A Garota Da Capa Vermelha - Continuação.
32 UM DIA RESERVADO PARA CONVERSAS IMPORTANTES-Cp. 31
Notas iniciais
POV VALERIE
— Olhe, eu vou responder o que eu disse da outra vez. Eu confio em vocês, mas, por ser o Henry, eu não me sinto a vontade para compartilhar nada sobre nós, nem que sim ou que não. Espero que me entendam.
Elas me olham pensativas, mas, os seus rostos, mantinham expressão de compreensão. Por fim...
— Bem, eu entendo. Pois, o Marvel diz, que nem com ele, que é muito próximo, o Henry dá espaço. Ele fica totalmente desconfortável. E o Marvel nem insiste mais. – Disse Roxane.
— O Cedrico diz que ele nem se atreve, apesar de que, depois que eles estão trabalhando juntos, ele tem mais liberdade, todavia, o Henry é muitíssimo reservado, segundo ele. – Foi à vez de Prudence.
— Ele é mesmo, e muito. Portanto, eu agradeceria se vocês entendessem. – Eu digo aliviada.
— Claro que entendemos. Mas, percebemos você sempre muito segura e sem preocupações neste sentido. E sabemos que o Henry é muito maduro, e você sempre foi. Lembra-se do Peter? Vocês ficaram juntos várias vezes e nunca... – Rox disse.
O comentário me deixou desconfortável. Eu, comparar o Peter e o Henry em minha mente de uma forma leve e tranquila, é uma coisa, outras pessoas fazerem isto, e em forma de comentários, é outra e incomoda.
— Meninas eu gostaria muito de pedir, que a conversa não tomasse o rumo das comparações. Mesmo por que, são impossíveis de se fazer. Pois, o Peter e o Henry são dois mundos totalmente distintos e únicos. E cada um a sua maneira e ao seu tempo, fizeram parte de minha vida.
Elas confirmaram com a cabeça e entenderam tranquilamente.
Conversamos mais um pouco, lanchamos e organizamos tudo depois. E por fim, elas vão embora, mais sossegadas, por eu ter me colocado a disposição para estar apoiando-as.
Assim que completo tudo que eu precisava a fazer, vou até o meu quarto e preparo, uma caixa média. Forro ela com um papel Bege por dentro e por fora, decoro caprichosamente, faço o mesmo processo com a tampa, porém forro-a de Marrom e identifico como Recordações de Henlerie. Faço uma divisão interna, e identifico de um lado como Pertences da Valerie, e o outro como, Pertences do Henry.
Eu poderia fazer caixas separadas, mas preferi fazer com uma maior e dividir, como símbolo e lembrança de que a partir de agora, estamos nos preparando para compartilhar tudo, nossas vidas, nossas coisas, nossas alegrias, nossas dores.
A única coisa eu jamais dividiria nesta minha relação com o Henry, seria ele mesmo. Isto sem chance! Ele é meu exclusivamente, assim também como eu sou dele. Disto verdadeiramente eu não abro mão.
Vou até a mesinha da cama, pego as cartas já lidas, guardo-as ali. De repente, sinto vontade de escrever os sonhos que tenho tido depois que estou com o Henry, os bom e os ruins, ou seja, os que são para promover esperança e alegria, e também os que são de aviso e orientação, que podem nos preparar para superar algo, ou até mesmo para nos livrar de algo, que pode estar por vir.
Escrevo o sonho do Peter, vindo me dizer que ficaria feliz de me ver prosseguir com o Henry; O sonho em que o Peter me conduz até o Henry; O sonho de Mildrad. E por fim, penso que será bom também escrever o sonho íntimo com o Henry, mas, claro que este vou guardar com critério e cautela. Escrevo-o então.
Assim, eu separo em envelopes distintos, as Cartas,os Sonhos Bonse Sonhos de Aviso. Identificando cada envelope, e no meio dos sonhos bons, coloco um envelope, a parte, identificado como Sonhos Íntimos.
Preparo envelopes para o Henry também, identificando-os. Mas, algo me diz, que ele ficará extremamente curioso com a questão sonhos íntimos. E também creio que ele irá relutar escrever os seus.
No entanto, com jeitinho irei convencê-lo. Não sei por que, mas, sinto que será importante, e claro, que eu não tenho pretensão alguma de ler, porque assim, eu daria a ele, o direito de ler o meu. Sem chance!
A tarte passa rápido, e quando está próximo do Henry chegar, eu tomo outro banho, devido ao calor. Preparo-me da melhor maneira, lavando os cabelos, secando-os, visto um vestido rosa claro, vou até o quarto dele e preparo tudo para o seu banho...
Vou para o jardim e sento-me ao banco, esperando por sua chegada. Claro que só faço isto, pois, eu sei que está bem perto dele estar aqui. Entendo que, realmente ele não me quer aqui fora sozinha.
Enquanto espero fico repassando em minha mente, tudo o que temos vivido e desfrutado juntos, e a forma tão linda que temos construído o nosso relacionamento. Com sinceridade, honestidade, com respeito, harmonia, compreensão e confiança.
A maturidade do Henry é incrível, apesar de saber que, com a sua idade, ele realmente tem tudo para ser maduro. Fico imaginado que com toda a sua responsabilidade, o Henry será um marido maravilhoso e um pai perfeito.
Amei o sonho que ele teve, onde ele já nos via casados e eu esperando os nossos bebês. Fiquei emocionada demais com esta perspectiva, eu sendo mãe. E também me emocionei com a reação dele, o quanto ele os quer.
Fico pensando... seria um menininho e uma menininha mesmo? Ai meu Deus, seria uma dádiva, em meio a tantas outras, que eu tenho recebido no pacote “Henry, lindo, perfeito, maravilhoso, meu noivo, Lazar”.Começo a rir com este pensamento.
E ao pensar nisto, é impossível não pensar em Prudence e Cedrico, e o possível bebê a caminho.
De certa forma, eu vou achar ótimo, pois, eu poderei curtir bastante o bebê deles antes de ter os meus, vai transformar a espera em algo mais leve. Mesmo por que, eu quero mesmo esperar, pois, eu creio que tanto eu quanto o Henry, nós necessitamos de um tempo depois de casados para cuidarmos um do outro. Um tempo só nosso para desfrutarmos um do outro com mais liberdade.
Quanto aos meus amigos, a Prudence e o Cedrico, eu quero mesmo ajudá-los no que eu puder. Mas, primeiro, eu preciso conversar com o Henry, pois, eu não sei quais são os seus planos. E eu sei que agora pensamos em conjunto, pois eu já faço parte da vida dele, assim como ele faz parte da minha.
Percebo que desde que ele se abriu para mim a respeito de suas “experiências” com outras mulheres, por mais que ele tenha me dito tudo aquilo, eu estou muito apreensiva, e a ida para Grewnville, agora, é motivo de ansiedade para mim.
Quando já está na iminência da sua chegada, meu coração dispara, e o meu corpo todo reage na expectativa de recebê-lo. O que não demora acontecer.
Como sempre, ele vem sorrindo ao meu encontro. Vou ao seu encontro, e ele por sua vez, lança na grama a sua bolsa, e me recebe com braços estendidos, e ergue-me pela cintura girando-me enquanto nos beijamos aniquilando a saudade.
Acho tão gostosa a sensação que eu tenho quando nos olhamos após ficarmos distantes por algum tempo...
O Henry me olha como se eu fosse a melhor visão do mundo. E isto me faz sentir tão importante, tão amada, linda e única. Mas, eu tenho certeza, que o meu olhar para ele, não é diferente.
— Oi amor, eu estava com tantas saudades. Esta casa não é a mesma sem você...
Eu lhe digo feliz e ele me retribui com um sorriso deslumbrante que faz o meu coração derreter. Como eu amo aquele sorriso.
— Olá minha noiva! Eu imagino como deve ter sido a sua saudade, pois, a minha também foi insuportável amor.
Ele volta a beijar-me. Creio que, nós nunca nos cansamos dos lábios um do outro, pois, a sensação é maravilhosa. É o meu pequeno pedaço de Paraíso mesmo.
Então, ele diz:
— Sabe, foi interessante você dizer isto amor, sobre a casa não ser a mesma sem mim, pois, todas às vezes, que eu estou chegando, eu tenho realmente a sensação de que aqui é o meu lugar. E desde o início é assim, essa é a sensação que eu tenho, ao estar aqui. Parece que é onde eu sempre deveria estar. Parece que este sempre foi para ser meu lugar...
Eu achei aquelas palavras interessantes. Pois, elas me fizeram lembrar, o que Peter disse no sonho:
“Era para ser sempre assim.”
— É às vezes, eu tenho esta impressão também...
Eu disse a ele enquanto ele se abaixava para pegar a sua bolsa, e me conduzia segurando em minha cintura, para o chalé.
Ao entrarmos, eu fui tomada por uma imensa vontade de beijá-lo novamente. Porém, agora com paixão.
Então, eu virei-me de frente para ele, olhando em seus olhos, e assim que o Henry percebeu a minha intenção em meu olhar, ele fechou a porta, colocou a bolsa sobre a mesa, enquanto eu me colocava na ponta dos pés para alcançar seus lábios, e envolvia seu pescoço com as mãos, indo em direção a sua nuca.
Ele envolveu a minha cintura em um aperto de aço me levando para o mais próximo possível do seu corpo. Fazendo-me soltar um gemido, pela gostosa sensação de estar daquela forma em seus braços.
Embora o beijo tivesse muita urgência mostrando a carência de contato de um pelo outro, vi claramente, que nossos toques eram mais contidos, mais cautelosos, as carícias não eram tão ardentes, e fiquei observando e pensando que realmente o nosso compromisso tinha sido uma boa ideia, porque se continuássemos como estávamos, boa parte do tempo que passamos juntos, fazendo planos, conversando, namorando, passaríamos fazendo amor, não que isto fosse ruim, é claro que não.
Mas, para quem esta no início de um relacionamento que já começou sério, e com planos para futuro, nos tiraria a oportunidade de nos conhecermos mais, de trabalhar a nossa cumplicidade, em várias áreas. Senti-me reconfortada por isto.
Quando já estávamos sem ar, o Henry se afastou me examinando e disse:
— Em que você estava pensando enquanto nos beijávamos? – Hum... Ele percebeu. Eu resolvi ser sincera:
— No nosso compromisso amor, até o casamento... – Ele sorriu timidamente para mim... – Mais especificamente eu estava analisando o quanto fizemos bem com esta escolha. Veja bem, eu verdadeiramente amei fazer amor com você, foi uma das melhores coisas que já fiz em minha vida, é sério... — Seu sorriso ganhou ainda mais intensidade... – Mas, se continuássemos desta maneira, perderíamos muito do tempo que dispomos para conversarmos, nos conhecermos, namorarmos, algo tão fundamental para quem está começando um relacionamento, principalmente um relacionamento que já iniciou sério, e com um propósito e planos para o futuro, realmente foi uma sábia decisão. Nunca estive tão feliz com uma escolha. – Percebi o Henry maravilhado com minhas palavras...
— E eu nunca me senti tão certo por ter escolhido você, esperado por você e lutado por fazer você minha esposa, amor... Eu tenho certeza que eu sou o homem mais realizado deste mundo. E também quero que você saiba que, fazer amor com você, foi a melhor coisa que eu já fiz em minha vida. Mas, eu tenho a impressão, que a cada vez será melhor ainda... Portanto, só ganhamos por aguardar. Eu amo você Valerie.
— Também amo você Henry. E agora, eu gostaria que você fosse para o banho, enquanto eu esquento o nosso lanche, temos muito a conversar e quero tempo para descansar um pouco com você amor... e, como foi, a sua tarde lindo?
— Retirando a saudade intensa de você, ótima, e melhor agora... mas, linda... antes de qualquer coisa, eu preciso perguntar a você, a Prudence e a Roxane, estiveram aqui?
— Sim amor.
— Então, você já sabe. – Não era uma pergunta.
— Sim Henry, eu sei, e eu quero muito apoiá-los no que eu puder, o que você acha amor?
— Bem, eu quero o mesmo. E mesmo antes de saber, eu já queria, você se lembra da casa? Eu estou apenas esperando para conversar com você. Se você realmente estiver de acordo, já está fechado para mim, amanhã no jantar contaremos a eles.
— Claro que eu estou amor, você tem carta branca então.
— Certo amor, deixa eu ir para o banho então...
E ele sai carregando a sua bolsa em direção ao quarto. Depois de alguns minutos o Henry volta, com a bolsa que eu preparei para o passeio nas mãos.
— Amor o que é isto?
— Ah... São coisas que eu separei para a viagem de amanhã, Henry. Uma peça de roupa a mais para você e eu. Coisas pessoais, nada demais. Somente por precaução. – Ele sorriu...
— Como sempre, você pensa em tudo não é Valerie? – Agora sou eu quem sorri, e ele pergunta... — Posso saber com que roupa você vai? – Dou um sorriso maior ainda...
— Claro que não! É surpresa, e a sua esta separada no guarda roupa, mas, você pode mudar, se quiser. – Eu digo a ele.
— Bom, se você não se importar, eu quero vir pronto. Porque eu também preparei uma surpresa pra você, que eu acredito que você vai gostar amor.
O meu estômago, se contorceu, tentando imaginar como ele estaria vestido...
— Sem problemas amor, eu amo surpresas, ainda mais vindo de você. – Ele sorri feliz e afasta-se para dentro do quarto fechando a porta e dizendo...
— Hora do banho, agora é para valer... – Eu ri e continuei terminando de preparar tudo ali.
Depois de algum tempo ele saiu do quarto com uma camiseta branca. Ela era sem mangas, colada no corpo e bem confortável. Noto que expõe completamente seu braço musculoso, realçando-o. E evidencia cada traçado do seu peito e abdômen. Já a calça, é de tecido leve e larguinha. Mas, o mais interessante foi que eu separei para ele, porém, eu não havia percebido o quão provocativo aquele traje era... meu Deus, estou em apuros.
Meu coração perdeu uma batida. Eu nunca o havia visto daquela forma, com aquele tipo de roupa, e ele estava extremamente sensual... Procurei o ar com dificuldade, enquanto tentava ganhar outro foco que não fosse contemplar o seu corpo... O que Henry percebeu, e como sempre, por ser mais focado do que eu, disse:
— Amor, me desculpe. Porém, foi uma escolha sua. E linda, eu sei que você gostou demais da visão... – Ele disse esta parte sorrindo apontando para o seu corpo, senti que foi mais para quebrar a tensão... – Contudo, eu acho que não é uma boa testar o seu autocontrole assim, o que você acha?
Como ele consegue fazer isto, ser tão centrado desta forma? Eu juro que estou me esforçando, e estou mesmo, e sei também que ele me deseja tanto quanto eu. Mas, como ele consegue ser tão focado? Quando ele sabe, que a mulher que ele ama, está diante dele, “salivando” de desejo por tê-lo, e continuar agindo com tanta naturalidade assim?
Eu pisco várias vezes tentando sair do choque... eu simplesmente pergunto...
— Amor, me conta o seu segredo, por favor... como você consegue fazer isto? Agir com tanta naturalidade como se nada disto, estivesse te abalando? Por favor, me ensina Henry. Você sabe, você pode ver que eu estou me esforçando, mas, amor eu não consigo ser como você.
O Henry, me olhava com uma expressão nova para mim, ela ia do divertimento a vergonha e compaixão. Ele se aproxima senta ao meu lado à mesa que já estava posta para lancharmos, toma as minhas mãos e diz:
— Amor, não é simples assim, e não é sem esforço, entretanto, eu preciso manter o foco, pois, eu já sei que você tem mais problemas com isto do que eu... e, eu sei que você não faz de propósito, é de você, você é assim... eu não quero que você mude. Nós só vamos treinar mais limites, que só servirão por enquanto, depois, não precisaremos mais deles, tudo bem?
Outra grande qualidade do Henry, é que ele consegue transformar as situações mais constrangedoras e difíceis em coisas casuais. Eu não pude deixar de dizer olhando em seus olhos...
— Amo você Lazar, demais... – Respiro fundo... – Mas, por favor, vai lá amor e troca, pelo menos, esta camiseta, por que verdadeiramente é demais para mim, e realmente eu quero levar esta coisa do compromisso a sério, e me desculpa, eu não fiz esta escolha consciente do que este traje fosse fazer comigo Henry, me perdoe mesmo...
Me senti péssima dizendo aquilo, mas, o que eu podia fazer? Era verdade. Como o bom cavalheiro de sempre, ele sorriu, me deu um selinho, e antes de voltar ao quarto, me disse:
— Eu sei amor, fica tranquila, a propósito, amei a sua roupa hoje, você fica linda de rosa, embora você use tão pouco. E aproveito a oportunidade para pedir, evite usar o azul e verde, degrade, eu te imploro...
Ele faz literalmente cara de súplica, e eu não aguentei, caí na gargalhada.
O Henry ficou roxo, de vergonha, pois, eu sabia que era o seu vestido favorito, ele amava me ver com ele, mas, realmente ele o fazia perder o controle, e ele disse, ainda sorrindo verdadeiramente...
— Pelo menos até nos casarmos, depois, você pode usá-lo quando quiser... – Ele disse o final da frase com um olhar malicioso.
— Pode deixar amor... – Rapidamente ele vai ao quarto troca a camiseta por uma camisa de gola polo branquinha, e senta-se novamente ao meu lado.
— Melhor assim? – Ele pergunta...
— Claro que não, não é amor? Para os meus olhos não..., mas, pra minha sanidade sim... – E rimos os dois juntos...
Comemos, conversamos, lavamos e organizamos tudo e vamos em direção à sala, para o sofá, entretanto, enquanto ele organiza os desenhos para conversarmos, vou até o meu quarto, e busco meus dois envelopes para ele e o embrulho com a capa. E quando me aproximo dele entrego-o dizendo...
— Amor. Antes de conversarmos, eu quero lhe entregar isto... este... — Pego o embrulho. — É um empréstimo, até amanhã. Para o caso, de a saudade hoje estiver insuportável. Aqui nesta carta, diz o que você deve fazer.
Digo-lhe olhando-o profundamente.
— E esta outra, é para quando você for dormir. Não fiz para quando você acordar, pois, nos veremos logo cedo... ele me olha curioso, e seus olhos estão brilhantes e elétricos, reconheço a sensação: expectativa. Ele se recompõe e diz.
— Obrigado amor. E se este é um empréstimo, quer dizer que, você precisará dele amanhã?
— Sim claro..., mas, até amanhã, você poderá aproveitá-lo. Deixe para ver tudo em casa, tudo bem?
Ele sorri nervoso... o que me faz piscar atônita algumas vezes...
— Tudo bem... olha, mas voltando ao assunto Valerie...
Ele agora recobra a postura e me convida a sentar-me de frente a ele no sofá e diz. Aqui estão, quero a sua sincera opinião em tudo, mas, tudo mesmo...
Meu coração dispara quando vejo tudo que está em minhas mãos, primeiro começo com o desenho do chalé, que agora está mais para uma suntuosa casa. Linda, aconchegante, mas ainda rústica, preservando tudo que o local requer.
Eu fico impressionada com a riqueza dos detalhes em que o Henry, desenha, há desenhos que a mostram externamente, em cada ângulo, e outros internamente, também da mesma forma...
Ao todo temos seis quartos com banheiros, completos com banheiras e tudo o mais, um banheiro social, duas salas, uma cozinha média, vejo que ele colocou varandas ao redor de toda a casa, acrescentou as cercas vivas, esboçou a mesa com os bancos na área...
Os jardins e pomares ficaram divididos em cada lado do terreno deixando todo ele livre ao centro, lavanderia em uma das áreas... Havia tudo, Henry havia pensado em tudo, mas, com a maior riqueza de detalhes. Percebi que três, dos seis quartos, ficavam no andar de baixo junto aos outros cômodos, mas, afastados por um corredor. Dos outros três, dois, ficaram no segundo andar e um muito grande no terceiro, quando olhei aquele com mais detalhe ele falou:
— Sugiro que este seja o nosso, pensei em privacidade e vista bonita. Mas, a palavra final é sua, amor. Em tudo, tudo mesmo. Eu só organizei da forma em que eu pudesse unir praticidade, com conforto, privacidade, e beleza, mas, você poderá mudar o que quiser... então, o que você me diz?
Percebi em sua voz, que ele estava bastante curioso e ansioso, aquilo possuía uma importância sem tamanhos para ele, e eu não iria de forma alguma estragar este momento.
Realmente, eu fiquei impressionada com o que o Henry estava disposto a fazer por mim. Na verdade, para mim, era um exagero, no entanto, no ponto de vista dele não era, pois, ele podia fazer aquilo, e se deliciava em poder fazer por mim, então, não custava dar a ele, esta alegria... Então, muito sinceramente eu disse...
— Amor, na verdade, eu estou sem palavras, é tudo lindo, eu amei tudo, cada parte, é bem mais do que eu esperava, eu nunca nem sonhei com estas coisas Henry. Fico mesmo lisonjeada por você querer me oferecer algo assim, eu já te disse, eu não sinto que eu mereça, mas, eu agradeço, assim mesmo, pois, eu sei que aqui realmente está o melhor de você para mim, e eu quero tudo de você amor!
Como sempre ao final as lágrimas estavam presentes... eu estava maravilhada demais, chocada demais, feliz demais, meu coração transbordava de tanta alegria.
Aproximei-me dele e lancei meus braços em seu pescoço, beijando-o com paixão e gratidão. Como era bom ter aqueles lábios quentes e macios nos meus, os beijos do Henry, sempre são maravilhosos, carregados de significados...
Quando o ar nos faltou, eu escorreguei os meus lábios por seu queixo, seu rosto sua testa, nariz, outro lado de sua face, olhos e por fim, seus lábios novamente... E em seus lábios, comecei a dar beijos intercalados com...
— Te amo... Te amo... Te amo...
Fiz isto várias vezes, até que na última, ele segurou meu rosto com as duas mãos e disse, olhando em meus olhos, com paixão.
— Amo você, adoro você, não vivo sem você, você é minha, só minha, e quero você só para mim, para sempre Valerie. Quero dormir e saber que, a última coisa que eu vou contemplar antes de fechar os olhos, é você. E a primeira coisa que verei ao abri-los, é você. Quero poder amar você todos os dias, satisfazendo os desejos não só do meu corpo e do seu corpo, mas, as necessidades da minha alma, da sua alma e dos nossos corações, com você. Quero fazer planos com você, sonhar com você. Construir uma vida e uma família linda com você. Quero poder chegar do trabalho e saber que eu terei você aqui me esperando, para cuidar de mim, assim como desejo, estar sempre disponível para cuidar de você. Quero poder buscar refúgio para os meus sofrimentos em você e em seus braços, como também quero oferecer a mim e os meus braços como refúgio a você. Quero ver meus filhos sendo gerados aqui... — E ele nesta hora toca com gentileza o meu ventre. — E poder estar com você te apoiando, encorajando e curtindo cada fase em toda a gestação e no momento em que cada um deles nascerem. Eu quero estar ao seu lado para educa-los, ensiná-los a andar, falar, comer, viver... tudo amor, quero viver cada segundo da minha vida, desfrutando de você e de sua companhia, minha linda noiva e futura esposa, razão do meu viver, e dona absoluta do meu coração. Eu nunca vou cansar de dizer que te amo, jamais!
A única coisa que eu conseguia fazer diante daquelas palavras era soluçar, eu realmente estava emocionada, eu nunca imaginei que alguém pudesse amar tanto assim.
A força daquelas palavras do Henry era tão profunda que ainda reverberavam em minha mente, e em meu coração como um eco. Fazendo-me sentir viva, como eu nunca me senti antes, amada, desejável, poderosa...
Assim que nos recuperamos, ainda meio amortecidos, dei mais um selinho em seus lábios e voltei minha atenção novamente para os papéis agora em minas mãos.
Passei a olhar, neste instante os outros desenhos, e amei cada detalhe. Olhei o da casa da vila, e notei que ele escolheu detalhes mais imponentes e arrojados, eu também gostei de tudo, muito embora, acabei opinando em algumas coisas que foram poucas, porque tudo estava perfeito.
As casas que serão feitas para a sua avó e para a minha mãe, nem precisaram de opinião, estão perfeitas, na medida certa para cada uma.
Assim que termino de olhar tudo, com cautela...
— Amor, está tudo muito mais do que perfeito. Você tem carta branca para fazer como quiser, e não posso deixar de dizer que eu estou impressionada com tudo, tudo perfeito, inclusive os desenhos, você é muito talentoso amor, demais mesmo... Tenho orgulho de você Henry, e de tudo o que você faz, tudo sai com perfeição, meu lindo.
Ele sorri para mim e diz...
— Que bom então, e obrigado amor. É que sempre que eu vou fazer algo para você, eu fico mais inspirado. Entretanto, agora, esta parte de nossa conversa, então, está praticamente acertada... amor, eu preciso apenas saber, sobre uma coisa, você tem interesse em manter algum móvel? Seja sincera, pois, quanto a mim, eu trocaria todos por coisas novas. Mas, eu pergunto isto, pois, de repente, tem alguma coisa de valor afetivo para você. E eu não irei me opor se você quiser. A única coisa que eu faço objeção, e você já sabe, é a sua cama do seu quarto, e você também já sabe por que...
Claro que eu sabia, a cama que eu dormia com o Peter. O Henry já havia me falado sobre isto, inclusive é o motivo de não dormirmos no meu quarto...
— Bom, se você acha melhor trocar todos, tem minha permissão, só gostaria de pedir então, que déssemos estas coisas para alguém que precisa, será que eu posso?
— Claro amor, para quem você quiser, brilhante gesto, te dou todo o meu apoio. – Percebi que ele ficou satisfeito...
— E agora, nós temos mais uma pauta pelo que eu saiba não é? – Eu perguntei.
— Sim, e esta é tão importante quanto amor, pois, trata-se de sua segurança, aliás de nossa segurança...
— Claro Henry, eu sei disso, amor.
— Acho que deu para perceber pelos desenhos, que a casa é muito mais segura... A começar por portas e janelas a parte interna delas terá bastante vidro, mas ela terá uma cobertura externa de madeira pura, e grades internas. Já as cercas, antes, eu não tinha o objetivo de ter muros e somente cercas mesmo. Agora também será diferente, terá os muros e as cercas vivas serão confeccionadas por cima dos muros... E bom, o assunto mais importante, a partir de segunda feira amor, teremos cinco pessoas preparadas e treinadas nas melhores cidades do reino, responsáveis por nossa segurança pessoal, e eu preciso que você colabore, eles precisarão conhecer a sua rotina, a minha, ter completo acesso a nós.
Não consegui esconder, fiquei muito alarmada com aquilo, se aquilo era realmente necessário, Henry sabia de algo que eu não sabia ainda. Então, eu perguntei:
— Mas amor, se você está disposto a tomar todas estas providências é que a coisa é mais séria do que eu penso...
Ele não hesita em responder:
— Sim é amor... E é por isto que eu preciso que você colabore. Eu andei buscando informações sobre o Mildrad, e ele anda envolvido com coisas bastante pesadas, e nunca esteve tão sem controle. E eu não posso e não vou brincar com a sua segurança Valerie. Estes homens são guerreiros qualificados, ainda até mais do que eu, porque já fazem isto há anos. E eu pessoalmente, irei treiná-los, conforme eu os quero para trabalhar com nossa segurança. E depois que montarmos todo o esquema de segurança e vigilância, eu vou te explicar tudo com detalhes... Por que não se trata unicamente de você, mas, daqueles que estão ao seu redor também... Veja bem, a possibilidade do Mildrad, tentar aqui na vila, um ataque a você diretamente, é mínima, pois, ele já foi acuado em ação uma vez o que o deixa muito mais vulnerável e sobre suspeita imediata, e tenho que dizer, eu vou ser grato ao Peter por isto para o resto da minha vida. Se não fosse por ele naquele dia...
Percebi que o Henry estava atormentado com aquilo, bem mais do que me permitia perceber...
— Mas, o Mildrad pode usar pessoas sutilmente, pra chegar até você... Então se trata da segurança de todos: a sua, a de sua mãe, a minha, a de minha avó, a das meninas, e até a do Cedrico, e como você também estará fora, eu não posso deixar de pensar na família do próprio Mildrad, eu devo isto ao Marvel, ele é nosso amigo, Valerie. E ele mesmo, tem receio demais do irmão, ele sempre deixa claro, que não confia nele. Inclusive, foi o Marvel que facilitou o meu acesso a muitas informações acerca do Mildrad. Através de Roxane, ele não esconde nada dela, assim como eu faço com você. Até mesmo por que, ele teme pela segurança dela também, ele sabe o irmão que tem. O maior medo de Marvel é de que algum dia, as pessoas que o Mildrad, prejudica, ou até mesmo as que ele se envolve, resolva descontar na família dele. E isto é sério amor, demais.
Eu ouvi cada palavra atentamente, e realmente, eu estava assustada com tudo. Demais da conta...
A esta altura, eu percebi que todo o meu corpo tremia e lágrimas encheram os meus olhos, o que Henry logo notou e abraçou-me fortemente, e em seguida, somente afastou o seu rosto para me olhar, e disse:
— Ah, minha princesa, não fica assim, por favor. Valerie, eu prometi e prometo novamente amor, eu tenho feito, e farei tudo, mas, tudo que estiver ao meu alcance para ele não chegar até você. Mas, caso ele ouse amor, ao menos, fazer isto ou tocar você, tenha certeza no seu coração, que ele o fará pela última vez. Pois, eu verdadeiramente vou mata-lo Valerie. E eu não estou brincando amor, quando eu digo isto. De fato, eu nunca desejei tanto matar uma pessoa. Muito pelo contrário, eu sempre evitei ter de fazer isto. Mas, eu não sou perfeito, e esta criatura, ultrapassou todos os meus limites!
O Henry falava com uma fúria em seu olhar que era impossível duvidar de suas palavras. Eu o abracei mais ainda e fui em direção aos seus lábios. Eu não conseguia falar, mas, precisava expressar a ele que eu confiava plenamente nele. Para cuidar de mim, me proteger. E o beijo, foi me acalmando, mas, ao mesmo tempo, foi me deixando ciente do estado emocional em que o Henry estava. Percebi o quanto ele tem estado angustiado por isto. E o quanto ele tem escondido isto de mim. Talvez por ver, o quanto este assunto me abala.
E ocorreu-me de falar algo, pois, esta observação de que o Henry tem carregado todo este fardo de preocupação sozinho, me entristeceu...
— Amor. Eu ouvi, compreendi e prometo a você que eu vou colaborar, com certeza. Mas, uma coisa me preocupou e também me entristeceu Henry...
O seu olhar, mostrou preocupação e curiosidade, com as minhas palavras...
— Pelo que parece, você já tem se preocupado demais com isto, e tem carregado este fardo sozinho Henry, por que você não me falou antes? Eu estou vendo que isto deixa você bastante abalado amor, e nós fizemos o compromisso de dividirmos os fardos, você lembra?
Ele respirou fundo, tomou as minhas mãos, beijou o meu rosto...
— Eu sei, e peço perdão por isto Valerie, mas, é que eu queria compartilhar com você, apenas depois que eu estivesse com tudo em ordem para não te alarmar, eu sei o quanto este assunto meche com você... Isto certamente não ia cooperar muito. Todavia, eu quero tranquilizar você, pois, eu dividi sim, pelo menos o necessário, com o Cedrico e o Marvel por meio de Roxane... Afinal, envolve as mulheres da vida deles também amor... E amanhã no noivado, se houver um momento em que nos afastemos por um tempo, eu e os outros, é sobre isto que estaremos conversando, então, não se preocupe, entendeu?
— Claro, amor, sem problemas...
Nós ficamos nos observando por um tempo. Como era bom contemplar aquele rosto. A tranquilidade e a paz de espírito do Henry é algo contagiante, mas, eu imagino o preço que ele paga, por sempre tentar esconder suas preocupações somente para ele.
Enquanto nos olhávamos, comunicando-nos com os olhos, e por sinal eu e ele adoramos isto... eu acariciava o seu rosto com carinho. Até que em um momento, senti o desejo de estar mais próxima a ele, mas, eu não queria dizer... para não quebrar o momento, mas ele percebeu a diferença em mim...
— O que foi amor?
Ele percebeu que eu hesitava... percebi, que o meu rosto esquentou, incrível como eu consigo ainda ficar corada diante dele, se ele já me conhece por inteiro, realmente não sei explicar... ele já estava aflito...
— Valerie, é uma tortura quando você faz isto, me priva de saber o que está pensando ou sentindo amor... passam milhões de coisas em minha cabeça...
— Eu sei... Não é nada demais, eu apenas estou com vergonha de falar, eu nem sei por que amor...
Ele respirou fundo, tomando-me pela cintura, e sentando-me em seu colo... então, eu comecei a rir, rir literalmente... pois, era isto que eu queria, e eu não conseguia falar.
O Henry me olhava assustado sem entender, até que eu comecei a me acalmar das risadas e disse:
— Amor, não se preocupe, eu estou rindo por que você me deu o que eu queria, e não estava conseguindo pedir, só isto...
O Henry me olhou incrédulo...
— Você estava com vergonha de vir para o meu colo amor? Sério? Como? Por quê?
Ele estava exasperado, ele não conseguia entender, e o pior, é que, eu acho que eu não saberia explicar...
— Amor, não fique aborrecido, nós fizemos um compromisso. E na verdade eu não sei o que é normal, para nós dois, ou não. Eu não sei quais os nossos limites, você entende? Eu já falei que não eu sou como você. Então, eu nunca sei até onde eu posso ir... ah... é difícil explicar Henry, e é constrangedor também...
Ele enfim, sorriu. Acho que compreendendo...
— Eu entendi amor, o que eu quis dizer, é que, eu não desejo que percamos a liberdade um com o outro. Mas, muito pelo contrário, que nós a tenhamos a ponto de simplesmente poder dizer, francamente ao outro, se as coisas estiverem demais. Mas, entendo você, isto é um risco, pois, realmente há momentos que se torna impossível parar, ainda mais agora, por que podemos prever exatamente o que está por vir, pois, já nos conhecemos neste aspecto também, pelo menos um pouco.
Ele compreendeu exatamente...
— Você está certo amor, e é justamente isto, quanto mais eu recebo de você, mais eu quero você. É um ciclo vicioso, não há como romper, pelo menos para mim... eu já te disse e repito: você é extremamente e insanamente desejável. Amo cada parte de você, também desejo cada parte de você, meu príncipe..., contudo, no momento, eu desejo muito mais manter o nosso compromisso, e eu deixei bem claro, que eu preciso da sua ajuda amor. Eu sou humilde o suficiente para reconhecer minhas fraquezas, eu já te falei isto. E você com este seu corpo lindo, maravilhoso, que me convoca até você a cada olhar, no momento é a minha maior fraqueza Henry, agora sou eu quem diz, francamente...
Por mais que os seus olhos, já denunciassem o seu desejo, ele sorriu para mim, demonstrando normalidade.
— Eu sei amor, eu não questiono isto, e me sinto lisonjeado, é claro que me sinto... em saber que eu tenho uma noiva, que por um acaso, é a mulher mais linda, também insanamente desejável... e que por uma dádiva, ela também me deseja, da mesma forma... nossa... sou o homem mais feliz e sortudo do mundo... eu vou te ajudar, tenha certeza disto minha noiva! Minha, minha, minha, minha, para sempre minha...
Ele dizia, dando vários selinhos em meus lábios, conseguindo agora arrancar sorrisos de mim...
— Para Henry!
E ele continuava..., porém, agora, arrancando risadas de mim... até que eu cedi, e comecei a retribuir os seus selinhos, fazendo com que logo, se tornassem um beijo só, lento, doce, demorado e delicioso. Como eu amo esta boca, e cada parte deste homem.
É impossível ficar irritada ou chateada com ele. Pouco tempo depois, eu já estava com minhas mãos em seus cabelos puxando seus lábios ainda mais para mim, mas, não demorou muito para que eu percebesse que se avançasse não teria volta, porque todo o meu corpo, já reagia, e o calor que me preenchia já estava me desnorteando.
Então, suavemente, eu me afastei. Fechando ainda mais os olhos, e respirando fundo para clarear a minha mente, difundindo a névoa de desejo... quando eu me senti recuperada, resolvi abri-los para olhá-lo em seus olhos...
Para minha surpresa, ele me olhava divertido, me deixando, primeiro confusa, em seguida irritada, pela possibilidade de estar se divertindo com meu sofrimento, apesar que, eu na verdade não acreditava nisto, porque não combinava com o Henry, este tipo de postura. Então, eu disse:
— Eu gostaria muito de ter a certeza, de que você não está rindo ou debochando de mim, Lazar.
Ele assustou-se com o meu comentário. Acho que percebeu a minha irritação...
— Amor o que houve com você? Por que você está nervosa? Amor eu não estou rindo de você. Você sabe que eu não faria isto.
E agora ele me olhava sério.
— Eu estou rindo, do tanto que as coisas mudaram amor. Há pouco tempo, eu precisava que ficar, quase desesperado para conseguir preservar a minha sanidade e parar nestes momentos intensos. Agora, quando eu começo a me dar conta, você já agiu. Eu estou surpreendido com isto amor, e é só. E eu ri, por que, enfim, eu não tenho que ficar mais o tempo todo atento, para nos tirar de algum apuro, é isto que é interessante. Perdoe-me amor se eu irritei você, não foi esta a intenção...
Eu já não estava mais irritada... simples assim, eu não conseguia nunca, realmente brigar com ele, nós dois possuímos tanto pavor de entristecer ou magoar um ao outro, que acabamos nos acostumando a resolver tudo antes que se transforme em algo mais...
— Tudo bem então. E lindo, eu tenho algo a perguntar. Você conseguiu escrever os seus sonhos?
Pergunto e fico esperando para ver o que ele tem a responder...
POV HENRY
Assim que a Valerie me pergunta se eu consegui escrever os sonhos, eu me lembro que tenho que a entregar. Passei a tarde muito envolvido com isto, depois que eu terminei com as encomendas da Ferraria. Então, eu digo sinceramente.
— Sim, Valerie, eu havia esquecido de falar, me perdoe.
Vou até a minha bolsa em meu quarto, e pego as cartas, assim que o faço ela me chama até seu quarto. Vou imediatamente. E ao chegar, encontro-a sem sentada na cama, e ela faz sinal para que eu me sente ao seu lado.
Mesmo desconfortável, pois, eu não gosto daquela cama, eu o faço, ela percebe o meu desconforto, sorri e diz:
— Não vai demorar Henry, eu só quero lhe mostrar algo.
Assim que ela diz isto, eu vejo. Ela pega em seu colo, uma linda caixa decorada, ela a coloca entre nós na cama.
Eu fico curioso com a Identificação da tampa: Recordações de Henlerie. E ela nota o meu olhar curioso, e diz...
— Trata-se da junção dos nossos nomes amor, Henry e Valerie: Henlerie. Ela me diz timidamente. – O que você achou? Se não gostar, pode dizer que eu modifico.
Como ela pode pensar que eu não gostei?
— Amor é lindo! Eu achei perfeito tanto o Henlerie como a caixa. Eu preciso dizer isto a você princesa, a cada dia, eu fico mais encantado com o quanto você é talentosa, caprichosa e organizada Valerie. Você é realmente uma noiva perfeita, aliás, minha noiva perfeita! E a cada dia, eu a amo mais, sua linda!
Ela fica muito vermelha, mas, diz...
— Obrigada Henry! Você que é perfeito amor, e eu também o amo muito.
Aproximo o meu rosto do dela e dou-lhe um beijo suave. E ela se afasta para terminar de me mostrar tudo.
Quando ela retira a tampa, fico surpreso com o que vejo. A caixa também é forrada internamente, e dividida ao meio, onde de um lado está identificado como Pertences da Valerie e do outro, Pertences do Henry. E em cada lado, três envelopes. Identificados como, Sonhos Bons e o outro Sonhos de Aviso e mais outro escrito: Cartas.
Vejo-a abrir o envelope de Sonhos Bons e pegar um outro envelope identificado como Sonho Íntimos.
Aquilo me deixa um pouco assustado. E ela percebe e se apressa em explicar.
— Lindo, quando eu terminei de fazer tudo, eu senti o desejo de escrever estes também, e não me pergunte o por que, eu simplesmente o senti. Escrevi o meu e está aqui, e ela me mostrou também o seu envelope com uma carta dentro, e em seguida o guardou novamente. Bom, eu sugiro que você escreva os seus que você teve só depois que estamos juntos, e eu lhe dou a minha palavra de que não vou mexer amor, e você me conhece. E no mais, o meu também estará aqui.
Achei bem interessante a colocação dela, e não sei o por que, eu não fiquei com receio de fazê-lo, creio que seja porquê, a partir de agora, nós precisamos mesmo desenvolver mais confiança e intimidade em compartilhar as nossas coisas, pois, estamos nos preparando para viver uma vida em comum. Na verdade, escrever eu os escrevi, porém, eu não os trouxe e resolvo dizer isto a ela.
— Amor, na verdade eu já os escrevi. Pois, eu também senti que era importante. Mas, não os trouxe, me desculpe. Amanhã eu prometo fazer isto. — Ela assentiu com a cabeça afirmando, e compreendendo. E eu prossegui: — Achei linda a caixa Valerie, e também gostei muito do Henlerie.
— Sim amor, e obrigada, eu fiz com o coração. E devo-lhe dizer que eu bem que pensei fazer uma para cada um, mas, quer saber, eu achei melhor assim. Já que nós estamos nos preparando para viver uma vida em comum. Então, eu fiz assim como um símbolo e lembrança de que, a partir de agora, estamos nos preparando para compartilhar tudo, nossas vidas, nossas coisas, nossas alegrias, nossas dores. A única coisa eu jamais dividiria nesta nossa relação amor, seria você, disto eu realmente não abro mão, você é o meu maior tesouro, meu maior bem, e é indivisível. Você é só meu, meu príncipe!
Ela diz olhando em meus olhos, e em tom sério.
Três coisas aconteceram comigo, uma é que eu sorri, por ela dizer que não me dividiria, outra, foi que eu que achei lindo ela dizer a respeito do nosso comprometimento em viver uma vida em comum, e ainda eu fui acometido da vontade de falar para ela...
— Valerie, eu achei lindo e perfeito tudo o que você disse para mim amor, até mesmo o comentário a respeito de que você não me dividiria com ninguém. Porém, você precisa saber que eu sou somente seu amor, e você só terá de me compartilhar com os nossos filhos. Mas, você sempre terá uma parte especial de mim. Porque você é a minha joia de maior valor. Eu amo você demais princesa! E no mais, eu também não dividiria você com ninguém amor, a não ser sim, com os nossos pequenos. E por isto, eu quero esperar um pouco, pois, eu ainda não aproveitei você o suficiente.
Digo-lhe isto e dou-lhe um selinho em seguida.
— Eu sei Henry, este também é o motivo pelo qual eu quero esperar também, para termos os bebês. E lindo mudando de assunto, mas aproveitando-o. Estou preocupada em relação a Prudence e ao Cedrico, justamente com relação a isto. Eles começarão uma vida como casal, já com um bebê, e acho que não vai ser fácil. E creio amor, que nós teremos de dar a eles bastante suporte. O que você acha?
— Claro Valerie. Tenho pensado nisto e estou preocupado também. Já tenho até aconselhado bastante o Cedrico, para o caso de a gravidez dela ser confirmada.
Valerie respira fundo, preocupada.
— É amor, mas, nós podemos contar que, já é confirmada. A possibilidade de não ser gravidez é quase nula. Precisamos mesmo prepará-los e apoiá-los.Eu estive pensando, se eles quiserem, eu darei meus móveis do chalé a eles. O que você acha?
— Bem, se eles aceitarem excelente. É um gasto a menos para eles já que nós cederemos a casa. E o que podemos fazer é dar o enxoval do bebê amor. Isto ajudaria demais.
— Lindo você faria isto? — Ela me pergunta radiante.
— Claro Valerie, se você estiver de acordo. — Eu respondo com sinceridade.
— Amor, estou de acordo e muito feliz por eu ter um noivo tão bom! Lindo a cada dia eu tenho mais certeza que sou extremamente abençoada por ter você, meu noivo perfeito. Amo você demais!
Ao dizer isto, ela fecha a caixa, e vem até mim, sentando-se em meu colo. Automaticamente a recebo e em seguida levanto-me com ela no colo e seguimos em direção ao sofá. E no percurso, vou olhando em seus olhos.
Ao sentar-me com ela, tomo os seus lábios nos meus. E devo dizer que o beijo é delicioso. Como gosto da sensação daqueles lábios nos meus.
De repente, ela se afasta dos meus lábios, e fica me observando.
POV VALERIE
Olho para o Henry e algo passa pela minha cabeça.
— Amor venha aqui, que vou fazer com você o que eu sempre faço e não tive a oportunidade de fazer hoje.
Dizendo isto, eu abandonei o colo do Henry e sentei-me no sofá e puxei-o para que se deitasse com a cabeça em meu colo. Então comecei a acariciar o seu rosto, as suas pálpebras, a sua testa e por fim, os seus lábios, fazendo-o relaxar, para extravasar o estresse... E funcionou. Logo toda a sua tensão visivelmente esvaia-se do seu corpo... Passei ainda alguns minutos assim. E depois de algum tempo...
— Henry? – Eu o chamei...
— Hum...
— Eu estive pensando... o que você acha de nos casarmos ao ar livre? Eu sempre achei tão lindo amor, e provavelmente, nós conseguiríamos encontrar algum lugar que pudesse ser bem organizado para um casamento. Eu sempre achei lindo um casamento feito pela manhã e ao ar livre. E assim, eu não precisaria usar nada muito extravagante..., mas eu só quero isto, se agradar a você, amor. E o que você me diz? – Ele abriu os olhos me olhando com admiração...
— Amor, é sério isto? – Ele perguntou-me surpreso.
— Claro que é, por que, você não gostou? Se não houver gostado, eu não me importo amor, é apenas uma sugestão.
— Não princesa, não é isto, eu amei a ideia. Acontece que eu estou surpreso com o seu pedido, pois, eu também sempre admirei casamentos ao ar livre e pela manhã. Só jamais opinei, porque eu acredito, que quem deve escolher estas coisas é a noiva, no entanto, eu fico feliz por pensarmos igual então, se é assim, será mesmo desta forma. E quanto ao local, eu já sei o que fazer, como eu já comprei os terrenos, vou providenciar, esta semana mesmo, que levantem os muros, encomendar as cercas vivas para eles, e já mando preparar as gramas e jardins, aproveitando que tem algumas árvores lá. Assim, neste tempo até o casamento, todo o local já estará pronto e favorável para receber uma festa, como não há imóvel no local, podemos contratar alguém para construir uma tenda do tamanho que necessitarmos para a cerimônia e a festa. E o que você acha amor? E a propósito, que tal, no domingo, eu a levar para conhecê-los?
— Acho ótimo. E no domingo, nós iremos então. Nossa que maravilha, eu fico feliz, que dará certo...
— Eu também linda... Eu também, a cada coisa que decidimos, e acertamos, eu sinto cada vez mais, o quanto é real.
E eu sorri para ele, confirmando as suas palavras. De repente, eu olhei o relógio e vi que nós dispúnhamos um bom tempo, até a minha mãe chegar. Por volta de mais de uma hora, e como eu percebi que nós estávamos cansados. Inclusive, o Henry já estava de olhos fechados novamente, perdido em minhas caricias...
— Amor?
— Hum...
— Vamos fazer uma coisa? – Ele abriu os olhos... – Como a mamãe só chega por volta das oito e temos mais ou menos uma hora e vinte livres... vamos dormir um pouco? Eu acredito que nós dois, precisamos...
Ele deu um sorriso lindo. Levando-me a pergunta-lo:
— O que foi?
— Acho impressionante, parece até que você lê os meus pensamentos. Eu estava desejoso para te pedir isto, porém, eu não queria estragar este momento, que estava tão bom. Vamos então.
Eu sorri, com o seu comentário...
O Henry se levantou, fazendo sinal para eu esperar... ele trancou a casa, deixou tudo acesso lá fora, já que quando acordássemos já estaria bem escuro.
Ele voltou até o sofá e me tomou no colo me levando até o quarto. Em seguida, trancou o quarto e ligou o ventilador. Assim, ele me colocou na cama, e deitou-se ao meu lado, juntinho a mim. Eu me encolhi em seus braços deitando em seu peito, enquanto ele nos cobria com o lençol.
– Descansa um pouco também amor, vamos precisar de todo descanso possível, para estarmos bem amanhã.
Então, o Henry tomou o despertador e programou para quinze para oito...
— Amo muito você Henry, dorme com Deus, seu lindo!
— Também a amo demais Valerie. Durma com Deus também, princesa, e sonhe comigo.
E sorrimos juntos.
E assim adormecemos descansando nos braços um do outro...
POV HENRY
Sinto um toque quente sobre o meu peito. Assim desperto com o rosto do meu amor descansando sobre mim.
Ao abrir os olhos, tomo consciência do calor que envolve o meu corpo em cada parte que nos tocamos. E a sensação de tê-la desta forma, em meus braços, é maravilhosa. Eu a amo com todo o meu ser.
Lembro-me do relógio, e ao olha-lo percebo que ainda faltam 15 minutos para marcar o horário que o colocamos para despertar. Fico feliz com isto.
Assim, retiro o despertador da programação, para que o seu som, não assuste, a minha princesa. Resolvo deixa-la dormir um pouco mais. Porque, quase nunca tenho a oportunidade de vê-la dormir.
E agora, eu entendo por que ela gosta tanto disto, me contemplar dormindo. Realmente é algo maravilhoso. Ela fica ainda mais linda.
O seu rosto está sereno, ela tem o esboço de um sorriso na face. Beijo a sua cabeça, e posso sentir o quanto aquele contato me faz bem, tê-la assim comigo, quentinha, segura em meus braços, é uma sensação indescritível...
E saber, que ela está aqui por que quer, por que gosta de estar comigo... e o melhor, ela quer estar comigo para sempre, é algo que eu não consigo, se quer, expressar.
Por mais que esteja ótimo, estar assim com ela, eu tenho consciência de que eu preciso me levantar, porque eu tenho coisas a fazer, e quero deixar tudo organizado antes da sua mãe chegar.
Eu pretendo deixa-la descansar um pouco mais... eu consigo me levantar com cuidado sem acordá-la.
Porém, todo o meu corpo protesta a sua ausência...
Recosto-a no travesseiro. Ela se meche um pouco, mas não acorda. Beijo o seu rosto e saio do quarto em direção ao banheiro, deixando um rastro de ordem por onde passo.
Realizo a minha higiene pessoal, arrumo os cabelos, para não deixar na cara que eu estive dormindo. Ainda é desconfortável demais para mim, encarar Suzette, desta forma.
Saio do quarto e a primeira coisa que eu faço, é acender os fogos e o forno para terminar o jantar que a Valerie preparou. Preparo a mesa. Realmente é uma pena não ficar para jantar hoje, mas é necessário.
Após tudo pronto, preparo a minha bolsa, com tudo o que eu irei precisar para voltar para casa. O presente dela, como ela disse, um empréstimo para amenizar a minha saudade, o envelope com as cartas, e algumas outras coisas.
Depois de tudo pronto, ocorre-me uma ideia, de arrumar o seu quarto para que eu leve ela para lá, e deixe o meu quarto pronto para que Suzette não perceba nada diferente, o único problema será acordá-la, mas, eu resolvo correr o risco, pois, se der certo, ela pode continuar dormindo por mais algum tempo enquanto converso com Suzette antes de sair, e ela está precisando mesmo descansar.
Então, eu coloco o meu plano em ação...
Entro em seu quarto, preparo a sua cama para ela dormir e ligo o seu ventilador. Vou até o meu quarto e com muita cautela e carinho, retiro-a da cama, tomando-a em meus braços. Assim que o faço ela se aconchega imediatamente em mim, buscando refúgio...
A cena me deixa extasiado de alegria. Mais ainda, quando ela procura com a sua mão, a posição do meu coração. Tenho observado que ela ama fazer isto enquanto dorme. E é impressionante para mim. Imediatamente levo-a para seu quarto e coloco-a em sua cama com cuidado, cobrindo-a em seguida. Beijo novamente o seu rosto e arrisco dar um breve selinho em seus lábios, ela me surpreende sorrindo. E continua a dormir tranquilamente.
Saio dali fechando a porta e rapidamente vou ao meu quarto deixando ordem em tudo, inclusive arrumando a cama. Desligo o ventilador e fecho a porta. Imediatamente me dou conta que faltam dez minutos para as oito e que em breve Suzette chegará... Abro a porta para espera-la, pois, eu não quero que ela toque a campainha. Eu não quero acordar Valerie. Quando sinto o cheiro da comida preenchendo a casa, corro para desligar tudo.
Passam-se mais alguns minutos e ela aparece.
— Olá Henry, boa noite...
— Oi Suzette, boa noite.
— Onde está Valerie? – Sabia que perguntaria, e é a deixa que eu tenho para engrenar a nossa conversa.
— Ela está dormindo. Na verdade, quando cheguei, e assim que lanchamos, fomos cada um descansar um pouco, nossa noite ao que parece foi péssima, e precisamos estar recuperados para amanhã. Antes de você entrar, vamos sentar aqui no jardim, pois, eu preciso conversar algumas coisas com você antes que ela acorde.
Dizendo isto, sentamos no banco do jardim.
Suzette então, disse:
— Quanto a Valerie eu sabia que ela teve uma noite ruim e você já sabe o motivo, pois, ela te procurou para isto hoje de manhã. Mas, você não ter dormido, é uma surpresa para mim...
Então, eu resolvi compartilhar, algumas coisas, sinceramente, com ela...
— Olhe, depois que eu tomei posse da guarda, eu já não tenho lá, longas noites, e ininterruptas de sono. No entanto, agora, as coisas estão ainda mais complicadas, eu tenho estado preocupado Suzette. Muito embora, eu procure não demonstrar, para não preocupar mais ainda, a Valerie. Preocupado com a reforma aqui do chalé, as coisas do casamento, a viagem dela, e claro, o risco a respeito de Mildrad, e confesso que depois deste sonho dela, eu tenho estado mais apreensivo ainda. Então, dá para deduzir como estão sendo as minhas noites. Principalmente, quando eu estou longe dela. É incrível como a proximidade, nestas horas, nos dá mais sensação de segurança. Quando eu durmo aqui, eu tenho menos preocupação. Mas, eu vejo a necessidade de ela ter você por perto, as meninas, e eu também tenho a minha avó e nós não nos casamos ainda, então, você já viu, eu tenho que administrar tudo isto na minha cabeça... o que não é fácil...
Suzette me observava atentamente.
— Bom, mas aqui entra você, eu preciso da sua ajuda em algumas coisas, Suzette. Primeiro sobre a reforma, você é o meu ponto de apoio, para eu não fazer nada que ela não goste. Eu vou realmente fazer esta reforma durante a viagem dela, como uma surpresa Suzette, ela não pode saber, se não, ela não vai me deixar fazer a metade do que eu quero e posso fazer por ela, você sabe como ela é. E no mais, se eu esperar ela voltar, para então começar a reforma, o casamento demorará mais ainda. E eu confesso a você Suzette, eu não aguento esperar mais... está sendo muito difícil para mim, de todas as formas que você puder imaginar. Minha espera já é longa, você sabe. Mas, antes, eu sabia que não havia jeito. Havia uma distância imensa entre nós, entretanto, agora é diferente, eu sei que ela me ama e também quer se casar comigo, isto torna cada segundo de espera doloroso. Não sei se você me entende. E me desculpe falar sobre isto, mas, eu não tenho muito com quem falar, só você e a minha avó. Então, eu preciso da sua ajuda, para me orientar como fazer tudo do jeito dela, nos detalhes, e minha avó já se propôs em ajudar, você sabe. Eu realmente conto com você...
— Pode contar meu filho, claro... E Henry, qualquer coisa que você precisar eu estou aqui. Eu tenho por você, um carinho muito grande como se você já fosse da minha família, então, estou aqui para o que você precisar.
Eu acenei com a cabeça agradecendo.
— Mas e o outro assunto...
Ela me disse, e eu senti que ela também estava apreensiva...
— O outro é a nossa segurança... eu digo nossa, por que não se trata apenas de Valerie. Eu andei sondando, e Mildrad, tem se envolvido com coisas bastante sérias e perigosas, fazendo amigos, mas, também inimigos por onde passa. E pelo que eu tenho conseguido perceber de sua maneira de agir, ele não hesita em usar pessoas inocentes para alcançar os seus objetivos... O que eu quero dizer com isto? Tudo me leva a crer que hoje, depois de ter sido surpreendido por Peter naquela época quando ele tentou algo contra a Valerie e tomou àquela surra, ele não fará nada diretamente. Entretanto, ele poderá usar as pessoas para chegar até ela. Aí entramos todos nós Suzette, eu, você, a minha avó, as meninas, e até o Cedrico e os próprios irmãos do Mildrad. Se o Mildrad, colocar em risco, qualquer um de nós, ou nos tornar vulneráveis, a Valerie não pensará duas vezes, para fazer uma besteira qualquer para nos proteger... como hoje, eu a conheço bem, e sei o quanto ela é inteligente e astuta, e protege com unhas e dentes o que ama... eu tenho que me antecipar a isto. Então, depois de conversar com ela, ela aceitou que eu redobre a segurança nas nossas construções, aqui no chalé e lá em nossa casa na vila. E ainda na sua, e de minha avó. Mas, isto não é tudo... a partir de segunda-feira, nós teremos cinco competentes guerreiros do Reino aqui, eu os contratei e eu os irei treinar e passar as nossas rotinas a eles. Um ficará responsável por minha avó em minha casa e Ferraria, e onde ela for; outro por você; outro será a sombra de Valerie onde ela for, inclusive, ele ira com ela na viagem; outro no chalé vinte e quatro horas por dia; e outro que estará de olho no Cedrico e nas meninas. Sondando tudo ao longe. Sei que não vai ser fácil, perderemos um pouco a privacidade, mas ganharemos mais segurança, Suzette. Eu não posso de maneira alguma, arriscar que aconteça algo a ela... eu não suportaria. Então, eu marcarei uma reunião com todos nós aqui, no Domingo. Para que vocês os conheçam, e para que possamos passar as nossas rotinas para eles...
Senti que ela estava apreensiva, mas, prestava atenção a cada palavra minha...
— Olha Henry. Eu não posso dizer que eu não estou assustada ou que isto me agrada. Todavia, como se trata da minha filha e de você, claro, que eu vou colaborar, eu já tenho você como um filho, eu já te disse isto. E, eu quero te agradecer por tudo que você está fazendo Henry, pois, a Valerie, somente tem a você para cuidar dela, agora, e a mim, mas, eu sou mulher, e é diferente. No entanto, eu preciso alertá-lo Henry, cuide-se também meu filho, pois, eu tenho a certeza, de que ela também, sofreria muito, se algo acontecesse a você...
— Eu sei, e como sei... Pode deixar. Mas, então, é isto. Amanhã, no noivado, eu, o Cedrico e o Marvel, iremos acertar os detalhes...
— Henry, eu tenho uma pergunta sobre isto, e é bem séria... – Ela me disse preocupada.
— Pode fazê-la Suzette. – Eu disse apreensivo.
— E como o Marvel está encarando isto? Afinal, ele é irmão do Mildrad e você não está brincando, quando diz que vai protegê-la. E se algo vier a acontecer... Deus me livra, eu não quero nem pensar no pior...
— Olhe Suzette, na verdade, eu estranhei você não ter me perguntado antes. Porém, já que você o fez, é o seguinte, eu já tenho feito contatos com ele através de Roxane, e pasme... ele que me deu todas às coordenadas para que eu pudesse vasculhar a vida de Mildrad. O Marvel tem ciência dos atos do irmão, e sabe que é só questão de tempo para que alguém o surpreenda ou faça-o pagar por seus delitos. E quanto ao fato de sermos amigos, e de nossas famílias serem próximas, ele consegue separar isto, ele me disse que teme pela segurança deles e de Roxane também, então, ele entende que eu terei Valerie como a minha prioridade máxima, pois, é assim que ele se sente em relação à Roxane, à Made e ao Marverick. Então... ele tem ciência da seriedade do assunto, inclusive, ele me permitiu enviar um dos guerreiros responsáveis pela segurança dela, para lá, no período em que Valerie estará lá.
— Compreendo, mas, você já parou para pensar sobre isto? Na possibilidade de realmente algo acontecer e... você ter que tomar uma atitude drástica? Desculpa-me meu filho, pode soar como pessimismo, mas, não é. Eu apenas estou tentando leva-lo a se preparar emocionalmente para tudo...
Respirei fundo e continuei...
— Ninguém sabe, mas, é o que mais tenho pensado nestes dias, porque por mais que eu ame a família do Marvel e tenha extrema consideração por ele. Depois de que eu ouvi Valerie contar para mim tudo o que ela passou nas mãos do Mildrad, e o quanto a simples possibilidade de ele chegar perto dela, pode feri-la, estou realmente decidido, se ele ao menos tentar, eu o mato, eu ou os meus homens, as ordens serão claras.
Suzette me olhava, atenta a cada palavra minha.
— Suzette, eu nunca senti tanta certeza, e confesso, me perdoe a sinceridade, nunca estive com tanto desejo de matar alguém, e pode ter certeza, que as ordens para os meus homens que eu estou contratando e o meu objetivo, caso ele, se quer, tente se aproximar de Valerie, é matar, sem pensar.
Percebo que Suzette ficou bastante surpresa com a intensidade da verdade das minhas palavras, ela viu que eu não estou brincando. Entretanto, ela procurou disfarçar o seu desconforto.
— Que bom então, assim, eu fico mais aliviada... era só o que eu precisava saber, o quanto realmente você está preparado internamente para lidar com isto..., mas, eu quero aproveitar o momento para perguntar algo Henry.
Percebi que ela estava constrangida...
— Pode perguntar Suzette.
Ela respirou, bem fundo e disse...
— Henry, você me perdoou pelo que aconteceu com seu pai? Eu não estou me referindo apenas a minha relação com ele. Mas, por ele também, ter continuado a me amar?
— Olha Suzette eu não vou mentir, eu fiquei muito chocado, ainda mais sabendo o quanto a minha mãe sofria com aquilo, apesar de que, eu não sabia que a mulher que o meu pai amava era você. Mas, quer saber? Quem sou eu para julgar vocês, nossa consciência já faz isto o tempo, todo quando erramos. Mas, a resposta é, sim eu te perdoei, se a própria mamãe fez isto que o papai me contou, como eu poderia fazer diferente?
Percebi que a Suzette ficou triste quando eu disse isto.
— E no mais, eu já sofri o suficiente, e não quero guardar sentimentos ruins.
Eu disse a ela sendo sincero, e pude nota-la mais aliviada por ter corrido tudo muito bem ao conversar sobre este assunto comigo.
— Obrigada Henry, por tudo mesmo, meu filho! Minha filha tem sido realmente muito abençoada, por ter recebido um presente como você. E quanto a sua mãe, ela realmente nos perdoou, a mim e ao seu pai, ela conversou conosco, pouco tempo antes de morrer.
— Obrigado a você Suzette, pois, Valerie também é um imenso presente para mim. Não vivo sem ela mais Suzette de maneira alguma. – Eu disse pensativo.
— Eu percebo isto, e ela também não é mais capaz de viver sem você, acredite. E nossa... por falar nela, Valerie realmente está cansada...
— Nossa, muito Suzette, e estou num dilema aqui, por que eu quero deixa-la descansar, mas, eu vou morrer de angústia de ir sem me despedir dela, e sei que ela não ficará muito feliz comigo se eu fizer isto...
Suzette sorriu solidária comigo, e eu retribui...
— Entendo meu filho. Você a ama muito não é Henry? – Suzette me pergunta.
— Você não faz ideia do quanto! Demais, chega até ser difícil de compreender... eu estou tão feliz, mas tão feliz, por tê-la Suzette, você não faz ideia... o fato dela agora ser minha noiva, e por que, quer assim, por que deseja isto... nossa, eu nem sei expressar direito, o que eu sinto quando penso nisto, é grandioso demais, intenso demais.
— Eu sei meu filho, eu posso ver. E posso te garantir, ela também ama muito você, não me pergunte como, por que eu acho, que nem ela mesma sabe explicar... Como eu agradeço a Deus por isto. Por ela ter vencido o que sentia pelo Peter. Desculpe Henry, eu não vou tocar neste assunto...
— Não. Fique tranquila, isto não me faz mal, eu superei graças à Deus... eu reconheço Suzette, tudo que ela sentiu pelo Peter e o que ele também sentiu por ela. Eu o perdoei do fundo do meu coração. Eu o perdoei mesmo, por tudo... você sabe do que estou falando? Não somente por Valerie.
Eu estava me referindo ao fato do seu pai ter matado minha mãe, e Suzette fez sinal que compreendeu...
— Sabe Suzette, depois que eu passei a conhecer mais a Valerie, depois que estamos juntos principalmente. Eu compreendi que não havia como o Peter não a amar, ele a viu crescer, acompanhou quase todas as suas fases, na infância. E viu o quanto ela é formidável, boa, corajosa, linda, determinada, inteligente, e ele viu muitas destas características crescerem e se intensificarem nela, então como eu posso culpa-lo por amá-la? E eles passaram muitas coisas juntos, houve mesmo oportunidade para que ela também o amasse. E, eu sempre penso em uma coisa, ele a amou de verdade, pois mesmo diante de toda humilhação que ele passou na vila, ele voltou por ela... e, eu posso te afirmar que, ele com certeza, só se afastou dela agora, por certamente, não ter tido outra escolha. Certamente ele teve motivos fortes para isto...
Eu não podia dizer a verdade aqui, que o Peter estava morto, porém, o que eu disse não é mentira, ele realmente teve motivos para se ausentar, a sua morte. Confesso que meu coração dói de pensar nisto. Realmente, eu sinto pena do destino do Peter.
— Ele arriscou-se na época do lobo para salvá-la, ele se aliou a mim e ao Cesaire para soltá-la e fugir do ataque de Padre Solomon. Eu nunca poderei duvidar de sua nobreza quanto a isto... e sem contar, eu devo a ele, por Mildrad já não ter feito o mal a Valerie, anos lá atrás. Então... eu tenho todas as razões para perdoá-lo. Desculpe se eu desapontei você, pois, eu sei que você nunca gostou muito dele.
— Claro que você não precisa se desculpar Henry, eu entendo você, e isto só prova para mim, o quanto você é bom e nobre... e de certa forma eu mesma já considerei algumas coisas a respeito disto, e você tem razão... eu fico feliz por você tê-lo perdoado, carregar estes sentimentos, nos faz muito mal.
— E como Suzette. Bem, eu realmente preciso ir. A vovó está me esperando para jantar, se não se importa, eu vou até o quarto de Valerie vê-la, posso?
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Henry, nem vou me dar ao trabalho de te responder. Por favor, fique à vontade... Se resolver não a acordar, pode deixar que depois, eu converso com ela. Vá lá então...
Assim, nos levantamos e vamos em direção a casa. Suzette vai para cozinha. Mas, antes dela entrar lá, digo-lhe...
— Eu já aqueci a comida. Está tudo pronto, para ela poder descansar, é só comer, coloquei a mesa também...
— Tudo bem meu filho, obrigada.
Entro no quarto, fecho a porta e vejo o meu anjo dormindo da mesma forma que eu a deixei. Sento-me ao seu lado, e começo a acariciar o seu rosto, mas, ela realmente dorme profundamente. Encho-me de compaixão por compreender o quanto ela está cansada, por ter dormido mal à noite, justamente nas vésperas de um dia tão intenso como hoje. Ajoelho-me ao seu lado... beijo a sua cabeça, o seu rosto, e por fim, os seus lábios, dizendo, em seguida, em seu ouvido...
— Amo você minha linda, durma com Deus!
Lembro-me de que hoje, ela ainda não leu, a minha carta da noite, mas se ela acordar, certamente ela fará... Resolvo então, pegar um papel, no meu bloco em minha bolsa que está comigo, e uma caneta e rascunho o seguinte bilhete:
Minha Princesa, Boa Noite!
Não se desespere ao acordar e perceber que, eu não estou aqui.
Valerie, você está em seu quarto, pois, dormiu para descansar.
Sua mãe chegou e eu fiquei com pena de te acordar e fui embora. Mas, antes que ela chegasse, deixei a comida pronta, e a mesa também. Amor, eu deixei o meu quarto arrumado também, não se preocupe com nada princesa, pois, está tudo sob controle, eu só achei que você merecia descansar...
Caso acorde e ainda for noite, e sentir muito a minha falta, leia a carta de hoje, que fiz para você. Lembre-se, você é tudo para mim...
Te Amei ontem, Te Amo Hoje, e Eternamente Te Amarei!
Do Sempre Seu, Seu Noivo: Henry Lazar!
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Coloco o bilhete dobrado com o nome dela escrito, bem a vista. Por fora, em cima da mesinha, para que ela veja assim que ela acordar. Guardo minhas coisas na bolsa.
Assim, saio do quarto, e encontro Suzette, sentada ao sofá descansando...
— Eu não tive coragem de acordá-la, eu vou precisar que você converse com ela para mim Suzette. Eu demorei, pois, eu estava escrevendo um bilhete para ela. Ah, antes que eu me esqueça, como nós passaremos o dia fora amanhã, eu precisava de um favor seu Suzette. Pode contar com a minha avó também, pois, eu vou conversar com ela... você pode preparar o chalé para o jantar para nós? Eu encomendei flores. Já as coisas para o jantar, nós vamos trazer de lá do passeio. E mais, algumas flores como também três buquês, peça a vovó para recebê-los lá em casa. Pois, são surpresas e não poderão ficar aqui...
— Claro que eu posso, se você me der carta branca, eu preparo tudo Henry, até o jantar, inclusive eu sugiro isto, deixa programado o que querem e posso ir adiantando o que houver ingredientes aqui. E vocês deixam para terminar o que falta quando chegarem com o restante, o que você acha?
— Se não for um incômodo, eu acho ótimo, mas, eu preciso que você resolva com a Valerie, eu não posso dar carta branca sem falar com ela, porém, o que ela decidir para mim, está de bom tamanho. E caso ela decida assim, amanhã cedo você passa lá e confirma com a vovó. Eu já vou deixa-la de sobre aviso. Desculpa pelo pedido Suzette, é que tudo já estava organizado, e a viagem marcada. Então, não tinha como mudar mais. Eu realmente gostaria de aproveitar este tempo que eu estarei com ela por lá, para adiantar várias coisas sobre a reforma e algumas com relação ao casamento.
— Fique tranquilo, eu o farei, aliás, farei tudo que me pediu. Vá meu filho vá com Deus, estou preocupada, está ficando tarde...
— Sim, claro. Fique com Deus também, tranque tudo e cuide-se e cuide dela para mim...
— Sim, pode deixar...
Então, fui para o jardim com minhas coisas à mão, e peguei meu cavalo e fui em direção à vila, não sem antes observar que Suzette havia entrado e trancado tudo...
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(*) Devo lembrar que, o nome HENLERIE, foi um presente da linda Luli Melo! Obrigada flor, eu coloquei o Shipper na Fanfic em homenagem a você!
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