voltaram, Monaíza Mellark, Thabata, Pati, sejam bem vindas de volta minhas flores, vocês alegraram minha semana!
Agradeço a Luli Melo por duas Imagens lindas feitas por ela!
Agradeço ao querido colega Humberto Henrique, que me forneceu a última música deste capítulo (Sou Teu Anjo Anjos de Resgate)
A VOCÊ fantasminha, gostaria muito de ver seu comentário nos capítulos de agora para frente, já que muitos estão comigo há mais de um ano, poderiam me dar este presente, eu ficaria muito feliz!
O esquema do Spoiler é o mesmo até Domingo, comentando, Spoiler na segunda!
Capítulo Cheio de momentos Henlerie, e com outros romances chegando e com imagens para vê-las clique em: (Imagem Aqui).
Agradeço aos meus leitores, fiéis e meus escudeiros de sempre por seu carinho de sempre e seus Reviews!
FANTASMINHAS, GOSTARIA DE CONHECÊ-LOS, QUE TAL AGORA QUE A FIC ESTÁ ACABANDO? EU NÃO MEREÇO?
Indico algumas FICS:
O Triunfo da Esperança - Minha FANFIC totalmente Petniss do Universo Jogos Vorazes
http://fanfiction.com.br/historia/333216/O_Triunfo_Da_Esperanca_-_Por_Peeta_Mellark
Do Inferno ao Paraíso Por Henry Lazar Minha Fanfic Totalmente Henlerie.
http://fanfiction.com.br/historia/373132/Do_Inferno_Ao_Paraiso_Por_Henry_Lazar/
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Apenas uma Noite
http://fanfiction.com.br/historia/322586/Apenas_Uma_Noite
Historia de Nos dois
http://fanfiction.com.br/historia/319703/Historias_de_Nos_Dois
O Jardim das Cerejeiras:
http://fanfiction.com.br/historia/331501/O_Jardim_Das_Cerejeiras
Os Golpistas
http://fanfiction.com.br/historia/337306/Os_Golpistas
Apareçam por lá!
ESTAMOS NO DESFECHO FINAL DA FIC:
Comentando até DOMINGO, na SEGUNDA tem Spoiler que mando por e-mail, e NA QUINTA-FEIRA TEM CAPÍTULO NOVO!
CONHEÇAM MEU BLOG.
http://dicasdamarth.blogspot.com.br/
Sem mais delongas, Vamos ao Capítulo 49!
Nos vemos nas notas Finais.
Mil Beijos!!!
MBGE
POV VALERIE
Realmente eu saí daquele quarto, muito arrasada! Eu odeio brigar com ele, mas, sinceramente, desta vez Henry foi longe demais. A mágoa em que estou é enorme. Quando passo pela cozinha para me despedir, e todos estão reunidos na mesa, eles ficam alarmados ao me verem e Made que me conhece bem me diz.
– Valerie, se você está assim pelo que aconteceu ontem, nos perdoe.
Olho pra ela, furiosa, e digo:
– Agora não Made!
Todos me olham assustados, inclusive minha mãe, que me sonda com o olhar. E pergunta...
– Vai sair minha filha?
Tento suavizar um pouco minha voz, por respeito a minha mãe.
– Sim, eu tenho aula de música!
E Henry, neste momento, entra na cozinha, já arrumado, porém, eu não olho no seu rosto. Nisto, Aquiles começa a se levantar para me levar, mas noto que ele não terminou seu café. Viro-me para ele e digo:
– Pode tomar seu café em paz Aquiles. Eu te espero lá fora, na carruagem.
Pego o Alaúde que Elise tem deixado comigo e uma maçã para eu comer e saio.
Quando estou próximo à carruagem, ouço passos atrás de mim e digo sem olhar e bem nervosa.
– Não quero conversar agora! Somente mais tarde, eu e você precisamos pensar um pouco!
– No que eu tenho que pensar?
Tomo um susto ao constatar pelo som da voz, que era Érion.
Sem olhá-lo, e colocando o alaúde e a maçã dentro da carruagem eu digo...
– Se ele pediu para que viesse aqui falar comigo, você perdeu o seu tempo Érion. Eu não vou ouvir. E se não foi também, volte agora, pois, eu não quero mais enfrentar crises de ciúme e desconfiança de ninguém. Tendo que lidar com desprezo e frieza, quando no fundo eu não mereço.
Digo com uma voz totalmente carregada de hostilidade.
– Em primeiro lugar, ninguém me mandou fazer nada. Segundo, a coisa deve estar feia mesmo, pois, eu nunca te vi ser hostil com ninguém. E terceiro, eu não tenho medo de crise de ciúme e insegurança, pois, às vezes elas fazem até bem para o relacionamento. E no mais, se for preciso, desta vez eu dou o soco que ele está merecendo há muito tempo, e você vai até gostar desta vez.
O que Érion diz me assusta pela seriedade em sua voz, mas ainda permaneço de costas para ele, porém, eu digo assustada:
– Claro que não! Érion não faz isto, não bata nele! Eu não quero isto.
Digo ainda sem me virar, e ouço Érion rir. E, agora sinto vontade de sorrir também, pois, sei que ele está me provocando, e digo-lhe para tentar quebrar a tensão, afinal, Érion não tem culpa de meus problemas.
– Lista grande esta sua, você não acha Érion?
– E eu nem terminei...
– Sério? Hum... Estou curiosa agora...
– Tudo bem, eu vou terminar: Quarto ele te ama. Quinto você o ama. – Fico muda, pois não há como contestar estas verdades, e Érion prossegue... – Sexto, olha Branquinha, vocês dois estão sendo idiotas neste momento, pois, ficaram tanto tempo longe e sofrendo pela ausência um do outro, e agora que estão tão perto, ao invés de aproveitarem o tempo juntos, estão brigando. Claro que ele é um idiota completo por ter te deixado sair do quarto sem se resolver. Mas...
Não o deixo terminar...
– Mas, ele não teve escolha Érion, eu não o deixei falar!
Eu defendo Henry de novo e ouço Érion começar a sorrir ruidosamente mais uma vez.
– Então você foi a mais idiota, desta vez, me desculpe... E ele merece uma chance de se explicar, não importa o que houve, pois, todos nós erramos, mas, merecemos outra chance, ainda mais quando amamos... O fato de amarmos não nos faz perfeitos Valerie, ao contrário, nos faz errar mais, às vezes por amar demais, ou por excesso de zelo e cuidado, por insegurança, por medo da perda, sei lá. Você deveria saber disto, pois, lembra-se do episódio em Grewnville? Você o afastou num momento em que precisava, pois, teve um sonho em que ele corria risco de vida por tentar te proteger. Você estava certa? Não, mas, isto invalidou o que sentia por ele? Também não, e no mais, se perdoaram se entenderam.
– Érion pare por aí... Eu não quero ouvir este discurso!
Eu sabia que ele estava certo, mas no momento, eu não queria ouvir. Eu quero ter o direito de pensar sem que meus pensamentos sejam influenciados por ninguém. Por isto também, não permiti que Henry me tocasse, pois se ele o fizesse, minha determinação de pensar friamente, evaporaria imediatamente, diante da necessidade que eu tenho dele, de seus toques de suas carícias, que não me deixam pensar em nada coerente, e sim me focam somente nele em o quanto eu o quero. Percebo que Érion ficou mudo. E eu digo...
– Érion? – Chamo. – Érion? – Chamo de novo. – ÉRION? – Chamo agora irritada.
Viro-me para ver por que ele se calou e para minha surpresa não é mais Érion que está ali agora em minha frente. É Henry, que me olha de forma insondável, porém, eu não consigo sustentar meu olhar, e abaixo os olhos. Ele se aproxima e eu congelo, eu não quero proximidade ainda... Pois, se não, minha determinação vai para o espaço, e eu vou ceder, pois, eu sei que eu não resisto, no momento, nem ao seu olhar, que dirá a um toque seu.
Uma coisa é certa para mim, eu amo verdadeiramente Henry, e creio que isto nunca mais irá mudar. Meu coração, o meu corpo e minha alma, já são dele. Mas, isto que ele fez foi sério, e preciso que ele entenda que não pode mais acontecer.
Ao ver que estou receosa de sua proximidade, ele ergue os braços em sinal de rendição e diz:
– Não vou tocar você, você tem minha palavra. Eu já entendi, pois, você me pediu três vezes. Eu entendi o recado, só peço, por favor, se for possível, e se estiver com vontade e se ver que pode, me ouça. Por favor Valerie?
Sua voz vacila, e como ainda não olho em seu rosto, agora eu ergo meus olhos e olho em seus olhos, para perceber que estão vermelhos e cheios de lágrimas, e me amaldiçoo por eu ser tão frágil, pois, só aquilo é o suficiente para me quebrar. Mas, mantenho-me firme com toda força que consigo reunir.
– Sim pode falar.
– Podemos nos sentar? Pode ser na carruagem?
– Tudo bem.
Digo, mas, ainda estou totalmente na defensiva.
Termino de chegar até a carruagem e pela primeira vez, não o peço ajuda para subir, e sei que aquilo não passará despercebido a ele. Ele sobe em seguida. Sento-me e ao invés de sentar ao meu lado, como de costume, ele senta-se em minha frente e diz:
– Eu sei que ultimamente eu tenho pedido demais isto, mas, quer saber? Quando amamos de verdade, isto não é vergonhoso, na realidade é um sinal de o quanto somos capazes de ceder e renunciar por quem amamos. Então, mais uma vez eu peço a você Valerie: PERDOE-ME. Perdoe-me por que eu não contei a você que sim, Mildrad fez uma emboscada para mim, e desta vez foi muito bem feita. E se não fosse por seu sonho e eu não tivesse esperando, eu teria morrido. – E suas palavras trazem angústia ao meu coração. — Se Araon não chegasse juntamente com Érion para ajudar a mim e a Camelot eu não estaria aqui. Perdoa-me porque eu tenho ultrapassado os limites do nosso “compromisso” e por ter quase o desfeito ontem e ter te levado a quase quebra-lo hoje, pois, muito antes de você me dizer com todas as letras, eu sabia que você só foi à busca disto... – E ele me mostra o pacotinho dourado. — Por que sabia o quanto eu estava transtornado de desejo. Eu sei que você também estava, mas, sei que fez mais por mim. Perdoa-me por que de certa forma eu não tenho respeitado você, quando ultrapasso os limites que combinamos. Agora eu consigo enxergar isto. Mas, a partir de hoje, eu faço uma promessa a você, Valerie. Eu não quebrarei nenhuma regra de nossos acordos mais, nem se você quiser ou provocar, saiba disto, e pense bem antes de fazê-lo. E eu só vou ter contato íntimo com você agora quando for minha esposa! E isto... – Ele agora pega vários pacotinhos dourados e corta ao meio, um a um com uma tesoura e vai jogando no bolso de seu casaco. – Eu só as comprarei agora, quando nos casarmos. Chega Valerie! Eu não passo mais pelo que passei ontem e hoje e não quero que você passe também. E me perdoe pelas vezes que eu dou a entender que não reconheço o quanto tem feito por mim, renunciado por mim e se entregado integralmente a mim. Eu amo você de verdade!
Ele me dizia cada palavra olhando em meus olhos com determinação. Porém, eu permaneci muda, pois, cada uma delas ainda reverberava em minha mente.
– É isto, se puder e for possível para você, me perdoe. Quer que eu te dê um motivo pra me perdoar? Pode não ser muito, mas é o mais verdadeiro que posso lhe apresentar: Eu amo você, e mesmo com tudo que temos passado com todos os obstáculos que temos enfrentado para estarmos juntos, ainda quero passar o resto de minha vida ao seu lado. Eu quero mesmo te fazer minha esposa para sempre Valerie. E você? O que quer? Eu realmente preciso saber...
Seus olhos estavam repletos de sinceridade e lágrimas. E sinceramente, por mais que eu esteja magoada, eu não consigo, não suporto vê-lo sofrer. O que eu posso fazer? Eu o amo! Então, eu respirei fundo e disse.
– Eu já disse, e repito, nada vai mudar o que eu sinto por você Henry, eu o amo. E muito. E claro que quero passar o resto de minha vida ao seu lado. Porém, quero realmente ser sua companheira, quero que divida suas dores e seus fardos comigo. E mais, me perdoe, pelas vezes em que eu provoco você, me perdoe por ter te provocado tanto desejo agora pela manhã e ter “te deixado na mão” como você mesmo disse. – Seu rosto fica vermelho quando digo isto, ele fica constrangido e seu olhar demonstra arrependimento pelo que falou. — Me perdoe por ter insistido para ver o que estava acontecendo com seu braço, mas, eu realmente estava preocupada. E me perdoe por ter dito... – E eu hesitava. – Para não... Tocar-me...
Ele me olha seriamente, e diz...
– Você não me deixou na mão Valerie, agora eu enxergo você foi sensata! Perdoe-me por ter dito aquilo também, foi uma fala impensada num momento de pura frustração! E... – Agora ele é que hesitava, sinto que está ansioso com o que vai perguntar. — Quer dizer que agora eu posso te tocar?
Resolvo ser muito sincera.
– Sim, Henry, você pode. E... Na verdade, eu saí do quarto, cheia desejo que você me tocasse, mas, se você o fizesse eu não resistiria.
Sinto-o ansioso demais, e ele me pergunta...
– Posso?
Ele pergunta apontando o assento ao meu lado. Na verdade, ele estava perguntando, se podia se sentar ao meu lado.
E eu respondo:
– Pode, é claro Henry.
Ele o faz.
Agora ele ergue as mãos como se fosse segurar cada lado no meu rosto, mas, antes ainda pergunta...
– Posso?
Dou-lhe um sorriso e digo-lhe:
– Sempre!
Ele agora segura meu rosto entre suas mãos e olha-me com profundidade, e aproxima-se a milímetros de meus lábios. E antes de perguntar mais alguma coisa, eu respondo.
– Pode... Beije-me Henry, também quero beijar você.
Ele sorri para mim, e agora toma meus lábios num beijo doce, suave e muito gostoso, pois, é um beijo tímido que me mostra aquele Henry lá do princípio, hesitante, relutante... Porém, como eu continuo a mesma Valerie, eu correspondo com meu beijo cheio de fogo e intensidade puxando seu rosto para mim. Muito consciente do que eu estava fazendo. O que ele percebe e sorri nos meus lábios e diz:
– Esta é a minha garota! Amo você princesa!
– Eu também amo você príncipe!
Agora ele se afasta e diz...
– Porém, é sério tudo que eu disse amor, sobre o “Compromisso”.
– Sim e compreendo Henry e devo te dizer que te amo ainda mais por isto. Por ver que, apesar de sua dificuldade em lidar com todas estas mudanças que agora te deixam mais vulnerável ao desejo, você tem se esforçado muito. Eu compreendo tudo amor. – Digo olhando com carinho em seus olhos. E ele sorri com timidez estampando seu rosto. Porém, ao sentir a demora de Aquiles, digo. — Henry, Aquiles está demorando.
Ele sorri mais ainda e diz.
– Na verdade ele não vai mais Valerie, por isto, eu vim.
– Como assim? E minha aula?
– Você irá fazer, Érion foi buscar Elise amor. O motivo dela não vir era eu não saber não é? Pois é, como eu estraguei tudo... – Ele disse isto muito constrangido... — Então, Érion pediu para busca-la. Assim, ela almoça conosco e ele passa um tempo com ela.
– E a Guarda? E o treinamento?
– Foi adiado para começarmos amanhã e ficaremos mais um dia aqui e hoje teremos uma reunião das dez horas às onze e trinta. Depois estamos livres. Se não se importar, gostaria de participar de sua aula de hoje, será que eu posso?
– Claro amor. – Vejo que nesta hora ele dá um sorriso enorme e pergunto. – O que foi?
– Você ainda não tinha me chamado de amor, e eu estava aflito.
Sorri com aquilo e disse:
– Hum... Que tal? – Coloco a mão tapando o rosto e abro uma brechinha entre os dedos para olhá-lo com vergonha, como se eu estivesse fazendo alguma arte, e completo. – Meu amor?
Ele me dá um enorme sorriso.
– Hum... Melhor ainda! Pois, sou seu mesmo, seu amor... Eterno Amor.
Dei-lhe um sorriso. E disse-lhe.
– Sim Meu Eterno Amor!
– E você é Minha Noiva linda, minha princesa, minha vida, minha amada! Meu Coração, MEU TUDO! MINHA VALERIE!
Retribuo o sorriso e digo-lhe.
– Sim, sou sua, MEU HENRY! MEU HOMEM LINDO!
Seu sorriso transborda agora.
E ele me da um beijo muito gostoso. E é interessante que suas carícias são agora muito despretensiosas e com pouca intensidade, mas, ainda assim, muito mais, muito prazerosas.
***
Elise chega e devo dizer que a aula é excelente!
Henry passa o tempo todo ali quietinho, só observando. De vez em quando, noto um sorriso bobo em seus lábios e sei que está me admirando. Num determinado momento, em que Elise se vira para pegar uma escala de notas, eu o olho e jogo um beijo para ele, e ele corresponde sorrindo e jogando outro, e dizendo só movendo os lábios:
– Amo Você!
– Eu também.
Eu respondo também só movendo os lábios.
Quando a aula termina, como de costume, Elise passa uma retrospectiva de como foi para mim, e diz...
– Para o que planejamos você está pronta Valerie! E devo dizer que você foi a melhor aluna que já tive, empenhada, esforçada, dedicada. Conseguiu superar todas as metas que estipulamos. Se realmente permanecer tocando e der seguimento aos treinamentos e estudos, será uma musicista incrível. Se algum dia vier morar aqui, poderá até me ajudar com as aulas, pois, vejo que tem perfil para isto, é paciente, tranquila. Fica o convite, seria um prazer.
Fico emocionada com as palavras de Elise, coloco Alaúde na mesa e a abraço, e beijo sua bochecha e digo, pegando a bolsinha com seu presente que comprei no cantinho onde havia colocado.
– Obrigado Elise, eu devo dizer que você é uma professora maravilhosa! Isto é para você!
Ela olha a embalagem e ao vê o nome da loja dá um imenso sorriso e diz um pouco maliciosa, se contendo é óbvio, pois, Henry está ali:
– Hum... É o que estou pensando?
– Sim, é!
Digo sorrindo também maliciosamente!
– Nossa... Chegou em boa hora!
– Foi o que pensei!
Sorrimos as duas e neste momento, Henry se aproxima, e envolve com cautela minha cintura. Devo dizer que, ele agora está muito mais cauteloso, menos espontâneo para me tocar, o que é um pouco estranho, mas, eu compreendo bem e até gosto, para que agora realmente aos poucos venhamos reconstruindo novos limites novas formas de ter aproximação. Apesar de que, também sei que bastam mais algumas horas ou uns dias, para que toda a intimidade que já construímos de nos relacionarmos voltar, pois, é normal, somos um casal. Porém, agora há mais consciência para algumas coisas.
Ele olha para Elise estende a mão e diz, quando ela traz a sua para saudá-lo.
– Meus parabéns Elise, você fez um ótimo trabalho!
– Que nada, Henry. Eu não fiz nada, sua noiva é muito talentosa, esforçada e dedicada. O mérito é todo dela!
Henry agora olha para mim, sorrindo, e diz...
– Ela é incrível não é?
Meu rosto pega fogo de vergonha pelo seu elogio e seu olhar.
– É claro que é! – Elise diz. – Bem vou até Érion, ele está me esperando. E Valerie, é hoje mesmo o jantar?
Ela pergunta, e eu respondo:
– Sim é hoje Elise, você vem não é?
– Claro, eu não perderia por nada! Até mais. — Elise conclui saindo, e fica bem claro, que ela quer nos deixar, as sós, neste momento.
– Tudo bem, até mais.
Eu e Henry respondemos juntos.
Assim que ela fecha a porta nos deixando sozinhos. Henry me abraça e diz:
– Parabéns meu amor, obrigado pela surpresa! Perdoa-me por tê-la estragado. E eu quero que saiba que eu amo você minha vida!
– Obrigado Henry! Também amo você!
E ele toma meus lábios para si me dando um beijo muito, mas muito gostoso, porém não o aprofunda e eu percebo que é para se conter. E diz...
– Que jantar?
– Ah sim, eu Made, Ananda e Elise, combinamos realizar um jantar para todos nós hoje, na verdade por que estou tentando dar oportunidades para que Érion e Elise se acertem logo.
– Há sim, que bom. Mas, amor, vamos? Pois, eu preciso colocar a armadura, está quase na hora de sairmos para a reunião. Foi você que a recolheu do terraço para mim?
Ele pergunta.
– Sim, amor. Quando eu fui buscar a camisinha de manhãzinha, eu aproveitei e a trouxe.
– Mais uma vez obrigado por cuidar tão bem de mim e do que é meu!
– Cuido com prazer lindo, afinal, estou treinando para fazê-lo pela vida toda!
Ele sorri, toma minha mão, e seguimos para o quarto.
Assim que chegamos ele diz...
– Valerie Camelot chega hoje, obedeça-o tanto quanto Aquiles, por favor, e mais, infelizmente, Aquiles só conseguiu homens de sua confiança disponíveis, para amanhã, porém, é realmente o dia mais necessário, pois, você e Made irão ao centro de Livergoorn. Assim, seja cautelosa, meu amor.
– Claro Henry, Pode deixar, eu o serei.
– Vou me trocar.
Ele beija meus lábios e sai em direção ao banheiro com a parte da armadura que é de tecido.
E aquilo me dá uma ideia. Pego todo aparato de metal e coloco separadinho sobre a cama e fico em pé sobre a mesma esperando Henry sair. Assim que o faz ele olha o que eu fiz, e como estou, e tem uma interrogação enorme no rosto. E eu digo...
– Vou terminar de vestir você, venha. Quero te ajudar. Eu posso?
Ele dá um imenso sorriso e diz.
– Claro, sempre que quiser, pois, eu não tenho muita paciência mesmo.
– Então está bem, de agora em diante, sempre que estivermos juntos quando for vesti-la eu o farei tudo bem?
– Claro. E eu vou adorar.
Ele diz de costas, se preparando para que eu colocasse primeiro a malha.
– Amor, eu não sei como vocês aguentam... Como estas coisas são pesadas Henry.
– São mesmo Valerie. Mas, garantem e muito nossa proteção. Muitas vezes salvam nossas vidas. Por exemplo... – Coloco o peitoral traseiro... Agora ele se vira de frente para que eu encaixe o peitoral dianteiro no traseiro para assim fechá-lo. – No dia da emboscada, se não fosse pela malha, eu perderia meu braço.
Quando ele diz aquilo eu o olho, e muito apavorada. E mesmo com todo aquele aparato incômodo de ferro eu tomo sua cabeça em minhas mãos, e o beijo com intensidade, e ele envolve minha cintura e corresponde. Assim que estamos sem ar eu me afasto e digo olhando em seus olhos.
– Tenho tanto medo de perder você Henry, mas, tanto. Por favor, se cuida meu amor, nem que seja por mim.
Ele me olha com ternura e diz...
– Eu prometo amor, que me cuidarei. Peça sempre a Deus para me proteger, pois realmente a cada combate é um risco.
– Eu sempre peço Henry, sempre. É a única coisa que nunca me esqueço de pedir todos os dias, é que Deus proteja e guarde você onde você estiver e te livre de tudo que é mal. E eu confio que Ele faz. Uma prova disto está aqui.
E eu aponto o ferimento em seu braço.
– Você mesmo disse que poderia ter sido pior. Mas Deus não deixou meu Amor. Colocou Araon e Érion na estrada no timing exato. Ele cuida de você lindo e muito!
Ele me beija de novo e diz com olhos marejados.
– Amo tanto você Valerie!
– Eu sei meu amor e eu também. Mas, agora... Vamos... Pois, se não... Você se atrasará Meu Guerreiro lindo!
Digo-lhe intercalando com beijos.
Termino de equipá-lo e saímos do quarto para que ele vá.
– Henry, amanhã eu e Made vamos buscar minhas encomendas. Tudo bem? Aquiles e Camelot que está chegando, irão conosco. E quero que vá provar seu traje amor, leve minha mãe. Eu já disse que só quero vê-lo vestido no casamento, para eu ter o impacto. Você vai ficar mais lindo ainda Henry.
Ele sorri bem tímido e corado e eu digo...
– Ai, meu coradinho delicioso!
E ele sorri mais tímido ainda. E diz...
– Assim que terminar eu venho para cá.
– Tudo bem eu te espero, e amor eu quero te pedir uma coisa. – Ele me olha em expectativa. — Eu gostaria muito de tomar banho no riacho, será que eu posso? É tão pertinho. Eu sei dos riscos em relação à Mildrad, mas, eu tenho me sentido tão presa Henry. Eu gosto da natureza você sabe!
Ele me olha primeiro alarmado, porém, consigo identificar que está ponderando, depois de pensar um pouco, suaviza e diz.
– Tudo bem, só não demore, e claro, leve Aquiles e peça para ele manter distância amor.
– Sim Henry eu sei, pode deixar.
Ele me beija e sai.
***
POV HENRY
A reunião no Comando foi ótima!
Conheci pessoalmente meu superior direto, o Coronel-General Constantine, e de imediato eu gostei muito dele e percebi que teve afeição por minha pessoa também. Ele me contou que é amigo de Aquiles, conversamos muito, e por fim, a reunião rendeu bastante, pois, foi objetiva e acabou meia hora antes.
O que nos fez voltarmos em disparada para casa. Eu, Araon e Érion, pois estávamos ansiosos por aproveitarmos à tarde com nossos amores, Valerie, Made e Elise.
No caminho Érion disse:
– É Grandão, hoje a coisa ficou feia para você. Eu nunca vi a branquinha tão nervosa.
– Nem me diga Érion, mas, ela estava coberta de razão, tenho que admitir que, o que aconteceu ontem à noite... – E nesta hora olho sério pra Araon que na verdade, já tinha me pedido desculpas juntamente com Made. – Mexeu demais com meu humor, e sem querer, eu acabei descontando algumas coisas nela. Porém, ainda bem, que eu consegui reconhecer a tempo. Mas, eu confesso que eu fiquei com medo, pois, ela realmente estava muito magoada.
– É eu percebi. E como foi a reação dela quando ela viu que eu não estava mais ali, que era você?
– A princípio pra mim foi angustiante, pois ela nem olhava em meus olhos. Depois fomos conversando e as coisas se ajeitando. Graças a Deus.
– Que bom. Elise me disse que ela é ótima com o Alaúde Henry. E olha, eu vou te dar um conselho, assim que tiver mesmo disposto a retornar, treine ela, Elise disse que ela é tão boa, que se continuar se dedicando poderá dar até aulas, ela é uma descoberta e tanto para musicista.
– É eu vi Elise dizendo a ela e fiquei feliz, e vou sim investir nela se ela quiser.
– Já pensou em vocês dois tocando juntos? Seria bem legal de se ver.
Desta vez quem disse foi Araon. E eu sorri com a aquilo.
– É realmente seria. Quem sabe?
E sorrimos e continuamos nossa conversa agradavelmente até a casa dos Oxford’s.
Assim que chegamos e vou à procura de Valerie, Made me informa que ela está no riacho. Ela foi banhar-se antes de eu chegar para o almoço já que a minha previsão de chegada era meio dia e meia e são apenas onze e meia.
Então, retiro o peitoral e a malha da armadura, e vou correndo em direção ao mesmo.
Ao atravessar o bosque pela trilha e chegar lá, vejo Aquiles sentado de costas para o riacho, porém, não vejo Valerie. Cumprimento-o, com a cabeça e pergunto:
– Onde Valerie está Aquiles?
– No riacho, e pelo silêncio de agora, ela está mergulhando, breve vem à superfície.
E bem no momento em que Aquiles diz, ela o faz, e quase morro com a visão, ela está de costas para mim, mas, vejo toda a silhueta do seu corpo pelas costas, e é óbvio, que o meu corpo inteiro reage diante da cena, ela veste um traje de banho lindíssimo, creio que adquirido aqui. Quase morro de tanto desejo de me aproximar e tocar aquele corpo perfeito, porém, me lembro de minha promessa e me sento na hora ao lado de Aquiles e também de costas e respirando fundo.
Aquilo não passa despercebido de Aquiles e ele me olha com uma interrogação na face.
Não sei por que, mas, sinto um apreço grande por Aquiles e creio que ele também o tem por minha pessoa. E neste momento surge a oportunidade que acho que precisávamos para nos aproximarmos talvez para uma amizade. Então, digo-lhe.
– O que foi Aquiles?
Vejo-o constrangido, porém, digo novamente.
– Pode dizer. Sem problemas.
– Por que não vai até ela Henry?
Dou-lhe um sorriso pela pergunta.
– Pelo óbvio, ela deve estar quase nua.
Não digo a ele que a vi de roupa de banho.
Ele arqueia as sobrancelhas para mim dando indícios de que não está entendendo e eu começo...
– Eu e Valerie ainda não temos vida íntima Aquiles, temos limites de contato até o nosso casamento.
Ele me olha surpreso e constrangido é claro, mas, a surpresa é tanta que o constrangimento é menos evidente.
– Sei que tem algo a falar Aquiles, pode dizer.
Apesar de relutante, ele enfim, cede.
– Como... Como vocês conseguem? Aliás, como você consegue? – Ele me diz agora sorrindo... – Me perdoe e com todo respeito que você sabe que eu tenho pelos dois, ela é linda!
Dou-lhe um sorriso com aquilo.
– Sim ela é maravilhosa! E não me faça pergunta difícil, pois, tem horas que nem eu sei como conseguimos...
Digo olhando para a grama, pensativo.
– Perdoa insistir no assunto, mas, eu realmente fiquei curioso, é algo bem raro hoje em dia, sabe disto. Mas, como conseguem dormir no mesmo quarto? Nossa sinceramente, eu nem consigo imaginar...
Não sei por que, mas, sinto vontade de compartilhar algumas coisas básicas com Aquiles, talvez isto, desse a ele o elo que precisava para também confiar em mim quando precisasse. Então, lhe disse:
– Isto não é nada, pior é compartilhar a mesma cama.
E agora ele me olha espantado o que me faz rir, porém, dizer logo:
– Para que você não pense nada de errado a meu respeito, vou logo dizendo, eu a desejo sim, e muito Aquiles, e te garanto que não é fácil, é tanto que já nos envolvemos há algum tempo atrás. Por duas vezes, porém, depois fizemos um compromisso entre nós. Na verdade isto tem muito haver com uns traumas que eu tinha, que graças a Deus, agora estou curado. Mas enfim, como já tínhamos conseguido romper em boa parte, resolvemos levar até o final, até o casamento, afinal falta tão pouco.
Aquiles agora me olhava com admiração e disse...
– Diante disto, digo duas coisas. Primeiro você é um herói, pois, ter experimentado, me perdoe “tudo àquilo” – Ele estava se referindo a beleza de Valerie. – E ter esta determinação, meus parabéns. E segundo vocês realmente serão muito felizes, pois, a cumplicidade que têm como casal mesmo sem uma vida íntima ativa, é quase impossível. Você sabe, isto conta demais.
– Sim, eu sei, mas no meu caso e de Valerie, sempre foi assim.
– Que bom isto é importante. Poucos casais o têm. É uma dádiva.
Aquiles diz isto com uma melancolia profunda no olhar e tristeza na voz e quando percebe que o estou sondando com meu olhar, desvia os olhos.
– Sabe Aquiles, perdoe pelo que irei dizer, e desculpe-me falar sobre isto, mas, fico tentando entender como uma pessoa bem sucedida, com uma vida estável. Um homem de caráter como você, bem estruturado, um guerreiro consagrado, de ótima postura e boa aparência... Ainda não ser casado. Perdoe-me mesmo, falar nisto e pode encerrar o assunto se quiser, mas, é que isto realmente gera curiosidade em mim, pois, eu vejo por meu caso, e as pessoas que convivo, todos quando alcançam uma determinada estabilidade de vida querem uma família. Perdoe-me pela curiosidade, mas, é que, ás vezes, eu tento compreender pela pouca informação que você me deu, e o que você já compartilhou com Valerie. Sei que você perdeu quem ama, e sei que isto não é algo fácil, pois, é o medo que me atormenta todos os dias desde quando acordo até quando vou dormir, procuro tentar ver por este lado.
Aquiles me olha profundamente, dá um sorriso sem humor. E seu silêncio me deixa constrangido o que ele percebe...
– Não se constranja Henry! Não é que eu não queira compartilhar com você, eu quero. Na verdade seria um enorme prazer tê-lo como amigo Henry, pois, eu admiro o seu caráter também. Aprendi neste pouco tempo de convivência a apreciar demais a você e sua futura esposa. Vocês são pessoas maravilhosas.
– Obrigado Aquiles, também gostamos muito de você. Mas, creio que já saiba disto.
– Sim eu percebo, e agradeço muito.
E como se estivesse lutando para buscar as palavras, ele reúne forças respirando com profundidade e diz:
– Eu fui casado Henry. – Aquilo me surpreende. Ele respira de novo, e sinto que o que vai dizer requer todo seu esforço e controle para não desmoronar. – E devo dizer que foram os melhores anos da minha vida... Ela era linda, inteligente, carinhosa... – E agora ele hesita, e vejo o quanto é penoso para ele falar sobre aquilo, pois ele abaixa os olhos e a cabeça. Assim digo:
– Desculpe Aquiles, vejo o quanto é doloroso para você falar sobre isto, então não precisa, o dia em que estiver pronto, estarei à disposição para ouvir...
Ele não me deixa terminar...
– Não Henry! Eu quero, eu vou falar sim. Eu creio que você precisa mesmo saber, pois entenderá melhor algumas atitudes minhas. Este é o momento, tenho certeza. E na verdade, eu quero que saiba... Que eu confio em você!
– Obrigado mais uma vez.
Ele respira novamente e agora adota uma postura de quem está buscando algo doloroso, mas, marcante em sua memória... E prossegue.
– Como eu disse Henry, eu fui casado. Minha esposa era realmente linda, cheia de vida, sorridente, meiga, gentil...
E ele respira de novo e fico muito triste por ver o quanto aquilo é difícil para ele, porém, nada me preparou para tudo o que eu iria ouvir.
– Ela era uma cópia quase idêntica de sua Valerie. — Bem na hora eu congelo por lembra-me da reação dele o dia em que viu Valerie pela primeira vez. Ele percebe que estou digerindo aquilo. Então dá um tempo para depois prosseguir... – Por isto que eu e Camelot tomamos um choque quando a vimos pela primeira vez Henry. Devo dizer que Camelot é meu cunhado, ele era irmão dela.
Eu percebi em suas poucas palavras que tudo o que ele iria me dizer era forte demais para se ouvir. Porém, me mantive firme para poder acolher o momento de Aquiles. Depois de algum tempo ele continua...
Ele continua com os olhos no chão, e compreendo que é para esconder sua profunda tristeza.
– Bem, eu ainda estava na Guarda e contra a vontade dela. Ela sempre me pedia para deixar. Porém, por causa dos benefícios e do bom recurso que me oferecia, e justamente pensando em me estabelecer mais rápido, eu fui protelando ouvi-la. Então, ela engravidou, e quando estava com seis meses de gestação... – Ele para mais uma vez e respira fundo novamente. – Fui convocado para um preparo e treinamento, no Reino, pois, havia uma guerra iminente.
Ele agora faz uma pausa maior e busca uma grande lufada de ar e creio que a pior parte começará agora, pois, lágrimas começam a correr de seus olhos. E fico extremamente tocado com o seu momento até meus olhos se enchem, pois, sinto que o que irei ouvir, vai de encontro a todos os meus próprios temores.
– Então, eu acabo retornando só dois meses depois, e ela já estaria com oito meses de gestação, e o bebê, próximo a nascer. Porém, eu e Camelot nunca esperávamos encontrar o que encontramos. Nós voltamos juntos, e a encontramos juntos, e sofremos e nos desesperamos juntos, porém cada um com sua própria dor e tristeza... – Ele chora mais, respira e prossegue. – Ao chegar em casa, eu percebi logo que pisei no terreno ao portão, que havia algo errado. Porém, fui entrando... E quando eu cheguei no...
E neste momento, Aquiles desaba... Ele trás seus joelhos junto ao corpo e os abraça e curva-se como um novelo de lã. E ali chora desesperadamente, creio eu que por rememorar a cena que vai contar. Eu na verdade, não consigo mais conter a dor que está em meu peito por ver seu tamanho sofrimento, e solidário a sua dor, e até mesmo por compreender que compartilho com ele daquilo tendo sua experiência como meu maior receio. Ou seja, poderia ser eu ali, e eu temo demais aquilo. Assim, minhas lágrimas agora correm soltas também. Após um longo tempo, ele recupera-se um pouco e continua.
– Quando eu cheguei ao quarto tudo estava quebrado, havia desordem evidenciando uma luta corporal ali, creio que com o pouco que podia ela tentou se defender... Mas, o pior foi quando olhei para a cama... Pois, ela estava totalmente dilacerada... Ela foi assassinada Henry. E tudo leva a crer que foi cruelmente abusada antes.
Neste exato momento meu coração entrou em desespero, pois, minha mente estava o tempo todo me colocando naquela situação, como uma comparação, e aquilo foi insuportável. E até minhas lágrimas aumentam muito agora.
Aquiles respira e tenta se controlar um pouco, e com um esforço enorme prossegue...
– Bem, de lá para cá, tenho tentado sobreviver, prosseguir. Mas, eu confesso não é fácil, aliás, é difícil demais. Daí eu sai da Guarda. Porém, com um objetivo. Eu fiz uma meta de me tornar conhecido por meus feitos, através de serviços particulares, pois, eu tenho certeza em meu coração que através destes serviços, eu vou cruzar o caminho com quem fez aquilo. Pois, eu vou descobrir Henry e irei vingá-la. E eu não descanso enquanto eu não descobrir e conseguir matar o responsável. E este foi o maior motivo de eu ter aceitado fazer a escolta de Valerie. Sei o que você está passando e por isto eu digo: Considere mesmo o pedido dela a respeito de deixar a Guarda. Não faça como eu fiz, pois, eu fiquei tão focado em trabalhar para nos dar um futuro melhor... E o futuro não chegou para ela. E na verdade eu acabei nem aproveitando o presente com ela.
As palavras de Aquiles reverberam em mim, e me fazem pensar em o quanto Valerie tem me pedido. Resolvo neste momento perguntar algo...
– Você tem alguma ideia de quem seja Aquiles?
Ele me olha sombriamente e diz...
– Bem, o ato do abuso, certamente evidencia um homem, e cruel, por ter feito aquilo com uma mulher prestes a dar a luz. Mas, a forma que a matou... Revela que não foi um humano comum... Tinha todas as evidências de uma fera.
Aquilo me surpreende e eu congelo.
– Foi um lobisomem?
Eu pergunto apavorado.
– É o que eu pretendo e vou descobrir Henry. Eu te dou a minha palavra!
Ele diz as palavras com raiva e convicção.
Aquilo me deixa tão angustiado, pois, as feras, estão quase extintas pelo que sabemos e poucos são os lugares assolados, pois, os poucos vivos se escondem bem, como o pai de Valerie para poderem sobreviver e no tempo certo passar a maldição pros seus herdeiros e como isto só é possível a cada lua de sangue, demora um pouco, pois, elas ocorrem a cada treze anos.
Assim, com esta dúvida martelando meu peito digo a Aquiles...
– Mas, Aquiles, eles não estão quase extintos? Pelo menos é o que nos é passado nos treinamentos.
Ele me dá um sorriso sombrio e sem humor e diz...
– Isto é o que querem que pensemos Henry. Eu tenho feito longas pesquisas e buscas, durante este tempo de solidão. E eu descobri que existem clãs inteiros de lobisomens, organizados, verdadeiras matilhas vivas. Eles agem estrategicamente. E há coisas que são possíveis a esta raça que se quer, sonhamos ou imaginamos.
Aquilo gera curiosidade em mim e pergunto:
– Como assim Aquiles?
– Vou dar um exemplo com uma descoberta que fiz quando combati no ocidente. Quem vem de uma longa e poderosa linhagem de lobisomens, a partir da terceira geração, e ainda que não haja a mordida, ou seja, a pessoa não venha a ser transformada. E no caso deste descendente ser uma mulher, como ela tem o sangue de lobo, mas, que não foi ativado pelo veneno da mordida, na geração próxima, que virá dela, ou seja, seus filhos, as meninas nascem imunes de se transformarem ou morrerem até se forem mordidas. Pois, a característica da maldição naquele sangue é inativa, ainda não se sabe por quê. Porém, se houver descendentes homens, pelo menos um pode vir com a característica já ativa mesmo sem a presença da mordida. Porém, se este filho for fruto de um grande amor, puro, genuíno e verdadeiro, a herança não se manifesta como uma maldição, pois, o amor à quebra. A herança se manifesta como uma providência...
Assim que Aquiles diz isto meu coração dispara, pois, penso em Valerie, que está na terceira geração. Para compreender melhor digo:
– Não entendi Aquiles...
– Eu vou explicar. Presta atenção. Quando este filho homem, fruto deste amor, e que tem a herança em seu sangue, chegar à puberdade, mais ou menos dezesseis anos, ele passará por um processo de mudança em todo o seu organismo onde ele poderá se transformar. E o que é mais, interessante, ele não precisará de lua para isto. Ele sendo treinado, pode controlar sua transformação para que seja de forma voluntária, e com o tempo com muito treinamento poderá se controlar por completo e até usar aquilo como um instrumento de defesa e proteção. E mesmo se ele morder alguém em uma lua de sangue, esta pessoa não é transformada, pois, ele não é venenoso. Eu descobri isto através de uma tribo ocidental. Ao longo dos anos, eles passaram por esta experiência com lobisomens, e ficaram descendentes, e com o tempo, após algumas longas gerações isto começou a acontecer e eles começaram a ter entre si gerações de lobisomens que não são amaldiçoados, e não tem sede de sangue. Assim, eles foram descobrindo que podiam se transformar controladamente, e aquilo foi recebido por eles como uma dádiva. Pois, eles começaram a treinar seus adolescentes e homens que o eram, para que aprendessem a se transformar nos períodos de precisão. Eles são chamados “lobos filhos da alva”, pois, são dóceis, são bons, pois, na verdade, eles ainda são humanos em sua essência, a natureza amaldiçoada dessas feras não habita neles. Eles são quase que imortais, somente um ataque de lobisomens amaldiçoados em grande número podem mata-lo, ou seja, é necessário um descarga muito grande de veneno em seu sangue para que morram do contrário, se curam rápido. Quando estão para serem ativados como lobos, na puberdade, eles têm um surto acelerado de crescimento, e uma febre característica. Na verdade estes tipos de lobisomens pacíficos acabaram se tornando como que guardiões terrenos. Pois, sempre protegiam seus povos em tempo de precisão. Então, concluindo, eles são lobisomens verdadeiros, só não são frutos da lua de sangue, nem se transformam pela lua cheia. Não podem infectar e não se alimentam de sangue humano, podem se controlar, e podem ser pacíficos. Ou seja, são lobisomens purificados pela quebra da maldição. Porém, assim como lobisomens ficam sobre influência das luas cheias, mas, não para se transformarem, mas, durante os períodos tornam-se muito fortes, suas forças são multiplicadas, fazendo-os letais.
Todas as palavras de Aquiles entram como uma punhalada em meu coração. Por mais que eu buscasse disfarçar, eu estava perplexo demais. E agora?
Certamente eu jamais abriria mão de Valerie. Dentro de mim, eu sabia, eu correria todos os riscos por ela, mas, eu não posso contar isto a ela, jamais... Pois, se eu o fizer, ela certamente, desistirá de ter filhos, e eu não quero isto, e não é só por mim é mais por ela, o tanto que ela deseja ser mãe, eu vou sim arriscar. Por ela, eu jamais abriria mão de ter uma vida e uma família com ela. E sei que juntos poderemos superar qualquer coisa...
– Nossa... Aquiles é tanta coisa... Estou um pouco atordoado, perplexo e chocado com tudo. E quero dizer que sou solidário a sua dor, eu não passei exatamente o que você passou com sua esposa e seu bebê, e peço a Deus que eu nunca passe, pois, imagino que não seja fácil. Porém, eu sei o que é um perda brutal, aliás, duas, eu perdi minha mãe assassinada e meu pai também. Porém, minha mãe eu era novo e foi atropelada, o meu pai tem cerca de dois anos e foi por ataque de lobo.
– Nossa Henry, eu sinto muito!
– Tudo bem obrigado, este é um dos motivos de eu temer tanto perder Valerie, sei dimensionar como é. Eu ainda não superei totalmente e só comecei a fazê-lo quando milagrosamente Deus me deu Valerie, ela tem sido a minha cura. E talvez você deva pensar nisto Aquiles de abrir-se para amar novamente, o amor tem um poder incrível nas nossas vidas.
– Olha Henry, eu até pretendo algum dia, pois, a solidão não é fácil. Porém, só quando encontra-lo e mata-lo. Eu só vou descansar quando o fizer.
Neste momento entendo plenamente, pois, lembro-me do meu desejo de sangue em relação à Mildrad.
– Sei e te compreendo perfeitamente Aquiles, este é o sentimento que me preenche em relação à Mildrad.
– Pois é eu imagino Henry!
E neste momento já mais calmo, Aquiles me olha nos olhos toca meu ombro e diz.
– Vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para mantê-la segura e para encurralá-lo, e na hora certa você irá mata-lo Henry.
– Obrigado Aquiles, é tudo o que eu preciso. Eu nunca desejei matar um homem sequer. Porém, eu confesso que eu durmo e acordo todos os dias com um desejo insano de matar Mildrad.
– Sei o que é isto, em parte é seu instinto de Guerreiro gritando, ele nos faz desejar sempre defender e reclamar o que nos pertence por direito.
Aquiles confirma o que ele mesmo diz, com a cabeça e tem uma olhar profundamente expressivo pra mim.
E agora também toco seu ombro e digo...
– Quando acabar tudo isto Aquiles, eu não gostaria que se afastasse, gostaria de tê-lo como amigo. Sempre será bem vindo em nosso meio.
Ele verdadeiramente sorri com sinceridade e responde...
– Para mim, será um prazer e uma grande honra Henry. Fazer parte do núcleo de amizades de vocês, pois, pelo que tenho visto há muita sinceridade entre todos, cumplicidade e cuidado mutuo, e isto é algo tão difícil. Irina, minha esposa, iria adorar conhecer vocês. Tenho certeza de que ela e Valerie seriam grandes amigas, apesar da diferença de idade, pois, Valerie é muito madura.
– Ela é Aquiles muito. E tenho certeza que Irina seria muito querida e bem recebida em nosso meio.
– Obrigado!
Aquiles agora olha para mim e diz:
Henry, agora eu quero dizer novamente, pelo tempo que estiver na Guarda, aproxime-se e faça vínculo com o Coronel-General Constantine, ele te ajudará muito, e pelo que sei, ele gostou de você...
– É verdade, eu sinto que gostou mesmo, e eu também gostei muito dele Aquiles, me pareceu um homem muito bom, e de princípios.
– E ele é Henry, de muitos. O Coronel é um homem humano e muito diferente dos demais do comando, por já ter sofrido na pele algumas experiências pessoais. Ele usou isto de aprendizado. E mais, eu preciso compartilhar algo com você, e preciso que pense a respeito, e mantenha sigilo absoluto.
– Sim Aquiles eu prometo, me diga o que é...
– Bem, ao que tudo indica, muito em breve, devemos ter uma guerra. Pois, todas as vezes que o Reino precisou reunir seus melhores guerreiros para treinamento aqui, de combate pesado, é por que precisa de suas mentes estratégicas para que tenham oportunidade de os prepararem para combate. E também, tenho ouvido murmúrios sobre isto. Assim, se você pensa em deixar a Guarda faça antes de te convocarem para a guerra. A guerra é algo devastador. Não aconselho a você se envolver, ainda mais que Valerie deseja seu afastamento, uma hora, você terá de ouvi-la. Mas, enquanto estiver dentro da mesma, usufrua disto com sabedoria.
Cada palavra de Aquiles foi preciosa. Ele teme que algo venha acontecer comigo, ele na verdade me está orientando e preparando e percebo que não tem mais motivos de evitar ser mais próximo de mim...
Então, eu respondo:
– Eu farei Aquiles, eu o farei. Obrigado! E lute para conseguir seguir com sua vida, você merece.
– Eu farei Henry, com certeza, no tempo certo...
Neste momento, Valerie grita:
– Henry, há quanto tempo você está aqui?
Olho sorrindo para Aquiles e digo:
– Uns dez minutos amor. Estou te esperando fique tranquila Valerie, você, estava submersa quando cheguei amor. E Aquiles me disse que logo iria sair, e eu sentei-me aqui para te esperar.
– Tudo bem Henry, eu já estou saindo.
Ela diz. E pelos ruídos que ouço de bolsa se abrindo, de cabelos sendo batidos, sei que ela esta se enxugando para vestir-se. E esta pequena percepção é capaz de aguçar todos os meus sentidos. Deixando-me consciente de como eu gostaria de estar próximo aquele corpo, neste exato momento.
Estava perdido em meus devaneios, até que Aquiles, diz, já de posse de seu tom profissional...
– Gostaria de dar uma busca pela região senhor. Já que está, aqui e pode cuidar dela.
Sei que além da responsabilidade de nos manter seguros, o que leva a Aquiles a dizer isto, é o desejo de nos dar privacidade. Usando sua costumeira discrição. Assim, respondo...
– Claro Aquiles.
– Estarei por perto, se precisar, é só chamar.
– Tudo certo, obrigado Aquiles.
Aquiles sai, e confesso como estou tentado a olhar em direção ao Valerie, porém, meu respeito por ela não permite. Todavia, uma onda de prazer percorre meu corpo, quando repentinamente sinto seu cheiro tão próximo.
Fico espantado quando ela se materializa em meu colo, vestida de seu roupão.
Aquilo faz todo meu corpo ter reações, inclusive minha boca começa a salivar, pois, a primeira coisa que vem a minha mente, é ter meus lábios percorrendo sua pele em cada parte de seu corpo. E com este pensamento respiro muito profundamente procurando clarear o meu raciocínio.
Porém, como a curiosidade me corrói, eu pergunto:
– Oi meu amor! Valerie, você está nua?
Ela me olha espantada, porém, com malícia nos olhos e diz:
– Claro que não Henry, não está vendo? Eu estou de roupão...
Ela fala com a carinha mais sapeca possível. E eu a olho sério e digo:
– Valerie, não brinca com isto! Estou falando sério. Já conversamos sobre isto e desta vez eu não pretendo ceder. Eu não pretendo provocar você, porém, não gostaria que me provocasse amor. Me leve a sério Valerie!
Eu digo e ela fica vermelha, e identifico vergonha, porém, ela diz...
– Henry eu não fiz nada amor. Eu estou vestida, porém, de roupão, pois, na verdade eu queria te fazer um pedido, todavia, depois desta sua reação, eu desisti.
Ela diz e levanta-se para sair, porém, eu tomo o seu braço e a puxo para o meu colo novamente. E agora falo...
– Ei me desculpa, eu não quis ser rude, eu só fui firme.
– Eu sei, e eu não fiz nada. Eu estou vestida e você me pergunta se eu estou nua?
– Amor, me deixa explicar, eu quis dizer por baixo do roupão amor. Se você está completamente sem nada ou ainda está de roupa de banho... Somente isto.
Assim que falo, ela arregala os olhos e diz alarmada:
– Henry! Você ficou me espionando? Eu não acredito?
– Claro que não Valerie, como eu faria isto com Aquiles aqui?
– Eu não te disse que eu estou de roupa de banho, então quem te contou? Aquiles? Ele viu?
Agora eu tinha entendido, eu realmente deixei escapar roupa de banho? Ai meu Deus, iria ser uma vida para explicar agora! Eu estou literalmente encrencado!
– Não Valerie, Aquiles não viu nada...
E ela não me deixa terminar...
– Então você viu Henry, você está mentindo para mim Sr. Henry Lazar?
Ela estava furiosa, e eu disse rapidamente.
– Posso explicar? Você vai me ouvir, ou vai ficar me acusando sem me deixar explicar?
Digo enérgico, e ela me olha vermelha e constrangida, claramente recuando, e fico impressionado em mais uma vez constatar o quanto Valerie respeita minha autoridade.
– Olha, quando eu cheguei, perguntei sobre você a Aquiles. E ele me disse que estava mergulhando e que logo iria sair. Assim que ele terminou de falar, você o fez, e eu acabei te vendo de costas, só que apenas aquela rápida visão, foi o suficiente para meu desejo despertar, e rapidamente eu sentei, pois, se eu ficasse “espionando” você, como você disse, eu certamente teria que mandar Aquiles sumir daqui, pois, eu não resistiria. E aí sim, eu iria até você para tomar este corpo que amo e desejo tanto, para mim. – A cada palavra que eu dizia de maneira firme, ela arregalava os olhos e fixava o olhar em mim. E agora eu vou dizendo de forma sedutora e suave a ela. — E sei que você não iria resistir Sta. Valerie por que você também me deseja, ou pensa que eu não sinto, ou percebo? Que agora mesmo, esta é sua vontade? Hum? De se entregar a mim? Diz que não é? Fala-me... Estou esperando...
Termino de dizer com seus olhos fixos no meu e com nossos lábios a milímetros de se tocarem.
No entanto, ela faz algo surpreendente. Ela muda seu olhar para fúria e dá um tapa no meu braço e diz.
– Você está ficando muito convencido Henry, eu desejo você sim. Porém, eu respeito você Sr. Lazar e demais, achei que percebesse isto...
Ela se levanta ainda mais furiosa, indo em direção ao riacho...
Aquilo me surpreende. Eu levanto-me imediatamente e vou atrás dela e digo...
– Valerie? O que houve amor? Eu só disse uma verdade, que eu desejo você e você me deseja. E eu não disse que você me desrespeita Valerie, e eu não te desrespeitei. E se o fiz, me perdoe, foi sem querer amor.
Digo rendido e foi mesmo, mas, bem que eu gostei da visão, e acabei deixando escapar.
– E eu não posso dizer que não gostei de ver, aliás, eu amei a visão, porém, realmente não foi premeditado.
Ela para e se vira e olha em meus olhos. E falo de novo:
– Foi sem querer Valerie de verdade. Eu jamais faria isto meu amor, e você me conhece, eu fico até ofendido de você dizer isto. Eu te respeito tanto, tenho tentado tanto manter nossas regras...
Ela me olha mais suave agora.
Porém, acabo dizendo algo que me arrependo.
– E amor, eu não sei por que disto tudo, não há nada neste corpo que eu não tenha visto, tocado, e adorado, e o melhor, totalmente descoberto!
Ela fica roxa automaticamente e seus olhos enchem-se de lágrimas me deixando confuso. E só aí me dou conta que a forma em que eu disse, eu fui indelicado, por mais que esta não fosse minha intensão, acredito que soou como se eu já tivesse tomado posse e ela não tinha motivo, ou direito para pudor, e isto visto desta forma realmente não é agradável de ouvir.
Ela anda mais...
Rapidamente corri para alcança-la e ficando de frente para ela sem tocá-la eu disse:
– Ei meu amor me perdoe, eu não quis ser indelicado, eu só falei algo que veio na cabeça no sentido que não há motivos de se envergonhar de mim, pois eu já amo tudo em você. Só isto. Não tive o objetivo de te ferir ou magoar Valerie, entenda. E agora me diz o que você queria?
– Nada.
Ela diz triste e sinto que ficou ofendida.
– Amor, nós não vamos brigar, por favor. Peça o que quiser Valerie, que eu faço qualquer coisa para me redimir.
Ela me olha impassível e diz...
– Vou buscar minhas coisas para irmos embora, preciso que se vire para eu me trocar.
Ela diz irredutível, porém, eu insisto...
– Valerie amor eu preciso saber... Não faz isto!
– Eu não fiz nada Henry. Só estou indo pegar minhas coisas.
Algo me ocorre, ela estava tomando banho, aí vem vestida de roupão e disse que só veio assim por que queria me pedir algo... Compreendo agora...
– Amor você queria me chamar para tomar banho com você no riacho? É isto?
Ela cora. E não diz nada. Aproximo-me dela e pergunto...
– Posso abraçar você?
Ela assente que sim. E envolvo sua cintura e olho profundamente em seus olhos.
– Você queria minha companhia para o banho é isso?
Ela responde vermelha...
– Sim, mas...
Não a permito que termine...
– Não diga que não precisa. Sei que é o que deseja meu amor. Porém, sejamos sensatos, acha mesmo que eu suportaria ficar próximo a você sedento como estou? Pois, é isto que eu estou sedento e desesperado, de desejo por você Valerie, de roupa de banho?
– Não Henry, é claro que não! Eu não pensei desta forma e eu não faria isto. Eu tenho outra roupa que eu trouxe limpa para vestir depois, eu colocaria a que eu cheguei aqui. Era só isto, eu jamais te provocaria assim, principalmente depois do que aconteceu Henry e da conversa que tivemos, eu levo as coisas a sério sabia? – Ela estava brava. — Eu só queria aproveitar um pouco um momento com você aqui, matando as saudades do dia em que fomos ao monte Grimor, afinal aquele dia, nós quase não aproveitamos, por que nos machucamos.
Quando ela termina de dizer, eu entendo tudo e digo-lhe...
– Eu entendo e desculpe-me por ter me precipitado.
Assim, afasto-me dela e começo o processo de me despir, e ela me olha assustada e de olhos arregalados...
– Henry, o que está fazendo?
– Me preparando para entrar no riacho com você amor.
Ela me olha mais apavorada ainda, e eu entendo o motivo...
– Calma Valerie, eu não vou ficar nu amor! É sério que você pensou isto?
Ela corou tanto...
– Henry, vai saber? Depois que você me disse que ficou tentado a tirar a camisa, lá na casa de tio Heitor... Você iria quebrar uma regra amor, pensa bem...
Dou-lhe um sorriso, porém, sinto meu rosto queimar.
– Amor, eu fiquei tentado, mas, não o fiz, e no mais, nós não tínhamos tido a conversa séria que tivemos aqui.
Ela pondera, porém, diz:
– É eu sei me desculpe! Enquanto você termina, eu irei me vestir.
– Tudo bem. Pode deixar que eu irei me virar para te dar privacidade.
Assim que ela sai, eu o faço.
Termino e fico aguardando ela me chamar. Então, ela o faz.
– Estou pronta Henry, traga sua roupa para eu guardar aqui.
Faço como ela pede.
Ao me aproximar dela, vejo a forma com que me olha. E sinto todo meu corpo aquecer diante de seu olhar, que praticamente me devora. Eu estou com uma calça cinza de tecido leve, e uma camiseta colada ao corpo branca, no estilo das que a provocam. Ela pergunta:
– Você usa outra roupa por baixo da armadura, sempre?
– Sim amor, pois a da armadura é de tecido só por fora, por dentro é revestida de couro, pra ter mais resistência, e oferecer mais proteção. E o couro me pinica muito, então eu sempre uso uma calça leve por baixo e camiseta por quê?
– É bom saber, para quando for separar suas coisas após casarmos deixar sempre algumas separadas somente para isto. Pois, o atrito com o couro, acaba desgastando mais as peças, veja.
Ela aproxima-se e evidencia apontando com o indicador para mim, os locais onde realmente revelam desgaste por atrito. E fico impressionado, mais uma vez, por sua observação e cuidados comigo e minhas coisas. Porém, noto que ela faz tudo, a certa distância e sem me tocar, então, aproximo-me mais, e tomo sua mão, e puxo-a para mim e ela arregala os olhos, porém eu digo:
– Perdoe-me pela camiseta, sei que a provoca, mas, eu já estava com ela, e creio que é melhor ficar com ela do que tirar, não é?
E sem ao menos pensar ela responde:
– Claro que é!
Abraço-a e tomo seus lábios de forma suave. Sinto o tempo todo que ela me beija hesitantemente e mal me toca, então, afasto meus lábios e falo:
– O que foi?
Ela apenas responde:
– Nada. Vamos entrar?
Sei que há algo, porém, resolvo dar um tempo até que ela esteja pronta para dizer...
– Vamos.
Eu digo, e ela pega minhas roupas ao chão, e as guarda junto com suas coisas.
Assim, aproximo-me novamente e tomo sua mão entrelaçada na minha e descemos pelas pedras baixas rumo ao riacho.
Todo ele não é muito fundo, assim, procuramos uma parte razoavelmente mais funda, e sentamos sobre uma pedra, na verdade, eu me sento, e sento-a entre minhas pernas com as costas recostadas em meu peito. Assim, a água cobre Valerie até seus seios.
Noto que ela está quietinha, então, beijo seu pescoço e seu ombro, e a sinto arrepiar, e beijo em seguida o topo de sua cabeça. Assim eu pergunto, em seu ouvido:
– Princesa, você ainda está magoada com alguma coisa não é?
Sinto-a respirar fundo, e resolvo fazer algo. Ergo-a pela cintura e fecho minhas pernas e sento-a em meu colo de lado, de forma que agora a tenho olhando para mim, abraçada a minha cintura com um braço, enquanto tem um lado do rosto recostado em meu peito. A cabeça encontra-se erguida, contemplando meus olhos, enquanto toca minha face com a mão livre. E pergunto:
– Melhor assim?
Ela apenas diz que sim com um aceno de cabeça. E eu digo:
– Quero te ouvir.
Ela sorri sem humor, e desvia seu olhar do meu, e a certeza de que tem algo errado, me atinge. Ergo novamente sua cabeça segurando seu queixo com uma mão.
– Valerie, eu preciso saber o que está havendo.
– Não é nada Henry, eu só estou apreensiva só isto.
– Sim, isto eu estou percebendo, eu só quero saber o porquê amor.
Enfim, ela respira e diz...
– Na verdade nem eu sei. Eu só sinto que está para acontecer algo, e por isto quis este momento próximo a você, mas, não me pergunte o que é, pois, eu não sei.
E neste momento a sua sinceridade é tanta que lágrimas enchem e correm de seus olhos, me deixando de coração partido, levando-me a abraça-la, e digo:
– Ei meu amor, por que não compartilhou comigo isto? Eu estou aqui para confortar você, hum... É normal estarmos apreensivos, é muita pressão amor. Acha que eu também não estou? Tento não demonstrar para não te preocupar Valerie, mas, no fundo eu estou da mesma maneira.
– Eu sei, eu sinto. Desculpe pela minha fraqueza.
– Fraqueza? Que fraqueza? Valerie, a única coisa que você não é, é fraca amor, você é forte até demais, uma guerreira! Olha tudo que tem suportado? Olha como tem lidado... Eu te amo meu coração!
Tomo seu rosto em minha mão agora e a beijo com suavidade, o que ela retribui prontamente. E desta forma, o que ela realmente está sentindo, me atinge, e passo a sentir também. Saudade. É estranho, pois, temos procurado estar tão juntos, e ainda assim estamos saudosos um do outro.
Afasto-me de seu rosto, e para poupá-la deste assunto, mudo o foco...
– Obrigado por este momento, adorei o convite!
Ela sorri um pouquinho e diz.
– Obrigado por ter aceitado!
– Sempre, eu sempre tentarei fazer o que precisa amor. E com prazer. Agora mudando o assunto, amor eu estou curioso... Você comprou sua roupa de banho aqui?
Ela sorri e diz:
– Sim, esta e mais duas, na verdade foi para a “lua de mel” já que vamos viajar Henry.
– Hum... Eu gosto da ideia...
Dou-lhe um sorriso e ela retribui. E eu pergunto...
– E as outras, são como esta?
Ela sorri e diz:
– Não vou dizer detalhes Henry, afinal, faz parte das minhas surpresas para você, quanto ao nosso enxoval particular, o que posso dizer é que são muito mais lindas!
Meu corpo reage ao ouvi-la dizer isto e abraço-a mais forte eu pergunto em seu ouvido...
– E o nosso enxoval particular? Eu vou poder ver?
Ela afasta-se alarmada e diz:
– Claro que não, aliás, sim, somente quando nós o usarmos. Antes, de jeito algum.
Faço uma cara de manha e digo dengoso a ela:
– Amor, por favor, isto é maldade.
– Não Henry, e ponto! Você só verá quando nós usarmos, e após o casamento!
Ela fez questão de enfatizar. E eu pergunto:
– É bonito?
Ela sorri divinamente:
– É lindo Henry. O da noite de núpcias é perfeito! O seu então? Hum... Fico só imaginando...
– Ah Valerie, isto não é justo, amor!
Digo frustrado...
– O que Henry?
– Você sabe o que irei usar, tem o direito de me imaginar e tudo, e eu?
Ela me olha vermelha e diz:
– Amor, só por que fui eu que escolhi, e foi você que deixou... E a propósito amor, tem umas coisas que comprei para você que acho que você vai relutar em usá-las...
– O QUE? Sério? Ai meu Deus o que é amor?
Eu disse preocupado...
– Bem... Não é nada demais, pelo menos pra mim amor, na verdade são peças que eu achei interessante ver você as usando e fiquei curiosa, não irei te forçar a usar Henry, sabe disto, sei o quanto você é reservado amor e te respeito muito! Porém, como tive vontade, resolvi comprar, vai que eu te convenço? Hum... Eu iria adorar te convencer Sr. Lazar.
Ela diz de maneira provocante me fazendo arrepiar. E eu curioso pergunto:
– O que tem de tão diferente nestas peças amor?
Ela fica vermelha demais, e aquilo me preocupa, e digo...
– Pela sua reação, ai Valerie... Eu estou com medo!
Ela me silencia com o indicador e diz:
– Amor, nós nunca falamos sobre isto, porém como estamos praticamente no caminho deste assunto tenho uma curiosidade, sobre você. E realmente eu gostaria de saber...
Aquilo me deixa alerta: As perguntas de Valerie, sempre são no mínimo interessantes, suas curiosidades então... E digo...
– Sim o que é que você não sabe ainda a meu respeito minha joia preciosa?
Ela sorri e diz:
– Nossa, há tantas coisas Henry... Mas, para cada coisa, há seu tempo...
E aquilo me surpreende...
– Bem o que desejo saber, é... — Ela claramente hesita. — Bom deixa para lá!
Ela estava muito vermelha e desconfortável, então logo percebi que era uma pergunta íntima, e muito íntima pelo visto. Aí fiquei pensando, sobre o que ainda não falamos que envolva nossa intimidade? E realmente percebi que havia algumas coisas. Assim, eu disse:
– Amor, olha para mim...
Ela o faz atentamente, e noto-a vermelhinha demais.
– Olha, dentro de poucos dias você será minha esposa, eu serei seu marido, teremos acesso a tudo um do outro, realmente precisamos conversar abertamente sobre as coisas, mesmo as difíceis e constrangedoras. Não gostaria que tivéssemos barreiras. Sinto que o assunto envolve nossa vida íntima, e quero mesmo conversar sobre isto. Dúvidas existem, claro que existem, estamos nos conhecendo Valerie, só tivemos a oportunidade de fazermos amor, duas vezes. Eu realmente quero ter liberdade e acesso a você por completo, assim, como quero que tenha a mim. É fácil falar sobre isto? Não, sinceramente não é, mas, é preciso e necessário. O diálogo franco e aberto é um passo bem grande para uma vida a dois bem sucedida, principalmente em se tratando de intimidade sexual Valerie.
Ela ficou ainda mais vermelha, porém, senti que evitou desviar o olhar.
Ela respira fundo e fica muda ainda, e sinto que terei de ajuda-la.
– O que te deixa curiosa é algo a respeito de mim ou de você?
– Dos dois, eu gostaria de saber de você, é claro, e tenho para mim que você também, vai querer saber a meu respeito...
Hum... Fico pensando o que seria? Que curiosidade tenho sobre ela, e que ela também pudesse ter sobre mim... Vou tentar... E digo a ela...
– Bem eu vou tentar, e você me ajuda para ver se fica mais fácil falar pode ser?
– Sim...
Ela responde. E eu prossigo...
– Hum... Seria sobre nossas preferências? O que eu gosto é isto? Pois, já tentamos falar sobre isto uma vez amor.
Ela cora e diz:
– É neste caminho, mas não exatamente isto, porém, já que falou, também é uma dúvida minha.
– Sim, entendo, e devo dizer que tudo o que eu falar, você já deve deduzir que é dúvida minha também, tudo bem?
– Sim, compreendo. E podemos esclarecê-las se quiser.
– Claro que quero amor. Bem, mas continuando... Posições?
Eu pergunto e ela consegue ficar mais vermelha, porém, diz:
– Também tenho muita curiosidade sobre isto também, mas, não é isto...
Fico pensando... Bem há algo que sempre me gera curiosidade, é se ela tem alguma fantasia comigo? E qual, mas, sei que isto é uma coisa bem típica de curiosidade masculina, pois, nós sempre temos muitas, e claro fica a curiosidade se a parceira tem... Será? Resolvo arriscar.
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Ela fica muito mais vermelha agora e desvia o olhar. Então compreendo que acertei!
– É isto amor? Pode dizer...
– Sim é...
Ela diz num fio de voz, corada ao extremo. Então reforço à pergunta...
– Hum, então você quer saber se eu tenho alguma? É isto?
Ela está totalmente constrangida ainda, mas, responde...
– Sim, e qual?
– Vou responder sem problemas, porém, eu fiquei curioso, por que você quer saber?
Ela me olha incrédula e diz:
– Não é óbvio? Se você tem fantasias sexuais Henry, e eu serei sua esposa, quem deverá realiza-las? Ou pelo menos tentar, não sei do que se trata, então, não sei se eu conseguiria... Mas, garanto que por você eu tentaria!
Fico surpreso...
– Sério amor? Você faria isto por mim?
– Claro Henry, pelo menos tentar sim, eu não posso garantir que eu daria conta de todas ou faria logo, mas, que certamente eu irei me empenhar, sim, isto eu prometo. Quero sempre satisfazer você e agradá-lo amor.
Aquilo me impressiona e me deixa maravilhado com ela, em o quanto Valerie realmente se preocupa com meu bem estar. E digo:
– Obrigado Valerie, fico muito honrado e feliz por ver sua disposição em me agradar. Saiba que esta também é uma máxima para mim: agradar você! Quero muito que saiba algumas coisas. Primeira, nós sempre só faremos Valerie, o que for confortável e prazeroso para os dois, isto é premissa básica para mim. Jamais quero que faça algo para me agradar que não satisfaça você ou que não seja confortável para você. Uma das coisas mais importantes na vida de um casal seja em qualquer área, é a confiança e sinceridade nós sempre falamos sobre isto, isto vale para vida íntima também. Para que algo seja prazeroso, é preciso ser bom para os dois. Estou falando em relação a fazer amor, que é o que pretendo sempre fazer com você, amor, pautado em sentimento, respeito e prazer mútuo, sempre. Sexo é bem diferente. Faz-se às vezes de qualquer forma, com qualquer pessoa, e na maioria das vezes, é para satisfazer instintos e necessidades momentâneas. Não é isto que eu quero com você, nunca foi, e nunca, jamais o será. Isto é o básico para mim, e desejo que nunca se esqueça. A partir daqui sim, podemos testar o que gostamos juntos, o que temos desejo, ou curiosidade, o que fantasiamos, mas, sempre dentro destas premissas, bom e prazeroso para os dois, aqui entra o diálogo Valerie, ele é sim fundamental. Entendo que agora no início, vai ser sempre mais difícil abordar estas coisas, não pense que é fácil para mim, pois, não é, mas, meu desejo de que tenhamos uma vida a dois, bem sucedida, em todas as áreas, é tão grande que isto sempre pesa muito na hora de tomar uma decisão até sobre o que vamos dialogar. Entende? Eu quero ser seu melhor amigo e confidente amor, sempre, e quero que o seja para mim. Companheiros é isto que seremos. Pelo menos, eu pretendo assim.
Ela me ouvia atentamente, percebo que está considerando maravilhada cada palavra. E diz:
– Também pretendo amor, sempre. Por isto, eu quis saber.
– Bom, sendo assim, eu quero primeiro dizer que agradeço sua preocupação Valerie, em sempre querer saber o que eu gosto e o que me agrada. Você é muito preocupada com meu bem estar. Só isto em si, já me deixa feliz amor, e faz-me amar mais a você a cada dia.
Ela fica corada e eu prossigo acariciando seu rosto...
– Bem, eu posso dizer isto, pois, sempre ouço conversas de outros e sei que fantasias são coisas que geralmente perseguem os homens. Então, é claro que tenho. E detalhe, eu sempre as tive, com você. Talvez por isto, sempre tive tantos sonhos íntimos com você. Porém, a que mais me ronda, é conhecer e explorar seu corpo amor. Partes que eu não experimentei se possível, sem limites sem restrições e sem regras. Mas, claro, que se você tiver o mesmo desejo e se for sua vontade.
Ela me olha pensativa e fico pensando se fui claro o suficiente... Então pergunto:
– Você entendeu? Fui claro o bastante?
– Sim. E na verdade eu também desejo isto, não só que o faça comigo, como quero muito fazê-lo com você.
Aquilo me surpreendeu.
– Sério?
– Sim, desde quando fizemos amor pela segunda vez, lá no chalé.
– Hum... E por que não me pediu?
Ela sorriu vermelha demais...
– Obviamente por que eu não tive coragem, imagina bem Henry, nós estávamos apenas nos conhecendo amor, eu já morria de medo, por praticamente eu ter que tomar as iniciativas o tempo todo, basicamente atacando você, e de você considerar oferecimento demais, imagina, eu pedir algo assim...
– Ei meu amor, eu quero que saiba de uma coisa, eu nunca, jamais julgarei você, eu a amo sabia? Muito por sinal. Quando for assim peça, pois, se não der ou eu não estiver preparado no momento, eu prometo que irei ser sincero como quero que o seja, porém imagina, se eu quiser? E se eu também desejar? Será maravilhoso para os dois, então, nunca deixe de expor o que sente e deseja para mim... Se for difícil por em palavras, eu sei que às vezes é, por receio, ou medo de quebrar o momento sei lá, me dê indicativas claras, indícios, que eu prometo estar atento para entender. E no mais, somos tão bons na conexão do olhar, em entender o que o outro quer. Hum?
– É verdade, prometo então que o farei...
– Bem, e agora eu sugiro que você fale um pouco, pois eu falei demais e já disse uma das minhas. E você, tem alguma fantasia comigo?
– Sim, algumas, mas, há uma que ronda minha mente constantemente. É algo que realmente eu quero...
Aquilo me deixa curioso demais...
– Diga então amor.
– Bem eu quero muito fazer amor com você no lago Henry. Na verdade ao ar livre... – E ela fecha os olhos como se estivesse imaginando o que está dizendo. — Sentindo o cheiro da grama e das flores, misturado ao seu cheiro amadeirado que amo tanto. — Agora ela abre os olhos e olha direto nos meus. — Sentir seu cheiro de suor mesclado ao cheiro da brisa da natureza, enquanto você me dá prazer amor. – Ela me diz aquilo enrubescida demais, porém, olhando com profundidade em meus olhos e com seriedade. – E por fim, concluir nos amando no lago, ou seja, fazendo amor novamente na água. Não sei, acho que talvez seja a vontade de unir duas coisas que gosto demais e são prazerosas para mim, estar em contato com a natureza e fazer amor com você.
Ela foi tão descritiva e detalhista, que minha mente imaginou cada cena, e confesso fiquei excitado só de pensar. Minha respiração e as batidas do meu coração modificaram-se consideravelmente.
– Nossa Valerie, esta sua descrição me encheu de vontade. Como você é boa em me excitar só com as suas palavras meu amor.
Digo-lhe num sussurro beijando seu pescoço, fazendo-a arrepiar-se toda... Como ela fica quieta, eu prossigo...
– Iremos realiza-la então, amor, assim que nós nos casarmos eu prometo, pois, eu já tinha o desejo, mas, agora depois que você descreveu os detalhes do que pensou para mim, ficou muito mais atrativo.
– Que bom, fico feliz que tenha gostado Sr. Lazar. – Ela diz, me provocando. — E você tem mais alguma?
Bem havia algo delicado... Mas eu seria sincero.
– Bem, desde o dia que você fez aquela “proposta” para mim, aquilo não me sai da cabeça amor.
Ela sorriu...
– Mexeu com você não foi?
– Sim, Valerie, eu não posso mentir, mas, eu confesso que eu morro de medo amor. Demais. Tenho pavor em pensar que eu posso machucar você, eu entro em verdadeiro pânico só de pensar. Acho que esta vai levar um tempo, e espero que compreenda e espere o meu tempo. Tudo bem?
– Sim, é claro Henry. Só quero pedir algo, sempre devemos falar sobre isto para não ficar no esquecimento, e no mais, quanto mais falarmos sobre o assunto, mais, ele vai se desmistificando e se tornando familiar. Tudo bem?
– Claro o diálogo é fundamental, eu já disse.
– Sim...
– E você tem mais alguma?
Eu a pergunto. E ela responde...
– Sim eu tenho duas, já de algum tempo, mas, estas eu só irei te contar na lua de mel. Pois, elas precisam de um local propício para realizar, então, preciso saber se teremos lá ou não. E a partir do dia que você chegou aqui, eu passei a ter outra.
– Hum... Eu desejo saber pelo menos alguma coisa, a respeito das que envolvem a lua de mel. Alguma sugestão?
– Sim, só sugestão, e de uma só... Nós vamos precisar de uma Banheira...
Fico um pouco surpreso e de olhos arregalados tentando imaginar o que ela deseja fazer em uma banheira comigo, ai meu Deus, preciso me casar logo!
– Teremos, e teremos na nossa casa também...
Sorri malicioso para ela e ela ficou roxa, mas disse...
– A outra em relação à lua de mel é surpresa, mas, prometo que mesmo que não tenha o que precisamos, eu te falo lá, certo?
Resolvo não força-la. E falo:
– Claro. Porém, quero saber qual é a outra, que você passou a ter depois que eu cheguei aqui, eu posso?
– Sim, pode... – Ela cora intensamente, porém diz... – Eu quero fazer amor com você algum dia em que esteja totalmente vestido de Guerreiro. Henry você não tem noção de como me excita te ver de armadura, chega a ser insano. Não culpo as mulheres de te desejarem assim. Você fica irresistível Sr. Lazar.
O que ela diz me excita completamente, e começo a sorrir de nervoso... Porém, eu faço de tudo para manter meu controle. Assim eu digo...
– Vou realizá-la também, eu prometo!
Ela sorri feliz, o que me dá uma ideia de fazer algo em relação a isto na lua de mel para ela. Uma surpresa.
Resolvo dizer uma coisa a ela...
– E devo dizer que, você já realizou uma minha...
– Sério qual?
– Fazer amor da maneira que fizemos no chuveiro lá em casa, explorando o corpo um do outro. Amei aquilo Valerie, não sabe o quanto! E finalizar como foi então, com você erguida em meu colo, foi esplêndido, muito melhor do que eu previa!
Ela corou tanto... Porém disse:
– Eu também, amei aquele dia. Nossa, foi inesquecível...
– Sabe que podemos repetir o que gostamos não é?
Digo a provocá-la. E ela responde também me provocando...
– Claro! É uma regra importantíssima esta Sr. Lazar.
Rimos o dois. E beijo os seus lábios...
– Mais alguma sua Henry?
– Sim, na verdade, desde o dia em que tivemos aqueles momentos intensos na ferraria, me vejo fazendo amor com você ali Valerie, já pensei em cada coisa...
Ela arregala os olhos e diz:
– Sério?
– Sim, é sério, e ai o que me diz?
Ela me olha pensativa. E diz:
– Hum... Henry esta realmente me deixou curiosa. E acho que teremos muitas oportunidades de realiza-la mais de uma vez.
– Verdade? Por que diz isto Valerie?
Pergunto curioso...
– Claro Henry. Vamos estar juntos todos os dias ali, esqueceu que eu irei trabalhar com você? Assim, sempre que a vontade bater, damos um jeito de colocar o Cedrico para fazer alguma entrega, e a teremos só para nós. Imagina que maravilhoso um dia qualquer em que você estiver nervoso ou estressado, com o trabalho, precisando relaxar e eu estar ali para fazer isto por você, quer maneira melhor de relaxar?
Nossa, meu corpo inteiro pegou fogo na hora.
– Creio que não exista uma melhor maneira e eu irei adorar.
Trocamos sorrisos e ela fala:
– Henry, inclusive, eu tenho uma sugestão para te dar a respeito da ferraria amor.
– Pode falar Valerie.
– Henry ela também está precisando de uma reforma, principalmente agora com seus planos de crescimento e expansão do seu trabalho amor, eu sei que você já tem tido despesas demais, mas, como se trata do seu meio de trabalho, e nossa maior fonte de sustento, eu acho que seria um caso a se pensar em talvez adiar um pouco a construção da casa no terreno e investir na reforma da ferraria primeiro. O que acha? Fazer um escritório separado para você, para que possa atender seus clientes, ou até fornecedor, banheiro até uma pequena cozinha com refeitório para os dias que forem muito corridos e quisermos almoçar por lá.
Mais uma vez, eu fico maravilhado com a capacidade de Valerie tem de ter visão a cerca dos negócios. Porém, ela não sabe que a reforma da casa já está a caminho. Então, digo acariciando seu rosto:
– Amor, eu amei a sugestão, e mais uma vez você me encantou com sua capacidade de percepção para os negócios e investimentos. Mas, eu realmente, tenho nossa casa como prioridade. Porém, assim que eu terminar nossa casa e da minha avó e sua mãe, eu irei fazer a reforma da ferraria sim, inclusive eu já vinha pensando nisto, na verdade eu sempre quis, mas, confesso que a morte do meu pai eu perdi o ânimo e a motivação para tal. Mas, agora tendo você para dar-me estímulo, é outra coisa. Mais uma vez, obrigado, por me afastar dos meus dias sombrios. Amo você Valerie, demais!
– Eu também amo você Henry, muito mais do que se é possível amar alguém, pode parecer presunção minha, mas, às vezes eu acho que, é impossível existir alguém que ame tanto o quanto eu amo você, acredita? E eu prometo a você que tentarei fazê-lo muito feliz, para compensar todos os sofrimentos pelos quais você passou amor.
Ela diz acariciando meu rosto e me olhando com intensidade...
– Você já me faz amor, e muito feliz. Mas, você está enganada, pois tenho certeza de que há pelo menos uma pessoa que ame tanto quanto você me ama, eu. Eu amo você de uma forma incalculável Valerie, indescritível, eu sinceramente não conseguiria jamais dimensionar o meu amor por você.
– Acredito amor. – Ela mais uma vez acaricia meu rosto, e diz. — Eu irei sentir falta deste momento aqui com você Henry.
Eu a viro e agora a tenho de pé de frente para mim, eu chego mais para frente e a encaixo entre minhas pernas. Ela não hesita. E eu digo:
– Também sentirei amor. Mas, eu garanto que teremos outros ainda melhores.
– Eu sei, mas, eu gosto destes também, serão marcantes, e o serão para sempre.
– Eu sei, e adoro vive-los com você princesa!
Ela sorri e de repente a atmosfera da conversa muda, me deixando apreensivo... E ela diz:
– Henry, eu tenho algo para te falar... É sobre Ananda.
– Sobre Ananda?
Aquilo me preocupa.
– Sim. – Hum... Preocupa-me, o que seria? E Valerie responde a pergunta que não fiz. — Ela está apaixonada Henry!
Valerie diz aquilo muito feliz, porém preocupada. Porém, de certa forma, eu sinto certo alívio! Eu tenho certo receio das inseguranças de Valerie voltarem, já pensou, a esta altura dos acontecimentos? Deus me livra!
– Sério amor? Que bom...
– Sim, Henry, bom mesmo. Você imagina por quem?
– Eu não sei Valerie, não faço ideia. Só imagino que você deve estar empenhada em ajuda-la, disto eu tenho certeza, só de olhar para esta sua carinha sapeca, eu sei.
Eu dou-lhe um sorriso com meu comentário... Pois, realmente eu tinha certeza pela carinha dela, que ela estava para atacar de “cupido”, e ela cora, e sorri muito satisfeita de volta.
– E estou mesmo, inclusive Sr. Lazar, nada de ciúme se me pegar sozinha com ele conversando, pois, estarei falando sobre isto, tudo bem?
– Hum... Sei... – Aquilo, deixa-me atento. — Quem é Valerie?
Digo desconfiado...
– Camelot. – Aquilo realmente me surpreende. — Só que ele é machista e não aceita muito o fato dela ser liberal Henry, e ela sofre com isto.
Confesso que o comentário de Valerie foi no mínimo interessante, então eu disse:
– Valerie, pode ajudar amor, só quero que tome cuidado, pois, este é um assunto delicado. Pois, por mais que a liberalidade seja algo comum aqui. Quando se trata de se ter uma esposa ou uma companheira, isto pesa muito para um homem, ainda mais na posição de Camelot ou Aquiles, e eu só estou dizendo isto, pois vivo neste meio e ouço as conversas, então, cuidado para não entrar numa área em que possa gerar algum transtorno para você amor.
– Tudo bem Henry, eu prometo ser cautelosa.
– Obrigado por me ouvir, meu coração.
– Sempre, meu homem lindo...
Ela diz e beija meus lábios e falo dengoso:
– Hum... Eu amo quando me chama assim amor.
– Mas, você é: Meu. Homem. Lindo e gostoso. Que. Eu. Amo. Demais!
Ela diz cada palavra intercalando com beijos, e eu retribuo com satisfação.
Porém, num determinado momento, ela fica contemplando meu rosto, e uma expressão estranha cruza o seu. E identifico ali, é uma expressão de saudade. Então digo:
– O que foi amor?
– Não sei Henry, eu estou me sentindo estranha, sinto às vezes uma sensação de saudade de você, mesmo você estando perto. Parece que nenhum tempo junto aplaca isso de vez, só momentaneamente.
Olho para ela e respondo-lhe com sinceridade:
– Eu compreendo amor, também tenho me sentido assim, eu acho que pode ser devido o tempo de privação que passamos um do outro.
– É eu não sei, pode ser...
Ela diz e volto a abraça-la mais forte.
***
POV VALERIE
A manhã no riacho foi maravilhosa. Henry como sempre faz cada momento de minha vida se tornar especial. Assim que retornamos, eu lavo e estendo nossas roupas.
Quando termino, vou para o quarto com o objetivo de tomar banho, porém, vejo que Henry está acabando de sair do seu, pois, desliga o chuveiro. Pego a carta de Ananda e deixo na mesinha debaixo do abajur. E espero Henry sair.
Depois de alguns minutos ele destranca a porta e rapidamente sai do banheiro, e só aí me dou conta de que ele deixou sua roupa na cama, separada, e aí noto algo, que faz meu corpo inteiro pegar fogo:
Henry está só de boxer preta, e eu quase morro com a visão.
Toda a minha percepção, dura, apenas segundos, e ele fica extremamente vermelho ao ver-me sentada ali o encarando de boca aberta e praticamente salivando de desejo por seu corpo delicioso e seminu a minha frente...
Noto que nós dois perdemos a fala e estamos em choque, porém, por mais que eu tente, e juro que tento, eu não consigo desviar os olhos de seu corpo tão lindo. Contemplo cada detalhe, e é óbvio que me atenho às partes que não tenho tido acesso desde que fizemos amor. Elas realmente despertam mais minha atenção. E penso o tempo todo, de forma possessiva: tudo meu, tudo isto é meu!
Por fim, ele se recupera, voltando rapidamente para o banheiro e se colocando atrás da porta, roxo de tão vermelho e diz:
– Valerie, amor me desculpa eu não sabia que estava no quarto, eu te vi lavando as roupas e achei que fosse demorar.
– Tudo bem Henry eu compreendo. Vou sair para você se trocar.
– Não! – Ele diz apressadamente. – Não precisa, só me passa as roupas que eu me visto aqui.
Vejo que ele está tão sem graça quanto eu fiquei dele me ver de roupa de banho pela manhã. Então resolvo suavizar para que fique menos desconfortável:
– Lindo, agora estamos quites, você me flagrou seminua, e agora foi minha vez, nada mais justo amor.
Digo sorrindo tentando desfazer a tensão, porém sei que estou vermelha e sinto meu rosto queimar.
Por fim, eu acho que ele percebe minha intensão, e resolve deixar para lá.
Pego sua roupa e lhe dou pela abertura que ele deixa na porta, peça por peça e ele vai se vestindo atrás da mesma.
Porém fico divagando... Imagina se ele sai sem a boxer? Ai meu Deus eu não resistiria com certeza, pois eu já estava a um passo de aproximar-me dele para tomar posse de cada centímetro daquele corpo que é meu.
Ele termina de vestir-se sai batendo os cabelos, ficando da maneira sensual que eu gosto, com eles revoltos... Ele me olha curioso e pergunta:
– O que foi? No que está pensando?
Dou-lhe um sorriso sem gracinha, porém, respondo...
– Fico pensando, e se você tivesse saído sem a boxer? Imagina?
– Ele fica roxo... Porém diz:
– Não... Não quero imaginar... Pois, certamente há esta hora, não estaríamos conversando aqui... Portanto, acho bom nem pensar... É cruel demais...
E sorrimos juntos e a tensão se esvai.
– Lindo, agora eu é quem preciso tomar um banho.
Eu digo já indo ao guarda roupa e pegando minhas coisas, pois, depois que passei a dormir no mesmo quarto que Henry, as trouxe para cá.
Pego um vestido bem bonito que comprei e Grewnville, e no processo deixo cair um vestido florido que comprei aqui, para usar na lua de mel e após nos casarmos, na verdade, é para usar nos momentos em que estiver mais com Henry. Pois, o decote é provocante demais, e combinamos que eu só usaria este tipo, depois do casamento para ele não enlouquecer. Porém, como Henry observa demais, e realmente a estampa do vestido é linda, ele diz...
– Eu não conheço este Valerie... É novo? Amor o vista para mim, eu gostei da estampa, ela é linda!
– Hum, lindo não acho uma boa ideia...
– Por quê?
Ele perguntou preocupado. E vi que eu teria de explicar tudo para não haver mal entendido...
– Bem, eu o comprei aqui, para usar na “lua de mel” e depois do casamento, e há um motivo para usá-lo depois. Você havia me pedido para evitar os decotes lembra? E este é bem decotado Henry, eu o comprei para provoca-lo amor, só que depois, entende? Inclusive, era para ser uma surpresa, mas, infelizmente ele caiu. Assim, acho melhor não usá-lo antes.
Ele fica adoravelmente coradinho, e então diz:
– Claro Valerie, melhor mesmo, eu não aguentaria amor, ainda bem que me disse.
Ele falou aliviado, porém, vi que ele havia ficado curioso... Assim, eu perguntei...
– Você quer vê-lo não é?
Ele me olhou sem gracinha, porém, respondeu...
– Eu gostaria. Posso?
– Claro Henry.
Aproximo-me e coloco em suas mãos. Porém, para correr de qualquer situação provocante ou constrangedora, digo...
– Enquanto olha vou para o banho.
Vou rapidamente até ele e selo com um beijo seus lábios e vou ao banheiro...
Ao sair, vejo Henry sentado na cama, e ele ainda tem o vestido nas mãos. Ele me olha, e diz:
– Amor, é sério que você vai usar isto para sair?
Eu compreendo sua pergunta, e digo-lhe:
– Henry, na verdade eu o comprei para poder usá-lo com você amor, para você. Independente de onde fosse, porém, se quiser que eu não use tudo bem. Achei que iria te agradar.
– O que? – Ele disse espantado. – Amor vai me agradar até demais, porém, este é o problema... A outros olhos curiosos também Valerie, é sério, o decote é maior que o do azul e verde amor, eu vou enlouquecer se eu pegar um homem olhando para seu decote, contemplando o que é só meu. Ainda mais o que eu mais amo no seu corpo, por favor, Valerie, não me faça cometer um homicídio, eu não gosto da ideia, mas, eu tenho certeza que não me controlaria se visse um homem cobiçando você amor, por favor, pense nisto.
Ele me diz aquilo com um olhar sério... E eu tive a exata certeza de que ele não estava brincando, ele realmente seria capaz de fazer isto por ciúmes, pois, comigo e Érion, que é praticamente seu irmão, e a situação nem era tão agravante, foi terrível, imagina... Assim, eu completo...
– Tudo bem... Posso usá-lo só em casa para você então, ou prefere que eu me desfaça dele? Faço o que se sentir melhor Henry.
Ele me olha feliz, porém, diz...
– Desculpa te podar assim Valerie, mas, é justamente para evitar fadigas, eu estou aprendendo a controlar meu ciúme de você, mas, tem coisas, que convenhamos, é difícil... E não quero que se desfaça dele, não é para tanto amor, ele é lindo, vai ficar perfeito em você amor! Vou amar vê-la nele, porém, somente depois, e só para mim, e claro, eu quero que o use na “lua de mel”. Tudo bem?
– Claro, usarei com prazer, para você lindo!
– Obrigado amor, por sua compreensão... Valerie por falar nisto, você tem parado para pensar que vamos nos casar dentro de alguns poucos dias?
Abro um imenso sorriso a ele e falo:
– Nossa, e como! É uma das coisas que mais tem ocupado meu pensamento.
– Pois é o meu também, e eu confesso Valerie, eu estou tão ansioso. E me diga você ainda está animada com a reforma do chalé? Mesmo com a proposta de antecipar o casamento?
E eu falo sinceramente...
– Claro, e muito. Creio que será até melhor, a reforma ser depois, assim, não ficaremos tão ansiosos e desfocados da mesma, pois, creio, que nosso foco de agora em diante, é o casamento em si.
– É verdade amor.
Ele diz concordando, porém, tem um olhar muito misterioso. Surge uma dúvida em mim, se vamos reformar o chalé só depois que casarmos, onde iremos morar? Preciso perguntar a Henry...
– Amor já que será assim, onde moraremos?
– Onde você quiser Valerie! Podemos alugar uma casa, ou como será algo provisório, podemos ficar no casarão até a reforma terminar, inclusive minha avó fez esta proposta, para caso venhamos precisar, mas, lembre-se de que lá, teremos menos privacidade, ainda mais com sua mãe morando lá com a vovó.
– Entendo, mas, sabe amor, apesar disto, acho melhor que seja lá, pois é algo bem provisório, e te pouparia de mais uma despesa. E se formos pra lá onde ficaremos?
– Onde quiser amor, mas, eu sugiro meu quarto. O que acha?
Dou-lhe um sorriso malicioso de aprovação e digo:
– Gosto disto!
Ele sorri e me beija, e passamos mais algum tempo conversando...
***
Ao sairmos do quarto, mamãe avisa a Henry que Camelot chegou e eu aviso Henry que preciso falar com ele, e levo a carta comigo. E numa oportunidade em que vejo Camelot sozinho, fazendo guarda em frente da casa, me aproximo e digo:
– Camelot?
– Senhora?
Ele diz desconfortável, e sei que é por que teme que Henry veja e não goste.
Assim digo:
– Olá, seja bem vindo, e olha, Henry sabe que estou aqui e que preciso falar com você, então relaxa.
Pego a carta o entrego e digo:
– Eu só quero te entregar isto.
Ele pega, e vê de quem é e fica constrangido, mas, responde:
– Obrigado senhora, e desculpe pelo incômodo.
– Por nada e não foi um incômodo, foi um prazer Camelot. Se desejar escrever outra de volta, entregarei com satisfação. E me perdoe à intromissão Camelot, se me permitir gostaria de dizer algo:
Por mais desconfortável que ele estivesse, senti que ele percebeu que eu queria ajudar então disse:
– Claro senhora, eu posso ouvir.
– Obrigado pela consideração! Mas, é somente um conselho de uma garota nova, porém, que já viveu algumas coisas: Não deixe a oportunidade de amar passar por nada Camelot. Principalmente por convenções sociais. A vida e as oportunidades passam, e mais tarde nos arrependemos, e nem sempre a vida nos dá a segunda chance. Desculpe mais uma vez é só isto. E acho que deve saber disto para que não tenha dúvidas: Ananda está apaixonada por você! E ela sofre por sua ausência. É só o que tenho a dizer e obrigado por ser educado e me ouvir.
Vejo que ele fica mexido e quando vou sair ele me surpreende dizendo:
– Obrigado à senhora! E... Eu na verdade... Amo! Gostaria que ela soubesse disto.
Dou-lhe um sorriso por compreender o que ele quis dizer e respondo:
– E saberá Camelot, ela saberá. Porém, devo dizer que o resto é com você!
– Eu sei senhora. Obrigado, mais uma vez.
Ele me diz sincero e eu saio.
***
O restante do dia corre com tranquilidade.
Eu e Henry aproveitamos a tarde juntos, vamos à cidade, escoltados por Camelot e Aquiles, levamos a mamãe para que ela acompanhe Henry na prova do seu traje, Made fica com sua mãe.
Na loja, minha mãe sai aos prantos de dentro da sala de prova do noivo, dizendo:
– Ah minha filha, ele ficou tão lindo, e devo lhe dizer que ele amou sua escolha. Henry ficou encantado.
Dou-lhe um sorriso, satisfeita com seu comentário. Porém pergunto.
– Está emocionada mamãe?
Ela chora mais um pouquinho e diz:
– Claro! Estou vendo minha menina se preparar para casar, e por mais que eu esteja feliz, pois, sempre desejei demais seu casamento com Henry. Sentirei sua falta filha, eu sei que ficará perto, mas, será diferente. Eu estou feliz demais, você nem imagina, mas, não deixo de ficar emocionada! Eu te amo tanto Valerie!
Beijo-lhe as bochechas, e choramos juntas ali na recepção de espera das noivas. Depois de algum tempo, uma das atendentes nos traz chá calmante, para que nós possamos relaxar, o que é ótimo.
Após mais alguns minutos, Henry encerra a prova do noivo, e vem em nossa direção. Ao nos pegar chorando, ele compreende que é emoção, e achegando-se a nós ele nos envolve em seu abraço enorme e reconfortante. Beijando nossos rostos e nossas cabeças. Ele nos conforta um bom tempo. E por fim diz:
– Suzette, eu quero que faça algo, aproveite e leve um traje para você minha avó a seu gosto, pois, como a conhece há muito tempo sei que levará jeito para escolher.
Mamãe dá um sorriso a Henry, porém, fica constrangida, porém, eu tomo sua mão e digo...
– Vá mamãe, faça, Henry quer presenteá-la, e sei que ficará entristecido se não aceitar. E eu não vou, pois, não quero ver. Eu quero surpresa no dia.
Ela enfim concorda, e sai em direção ao atendimento.
Fico com Henry, e sinto-me desconfortável o tempo todo com os olhares que as mulheres dirigem a ele. O que ele logo percebe, assim, agora, além de permanecer sentado ao meu lado, ele abraça-me pelo ombro e conversa alegremente comigo o tempo todo ignorando qualquer olhar. E procura de vez em quando tocar meus lábios com leves beijos, só para enfatizar que estava comprometido. E confesso eu me achei com aquilo.
Assim que mamãe termina ela volta sorridente, o que deixa Henry feliz. E mais uma vez observo o quanto Henry gosta de agradá-la. Assim, ele acerta tudo, pega os trajes no pacote e ele diz:
– Precisamos ir.
Mamãe pede-nos para retornar para a casa dos Oxford’s e Henry libera o condutor para leva-la de carruagem e voltar para nos buscar mais tarde. Ela leva as compras com ela, despede-se de nós e vai embora.
Eu e Henry passeamos pela Praça de Livergoorn, e tudo é muito gostoso. Ele é carinhoso o tempo todo e não se afasta de mim nem por um segundo. E percebo que o mesmo aperto que passei na loja com os olhares inconvenientes das mulheres sobre ele, agora ele passa comigo, com os olhares dos homens sobre mim. E agora é a minha vez de deixa-lo confortável.
Porém, ele não se desgruda de mim, me beija o tempo todo me abraça, faz questão de evidenciar que tenho “dono” o que é bem engraçado.
Voltamos para casa no fim da tarde escoltados por Aquiles e Camelot.
A noite ainda é mais agradável, pois jantamos todos juntos, inclusive Elise e Ananda estão presentes, e vejo o semblante de Camelot mais suavizado, e penso, “o que o amor não faz?”.
Este pensamento faz-me lembrar da surpresa que farei a Henry hoje. Como encerrei minhas aulas com Elise e ela disse que estou pronta, eu havia combinado com ela que assim que ela me liberasse, eu queria tocar algo para ele. E como hoje estaríamos todos juntos ela e Made sugeriram que eu o fizesse hoje no jantar.
Portanto, assim que terminamos de comer, e comemos a sobremesa. Vamos todas para a cozinha ajudar a ajeitar tudo rapidamente, eu, Made, minha mãe, Elise e Ananda. Enquanto os rapazes vão para a sala, e ficam conversando, muito animados.
Assim que terminamos, nos juntamos a eles e eu claro, sento-me ao lado de Henry. Porém, Made, conforme combinamos, trás uma cadeira confortável e deixa no cantinho da sala. Ninguém nota, pois, todos estão entretidos nas conversas. Quando estamos todos juntos e descontraídos após algum tempo de conversas, eu digo no ouvido de Henry, logo após fazer um sinal com o olhar para Elise:
– Amor, eu preciso sair rapidinho, em um minuto já retorno.
Ele me olha preocupado, como típico dele e pergunta:
– Precisa que eu vá?
– Não lindo, eu já volto.
Dou um beijo em seus lábios e saio.
Na verdade, eu vou em busca do alaúde, pois irei tocar para Henry hoje algo que tenho preparado há dias com Elise. Porém, eu estou tão nervosa.
Quando estou saindo do quarto como o Alaúde que Elise me emprestou, Aquiles sai do banheiro e me vê, e pergunta:
– Precisa de algo senhora?
Respiro fundo e digo...
– Sim, eu preciso me acalmar.
O semblante de Aquiles demonstra preocupação e ele diz:
– O que houve?
– Nada Aquiles, é que pretendo fazer uma surpresa a Henry e estou nervosa, tem muita gente aqui, achei que conseguiria lidar, mas, acho que me enganei.
Ele sorri quando se dá conta do alaúde em minhas mãos e diz algo que me acalma imediatamente:
– Entendo, mas foque no seguinte: você o deixará tão feliz, que qualquer sacrifício deve valer a pena não é?
Meu sorriso se abre instantaneamente, pois, o de Henry aparece em minha mente. E assim respondo:
– Claro! Obrigado Aquiles.
Ele sorri e diz.
– Vou logo para sala na frente, pois fiquei curioso para ver a reação dele.
E ele sai, me deixando tranquila, e mais uma vez vejo, o quanto Aquiles é uma pessoa boa.
Respiro fundo e caminho lentamente até a sala, e faltando uns três passos, para deixar o corredor e curvar a porta da sala, eu começo a dedilhar em A:
(Perfeita — Olha o Que o Amor Me Faz)
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Assim que começo a dedilhar o alaúde posso ouvir suspiros e sussurros e o silêncio toma conta do local, porém, para não perder a coragem eu não consigo levantar o meu olhar. Sigo até a cadeira que Made colocou para mim, e percebo que propositadamente ela a posicionou de frente para Henry e quando estou terminando o prelúdio, eu encontro minha coragem, e agora sentada, de frente para ele, busco seus olhos e ali me prendo e me perco em seu olhar, querendo que ele receba cada palavra da canção para si.
Sinto Henry extremamente emocionado, o brilho de seus olhos é intensificado a cada segundo, até que as lágrimas que estão ali rolam sem que ele consiga se conter.
Tudo fica mais emocionante, quando Elise se junta comigo no Refrão, já que ensaiamos juntas.
Ainda que eu não consiga prestar muita atenção, percebo vários soluços e suspiros, e sei que a comoção já tomou a muitos ali.
Mas não consigo processar muita coisa, pois minha atenção está nos olhos do homem a minha frente, que se tornou minha razão de viver.
Henry está tão emocionado, de uma forma tão intensa, que abaixa a cabeça e soluça profundamente, e confesso que foi impossível segurar, minhas lágrimas já correm torrencialmente, ao sentir a verdade de cada palavra da canção em meu coração.
Terminando esta, inicio uma próxima em G:
(Perfeita — Inesquecível)
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Assim que termino meu choro também aumenta, pois a emoção é demais, antes que eu processe qualquer coisa, palmas, choros ou gritos, só sinto braços enormes e quentes, tão reconfortantes me envolverem, sei que alguém pega o alaúde de minha mão, mas não consigo ver quem é, pois os lábios que eu amo, tomam os meus, de uma forma desesperadora. E a força do amor que sinto naquele beijo é arrebatadora.
Retribuo com todo o meu ser, esquecendo-me das pessoas da sala, que está cheia.
Henry envolve minha cintura e minha cabeça com vontade, e eu sua nuca e suas costas com pura paixão, neste momento, eu sinto o quanto nosso beijo é regado às lágrimas.
Não sei quanto durou, só sei que só nos separamos quando estávamos sem ar, para em seguida, é claro, ficarmos vermelhos ao extremo nos dando conta de nossas companhias na sala. Porém, incrivelmente todos os pares estavam dançando, eu fiquei tão envolvida em minha redoma com Henry que não havia percebido que a música que eu tinha acabado de tocar e cantar tocava num som, e vejo Elise fazer um sinal para mim, deixando claro que era obra dela.
Obviamente Henry ali mesmo, me toma para dançar, e agora me perco em seus braços. Desfruto de cada carícia, de cada gesto, assim como sinto que ele também o faz. E nossos olhos não se desgrudam. E embora não haja palavras audíveis, com seu olhar e suas lágrimas que ainda correm como as minhas, ele declara todo o seu amor para mim. Depois de um longo tempo ele vem ao meu ouvido e sussurra:
– Obrigado, eu te amo muito!
Respondo da mesma forma, em seu ouvido em um sussurro:
– Eu também o amo demais. Gosto de agradá-lo meu amor.
E ele diz agora olhando em meus olhos, enquanto dançamos:
– Eu não só sinto o que sente por mim, como sinto muito mais, eu seria capaz de dar minha vida por você Valerie! E sim é amor, o mais Pleno e Puro Amor!
Ele diz respondendo as palavras da música.
Ele volta a me beijar.
Ficamos um bom tempo naquele clima romântico, que creio que incentivou aos casais tanto Made e Araon, Érion e Elise, e até mesmo Camelot e Ananda, e num determinado momento ela sorri para mim, e aquilo me deixa feliz. E mais uma vez comprovo o que o amor é capaz de fazer.
Assim, depois de algumas músicas, Henry, me diz em meu ouvido:
– Quero desfrutar uns minutos de privacidade com você antes de dormirmos vamos?
Olho para ele sorrindo e respondo:
– Sim.
Recolho o alaúde que foi deixado na cadeira em que sentei e despeço-me de todos com um aceno, e com um sorriso de agradecimento, à Elise, e beijo as bochechas de minha mãe desejando-lhe boa noite, e saio puxada por Henry para o quarto.
Assim que ele tranca a porta ele me toma novamente nos braços e beija-me desesperadamente, só que respeitando cada limite acordado por nós. Até que entre beijos ele diz:
– Amo demais você... Jamais posso... Viver... Sem você!
E eu respondo da mesma maneira.
– Assim como eu... Amo você... Henry, demais.
Após um longo tempo de beijo, carícias e declarações intensas, por fim, ele nos leva para as camas. Desde que aconteceu dele prometer-me não me tocar de forma íntima mais, ele tem cumprido sua promessa, e também, achamos melhor para não cedermos às tentações, que passássemos a dormir em camas separadas. É um pouco penoso, porém, o melhor caminho no momento.
Porém, antes de ir para sua ele senta-se ao meu lado na minha, lemos a Bíblia juntos, ele ainda conversa um tempo comigo, deitado ao meu lado, mas, assim que eu dormir, eu sei que irá para sua cama, como tem sido.
Desta forma, fitamos os olhos um do outro, o tempo todo, até dormimos. E como é bom, dormir sentindo a segurança de estar nos braços fortes de Henry, e também sentindo a força do seu amor por mim em seu olhar. Este é meu Refúgio Secreto e Particular: Henry Lazar!
***
Hoje, é o dia tão esperado por mim, o dia em que eu e Made vamos ao centro de Livergoorn buscar as encomendas que eu havia feito para o meu “enxoval particular”. Acordo cheia de expectativa com este fato!
Vamos escoltadas por Aquiles, Camelot e pelos três guerreiros contratados por Henry, especialmente para este dia.
Antes de sair para o Comando da Guarda pela manhã, Henry me deu inúmeras recomendações, e pude sentir o quanto ele estava preocupado. Made me disse que com Araon foi o mesmo.
Cada peça encomendada para o meu enxoval, que chegou, era perfeita, as da noite de núpcias então, eram maravilhosas, principalmente as de Henry.
A cada dia que passa e que se aproxima a data de voltar para casa, estou mais ansiosa. Pois, afinal, assim que eu e Henry retornarmos, nos casaremos.
Passao mais um dia muito agradável, mas claro que a melhor parte dele é quando Henry volta do treinamento.
É impressionante que por mais que passemos muito tempo juntos, nunca é o bastante. Cada segundo ao lado um do outro, faz aumentar mais ainda, a vontade de estar cada vez mais perto. Eu amo desfrutar da presença de Henry, assim também como percebo que ele adora desfrutar da minha.
Nós passamos o resto da tarde, juntos. Henry me chama para descansarmos no bosque próximo ao riacho, e devo dizer que eu amei, pois, ali temos privacidade.
Levo uma esteira que consigo com Made, e ao chegar eu a forro debaixo de uma árvore, eu sento-me recostando-me na mesma, e Henry fica olhando para mim com uma interrogação no rosto, sem entender, então, digo-lhe:
– É minha vez de cuidar de você príncipe, você combateu o dia inteiro esta com o rosto marcado com expressão de cansaço, enquanto eu passei a manhã nas compras, nada mais justo que oferecer-lhe um lugar confortável e seguro para repousar... Venha meu guerreiro lido, eu quero cuidar de você.
Dizendo isto, afasto minhas pernas e aponto para que se deite e recoste sua cabeça em meu peito, da maneira que sei que ele ama e sou recompensada com um largo e lindo sorriso, e com seu corpo se aninhando em mim, buscando refúgio.
Assim, que ele se deita, reclino a minha cabeça e beijo com carinho e satisfação sua testa, e começo a massagear em seguida, suas têmporas, seu couro cabeludo, me demorando bastante ali. Ele fecha os olhos. Pouco a pouco sinto Henry relaxar, seus músculos cederem e sua tensão corporal se esvair. Começo a correr suavemente e depois com mais pressão, a ponta de meus dedos em sua testa, seu rosto, queixo, pescoço, nos ombros, onde exerço mais pressão, desço por seus braços, lembrando-me de suavizar onde está o ferimento de espada feito por Mildrad que já está bem melhor, pois desde o dia em que descobri e Henry me permitiu, eu passei a cuidar da ferida. Sigo as carícias, até onde meus braços alcançam, mas, depois eu puxo os seus para cima para acariciar suas mãos. Primeiro uma depois a outra, dedo por dedo, sua palma e dorso.
Pouco a pouco ele vai soltando suspiros e gemidos baixinhos de satisfação com os meu gestos. Fico maravilhada com o quanto aquilo o relaxa. Faço agora o mesmo processo em suas mãos com meus lábios. Por fim eu as solto e volto a seu couro cabeludo e desço da nuca aos ombros e permaneço ali. Massageando enquanto aos pouco agora vou beijando o topo de sua cabeça sua testa, inclino a cabeça e beijo uma orelha de Henry e ele estremece, inclino do outro e beijo sua outra orelha, e ele estremece de novo. Inclino-me mais um pouco e beijo a lateral de seu pescoço e faço o mesmo do outro lado, e ao terminar, corro a pontinha de meu nariz inalando, e sinto todos os seus pelos se eriçar, e ele novamente suspirar. Assim, percebo que eu posso estar o provocando além e paro e volto a beijar só o topo de sua cabeça.
De repente ele abre os olhos e rapidamente levanta-se e ficando de joelhos em minha frente e sentando-se sobre seus pés que estão para trás, e com destreza, ele segura minha cintura e ergue-me encaixando-me em seu quadril, fazendo-me arfar e arregalar os olhos surpresa.
Creio que percebe que me assustei e que não estou compreendendo seu gesto de contato próximo depois de nossa conversa e diz:
– Não irei provoca-la, só a quero perto, algum problema? É muito para você?
Resolvo ser sincera.
– Desde que não me provoque, não. Eu posso suportar.
Ele me dá um sorriso.
E Continua a envolver com uma leve pressão minha cintura, colando meu corpo ao seu enquanto a outra e acaricia meu rosto. E diz:
– Amo quando você cuida de mim, mas se eu permitisse que continuasse eu iria dormir...
Não o deixei falar...
– E por que não o fez meu amor, esta era minha intensão, que descansasse.
– E perder isto? Um tempo maravilhoso de te ter em meus braços? Não prefiro isto.
E ele dá um sorriso maravilhoso, e eu digo-lhe;
– Eu amo você!
E não sei por que, mesmo eu já tendo dito estas palavras a Henry milhões de vezes e de milhões de formas diferentes, naquele momento, é diferente, a emoção que as envolve, é tão grande, que transborda em meus olhos, e não me dando por satisfeita, continuo:
– Eu amo você Henry, você é tudo para mim, eu não conseguiria jamais viver sem você amor, sinta. – Tomo sua mão que está em meu rosto e a levo ao meu coração, que neste momento está em total frenesi, como sempre fica quando estou ao lado dele. E prossigo. – Mesmo se eu disser o contrário com minhas palavras por algum motivo, tudo em mim me entregaria, meu coração seria o primeiro, pois, você é o único capaz de fazê-lo perder o ritmo e controle desta forma, e se ele não for o bastante, sinta. — Coloco sua mão agora em frente ao meu nariz para que observe minha respiração alterada, e agora levo sua mão a percorrer meu braço sentido os meu pelos totalmente arrepiados pela proximidade de sua presença. Assim digo. – Tudo em mim me entregaria, pois, não é só emocional, é físico, é fisiológico, é tudo, meu amor por você me altera completamente quando estamos próximos assim. Eu o amo demais Henry. Nunca se esqueça disto que eu estou te mostrando hoje, nunca. É impossível eu não amar você, você me alterou completamente.
A esta altura suas lágrimas corriam soltas por minha confissão. Ele toma meu queixo com uma mão, e agora tem a outra espalmada no final de minhas costas não permitindo que eu caísse para trás. Ele me olha com tanta profundidade que tenho a impressão que está desnudando minha alma e diz:
– Assim como você me mudou amor, também amo profundamente você. Amor eu amei o que fez ontem foi linda sua surpresa! Tenho medo demais de algum dia ficar sem você Valerie. O que seria de mim?
Dizendo isto, em seguida, ele agora leva sua mão e desliza-a por entre os meus cabelos acariciando minha nuca. E puxa minha cabeça, conduzindo meus lábios em direção aos seus.
Ali ele inicia um beijo doce, delicado, mas, ao mesmo tempo profundo e sensual e cheio de suspiros e gemidos dos dois. Cada contato é explorado com exatidão e com prazer.
Por fim, depois de um longo tempo, nos afastamos sem ar, porém, os olhos de Henry não se desgrudam dos meus.
Passamos o resto da tarde assim, envolvidos um no outro.
Saímos do bosque, quando começa a dar indícios de que breve irá anoitecer.
Entramos, tomamos banho, primeiro eu depois Henry, resolvemos juntar-nos aos outros para jantar.
O jantar inclusive é maravilhoso e tranquilo. Todos nós, conversamos e brincamos muito.
Ao terminarmos eu mamãe e Made, cuidamos da cozinha em quanto os rapazes vão para sala conversar.
Quando terminamos com a cozinha, nos juntamos a eles e ali brincamos e falamos mais um pouco.
De repente, sou tomada de um cansaço, o que Henry percebe e pede licença a todos para nos recolhermos.
Beijo minha mãe e desejo boa à noite a todos e eu e Henry deixamos a sala, após ele também se despedir.
***
Já no quarto, seguimos o ritual de nos vestirmos, um de cada vez.
Eu primeiro. E Henry vai em seguida, ao retornar, estou deitada em minha cama.
Ele pega minha Bíblia e segue com nosso hábito de lê-la juntos. Assim que o fazemos, ele passa um tempo deitado comigo ao meu lado, acariciando meus cabelos enquanto conversamos.
Após um bom tempo assim, ele pede-me licença e levanta-se a vai até o canto do quarto onde está o Alaúde de Elise, e volta dedilhando, e sentando-se na beira da cama, canta para mim, me fazendo chorar muito:
(PERFEITA – VALE A PENA OUVIR AQUI)
Sou Teu Anjo
(Anjos de Resgate)
Resolvi pedir a DEUS pra que eu possa te guardar
Ser teu ANJO protetor te velar e te cuidar
Quando eu precisei pôs tua vida em mim
DEUS permita-me ser teu ANJO aqui.
Eu pedi pra DEUS gravar o teu nome em minha mão
DEUS foi muito mais além te gravou em meu coração
Já não posso mais esquecer de ti
Tua vida DEUS transplantou em mim.
Há um ANJO aqui que intercede por ti
Trago um pedaço do céu num olhar pra te dar
Há um ANJO aqui bem pertinho de ti
Basta acreditar SOU TEU ANJO aqui.
O teu nome DEUS escreveu em mim.
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Quando Henry termina, eu estou aos prantos, sentada na cama, ele levanta-se guarda o alaúde, e volta agora, me puxa pela mão, até que eu fique de pé na cama, e me toma em seus braços me tirando da cama envolvida em sua cintura. Em meio ao choro, ele captura meus lábios e gira-nos no quarto. Depois de um longo e muito delicioso beijo apaixonado ele me deita novamente na cama, e ajoelha-se ao chão ao meu lado e diz:
- Estou retribuindo o seu lindo gesto, de cantar para mim.
- Eu amei, assim como eu amo você!
Digo sorrindo e ele devolve o sorriso e me beija docemente nos lábios.
E passa mais um tempo cantarolando para mim, enquanto beija meu rosto, acaricia meus cabelos, até que por fim adormeço segura e feliz em seus braços.
***
Sinto-me agitada, e de repente me dou conta de Henry ao longe, e quando tento alcança-lo, eu não consigo.
Aquilo me deixa angustiada, e começo a agitar-me tentando alcança-lo, e parece ser em vão.
Num dado instante em que estou prestes a conseguir, ouço uma risada sarcástica e apavorante.
Olho na direção da mesma, e entro em desespero com o que vejo. Pois, é aquele rosto que só me traz pavor, meu sangue gela na hora: é Mildrad...
Notas finais
E AÍ O QUE SERÁ ESTA CENA COM MILDRAD?
E o que Acharam DO CAPÍTULO???
Mereço Reviews e Recomendações???
Comentem e Recomendem. E se o fizerem até Semana que vem no Capítulo 50!!!
Obs. O spoiler, quando não mando por e-mail, estou colocando no face!!!
Mil Beijos!!!
MBGE
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