Notas iniciais
Olá Pessoal, boa noite! Capítulo 1. Este capítulo, dará uma retomada em alguns pontos da História Original e deixará um gostinho de continuação!

POV VALERIE

(Ouçam suavemente)

MÚSICA 1

MÚSICA 2

A vida nos leva a fazer escolhas sempre, mas, ela nunca nos pergunta se estamos preparados para as consequências de nossas escolhas.

No dia em que vi Peter deixar o vilarejo, com a promessa de que estava fazendo aquilo para me proteger, e que, só voltaria quando soubesse que eu estava segura, e que, também prometi de volta que esperaria por ele, na verdade, eu jamais imaginei como seriam os dias após aquelas promessas.

Não que eu tenha me arrependido, pois afinal eu o amo, sempre o amei, e sei que ele sempre ocupará um lugar muito especial em meu coração. Sei do seu amor, que sempre foi tão incondicional, a ponto de fazê-lo voltar, por mim.

Eu sei que ele só voltou, depois de anos a Daggorhorn, após o incidente com seu pai e a mãe de Henry, porque não suportava mais viver longe de mim, assim como eu não suportava viver longe dele. Isso era tão real, a ponto de ver setas no chão (brincadeira que ele usava quando éramos crianças, como código para sinalizar que precisava me encontrar), onde na verdade elas não existiam. E sei também, que ele ó partiu após ser mordido pelo lobo, meu pai, também por mim, para me manter segura.

Mas a vida não é mesmo como pensamos, não é? Muitas coisas mudam, muitos caminhos se modificam, embora sentimentos nobres nunca acabem, eles simplesmente se transformam.

Peter cumpriu sua promessa, ele sempre vinha me ver, após perceber que poderia se controlar. Mas, ao mesmo tempo em que meu coração tamborilava e cantarolava por vê-lo, eu me angustiava por ver a dor por trás de seus olhos.

A dor por seu destino, e por sua nova condição, a de Lobisomem. Logo ele, um rapaz sempre tão trabalhador, tão doce, com uma história tão sofrida.

Peter havia perdido sua mãe, ainda muito pequeno, eu mesma não a conheci. Foi criado por seu pai, que não era um bom exemplo. Mas, Peter sempre se manteve honesto, justo, cortês.

Ele sonhou em crescer, trabalhar, e voltar a este vilarejo, com o objetivo de me buscar para então nos casarmos e irmos embora daqui, e eu sempre sonhei com isto também, pois sabia que as lembranças deste lugar o faziam sofrer, e sempre imaginei meu futuro ao lado dele e onde ele estivesse.

Então, quando as coisas sombrias que nos acometeram, começaram a acontecer, violentamente as circunstâncias mudaram a direção de tudo, nós fomos levados a repensar nossos sonhos e a reajustar nossos planos.

Embora, eu não viva mais dentro do Vilarejo, e sim, na casa que pertenceu a vovó, sei que não posso me afastar de vez, não agora, pois, se assim eu o fizesse, certamente seria o fim de minha mãe, ela perdeu Luci, a vovó e o papai. Muito embora, ela não saiba na verdade o que aconteceu, somente que ele nunca mais voltou.

Ela também perdeu seu grande amor Adrien. Sempre que reflito sobre esses fatos, eu consigo dimensionar o quão triste foi o destino de minha mãe, seu amor se foi pouco antes de ficar viúva. E agora, compreendendo o quanto a vida a torturou, tenho certeza que ela não suportaria me perder, seria um golpe fatal, pois, após todos os acontecimentos brutais que nos cercaram, eu me tornei seu amparo, verdadeiramente sua filha. Porque, antes, em seu mundo, tudo era voltado para Luci, e hoje eu sei o por que.

Não que esse fato me importasse, sempre gostei de me sentir livre, e certos apegos realmente pode nos aprisionar.

Portanto, com a nossa aproximação, algumas vezes eu até dormia com a mamãe, lá no Vilarejo, porém, não era sempre, pois quando Peter estava para vir, precisava ficar bem longe de lá.

O maior motivo, era que Henry ainda o caçava e os guerreiros do Padre Solomon também. Muito embora, não houvesse mais sinal do lobo, eles resolveram viver ali, e só viajavam quando o dever os chamava.

Então, Peter só voltava a Vila por mim, não havia mais nada para ele aqui em Daggorhorn. Sempre que ele vem, faço de tudo para alegrá-lo, e não deixar transparecer minhas preocupações. Que sempre estão relacionadas com a sua segurança, pois, lobisomens são caçados a todo custo, e também, com a incerteza da sua condição. E principalmente, por seu futuro, na verdade, o nosso futuro.

Nossos dias juntos parecem mágicos, andamos pela floresta, escalamos as montanhas, nadamos no rio, subimos as árvores mais altas, algo que sempre gostamos de fazer, desde que éramos crianças. E, agora é ainda melhor, pois suas habilidades, agora estão ainda mais potentes. Devido aos seus instintos de lobo, tudo nele, foi intensificado.

Mas o melhor mesmo, é voltamos para a Casa da Arvore, que apos a morte da vovó, passei a chamar de Chalé, pois, Casa da Arvore, faz menção a ela e sua personalidade, fazendo-me lembrar do triste fim que a envolveu.

Assim, dar a minha nova moradia um novo nome, Chalé, me remete mais ao recomeço que tive que dar a minha vida, após tudo o que me aconteceu.

De todas as maneiras, estar com Peter é maravilhoso, mas, nada se compara aos nossos momentos íntimos. Sentir seus olhos ardentes de desejo em mim, sentir seus dedos calejados pelo trabalho a me tocarem, suas mãos a explorarem todo meu corpo, em busca de intimidade, de satisfação e prazer, é reconfortante, por que, de tudo que virou de cabeça para baixo em minha vida, isso permaneceu intacto: ele me ama, ele sempre me amou, isto e o meu ponto de segurança.

Peter é um homem adorável e um amante muito habilidoso. Sentir seus cabelos e seus músculos torneados pelo ofício de lenhador, seu corpo estonteante tão próximo ao meu, de uma maneira que parecem fusionados em um só, é indescritível, quase que insuportável, como uma experiência de quase morte, onde nos desconectamos por algum tempo deste mundo, e depois acordamos sem entender muita coisa, em estado de letargia.

É exatamente assim que eu me sinto quando nos entregamos um ao outro: plena, completa. Como se nada mais existisse ou importasse.

Certa manhã, antes dele partir, pois, estava próximo da lua cheia, enquanto caminhávamos pela floresta, sentimos como se estivéssemos sendo vigiados.

Ocorre que, os instintos de Peter sempre o alertam de uma maneira mais aguçada do que a qualquer humano comum, já houve outras ocasiões em que ele sentia o mesmo, porém ele nunca conseguia captar o cheiro, era como se o curioso estivesse o mascarando com algo.

No entanto, embora Peter não temesse, principalmente quando estávamos próximo da lua cheia, onde estava sempre mais forte do que o normal, ele, se preocupava, temia por minha segurança, ainda mais porque sabia que precisaria estar fora, por alguns dias.

— Valerie, escutou isto?

— Sim. Já escutei à algum tempo, só não disse, para poder não te preocupar Peter.

— Mas, eu também já havia percebido, e não lhe disse com o mesmo receio de te preocupar Valerie. Meu Deus! Como me consome ter que deixá-la sozinha aqui neste Chalé, em meio a floresta. Eu não acho seguro. Embora os moradores da vila nunca mais terem te incomodado com aquela história de Bruxa, eu nunca mais fiquei tranquilo quanto a sua segurança. Se ao menos eu pudesse confiar em alguém, para pedir que tome conta de você...

— Não seja tolo Peter. Não preciso, eu estarei bem.

— A única pessoa a altura... Eu não posso confiar mesmo, deixa pra lá.

— Ah, não Peter, diga, por favor, não que eu precise, é mais pela curiosidade, quem é? Me fale! – E as seguintes palavras dele, me deixaram gelada, e em choque.

— Bom você não iria acreditar em quem pensei... – Como eu não disse nada, ele prosseguiu. – O Henry.

— O que? Como? Por que?

— Acalme-se Valerie! ... Veja bem, eu não confio nele por vários motivos, mas, de uma coisa, eu posso ter certeza: talvez a pessoa que mais queira você segura, depois de mim, é claro, e já provou que daria a vida por isto, é lógico que eu odeio admitir isto, é o Henry. Por mais que eu o odeie, não posso contestar que ele ame você, e faria qualquer coisa para mantê-la segura, ainda mais agora que ele é um guerreiro, mesmo ele sendo apenas humano, ainda assim, ele é forte e tornou-se muito corajoso...

Peter parecia estar refletindo sobre algo, então disse:

— Nossa! Eu nunca imaginei que diria isto, mas, não sou tolo o suficiente para brincar com a sua segurança, e de uns tempos para cá, eu tenho empenhado bastante tempo a pensar nisto. – Senti o quanto aquelas palavras soaram amargas na boca de Peter, mas também senti que ele as pronunciou com muita sinceridade.

— Não seja bobo Peter, não há nenhuma necessidade em pensar estas coisas, eu estou segura, e tenho você.

— Sim Valerie, eu sei, mas...

— Mas o que? O que está escondendo de mim?

Ele me olhou profundamente, mas continuou em silêncio. Então, eu o inquiri:

— Peter eu estou lhe fazendo uma pergunta.

— Bom é que esta minha nova vida é muito perigosa Valerie. E, eu tenho medo de em uma destas idas... – Ele parou, deu um suspiro pesado e muito cansado, desviando neste momento o olhar de mim, mas ainda assim, eu percebi uma nítida tristeza naquele olhar — ... Eu não volte nunca mais.

— Cale a boca Peter. – Eu gritei com o rosto queimando e já banhado em lágrimas. – Nunca mais diga isto! Me prometa!

— Calma, eu não estou dizendo que eu vou embora, sou egoísta demais para isso Valerie. Eu estou me referindo a possibilidade de que alguém como Padre Solomon, que vive a caça de feras como eu.... Venha... – E aquelas palavras saíram como uma punhalada direta em meu coração. – Venha algum dia... me... matar. – Ele pronunciou estas palavras com muita dificuldade. E quando as terminou eram como um sussurro. E logo ele fez uma expressão de arrependimento, pois, eu havia me lançado histérica e aos prantos ao chão.

— Não Peter, você não pode me dizer isto! Você não pode, não tem o direito de me deixar, eu não aguentaria mais uma perda... Meu Deus! Você não, já foi suficientemente difícil viver sem você em todos os anos que esteve fora, mas eu sempre estive certa de que algum dia você voltaria para mim. Não pode ser! Eu te imploro: não diga mais isto, por favor.

— Shhh... Calma meu amor! Por favor, acalme-se e me perdoe, mas, é que eu precisava compartilhar isto com você, Valerie. Veja bem, eu também não quero isto, você sabe, mas o que eu posso fazer? Olha o que eu sou, um ser amaldiçoado...

— NÃO! Nunca mais diga isto, você não é. Você é um homem maravilhoso, e eu te amo, muito.

Eu dizia cada palavra em meio a torrentes de lágrimas. Eu não conseguia me conter, pois, pensar nessa possibilidade, abria um rombo em meu peito de tamanho incalculável. Vagamente eu percebia que Peter estava aflito por meu estado de espírito. Mas, ficou claro no tom de sua voz quando ele falou:

— Eu também te amo meu amor! Não fique assim Valerie! Pois, enquanto eu ver que sou seguro para você, eu estarei aqui, eu já te prometi isso. Sou covarde, e egoísta demais para me afastar por conta própria, preciso de você bem mais que você possa imaginar.

Dizendo isto, ele me pegou no colo, me beijou profunda e apaixonadamente, me levando ao Chalé para que pudéssemos ter um momento só nosso. Dentro do nosso pequeno “lar”.

Notas finais
E aí pessoas lindas o que Acharam?