A Garota Da Capa Vermelha - Continuação.
50 VIAGEM A LIVERGOORN - O REENCONTRO - Capítulo 48.
Notas iniciais
POV HENRY
Nossa viagem hoje, está marcada para depois do almoço, e, assim que eu adiantar tudo aqui, eu parto para Grewnville para tomar o trem.
Oriento Cedrico em tudo o que for necessário, e sigo até a casa de Suzette. Nós, precisamos conversar a respeito de adiantar o casamento, caso eu consiga trazer Valerie, logo.
Ao ver-me, Suzette me dá um sorriso, mas, eu percebo que o mesmo não alcança o seu olhar. Ela está triste. Com certeza, ela também sente falta de Valerie.
Então, percebo que não sou apenas eu, que estou angustiado. Assim, ocorre-me uma ideia. Por mais que eu queira aproveitar estes dias, para ficar com Valerie, eu sei que não é justo, privar Suzette de estar com a filha. Ainda mais, se eu não conseguir trazê-la. Porque, assim, Suzette passará ainda mais dias sem vê-la. Dessa forma, decido que a convidarei para ir comigo.
— Olá Suzette, pelo visto as coisas não tem sido fáceis por aqui também?
Eu a pergunto, enquanto beijo o topo de sua cabeça.
Eu aprendi a ter muito carinho e respeito por minha sogra, e, eu percebo que ela adora isto, ela realmente me vê como um filho.
— Oi meu filho. Não, não está Henry. Eu sinto muita falta da minha menina, desculpe, eu sei que ela já é parte sua, mas, ela também será sempre minha.
— Claro Suzette, eu entendo.
Digo com sinceridade.
— E Henry, eu estou assim, por que além de sentir falta, eu estou angustiada, eu não tenho dormido, pois, estou bem preocupada com ela. E quando durmo, sou visitada por sonhos que me deixam mais apreensiva ainda. Mas, pelo que eu vejo, ao olhar para você, sou levada a acreditar, que as coisas não têm sido muito diferentes... você emagreceu, está com olheiras e seu rosto expressa preocupação.
Suzette é observadora.
— Bem, realmente comigo não é diferente, Suzette. Com isso, eu vim para avisá-la que eu estou indo para um treinamento de cinco dias em Livergoorn, pela Guarda do Reino. Mas, ao ver o seu estado, eu quero convidá-la para ir comigo. Pois, como Araon e Érion também irão, iremos ficar na casa de Marvel.
— Ah, meu filho eu quero sim, eu estou com muitas saudades, mas, eu não quero atrapalhar.
— Claro que não irá. Prepare-se, porque nós pegaremos o trem de depois do almoço em Grewnville. Eu e Camelot, passaremos aqui, daqui à uma hora, para te buscar.
— Tudo bem, obrigada Henry. — Ela me disse muito agradecida. — Pode passar que eu estarei pronta.
Despeço-me de Suzette e sigo o meu caminho, de volta para o casarão. Nem tenho como expressar, tudo o que eu sinto, quanto paro para pensar, que dentro de algumas horas, eu terei Valerie em meus braços.
Eu estou corroído por angústia, pela sua ausência. Como ela é extremamente necessária à minha vida.
Fico imaginando o que ela vai achar do nosso "chalé". Agora sim, tudo está à cara dela. Há a sua marca em tudo, tem cores, tem vida, é tudo claro, mais amplo.
Os móveis que ela escolheu, ficaram lindos, tudo faz lembrá-la, exatamente tudo. Penso que o maior motivo, seja por que ela é tudo para mim. Minha vida agora, gira em torno dela. Eu fico feliz por isto, porque tudo passou a ter um novo sentido. Ao lado de Valerie, a minha vida foi totalmente resignificada.
Chegando em casa, vovó me espera com todas as coisas prontas.
Eu tomo um banho e almoço, mesmo ainda sendo cedo, para poder seguir viagem.
Antes de partir, em um dado momento, ela me diz algo que mexe profundamente comigo.
— Sabe Henry, eu tenho visto meu filho, o quanto tens andado preocupado, angustiado e triste. Obviamente, eu também, tenho observado como você está abatido, diante da saudade. Mas, eu quero muito te dar um conselho.
— Sim vovó, eu quero ouvir. — Ela aproxima-se e diz:
— Vejo com muita clareza, o medo que tens de perdê-la Henry, e sei o quanto isto atormenta e apavora você. Mas, você precisa saber, que nada é mais forte que um verdadeiro amor. Pensa em tudo o que o Criador permitiu para poderem estar juntos. Seu pai não se casou com Suzette, Peter desapareceu, Valerie aprendeu a amar você... e, hoje ela o ama de verdade. Filho, todos nós temos problemas, medos, anseios e dificuldades, mas, poucos de nós, temos coragem verdadeira para lutar até o fim. E, eu sei que isto você tem. Você tem feito isto. E, eu acredito que você continuará fazendo. Portanto, no final, tudo valerá a pena, acredite.
Aquelas palavras, tomaram o meu coração. Senti que eu estava saindo daqui de forma diferente. Lágrimas inundaram os meus olhos e eu beijei o rosto e as mãos de minha avó, agradecendo. Ela retribuiu também, com beijos e lágrimas.
— Obrigado vovó, você tem razão, eu amo você.
— Também amo você filho, e estou aqui, para o que você precisar, e diga a minha neta, que eu estou morrendo de saudades dela...
Ela diz aquilo, ainda mais emocionada. E eu respondo...
— Digo sim vovó.
Parto em direção a casa de Suzette.
Conforme o combinado, eu e Camelot, que irá guiando a carruagem, já que ainda eu não contratei outro condutor, passamos na casa de Suzette, que me espera pronta.
Nós seguimos rumo a Grewnville.
***
Ao chegarmos a Grewnville, Araon e Érion me aguardavam ansiosos.
Suzette passa um tempo com a tia Clara.
Eu e os rapazes, passávamos o tempo, falando e planejando, a respeito dos dias que passaremos no Grande Reino... O mais interessante, é que agora, nós três, temos lindas mulheres para desfrutarmos da companhia, durante o nosso tempo livre.
No horário programado, seguimos para a estação, Camelot nos leva até lá. Ao embarcarmos, ele se despede de nós, e procuramos os nossos quatro acentos onde as poltronas ficavam de frente uma para outra.
Araon e Érion sentaram-se ao lado um do outro, e eu ao lado de Suzette.
— Nossa... Eu fico imaginando a reação das meninas ao chegarmos, elas não sabem de nada?
Suzette pergunta.
— Não. Não sabem Suzette. Será realmente uma surpresa.
Eu digo.
— E que surpresa!
Araon responde, sorrindo. No seu jeito descontraído, deixando Suzette sem graça e em seguida, se desculpando.
— Desculpe-me Suzette.
Ele diz contendo-se. O que faz Érion rir dele.
— Sem problemas, eu quero até propor, que as meninas me deixem dormir com a madame Oxford, para que elas descansem esta noite, visto que, elas têm revezado sozinhas.
— Sim, será realmente uma boa, pois, deve ser bastante cansativo. — Araon disse concordando, mas, como eu o conheço, eu bem sabia o que estava por trás de suas palavras. Érion também parece que entendeu como eu, pois, discretamente trocou um olhar cumplice comigo. Suzette, porém, manteve-se alheia ao real sentido do comentário.
Como eu sempre digo, moças que vivem no Grande Reino, geralmente são muito liberais. Portanto, como Made e Araon, estão juntos, isto quer dizer que realmente estão “juntos”.
Eu só fico me perguntando, quem visitará o quarto de quem esta noite? Porque, até onde eu sei, Valerie está dormindo com Made. Isto me deixa desconfortável. É claro que, eu espero que, eles não se atrevam a “fazer nada” no quarto, com ela ali.
Mas, eu confesso que, eu mesmo estou desesperado de desejo por Valerie. Entretanto, eu me lembro bem, do nosso compromisso. Todavia, eu preciso admitir que, se ela o deixasse de lado, a esta altura, eu não reclamaria.
No entanto, tranquiliza-me saber, que agora falta muito pouco para nos casarmos. Cada vez que eu penso que eu estou mais perto, mais fortemente eu sinto, o meu corpo e o meu íntimo anteciparem as sensações do reencontro.
O desejo de vê-la, de tocá-la e de senti-la, vai se tornando mais insuportável à medida que a distância diminui.
Conversamos muito, mas, por fim, o chacoalhar do trem fez-me adormecer.
***
Sinto uma mão tocar meu ombro e alguém dizer ao fundo...
— Deixa que eu faça isto do meu jeito Suzette. – É a voz de Araon.
— Não Araon, é muito desconfortável ser acordado no susto, e no mais, ele não tem dormido bem. Henry meu filho, acorde. Chegamos a Livergoorn.
Foi Suzette quem disse.
Rapidamente minha mente faz a conexão, Livergoorn... Viagem... Treinamento... Ver a minha noiva, Valerie, e num átimo, eu estou de olhos abertos.
— Desculpe, eu estava cansado.
Eu disse com voz de sono.
— Percebemos...
Disse Araon em tom de brincadeira, como é do seu feitio.
— Eu sei meu filho, desculpa acordá-lo, mas, só o fiz, por que chegamos.
— Que isso Suzette, eu agradeço.
Eu disse já me levantando.
Só agora me dou conta, o quanto é desconfortável passar horas de armadura, e o pior, dormir com ela.
Como estamos a serviço do reino. Tanto eu como, Araon, e Érion, precisamos estar devidamente arregimentados. E com nossas patentes a vista, o que é bastante desconfortável.
Araon percebendo meu desconforto diz...
— Este é um dos poucos inconvenientes.
Ele sorri para mim, e é seguido por Érion.
— Bem, na verdade, há piores.
Eu digo... Pois, para mim há sim, priores. E um deles, é ter que estar exposto a riscos, fazendo a sua família ficar de coração não mão. E outro, é estar longe dela em momentos importantes. E, agora, isto também é um motivo meu, de preocupação, desde que Valerie compartilhou comigo, sobre os seus temores de me ter como Guerreiro, eu não fico mais totalmente em paz, sabendo que isto gera aflição a ela.
Araon sorri. Pegamos nossas bagagens e seguimos para o desembarque.
A sensação de estar aqui, é maravilhosa. Saber que dentro de alguns minutos, desfrutarei da alegria de ter minha princesa nos braços, é simplesmente arrebatador.
Suzette também demonstra, pela expressão de sua face, estar bem mais feliz.
Araon, tem uma expressão de bobo, e creio que, por que, daqui a mais alguns minutos, verá Made. Mas, também creio que, eu não posso dizer nada, porque eu acredito estar da mesma forma, pois, todo o meu corpo já esta em expectativa por ver Valerie.
Como o previsto, o Comando nos deixou uma carruagem com um Condutor a disposição, para os dias que estivermos aqui.
Uma das grandes vantagens de se fazer parte da Guarda, é que temos muitos privilégios. Principalmente no meu caso, por ser capitão da Guarda de um vilarejo.
Entramos na carruagem e seguimos caminho, pelas ruas de Livergoorn, uma das cidades do Reino, que compõe o Grande Reino. A cidade dos Oxford’s.
Os rapazes conversavam alegremente, Araon estava empolgadíssimo, pois, breve também veria a sua amada Made, assim como, eu veria a minha Valerie.
Mas, no meu caso, eu sempre sou mais reservado e nestes momentos de expectativa, o que mais faço é refletir. Suzette parece perceber, aliás, eu tenho notado, que a minha sogra, é deveras observadora.
— Como vocês são diferentes, você e Araon, e mesmo assim, se dão maravilhosamente bem, como verdadeiros irmãos. Ele fica ainda mais agitado, mais falante, quando está ansioso. Mas, você, ainda mais calado e pensativo do que já é. — Suzette realmente observa.
— É verdade. – Dou um sorriso a ela. – E hoje, eu estou mesmo, muito ansioso, Suzette. Todos estes dias, sem Valerie, não têm sido fáceis para mim. E devo comunicar a você, que se se der tudo certo, eu já retorno para casa com ela, pois, eu não aguento mais ficar um dia, se quer, longe, eu cheguei ao meu limite.
Suzette me olhava atentamente. E seu olhar era de compreensão.
— Imagino meu filho, pois, eu também estou sentindo muita falta da minha menina. E você também se abateu muito nestes dias. Você emagreceu, as olheiras aumentaram. Mas, algo me diz, que com ela não deve ter sido diferente. – E pude mesmo ver em seus olhos a saudade e a falta de Valerie.
Estávamos tão entretidos em nossa conversa, que não percebemos mais nada.
Não demorou muito e a carruagem parou em frente à casa dos Oxford’s. Eu fiquei impressionado, pois, só percebi quando Araon disse...
— Enfim, chegamos. — Já se colocando de pé na ansiedade de descer logo. E eu disse, ao avistar pela janela que Aquiles estava de prontidão à frente da casa...
— Desçam na frente, que em seguida eu irei, eu preciso conversar com Aquiles antes.
— Sério? Não vai direto a Valerie? – Araon perguntou incrédulo.
— Sim, eu vou, mas eu quero, aproveitar o tempo em que ela estará entretida com vocês lá dentro, para pegar informações com Aquiles, de como tem sido tudo por aqui. E preciso fazer isto, sem ela. E tenho para mim, que depois, eu não conseguirei ficar sozinho com ele.
— Claro. Você está certo Henry. – Suzette disse. – E eu tento segurá-la lá dentro o máximo que eu puder. Apesar que eu sei, que não será uma tarefa fácil.
— Tudo bem, obrigado!
Eles seguem rumo a casa.
Eu retiro a couraça dianteira e traseira, da armadura e a proteção do braço deixando, junto ao elmo nas minhas coisas na carruagem, ficando somente com a malha e a espada na cintura. Desço e vou direto a Aquiles.
Ao ver-me ainda de equipamento, mesmo sem o elmo, Aquiles, faz reverência e eu o dispenso.
— Obrigado senhor. – Ele responde.
— Bom te ver Aquiles. – Ele concorda com a cabeça. – E como vão as coisas? Precisamos ser breves, então, me dê um resumo antes de Valerie chegar...
— Agora, elas estão tranquilas, senhor. Devo comunica-lo que, Mildrad esteve aqui. – Eu congelo, e fico extremamente tenso. Aquiles percebe... — Mas, não conseguiu de forma alguma chegar perto de sua senhora. Pois, como me ordenaste, fiz guarda na porta do quarto, por todos estes dias. Mas, as coisas não foram tranquilas, ele ficou furioso, e não queria acatar a ordem do irmão, o senhor Marvel, quando ordenou que saísse daqui. Marvel me autorizou a coloca-lo para fora e ele saiu furioso, dizendo que as coisas não ficariam assim. Ele indagou a Marvel para saber como ela estava resguardada e por fim, Marvel o revelou, que agora ela era sua noiva, portanto, o senhor havia providenciado escolta para ela. Ele saiu daqui possesso, dizendo que nem mesmo assim, ele seria impedido. Portanto, eu não a tenho deixado sozinha, em nenhum momento. Às vezes ela reclama, pois, eu imagino que não seja fácil, mas, eu tenho que dizer, que ela coopera bem. Percebo que ela tem muito medo dele e anda muito assustada com a situação. No mais, o que posso dizer, no momento, é isto.
— Obrigado Aquiles! Amanhã, eu estarei iniciando um treinamento na Guarda. Eu e os rapazes, fomos convocados, então, continue na espreita como se eu não estivesse aqui, não baixe à guarda.
— Sim senhor, ainda mais amanhã, onde as senhoras irão finalizar as compras.
— Amanhã?
Eu pergunto.
— Sim senhor. Elas irão cedo, com previsão de voltarem até a hora do almoço.
— Tudo bem, fique de olho, e qualquer coisa, me fale...
Bem neste momento, sou interrompido...
Sinto fortemente o seu cheiro, o que faz o meu coração disparar automaticamente.
Viro-me instantaneamente, em seguida, eu ouço o som de sua voz.
— HENRY! – Ela grita, correndo em minha direção, enquanto contemplo-a com um enorme sorriso no rosto.
Automaticamente, eu posiciono os meus braços estendidos para recebê-la em um abraço, também sorrindo. Mas, surpreendo-me quando ela pula, envolvendo seus braços em meu pescoço e envolvendo as suas pernas em minha cintura, num impulso.
— Ownt... Meu amor... – É a única coisa que eu consigo pronunciar.
Pois, antes que minha mente processe qualquer coisa, seus lábios encontram os meus...
Imediatamente, meus braços se fecham em sua cintura aninhando-a junto ao meu corpo, que já está saudoso demais pelo contato com o seu.
Um misto de ondas de calor e eletricidade, passam a percorrer cada extensão de mim, o calor que emana dela, que me aquece completamente.
O beijo é faminto, voraz.
Noto que nós dois compartilhamos da necessidade que está um do outro.
Ela começa a acariciar os meus cabelos com as suas mãos, enquanto puxa-me mais junto a ela.
Eu aperto, mais ainda, o seu corpo contra o meu, tentando sucumbir à falta que senti dela. Deslizo sensualmente uma de minhas mãos em suas costas, fazendo com que cada parte de mim reaja ao contato.
Suas pernas me apertam com fúria fazendo-nos colar ainda mais cada parte nossa, que se toca. Sinto cada pedacinho meu, corresponder, como se eu estivesse despertando para vida, que apenas Valerie, pode me oferecer.
É isto que eu sinto, quando eu estou com ela em meus braços, com a sua forma única de se oferecer a mim para me amar, eu me sinto vivo, pleno, completo.
Com uma de suas mãos, ela tenta explorar o meu rosto com os seus dedos, como se estivesse rememorando cada detalhe.
A esta altura, eu levo uma das minhas, para a sua coxa, para suster melhor o seu peso, fazendo-a gemer em meus lábios.
Quando já estamos quase sem ar, de repente, ela congela, e sei exatamente o por que. Ela se deu conta, conscientemente, da presença de Aquiles, e, eu admito, que isto, também me deixou desconcertado.
Então, afastamos os nossos rostos, e ao olhá-la, vejo-a completamente ruborizada. O que confirma o que pensei.
Viro-me em direção a Aquiles, que por mais que tente disfarçar, está totalmente sem jeito, faço um aceno com a cabeça me desculpando.
Saio imediatamente dali, com a minha noiva ainda nos meus braços.
Sigo o mais rápido que eu posso, até os fundos do terreno, com ela totalmente envolvida em mim, não permitindo que o nosso contato corporal seja quebrado em nada. Ela me olha confusa, quando percebe que eu estou saindo em direção ao portão dos fundos.
E o que faço é dar um sorriso a ela.
A casa dos Oxford’s, fica localizada, próxima a um pequeno bosque, onde corre um riacho, coisa de cinco minutos, andando por uma pequena trilha.
Eu adorava passar as tardes ali com Marvel na minha adolescência quando eu e meu pai vínhamos para cá. Era um refúgio.
Há um portão, nos fundos do terreno, que dá acesso ao bosque. E é para lá que eu sigo, em busca de privacidade com a minha noiva. Como sei que ela ama natureza, ali seria perfeito.
Ela vai observando o trajeto e por fim fala...
— Vai me sequestrar Sr. Lazar?
Ela diz me provocando e mordendo levemente a minha orelha, e em seguida, beijando o local com os seus lábios quentes fazendo-me arrepiar da cabeça aos pés.
— Estou considerando esta hipótese... E também estou muito tentado pela mesma, Sta. Valerie. Pois, eu tenho um enorme interesse de tê-la só para mim neste momento. Por que, você vai pedir por socorro minha prisioneira? – Eu digo com uma voz sedutora, devolvendo a provocação.
— Claro que não! – Ela diz acariciando as mechas dos meus cabelos, com dedos delicados. — Afinal, eu amo o meu sequestrador, e gostaria muito que ele não me devolvesse por resgate nenhum, e se possível eu quero passar o resto da minha vida sobre o seu domínio. – Ela sorri tão linda, e eu devolvo o sorriso, então ela diz...
— Senti tanto a sua falta lindo! Nunca mais, eu quero ficar sem você Henry.
E aquelas palavras desmancham o meu coração. E ela beija meus lábios de forma doce.
— Assim como eu senti de você princesa, eu quase enlouqueci sem você Valerie. Mas, eu estou feliz, porque que pelo menos para isto a viagem serviu, você terminou de recuperar a sua espontaneidade comigo, aquela sensação de afastamento, realmente, se dissipou de vez!
Ela cora muito e fala...
— Verdade Henry, a saudade falou mais alto amor!
E ao dizer isto, percebo que chegamos. E ela olha maravilhada para tudo, mas, muito rapidamente, pois, logo o seu olhar faminto, recai sobre mim. O que me faz desejar expressar-lhe:
— Amo você minha noiva linda!
— Também amo você demais Henry! Amor, eu posso tirar a malha da sua armadura?
Ela me pergunta.
— Claro, e eu também preciso tirar isto.
Digo, retirando o cinto com a espada e colocando ao chão, próximo de onde escolhi para ficarmos. E ali, Valerie também deposita a malha da armadura.
Percebo que ela está mais magra e que, o seu peso diminuiu consideravelmente e os olhos expressam cansaço.
No mesmo momento, ela parece constatar as diferenças em mim, pois, toca com os seus dedos delicados, as minhas olheiras.
Enquanto ela me olha me sondando eu sento-me com ela, ainda envolvida em mim, em um local onde há grama espessa. Sinto quando o seu quadril se encaixa no meu, perfeitamente, e o contato é bem íntimo e o calor já cresce consideravelmente em meu baixo ventre.
Ela continua a olhar em meus olhos com profundidade, enquanto acaricia a minha nuca e as mechas do meu cabelo. Seu olhar me transmite amor e paixão.
Involuntariamente, eu aumento o aperto em sua cintura, e aquilo nos tira do torpor, ela agora me olha com ainda mais intensidade, e começa a oscilar seu olhar dos meus olhos para os meus lábios. Isto é o suficiente, para me incentivar a tomar os seus lábios nos meus.
O beijo começa delicado e tranquilo, mas, aos poucos é preenchido com um fogo avassalador.
A fome, a vontade que tenho sentido dela, vem com força total.
Ao que parece o mesmo está acontecendo com ela, porque os seus braços, me puxam para si, com uma força poderosa e suas mãos acariciam minhas costas e minha nuca com ousadia.
Sua boca devora a minha com deleite. Sua língua trabalha ávida buscando cada vez mais contato com a minha. Surpreendo-me quando ela suga minha língua, com precisão, na primeira vez com timidez, e aquilo arranca um gemido rouco de mim, e meu corpo inteiro, é aquecido com o gesto.
Ela repete, e, na segunda vez, creio que incentivada por minha reação, pois, a esta altura, até as batidas do meu coração já me entregavam, ela o faz com firmeza e de maneira mais desinibida e mais forte. Aquilo é muito sensual, de uma forma incrivelmente gostosa. O que explode a intensidade do nosso beijo.
Como havia manifestação de saudade naquele beijo...
Nós, tínhamos uma urgência tão grande um do outro, mais tão grande, que nenhum dos dois, parecia querer se afastar em busca de ar.
Nossas mãos, agora exploravam o corpo um do outro ainda que, com restrições, mas, eu confesso, o desejo de tocá-la intimamente era insuportável.
Mas, de repente, quando a vontade de aprofundar tudo aquilo cresce em demasia, ela afasta-se e me da um selinho encerrando o beijo... E eu fico um pouco confuso... Ela percebe e fala:
— E o nada de beijos intensos e demorados, lindo? – Ela me diz, parecendo recobrar o seu controle. E também, para encerrar o momento intenso, creio que com receio de que cedêssemos às provocações.
— Ah, minha amada, por favor, eu estou com tanta saudade dos seus beijos amor. E que delícia foi este beijo Valerie! Amei o que fez com minha língua amor, foi muito gostoso. – Digo, a ela e ela cora profundamente.
Sinto que, eu estou de certa forma frustrado, pois, eu sabia sim, do compromisso e das estratégias que traçamos e também sabia que se permanecêssemos naquele ritmo, carentes como estamos, um do outro, logo não teria volta.
No entanto, confesso que eu achei, que ela cederia, que a saudade falaria mais alto. Então, movido por isto, eu disse:
— Mas, pelo visto, você não está com tanta saudade dos meus beijos. Pois, deixou os meus lábios, tão rápido...
Eu disse, fazendo expressão de tristeza para ela. Sei mesmo, que combinamos estratégias, mas eu pensei que depois de tantos dias, ela abriria mão de algumas coisas.
Mas, de certa forma, eu a entendo, se ultrapassarmos demais, os limites, da maneira em que nos encontramos, ou seja, desesperados um pelo outro, não haverá volta.
Entretanto, no fundo me agrada o fato de não ter volta. Acho que, realmente a história de Araon com Made mexeu comigo.
— Henry, perdoe-me meu amor. Porém, se eu passar daqui eu não posso me garantir mais, lindo. Eu estou sedenta demais por você amor. E não diga mais isto Henry, por favor. Como você pode pensar uma coisa desta?
— Como não pensar Valerie? Se depois de tantos dias sem mim, você se esquivar assim? – Eu disse pressionando-a. Mas, estranhando-me por fazê-lo.
— Henry... sinceramente, eu não acredito que você está dizendo isto para mim. — Ela disse magoada. — Eu estava com tanta saudade de você, dos seus beijos e tudo em você amor, que eu praticamente te agarrei em frente ao Aquiles, se é que você não percebeu. Amor, agora mesmo, eu estou aqui em um dilema, morrendo de desejo por você Henry. Mas, e o nosso compromisso? Eu pensei que estava de pé ainda... e no mais, eu já te falei, eu não sou como você. Eu não consigo recuar se as coisas avançarem demais, e, eu não sinto que eu posso confiar em você para isto, depois que você ficou curado amor. Será que você irá suportar? Por isto, eu estou agindo assim, me perdoe Henry.
Ela disse tudo com um semblante tão tristonho, que me arrependi de tê-la forçado. E me deu mais tristeza ainda, quando ela abaixou os olhos.
Peguei o seu queixo e ergui o seu rosto. Apavorei-me completamente, quando eu vi lágrimas correrem de seus olhos. E também notei que ela desviava o seu olhar do meu.
— Princesa, o que houve? Perdoe-me Valerie, eu magoei você amor? Eu não tive a intensão. Fala para mim, eu preciso saber.
Ela fungou, puxou o ar e depois disse.
— Eu fiquei triste por você achar que eu não senti saudades de você. Como você pôde pensar uma coisa destas Henry? Eu mal tenho conseguido dormir, este é o motivo de eu ficar com a mãe de Made, todas as noites, eu que lhe pedi para fazer isto. Até mesmo, para que ela aproveitasse para descansar no período que eu estou aqui, eu posso fazer isto por ela, já que eu quase não tenho dormido. Sofro quando vejo os casais na rua, sofro quando vejo Made com Araon, sofri o dia em que eu passei à tarde com Ananda, pois, ela me fazia lembrar de você o tempo todo, e você tem a coragem de me dizer isto? Eu estou arrasada Henry, sinceramente, eu nunca esperava ouvir isto de você. Eu quero ir para casa, vamos.
Ela disse tentando se levantar, mas, eu não permiti. Ao contrário, eu a abracei puxando-a mais para mim.
Hum, ela realmente se entristeceu. O que me trouxe uma imensa vergonha e tristeza pelo que eu fiz. Então, eu lhe abracei, bem apertado e olhei em seus olhos.
— Amor, me perdoe Valerie. Eu não deveria ter dito isto, pois, eu sei que este foi um acordo nosso. E eu preciso te confessar uma coisa, amor... – E mesmo morrendo de vergonha eu falaria que eu estava com vontade de ter a liberdade que Araon estava tendo com Made naquele momento. — O fato de que Araon e Made não se importam em comemorarem a chegada dele, você sabe como... Deixou-me com vontade linda, me perdoe. Eu fui fraco e covarde te dizendo aquilo amor, eu sei e reconheço que você sofreu por minha ausência tanto quanto eu sofri pela sua. Pois, eu percebi nas suas olheiras, na forma com que você perdeu peso. Valerie, realmente me perdoe. Não saia daqui sem me perdoar, meu coração, por favor. Eu amo você princesa e fui um tolo, eu prometo não fazer mais isto.
Agora meus olhos também tinham lágrimas. E como ela não disse nada eu prossegui.
— Me perdoe, por favor, é que o meu desejo por você falou mais alto amor. Mas, foi só por um momento.
Ela me olhava com tanta tristeza. Eu tenho certeza que ela podia ver a minha também, em meus olhos. De repente ela disse...
— O que nós dois estamos fazendo? Nós passamos tantos dias longe um do outro, ansiando por este momento, eu cheguei a sonhar com isto, e o que estamos fazendo com ele agora Henry? Ela diz e acaricia o meu rosto... Fecho os olhos para absorver o gesto e a sensação que ele me causa, e é esplêndida!
— Amo você Valerie, me desculpe amor.
— Me desculpa você também lindo!
— Não. Desta vez, eu não tenho do que te desculpar, eu sabia...
Ela não me deixou terminar, seus lábios colaram nos meus com fúria. Ela envolveu minha nuca com uma mão, e acariciava as mechas de meus cabelos com a outra, e disse em meus lábios.
— Nunca duvide do quanto eu amo, e desejo você. E nunca duvide de o quanto eu sinto a sua falta, eu amo demais você Henry, cada segundo sem você foi como se um ácido estivesse corroendo o meu coração pouco a pouco amor, a dor foi agonizante.
Então, ela puxa os meus cabelos para me olhar e diz...
— Não consigo ficar mais um dia se quer, aqui sem você Henry. Quero ir embora com você, no dia em que você for amor...
— Eu também Valerie. E, também não quero esperar mais pela casa, ou pela reforma. Vamos nos casar logo, eu mão suporto mais esta espera, chega! Nós dois estamos sofrendo. Isto está mexendo conosco. Não gosto de brigar, ou ao menos, discutir com você, meu coração.
Digo olhando em seus olhos e depois, eu volto aos seus lábios em desespero. Toda esta espera, tem nos sufocado, pode não ser longa para quem está de fora, mas, para nós é, e muito.
E, agora que o chalé está pronto, não há mesmo por que esperar. Realmente chega. Mas, o chalé ainda será uma surpresa, que ela só verá ao chegar a Daggorhorn. Assim eu concluo:
— Está decidido então Valerie, inclusive, eu já tinha dito a sua mãe, que eu te levaria comigo. Eu também não suporto mais. E quanto ao que você disse, eu realmente acredito que você sentiu a minha falta amor, eu nunca me senti tão...
Ela não me permitiu terminar. Beijou os meus lábios rapidamente e disse:
— Nós não vamos mais falar sobre isto, já nos desculpamos, lindo. Isso é passado, agora eu quero aproveitar você, sua presença, meu noivo!
— Hum.... Isto muito me agrada minha noiva. E obrigado por me compreender mesmo quando eu ajo como um tolo, meu coração.
Ela abre um lindo sorriso e eu pergunto:
— O que foi?
— Você nunca havia me chamado assim, e agora já me chamou três vezes, seu lindo, e é tão romântico!
— Hum... – Digo, roçando seus lábios com os meus para provoca-la. – Você gostou?
— Demais amor! O que o inspirou?
Ela diz também provocando os meus lábios.
— Hum.... Eu estava na estação aguardando o trem, e vi um casal passarem... eu ouvi o rapaz, chamar a sua parceira assim, e pensei que seria mais uma bela maneira de chama-la, já que é a mais pura verdade, você é o meu coração, pois, o meu amor por você ocupa praticamente todo ele.
Digo e volto a beijá-la com vontade, e em seguida, ela passa a correr seus beijos, por todo o meu rosto, meu queixo, meu pescoço e vai até a minha orelha e morde suavemente e diz.
— Hum.... Que gostoso ouvir isto Henry, adoro quando você está inspirado e é mais romântico do que já é. – Ela diz isto com carinho e agora diz com uma voz sincera, mas, percebo que o objetivo não é provocação. — Lindo, eu sei que nos queremos demais neste momento, e, eu quero que você saiba, que se você realmente estiver disposto, eu estou aqui por você amor. Sei que agora que você está curado, esta espera, tem te causado sofrimento, não suporto te ver sofrendo meu guerreiro lindo. E este compromisso foi para os dois, não só por mim, ou por você isoladamente. Então, ele só tem validade se trouxer benefício aos dois. Eu amo você, e quero que saiba que eu também quero muito você Henry.
Apesar de, a minha primeira reação, diante destas palavras dela, ser, ficar ainda mais cheio de desejo de torna-la minha, agora mesmo, elas também me comovem, pois, mais uma vez, eu comprovo que ela seria capaz de qualquer coisa por mim. Mais uma vez, ela demonstra para mim, a sua, total entrega. Puxo o seu rosto, para olhar em seus olhos e digo...
— Eu também a amo demais Valerie. E eu a quero muito, com cada parte de mim. Eu realmente estou em desespero por fazer amor com você, de possuí-la, tornando-a minha mulher mais uma vez..., mas... se nós esperamos até agora, justo agora, que está tão perto, eu não vou ceder linda, perdoe mesmo minha fraqueza. E amor, é sério, eu também, nunca mais quero ficar longe de você assim, eu não suportaria. Foi terrível. Eu senti falta de tudo amor, das nossas conversas, da sua maneira de cuidar de mim, de poder cuidar de você, de dormir abraçado a você. Da sua teimosia. E claro, dos seus beijos, de suas carícias, dos seus gestos comigo, de estar próximo ao seu corpo, e também, sinto falta a cada segundo da maneira única que você tem de me amar Valerie.
— Obrigada lindo! Também senti demais a sua falta Henry. Também das nossas conversas, de cuidar de você e das suas coisas, de passar os fins da tarde com você, de acordar com você. Mas, uma coisa que eu realmente tenho sentido, é falta de dormir com você Henry, é uma tortura dormir sem seu abraço e sem as suas carícias Henry, eu sinto falta demais do calor do seu corpo junto ao meu. É um vício sem o qual não consigo mais viver.
— Eu também amor. Te amo, te amo, te amo. – Digo intercalando com beijos em seus lábios.
A esta altura continuamos sentados na grama, aliás, eu na grama e ela em meu colo, de frente para mim, com as suas pernas agora à vontade, uma de cada lado meu. As minhas, esticadas sobre a grama.
Ao terminar de intercalar beijos com te amo, eu digo-lhe olhando em seus olhos...
— Amor, eu posso mesmo antecipar o casamento?
— Sim, claro que pode Henry. Eu quero mesmo, me tornar logo a sua Sra. Lazar. Mas, isto é claro, se você quiser, e puder amor.
— Não só posso e quero, como eu vou fazer isto então! Mas, Valerie, eu preciso conversar sobre algo, Aquiles me disse sobre a vinda de Mildrad aqui...
Ela estremeceu, como sempre acontece ao ouvir o nome. Mas, falou...
— Sim, amor, mas, graças ao Criador, ao Aquiles e ao Marvel, eu não o vi. Mas, sim, ele teve a audácia Henry, de vir aqui.
Meu ódio, só de pensar neste ser desprezível debaixo, do mesmo teto que a minha noiva é terrível.
— E, Henry... Ananda trouxe mais uma porção de informações importantes sobre ele.
— Eu sei amor, ela as levou para o tio e a tia, e eles me comunicaram através de Araon. Estamos no encalço dele amor. E mais, Aquiles tem muitos acessos e ele tem tomado inúmeras providências enquanto está aqui, através de seus contatos. Ele é extremamente bom no que faz Valerie.
— Eu já percebi príncipe. Ele não brinca em serviço.
Ela me olhava admirada, com um olhar cobiçoso, que por incrível que pareça me deixou tímido e corado, eu pude sentir. E, então, ela disse:
— Assim como você meu guerreiro lindo. – Seu elogio fez meu rosto arder. – Henry eu nunca podia imaginar que você ficasse tão lindo e sensual de armadura amor. Eu nem acredito que tudo isto é meu? É mesmo meu? Eu não estou sonhando?
Seus comentários me deixaram ainda mais envergonhado, mas, devo dizer, que o meu ego de homem, estava no nível máximo. Eu resolvo lhe expressar...
— Claro que eu sou seu, sou tudo o que você quiser, e totalmente seu...
Ela me olha com seu olhar faceiro e sapeca que amo tanto e fala...
— Hum... Príncipe, eu gostei disto. Então eu posso começar a fazer uma lista: meu homem lindo, meu guerreiro, meu noivo, meu futuro esposo, meu amante delicioso... E isto me deu algumas ideias...
Sinto o meu rosto ainda mais quente. Olho curioso para ela e pergunto...
— Que ideias Valerie? Eu quero saber!
Ela me olha com um pequeno sorriso brincando nos lábios e diz:
— Ainda não é tempo de falarmos sobre isto príncipe, prometo que na hora certa, falaremos, certo?
Se ela disse, por mais que eu estivesse curioso, eu imagino que ela estivesse com razão.
— Certo.
E agora um pouco desconfortável ela diz:
— E... Amor... – Eu senti que ela estava hesitando falar. – As mulheres aqui são terríveis, Henry. Elas não podem ver um homem de armadura acredita? E isto me deixa preocupada, pois, Araon disse, que vocês terão de usá-las enquanto estiverem aqui, pois, vocês estão a serviço do Reino. E você já é um homem lindo que chama a atenção por onde passa, imagina de guerreiro Henry, eu mesmo estou aqui me contendo para não fazer nada impensado. – Ela me disse com o rosto repleto de expressão de ciúme e preocupação. Ela estava sendo sincera. E eu fui também:
— É verdade amor. Mas, não se preocupe, não é delas que eu preciso. Não é nenhuma delas que eu desejo, eu só tenho olhos para você. Você é a única mulher que povoa os meus pensamentos, meu coração e minhas fantasias de homem Valerie, é a você, somente você, que eu desejo.
— Ai, ai, lindo, você diz isto, e eu acredito, mas, foi exatamente aqui neste meio que você teve as suas aventuras Henry... – Ela diz chorosa...
E mais uma vez eu me arrependo do que eu fiz no passado...
— Amor, sinceramente, esquece isto. Isto é passado, e um passado que eu odeio lembrar. Amor, você é o meu presente e será o meu futuro para sempre. Entenda isto. – Ela ficou um pouco pensativa, então disse...
— Tem razão, desculpa Henry.
— Tudo bem princesa, eu entendo você! E amor... Eu não gostei de termos discutido, eu realmente não quero mais passar por isto, foi bem desconfortável para mim, isto está ficando mais frequente, e eu odeio. Já basta a situação que houve pelo meu ciúme de Érion com você.
— Eu também não gostei Henry. Mas, você precisa entender uma coisa. Que nem sempre, tudo será um mar de flores. E de certa forma, eu até fico feliz que tenha acontecido, pois, nos mostra que aquela fase só de encantamento, está passando príncipe. E acho importante que isto esteja acontecendo antes de nos casarmos. Pois, se não houvéssemos experimentado isto antes do casamento, poderíamos acreditar, que alguma coisa estaria errada conosco depois. E não é verdade. Haverá dias difíceis, em que você terá problemas no trabalho e chegará em casa sem tanta disposição para falar, ainda mais você, que é muito reservado. Por mais que você já esteja se esforçando para aprender a dividir os fardos, hábitos antigos mudam aos poucos, e muitas vezes, nós somos tentados a repeti-los. Daí é que eu sempre digo, ainda bem que dialogamos muito, pois, nestes momentos, precisaremos ter sabedoria de esperar o momento certo para falarmos abertamente sobre o que nos incomoda, um para o outro. O fato de que, nós iremos trabalhar juntos, também deverá ser bem administrado meu amor. A relação do Henry e da Valerie como casal, deverá ser uma, e vista de uma forma. Já a relação do Sr. e da Sra. Lazar, parceiros de trabalho, deve ser outra, e administrada de outra forma, e, o mais importante, ela não pode e não deve interferir na relação pessoal diária nossa, Henry. E este é um equilíbrio que nós precisaremos ter amor, para que não haja desgaste na nossa relação.
Eu fiquei admirado com tudo que ela me disse, porque ela estava coberta de razão. Às vezes, eu acho até graça, pois nem parece que eu tenho vinte e seis anos e Valerie somente dezenove. Ela é madura demais. Eu resolvo dizer algo a ela.
— Sabe amor, você está certíssima. E Valerie... Depois, você me vem com aquela história que não se sente a minha altura, e que não está pronta para mim. Tem horas que eu acho exatamente o contrário, eu me sinto com dezenove anos e você com vinte seis. – E descontraidamente nós rimos e ela diz.
— Ah... É mesmo Sr. Lazar? Quer dizer que, eu estou parecendo ter vinte e seis anos, não é? Poxa vida, você está me chamando de velha, Henry? – Ela diz em tom chateado, mas, de pura brincadeira. O que me faz rir. Ela agora sorri maliciosamente para mim. – Vou te dar uma lição por me chamar de velha, Henry. Pois, isto não é algo que se diga a uma mulher.
E no mesmo momento, ela faz algo que me pega de surpresa, ela cutuca as minhas costelas, me fazendo pular com ela junto, e ela aproveita o meu desequilíbrio e me empurra para deitar-me na grama. E começa suas investidas de cócegas em mim. Fazendo-me rir muito e dizer.
— Ah não amor... pare, eu... não quis... chamar-te de velha... – Digo ofegante. – Eu só quis dizer... que, às vezes... você é... mais madura, do que eu.
— Ah é? Mais madura é sinônimo de velha. Henry, não me enrola...
Ela diz, aumentando as investidas e rindo muito, fazendo o meu corpo todo convulsionar e estremecer. O que provoca um atrito onde “perigosamente” nos tocamos, pois, ao me jogar para trás, ela permaneceu na mesma posição e nossas intimidades se tocavam agora com mais liberdade, e claro, pelo visto eu dei-me conta disto antes dela.
Eu já estava totalmente consciente do fato. Então, para não a deixar perceber e tornar o momento perigoso ou constrangedor, e não me provocar além do que eu suportasse, pois, eu já sentia o quando minha masculinidade estava confortável com aquela posição, pois, o contato era muito gostoso, o calor era convidativo.
Assim, eu me esforcei para abraça-la contendo-a e fazendo-a deitar-se sobre mim. Prendi os seus braços juntamente com o seu corpo em meu abraço. E puxei-a mais para cima, para falar em seu ouvido, e obviamente para afastá-la da “zona perigosa”.
— Hum.... Agora você é minha prisioneira, e terá de fazer o que eu quiser. Inclusive ouvir minha explicação. — Ela olha para mim e sorri, mas, ao contrário do que eu imaginava, ela não se debate, apenas diz.
— Sim, sou sua prisioneira, e de muito bom grado. Meu sequestrador particular que eu amo tanto. Quer me castigar também? Fique a vontade amor! – Ela diz me provocando. Só assim, me dou conta de o quanto Valerie é realmente um perigo para mim, no quesito provocação, ela vai sem pena, nos meus pontos fracos. Mas, eu resolvo dar a ela, uma lição.
— Sério isto? Qualquer castigo?
— Claro! – Ela diz tão elétrica que chega a me deixar ansioso. Como pode? O que esta criatura que eu amo é capaz de fazer comigo?
Viro-me junto com ela deixando-a sob o meu corpo, e encaixo-me entre suas pernas, e claro, não permito que o meu peso fique totalmente sobre ela, mas a pressão que permito meu corpo ter sobre o seu, é o suficiente para colar os dois na altura dos quadris, a esta altura, já estou completamente excitado.
Como é impressionante, o quanto eu preciso de tão pouco estímulo, para excitar-me e encher-me de desejo por Valerie. Minha ereção já é evidente, e involuntariamente pressiono meu quadril contra o dela, aninhando delicadamente minha masculinidade em sua intimidade, e mesmo com a barreira das roupas, aquilo é tão intenso, que nos faz gemer.
Instantaneamente, ela arregala os olhos de surpresa e suas írises escurecem-se consideravelmente, mostrando-me que seu desejo também está desperto. E, eu tenho certeza, que os meus olhos já evidenciam o mesmo.
Porém, ela não me rejeita.
Ela fica em total silêncio e somente me olhando. A quietude é tão grande, que ouvimos agora cada respiração nossa e até o som das águas correndo no riacho. Meus braços estão um de cada lado de sua cabeça e os seus presos entre os nossos corpos.
Sinto-os se mexerem querendo se soltar, então, ergo apenas um pouco, o meu corpo para que ela possa libertá-los, e em seguida, e eu o desço novamente. O que a leva a gemer de novo, mas, de satisfação pelo atrito de nossas intimidades.
Agora, com as mãos e braços livres, ela segura a minha nuca, com uma mão acariciando as mechas de cabelos, próximas dali. Ela acaricia o meu rosto com a outra. Mas, nunca desvia seus olhos dos meus. E no seu olhar, ela me transmite a força esmagadora do seu amor. E eu procuro fazer o mesmo a ela.
Neste minuto, lembro-me do que desejo fazer.
Beijo, a sua testa demoradamente. Então, eu beijo a pontinha do seu nariz, em seguida, passo os meus lábios roçando nos seus, sem beijá-los, levando-a a gemer para mim. Então, eu beijo o seu queixo.
Vou deslizando os lábios até o seu rosto, passando pelo cantinho de seus lábios ainda sem beijá-los, assim, eu beijo um lado de seu rosto. E faço o mesmo processo do outro lado, começando pelo queixo de novo.
Agora, deslizo os meus lábios até o seu pescoço e beijo ali e ela geme baixinho de novo. Desço até o seu ombro, e beijo novamente. E mordo em seguida, fazendo-a estremecer debaixo de mim, fazendo-me arrepiar completamente com mais um atrito gostoso que seu estremecimento provoca em nossas intimidades, e, não resistindo ela geme o meu nome.
— Henry...
O que faz meu corpo despertar ainda mais. E ela também sente, pois, minha ereção a esta altura já é muito mais evidente. Faço o mesmo processo do outro lado.
Percebo que ela está contendo as reações, creio que com medo de me provocar ou de se render. Não sei... mas, ainda sim, em alguns momentos, deixa escapar pequenos gemidos que realmente são capazes de mexer comigo.
Volto agora a mergulhar nos seus olhos, e seu desejo clama por mim em seu olhar. Mas, ainda assim, ela não se rende.
Beijo novamente a sua testa, para em seguida, tocar a pontinha dos nossos narizes enquanto nos olhamos. Posso sentir seu hálito doce e gostoso em meu rosto. Então, por fim, ela diz totalmente rendida a mim.
— Não aguento mais amor. Por favor, eu quero os seus lábios nos meus.
Por mais que, a minha vontade fosse fazer exatamente o que ela quer e até muito mais... Eu respondo...
— Hum.... Não entendi meu coração, o que mesmo você quer?
Eu digo provocando-lhe.
— Quero que me beije amor.
Ela diz dengosa.
— Mas, eu estou te beijando minha amada, já te dei vários beijos...
Digo-lhe provocando-a novamente.
— Quero a sua boca na minha, Henry, quero sentir seus lábios nos meus. Por favor, lindo! Eu preciso de você amor.
E por mais que eu queira protelar mais, eu não consigo. Pois, a minha ânsia por aqueles lábios é insuportável. E lentamente, eu levo os meus lábios aos seus, beijando-a, sem pressa, para não nos provocarmos além do que já estamos, pois, a proximidade de nossos corpos agora é profundamente arrebatadora, se é que isto ainda seja possível...
O beijo é delicioso, exploramos lentamente cada cantinho que sentimos falta durante este período de distância. Ela me envolve em um abraço tão gostoso... Então, eu deixo seus lábios e digo-lhe, olhando em suas imensidões verdes que eu adoro:
— Como eu senti falta disto amor. Eu não posso mais viver sem você Valerie. Promete que nunca mais irá me deixar amor? Eu não suportaria. Eu amo você princesa. – eu digo com carinho.
— Claro que eu prometo, pelo menos, não por minha vontade, eu também não suportaria viver sem você lindo. Amo você Henry.
— Obrigado por me amar amor. Você é tudo para mim.
Passo a beijá-la novamente, porém o beijo agora é muito mais intenso, mordo levemente seu lábio inferior, e ela estremece e puxa-me mais fortemente junto ao seu corpo. Fazendo-me gemer de prazer por cada contato.
Cada sensação que desfrutamos é deliciosa, e me perco em cada uma delas, e Valerie parece fazer o mesmo. Então, eu digo a ela...
— Eu gostaria... de congelar... Os nossos momentos assim... Para sempre amor. – Digo em seus lábios, pois, eu não sinto o mínimo desejo de abandoná-los.
Ela responde-me também, sem abandonar os meus...
— Eu também... Mas, não exatamente estes... Prefiro os mais intensos, amor... – Ela diz em meus lábios, me provocando.
— Eu também linda... Breve os teremos quando quisermos.
— Hum.... Agrada-me demais isto.
E continuamos a nos beijar. Só que de repente, somos surpreendidos com um grito que nos faz travar e congelar...
— SENHOR? Sr. Lazar?
— Aquiles!
Eu e Valerie dizemos juntos. Nós nos levantamos e sentamos de frente um para o outro em alerta máximo. E rapidamente, pego a malha da armadura, para cobrir as “evidências do meu estado”. O que Valerie nota e fica vermelha. Porém, damos pouca atenção ao fato.
— Aqui Aquiles, próximo ao riacho. – Eu digo aflito.
Passam-se apenas dois minutos e ele aparece, com um semblante de pura ira e preocupação.
— Desculpe Senhor e desculpe Senhora. Mas, quando eu percebi que demoraram aparecer, vim em busca de algum sinal, para me certificar que vocês estavam bem. Vi o portão dos fundos encostado, e resolvi montar guarda pelo lado de fora. Porém, percebi alguns ruídos estranhos vindos da mata, e não da trilha para o riacho. Assim, eu resolvi sair para averiguar. E para minha surpresa, quem eu pego espionando esta região, perto de uma árvore no meio do bosque? Só que quando eu o vi ele estava a uma boa distância de mim, e sobre seu cavalo.
— Mildrad?
Eu respondo em forma de pergunta, já sentindo que todo o desejo deixou meu corpo, sendo substituído, por uma descarga de cólera, repentinamente, eu me coloco em pé tomando posse da espada. E Valerie me segue se posiciona atrás de mim agarrando-se a minha cintura, em total desespero e alerta.
— Amor, eu quero sair daqui!
Ela diz, já chorando, o que me leva a ficar irado completamente com aquela criatura hedionda. Viro-me e abraço-a...
— Fique calma meu amor, eu estou aqui. Aquiles também, ele não vai chegar perto de você Valerie.
Olho de esguelha para Aquiles, e percebo que ele está infeliz com a situação, sinto que a esta altura, a coisa já se tornou pessoal para ele também, por ver o terror que aquilo causa a Valerie, e ele gosta muito dela.
— Como não Henry! Ele está cada vez mais perto, eu não aguento mais esta tortura, viver presa, viver fugindo... Ter medo de ele fazer algo com você amor, ele pode não estar sozinho.
Valerie diz aos prantos. E bem na hora em que ela diz isto, Aquiles congela, e afirma com a cabeça confirmando para mim que Mildrad não estava só. Só que Valerie não viu, pois está agora, com seu rosto enterrado em meu peito, chorando.
Por mais que eu tente me conter, minha fúria é tão grande, que eu começo a estremecer. Valerie percebe. Ela olha para mim e diz em meio às lágrimas.
— Vamos sair daqui Henry, por favor...
Eu confirmo com a cabeça.
— Vamos avisar aos rapazes. Eu vou te deixar lá dentro Valerie.
Digo a ela. Para em seguida dizer olhando para Aquiles. — E sairemos à procura dele, Aquiles... — Antes que eu termine Valerie grita aos prantos e histérica de pavor.
— NÃO! Por favor, amor não vá Henry, e não me deixe aqui.
Ela chora e seus joelhos cedem, mas antes que ela caia de joelhos eu a pego no colo, e ela continua dizendo.
— Não amor, você não pode ir, e me deixar, por favor...
Ela chora copiosamente no meu ombro enquanto abraça meu pescoço... Olho para Aquiles, e ele está angustiado com a cena. E pede permissão para ir, para não demorar, mas, eu não dou ainda. Pois, se Mildrad está acompanhado eu não colocaria Aquiles só, para ir atrás dele. Por fim, eu digo...
— Tudo bem princesa eu não vou, vou cuidar de você. Aquiles vá, mas, antes chame rapidamente Araon e Érion para irem com você. E tomem cuidado.
— Sim Senhor.
Quando termino de dizer e Aquiles já está de saída, Valerie diz...
— Aquiles...
— Sim, senhora...
— Tome cuidado, por favor.
— É claro Senhora. Eu tomarei e obrigado.
Aquiles diz realmente grato a Valerie. Ele me cumprimenta e sai bem apressadamente.
Abaixo-me para recolher a malha da armadura, que a esta altura estava no chão, para irmos para casa.
Em todo o percurso de volta, Valerie tem sua cabeça afundada em meu peito e chora, chora muito, fazendo o meu coração, ficar cada vez mais apertado diante da responsabilidade que eu tenho de não fracassar.
— Princesa, você precisa confiar em mim, quando digo, que eu farei de tudo para ele não chegar em você Valerie, e se por um acaso ele fizer isto, eu te dou mais uma vez minha palavra amor, que será a última vez, pois eu vou mata-lo Valerie, e não estou brincando quando digo isto. Nem eu, nem muito menos meus homens, a ordem, é matar. Marvel já sabe disto. Você mesma viu em Aquiles que ele não é de brincar em serviço.
Ela me olha com olhar amedrontado, realçado pela vermelhidão do choro...
— Eu sei Henry, eu não duvido. Mas, é que temo por vocês também, pois, não quero que nada aconteça a vocês, principalmente a você amor. E agora que Mildrad sabe que eu sou sua noiva, ele está furioso Henry. Amor pare um pouco. Pois, eu quero te falar algo antes de chegarmos até os outros.
Ela me disse isto antes de sair da trilha e estar de frente ao portão de acesso aos fundos da casa.
— Pode falar Valerie.
Ela tinha seus olhos com profundidade nos meus, e deles irradiava amor, o mais puro amor.
— Se algo acontecer a você Henry, eu realmente não quero viver. Pois, eu não conseguiria mais. Seria impossível para eu prosseguir. Eu resisti e sobrevivi a várias perdas, e sei que na última, a de Peter, eu só suportei e me recuperei por que eu tive você. Você foi forte e valente o suficiente para se manter inteiro e ficar e lutar por mim, mesmo com todos os seus medos e seus receios, você se arriscou. Eu tenho absoluta certeza, de que eu não suportaria e não estaria aqui agora, se não fosse por você. Eu realmente amo você Henry! Acredite você é tudo que eu quero para mim, eu não posso perder você. Então, você precisa saber que eu temo sim por minha vida, mas, eu temo muito mais pela sua. Você é tão necessário para mim, quanto à água que eu bebo e não posso viver sem, o ar que eu respiro. Você é o meu presente, e será para sempre o meu futuro, amor. Para sempre, entendeu, não menos do que isto! Eu amo você! Eu disse a você aquele dia no lago, que você precisa pensar suas decisões, a partir de agora, como um homem que está próximo a se casar amor, e você prometeu pensar a respeito.
Todas aquelas palavras aliadas ao momento de pura intensidade de emoções que nos envolve, faz crescer algo extraordinário dentro de mim. Mas, antes de proferir qualquer palavra, sondo mais um pouco os seus olhos e meus lábios buscam famintos, pelos seus.
Ela retribui toda a força e grandeza, o amor que eu transmito a ela através dos meus lábios, do meu beijo, e quando nos encontramos sem ar eu digo-lhe...
— Você, é o que eu tenho de mais valioso, precioso e especial em minha vida Valerie. Nada faz sentido sem você, eu amo você, sempre amei e sempre vou amar. Eu prometo que, eu irei me cuidar amor, mas, eu confesso que a minha prioridade é você. Pois, eu também não teria como viver sem você princesa, e dona absoluta do meu coração.
Beijamo-nos mais uma vez, e choramos juntos para colocar para fora um pouco da nossa tensão. Em meio ao choro eu não paro de beijá-la ou acaricia-la, e ela faz o mesmo gesto, é uma maneira de acolhermos e compartilharmos do sofrimento um do outro.
Por fim, prosseguimos em direção a casa. Eu estou mais recuperado, aliás, eu tenho que estar. Mas, ela ainda soluça. E volta à chorar um pouco. E eu digo...
— Amor, faremos o seguinte, eu vou conversar com o comando, e também pedirei a Aquiles pra olhar isto para mim, eu vou procurar reforçar sua segurança aqui também. Assim, se eu tiver que agir, não será sozinho, pois, eu também não posso deixar Aquiles e os rapazes sozinhos nesta missão Valerie, não é justo amor, eles também correm risco.
— Eu sei Henry! Claro que eu sei, e não quero isto também. Todavia, ficarei mesmo mais tranquila se você conseguir mais homens para vocês não ficarem tão expostos.
Assim que terminamos de falar eu a beijo novamente, procurando transmitir-lhe segurança, tranquilidade e conforto. Eu sinto o quanto ela quer me transmitir a força do seu amor e da sua necessidade de mim. Quando nos afastamos olho-a nos olhos por um longo tempo, até que, prossigo em nosso trajeto.
Ao chegar a casa, encontro Marverick apreensivo pelo sumiço dos rapazes, pois, quando eles saíram, ele não os viu, e Made disse-lhe que Araon saiu do quarto rapidamente sem dar explicação e armado com sua espada. Marverick diz que, ela estava no banho e não teve como pegar informações mais precisas.
Porém, quando ele coloca os olhos em Valerie com mais atenção em meu colo, ele surpreende-se. E pergunta atordoado?
— O que aconteceu Henry, que Valerie está neste estado?
— Adivinha? – Eu digo simplesmente...
— Não! Meu Deus, Mildrad apareceu por aqui? Ele fez alguma coisa com ela...
Nem espero ele concluir.
— Não, de jeito nenhum! – Digo furioso com esta possibilidade.
— Mas, desta vez ele chegou perto, ele estava nos espionando do bosque enquanto estávamos no riacho. – Valerie disse olhando Marverick pela primeira vez, que fica apavorado de vê-la, com olhos tão vermelhos e tão visivelmente abalada em meu colo.
— Desculpe Valerie e Henry, pelo que vocês têm passado por causa de Mildrad. Realmente nos perdoem! É muito triste você ver o seu irmão que foi criado junto a você e da mesma maneira, envergonhar tanto e entristecer a nossa família. Ainda bem que Made não está aqui agora.
Bem na hora...
— Quem não está aqui Marverick, maninho preferido?
Made chega totalmente alheia ao clima do ambiente, e do que está acontecendo.... Porém, ao colocar os olhos em Valerie e volta-los para mim. Ela imediatamente faz a conexão, e começa a chorar também, deixando Marverick tão ocupado quanto eu.
É muito ruim presenciar esta cena, pois passo ter a real ciência do drama desta família.
Por mais que eu odeie Mildrad e esteja decidido a mata-lo, eu tenho pena do restante dos Oxford’s. Pois, eles são pessoas incríveis e não mereciam ter alguém como aquele ser, no seio de sua família. Valerie afunda mais a cabeça em meu peito, só que agora ela esta de pé, abraçada fortemente em mim. Ela chora mais ainda por ver o estado da amiga. Made não aguenta por muito tempo e vem até a minha noiva e diz.
— Me desculpe por tudo isto Valerie! E você também Henry. Não sabemos mais o que fazer.
Valerie pede permissão com o olhar para se soltar de mim, e eu consinto. Ela então, me solta e abraça Made reconfortantemente. Que a retribui com o mesmo carinho.
— Made, fique tranquila, eu sei que vocês não têm culpa. – Valerie diz triste e voltando a chorar com Made.
— Eu sei Valerie. Mas, eu não aguento mais isto, nenhum de nós, somos assim, por que Mildrad é tão ruim?
Made chora mais, e Valerie está desconsolada. Made respira e prossegue:
— E que fixação louca é esta por você óh, Deus? – Eu congelo ao lado de Valerie ela também, e toco o seu ombro no momento para confortá-la.
— Eu cansei de cuidar dele, de ter pena... – Made continua falando e chorando, acho que ela precisava daquele desabafo, uma pena que minha princesa tenha que ver aquilo, pois já tem que lidar com o outro lado da história. — Ele não muda, ele não pensa em nós, muito menos na mamãe doente, Mildrad não é mais o nosso irmão de sempre, ele humilhou e tem humilhado a nossa família, ele tem nos envergonhado. Eu não suporto mais Valerie, de verdade! Eu tentei e tenho tentado de tudo para aproximá-lo de novo, pois, eu o amo. Apesar de tudo, ele é meu irmão... Mas, o que ele tem feito não pode mais ser ignorado. Chega!
Made termina de falar, mas, ainda chora muito. Então, Marvel chega do trabalho e pega a cena, e só de olhar o estado de Valerie e Made, já entende do que se trata. Ele chama Marverick em um canto, que pelo visto, passa tudo para ele.
Ele se aproxima, e me diz...
— Já sabe o que penso, faça o que tiver de ser feito, pois, eu não aguento mais isto, eu presenciei a minha mãe adoecer, definhar, e agora a minha irmã também está sofrendo muito, chega! Sinceramente chega! Nós não suportamos mais Henry. Olha o estado de Valerie? Uma pessoa que tem se desdobrado em nos ajudar com a nossa mãe, perdendo noites de sono para Made poder se recuperar, e aquele infeliz, nem para vir ver a mamãe presta, nunca vem, e o dia que vem é só a usando como pretexto para os seus próprios interesses. – E agora ele olha para Valerie... — Valerie minha querida nos perdoe, por favor!
Valerie só acena com a cabeça. E a esta altura, Araon, Érion e Aquiles estão de volta. E Araon, fica com o semblante de desespero em ver o estado de Made e Valerie.
Antes que se aproximem muito, Marvel e Marverick vão até eles, passar o que está havendo e saber como foi, mas, Aquiles fixa o olhar em mim, pois, quer passar as informações para mim. Mas, eu não tenho como me afastar de Valerie naquele estado, porém, bem neste momento, Suzette aparece.
— Desculpem a demora, eu estava no banho...
Mas, ela não conclui quando vê Made e Valerie, e eu digo:
— Depois eu te conto com calma o que houve, mas, eu preciso que, as apoie para mim, pois, eu e os rapazes temos algo sério a tratar. – Eu digo a Suzette que urgentemente toma o meu posto junto às meninas.
— Claro Henry, vá.
Deixo-as ali, mas, antes beijo o topo da cabeça da minha linda, que ainda está abraçada com Made. E sussurro em seu ouvido:
— Já volto amor. Amo você!
Assim, que saio, Marvel conduz a todos nós, homens, a sala, para podermos conversar longe das mulheres.
Assim que entramos, Aquiles fecha a porta e começa a dar o seu relato reportando-se a mim.
— Senhor, corremos muito a cavalo, com uma distância boa. Então, conseguimos chegar até o descampado, onde vimos que ele seguiu pelas rochas. Mas, o mais importante, é que realmente ele estava escoltado por mais quatro homens. E devo dize-lhe que são excelentes guerreiros, mas, usam suas habilidades a serviço de causas sujas, pois, são mercenários. Assim que deixaram a Guarda, passaram a se sustentar através destes serviços sujos e de alto valor.
Respiro fundo, enquanto levo o meu polegar e o indicador nas têmporas, massageando-a... Quanto desespero, minha cabeça está a ponto de explodir. Todos aguardam meu veredito.
— A primeira coisa que eu preciso Aquiles, são mais homens, e os quero o mais rápido possível, pelo menos mais três. Esta é, a sua incumbência para agora, mais três homens de sua confiança!
Mas, Araon intervém...
— Temos nós também! – Ele diz prontificando-se.
— Sim, eu sei, mas, como estamos a serviço do reino, nós não podemos nos expor. Apesar de que eu estou pouco me importando para isto, mas, precisamos sim ser cautelosos. Até por que se não o formos, podemos ser pegos de surpresa. – Eu digo já pensando em estratégias.
Então Aquiles diz...
— Henry está certo, precisamos pensar e ser cautelosos, Mildrad está agindo nas nossas falhas, sempre um passo a frente. Precisamos planejar, e pensar nos buracos que temos deixado. E mais, Henry, com a vinda dele hoje, no timing perfeito de sua chegada, agora eu tenho mais certeza ainda que ele tem pessoas infiltradas na Guarda que passam informações a seu respeito. E devo dizer que, com certeza, ele quer matar você também. Portanto se cuide. Ele tem calculado cada passo, e nós a partir de agora, o faremos também. – Aquiles me endossa. E eu prossigo, pois, eu já havia percebido aquilo, principalmente depois da emboscada, eu queria falar com Aquiles sobre isto, mas, tinha receio, pois, eu não quero que Valerie saiba...
— Eu sei Aquiles já tenho me atentado para isto, inclusive... – Agora abaixo o tom de voz, temendo que as mulheres ouçam.
— Ele armou uma emboscada para mim. Estávamos eu e Camelot indo de Grewnville para Daggorhorn, e só tivemos êxito, pois Araon e Érion chegaram no momento certo. Assim, eu tenho sido cauteloso, mas, eu não quero que isto saia daqui, não quero que Valerie tenha mais um motivo para se preocupar.
Porém, Aquiles diz...
— Como se ela já não houvesse percebido, viu o receio dela? O medo dele não está só. Mas, fique tranquilo, eu não falarei nada.
— Nem nós. — Agora os rapazes dizem juntos...
Assim, eu refaço as estratégias...
— Amanhã teremos treinamento, e Made e Valerie irão às compras. Porém, eu vou adverti-las para irem depois de amanhã por que Camelot já estará aqui e os outros homens também. Assim, se elas forem depois de amanhã, teremos tempo de armar todo o esquema.
— Eu estou de acordo. Araon diz, certamente já pensando na segurança de Made.
— Eu também. — Foi à vez de Aquiles.
Marvel, Marverick e Érion também concordam unanimemente.
Assim, nós concluímos a reunião e saímos para colocamos às mulheres a par de nossas reflexões.
Percebo que tanto Valerie quanto Made, estão bem mais calmas, e também noto que Suzette tem parte nisto, e dou a ela um olhar de agradecimento que ela adequadamente retribui com um leve aceno de cabeça.
***
Após todo o estresse vivenciado com a aparição de Mildrad Valerie passou o resto da tarde mais insegura e não se desgrudou de mim. É claro que eu não reclamo, na verdade até gosto e muito, porém, é angustiante vê-la tão vulnerável e sofrendo. Tenho medo de seus sintomas retornarem, e ela tem estado tão bem.
Jantamos todos juntos, Marvel, Marverick, eu, Araon, Érion, Aquiles, Made, Suzette e Valerie, que quase não come, me deixando angustiado.
Apesar de nos esforçarmos para não demonstrarmos preocupação, as conversas, não são uma constante durante o jantar. Quem vai tentando manter o clima leve é Araon juntamente com Made. Como Valerie sempre diz, eles realmente combinam.
Em um determinado instante, eu digo.
— Amanhã até a hora do almoço, Camelot estará chegando.
— Que bom Henry. — Marvel diz. E Aquiles concorda.
— Bom mesmo.
***
Após o jantar, Made vai passar um tempo com Araon e eu com Valerie. Já os rapazes, Érion, Marverick, Marvel e até Aquiles, ficam jogando e conversando na sala.
Suzette se prontifica para tomar conta de madame Oxford, para que Valerie e Made descansem.
Quando somos distribuídos para dormir nos quartos, eu Araon, ficamos no mesmo, porque pretendemos descansar cedo, devido aos treinamentos.
Érion fica no quarto com Marvel e Marverick, já Suzette, com madame Oxford e Valerie com Made. Aquiles tem outro quarto para ele e Camelot que está para chegar.
Mais ao final da noite, eu passo um tempo despedindo-me de minha amada no jardim, pois, decidimos ir para lá, para podermos tomar um ar fresco. Passamos um longo tempo conversando nos braços um do outro. E em um dado momento ela diz:
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Eu senti tanta falta disto Henry, destes momentos que passamos juntos, é tão gostoso amor.
— E como é Valerie, eu também senti falta. E amor, minha avó está sentindo tanto a sua ausência, tanto, você nem imagina.
— E eu estou sentindo demais a falta dela também príncipe.
— Valerie, você sabia que Érion está começando a se apaixonar por alguém?
— Sim amor, sou eu que estou dando uma força para ele e a Elise.
— Elise? Ele já havia me dito o nome dela, e na hora eu não dei atenção ao fato, mas, espera aí, trata-se de Elise, a musicista? Amiga de Ananda?
— Sim amor, ela mesmo.
— Sério? Como você a conhece?
Ela fica pensativa, e depois diz:
— Hum, digamos que ela participou do jantar de boas vindas que fizeram para mim juntamente com Ananda. E assim, nós fizemos amizade, e, ela é uma graça.
— É sim, eu a conheci junto com os rapazes, em um baile aqui no Grande Reino.
— É, ela me disse Henry.
Beijo o topo de sua cabeça.
Passamos mais algum tempo conversando, mas, quando percebo que Valerie está com sono digo-lhe...
— Amor, vamos dormir, você está bem cansadinha Valerie.
— Hum.... Lindo eu estou mesmo, parece que só o fato de você estar aqui e de eu ter seus braços ao meu redor, eu relaxei o tanto que eu precisava amor, para voltar a dormir.
Beijo os seus lábios e digo-lhe...
— Que bom, fico feliz. Porém, eu ficaria mais feliz ainda, se pudéssemos dormir juntos. Estou cheio de anseio de sentir o seu corpo junto ao meu, minha amada.
Ela cora...
— Eu sei lindo, mas, o meu medo é de nos expor. Eu sei que Made está louca para dormir com Araon, eu só não me manifestei para trocarmos, por sua causa Henry!
— Claro amor, e eu te agradeço afinal, a sua mãe está aqui e eu realmente me sinto desconfortável.
— Sim foi o que eu pensei.
Ela me disse. Depois de, mais algum tempo beijando-a, conduzo-a até a porta do quarto em que ela vai dormir. Dou-lhe mais um beijo, e bem gostoso, por sinal, e deixo-a entrar.
***
Como é de costume, acordo durante a madrugada. Levanto-me e percebo que Araon não está no quarto. Logo, eu imagino que ele deve ter perdido o sono, preocupado com o que Made passou hoje, presenciando o desespero de Valerie.
Vou em direção ao banheiro, lavo o rosto, penteio os cabelos e ajeito o meu pijama. Assim, eu saio do quarto e vou em direção à cozinha, para tomar água, e no caminho, eu noto que ela está acesa. Logo, penso ser Araon.
Chego silenciosamente, e surpreendo-me quando vejo que é Valerie.
Ela está tomando água, de costas para mim, e percebo que ainda não notou a minha presença.
Então, aproximo-me sutilmente, e colo meu corpo no seu. Tenho-a ainda de costas para mim, no entanto, eu envolvo a sua cintura com os meus braços.
Ela assusta-se e vira-se num impulso, quase deixando o copo, já vazio, cair. Porém, eu sou mais rápido e consigo pegá-lo no ar e coloco-o na pia.
Arrependo-me do meu gesto, quando olho em seus olhos e vejo o terror provocado pelo susto que a causei. Ela leva a sua mão, rapidamente, tapando a boca para reprimir um grito de desespero com o que acabou de passar.
Assim falo...
— Desculpa meu amor, eu não fiz por mal, eu só quis surpreender você Valerie. No entanto, eu não considerei, por esquecimento, o momento em que estamos vivendo. E por que está aqui acordada meu amor?
Ela vai suavizando o semblante, enquanto eu beijo a sua testa e o topo da sua cabeça.
— Tudo bem Henry, é só que eu não estava esperando. Eu estou aqui, por que Made me pediu para passar o resto da noite com Araon. Ela me pediu, pois, ele ficou com receio de pedir a você e você repreendê-lo. E claro que eu permiti.
Aquilo me deixou um tanto aborrecido e também, muito desconfortável, eles acordaram Valerie do seu descanso, tão merecido, depois de dias sem dormir, para poderem... Valerie parecendo perceber o meu estado de espírito com a situação diz.
— Henry não fique com raiva deles e nem os julgue meu amor. Eu só deixei, pois, eu sei que é raro eles conseguirem fazer isto à noite lindo, pois, é Made que dorme com sua mãe todas as noites, e eu sei como ela deveria estar sentindo falta do Araon, Henry. Eu mesmo, que no caso só durmo no nos seus braços, mesmo assim, eu sinto falta de passar as noites com você amor. Imagina para eles? Esta oportunidade, que eles estão tendo, é quase única para eles. Eu sinceramente, gostei de ajuda-los.
Como Valerie tem um coração bom. Pensei um pouco, assim eu disse a ela...
— Bem, eu ainda não concordo, pois, se eles tinham esta intensão, poderiam ter dito antes, pois, eu dormiria na sala e te deixaria no quarto, amor. Isto foi uma tremenda irresponsabilidade, principalmente de Araon, ele sabe que você está doente, se tratando, e poderia ter me acordado. Isto não é coisa que se faça Valerie.
— De certa forma eu sei Henry, mas, o que eu posso fazer?
— Você nada Valerie, mas, eu posso. Mas primeiro, temos que decidir o que vamos fazer com você. Eu estou preocupado, pois, você precisa dormir. E a pergunta é: onde você irá dormir?
Bem no momento em que eu pergunto, sou tentado a chama-la para dormir comigo. Porém, acho melhor esperar um pouco para ver o que ela irá dizer.
— Bem, eu já estava pensando sobre isto, quando você chegou, eu irei dormir na sala príncipe.
— O que? Você não vai mesmo, eu vou para lá e você vai para o meu quarto e tranca a porta, pois, do jeito que Araon é inconsequente, ele pode ir até lá, sem bater, durante a madrugada. Já pensou?
Porém, ela diz firme.
— De jeito algum Henry, se eu não posso dormir na sala você também não, pois, amanhã, você tem treinamento pesado para combate, na Guarda e vai estar quebrado e sem condições físicas e mentais, totalmente despreparado e correndo risco. De jeito algum Henry. A sala está fora de cogitação para você.
Respiro fundo, com ódio de Araon, mas, certo de que, desta vez ele me paga, pois, foi longe demais.
Por fim, depois de muito considerar, eu digo-lhe...
— Vem comigo princesa.
Tomo-a pela mão, e conduzo-a para o meu quarto. Quando ela compreende, ela me olha elétrica. Eu simplesmente digo-lhe:
— Se Araon, pode dormir com a namorada, creio que não há mal algum eu dormir com minha noiva, que inclusive, ficou sem um quarto descente para dormir.
Ela sorri satisfeita e sapeca para mim e então, fala:
— Hum.... Eu gostei muito disto Sr. Lazar, então, no fundo nem foi tão ruim isto ter acontecido príncipe.
Valerie diz isto, com certeza para aliviar a barra deles, porém, eu respondo-lhe:
— Uma coisa não justifica a outra, amor, o que eles fizeram, com você, foi totalmente errado. Mas, Araon vai receber uma lição à altura.
— O que você vai fazer Henry?
Ela me pergunta muito preocupada, já de frente para porta do meu quarto.
— Você vai ver, mas, antes, venha, eu vou te colocar para dormir, meu coração.
Entramos no quarto, tranco a porta, e vou direto para cama com ela. Porém, as camas dali são de solteiro. Então, eu lhe digo.
— O único inconveniente é que as camas são de solteiro, mas é melhor do que dormir no sofá.
— Claro lindo, mas, você vai dormir comigo não é?
— Amor eu adoraria, porém, você está tão cansadinha, não será desconfortável?
— Henry, para mim, desconfortável demais, é dormir sem o seu corpo junto ao meu amor. E eu já fiz isto por dezessete dias lindo! Mas, se for desconfortável para você eu entendo Henry.
— Pra mim? Amor eu durmo até no chão se for preciso só para te ter nos meus braços Valerie! Não ligo para isto, minha preocupação é somente o seu conforto e bem estar.
— Então, durma aqui comigo, pois, o meu maior conforto e o que mais me provê bem-estar, é estar nos braços do meu homem lindo e maravilhoso: você Henry!
Ela diz, enquanto deita-se na cama, deixando um espaço para mim.
O simples fato de me imaginar ao lado dela, numa cama tão estreita, e com os nossos corpos colados, acende chamas vivas de desejo em cada parte do meu corpo.
Instantaneamente, eu deito-me ao seu lado, colocando o meu braço por baixo de sua cabeça, e no mesmo momento ela se envolve completamente em mim, entrelaçando suas pernas com as minhas, me abraçando com vontade, o que me faz envolver a sua cintura, deslizado ali, a minha mão livre, trazendo-a o mais junto a mim o quanto fosse possível.
Seu corpo cola-se ao meu, moldando-se nele completamente, de forma que, eu sinto as curvas macias dos seus seios em contato com o meu peito firme, para simultaneamente, capturar os seus lábios nos meus, no início com ternura e em seguida com fúria e desejo.
Beijo-a com toda a intensidade que necessito, e no processo eu vou apertando tanto, o seu corpo contra o meu que, em um determinado momento, a ouço gemer. Assim, afrouxo um pouco o aperto, porém, sou surpreendido, com seus braços me puxando mais contra si, me evidenciando o quanto ela estava gostando, e precisava daquilo. Ela estava entregue àquele contato, eu pude sentir o quanto o gesto a agradava.
O beijo se intensificou, sua língua agora, estava ainda mais desinibida em minha boca, acariciando a minha com ousadia, e aquilo estava me desorientando completamente, principalmente quando ela suga a minha língua novamente, como havia feito no riacho mais cedo, e como esta sensação desta nova carícia dela é excitante, ainda mais, quando ela o faz e simultaneamente fecha a mão nas mechas dos meus cabelos, puxando meu rosto mais para si.
Com a outra, ela agora, arranhava as minhas costas por sobre a camisa. Era como se ela quisesse fundir o nosso corpo em um, como se eu fosse parte dela. Minha mão que estava em sua cintura e agora percorria as suas costas, foi formigando pelo desejo de tocá-la com mais ousadia.
E, aquilo foi crescendo absurdamente, meu corpo todo já respondia, minha ereção já dava sinais de minha urgência, revelando toda a descarga de desejo que percorria o meu sangue, minha respiração já era ofegante.
Cada vez que puxávamos o nosso corpo um contra o outro eu ficava ainda mais excitado, eu já não conseguia mais raciocinar, e estava estranhando o fato de Valerie ainda não ter contido aquilo, será que desta vez ela não o faria? Será que o seu desejo, desta vez, está tão ampliado quanto o meu, devido a este tempo de privação? Sinto que hoje eu irei descobrir.
Esta possibilidade gritou em mim, eu agora a queria demais, eu a queria com todo meu ser. Eu tentava, ao máximo ir com calma, não querendo assustá-la a com a minha urgência que é absurda, meu ser clama por ela, por completo.
Por fim, desço os meus lábios por seu queixo, pescoço e vou até sua orelha e mordo o seu lóbulo e ela estremece e diz entregue...
— Henry, que gostoso amor, amo você Lazar, muito!
Involuntariamente, dou um sorriso de satisfação, na curva do seu pescoço, por ouvir aquelas palavras.
Suas palavras me dão coragem para prosseguir. E agora, eu desço os meus lábios por seu pescoço, intercalando beijos com mordidas leves, pois, sei o quanto este gesto é prazeroso para ela. Ela corresponde, estremecendo novamente, porém, com muito mais violência.
E é neste momento, que reúno mais coragem, e tento algo, sabia que se fosse demais para ela, e ela desejasse retroceder, ali ela me conteria.... Vou escorregando os meus lábios, pela gola do seu pijama, de maneira que, os meus lábios, tenham contato direto com a sua pele, já sensível e toda arrepiada, até chegar a sua garganta, e ali hesito, pronto para que ela me contenha, porém ela não o faz, ao contrário, ela leva a cabeça para trás, expondo mais o seu pescoço para mim.
Eu desço mais um pouco até onde há dois botões abertos da gola, e aquilo me dá acesso a uma pequena, mas, deliciosa porção do seu colo. Beijo ali, e de repente, eu começo a correr minha língua provocando-a, fazendo-a gemer agora mais alto, ofegante e mais entregue... E eu sou eu que digo agora contra sua pele quente, enlouquecido de desejo...
— Valerie, eu senti tanta falta disto amor, que delícia. Amo você minha amada!
Ela geme em meu ouvido, e diz com uma voz desejosa...
— Eu também Henry, senti muita falta de seus lábios em mim, percorrendo o meu corpo, amor!
Volto aos seus lábios com fúria...
Ela agora me puxa mais ainda contra si, evidenciando o quanto quer mais daquilo. Então faço algo, viro-nos de tal forma, que agora, eu tenho o seu corpo sob o meu, posiciono-me ente suas pernas, e até agora ela não apresenta resistência nenhuma, neste momento para provoca-la e ter certeza até onde posso ir, solto seus lábios, porém, mordo o inferior no processo fazendo-a estremecer mais uma vez.
Assim, olho em seus olhos e vejo as suas imensidões verdes totalmente escurecidas de desejo, e desta maneira, olhando-a profundamente, posiciono-me de uma forma que minha masculinidade seja acolhida por sua intimidade, e como aquilo é torturantemente bom.
A respiração de Valerie altera-se muito mais, e a minha também, o coração dela, com este gesto, bate desenfreado, o que não é muito diferente do meu.
Assim, olhando em seus olhos, eu choco os meus quadris no seu, causando atrito entre nossas intimidades, ainda separadas pelas roupas, mas, ainda assim, aquilo é bom demais, e nos faz gemer juntos e mais uma vez, ela diz meu nome com uma voz carregada de desejo, e fechando os olhos com força...
— Hen...ry...
E eu digo firme a ela, com a minha voz saindo rouca e carregada...
— Olha para mim meu amor.
Ela obedece, prontamente.
Choco novamente, agora com mais fúria e com minha ereção muito mais desperta... E agora, eu é quem digo, enquanto ela olha nos meus olhos...
— Ah... Como amo você Valerie! Eu quero você meu amor, demais. Sinta o que você é capaz de fazer comigo!
Mais uma vez, levo o meu quadril de encontro ao seu com força, para que ela sinta novamente minha necessidade dela, expressa em minha ereção.
— Quero fazê-la minha mais uma vez meu coração.
Ela puxa os meus cabelos, aproximando os nossos rostos para olhar no fundo dos meus olhos e diz, completamente entregue.
— Então me faça sua Sr. Lazar, pois, eu também quero demais você, e hoje, eu não aguento esperar, faça amor comigo Henry! Sei que você também, está ardendo de desejo príncipe, e eu quero satisfazê-lo amor!
Aquilo me fez sorrir involuntariamente de tanta alegria. E no meu interior, agora, eu agradecia a Araon. E eu não pensei duas vezes.
— Sim meu amor, eu faço amor com você, pois, é o que eu mais almejo neste momento, minha amada!
Assim volto a beijá-la com ardor e agora ela envolve meu quadril com suas pernas me fazendo gemer e dizer seu nome no mesmo momento em que nossas intimidades se friccionam novamente.
— Valerie!
Solto seus lábios e procuro seus olhos e digo:
— Ah minha Valerie, minha, minha e somente minha!
Ela me dá um sorriso e diz:
— Sim sua, pra sempre só sua Henry!
Eu desabotoo lentamente mais um botão da blusa de seu pijama e volto a beijar e correr a minha língua, naquela região, próximo a parte de seu corpo que eu amo tanto, seus seios.
Enquanto isto, lentamente, subo uma de minhas mãos por sua perna desde seu tornozelo que está nas minhas costas, até chegar a sua coxa, e aperto meus dedos em sua carne macia e sinto-a estremecer de prazer. Mesmo sendo por sobre a calça do pijama aquilo é intenso. Subo mais um pouco, até chegar próximo a sua nádega onde aperto novamente, e ela não se contém, grita e diz em meus lábios:
— AH...Meu Deus... Henry!
Nós dois estávamos cada vez mais entregues, e nossas carícias em nossos corpos estavam cada vez mais ousadas.
Mas, era interessante que era possível sentir o tempo todo, que não havia só desejo, havia amor demais presente e uma necessidade exacerbada um do outro, como se aquele gesto representasse uma satisfação não só de carências físicas, mas, muito além disso, da alma.
Fomos nos conduzindo assim, em profunda conexão, até que em um momento, algo vem a minha mente e eu paro tudo, imediatamente.
Olho no seu rosto, mas, ela mantem os seus olhos fechados, creio que concentrada nas sensações, e, eu pergunto com a respiração ofegante e totalmente entrecortada...
— Amor... você... já está... evitando a gravidez?
Ela abre os seus olhos na hora, e, olha alarmada para mim. E responde também ofegante...
— Sim Henry... a Dra. Já me passou os chás... e eu estou tomando, porém... Ela disse que demora quase dois meses para começar a fazer efeito... então, o risco de engravidar no início, é grande... assim, ainda acho interessante usarmos a camisinha amor... ainda mais que eu estou, próximo ao meu...
Nem a deixo terminar...
— Período fértil, novamente. Eu sei, eu gravei a contagem desde a sua consulta em Grewnville amor.
Ela fica corada quando digo isto, porém, diz:
— Eu não me importo de usarmos a camisinha amor, eu realmente vejo o quanto me deseja e o quanto está penosa esta espera para você príncipe, e no mais, eu também quero demais você, Henry!
Ela me diz com o olhar totalmente desejoso e apaixonado, enquanto acaricia com todo o carinho o meu rosto. E bem neste momento, quase morro de raiva de mim mesmo, e digo-lhe...
— Amor, me perdoe, mas, temos um problema então.
Ela arregala os olhos para mim e diz...
— O que foi Henry? Qual é o problema lindo?
Respiro fundo com vergonha, sentindo o meu rosto queimar, e digo-lhe ofegante ainda.
— As camisinhas que eu trouxe... estão em minha carteira... e, eu acabo de me lembrar... de que, ela ficou no bolso da armadura que está pendurada no terraço... eu a deixei lá, para tomar um ar, para eu usá-la amanhã no treinamento... ela estava limpa, pois, só usei para viajar e resolvi reaproveitá-la e deixei a carteira lá... pois, eu nem imaginava que teríamos esta oportunidade hoje, me perdoe! Se sairmos para pegar, corremos o risco de sermos surpreendidos o que seria muito constrangedor. O que sugere? O que podemos fazer?
Valerie respira fundo, evidentemente frustrada. Porém, me diz com todo o carinho.
— Tudo bem Henry, é por que não era para ser amor, eu compreendo.
Só que a minha vontade era tanta, que eu pensei algo, e disse-lhe ainda que, com o rosto queimando, só que agora pela proposta, pois, ela evidenciaria o meu desespero por tê-la.
— Posso interromper no momento exato do meu êxtase amor...
Ela continua me olhando séria, ela está muito vermelha e acariciando o meu rosto, me diz.
— Lindo me perdoe, mas, eu não quero desta maneira. E por dois motivos, primeiro, por que é a parte mais gostosa, principalmente para você, que eu sei, esperamos tanto... para fazer amor de qualquer jeito, não dá Henry. E segundo, ainda é arriscado para uma gravidez, pois, não é uma precaução com garantias, príncipe, e no meu atual estado de saúde, Helena sempre faz questão de me lembrar que eu não posso engravidar por agora. Perdoe-me Henry, eu também o quero demais, mas, eu tenho de ser consciente. Isto é sério meu amor!
— Claro amor, eu entendo, de verdade!
Eu a compreendo completamente, e agora respiro fundo tentando acalmar tudo em mim. E retiro minha mão de sua coxa.
Valerie também procura se acalmar e agora retira suas pernas do meu quadril. Toco minha testa na dela buscando conforto para mim diante da frustração e na expectativa de oferecer-lhe também. E toda a nossa urgência vai se esvaindo aos poucos. Porém, a minha raiva por Araon ter feito aquilo agora é maior, movido pela decepção do momento. Pois, se Araon não houvesse feito isto, nada teria acontecido da maneira como foi.
Porém, para tranquilizar Valerie, que tem um olhar preocupado, digo-lhe...
— Não estou aborrecido com você princesa, você não teve culpa, eu estou com raiva é de Araon, se ele não tivesse feito o que fez, nada disto teria acontecido.
Ela me olha com tanta ternura, e diz algo surpreendente!
— Posso satisfazer o seu desejo amor, você quer? Posso aplacar a sua urgência Henry, existem outras maneiras, você sabe disto.
Ela me diz aquilo muito envergonhada. Pois, seu rosto estava de um vermelho vívido. Ali, eu reconheço mais uma vez, o quanto ela se preocupa com o meu bem-estar. E, também, sei que ela está cedendo por mim, sei que ela me quer, é claro, mas, seu gesto, tem muita relação com sua alegria em agradar-me.
Valerie é realmente perfeita. Assim eu digo:
— Não meu amor, por mais que me agrade a ideia, eu também quero te dar prazer Valerie, e, eu quero dizer que, gostaria que a colocasse em prática algum dia, em algum momento em que estivermos fazendo amor. Eu te quero por completo, assim como pretendo dar-me a você, por completo. Esperamos até agora princesa, só mais um pouquinho, não faz mal.
— Tudo bem amor, eu só fico preocupada com a forma com que se sente.
Ela me diz sincera.
— Obrigado meu coração! Mas, Araon vai receber uma lição Valerie.
— Fica tranquilo Henry, deixa isto para lá amor, pensa bem, é por que não era o momento. No fundo eu estou até aliviada amor, mais uma vez quase cedemos. Amo você Sr. Lazar.
— Eu também amo você Valerie, demais. Porém, eu confesso que, desta vez eu queria demais você amor, aliás, eu preciso ser sincero, eu ainda a quero e muito. Meu corpo inteiro está protestando...
— Eu sei meu homem lindo e gostoso demais, este foi um dos motivos de eu desejar abrir mão amor, eu também o quero, porém, realmente estava tranquila quanto a esperar, mas, eu tenho sentido o quanto está sendo torturante para você Henry!
Ela diz sorrindo para mim, tentando desviar o foco da minha atenção da frustração e da raiva que eu estava sentindo.
E agora, nos deitamos da mesma forma que estávamos antes, de frente um para o outro. E, acariciamos o rosto um do outro enquanto nos recuperamos.
— Valerie, eu preciso dar uma lição em Araon, ele é muito sem noção às vezes. Foi uma coisa errada o que ele fez.
— O que vai fazer meu amor? Procure se acalmar e pensar direito Henry, não aja por impulso...
— Amor, não me peça isto hoje, pois, se eu não fizer algo, para extravasar a minha frustração, eu vou enlouquecer.
— Eu sei Henry, eu estou sentindo em seu estado de espírito, você está muito mais alterado do que o normal. Eu só estou preocupada que você faça algo que venha se arrepender depois, meu amor. Mas, eu estou aqui para te apoiar, sempre.
— Eu sei, e te amo ainda mais por isto. Fica aqui, daqui a pouco eu volto, tudo bem?
Eu digo decidido...
— Bem, se isto vai te fazer sentir melhor... Então, faça Henry, eu estou aqui por você.
— Tudo bem meu amor, espere-me aqui.
Levanto-me, ainda com as pernas bambas, pela intensidade do desejo que ainda me percorre. Assim, chego à minha mala. Eu estou irado demais. Eu pego no meio de minhas coisas pessoais, um pedaço de minha bucha vegetal de banho.
Vou até Valerie e dou-lhe um beijo e digo-lhe:
— Já volto amor.
Saio do quarto e vou até a cozinha atrás do que quero: um fósforo.
Aproximo-me da porta do quarto de Made, ligo o fósforo e coloco fogo na bucha que está bem seca. Então, logo o fogo pega nela, e eu a empurro rapidamente para dentro do quarto de Made acesa, por debaixo da porta, pois, aquilo dá uma fumaça densa e de um odor terrível. A minha intenção é assustá-los.
Quando estou terminando de colocar, Valerie abre a porta de nosso quarto, creio que se sentiu preocupada com o meu estado, e temeu o que eu poderia fazer. E ela vê o que estou fazendo e me olha apavorada, e diz baixinho, mas, horrorizada...
— Meu Deus Henry! O que você fez? Amor você não acha que foi longe demais não?
Bem neste momento, o arrependimento queima em mim, e apresso-me para tentar tirar, mas, não conseguindo... E, para a coisa ficar pior:
Marverick sai do quarto e também vê o que estou fazendo e diz...
— Enfim, graças ao Criador, o senhor perfeição deu uma fora! Agora sim Henry... Agora eu sei que há esperança para você. Depois que começou a andar com Valerie você faz coisas normais...
E ele começa a rir...
— O QUÊ? – Valerie diz aborrecida. – Eu não tenho nada com isto, eu não faço estas coisas e no mais, eu nem sabia!
E eu, para não deixar Valerie em maus lençóis digo...
— Ela não tem nada com isto Marverick, deixe Valerie de fora.
E ele intensifica as risadas, e eu olho para Valerie, e vejo o quanto ela está constrangida com aquilo. O que me deixa com mais vergonha, porém, bem neste momento, a coisa fica ainda pior, pois, justamente na hora em que vou levantar, vendo que não consigo trazer a bucha de volta, ouço várias tosses vindas do quarto...
Made destranca a porta e sai de lá desesperada enrolada em um lençol branco pelo canto da porta, e Araon sai atrás, mas, está tão atordoado pela tosse, que não vê que estou ali e cai por cima de mim, e o pior, totalmente nu.
Nossa o meu sangue ferve com aquilo! Pois, bem na hora, Made começa a rir alto, Marverick quase rola de tanto rir, Érion e Marvel agora saem do quarto assustados, mas disparam a rir também, com a cena, mesmo sem entender, e por fim, Aquiles também sai...
Minha sorte, se é que posso dizer que tenho uma, é que Suzette está num quarto retirado e creio que não ouviu. Pois, a esta altura todos riem de mim, tirando Aquiles que se esforça demais para se manter sério e Valerie que está tão chocada com a mão cobrindo a boca e roxa tão de vermelha.
Apenas aí me dou conta, realmente, de que Araon está nu, sobre mim, e com tudo a mostra. E Valerie está vendo aquilo sem reação. Aquiles percebe o mesmo que eu e corre para me ajudar a me erguer.
Levanto-me num rompante e no processo, Araon cai no chão. E neste instante, eu corro para Valerie abraçando-a e ela enterra a cabeça no meu peito.
Araon me olha agora, cedendo aos risos, após o choque. Porém, logo para, quando vê o meu semblante, carregado de fúria para ele. E ele sabe exatamente o porquê.
Aquiles também percebe e rapidamente ajuda Araon a se levantar enquanto os outros riem, e vai até o quarto e pega uma coberta e dá a Araon que até então, não se move para canto algum.
Quando todos percebem o clima e param de rir, Marverick diz:
— Enfim Henry, o que aconteceu? E agora é sério, me desculpa por eu rir, mas, foi muito engraçado...
Eu digo furioso, fuzilando Araon e agora Made com o meu olhar, que agora me olham bastante apreensivos. Araon sabe que quando não estou para brincadeira a coisa fica feia:
— Pergunte a sua irmã e ao seu cunhado o que eles fizeram e depois, me digam se vocês não fariam o mesmo ou pior.
Imediatamente, eu saio dali com Valerie para o quarto.
Assim que eu entro no quarto e o tranco, noto que ainda estou transtornado de raiva. Porém, ao olhar para Valerie, vejo que, ela ainda está em choque, assustada e com os seus olhos estatelados olhando para mim. Então, eu digo...
— Amor me perdoe, pois, eu sei que eu fui inconsequente, mas, eu estava com tanta raiva que eu precisava fazer algo e foi o que veio em minha cabeça.
— Tudo bem Henry e eu sei. Mas, amor eu devo dizer, você sempre reclama que eu adoro colocar você em situações constrangedoras, porém, hoje, você me superou em muitas coisas, eu jamais faria uma coisa desta Henry!
Aquilo me deixa ciente de o quanto ela está certa.
Porém, quando ela percebe que estou ainda aborrecido e agitado. Ela então, respira fundo, toma a minha mão, e me conduz até a cama, ali se senta na cabeceira e afasta as pernas para que eu deite entre elas e recoste a cabeça em seu peito. Assim que o faço ela diz:
— Lindo, concentre-se aqui, neste momento, e agora e feche os seus olhos. Esqueça tudo o que houve, pense só em nós aqui e relaxe amor.
Eu obedeço e agora, ela massageia o meu couro cabeludo, meu rosto, meu peito, e com cautela. E lentamente toda a tensão e raiva vão deixando o meu corpo.
Ela passa um bom tempo fazendo aquilo e sussurrando uma melodia para mim.
Quando estou com o corpo pesado, num grande estado de sonolência, ela beija minha testa e em seguida, os meus lábios.
E diz em meu ouvido:
— Eu amo você!
E eu já quase sem forças respondo:
— Eu também amo você princesa, obrigado por me amar tanto e cuidar tão bem de mim.
Ela sorri e diz feliz:
— Eu cuido do que é meu lindo.
E mais uma vez, ela me beija me deixando extasiado. E assim, eu adormeço no melhor lugar do mundo: em seus braços.
***
Sinto um toque quente e molhado em meus lábios.
Agora, eu sinto outro toque quente e também molhado em meu queixo. E outro em meu pescoço, e outro em meu peito e sinto agora, algo deslizar sobre ele e o meu abdômen. Sinto mais toques uns próximos aos outros, fazendo rastro em meu abdômen...
E agora, em meu ventre, e neste instante eu identifico que são beijos. Beijos molhados, e é gostosa demais a sensação que eles provocam em minha pele.
Aquilo vai ficando intenso e fazendo o meu corpo reagir e se contorcer. Pelo visto, estou sonhando. Eu creio que, as provocações da madrugada, foram tão intensas, que eu estou tendo outro sonho íntimo com Valerie.
Sim, embora eu não tenha aberto os olhos, eu já sei que é ela, seus lábios e seus beijos em minha pele trás uma uma sensação inconfundível.
Ela explora cada pedacinho do meu peito com os seus lábios quentes e molhados, depois ela faz todo o processo em meu abdômen, e como a sensação é prazerosa.
Sinto agora ela percorrer com beijos, a minha cicatriz do dia em que nos ferimos, no lago do monte Grimor, e depois, ela percorre com a língua, e aquilo é sensual e provocante demais, e o seu gesto me faz gemer.
Agora, os seus lábios percorrem o meu umbigo e solto um gemido alto, e o som de minha voz parece tão real...
Sinto as suas mãos deslizarem pelas laterais de meu abdômen, enquanto ela intercala beijos e mordidas leves, próximo a meu umbigo e agora vai descendo seus lábios, descendo, descendo.
Então, eu sinto os seus dedos no cós da calça do meu pijama descendo-a um pouco, e seus lábios acompanham onde ela desce e agora ela morde a região bem abaixo em meu ventre me fazendo gritar e estremecer violentamente de pura excitação.
Porém, aquilo é tão real, que meu grito é potente demais para um sonho. De repente, sou surpreendido por sua mão tocando e provocando de uma maneira deliciosa o meu membro, por sobre a calça do pijama, enquanto ela morde de novo, o meu ventre.
Aquilo é demais para mim, eu explodo novamente em tremores de excitação e num impulso, eu ergo o meu corpo, abrindo os olhos assustado...
Então, me deparo, com um par de olhos verdes arregalados, escurecidos e brilhantes de desejo me encarando.
Só assim, me dando conta de que, eu estou acordado, com Valerie bem a minha frente com a mão em meu membro já totalmente ereto, me provocando deliciosamente.
Noto que a camisa de meu pijama está totalmente aberta, e meu tórax totalmente exposto e minha calça um pouco mais baixa que o normal, de forma que meu baixo ventre já está, quase todo, a mostra, e agora noto o quanto realmente estou excitado, arrepiado e cheio de desejo, mas, não consigo entender o que está acontecendo...
Minha mente está atordoada, pelo turbilhão de emoções e sensações que me percorrem. O que houve, que fez com que ela mudasse de ideia e estivesse me provocando intimamente e tão decidida?
E neste momento, ela parece compreender a confusão que está havendo em minha mente e pega algo no bolso do seu pijama e ergue para mim, com um sorriso triunfante e provocante nos lábios: era o pacotinho dourado!
Aquilo trouxe mais uma rodada de explosão de sentimentos e sensações dentro de mim. E rapidamente minha mente processa, que: se ela foi à busca da camisinha e estava me provocando tão desinibidamente, é por que ela me queria! Então eu disse:
— Não acredito amor! Você é realmente maravilhosa Valerie! Amo você!
Ela sorriu mais ainda, como que, evidenciando para mim, que minha reação era o que ela esperava. Assim me falou:
— Por que eu sou maravilhosa? Por que eu amo e quero você? Como não amar? Como não desejar você amor? Você é tudo que eu mais desejo neste mundo Henry, eu só o tenho evitado, pelo compromisso. Mas, vejo o quanto tem sido penoso meu amor, e mais, para mim também é penoso esperar para ter você Henry.
Sorri para ela com suas palavras, e disse-lhe:
— Eu amo você Valerie!
Ela dá um sorriso maravilhoso e apaixonado de volta e simplesmente diz:
— Eu também amo você Henry, e quero te fazer feliz meu amor!
Não pensei duas vezes, a puxei para mim e tomei seus lábios com fúria nos meus, incentivado por sua sincera declaração.
Eu sentei-a de frente para mim, entre minhas pernas e a com as suas pernas, uma de cada lado de minha cintura. Eu a quero e desejo demais. E eu não tenho mais forças como homem para resistir a isto. Agora eu vejo, o quanto antes, eu não estava normal, devido aos meus receios.
Como eu consegui me conter diante das tentativas de me ter desta mulher? Hoje, isto é praticamente impossível para mim.
Valerie conseguiu destruir cada uma das minhas resistências, e até hoje ela consegue. Meu amor por ela tem uma força esmagadora, e eu seria capaz realmente de dar minha vida por ela. Mesmo por que se ela deixar de existir, não há mais vida para mim.
E agora, diante do meu desespero em tê-la mais uma vez como mulher, para não perder tempo eu desabotoava a camisa do seu pijama, enquanto eu a beijava.
Quando o seu colo já estava todo exposto, levei os meus lábios até ali em busca do contorno do seu sutiã beijando e correndo a língua na parte mais alta de seus seios, a esta altura ela gemia com a cabeça virada para trás totalmente entregue enquanto corria as suas unhas em minha nuca, minhas costas, descendo por meus ombros fortemente, mas, bem devagar.
O melhor destes momentos intensos com ela, é a satisfação que eu sinto, em ver o quanto ela realmente é minha, ela faz questão de me mostrar isto. Entregando-se sempre integralmente.
Este fato, me faz lembrar que o curto período em que ela se manteve mais afastada, depois do que aconteceu em relação ao meu ciúme de Érion, me deixou em profunda agonia, agradeço a viagem por isto, pois, esta barreira, só começou a cair completamente, no dia da viagem, no quarto do hotel e na estação, e terminou aqui, depois destes longos dias de privação de contato entre os dois.
Mas, e o compromisso? Como é difícil pensar nisto com todas as sensações que percorrem o meu corpo agora...
E eu sei, que no fundo, desde ontem, ela só tem aberto mão por que sente a minha tão grande necessidade. O quanto ela é capaz de se doar por mim... e eu sinceramente, não tenho mais tanta força para resistir. Bem que eu queria... mas, eu a quero demais.
Enquanto eu beijava toda a pele exposta, contornada por seu sutiã, minhas mãos, já haviam desabotoado todos os botões de sua blusa e agora, corriam subindo por sua barriga em direção aos seus seios suavemente, e provocando-a com carícias, enquanto ela gemia para mim.
Toco-os por sobre o tecido, envolvendo-os com minhas mãos perfeitamente, como se eles fossem feitos exatamente para caber ali. E mais uma vez percebendo que tudo nela foi feito sob medida para mim.
Volto a beijar os seus lábios com vigor. E Valerie grita em meus lábios, quando aperto um pouco mais firme os seus seios. E ela solta os meus lábios e olhando em meus olhos, disse com voz carregada de desejo para mim:
— Que saudades disto meu amor, de ser tocada desta maneira por você! Amo você Henry, e a maneira de me tocar e de me amar. Eu quero você demais amor!
Suas palavras, que evidenciam, o quanto ela me deseja, me incendeiam por inteiro, então respondo...
— Sou seu meu amor, estou aqui. Amo você minha Valerie!
— Sim, sou sua meu Henry!
E voltamos a nos beijar, enquanto eu continuava minhas carícias a provocando em seus seios.
Porém, bem neste momento, suas unhas, ainda que por sobre o tecido, passam fortemente me machucando, justamente onde está a ferida profunda que ela não sabe. A que eu venho tentando esconder, pois, refere-se ao dia em que Mildrad fez a emboscada para mim.
A dor é tanta, que agora sou eu é quem grito em seus lábios e ela se assusta na hora, e solta os meus para me olhar, e sei que ela sentiu algo diferente onde ela correu a unha que me machucou, pois, passa a ter os olhos vidrados ali.
Então, ela diz com olhos arregalados...
— Henry o que é isto?
Olho para o meu braço onde ela aponta e meu pijama está encharcado de sangue, acredito que seja por que ainda é recente, e embora já esteja fechada, a pele local, é muito sensível e nova. E ela desesperadamente ergue-se de joelhos para olhar, e rapidamente agora, tenta terminar de retirar a minha camisa.
Porém, eu tento distraí-la, pois, tenho certeza que se ela descobrir o que é, e que eu não a contei a respeito, o tempo irá fechar para mim, pois, ela vai ficar nervosa e com razão, e aí: acabou o nosso momento de intimidade.
Puxo-a contra o meu corpo, agora beijando e acariciando com minhas mãos, sensualmente, todo o seu ventre exposto, tentando distraí-la e dizendo:
— Não é nada amor, eu só me machuquei...
— Sim Henry eu sei, mas, que machucado é este? E onde foi que se feriu? – Ela está focada naquilo. E nem se dá conta de minhas provocações em seu ventre, nem mesmo quando o mordo com delicadeza. — E é grande, esta ferida Henry, e eu quero ver, pois, está sangrando demais... E por que você não me falou?
E neste instante eu congelei. Pois, eu sabia que agora ela não sossegaria enquanto eu não contasse o que houve a ela.
E de certa forma, eu sabia que ela estava certa. Combinamos não esconder nada um do outro. Assim, eu disse...
— Vou te contar.
E ela disse...
— Estou esperando Henry e eu quero ver.
Cedo, e permito que ela termine de retirar a minha camisa. Deixo sem relutar. Quando ela termina, ela me olha horrorizada e diz alarmada.
— HENRY ISTO É UM FERIMENTO DE ESPADA! DEUS MEU! — Ela diz apavorada, tapando a boca com a mão pelo espanto. – E é bem recente, foi retirado os pontos a pouco tempo, pelo que vejo... O que aconteceu?
Bem quando ela faz a pergunta, sinto sua mente fazer a conexão, e ela fala transtornada, olhando decepcionada para mim.
— Ai meu Deus! O meu sonho, a emboscada de Mildrad para você! Henry quando você iria me contar?
Um pouco nervoso digo...
— Certamente não seria agora!
E o faço, apontando o meu estado seminu e o dela.
Ela me olha e depois, se olha corada e agora fecha rapidamente sua blusa do pijama, e eu sabia, eu sabia que havia acabado o nosso momento!
Aquilo me deixou frustrado demais. Eu sabia que eu estava totalmente errado de esconder algo assim dela, porém, o fato de mais uma vez ser interrompido bem na hora em que eu estou cheio de desejo, e o pior é que, desta vez eu fui provocado ao extremo. E agora vou ficar na mão...
Aquilo me deixou irritado demais e sem pensar nas consequências, eu disse com autoridade.
— Olha, não faz mais isto está bem Valerie? – Ela me olha assustada. — Não me provoca mais, e na hora “H” corre está certo? Isto está me enlouquecendo! Eu não aguento!
Eu disse com uma voz cheia da irritação que me percorria naquele momento.
Ela me olha magoada. E diz nervosa e com os olhos cheios de lágrimas...
— Eu não faço isto Henry, não da maneira que foi hoje, e jamais com o objetivo de te deixar na mão, eu realmente iria me entregar de corpo e alma a você! Diz-me, como você tem coragem de me falar isto? Ontem, não foi culpa minha e hoje eu só quis saber o que estava acontecendo com você. Isto por que você está ferido, e eu me preocupo com você. Porém, Sr. Henry Lazar, eu acabo de descobrir que o homem que eu amo e estou disposta a sempre me entregar integralmente e sem reservas, abrindo mão de qualquer coisa, inclusive do nosso compromisso, por ver o quanto isto está sendo penoso para você, e eu não suporto ver seu o sofrimento, não é capaz de dividir as coisas comigo, omite fatos importantes de mim, inclusive que correu risco de vida! E você ainda quer que eu faça amor com você? Isto para mim, faz parte de entrega e de confiança Henry, e você escondeu algo sério de mim, não confiou em mim, e ainda traiu a minha confiança em você... E você ainda acha que está certo e me magoa com as suas palavras e cobranças? Porém, se te deixa feliz, o que eu quero neste exato instante, é ficar só e bem longe de você Sr. Lazar!
Ela diz, angustiada e sai da cama furiosa e magoada demais, que nem me olha nos olhos. E agora, eu tenho a noção exata de o quanto eu estou errado e o quanto a feri. Mas, o sangue quente e a raiva por ter reprimido mais uma vez o meu desejo, estão me desorientando.
Passo as mãos pelos meus cabelos, frustrado demais. E levanto-me organizando a cama. Ao mexer para ajeitar o lençol vejo o pacotinho dourado, só aí me dando conta de o quanto ela realmente queria me dar este momento de amor. Pois, ela saiu do quarto cedo e foi lá fora, com certeza, sem que os outros percebessem e foi buscá-lo para ficar comigo.
E, com o que ela disse, eu tenho certeza, que foi por que viu a minha necessidade, e realmente o que impediu foi ela ter descoberto que eu fui um tolo novamente e quebrei o nosso acordo de compartilharmos tudo, e justamente com algo tão sério.
Assim que eu termino de arrumar a cama, a porta do banheiro se destranca e ela sai. Então:
— Valerie? – Chamo-a. – Valerie? – Chamo-a de novo.
Ela está muda, e saiu do banheiro, já totalmente vestida e guardando o seu pijama. Ouço um baixo soluço dela, e aquilo me desarma completamente, e faz com que eu me arrependa, de verdade.
Aproximo-me dela, porém, quando eu vou tocá-la ela esquiva-se de mim... E diz com voz de choro, porém, firme...
— Não toque em mim, Henry!
Aquilo me assusta, principalmente por que ela diz, olhando com os olhos vermelhos dentro dos meus olhos e a mágoa que vejo ali, é profunda. E como estou estático ela prossegue...
— Estou saindo. Vá para o seu treinamento e mais tarde, nós conversamos.
Ela volta a fazer as suas coisas, pegando o que precisa...
Eu a olho alarmado com suas palavras e digo...
— Vai aonde Valerie?
— Tenho um compromisso... – Ela simplesmente responde, continuando a fazer o que fazia, e, me ignorando.
— Que compromisso? – Eu insisto.
— Um compromisso. – Ela para, me olha e mais uma vez, eu vejo mágoa e também decepção no seu olhar. O que faz meu peito doer. — Pode ficar tranquilo, que eu não vou sozinha, eu tenho cumprido fielmente, a minha parte Henry. Aquiles realmente tem sido a minha sombra. E se, você não acredita em mim, pergunte a quem você quiser.
Suas palavras eram ácidas e ferozes, ela estava tão fora de si, que não as estava medindo pra se dirigir a mim. Pela primeira vez, ela estava realmente magoada comigo, de verdade.
— Eu só quero saber que compromisso é Valerie...
Eu disse-lhe agora um pouco mais calmo. Aproximando-me novamente.
Porém, ela novamente, diz com firmeza:
— Não me toque! Não se aproxime e não chegue perto de mim!
— Mas, Valerie eu quero saber...
Digo insistente.
Ela está nervosa. E mais uma vez, as suas palavras, foram cortantes...
— Ah, você quer saber não é? Você pode tudo, se aborrecer, esconder as coisas de mim, ter crises de ciúme e desconfiança e me desprezar, me magoar com as palavras. – Ela diz tudo num fôlego só, e há mágoa e indignação em cada palavra. — Bem, mas, se você quer mesmo saber? Eu estou indo na casa de Elise a musicista, pois, desde que eu vim de Grewnville, eu vim focada em fazer mais uma coisa por você, para te alegrar, como tem sido a minha vida, desde que eu me comprometi com você, eu vivo por você Henry... – Ela lança as palavras para mim, mostrando-me o quanto está ferida. – E, eu estou aprendendo a tocar Alaúde por que pretendia fazer uma surpresa para você, e te ajudar aos poucos a superar, o seu trauma de tocar, e as aulas eram aqui, porém, como você está aqui, nesta semana, eu as faria na casa dela, e, Aquiles iria me levar! Por que Henry, você não quer que eu vá? Eu não posso? Diz o que o “Sr. Pode Tudo” quer?
E bem neste momento, eu me arrependo do que eu fiz, de verdade. Porque, as palavras dela, me mostram o quanto mais uma vez, eu a magoei.
O meu excesso de zelo e controle, me fizeram ultrapassar um limite tão importante. Porém, quando eu tento me aproximar, ela se afasta de novo e diz:
— Não me toque, por favor.
Eu não resisto e digo totalmente quebrado:
— Amor? Por favor?
Porém, ela diz:
— Não, agora não! Eu preciso que você pense no que você quer de sua vida Henry Lazar. Confiança e sinceridade, são coisas sérias, sempre deixamos isto muito claro entre nós Henry! Compartilhar os fardos sempre, você se lembra? Ainda que eu esteja doente, que talvez tenha sido o motivo de você não querer me contar, tentando me poupar, mas isto só faz com que eu me sinta pior, uma inútil, que nunca estará pronta para ser seu suporte. Como eu poderei ser a sua esposa então? E mais, você traiu a minha confiança, me magoou e me ofendeu! Chega com isto!
E aquilo me alarmou, pois, apesar de seu estado, sua voz é firme. Eu a olho e seu olhar é duro. Ela completa muito seriamente:
— Eu amo você e sei que de agora para frente, será para sempre assim, independente de qualquer coisa, pois, eu não posso mudar o meu coração, e ele pertence a você. Mas, você precisa refletir um pouco no que aconteceu hoje! Bom dia, bom treinamento para você, que o Criador, acompanhe você, Henry Lazar!
E ela sai. E eu fico angustiado ao extremo. Com o coração dilacerado por tudo o que eu fiz, e com tudo que eu ouvi.
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